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23/10/2009 - 18:19

CHICOTINHO E MOEDINHA

CAXAMBU (adoro horário de verão) – Bom dia, macacada. Passei o dia na estrada, porque é fim de semana do VII Blue Cloud, nosso encontro de DKWs aqui em Caxambu. Não blogarei muito até domingo, sorry. De vez em quando é preciso um pouco de vida de verdade.

Mas é claro que a eleição de Jean Todt merece ao menos uma menção. Era esperada e ele derrotou Ari Vatanen — o preferido dos fãs, por assim dizer — por larga margem. Sai o chicotinho de Mosley, no comando desde 1993, e entra o pequeno Napoleão que jogou uma moedinha para o ar para definir o vencedor do Paris-Dacar de 1989, se não me equivoco. E ganhou Vatanen — as voltas que o mundo dá. Na época, ele dirigia a equipe da Peugeot.

Não gosto muito de Todt pessoalmente, me parece um cara meio matreiro demais, capaz de bobagens abomináveis como a da moedinha e as ordens para Barrichello dar passagem a Schumacher, totalmente desnecessárias e antiesportivas. Mas ele é um sujeito sabidamente competente. E conhece corridas. Tomara que seja bom para a FIA, para o esporte, para a F-1 em particular, para as outras categorias em geral, e que seja feliz.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo internacional Tags: , ,
16/09/2009 - 12:14

FIM DE PAPO

crashcingSÃO PAULO (pela porta dos fundos) – As seis linhas do comunicado da Renault divulgado hoje pela manhã dizem mais do que todas as palavras já escritas sobre o caso Cingapura-Nelsinho (ainda não arrumei um nome legal para esse escândalo).

A equipe começa dizendo que não vai contestar as alegações da FIA. Ou seja: foi tudo armado, mesmo. As investigações internas chegaram a essa conclusão.

Depois, informa que Flavio Briatore e Pat Symonds não fazem mais parte da equipe. Nelsinho já não fazia. E são as cabeças dos três que vão, com justiça, para a guilhotina.

A Renault vai tentar tirar o seu pescoço francês da reta. É possível alegar, e é até provável que seja verdade, que a corporação francesa não tem nada a ver com isso. Não foi ordem de cima. Foi decisão de três indivíduos que resolveram fazer aquela merda toda à revelia, por conta própria. Para salvar seus empregos, pode-se dizer. Nelsinho, porque queria ter o contrato renovado; os outros dois, porque a equipe precisava de um resultado marcante, já que a empresa ameaçava puxar o carro da F-1, ou reduzir seus investimentos.

Symonds e Nelsinho entregaram tudo por delação premiada. Não serão punidos pela FIA. Serão pela F-1. Estão acabados. Briatore negou até agora, e tudo que lhe restou, além da justificada fama de mau elemento, foi o acréscimo de “mentiroso” à sua biografia. Está acabado, também.

Não há mais dúvidas de que tudo foi combinado. Há a confissão do piloto, o depoimento de Symonds (que não responde às perguntas mais importantes, o que é uma admissão de culpa) e a demissão de todos pela chefia em Paris.

briasymBriatore é um escroque. Symonds, outro. Nelsinho, um fraco. O que fizeram é desprezível, vergonhoso. A Renault, agora, teria de processar os três, pelo que fizeram com sua marca e reputação. Arrancar as calças de todos. E de outros que, dentro da equipe, possam estar envolvidos.

A FIA deve punir a equipe duramente. Mesmo que tenha sido uma decisão de indivíduos, todos estavam a serviço da empresa. Ninguém mandou contratar escroques. Pode não haver culpa da Renault, mas há responsabilidade. O time deve pagar. Com multa, exclusão, o que for.

Está claro que Max Mosley sai ganhando nessa história toda. Odeia Briatore e as montadoras. Deram-lhe munição para bater no peito e falar: eu não disse? E ninguém poderá tirar sua razão.

Mas há algumas pontas soltas nesse caso todo. A primeira, a posição de Alonso. Ele não pode calar. Por enquanto, está limpo. Pode argumentar que não sabia de nada. Que a estratégia era esquisita, mas já houve outras na história, que não deram certo. O melhor a fazer seria devolver o troféu. E a FIA, mesmo que isso não mude muito a história, deveria mudar o resultado da corrida e dar a vitória a Nico Rosberg.

Alonso sabia? Não sei, e não vou chutar. Acho apenas difícil que, pelo menos, não tenha sabido depois. Ou desconfiado. Mas se foi algo restrito aos três patetas, mesmo, vá lá. Que desfrute do benefício da dúvida.

Massa seria campeão se não fosse a presepada do trio? Difícil dizer. Ele não perdeu a corrida porque parou nos boxes, apenas. Perdeu porque a Ferrari fez bobagem no pit stop. Poderia fazer também mesmo se não houvesse acidente algum. É algo que nunca se saberá.

A outra ponta se chama Nelson Piquet, o pai. Foi ele que procurou Mosley depois da demissão de Nelsinho para acender o pavio da bomba. Provavelmente sabia de tudo antes, mas só resolveu falar quando o filho perdeu o emprego. Por que fez isso? Apenas para cortar a cabeça de Briatore? Será que não imaginava que Nelsinho sairia igualmente queimado? O que será que disse ao pimpolho quando soube de tudo, muito provavelmente bem antes de sua demissão? “Vamos esperar para usar no momento certo”? “Você é um idiota, como faz um negócio desses”?

Nelsão é o maior mistério dessa história toda.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , , ,
14/09/2009 - 21:55

AS ÚLTIMAS

SÃO PAULO (serviço completo) – O que está rolando na Inglaterra é que a FIA (leia-se Max Mosley) ofereceu a Pat Symonds imunidade caso entre no programa de delação premiada que salvou a pele de Nelsinho — salvou numas, ele não será formalmente punido, apenas. A ideia é fazer com que Symonds dê todo o serviço incriminando Flavio Briatore, a quem nada se ofereceu, exceto um nabo.

Dessa forma, Max teria a chance de banir o italiano da F-1, naquele que seria seu último ato como presidente. Ron Dennis, outro desafeto de carteirinha, já se mandou por conta. Pelo jeito, Briatore tá lascado, para não dizer fodido.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
11/09/2009 - 11:59

MILANESAS (2)

mila01SÃO PAULO (não vou/me adaptar) - E o que Victor Martins havia antecipado no Grande Prêmio foi confirmado por Max Mosley: Nelsinho entrou no programa de delação premiada da FIA, que promete mudar seu nome, lhe dar novos documentos e, quem sabe, uma nova vida no Nepal. O presidente sadomasô, que deve estar adorando ver o circo pegar fogo e Briatore correndo o risco de se dar muito mal, disse que Piquet-pimpolho não sofrerá nenhuma punição, mas que a Renault pode, sim, receber sanções pelo que pode ter feito.

A questão toda, agora, é Nelsinho conseguir provar o que está falando. Porque, por enquanto, a única vítima dessa história toda é ele mesmo, que se tornou de um dia para o outro um piloto pouco confiável e dedo-duro. Vítima e vilão, diga-se, porque confessou o crime que cometeu em nome da defesa de seu próprio futuro.

