Está no site do Red Bulletin, como um resumo visual da temporada. Sei que todos vão notar o Nelsinho/Dick Vigarista, mas curti o Button/Peter Perfeito. A mola no Massa é de péssimo gosto.
BERLIM(tirando o atraso) – Vou copiar na cara dura o post do Fábio Seixas, até o título, sobre o programa “Observatório da Imprensa” desta semana, que discute a cobertura do caso Nelsinho-Cingapura pela mídia brasileira.
“Nas bancadas, Alberto Dines, Celso Itiberê, João Carlos Albuquerque e este que vos bloga”, diz o indigitado Seixas. “Participaram ainda Flavio Gomes, Ernesto Rodrigues, Reginaldo Leme, Mair Pena Neto e Lito Cavalcanti.”
Flavio Gomes sou eu. O programa está no VocêTubo em seis partes.
BERLIM(por fim) - Massa e Piquet-pimpolho se encontraram na Granja Viana, treinando de kart. Vi as fotos. Estão no Grande Prêmio. Se cumprimentaram, abraçaram-se e, pelo jeito, não falaram em particular sobre o que aconteceu em Cingapura no ano passado. Felipe, no entanto, disse em entrevistas que o que houve foi um “roubo”. Mas não acha que se deve mudar o resultado do campeonato. E acrescentou que mesmo pedindo perdão, Nelsinho tem de entender que errou e que seu erro será lembrado para sempre. Muito sensato. Aliás, Massa é muito sensato em tudo que fala. Não olha para trás, não lamenta o que passou (foi assim na decisão do título de 2008 em Interlagos), é um cara positivo.
Tomara que volte, e bem.
Quanto a Nelsinho, já gravou a entrevista da semana para o Reginaldo Leme, e será levada ao ar no “Fantástico” de domingo. O site da Globo diz que ele pede “desculpas ao povo brasileiro”. Menos. Digamos que o “povo brasileiro” se preocupa com coisas mais importantes que a F-1. E que pilotos não representam “o povo brasileiro”. Ninguém passou a ter vergonha de ser brasileiro porque Nelsinho se arrebentou no muro de propósito. Temos muitos motivos para nos envergonhar, certamente. Mas esse não é um deles. Quem deve se envergonhar do que fez é Nelsinho, não o povo.
PARIS(longe, o 2D) – Bonjour, macacada. O blog ficou meio abandonado ontem por conta de um breve voo, mas a primeira parte está cumprida e aproveitei a pausa para ler todos os comentários sobre a entrevista de Piquet-pai a Reginaldo Leme.
Ontem, antes de sair, assisti à íntegra no GloboEsporte.com. Sim, ficou claro que o problema maior do que foi ao ar no “Fantástico” foi a edição desastrosa. Por isso pareceu tão ruim a entrevista. Só escolheram trechos desimportantes e confusos. O problema é que Piquet não chorou, tirando as referências dos editores do programa. Se tivesse chorado, seria fácil: fecha no rosto, nos olhos vermelhos, nas rugas, gran finale, volta para o apresentador com ar contrito, padrão Globo.
Bem, algumas das perguntas a que me referi abaixo foram feitas e, mesmo sem ter sido muito incisivo, o Regi conseguiu tirar de Piquet — ao menos entendi assim — que se Nelsinho não fosse demitido, o caso que ele chama de “crime” teria caído no esquecimento familiar e seria varrido para baixo do tapete da sala.
O ponto que dei a Nelson-pai por ter procurado a FIA no fim do ano passado, pois, retiro agora.
Seu discurso é muito contraditório. Odes à FIA, à preocupação com a lisura e a honestidade, alívio por ajudar a melhorar o automobilismo, elogios à pureza da F-1, tudo certo, tudo legal. Mas só porque o filho perdeu o lugar. Se o contrato com a Renault tivesse sido mantido, ninguém saberia de nada. E aí não haveria lisura, preocupação em melhorar o automobilismo, pureza, picas.
SÃO PAULO (e a mala?) – Reginaldo Leme deu o furo mundial, escolhido que foi — por sua história, competência, seriedade — por Nelson Piquet para revelar que a FIA estava investigando o escândalo que ele, Piquet-pai, decidiu encaminhar às autoridades competentes. Ontem à noite, a Globo levou ao ar no “Fantástico” a entrevista que Regi fez com o tricampeão do mundo.
Fraca, muito fraca.
Não sei se Piquet impôs (tem acento, isso?) condições, coisas como “não pergunta isso que eu não respondo”. Mas faltou apertar o homem. Não como num interrogatório, porque nós jornalistas não somos paladinos da justiça ou coisa que o valha. Mas somos curiosos. A grande pergunta não foi feita: se Nelsinho não tivesse sido demitido, o escândalo seria varrido para baixo do tapete?
Piquet diz (já se sabia) que procurou a FIA durante o GP do Brasil, tão logo soube da batida proposital. Mas ficou tudo meio no ar. A FIA não acreditou? Pediu que Nelsinho desse um depoimento? Abriu investigação? Pelo jeito, nada disso. E Nelsão se calou para, como disse, “proteger o filho”. Depois, com o contrato rompido, atirou tudo ao ventilador.
Faltou, também, uma menção ao tal relacionamento que Briatore insinuou haver entre Piquet-pimpolho e “um homem mais velho”. Quem é o cara, afinal? É verdade que Nelson-pai quis afastá-lo do filho? Por quê? Era alguém prejudicial a sua carreira? Nelsinho foi mesmo morar no mesmo prédio de seu empresário?
