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29/03/2009 - 12:47

MELBOURNETES (17)

SÃO PAULO (o que importa hoje é o Canindé) – Obrigado aos blogueiros que me indicaram o link da foto que acompanha esta nota. Foram vários, mas não anotei seus nomes… Deem um desconto, afinal a madrugada foi longa e hoje a Lusa vai ao G3, a ansiedade é grande, sabe como é…

Bem, eu falei aí embaixo, em algum lugar, que Michael Schumacher devia estar torcendo para seu amigo Ross Brawn na corrida de Melbourne. E que seu silêncio ao longo do fim de semana me deu a impressão de que vai, aos poucos, começar a se afastar da Ferrari porque, afinal de contas, sua turma não está mais lá. O último a sair foi Jean Todt, que desligou-se totalmente da empresa recentemente.

Depois da corrida, os dois se encontraram. A imagem do abraço do ex-chefe e seu pupilo, a dupla piloto-engenheiro mais vitoriosa de todos os tempos, me ajuda a reforçar essa ideia de que o alemão, antes do que se imagina, vai desaparecer dos paddocks.

A foto foi publicada no site GrandPrix.com, uma espécie de filial do Grande Prêmio em língua inglesa…

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
29/03/2009 - 07:12

MELBOURNETES (16)

SÃO PAULO (pobre Jarno) - Não vou reescrever o que já está publicado, porque estou com sono. Então, considere as notas redigidas nas “melbournetes” abaixo corrigidas pela seguinte informação: Trulli, coitado, acaba de ser punido pelos comissários esportivos em Melbourne. Passou Hamilton sob regime de safety-car. Teve 25s acrescidos ao seu tempo final e do terceiro lugar despencou para 12º.

Sujeitinho azarado. Se houver uma chuva torrencial de Julianas Paes, é capaz de cair um gorila na cabeça do rapaz.

Com isso, a classificação final da corrida ficou assim, na zona de pontos: Button, Barrichello, Hamilton, Glock, Alonso, Rosberg, Buemi e Bourdais. A Toro Rosso pontuou com os dois, vejam só.

Não sei se a McLaren já mandou buscar o troféu nos boxes da Toyota. Hamilton considerou o GP da Austrália uma das melhores corridas de sua vida. E foi o mais bem colocado entre os sete que declaradamente usaram o KERS.

Norbert Haug, da Mercedes, fez uma brincadeira com a dobradinha da Brawn: “O importante é que nossos clientes ficaram satisfeitos”. Engraçadinho.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
29/03/2009 - 06:32

MELBOURNETES (15)

SÃO PAULO (nublado, aqui) – Mais alguns pensamentos imperfeitos, porque toda corrida sempre diz bastante coisa, por mais chata que seja. E essa não foi, então diz mais ainda.

- Schumacher chegou a Melbourne mudo e saiu calado. Duvido que ele apareça em mais algum GP neste ano. Seus grandes amigos dos tempos dourados de Ferrari se foram. Jean Todt, há algumas semanas, desligou-se de vez da fábrica e Ross Brawn, agora, joga em outro time. E desconfio que Michael está torcendo para ele. Acho que vai pedir exoneração do cargo, que também não sei qual é.

- Os carros da Brawn são excepcionais, sim. Mas o que dizer da Red Bull? Vettel andou quase sempre no mesmo ritmo de Button. O que significa que não basta um difusor para transformar abóboras em carruagens, e que os BGP 001 podem ser espetaculares, mas não são imbatíveis. A criação de Adrian Newey, um purista da aerodinâmica, é uma belezura. E Vettel, apesar da burrice na disputa com Kubica, um campeão em potencial.

- O mesmo pode-se dizer da BMW Sauber. Com pneus duros no fim, Kubica poderia passar Vettel e talvez até chegasse a incomodar Button. A disparidade dos treinos, em resumo, não se reproduziu integralmente na corrida, embora o safety-car tenha dado u’a mão (sabia que um dia escreveria “u’a mão”) aos adversários da Brawn.

- Dados estatísticos relevantes: a Brawn é a primeira equipe a conseguir uma vitória na estreia desde a Wolf em 1977 com Jody Scheckter na Argentina. E a primeira a fazer uma dobradinha em sua primeira prova desde a Mercedes no GP da França de 1954 em Reims, com Fangio e Kling. Curioso que a Brawn usa motores Mercedes, também.