Se as acusações dos Piquet a Briatore e Symonds não forem provadas, eles estarão em péssimos lençóis. E como provar? Testemunhas?

Tem água para passar sob essa ponte, ainda.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
21/07/2009 - 10:30

FALA VATANEN

SÃO PAULO (já tem meu voto) – Sou muito simpático a essa turma nórdica dos ralis e, ampliando (graças a um blogueiro que me corrigiu), da Escandinávia, e por isso acho que Ari Vatanen seria melhor para a FIA do que Jean Todt. Lendo esta entrevista dele, minha simpatia aumentou. Mas vai ser muito difícil segurar o pequeno Napoleão, candidato da situação, por assim dizer. Se ele ganhar, colocarão a raposa para tomar conta do galinheiro, no que diz respeito à F-1.

Todt, nem é preciso dizer, é tudo que a Ferrari quer. Daí que não entendo, mais uma vez, o apoio de Max Chicotinho ao francês.

Aliás, nos últimos tempos, não entendo mais nada.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo internacional, F-1 Tags: , , ,
16/07/2009 - 10:34

TODT X VATANEN

SÃO PAULO (vote!) – Está oficializada a candidatura de Jean Todt à presidência da FIA. O francês, ex-imperador da Ferrari, à frente do time italiano nos anos mais bem-sucedidos da história de Maranello na F-1, tem um passado ligado ao esporte. Começou em ralis, disputou o Mundial (como navegador), dirigiu a Peugeot tanto em provas off-road como no asfalto, ganhou quase tudo por onde passou. Mas, na FIA, não vai competir, e sim tentar controlar os competidores — que conhece tão bem.

Todt é situação. Foi indicado por Max Mosley. A candidatura de oposição também vem do mundo dos ralis, o finlandês Ari Vatanen, um dos grandes pilotos de sua época, que ganhou experiência política recentemente como deputado do Parlamento Europeu.

Boa disputa. Para o esporte, porque são duas figuras que conhecem o assunto. Para as outras atividades da FIA, sei lá. Talvez indiquem assessores para cuidar de cintos de segurança, airbags e placas de estrada — não há ironia aqui, o trabalho da FIA no universo do automóvel é importante, embora tenha menos visibilidade.

Em quem você votaria? Eu escolheria Vatanen. Todt rói (acho que ainda tem o acento, que lixo, essa reforma) as unhas. Acho meio nojento o jeito que ele rói as unhas.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo internacional, F-1 Tags: , , ,
15/07/2009 - 11:50

ADEG INFORMA: SAI MAX, ENTRA JEAN

SÃO PAULO (parece que agora vai) – Max Mosley desistiu de vez de concorrer à reeleição na FIA. É um indicativo de que o novo Pacto da Concórdia está prestes a ser assinado e ele sai de cena em outubro. O presidente fez, até, a indicação de seu sucessor: espera que seja Jean Todt, francês, ex-manda-chuva da Ferrari que todos conhecem.

A indicação é contraditória. Max escreveu aos seus clubes, semanas atrás, uma carta dizendo que a presidência da FIA deve cuidar de muito mais coisas do que a F-1. Que a FIA tem outras atribuições além das competições, que precisa se preocupar com estradas, segurança, a vida em torno de um carro, enfim.

Todt tem um passado exclusivamente ligado ao esporte. Foi piloto e navegador de ralis, dirigiu a Peugeot, depois a Ferrari. Conhece muito do assunto, mas não sei se manja alguma coisa de segurança nas estradas. O que também não quer dizer nada. O cargo, no fim das contas, tem na F-1 sua maior visibilidade. O problema, me parece, é a excessiva ligação de Todt com a Ferrari. Que deve estar adorando a indicação.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
03/07/2009 - 12:54

HUM…

SÃO PAULO (algo de podre) – Lembram, anos atrás, da licitação cujo resultado foi revelado pelo jornalista Janio de Freitas com um anúncio cifrado na “Folha”? Pois algo parecido está acontecendo na F-1. Só que a peça acusatória é um suposto e-mail de Alan Donnelly, braço-direito de Max Mosley, a uma autoridade saudita. Donnelly, duas semanas antes do anúncio das três novas equipes da F-1, esteve na Arábia Saudita negociando cotas de investimento na Manor, a surpresa da lista tríplice. A denúncia é do “The Guardian”, e a história toda está aqui, no blog Victal.

Está cheirando mal. A ponto de a FOTA estar a ponto de pedir formalmente que o processo de escolha das três novas equipes seja revisto.

 

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
26/06/2009 - 19:27

COLUNA 2

SÃO PAULO (sinto frio) – A coluna Warm Up da semana está aqui. Fala sobre as três cartas que Max Mosley escreveu ontem e hoje, uma para Luca di Montezemolo, outra para o Conselho Mundial da FIA, outra para os clubes filiados à entidade.

Um trecho:

“Mosley declara-se vitorioso na contenda que terminou no acordo de quarta-feira. (…) Diz Max que seus dois principais objetivos, a redução dos custos e a entrada de novos times, foram alcançados. E que o anúncio de que não vai concorrer à reeleição para a presidência da FIA, em outubro, era algo que ele já tinha decidido no ano passado. Acontece que a FOTA, através de seus membros, saiu cantando de galo da reunião do Conselho Mundial, alardeando que a saída de Mosley era uma vitória dos times e fazendo chegar à imprensa a informação de que Michel Boeri, presidente do Automóvel Clube de Mônaco e presidente do Senado da FIA, cuidará dos assuntos relativos à F-1 até outubro, quando Max se retirar. Em outras palavras: Mosley deixaria de mandar. (…) Isso fez com que o presidente da FIA subisse nas tamancas.”

Leiam e depois, como de costume, comentem…

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Warm Up, Sem categoria Tags: , ,
24/06/2009 - 18:58

TO PIZZA OR NOT TO PIZZA?

SÃO PAULO (ficou enorme, nunca mais escrevo sobre isso!) – Passada a tempestade, ficam duas perguntas. Terminou tudo em pizza? Quem ganhou e quem perdeu, afinal?

Primeiro, é um equívoco acreditar que tudo não passou de um teatro e que era fácil adivinhar seu desfecho. Não. Houve possibilidades reais de ruptura e temores dos dois lados. Das equipes, porque seriam incapazes de montar um campeonato em tão pouco tempo. Da dupla FIA/Bernie, de perder o que sempre tiveram, o controle da F-1. As chances maiores eram de um acordo, sim. Porque ele era necessário. Se não houvesse, porém, estariam todos lascados. E cada lado sairia a campo para lutar por sua sobrevivência, um tentando matar o outro. É assim nas guerras.

Mas houve um acordo, a guerra acabou, e voltamos às perguntas iniciais.

Terminou tudo em pizza?