No fim, o que se viu foi um Piquet soltando, aqui e ali, frases indignadas sobre o que aconteceu: ”crime”, “eu não faria”, “se ele tivesse falado comigo antes, não faria de jeito nenhum”, “Senna e Prost fizeram o mesmo” e por aí vai.
Nada contra um pai defender o filho, perdoá-lo, sofrer por ele. Mas acobertar não é bem o que se deve fazer nessas situações, e no fim das contas foi o que Piquet-pai fez, depois que o contrato com a Renault foi renovado no fim do ano passado.
Faltou também falar sobre o futuro. E agora? Nelsinho tem lugar na F-1? Você, como chefe de equipe, contrataria um piloto que fez isso? Qual o caminho a seguir a partir de agora?
Notei um Piquet envelhecido, com o rosto marcado pela mágoa que, certamente, está sentindo. Afinal, investiu tempo, dinheiro, esforço, dedicação e carinho na carreira do filho, que pode ter ido por água abaixo por conta de decisões erradas — uma delas de sua responsabilidade, a de vincular o garoto a uma cascavel como Briatore, sabendo direitinho de quem se tratava.
Gosto muito de Nelson-pai. Convivi razoavelmente com ele nos seus últimos quatro anos de F-1, de 1988 a 1991, sempre admirei sua história e seus feitos na pista, sempre o achei uma figura muito interessante fora dela. Não sei se esse caso todo vai mudar demais a imagem que as pessoas em geral têm dele — seus fãs mais encarniçados, seus críticos ferozes, os “sennistas” (sim, isso existe) e por aí vai. Sei, apenas, que tem muita coisa errada nisso tudo, todos agiram de forma condenável, e usar vingança como motivação para denunciar algo tão sério não é algo que eu faria.
Poderia, até, acobertar a cagada de meu filho assim que dela soubesse. É compreensível, por parte de um pai. Trata-se de defender a cria. E, felizmente, ninguém morreu, ninguém se feriu. Tudo se transformou “só” num crime moral e ético. Mas jamais permitiria que ele ficasse sob o mesmo teto, sob as ordens de pessoas que considerasse desprezíveis. O que Piquet fez, com seu silêncio, foi, ao descobrir que seu filhote estava numa jaula ocupada por hienas famintas, atirar a elas uns nacos de carne e esperar, ingenuamente, que nunca mais ficassem com fome. Deixou o menino num ambiente contamidado. E isso um bom pai não deveria fazer. Piquet agiu como pai protetor ao não escancarar a denúncia, mas como um frio homem de negócios ao guardá-la numa gaveta para usar quando fosse preciso.
Que reflita sobre o que fez. Não há santos nessa história, isso já se disse, e Piquet-pai se encaixa na turma que, se houvesse um Céu, teria de parar no meio do caminho por uns tempos antes de receber a credencial permanente.
SÃO PAULO(el furón) – E falou a Reginaldo Leme, que está lavando a égua este ano. Com todos os méritos, claro. A entrevista, já gravada há alguns dias, será levada ao ar no “Fantástico” deste domingo. Entre outras coisas, Piquet-pai disse que prefere perder a trapacear, e que não resolveu contar tudo só depois da demissão de Nelsinho. Revelou a falcatrua à FIA já no fim de semana do GP do Brasil do ano passado.
Ponto, enorme ponto para Nelson Piquet. Não se calou, pelo menos no primeiro momento.
Ah, e por que a coisa só veio à tona depois da demissão do filho? Porque a FIA precisava pelo menos de alguém envolvido dizendo o que tinha acontecido. E Nelsinho, pelo que estou entendendo, só resolveu falar depois de perder o emprego. Forçado pelo pai.
A tendência natural seria, agora, retirar todas as críticas que fiz, e muita gente faz, a Piquet-pai. Mas não vou retirar, não. Ter entregue o caso à FIA e ficar quieto depois não é a atitude mais louvável. Continuo achando que se Nelsinho não perdesse o emprego, essa história toda seria varrida para debaixo do tapete da família. Piquet pode até ter restrições ao que o pimpolho fez. Dizem até que ficou dois meses sem falar com ele. Mas, como pai, não podia permitir que o filho ficasse na mesma equipe, muito menos negociar o silêncio em troca do emprego.
Resumindo, a indignação de Piquet é digna de elogios. Mas ter empurrado o caso com a barriga, não. Era o caso de, depois da negativa da FIA de investigar a denúncia, chamar o menino, conversar com ele e tornar tudo público. Ao contrário, tudo indica que ele usou o fato para que Nelsinho ficasse na Renault. A isso se chama de conivência.
No fim das contas, a motivação para fazer o filhote abrir o bico foi vingança pura e simples. E a FIA também pecou feio. Ao receber uma denúncia desse porte, teria de abrir as investigações imediatamente. E preferiu esperar que o caso morresse, ou usá-lo como munição quando fosse conveniente.
O comportamento de todos foi bem feinho nesse episódio.
SÃO PAULO (alguém viu?) - Aos poucos, Nelsinho Piquet vai voltando à vida. No Twitter, sua principal ferramenta de comunicação nos últimos meses, voltou a colocar algumas mensagens. Nada muito importante, agradecendo o apoio dos torcedores, uma foto de um capacete novo, essas coisas. Nenhuma palavra sobre Cingapura/2008. E à imprensa alemã, o brasileiro já cogita correr nos EUA por um tempo, para quem sabe voltar à F-1 no futuro.
