17/08/2008 - 04:20
PEQUIM (pode enxugar) - Acabou hoje cedo aqui do lado, no Cubo, a maratona aquática de Michael Phelps em Pequim. Ele participou de oito provas, ganhou todas. Assim, derrubou a marca de Mark Spitz, sete ouros em Munique/1972.
A escalada dourada de Phelps foi tão impressionante, e desprovida de sustos, que a oitava medalha, hoje, pareceu mera formalidade. Veio no revezamento 4 x 100 m medley, com novo recorde mundial — o sétimo nos Jogos. A equipe americana era franca favorita e não houve surpresas.
O recorde de Spitz levou 36 anos para cair. Talvez sejam necessárias mais três décadas para acontecer algo semelhante, porque só a natação permite que um atleta ganhe tantas medalhas numa só edição de Olimpíada — mesmo assim, não o faz sozinho, por conta do revezamento. Imaginar que um novo Phelps vá surgir tão rapidamente é difícil.
Hoje, cabe a expressão “fez história” para as proezas desse americano compridão que tem a cara do Tevez. Como coube ontem para Usain Bolt no atletismo. A História é assim mesmo, ela vai sendo escrita dia a dia, como bem notou Confúcio ao encontrar seu fiel discípulo Gah-Fang-Yotung nuns amassos com uma linda chinesinha ao lado de uma macieira sagrada: “Que história é essa?”, e botou os dois pra correr.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Sem categoria
Tags: natação
16/08/2008 - 03:38
PEQUIM (caiu) – Enquanto César Cielo festejava o ouro na prova mais rápida da natação olímpica, com seus 20 segundos de pau puro, pouco antes a britânica Rebecca Adlington comemorava marca igualmente histórica. Ela venceu a prova olímpica mais longa para as mulheres, os 800 m livre, e derrubou o recorde mundial mais antigo da natação. Com 8min14s10, superou a marca de 8min16s22, da épica Janet Evans.
Que fez esse tempo em 1989. Ano em que Rebecca nasceu.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008
Tags: Janet Evans, natação, Rebecca Adlington
16/08/2008 - 03:08

PEQUIM (dourada) – Para um país que reconhecidamente não tem política esportiva, e que sofre do mal crônico de possuir dirigentes que não entendem nada de nada, qualquer medalha numa Olimpíada tem valor acima da média. Uma medalha de ouro, então, tem um peso que se colocada no pescoço de um presidente de confederação qualquer deveria atirá-lo de nariz ao chão. A maioria deles, pelo menos.
Não sei se é o caso de Coaracy Nunes Filho, presidente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), que agora há pouco no Cubo pendurou o ouro no pescoço deste admirável Cesar Cielo, atleta vinculado ao Pinheiros que há três anos vive em Auburn, Alabama, Estados Unidos. Onde treina, treina, treina e, por isso se tornou campeão olímpico nos 50 m livre, a prova mais rápida da natação nos Jogos.
O pai de Cesar, quinta-feira, já havia descascado o dirigente, no dia em que o filho ganhou a primeira medalha em Pequim, bronze nos 100 m livre. Disse que a CBDA nunca deu nada ao menino, e que se ele é o que é, deve tudo a ele mesmo, à família e etc e tal. Ele estava puto, também, porque Coaracy teria prometido não sei quantos ingressos para os familiares acompanharem as provas, os ingressos não apareceram, ele foi obrigado a comprar e por aí vai.
Às vezes noto que o esporte brasileiro é cheio de ressentimentos. Que afloram nesses momentos de júbilo total, e também vêm à tona junto com cada derrota, como está acontecendo com o basquete feminino agora — disso falo depois.
Cielo conquistou a 18ª medalha de ouro da história olímpica do Brasil, a primeira da natação. Os mais entendidos, e não estou entre eles, já diziam desde o Pan que se tinha alguém com chances de ouro em Pequim era Cielo, e não o “Vai, Thiagôôô!” (pobre Thiago Pereira; está pagando pela antipatia que sua mãe gritante desperta em muita gente). Seus tempos eram muito competitivos, ao contrário dos de Thiago que, comparados aos melhores do mundo, limitavam muito suas possibilidades de medalha.
No Pan, Cielo ganhou três ouros (50 m livre, 100 m livre e revezamento 4 x 100 m livre) e uma prata (4 x 100 m medley). Bem menos que as oito de Thiago (seis de ouro, uma de prata e uma de bronze), um nadador mais versátil e que tem parentes mais estridentes.
Cesar é um velocista nato. Como um piloto de F-1, foi baixando seus tempos na piscina do Cubo a cada eliminatória. No “Q1″, anteontem, fez 21s47 e foi o primeiro da sua série. No “Q2″, ontem, cravou 21s34 e, igualmente, ganhou a bateria. Hoje, na final (o “Q3″, aquele da pole…), bateu o dedo no cronômetro aos 21s30. É recorde olímpico, marca muito próxima do recorde mundial, 21s28 — do australiano Eamon Sullivan, que ficou em sexto hoje.