- Button conseguiu sua segunda vitória na F-1. A primeira e única até então fora obtida no tumultuado e molhado GP da Hungria de 2006, pela Honda.

- Barrichello não dá sorte no quesito “ganhei a primeira corrida da história desta equipe”. Na Honda, em 2006, foi Button a levar a glória para casa (sim, a Honda ganhara corridas nos anos 60, mas estamos falando da “nova Honda”, ok?). Na Stewart, em 1999, quem faturou foi Johnny Herbert, no GP da Europa, em Nürburgring. Naquela prova, Rubens também foi ao pódio e terminou em terceiro. Quando cruzei com ele no túnel que passa por baixo da pista para gravar uma rápida entrevista, desabafou, com uma pontinha de ressentimento: “Puta rabo do caralho”. Agora na Brawn, Jenson ficou com os louros de novo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: ,
29/03/2009 - 05:41

MELBOURNETES (14)

SÃO PAULO (em instantes, o sol) – Feita esta quase elegia à dobradinha da Brawn GP, vamos aos já tradicionais pensamentos imperfeitos sobre o GP da Austrália, na ordem em que forem surgindo na ponta dos meus dedos.

- Vimos mais ultrapassagens. O novo regulamento técnico ajudou, sim. Carros andaram mais próximos uns dos outros e até o KERS, essa trapizonga que não me convence, funcionou nos carros que o utilizaram. Serviu para tentar uma aproximação, buscar uma ultrapassagem, defender uma posição. Não gosto, mas e daí? Quem souber usar direito vai levar vantagem em algumas corridas. No fim, pode ser divertido.

- A “Turma do Difusor” não decepcionou. No pódio, três dos seis: Button, Barrichello e Trulli. Outros dois chegaram nos pontos, Glock e Rosberguinho. Só Nakajima-san ficou pelo meio do caminho.

- Por que demoraram tanto para acionar o safety-car quando o japa da Williams bateu? Estavam esperando o Jáspion para salvar as almas atormentadas de Melbourne?

- Na largada, Barrichello quase pôs tudo a perder. Explicou depois: ao soltar a embreagem, o carro entrou em neutro. Diante disso, até que ele reagiu rápido. Aí foi acertado por trás por Kovalainen e deu na lateral de Webber. Mesmo assim, seu carro sobreviveu. É quase um Lada. Um tanque de guerra.

- Nelsinho, Nelsinho… Fazia uma boa corrida, depois de uma largada inteligente, mas errou sozinho na relargada e acabou na brita. Vai começar seu calvário: até encaixar um resultado bom, seu emprego será questionado diariamente pela imprensa.

- A regra que obriga o uso dos dois tipos de pneus disponíveis na corrida, que mal foi sentida no ano passado, neste ano será. Isso porque a Bridgestone fez dos pneus duros, duros de verdade. E dos macios, macios demais. Os primeiros seguram a onda. Os outros, não. Ao menos em Melbourne. Era exasperante ver como os carros com pneus moles perdiam rendimento depois de quatro ou cinco voltas. Algo que as equipes terão de pesar nas provas que vêm por aí.

- Ao lado de Button e Barrichello, merece menção mais do que honrosa Jarno Trulli. Ele largou dos boxes para receber a bandeirada em terceiro. Piloto muito rápido em classificação, Jarno costuma ter um ritmo muito irregular em corrida. Mas, hoje, foi bem demais.

- Vettel e Kubica, em compensação, deveriam passar a semana usando aqueles chapéus de burros até chegarem a Sepang. Faziam corridas brilhantes. Tinham o pódio garantido. Aí a anta polonesa resolve passar por cima do asno alemão a três voltas do fim. Tinha um carro dez vezes mais rápido. Passaria a qualquer momento. Vettel, por sua vez, sabia que era inútil resistir. Mas Kubica quis resolver tudo em duas curvas. E o piloto da Red Bull achou que não ficaria bem não oferecer alguma resistência. Acabaram ambos no muro, enroscados. Bem burrinhos. Os dois.