Nelsinho esteve nos EUA em agosto por alguns dias. Consta que já abriu negociações com algumas equipes. A Andretti-Green poderia ser uma delas. O futuro de Piquet-pimpolho no automobilismo é uma grande interrogação. Como ele será recebido por seus novos (ou velhos) companheiros? Esse fardo o rapaz vai carregar nos ombros pelo resto da vida.
SÃO PAULO(vem mais) – Engana-se, pelo jeito, quem acha que o escândalo Cingapura acabou. Quem se deu o trabalho de ler o relatório final da FIA, como Marcus Lellis, do Grande Prêmio, notou que há um quarto elemento nessa história, além dos três patetas Nelsinho, Briatore & Symonds. Depois de fazer suas investigações internas, a Renault informou à FIA que se convenceu de que houve a manipulação do resultado graças ao depoimento de alguém que é chamado de “Testemunha X”, e que estava na reunião de sábado em que foi cogitada a ideia do acidente proposital.
SÃO PAULO(segue o bonde) – A FIA deu agora há pouco seu veredito. Flavio Briatore está banido da F-1 e de qualquer competição chancelada pela entidade. Não poderá sequer entrar em autódromos. Pilotos que têm suas carreiras gerenciadas pelo italiano (Kovalainen, Alonso, Di Grassi, Webber…) terão de escolher outro manager. Aqueles que tiverem contratos com Briatore não terão suas superlicenças emitidas ou renovadas.
O mesmo vale para Pat Symonds, mas por cinco anos. A FIA considera que o fato de ele ter confessado atenua um pouco as coisas. Flavio, não. A entidade não se conforma que ele mente até agora e nega tudo. Max Mosley conseguiu o que queria: a cabeça do italiano numa bandeja. Tchau e bênção. É uma punição dura. Afinal, o cara está na F-1 há quase 20 anos, foi dono de equipe, empresário de pilotos, uma figura influente.
A Renault foi suspensa por dois anos, mas com efeito suspensivo. Ou seja: até o fim de 2011, não pode mijar fora do vaso. Se fizer qualquer outra dessas, é riscada da F-1. Foi pouco. Pegaram leve. Se pegassem mais pesado, talvez a montadora deixasse a categoria.
Nelsinho não recebeu sanções. Ele entrou num esquema de delação premiada. Em comunicado, diz que se sente arrependido, que terá de começar a carreira do zero, que espera nova chance, que a verdade é sempre o melhor caminho, que sua vida na Renault foi um pesadelo, que mantém a paixão pelas corridas, que será o piloto mais esforçado do mundo se alguém lhe der um emprego.
Alonso disse que não sabia de nada e acreditaram nele. Saiu inocentado.
Sem maiores comentários, reparem no olhar de Nelsinho para Briatore no pitwall (Victor Martins publicou a imagem congelada em seu blog) assim que Alonso recebeu a bandeirada em Cingapura.
SÃO PAULO(todos nós) – Se tem um cara no mundo que conhece bem Flavio Briatore e a família Piquet, todos ao mesmo tempo, é Roberto Moreno. Amigo de infância de Nelson, demitido por Briatore da Benetton, Roberto mandou um e-mail a Victor Martins, do Grande Prêmio, dizendo que está “de queixo caído” com tudo que aconteceu. Está no blog do Victor. Merece ser lido. Comentários, lá. Se quiserem replicar aqui, à vontade, claro.
SÃO PAULO(pela porta dos fundos) – As seis linhas do comunicado da Renault divulgado hoje pela manhã dizem mais do que todas as palavras já escritas sobre o caso Cingapura-Nelsinho (ainda não arrumei um nome legal para esse escândalo).
A equipe começa dizendo que não vai contestar as alegações da FIA. Ou seja: foi tudo armado, mesmo. As investigações internas chegaram a essa conclusão.
Depois, informa que Flavio Briatore e Pat Symonds não fazem mais parte da equipe. Nelsinho já não fazia. E são as cabeças dos três que vão, com justiça, para a guilhotina.
A Renault vai tentar tirar o seu pescoço francês da reta. É possível alegar, e é até provável que seja verdade, que a corporação francesa não tem nada a ver com isso. Não foi ordem de cima. Foi decisão de três indivíduos que resolveram fazer aquela merda toda à revelia, por conta própria. Para salvar seus empregos, pode-se dizer. Nelsinho, porque queria ter o contrato renovado; os outros dois, porque a equipe precisava de um resultado marcante, já que a empresa ameaçava puxar o carro da F-1, ou reduzir seus investimentos.
Symonds e Nelsinho entregaram tudo por delação premiada. Não serão punidos pela FIA. Serão pela F-1. Estão acabados. Briatore negou até agora, e tudo que lhe restou, além da justificada fama de mau elemento, foi o acréscimo de “mentiroso” à sua biografia. Está acabado, também.
Não há mais dúvidas de que tudo foi combinado. Há a confissão do piloto, o depoimento de Symonds (que não responde às perguntas mais importantes, o que é uma admissão de culpa) e a demissão de todos pela chefia em Paris.
Briatore é um escroque. Symonds, outro. Nelsinho, um fraco. O que fizeram é desprezível, vergonhoso. A Renault, agora, teria de processar os três, pelo que fizeram com sua marca e reputação. Arrancar as calças de todos. E de outros que, dentro da equipe, possam estar envolvidos.
A FIA deve punir a equipe duramente. Mesmo que tenha sido uma decisão de indivíduos, todos estavam a serviço da empresa. Ninguém mandou contratar escroques. Pode não haver culpa da Renault, mas há responsabilidade. O time deve pagar. Com multa, exclusão, o que for.