Bem, pizza, assim, do jeito que a gente conhece, a clássica “fica tudo como está”, não. Afinal, a F-1 de 2010 será outra. O ambiente todo mudou. Max Mosley não será mais o presidente da FIA. Sem ele no comando, os times/montadoras podem pensar um pouco à frente, em colocar na cadeira do rei do chicotinho alguém mais simpático às suas causas. Não há pizza aí. Além do mais, o Mundial terá três equipes novas, algo que não aconteceria de forma espontânea. Será um campeonato diferente, que agrega mais três independentes, equilibrando um pouco a relação fábricas x “garagistas”. Não, definitivamente, sob esse ponto de vista, não acabou tudo em pizza.

Mas…

Há algumas sutilezas que devem ser observadas nesse episódio todo, e é preciso voltar um pouco no tempo para tentar compreender cada passo dado pelos combatentes nos últimos meses.

Max comanda a F-1 desde 1991, quando assumiu a presidência da FISA, o braço esportivo da FIA. Esse órgão seria extinto alguns anos depois. Mas em 1993 Mosley foi eleito presidente da entidade principal, o que dá na mesma.

Bernie sempre foi seu aliado, especialmente quando, no final dos anos 90, a Comissão Europeia acusou a FIA de monopólio por controlar tudo que dizia respeito à F-1 sem dar chances a ninguém de participar do racha do butim. Em 2000, numa manobra até hoje considerada bizarra, a FIA (leia-se Mosley) repassou os direitos comerciais da categoria à FOM (leia-se Bernie) por 100 anos. 100 anos! Estava, de certa forma, descaracterizado o monopólio que a Comissão Europeia contestava.

E tudo seguiu mais ou menos em paz, com um Pacto da Concórdia assinado em 1998 por dez anos, quando a presença das montadoras na F-1 ainda era fraca. Em 2007, porém, quando o acordo deveria ser renovado (para quem não sabe, o Pacto rege todas as relações entre FIA, FOM e equipes, comerciais e regulamentares), o quadro era outro. As fábricas, que tomaram a categoria de assalto, tiraram o pescocinho do engradado e começaram a pleitear fatias maiores das receitas que, achavam, eram magras demais para elas, as donas do espetáculo.

O que Mosley e Bernie fizeram? Cooptaram a Ferrari, assinando um contrato paralelo com o time de Maranello dando direito de veto aos italianos em questões ligadas às regras. Com a Ferrari ao seu lado, montadora nenhuma estaria disposta a encher o saco da dupla. Dupla que, diga-se, nunca confiou nelas, as montadoras, sob o argumento, muito aceitável, de que elas não tinham compromisso com o esporte, mas sim com seus balanços financeiros. Não iriam entregar nada a corporações que no dia seguinte poderiam se mandar da categoria. E foi assim, com esse equilíbrio meio mambembe, que a F-1 sobreviveu até setembro do ano passado, quando foi criada a FOTA.

Luca di Montezemolo, que não é tido como gênio por seus pares — antes, tem a fama de meio bronco e midiático além da conta —, assumiu a presidência da associação das equipes. E a Ferrari, que sempre rezou pela cartilha da FIA, alinhou-se às fábricas que, de novo, queriam fatias maiores do bolo que Bernie sempre mordeu com apetite inversamente proporcional ao seu diminuto tamanho. Foi assim que começou a guerra. Porque, além de querer mais dinheiro, as equipes-montadoras tinham um medo.

Mosley, àquela altura, já havia lançado, talvez na melhor das intenções, as bases de sua F-1 popular, barata, controlada. Controle. Era isso que apavorava os times das montadoras. Não é um acaso o fato de que as duas únicas associadas da FOTA que ficaram com a FIA sejam equipes realmente independentes. Têm nas corridas sua atividade principal. Não prestam contas a ninguém, exceto à Receita dos países onde estão sediados.

Ferrari, Toyota, Renault, BMW Sauber, McLaren, Red Bull e Toro Rosso são, por assim dizer, “filiais” das matrizes que fazem carros e latinhas de energéticos. A Brawn é a exceção nesse grupo, cuja decisão de não correr para a FIA é, para mim, ainda um mistério. Essas sete se arrepiam só de pensar em ter alguém de fora controlando suas contas, digamos, pouco ortodoxas. O medo não era tanto do teto. Era de ter alguém escarafunchando livros e notas fiscais para fiscalizar seu cumprimento.

Esse era o ponto. Foi por isso que os ânimos se acirraram tanto.

Vencedores e vencidos?

Bem, pelo comunicado oficial do Conselho Mundial, as equipes das montadoras (como estão sendo chamadas) não farão um campeonato novo, mandando em tudo, de cabo a rabo. Aí temos uma vitória da FIA. O regulamento, por outro lado, será o mesmo deste ano com algumas bobagens extras, como proibição de mantas térmicas nos pneus e fim do reabastecimento. Vitória dos times, que pediam estabilidade das regras. As equipes, por sua vez, vão reduzir seus gastos genericamente “aos níveis do início dos anos 90”. Vitória da FIA, mas neste caso apenas retórica, porque quero ver quem é que vai fiscalizar isso. O que veremos serão medidas práticas de economia, como equipamentos padronizados, motores e câmbios mais baratos etc. Mas elas, as equipes, continuarão aceitando a FIA como órgão regulador e fiscalizador das regras técnicas e esportivas, vitória da FIA de novo, que segue à frente da categoria como sua principal governante, algo de que Max não abria mão.

Mosley concordou em não concorrer à presidência em outubro, e aí temos uma vitória clara das equipes, que não o queriam mais no comando da federação. Mas todas se comprometeram a seguir os acordos comerciais da FIA até 2012, concordando em renegociar seus termos e estender o Pacto da Concórdia antes que ele expire. Mais um ponto para a FIA, e este é o mais importante.

Aí sim temos uma pizza das mais recheadas. Saborosíssima para Bernie Ecclestone, que no fim das contas é o grande vencedor dessa parada toda (alguém duvidava?). Afinal, o que todos queriam era controlar o dinheiro. E é ele que continua chefiando as finanças, dando as cartas, assinando contratos com TVs e promotores de corridas.

Para os times, de certa forma, tudo bem. A não-adoção do teto orçamentário permite que elas continuem gastando à vontade, sem controle externo. É uma espécie de compensação. Sem o teto, podem seguir com sua atual, digamos, liberdade financeira — que deixaria qualquer fiscal honesto do imposto de renda de cabelos em pé.

Assim, pode-se dizer que não há propriamente vencedores e vencidos, Ecclestone à parte. Nem Max foi à lona, nem os times ajoelharam diante da sede da FIA na Place de la Concorde pedindo perdão por seus pecados.

Cada um cedeu um pouco. A FIA continua fazendo as regras e Bernie segue com sua caixa registradora tilintando. As equipes e as montadoras não terão de se preocupar com situações constrangedoras caso alguém venha rebuscar seus livros fiscais. No que diz respeito àquilo que move o mundo, a grana, aí sim a redonda foi para o forno. E, a esta altura, a mozzarella já derreteu e todos comeram.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
24/06/2009 - 10:02

ACABOU

SÃO PAULO (espero) - E não foi a F-1, desta vez. Foi a novela. E o racha. Max Mosley anunciou que não se candidatará à reeleição. Passou a madrugada reunido com Ecclestone e Montezemolo para amarrar as pontas hoje no Conselho Mundial da FIA em Paris. Avisou que foi feito um acordo com a FOTA. Haverá redução de custos, não se sabe ainda em quais condições e níveis. A FIA promete anunciar daqui a pouco as equipes de 2010, que serão as mesmas deste ano mais as três novatas Manor, USF1 e Campos.