Cesar chorou muito na piscina e no pódio. Cada lágrima derramada é mais do que justa, representa cada braçada solitária que deu nos últimos anos em busca de um sonho olímpico que pode até ser efêmero, mas era o dele, e os sonhos têm de ser perseguidos, sejam quais forem. Quando realizados, tanto melhor. Quando não, paciência. O que vale é sonhar. Já dizia Confúcio ao seu fiel discípulo Gah-Fang-Yotong, numa de suas excursões turísticas pela CVC: “Numa longa jornada, mais importante é o caminho que se percorre do que o destino que desejamos conhecer”. E deu um croque na cabeça de Gah-Fang-Yotong porque o hotel do pacote não tinha banheiro no quarto.
Ao contrário do que todo mundo vai dizer hoje nos noticiários da TV e nas exaltadas colunas dos jornais, não foi a “nossa natação” e nem o “nosso Cesar Cielo” que pendurou o ouro no pescoço esta manhã no Cubo. Muitos quererão tirar uma lasquinha, se sentir “parte do processo”, igualmente medalhados.
Não se deixem levar por falsas divisões de mérito. Não há uma natação “nossa”, nem o Cesar é de todo mundo. A medalha é fruto do trabalho dele, só dele. Para o Brasil, caiu do Cielo.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008
Tags: Cielo, natação
15/08/2008 - 14:29
TIANJIN (voltando) – Você se lembra desta voz? Continua a mesma. Estridente, chata, insuportável. Mas as minhas medalhas… Quanta diferença! Essa voz do link é da mãe de Thiago Pereira, Rose, que ficou, hum, famosa durante o Pan do Rio porque não parava de berrar “Vai, Thiagôôô!” em todas as provas de que o rapaz participou, acentuando o “o”, compassadamente, uma coisa irritante e evidentemente teatral a partir do momento em que as câmeras notaram aquela gritaria toda e ela começou a aparecer em todos os programas de TV possíveis e virou celebridade instantânea, por conta dos seis ouros do filho (mais uma prata e um bronze) na piscina carioca.
Thiago Pereira despediu-se hoje dos Jogos sem medalha alguma, porque Olimpíada é um negócio que serve, entre outras coisas, para desmascarar a farsa patriótica que quase todas as TVs montam em Jogos Pan-americanos, transformando todos os atletas brasileiros em super-heróis imbatíveis sem lembrar o pobre público que o nível das competições é muito baixo, quando comparado àquilo que acontecerá no ano seguinte. Pan não serve para projetar nada em Olimpíada. Thiago Pereira viu isso hoje. E saiu do Cubo evitando boa parte da imprensa brasileira que o esperava do lado de fora. A mesma imprensa que para gravar a mãe gritando “Vai, Thiagôôô!” serve.
Não gosto desse tipo de coisa. A derrota é chata, frustrante, decepcionante, mas faz parte do jogo. É preciso saber perder. O cara não tem a obrigação de ganhar medalha nenhuma. Está lá nadando por ele, não por uma nação. Que o conheceu no ano passado pela TV, na glória do ouro farto, e agora gostaria de saber porque não veio nada. Ao menos por curiosidade, não para pendurá-lo numa cruz. Era só falar e pronto. Para todo mundo, não apenas para alguns.
Bem que Confúcio, um dia, disse a Gah-Fang-Yotong, seu fiel discípulo: “Se no fim da piscina não encontrar o ouro, vai ver se está no fundo e não reclama”. E deu um caldo nele.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008
Tags: natação, Thiago Pereira
15/08/2008 - 02:50


PEQUIM (falta pouco) – Ontem à noite uma discussão estético-filosófica em meio a doses industriais de chá verde concluiu que Michael Phelps tem um sósia. Quem propôs a charada foi a Nara Alves. Eu tinha direito a cinco perguntas a partir da informação única de que o sósia é jogador de futebol. “É brasileiro?”. Não. “Joga na Inglaterra?”. Sim. “A camisa do time é vermelha?”. Sei lá. As respostas são da Nara. Recorri contra o “sei lá” e o Maurício Teixeira, que já sabia quem era, ajudou. Restavam duas perguntas e três times: Liverpool, Manchester e, vá lá, Arsenal. “Joga no Liverpool?”. Não. “É atacante?”. Sim. Em tese, não estava muito difícil. Era só escalar o ataque do Manchester e do Arsenal e ver quem era parecido com o Phelps. Mas nenhum encaixava e o excesso de chá verde deixou turva minha veia fisionomista. Desisti. Carlitos Tevez era o cara. Eu queria impugnar a charada, o Tevez não tem nada do Phelps, os dois estavam loucos. A questão ficou sub-júdice durante a madrugada. Foi resolvida agora, com essas duas fotos. Phelps acaba de ganhar seu sexto ouro. Está prestes a igualar a marca de Mark Spitz. A história do esporte está sendo escrita em Pequim. Pelo Carlitos Phelps.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008
Tags: natação, Phelps, Tevez