Está claro que Max Mosley sai ganhando nessa história toda. Odeia Briatore e as montadoras. Deram-lhe munição para bater no peito e falar: eu não disse? E ninguém poderá tirar sua razão.
Mas há algumas pontas soltas nesse caso todo. A primeira, a posição de Alonso. Ele não pode calar. Por enquanto, está limpo. Pode argumentar que não sabia de nada. Que a estratégia era esquisita, mas já houve outras na história, que não deram certo. O melhor a fazer seria devolver o troféu. E a FIA, mesmo que isso não mude muito a história, deveria mudar o resultado da corrida e dar a vitória a Nico Rosberg.
Alonso sabia? Não sei, e não vou chutar. Acho apenas difícil que, pelo menos, não tenha sabido depois. Ou desconfiado. Mas se foi algo restrito aos três patetas, mesmo, vá lá. Que desfrute do benefício da dúvida.
Massa seria campeão se não fosse a presepada do trio? Difícil dizer. Ele não perdeu a corrida porque parou nos boxes, apenas. Perdeu porque a Ferrari fez bobagem no pit stop. Poderia fazer também mesmo se não houvesse acidente algum. É algo que nunca se saberá.
A outra ponta se chama Nelson Piquet, o pai. Foi ele que procurou Mosley depois da demissão de Nelsinho para acender o pavio da bomba. Provavelmente sabia de tudo antes, mas só resolveu falar quando o filho perdeu o emprego. Por que fez isso? Apenas para cortar a cabeça de Briatore? Será que não imaginava que Nelsinho sairia igualmente queimado? O que será que disse ao pimpolho quando soube de tudo, muito provavelmente bem antes de sua demissão? “Vamos esperar para usar no momento certo”? “Você é um idiota, como faz um negócio desses”?
SÃO PAULO – O Grande Prêmio teve acesso a um relatório da FIA com o primeiro interrogatório de Pat Symonds. Suas declarações são incriminadoras. Em nenhum momento ele nega a armação de Cingapura. Recusa-se a responder a quase todas as perguntas. Parece claramente acuado diante de evidências de que Nelsinho bateu mesmo de propósito e de que a FIA sabe que ele estava por trás da combinação.
Temos uma situação clara: Briatore no ataque, partindo para o lado pessoal, afirmando que é tudo mentira, e Symonds enrolado. Pode ser que sobre para ele, no time.
O relatório é longo e contém imagens da telemetria, que apontam um comportamento “incomum”, nas palavras de Symonds, de Nelsinho na hora do acidente. Há também detalhes das conversas de rádio que indicam que talvez ninguém mais na Renault, exceto Symonds e (talvez de novo) Briatore, soubesse do que estava acontecendo.
As desconfianças que eu tinha, e manifestei no último post, de que uma hipótese a ser considerada era a de que Nelsinho poderia estar inventando tudo já não existem mais. Pelo tom das respostas de Symonds, não tenho mais dúvidas de que foi tudo combinado.
SÃO PAULO(ui) – Pois o caso Briatore-Nelsinho-Renault-Cingapura assumiu proporções nunca antes vistas na F-1. Virou um tiroteio de acusações pessoais que hoje chegaram ao auge, suponho, com as insinuações de Briatore de que Nelsinho tinha um caso homossexual com um homem mais velho.
(Claro que se a família Piquet resolver responder no mesmo tom, terá farta munição sobre a não muito ortodoxa vida sexual-porno-erótica de Briatore, que vive posando de tanguinha nas praias da Sardenha. Portanto, o auge ainda pode ser mais alto. Ou baixo, dependendo do ponto de vista.)
O diretor da Renault soltou o verbo em Monza. Disse que a Renault já entrou com processos criminais contra Nelson Filho e Nelson Pai — e se for preciso, vai Nelson Espírito Santo para a roda. Acusações: chantagem e extorsão.
“Nós não fizemos nada. O fato de estarmos processando os dois prova que estamos confiantes. Nelsinho nunca teve performance. É um garoto mimado que sempre correu com sua própria equipe, o melhor carro, sempre teve seu pai do lado. Quando chegou numa competição de verdade, perdeu a cabeça. É muito frágil.”
Aí vem a parte mais escabrosa e cabeluda. Que não carece de apuração. Não tem nada a ver com as coisas da pista. Expõe ressentimentos. Porque mesmo se forem verdadeiras as afirmações de Briatore, dizem respeito à vida pessoal de Nelsinho, e não à sua atividade profissional. Briatore é um escroto. Mas se Nelsinho está mentindo só para implodir sua cabeça, como ele afirma, é compreensível e nada surpreendente que um escroto como ele diga o que disse:
“Ele [Piquet Jr] me acusou pesadamente de lhe fazer romper um relacionamento com um amigo, e isso eu devo dizer, porque foi seu pai quem me pediu isso. Ele vivia com esse senhor. Não se sabe que tipo de relação eles tinham. O pai estava muito preocupado. Viviam juntos, e o pai me pediu para interferir. Fiz Nelsinho se mudar de Oxford para meu prédio em Londres, onde eu podia mantê-lo sob controle.”
Não sei quem é a tal pessoa. Também não me interessa minimamente. Mas sei que Nelsinho é o que a molecada chama de “pegador”. Já ouvi histórias. E foda-se, a vida sexual de ninguém me interessa muito. Neste caso, o que interessa é perceber a que nível as coisas chegaram. Briatore está espumando de ódio. Diz que as denúncias à Renault foram feitas pelos dois Nelsons, e que o pai “todos conhecem”:
“Ele degradou a imagem de todo mundo. Fez isso com Senna, com a mulher de Mansell, todos sabem como ele é.”