- Foi legal ver Hamilton e Alonso brigando lá atrás. Dois campeões, sem nada a provar a ninguém (Lewis, talvez), sabedores da ruindade de seus carros, mas combativos, esforçados, dignos dos macacões que vestem. Premiados, no fim, com um quarto lugar para o inglês e um sexto para o espanhol. Se McLaren e Renault acelerarem o processo de produção de seus difusores, que terão de fazer, podem entrar na briga logo.

- Buemi foi discreto, mas estreou pontuando. Nada mau.

- E a Ferrari? Dois abandonos. Como no ano passado. No momento em que escrevo, ainda não sei o que aconteceu com os carros de Massa e Raikkonen. Ambos faziam provas discretas, medíocres até. Felipe largou bem, mas foi o primeiro a sentir os problemas dos pneus macios e teve de parar antes do que previa. Kimi, sonolento, parecia aquele funcionário público que só vai à repartição para bater o cartão. Os italianos terão um ano difícil.

Daqui a pouco eu volto. Cabe um café.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: ,
29/03/2009 - 05:12

MELBOURNETES (13)

SÃO PAULO (inesquecível) - Eu não sou tão velho assim, mas posso dizer que já vi bastante coisa na F-1. E o que acabei de ver hoje foi a mais bela página escrita desde que comecei a cobrir as corridas da categoria, no já mui distante ano de 1988, em Jacarepaguá.

A vitória da Brawn, e mesmo a dobradinha, era até algo previsível, depois do que se viu nos treinos em Melbourne — um domínio absoluto dos carros marca-texto desde a sexta-feira. Mas essa página bonita não foi escrita só hoje. Vem sendo redigida com sangue, suor e lágrimas há alguns meses — precisamente desde 5 de dezembro do ano passado, quando a Honda anunciou que estava fora da F-1.

De lá até o fim de fevereiro, foram meses de incertezas de um grupo de pessoas que ficou trabalhando sem saber o que seria do dia de amanhã. No Brasil, distante fisicamente daquilo que se fazia na fábrica, Rubens Barrichello só esperava. Na Inglaterra, perto de tudo, Jenson Button fazia o mesmo.

Quem espera sempre alcança, reza o ditado. Rubens, e mais Button, Ross Brawn e centenas de pessoas da antiga Honda souberam esperar. E alcançaram a glória muito antes do que qualquer um poderia imaginar.

Foi muito emocionante ver no pódio dois pilotos sorrindo com alegria genuína, vestindo macacões quase totalmente brancos numa modalidade em que o centímetro quadrado custa muito dinheiro e é negociado com arrogância e nariz empinado.

Dinheiro não é tudo. Sim, claro que o dinheiro da Honda, despejado nesse projeto desde maio do ano passado, viabilizou este carro esplêndido que fez história na Austrália. Mas o dinheiro acabou em dezembro, e ninguém sabia se ele voltaria a entrar. E, mesmo assim, trabalhou-se. Muito. E bem.

Button, Barrichello e Brawn, o trio BBB, trouxe de volta à vida o verdadeiro espírito das corridas.

É um dia feliz para o automobilismo. 

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
28/03/2009 - 21:26

MELBOURNETES (12)

SÃO  PAULO (não acaba nunca, esta jornada) – Estava aqui pensando com meus botões… Será que o pessoal da Honda está arrependido? Será que aquele CEO que anunciou a retirada da marca da F-1 tem conseguido dormir tranquilo? Ou será que cometeu harakiri?

E estava pensando também com meus botões… Será que o Bruno Senna estaria conseguindo resultados tão expressivos se tivesse ficado com a vaga de Barrichello? E se estivesse, já imaginaram a histeria no Brasil?

Bem, são apenas perguntas enquanto não começa a corrida na Austrália… E se você quiser perguntar mais algo aos meus botões, a partir da 1h30 teremos um chat no Grande Prêmio com a participação deste que vos fala.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
28/03/2009 - 16:57

MELBOURNETES (11)

SÃO PAULO (G4 chegando…) – Já deu uma olhada na galeria de fotos do Grande Prêmio? Está absolutamente espetacular. Tem uma da Brawn GP (acho que do Button, vi às pressas) no lusco-fusco de Melbourne que parece uma pintura.