Ainda é cedo para avaliar quem saiu ganhando. Não haverá campeonato paralelo, portanto a FIA venceu. Mas as equipes rebeldes estarão neste campeonato, e certamente sob condições que atendem às suas demandas, portanto os times venceram.

Quando não há vencedores, não há derrotados. Mosley deixar a FIA não é exatamente uma derrota, ele já havia dito antes que não tentaria a reeleição. Se deixou passar a impressão de que poderia ter mudado de ideia, era pressão sobre a FOTA igual à do calendário fajuto que a FOTA fez circular pela mídia europeia.

Creio que as equipes saíram em vantagem, Max deve ter-se cansado, Bernie entrou no circuito porque tem muita grana em jogo. A F-1 de 2010 será a mesma, pero no mucho. Creio que os times vão passar a mandar bastante, Ferrari à frente. A ver.

Resta saber quem será o sucessor de Max. Todt? É bom lembrar que o presidente da FIA não é eleito pelas equipes de F-1, mas sim por confederações nacionais e automóveis clubes. É um colégio eleitoral enorme. Se quisesse, Mosley conseguiria a reeleição.

Aguardemos os comunicados oficiais das duas partes.

Agora pergunto a vocês: no fundo, no fundo, será que não seria legal um rachinha básico? Dois campeonatos, a F-FOTA e a F-1, rivalidade entre séries, qual é melhor, qual leva mais público, qual tem mais audiência…

Para mim, sinceramente, tanto faz. Eu gosto de corrida. Tendo corrida, tá bom. Em Interlagos, de Lada, melhor ainda.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
19/06/2009 - 16:14

FISH & CHIPS (2)

SÃO PAULO (daqui a pouco falo do Meianov)Max Chicotinho falou em Silverstone. E deu a entender que não está muito preocupado com a chiadeira da FOTA. “No ano que vem, estarão todos no grid em Melbourne”, disse. Como ganhou algum tempo desistindo de divulgar a lista de inscritos amanhã, decidiu tirar uma onda. Faz parte do jogo.

A lista não sai porque a FIA resolveu entrar na Justiça contra a FOTA. Max não é bobo. É advogado, e dos bons. Muitos times devem ter contratos individuais com a FIA que, se forem quebrados, podem resultar em pesadas multas. Suspeita-se que Ferrari, Red Bull e Toro Rosso estejam entre elas. Por isso apareceram na primeira lista sem asteriscos. Como se fossem obrigadas a competir, algo que estaria escrito em algum papel.

Mosley demonstra muita segurança numa solução negociada. Acha que, a esta altura do campeonato, a questão está virando pessoal, embora ele não cite Montezemolo. Isso porque, em suas palavras, as condições da FOTA e as propostas da FIA são menos distantes do que se imagina.

É duro na queda, o velho Max. Está peitando a Ferrari, o que não é pouco.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
18/06/2009 - 22:53

A F-1 ACABOU (2)

SÃO PAULO (muita calma nessa hora) – Bem, bem, bem. O comunicado da FOTA não dá margens a especulações. Não se trata mais de uma ameaça, mas de uma decisão. Que me surpreende, para ser sincero. Eu achava que no fim das contas Mosley iria vencer, dado o teor da enorme carta divulgada terça-feira, embasando todas suas decisões e acusando diretamente a Ferrari de liderar uma tentativa de levante com claros interesses próprios.

Venceria rachando a FOTA. Mosley não se importaria com deserções da Toyota, da Renault, da BMW Sauber, da Red Bull e da Toro Rosso. Essas ele sempre achou que não têm importância, entram e saem, não são comprometidas com a F-1. Também não se importaria se a Ferrari resolvesse bater o pé. Mas queria atrair Brawn e McLaren. Esta última seria seu grande trunfo para mostrar ao mundo que a Ferrari era a vilã da história.

Contava, para isso, com o pisar em ovos da McLaren desde o caso da espionagem e da mentira de Hamilton em Melbourne. Achava que o time prateado, para evitar problemas, acabaria cedendo, levando junto a Brawn por causa da Mercedes. Além do mais, Ross Brawn não é exatamente o maior amigo de Luca di Montezemolo por conta dos protestos do início do ano em relação aos seus difusores.

Mas talvez Max não considerasse seriamente a possibilidade de um novo campeonato. Com seus times novatos, mais a tradição da Williams, a Force India, a McLaren e a Brawn, daria um pé solene na Ferrari e nas montadoras que tanto abomina.

E não abomina por questões pessoais, aqui vale o parêntese. Há anos Mosley alerta para a instabilidade de uma categoria cujo alicerce são empresas dirigidas por gente que não tem no esporte um fim, mas um meio. Diz ele na carta de terça: “Quando a Honda anunciou sua desistência em dezembro de 2008, já havia feito sua inscrição para 2009 e era contratualmente obrigada a competir. Duas coisas ficaram claras para a FIA. Primeiro, qualquer montadora poderia sair a qualquer momento. E a FIA não teria como recorrer contra essas montadoras, contra a empresa principal, apenas contra as equipes que não teriam patrimônio nenhum, exceto suas dívidas. Segundo, que era muito provável que outras montadoras fizessem o mesmo antes de 2010″.

Segue a FIA, sempre com muita propriedade: “A Renault depende do governo francês. Parece duvidoso que os contribuintes franceses estivessem dispostos a gastar o dinheiro de seus impostos, em quantias tão altas, numa equipe de F-1. As operações da Toyota verificaram perdas pela primeira vez na história, e ela poderia desistir de gastar centenas de milhões numa equipe, enquanto a BMW, que faz enormes sacrifícios para cortar os custos em sua operação principal, poderia decidir não gastar pesadamente em seu time”.

“Diante da possibilidade de termos apenas 18 carros no grid em Melbourne e de as coisas piorarem em 2010, a FIA teve de agir. Havia dois passos óbvios. Primeiro, uma aproximação ao sr. Montezemolo para obter dele uma garantia de que as montadoras estariam no grid em 2010 e que a situação da Honda não iria se repetir. Segundo, iniciar conversas com a FOTA na direção de cortar os custos a um ponto que fizesse com que uma eventual saída das montadoras se tornasse improvável, que viabilizasse a existência das equipes independentes e a entrada de novos times.”

Aí seguem várias críticas a Montezemolo. Ele teria prometido as garantias, mas nunca apresentou sequer uma carta das montadoras garantindo seu compromisso com a F-1. “Nem mesmo da companhia dele, a Fiat”, diz a FIA. Depois, na reunião do Conselho Mundial de 17 de março, a Ferrari votou contra o teto orçamentário, mas não contra as liberdades para as equipes que o adotassem. Mais tarde, em outro Conselho Mundial, em 29 de abril, foi votado o regulamento para 2010 em detalhes. Montezemolo não apareceu. Elegeu o presidente da comissão italiana de kart, “Mr. Macaluso”, com uma procuração para votar em nome da Ferrari. Macaluso também não apareceu e participou da reunião por videoconferência. Votou contra as regras (foram dois votos contra), sem justificar o voto.