Virou briga de rua. Mas que não será tratada como tal pelo Conselho Mundial da FIA — embora o interesse pessoal de Max Mosley pelo caso possa ter aumentado depois do surgimento desse, hum, componente picante na história.
Nelsinho terá de provar que lhe deram a ordem de se espatifar no muro. Provar que fez de propósito não bastará. No máximo, vão lhe dizer que é uma besta, ou um barbeiro. O crime precisa de um mandante. Se não tiver, o criminoso será só ele. Que terá feito o que fez apenas para garantir o emprego e, pior, estaria mentindo para arrastar com ele os pescoços de desafetos.
Existe a chance, ainda, de nada ter acontecido. Sim, de Nelsinho ter apenas errado, batido, feito cagada (não teria sido a primeira), e um ano depois, por conta de uma relação tumultuada e horrorosa com a equipe e seus chefes, elaborar essa história toda para incriminar os inimigos, mesmo sob o risco de dar um tiro na própria cabeça e acabar com sua carreira.
É difícil acreditar em imaginação tão fértil, porém. O depoimento de Nelsinho é muito detalhado, embora Briatore contra-argumente (tem hífen, essa merda?) que seria impossível desenhar uma corrida na 14ª volta, prever tudo que aconteceria depois.
“Massa teve problemas, Kubica teve problemas, seis ou sete tiveram problemas. Como prever isso depois de 14 voltas?”
Já não sei direito o que pensar disso tudo — se é verdade que a Renault pediu e ele obedeceu e se arrependeu, se o time insinuou e ele captou a mensagem, se Nelsinho está mentindo, não pediram nada e ele fez mesmo assim, se não foi nada disso e ele apenas bateu o carro, como disse à época, e Alonso deu um rabo inacreditável.
Dizer que fico triste pelo esporte seria hipocrisia. Caguei, isso não afeta o esporte, e mesmo se afetasse, não tenho nada com isso. No fundo, é apenas um barraco digno dos piores programas de TV. Do ponto de vista jornalístico, o caso é ótimo, rende manchetes e audiência. O povo gosta de uma putaria, quem há de negar?
Sinto, sim, pelo nome Piquet e tudo que representou no passado, para a história do automobilismo brasileiro e internacional. É uma tristeza biográfica, digamos assim. Porque, no fim das contas, ele, ídolo de tanta gente, está metido nessa baixaria toda.
SÃO PAULO(não vou/me adaptar) - E o que Victor Martins havia antecipado no Grande Prêmio foi confirmado por Max Mosley: Nelsinho entrou no programa de delação premiada da FIA, que promete mudar seu nome, lhe dar novos documentos e, quem sabe, uma nova vida no Nepal. O presidente sadomasô, que deve estar adorando ver o circo pegar fogo e Briatore correndo o risco de se dar muito mal, disse que Piquet-pimpolho não sofrerá nenhuma punição, mas que a Renault pode, sim, receber sanções pelo que pode ter feito.
A questão toda, agora, é Nelsinho conseguir provar o que está falando. Porque, por enquanto, a única vítima dessa história toda é ele mesmo, que se tornou de um dia para o outro um piloto pouco confiável e dedo-duro. Vítima e vilão, diga-se, porque confessou o crime que cometeu em nome da defesa de seu próprio futuro.
Se as acusações dos Piquet a Briatore e Symonds não forem provadas, eles estarão em péssimos lençóis. E como provar? Testemunhas?
SÃO PAULO(outro olhar) – Juro que não tenho 100% de certeza, mas acho que foi naquele GP de Cingapura que, depois da batida, a FOM colocou no ar a comunicação de rádio de Nelsinho com a equipe. Ele bateu e disse “sorry, guys”.
Lendo o depoimento de Nelsinho à FIA, fica claro, ao menos nas suas palavras, que apenas Briatore e Symonds, além dele, claro, sabiam o que iria acontecer. Ele diz que seu engenheiro questionou o incidente. E acrescenta que qualquer engenheiro inteligente notaria, pela telemetria, que continuou acelerando onde deveria frear.
Acho que aquele “sorry, guys” é a única coisa bonita que Nelsinho fez. Pedir desculpas (sem saber que aquilo seria ouvido fora da equipe) aos seus mecânicos, funcionários da Renault, amigos dentro da equipe, gente que passou horas preparando seu carro, resolvendo problemas, ajudando a melhorar as coisas, pela cagada que estava fazendo. Um momento quase íntimo — porque acabou se tornando público — de dizer a si mesmo “o que é que eu estou fazendo?”.
Não tira sua culpa, não atenua nada. É só um detalhe que humaniza um pouco a questão.
SÃO PAULO (fim de linha) - Nelsinho Piquet confessou, por escrito, que causou deliberadamente o acidente que deu a vitória a Alonso em Cingapura. A íntegra de sua confissão à FIA está aqui.
Nelsinho isenta Alonso, afirmando que apenas Symonds, Briatore e ele sabiam dos planos. Justifica-se por um “estado emocional frágil”, por conta das incertezas sobre seu futuro na Renault.