No novo formato das nossas galerias, as fotos estão bem grandes e ocupam toda a tela do seu computador. Mais uma novidade do site pós-reforma. Um arraso. Não dá para não ver, como dizia aquele antigo comercial.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
28/03/2009 - 12:01

MELBOURNETES (10)

SÃO PAULO (não aprendem) – Há algumas semanas, quando começou a colocar no ar as chamadas das transmissões da F-1 em sua programação, a emissora oficial conclamava, na voz daquele cara que faz todas as locuções do canal há séculos (esse cara não morre nunca?): “Vem aí o Mundial de F-1! Vamos torcer por Felipe Massa! Dia tal, tal hora, aqui na Globo” etc.

Sexta de manhã, enquanto assistia ao “Globo Rural” para saber do preço da arroba do boi e das cigarrinhas que infestam as plantações de soja (é meu programa obrigatório na pequena TV da cozinha enquanto o mais velho toma seu café, agora que estuda de manhã, cedo pacas), apareceu outra chamada, na mesma voz do cara que faz todas as locuções (e que não morre nunca): “Vem aí o Mundial de F-1! Vamos torcer por Felipe Massa, Rubens Barrichello e Nelsinho Piquet! Dia tal, tal hora, aqui na Globo” etc de novo. Como se vê, acrescentaram Barrichello e Piquet-pimpolho às nossas opções de torcida.

E eu me pergunto: será que eu posso torcer para outro? Sei lá, para o Vettel, ou para o Nakajima? Tem de ser para o Massa, o Barrichello e o Piquet? Os três juntos? Se eu não torcer para nenhum dos três, posso assistir à corrida pela TV? Ou só estão autorizados a acompanhá-las aqueles que torcerem para o Massa, para o Barrichello e para o Piquet? Será que é a isso que se resume um Mundial de F-1? A torcer para o Massa, o Barrichello e o Piquet? Não tem mais nada legal nas corridas? Carros novos, pistas bacanas, surpresas vindouras (adoro “vindouras”), disputas emocionantes?

Por que a Globo, apesar de tão competente em tanta coisa, é tão babaca em outras?

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
28/03/2009 - 11:04

MELBOURNETES (9)

SÃO PAULO (passando a régua) - Café tomado, jornais lidos, declarações registradas, vamos a alguns pensamentos imperfeitos sobre a madrugada australiana, sem hierarquia de importância na ordem das notinhas…

- A Toyota, punida porque suas asas estavam mais flexíveis do que recomendam os bons costumes, aceitou quase calada a decisão da FIA. Emitiu comunicado dizendo que testou as peças, achava que estava tudo bem, mas que será mais rigorosa da próxima vez. Fosse eu assessor de imprensa da equipe, não faria tantos rodeios e escreveria: “A gente achou que ninguém ia perceber, mas perceberam. Nos fodemos”.

- Vettel teve problemas mecânicos num treino, errou em outro, andou pouquíssimo e, na classificação, enfiou seu Red Bull na terceira posição, sem difusor, sem asa flexível, sem nada. Palpite deste que vos fala? Vai ganhar corridas neste ano. Assim que a Red Bull tiver um difusor igual ao do trio BTW (by the way, para quem não sabe, Brawn-Toyota-Williams).

- Falando no “Trio Difusor”, está na cara que é esse pequeno túnel sob o assoalho, que acelera a passagem de ar por baixo do carro, o maior segredo da Brawn GP. Além de o carro ser muito bem concebido, claro. A redução da pressão aerodinâmica pretendida pela FIA com o fim das asinhas, asetas e asonas foi quase anulada pelos difusores brawnianos, toyotenses e williâmicos. A diferença para os outros carros é brutal. É como se esses três times usassem os níveis de “downforce” do ano passado.

- Agora, das duas uma: ou a FIA proíbe, ou as outras copiam. Acho que as outras vão copiar. Max Mosley está adorando ver um time independente enrabar as grandes montadoras e seus desafetos, como Ron Dennis e Flavio Briatore. Só que até copiarem, o trio BTW vai seguir na frente. Acho que só na Europa os outros vão conseguir fazer algo. Embora a urgência seja evidente. Que ninguém se espante se na Malásia já aparecer algo parecido. Ou vocês acham que os túneis de vento da Ferrari e da McLaren estão de férias?