Veio depois a ação da Ferrari na Justiça francesa, e mais reuniões, e a FOTA empurrando tudo com a barriga, inclusive uma tentativa de esclarecer como seria feito o controle financeiro do teto orçamentário. Max foi ficando de saco cheio.

O presidente da FIA acha que a FOTA quer controlar a grana e as regras. Tem razão, quer mesmo. E argumenta que a F-1 precisa de um órgão regulador imparcial e independente “pela própria natureza do esporte”, porque ele é disputado “por pessoas que querem vencer (literalmente) a qualquer custo”. “Há vários exemplos disso, envolvendo ao menos quatro equipes da FOTA, nos últimos anos”, diz o texto. “Um bom governo não significa que a Ferrari deve governar. (…) A Ferrari é representada no Conselho Mundial desde 1981 e nunca se opôs aos nossos processos ou decisões até abril e maio deste ano.”

Mosley termina sua carta com uma reflexão um pouco mais filosófica sobre a F-1. “A discussão é sobre os princípios da F-1. Sobre liberdade técnica. É o reconhecimento da FIA e de várias equipes de que você pode ter liberdade técnica, liberdade para inovar, ou liberdade para gastar sem limites. Não é possível sustentar as duas coisas. (…) Comparada com as propostas da FOTA, o regulamento de 2010 é muito mais livre. A FOTA propõe não testar, eliminar o KERS, padronizar câmbio, aerodinâmica, limitar o trabalho nas fábricas. Em vez de buscar meios econômicos para fazer coisas inovadoras (que é o espírito da F-1 e o desafio da indústria automobilística), a FOTA quer impor restrições e diminuir os desafios técnicos.”

Mosley tem razão em tudo. O cenário econômico mundial não comporta a gastança da F-1 e as incertezas quanto à participação das montadoras. A Ferrari quer tomar conta de tudo, é o que Max quer dizer. Comprou a briga. Perdeu oito equipes, mas pode ganhar 15. Só que sem McLaren e Brawn, vai ter de ser muito hábil para montar uma nova F-1 que seja atraente para o público e para os parceiros de sempre.

Do outro lado da trincheira, as oito rebeldes também terão dificuldade para montar um grid razoável. Quem vai querer competir com gigantes que gastam o que querem? Quem vai querer colocar um carro na pista para levar ferro das já estabelecidas? E os contratos com os autódromos e com as TVs?

É o maior racha da história da F-1. Por enquanto, é tudo que dá para dizer.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
16/06/2009 - 12:17

SEM SAÍDA

SÃO PAULO (nunca cumpro) – Eu tinha jurado que não iria mais falar nesse assunto antes de uma solução final, mas é impossível. Afinal, é o assunto do ano na F-1, apesar da grande, enorme novidade de ver uma equipe estreante arrasando a concorrência.

Fato é que os ânimos se acirraram mais uma vez. Mosley descascou as equipes hoje e, ontem, emitiu outro comunicado descascando a associação das montadoras europeias — que declararam apoio aos times mantidos por fábricas.

O raciocínio do presidente da FIA é, como sempre, cristalino. Não entende como as fábricas, atoladas em dívidas e falindo uma por dia, podem ser contra o teto orçamentário na F-1, esse sorvedouro de receita que, diante de acionistas, não faz o menor sentido. Na sua opinião, a FIA está é fazendo um favor às fábricas ao limitar os gastos em corridas. Dá para lhe tirar a razão?

No que diz respeito às equipes, diz que está agindo no sentido de dar liberdade técnica aos engenheiros, estimulando a criatividade e o desenvolvimento em bases mais racionais, dando oportunidade aos mais inventivos de se sobreporem àqueles que trabalham com orçamentos ilimitados. Acrescenta que, até agora, a única medida real para cortar custos na F-1 foi o congelamento dos motores, o que não é o bastante. E que não dá para congelar o resto dos carros, sob o risco de agir contra os princípios da F-1. Dá para lhe tirar a razão?

Para Max, o que está acontecendo de verdade é um embate pelo poder, com as equipes querendo assumir a categoria comercialmente e também fazer suas regras. Novamente, não é possível tirar sua razão.

O placar desse confronto, aqui neste blog, já variou muito e teve algumas viradas. Uma hora Max ganhava de 1 x 0, depois os times viraram para 10 x 1, depois viu-se que na verdade os 10 não eram 10, mas 8, e Mosley tinha 15 na manga. A Ferrari continua entrincheirada de um lado e os que continuam com ela não parecem ter grande convicção. No outro lado da trincheira, Max acena com gastos mais baixos, uma F-1 mais “democrática”, mocinhas de cinta-liga e chicotinhos para todos.

Eu diria que, neste momento, as ideias de Mosley são mais sedutoras que o pezinho de Montezemolo batendo no chão sem parar, que a pança de Briatore chacoalhando ao som gutural de suas fanfarronices, que o bigodinho sem graça de Theissen e que a insignificância do que pensa a Toyota.

Neste exato momento, Max está na frente de novo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
12/06/2009 - 19:26

COLUNA 2

SÃO PAULO (nem precisava) – É só para constar, porque a coluna que publiquei hoje no Grande Prêmio é uma somatória pura e simples de dois posts que coloquei aqui de manhã. Para ver como vocês são privilegiados…

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Warm Up Tags: , ,
08/06/2009 - 16:33

CEDENDO

SÃO PAULO (que saco) – Max Mosley mandou uma carta para a FOTA. Convida as equipes para participarem da elaboração do regulamento de 2010, mas pede que as inscrições sejam incondicionais. “Depois a gente senta e resolve”, é o que Max quer dizer.

Estou quase tomando a decisão de só voltar a tocar nesse assunto quando alguma solução definitiva for tomada.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
04/06/2009 - 14:34

TUDO DE NOVO

SÃO PAULO (céu de brigadeiro) – São muitas idas e vindas nessa briga. Já está enchendo um pouco, mas não deixa de ser divertido acompanhar a marra de Max Mosley. O fato é que todo mundo deu como favas contadas que um acordo havia sido feito sexta-feira, quando as equipes se inscreveram em bloco. Picas. Max ainda não havia se pronunciado. Fê-lo à imprensa suíça. Pelo jeito, ele não considera a exclusão do teto orçamentário e, muito menos, a assinatura de um novo Pacto da Concórdia até o dia 12 de junho — exigências da FOTA para seus associados participarem do Mundial.

Max acha que a inscrição em bloco (excluindo a Williams) foi feita para atrapalhar as novas equipes que pretendem correr. E disse que quem não estiver satisfeito, que crie seu próprio campeonato.