Piquet-pimpolho revela-se dono de personalidade frágil, isso sim. Não há justificativa para o que fez. Que pedisse demissão, nem corresse, metesse a boca no mundo. “Ah, é fácil falar”, dirá alguém. É fácil, mesmo. Se ele fizesse isso, não estaria em jogo sua vida, sua carreira, nada. Ao contrário, jogaria luz nas trevas da Renault e da F-1, poderia dormir em paz.
Uma coisa é aceitar fazer o inaceitável diante de ameaças irreversíveis. Perder a casa, a vida, um filho, um braço. Essas coisas de filmes, torturas, mutilações. Outra, bem diferente, é se agarrar a um emprego medíocre cometendo um ato indefensável. O que poderia lhe acontecer de pior se não aceitasse? Perder a vaga? Deixar de correr na F-1? Bela merda.
A carreira do menino acabou. E tenho pena dele. O que fez é desprezível, mas sinto mais pena do que desprezo. De gente como Briatore, Symonds e todos da F-1, que conheço bem, pouca coisa me surpreende. Esses que se fodam, serão punidos, acho que nunca mais aparecerão num paddock. Quem mais vai se sujar nisso tudo, justamente por ter se sujeitado à ganâncias dos patrões que são reconhecidamente maus elementos, é Piquet Jr. Porque de um piloto se espera um comportamento diferente, o que resta de pureza num esporte mau.
Há alguns anos, quando Nelsinho ainda estava na GP2, escrevi um texto sobre ele depois de um entrevero com um piloto turco em Mônaco. Fiquei muito mal-impressionado com o rapaz, a quem não conhecia direito, pois ele estava chegando, vinha da F-3 inglesa, não tínhamos muito contato. Achei-o um merdinha, para dizer o português bem claro.
Mas depois parei de viajar com a F-1, não o encontrei mais, e nos últimos meses ele até ganhou uma certa simpatia da mídia — e do público, por que não? — por sua atuação no Twitter, sempre dando a impressão de ser muito franco e sincero, disponível, interativo nas suas mensagens, revelando algumas inseguranças e esperanças, um jovem em busca de um lugar no mundo. Causava uma certa consternação ouvi-lo, sempre em voz baixa, preocupado com o futuro, sofrendo numa F-1 dura e competitiva, alvo de críticas e incertezas.
O “franco e sincero”, pelo jeito, ficaram na impressão.
SÃO PAULO(acabou) – Todos os indícios apontam para uma “autodelação” no caso Nelsinho-Renault-Cingapura, com gente da Renault insinuando que foi o próprio Nelsinho a dar a sugestão de uma batida proposital na corrida vencida por Fernando Alonso no ano passado. É o que veio à tona hoje em reportagem da revista inglesa “Autosport”, com a informação extra de Victor Martins, do Grande Prêmio, de que Nelsinho teria recebido garantias da FIA de que não seria punido se entregasse tudo.
E foi Nelson Piquet, o pai, quem teria procurado a FIA para entregar tudo um dia depois do GP da Hungria, em 27 de julho, após a última corrida do filho pela Renault. Puto com Briatore, Nelsão abriu o jogo. Nelsinho teria sido chamado para confirmar a história.
É possível provar que Nelsinho bateu de propósito, ou quase isso, mesmo sem confissões obtidas no pau-de-arara, ou mesmo conversas de rádio. Se a coisa foi combinada antes, ninguém precisaria falar nada pelo rádio, que seria de uma ingenuidade fenomenal. Basta ver a telemetria. Se naquela curva Nelsinho passou 200 vezes tirando o pé e na 201ª encheu o acelerador, temos aí uma evidência.
Pat Symonds diz, na “Autosport”, que Piquet-pimpolho teria sugerido fazer aquilo, algo que não terá como provar, a não ser que carregue consigo um minigravador para registrar as reuniões pré-corrida.
Se ficar provada a armação, os Piquet poderão argumentar sempre que o piloto estava pressionado e foi obrigado a fazer aquilo, senão perderia o emprego. É desculpa frágil. Nada justifica uma atrocidade dessas. Não entendo, até agora, por que Piquet-pai se dispôs a entregar o filho, achando que alguém iria ficar com dó dele. A tal garantia de não-punição da FIA é retórica. A entidade pode até não dependurá-lo numa cruz. Mas a F-1 vai se encarregar de fazê-lo.
Ou seja: se Nelsinho se jogou no muro de propósito, mesmo, por decisão própria ou porque Briatore colocou atiradores de elite nos prédios de Cingapura para estourar seus miolos, está lascado. Só continua na categoria se seu pai comprar uma equipe, ou uma vaga. E isso é caro. Agora, mais ainda.
SÃO PAULO(cheira mal) – O que eu acho de toda essa confusão envolvendo Renault, Briatore e Nelsinho está na minha coluna de hoje. Ao final da qual chego à conclusão de que gosto mesmo é dos carros.
SÃO PAULO (daqui a pouco, a outra) - Reginaldo Leme fala um pouco mais sobre o furo mundial que deu durante a transmissão da Globo, domingo, na sua coluna de hoje. Está aqui, para vocês lerem e comentarem. O velho repórter no auge da forma, é isso aí!
SÃO PAULO (a ver…) – Longe de mim duvidar de uma informação do Reginaldo Leme. E a que ele deu na transmissão da TV é das mais graves. Resumindo, para quem não ouviu. O comentarista da Globo (e colunista do Grande Prêmio e d’”O Estado de S.Paulo”) contou que a FIA abriu uma investigação independente sobre o GP de Cingapura do ano passado. Na ocasião, Alonso tinha acabado de fazer seu pit stop, ele que largara lá atrás, quando Nelsinho Piquet bateu. Assim, todos pararam aproveitando o safety-car e Alonso, que já tinha trocado pneus e reabastecido, apareceu de repente em primeiro.