Assim, tudo volta ao estágio anterior à inscrição coletiva. De um lado, os times; do outro, Max. Se no dia 12 de junho não for assinado pacto algum, a FIA deve consultar os times da FOTA, os “fotidos” do Bairro Peixoto, para saber se querem continuar na brincadeira. Se não quiserem, vai sair uma “entry list” para 2010 com Williams, McLaren, Brawn, Force India (essas querem que a FOTA se “fota”, não estão nem aí para a Ferrari) e o bando de loucos das últimas semanas: March, Brabham (a marca é de um alemão que comprou a Super Aguri), Epsilon Eukadis, Lola, Campos, Superfund, Prodrive, USGPE. Só aí já são 12. Um bom grid, e ainda sobra.

Considerando tal hipótese plausível, quem é que faria falta entre os “desertores” puxados pela Ferrari? Só a própria. A Toyota nunca deixou de ser uma fabricante de Corollas de passagem pela F-1. A Renault já entrou e saiu tanto das pistas, como equipe ou fornecedora de motores, que talvez seja melhor mesmo ficar fazendo seus Twingos. A BMW Sauber é a equipe mais sem sal de todos os tempos. Red Bull e Toro Rosso são legais, mas o mundo não vai parar se carros disfarçados de latinhas de energético deixarem as pistas, tampouco a Red Bull deixará de patrocinar corridas de aviões, quedas livres de precipícios, travessias aéreas sem motor, maratonas de balonismo ou descidas de ladeira com carrinhos de rolimã, como sempre fez.

Falta, mesmo, fará a Ferrari. Mas o mundo anda tão doido que não me surpreenderia se ela fosse esquecida em seis meses. Dizem que existe uma pesquisa que concluiu que se a Coca-Cola parar de fazer publicidade, a marca cai no ostracismo em menos de um ano, embora tenha mais de um século de existência e seja consumida em todos os cantos do planeta. Não duvido.

Assim, a Ferrari que coloque as barbichas de molho. Se tem uma coisa que não mudei desde o início dessa guerrinha foi a convicção de que a Ferrari precisa muito mais da F-1 do que a F-1 da Ferrari.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
25/05/2009 - 12:32

FERRARI X RAPA

SÃO PAULO (tudo muito nebuloso) – Luca di Montezemolo mentiu em Mônaco ao dizer que as equipes concordaram em não se inscrever para o Mundial se a FIA não voltasse atrás na regra do teto orçamentário. A Williams se inscreveu hoje. E podem apostar que a Brawn, a McLaren e a Force India farão o mesmo até o fim da semana. Estranho foi ninguém ter vindo a público para desmentir o presidente da Ferrari e da FOTA sobre o suposto consenso.

Eu disse, semana passada, que estava 10 x 1 para as equipes contra Mosley, depois da reunião no iate. O placar é mais apertado. A minha sensação de que a Ferrari estava isolada nessa história, ou quase, não era tão falsa assim. Assim, para ficar no futebolês, a semana começa com os vermelhos ainda à frente. Mas o time de Max reage e está atacando. Vamos ver se os italianos resistem à pressão.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , ,
20/05/2009 - 12:34

BAGUETE PARA A FERRARI

SÃO PAULO (no ar, rapidinho) - Começo a achar que a possibilidade de um Mundial de F-1 sem a Ferrari é algo que deve ser levado em consideração. Os italianos perderam hoje nos tribunais franceses. Pediam a anulação do regulamento de 2010. A Justiça foi acionada em Paris porque é onde fica a sede da FIA. O juiz do caso deu uma baguete para a Ferrari. Max Mosley ganhou mais uma e se fortaleceu. Mais ainda depois de, digamos, estimular as notícias sobre quatro novos grupos interessados em correr se o teto orçamentário for mantido.

Tirando a Campos, o resto me parece uma turma de arrivistas. Mas ainda tem a Prodrive, a Lola, a equipe americana… E a McLaren e a Williams e a Brawn e a Force India… Sei lá. O fato de a Ferrari ter peitado a FIA sozinha na Justiça me parece um sinal de isolamento, apesar das promessas de Red Bull, Toro Rosso, Toyota e Renault de que a seguirão nesta cruzada.

Bem, o que dá para dizer, por enquanto, é que o placar aponta Max 1 x 0.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: ,
19/05/2009 - 13:57

O RACHA

SÃO PAULO (”o”, não “a”!) - Max Mosley não deve ser dado como morto. A McLaren vai se inscrever no Mundial dentro do prazo. Com ela vão também Force India, Brawn e Williams, pelo menos. E ainda tem a Lola e a USGPE. E a BMW Sauber no muro. A FOTA não tem posições unânimes, como se vê. Por isso a Ferrari entrou na Justiça sozinha contra o regulamento de 2010.

Max quer rachar a associação das equipes. Max é fogo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
18/05/2009 - 12:55

NEM AÍ

SÃO PAULO (até onde vai?) - Embora eu discorde da ideia do teto orçamentário por sua consequência direta, essa história de um campeonato com carros correndo sob dois regulamentos, gosto dessa postura “não tô nem aí” de Max Mosley. Hoje ele falou que a FIA homologa qualquer categoria, sem problema algum, que as equipes que não se inscreverem para o Mundial de F-1 quiserem montar.

Max está batendo forte, mesmo. Sem medo de ver a F-1 ruir, chuta o balde sem dó. Não sei se tem algum trunfo. A impressão que eu tenho é que não está nem aí, mesmo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: ,
12/05/2009 - 16:07

DE SAÍDA (2)

SÃO PAULO (será?) – Estou aqui com o comunicado emitido hoje pela Ferrari, ameaçando deixar a F-1 se passar a regra do teto orçamentário proposta por Max Mosley. Basicamente, para quem chegou de Marte hoje, a FIA quer estabelecer o máximo de 40 milhões de libras (dá quase 130 milhões de reais) como orçamento das equipes para o ano que vem. Quem topar vai ter várias liberdades técnicas, como mais tempo de uso de túnel de vento, possibilidade de mexer nos motores, testes, peças aerodinâmicas diferentes e sei lá mais o quê.

Quem não topar terá de correr numa camisa-de-força.

Com isso, teríamos dois regulamentos distintos: um para quem quer gastar menos, outro para quem quer gastar os tubos.

É uma sandice, evidentemente. Teríamos carros muito diferentes entre si e desempenhos igualmente díspares. Se com uma merdinha de um difusor a Brawn já voa em relação à Ferrari, por exemplo, imagine-se o que aconteceria se um carro pudesse, sei lá, usar uma asa flexível e o outro, não.

Na verdade, Mosley sabe que é uma coisa esdrúxula, e está forçando a barra para todos aceitarem e, assim, reduzir os custos e atrair mais equipes. É aspiração legítima, embora eu não consiga entender como ele pretende controlar os gastos de tanta gente em países distintos. Teríamos, por exemplo, um orçamento pré-determinado para a compra de macarrão e trufas? A Ferrari não poderia apresentar uma nota fiscal de trufas caríssimas e usar a grana para fabricar pistões de criptonita?

Não vai dar certo, é óbvio.