Na época, a batida foi tratada com ironia e curiosidade. Fernandito jamais venceria se não fosse o rabo danado de um safety-car ter sido acionado logo depois de sua parada. E justamente causado pelo companheiro de equipe…
Suspeitar de que foi de propósito, na época? Não me lembro de nenhuma desconfiança séria, apenas comentários, como disse, irônicos. E não tinha sido a primeira batida de Nelsinho no ano, afinal.
Agora, surge essa informação: Briatore teria ordenado que o brasileiro se arrebentasse no muro naquele momento e naquele lugar. Assim, Alonso teria chance de vencer, como venceu. Disse o Reginaldo que depoimentos chocantes já foram tomados pelos investigadores.
Nelsinho Piquet não se pronunciou pelo Twitter, como costuma fazer. Aliás, assim que a informação foi ao ar na Globo (estranhamente causando espanto até no narrador Galvão Bueno, que aparentemente não sabia de nada), Piquet-pimpolho desapareceu do miniblog, depois de dar uma zoada básica em Grosjean, seu substituto, que bateu na primeira volta.
E foi pelo Twitter que recebi outro vídeo (desculpe, não sei quem mandou) daquela corrida. Na volta de apresentação, Nelsinho rodou de maneira parecida. Não bateu. Teria sido um ensaio? É conspiração demais, não? De qualquer maneira, apimenta a história toda.
O que é essencial, agora, é ouvir o piloto. Antonio Pizzonia, também pelo Twitter, contou que jantou com Nelsinho ontem e disse que uma bomba vai estourar na F-1 “hoje ou segunda-feira”. Seria essa? “Isso e muito mais”, escreveu Pizzonia. Mas Nelsinho seria capaz de bater de propósito sob ordem da equipe?
É tudo muito pouco verossímil. Uma coisa é dar passagem ao companheiro de equipe, segurar um rival na pista, essas atitudes menos dramáticas e mais corriqueiras. Mas se jogar no muro para obedecer ao chefe?
No fim da tarde, a FIA confirmou que uma prova de 2008 está, sim, sendo investigada. Se houve algo, Briatore será elevado à condição de capeta dos capetas. Mas é preciso que se diga, como bem lembrou meu amigo Teo José. Se isso aconteceu, Nelsinho está no mesmíssimo barco.
Vamos aguardar. É caso que vai dar pano pra manga, como se diz. E muito sério.
SÃO PAULO(comecei tarde aqui) - Bom dia, macacada. De novo, sorry pelas longas horas sem blogar. Gravação de manhã, trânsito horroroso, dia chuvoso. E continuo com essa mania de pedir desculpas por falta de atualização…
Bueno, antes que perguntem, a coluna do Máximo Bueno sobre a transmissão do GP da Europa está a caminho. E, agora, a primeira do dia: Piquet na Ferrari no lugar de Badoer?
É especulação, desejo, sonho que cresce a cada momento no… Twitter. E, como se sabe, Twitter não escolhe piloto. Então, por enquanto, fiquemos com a curiosidade da charge do genial Bruno Mantovani.
Ah, e o que você acha de Nelsinho na Ferrari?, perguntará alguém.
Já disse ontem. Acho que a apresentação de Badoer em Valência mostrou que na F-1 não dá mais para pegar alguém enferrujado/inexperiente e colocar para correr de bate-pronto. A melhor opção é catar alguém em atividade. Hoje, há dois: Piquet e Bourdais. Eu colocaria Bourdais, pela experiência com motor Ferrari — abrevia a dificuldade de adaptação. Nelsinho valeria pelo nome e inegável atrativo de marketing — um Piquet com o carro de Maranello seria bem interessante.
Os dois têm carreiras na F-1 parecidíssimas: um ano e meio, mais ou menos, como titulares, nenhuma prova excepcional, companheiros que venceram corridas no mesmo período.
Qualquer um, de todo modo, faria mais do que fez Badoer.
SÃO PAULO(vale-tudo) – Primeiro foi Rubens Barrichello, que declarou em Valência ter indicado Nelsinho Piquet para o lugar de Massa em conversa com Stefano Domenicali, chefão da Ferrari. Agora, o faz-tudo de Piquet-pimpolho é quem lança, via Twitter, a possibilidade de ele entrar no lugar de Luca Badoer depois da corrida de Spa — para este fim de semana, não haveria tempo.
Acho que é apenas uma balão de ensaio, mas não vejo a ideia com maus olhos. Aliás, eu pegaria Sébastien Bourdais, pela intimidade com os motores, pelo menos. Independentemente do nome, Nelsinho ou Bourdais, acho que ficou claro que um piloto inativo, como Badoer, não vai funcionar. O desempenho do italiano foi tão ruim que começo a achar que Schumacher teve muita sorte ao sentir as dores no pescoço. Embora, claro, o alemão seja de um planeta diferente do do piloto de testes da Ferrari.
O episódio Badoer, no final das contas, escancarou outra realidade, para além de suas deficiências como piloto de corrida, naturais para quem não disputava um GP havia dez anos. A proibição de testes na F-1 vai dificultar muito o surgimento de novos pilotos, emperrando um pouco uma renovação que se faz necessária, quando se olha para a pouca competitividade de gente como Trulli, Heidfeld e Fisichella, por exemplo.
Não duvido da capacidade de ninguém parado há algum tempo, nem da molecada que está na GP2, mas para voltar à forma, ou se adaptar ao universo muito peculiar da F-1, não tem outro jeito. É preciso treinar.
SÃO PAULO(está dando fome…) – A outra notícia que agitou o dia em Valência foi publicada pelo “Marca” e dá conta de que a Campos já teria escolhido sua dupla de pilotos para o ano que vem. Um deles, Pedro de la Rosa, veterano piloto de testes da McLaren, que chegaria com patrocínios espanhóis do banco BBVA, da Telefónica e da cadeia de lojas El Corte Inglés. Faz todo sentido. O outro, Vitaly Petrov, russo da GP2, que também traria muita grana de patrocinadores de seu país. Também faz todo sentido.
Nesse cenário, Bruno Senna e Nelsinho Piquet estariam fora da Campos. O primeiro-sobrinho é patrocinado pelo Santander, banco rival do BBVA. Piquet-pimpolho tem seu nome ligado a mais de um time para o ano que vem: o espólio da BMW Sauber, que vai acabar na mão de alguém, a Williams, que deve perder Rosberguinho para a McLaren e talvez à Manor, que ainda não está falando em ninguém.
SÃO PAULO (no news) – Sem surpresa alguma, a Renault confirmou agora há pouco que Romain Grosjean será seu piloto até o fim da temporada, no lugar de Nelsinho Piquet. Grosjean tem nacionalidade francesa, é tratado como francês pela Renault, será inscrito como francês no Mundial, então não me peçam para chamá-lo de suíço só porque a Globo “descobriu” que ele nasceu na Suíça. Keke Rosberg nasceu na Suécia e corria como finlandês, porque tinha nacionalidade finlandesa. Nelsinho Piquet nasceu na Alemanha, e sempre correu como brasileiro.
Grosjean tem 23 anos e é vinculado à Renault desde os 18. No comunicado oficial, Flavio Briatore, como de praxe, agradece a Nelsinho pela “colaboração” e deseja a ele “muita sorte no futuro”.
SÃO PAULO(que, claro, não ofende) – Nelsinho Piquet avisou segunda-feira que estava de saída da Renault. A quinta está chegando ao final e a Renault não se manifestou sobre o assunto. No site da equipe, as últimas notícias são do GP da Hungria. Como se vê, o time não está lá muito preocupado com seus fãs. Na lista de pilotos, Nelsinho aparece, todo sorridente e faceiro.
A perguntinha: por que a Renault não fala nada? O fato de as fábricas terem fechado no dia 3 e só reabrirem no dia 16 quer dizer que as informações também param? Coisa esquisita, sô.
SÃO PAULO(fim) – Saiu agora há pouco o comunicado oficial de Nelsinho Piquet, despedindo-se da Renault. Está aqui. E como observou Fábio Seixas, é texto que está pronto há algum tempo, já que fala, em certo ponto, “das oito corridas que fiz neste ano”. E já foram dez…
Piquet-pimpolho atribui quase toda responsabilidade pelo mau desempenho em quase dois anos como titular a Flavio Briatore, a quem chama de “carrasco”. Briatore é, para muitos, um sujeito asqueroso, abominável, pilantra, o adjetivo fica ao gosto do freguês.
Mas é preciso que se diga que Nelsinho decepcionou como piloto na F-1. Talvez o fato de não ter uma equipe à disposição, como na F-3 e na GP2, tenha pesado. Talvez ele simplesmente não seja bom o bastante para a F-1. É o futuro que dirá, se ele conseguir um cockpit para 2010. Acho que, de alguma forma, seu pai vai arrumar um jeito de mantê-lo na categoria. Na verdade, é a única forma de seguir. Porque se depender do interesse puro e real de algum time por seu discutível talento, Piquet-pimpolho fica a pé.
SÃO PAULO(silêncio) – E enquanto Massa fala pelos cotovelos, silêncio nas hostes piquetianas. Victor Martins informa que a demissão de Nelsinho da Renault será oficializada hoje. Mas que não há perspectivas, por enquanto, de compra de equipe alguma por seu pai. O “Estadão” diz hoje que Nelson-pai se associou a Peter Sauber para pegar o que sobrará da BMW, mas ninguém confirma nada. Piquet-pimpolho, que usa muito o Twitter para dar recados ao mundo, dsconectou-se nas últimas horas.
Acho que esta segunda-feira ainda trará novas notícias.
SÃO PAULO (notícia não falta) – Pelo que ando lendo/ouvindo aqui e ali, segunda-feira é dia de notícias fortes na F-1. Há a possibilidade de uma montadora francesa cujo nome não vou revelar, e que teve prejuízo de 2,3 bilhões de euros no primeiro semestre, anunciar sua saída da F-1. Ao mesmo tempo, um piloto cujo nome não vou revelar, mas que é filho de um tricampeão do mundo, pode perder o emprego na equipe dessa montadora. Só que, simultaneamente, o pai desse piloto, cujo nome também não vou revelar, pode anunciar a criação de uma equipe própria na qual o filho vai correr, em sociedade com alguém.
Por enquanto, estamos apurando tudo. Mas coisas vão acontecer, podem apostar.
SÃO PAULO(e deu) – Para começar a fechar o barraco por hoje, a coluna deste que vos bloga, falando sobre os assuntos da semana: Massa, BMW, Schumacher, Nelsinho, Barrichello. E aproveitando para dar um pitaco nessa história de Schumacher testar com o carro novo. Mamata, não? As outras equipes são muito bananas. A Ferrari faz o que quer.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.