No passado, Mosley conseguiu o que queria sugerindo essas ideias doidas para, depois, negociar com todo mundo e chegar a soluções razoáveis. Mas no passado não existia a FOTA, a associação das equipes. Existia a FOCA nos tempos de Balestre, que era presidida por Bernie Ecclestone, e que deixou de ter função quando Bernie passou a comandar o negócio todo. Aliado a Mosley, ele resolvia o que iria passar ou não, em termos de regulamento. E comunicava aos times, que comiam em sua mão porque a chave do cofre era dele.

Com a FOTA, criada no ano passado, tudo mudou. Luca di Montezemolo é o presidente. Ele é a Ferrari. Sem Ferrari, o que seria da F-1?

E chegamos ao ponto inicial deste texto. A Ferrari está dizendo que sai se o teto passar. Já tem, como aliadas, a Red Bull, a Toro Rosso, a BMW Sauber e a Toyota.

O comunicado começa dizendo que nos três primeiros meses deste ano a fábrica italiana arrecadou 441 milhões de euros, apenas 3,2% menos do que no mesmo período do ano passado. O lucro foi de 54 milhões de euros, 8,5% menos do que nos três primeiros meses de 2008.

Apesar da crise, portanto, tudo corre bem pelos lados de Maranello.

Aí o texto diz que o “board” de diretores, depois de avaliar os ótimos resultados do trimestre etc e tal, examinou as últimas do Conselho Mundial da FIA, “que determinou que em 2010, pela primeira vez na história da F-1, o campeonato terá dois regulamentos baseados em um regulamento técnico arbitrário e em parâmetros econômicos”.

Diante disso, diz o corpo de diretores, se essa balbúrdia persistir, “a ininterrupta participação de mais de 60 anos da Ferrari, única que esteve em todos os Mundiais desde 1950, chegará ao fim”. E aí soltam-se os cães. A equipe diz que está decepcionada com os métodos da FIA, com sua recusa em ouvir os construtores, com a traição ao compromisso pela estabilidade da categoria estabelecido nos últimos 25 anos e tudo mais.

“As mesmas regras para todas as equipes, a estabilidade do regulamento, a continuidade no esforço da FOTA para reduzir os custos e o gerenciamento da F-1 são prioridades para o futuro. Se esses princípios indispensáveis não forem respeitados e as regras para 2010 não mudarem, a Ferrari não tem a intenção de inscrever seus carros para o próximo Campeonato Mundial de F-1″, continua o comunicado. E finaliza dizendo que seus fãs em todo o mundo haverão de compreender a decisão.

Bem, é a primeira vez que a Ferrari fala oficialmente em deixar a categoria depois do surto de Mosley em prol do teto orçamentário. A coisa começa a ficar séria. Não sei onde isso vai parar, mas imagino que Max vá negociar. Bernie acha que aos poucos, lentamente, em suas palavras, o teto vai desaparecer. Chegar-se-á a um acordo.

É o mais provável. Mas, até lá, vai ter briga. Ao final dela, alguém sairá muito fortalecido. Creio que as equipes. Max vai perder a força. E Ecclestone, como sempre, arrumará uma jeito de ganhar dinheiro com isso.

Bem, escrevi um monte para dizer a mesma coisa que, resumidamente, gravei hoje para a TViG. O vídeo está aí embaixo. Desconsiderem a falta de foco. Usei uma filmadora de Super-8 que acabou de chegar de Leipzig.


Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , ,
07/04/2009 - 13:44

BRONCA DE PAI

SÃO PAULO (só espuma) – A imprensa inglesa está em polvorosa. E, pelo jeito, tenta salvar a reputação de bom moço de Lewis Hamilton, que anda para lá de arranhada, atacando a McLaren. Deu no “Daily Mail” que o pai do piloto, Anthony, ficou irrtado com a equipe, por ter obrigado o filhote a mentir aos comissários da FIA em Melbourne. Para ele, foi constrangimento demais. E começa o diz-que-diz. Haveria a intenção de oferecer o menino à Ferrari.

Ora, ora, seu Antonio Hamilton… O senhor é que deveria ter ensinado o moleque a não mentir. Puxe a orelha do rapaz, expresse seu descontentamento, mas esqueça esse papo de Ferrari. Hamilton é daqueles que não vão deixar a McLaren nunca, como Mika Hakkinen.

Falando em mentiras, a FIA acabou de convocar a McLaren para uma reunião extraodrinária do Conselho Mundial no dia 29. O time está sendo acusado de um monte de coisas. Não estranhem uma nova multa milionária, talvez menos que os 100 milhões de dólares de 2007, pela espionagem. Mas que vão comer o rabo do time prateado, vão.

Falando em comer o rabo, expressão chula, admito, mas apropriada ao caso, é visível que desde que Max Mosley foi flagrado de cinta-liga e chicotinho que a McLaren vem levando sucessivas cravadas da FIA. É que o presidente sadomasô está convencido de que Ron Dennis tem algo a ver com os vídeos que o entregaram aos leões. A vingança está sendo exercida em prestações.

Falando em flagrante, o diretor-esportivo Dave Ryan, o da mentira, que estava na McLaren desde 1974, foi formalmente desligado da equipe hoje.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
27/02/2009 - 12:47

COLUNA 1

SÃO PAULO (assunto esquecido) – Em sua coluna de hoje, Reginaldo Leme comenta a ideia das medalhas de Bernie Ecclestone, motivo para mais um pequeno embate com Max Mosley. Falando nisso, essa história das medalhas sumiu completamente do noticiário. Como eu previa, era só mais uma das traquinagens de Bernie.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Grand Prix Tags: , ,
05/02/2009 - 20:00

MAX, O OTIMISTA

SÃO PAULO (tomara) – Num acesso de otimismo, Max Mosley disse que no ano que vem a F-1 terá 12 equipes, enchendo o grid com 24 carros. Para isso, basta reduzir os custos, descolar uns motorzinhos e uns cambiozinhos baratinhos, meter quatro pneus e sair correndo. E disse também que há 70% de chances de alguém comprar a Honda antes do fim do mundo.

Espero que Max esteja certo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags:
12/12/2008 - 15:43

O PACOTÃO DE DEZEMBRO

SÃO PAULO (estou atrasado) – Vamos tentar colocar a casa em ordem por aqui, porque acabei de chegar de Interlagos. Hoje foram divulgadas as medidas para cortar os custos da F-1. O “pacotão de dezembro”, em linhas gerais, acaba com os testes (e com os pilotos de testes, por supuesto), define que os motores terão de durar três finais de semana de GP e terão seu regime de giros limitado a 18 mil rpm (era de 19 mil) e restringe o uso de túneis de vento (algo que consome milhões, pelo custo/hora). A FIA e a FOTA esperam que os orçamentos das equipes sejam reduzidos em até 30% com tais medidas.

Sistema de pontuação e formato do treino que define o grid poderão mudar, em função dos resultados de uma pesquisa que a FIA deve colocar em seu site. A idéia das medalhas não está descartada.

Para 2010, definidos o fim do reabastecimento e das mantas térmicas para aquecer pneus. Essas são medidas mais voltadas para as corridas do que para a redução de gastos. Motores-padrão também vão existir, provavelmente feitos pela Cosworth, para que os times independentes possam comprá-los a preços módicos. Mas quem quiser continuar fazendo o seu, continua. Falam também em diminuir o tamanho das corridas, que hoje têm 305 km, em média, de percurso.

Também em linhas gerais, acho que tudo é bem pertinente, até o fim dos testes, embora seja meio esquisito um esporte em que o atleta não pode treinar. Mas no caso da F-1 se justifica. Uma coisa é você treinar o dia inteiro numa pista de atletismo. O custo é o das sapatilhas, que vão gastar e esgarçar. Colocar esses carros para andar o dia todo, porém, custa uma bala. Azar dos pilotos de testes. O resto, motores, rpm e túneis de vento, não afetará em nada o público. Esperemos pelos pontos e pelos treinos de classificação.

O que há de positivo nisso tudo é que houve consenso entre FIA e equipes, nenhum racha político e a evidente preocupação de todos em conter a gastança desenfreada.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
10/12/2008 - 16:46

TUDO CERTO

SÃO PAULO (e todos sobrevivem) - Acaba de pingar na minha caixa postal um comunicado conjunto da FIA e da FOTA. FOTA, para quem ainda não sabe, é a Formula One Teams Association, presidida por Luca di Montezemolo, que também é presidente da Ferrari, da confederação das indústrias da Itália, da Fiat, do clube de bocha de Modena, da associação dos ex-presidentes de montadoras italianas, síndico do prédio onde mora e diretor-artístico da fanfarra da escola do bairro.

Diz o texto que foi a “mais bem-sucedida reunião da história da F-1″, na opinião daqueles que participaram. Diz também que um acordo foi fechado “na direção de atender os objetivos estabelecidos pela FIA para 2010″, e que a FOTA fez propostas de cortes radicais nos custos para 2009 para manter a F-1 no topo e blá-blá-blá.

O comunicado informa que as propostas serão apresentadas ao Conselho Mundial da FIA sexta-feira, e que só então os detalhes serão revelados. O encontro de hoje aconteceu em Mônaco.

Pelo visto, chegaram a um acordo sobre tudo, como sempre chegam. Max é esperto. Dá nó nesses caras. Mas resta ainda a preocupação com o mico de se fazer um campeonato com apenas 18 carros. Vamos esperar a sexta-feira. Não precisam se matar. A F-1 vai continuar existindo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
09/12/2008 - 14:11

VAI PASSAR

SÃO PAULO (crise, crise…) – Max Mosley vai aprovar mais uma, a dos motores-padrão. Claro que não haverá um único motor, feito pela Cosworth, para todas as equipes. Ferrari, Mercedes e BMW, aparentemente, continuarão fazendo os seus. As demais equipes, até a Renault, gostaram da idéia. Um “veoitinho” básico, não muito caro, que dure bastante. Mais ou menos como era nos anos 70.

O padrão de que fala Mosley terá de ser seguido pelas outras fabricantes: medidas, peso, cilindrada, rpm, materiais. Na prática, a Ferrari fará o seu, mas ele será muito parecido com o Cosworth. Por isso que a Renault, a montadora que menos gasta com a F-1, se apressou em dizer que, para ela, tudo bem.

E a Toyota?

Segundo consta, é a tal de “outra montadora que vai desertar”, nas palavras de um diretor da Williams. Talvez antes mesmo de começar o Mundial. Acho difícil, mas não impossível.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
05/12/2008 - 09:28

COMO RECOMEÇAR?

SÃO PAULO (que sol é esse?) – Sempre tem como começar de novo. Sempre. É o que a F-1 precisa fazer, se quiser sobreviver. Porque começar a temporada com 18 carrinhos vai ser patético. Autódromos monstruosos, reluzentes e luxuosíssimos, sem carros para correr neles… Nesse cenário, as idéias do espevitado Mosley são cada vez menos excêntricas, a do motor único inclusive.

Que pode ser motor-padrão, também — que se deixe quem quiser fazer o seu fazê-lo. Era assim nos anos 70 e 80, com Renault, Ferrari, BMW, Porsche. Mas havia uma base, uma espinha dorsal, a Cosworth (que entrou na briga de novo, pelo jeito), a quem qualquer time independente podia recorrer para montar seu carro. E tinha equipe saindo pelo ladrão.

A F-1 perdeu o freio do desenvolvimento ilimitado quando o dinheiro começou a jorrar sem controle, na euforia da grana fácil e farta. Sem exagero algum, o valor do atual motorhome da McLaren é mais ou menos o orçamento inteiro de um time médio de 20 anos atrás.

Tamanhas exigências de verbas afastaram da competição os… competidores! E entraram as corporações. Não se faz um campeonato de futebol apenas com estádios. Não se faz um campeonato de corridas apenas com autódromos. São necessários times, jogadores, equipes, pilotos. O erro básico dessa F-1 perdulária foi esse: dar atenção ao supérfluo (autódromos, motorhomes, jantares, apresentações, festas, uniformes, camarotes, paddock-clubs, VIPs, catracas eletrônicas, pulseirinhas) e esquecer o essencial (carros, mecânicos, equipes, torcedores, paixão por corridas).

A F-1, como o mundo em geral, ficou babaca. É algo que alguém como eu, que passou 18 anos viajando atrás de cada GP, começou a perceber há uns oito, dez anos. Uma diferença radical no comportamento de todos, no relacionamento com as equipes, na montagem do esquemão de coletivas, almoços, acessos, risadas. O marco definitivo dessa transição foi quando Eddie Jordan, com quem a gente se sentava para contar piadas e falar de corridas, vendeu sua equipe. Quando sai da turma um cara como o Eddie e entram almofadinhas como Nick Fry, é porque a turma acabou.

Ficaram todos babacas, viraram todos funcionários de grandes empresas, participantes do big business, e foram embora aqueles que, de fato, amavam o automobilismo.

E como recomeçar? Trazendo de volta à vida as equipes. Algumas delas, hoje, existem na GP2, por exemplo. Criando um regulamento que reduza o abismo entre corporações milionárias e times montados na garagem. Limitando o orçamento (olha o Max Mosley aí de novo), cortando as frescuras, correndo mais na Europa, em autódromos mais simples e próximos, deixando de lado essa palhaçada de correr em oásis deprimentes como Abu Dhabi, Bahrein e Cingapura, tentando reencontrar algo fundamental para que esse negócio continue a existir: paixão e simplicidade.

Parece ridículo falar em paixão e simplicidade nestes tempos de debêntures e derivativos, mas há certas coisas que só apaixonados conseguem fazer. E se eles estão recolhidos, amuados, vivendo de lembranças, as coisas não acontecem. Simples assim.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
01/08/2008 - 10:58

BUDAS & PESTES (3)

SÃO PAULO (pobrecito) – Coitado do Max Mosley… Agora foram atrás de uma entrevista que ele deu há 50 anos — isso mesmo, meio século — a uma revista estudantil. Nela, Mad Max fala bem do pai, que era simpatizante dos nazistas, e dá uma espetada nos imigrantes.

Mas ser cobrado pelo que se disse há 50 anos é um pouco demais, não é não?

Sei lá, acho que às vezes batem pesado demais no velho Max.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: ,
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