- Estamos falando muito da Brawn, de Barrichello, de difusores, mas não devemos nos esquecer de Jenson Button. Este, a exemplo do brasileiro, estava morto e enterrado. Na Inglaterra, então, amargou o ostracismo mais cruel que um atleta pode viver em 2007 e 2008, diante do tsunami Hamilton. Passou os últimos anos apagadíssimo na Honda, assim como Rubens. Um pouco por desmotivação, um pouco pela ruindade do carro, um pouco pela falta de perspectivas para o futuro, um pouco pelo sucesso do compatriota. Mas Jenson é bom piloto. Quando a BAR teve um carro decente, andou na frente de muita gente, Schumacher inclusive. Hoje, fez uma pole com autoridade e competência. Foi a quarta de sua carreira. Se largar bem, pode ganhar a corrida.

- Aliás, qualquer resultado que não for uma dobradinha da Brawn amanhã será uma surpresa. Um mês atrás alguém escreveria isso?

- Isso porque na classificação, o domínio brawniano foi humilhante para a concorrência. Barrichello e Button fizeram 1-2 nas três partes do treino, com Rubens à frente nas duas primeiras e fechando a melhor volta do fim de semana no Q2, com 1min24s783. Um espanto. Segundo no grid, ele volta à primeira fila depois de um tempão. A última fora no GP do Brasil de 2004, quando fez a pole em Interlagos com a Ferrari

- Button, Barrichello, Brawn, Brackley, Branson. E boa, muito boa a Brawn GP. Um time B, mas classe A.

- Esse KERS só atrapalha. É uma das maiores bobagens inventadas pela F-1 nos últimos anos. Kubica, sem, larga em quarto. Heidfeld, com, em 11º. A Renault, com, ficou lá atrás no grid. A Ferrari, com, idem. A Brawn, sem, lá na frente. Neguinho vai acabar jogando esse negócio no lixo.

- Falando em Renault, Nelsinho Piquet teve mais uma de suas atuações horrorosas. No fim do dia, disse que não gosta do circuito de Melbourne. O problema será quando a Renault não gostar mais dele.

- E a Ferrari… Massa disse que seria bom ficar entre os cinco primeiros, essa era a expectativa do time. Terminou em sétimo. Cinco primeiros? Como se vê, o time italiano começa a temporada sem grandes ambições. Porque, a exemplo de McLaren e Renault, foi atropelada pela criatividade das equipes menores num ano em que, mais do que dinheiro, era preciso ter gente com cabeça boa para encarar um regulamento totalmente novo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: ,
28/03/2009 - 09:40

MELBOURNETES (8)

SÃO PAULO (rompeu o lacre) - A Brawn GP é um fenômeno que não encontra semelhança na história recente da F-1. Talvez apenas na Wolf de 1977. Naquele ano, a equipe estreou com vitória na Argentina, com Jody Scheckter, e depois ainda ganhou em Mônaco e no Canadá. O sul-africano foi vice-campeão. Lauda levou a taça.

A Wolf durou pouco, apesar da estrondosa temporada de estreia — mesmo naqueles anos, chegar chegando desse jeito era difícil. Walter Wolf, um austríaco nascido na linda cidade de Graz que fez fortuna com petróleo no Canadá, tinha se associado a Frank Williams em 1976, mas no fim daquela temporada brigou com o inglês e resolveu montar seu time.

Foram três anos de estrada, apenas, tendo como pilotos Scheckter, James Hunt, Keke Rosberg e até Bobby Rahal — este em dois GPs na América do Norte.

Ao final de 1979, quem comprou a Wolf e suas instalações foram os irmãos Fittipaldi, mudando a base de sua equipe para a Europa. O carro de 1980, aliás, nada mais era que um Wolf disfarçado.

Depois de 32 anos, parte dessa história parece se repetir com a equipe marca-texto. Legal, ver a história ser escrita.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
28/03/2009 - 09:01

MELBOURNETES (7)

SÃO PAULO (confusão à vista) – E longa será a madrugada em Melbourne, porque estão pipocando protestos no paddock e na torre de controle. Depois da classificação, a primeira punição foi aplicada a Hamilton, que fez um treino medíocre e tinha ficado em 15º, mas trocou de câmbio.

Depois foi a Toyota que teve seus dois carros atirados para o fundo do grid. Glock era o sexto e Trulli, o oitavo, mais ou menos dentro das expectativas do time. Mas os comissários viram flexibilidade exagerada nas asas traseiras e cancelaram seus tempos.

Agora, a Williams contesta Ferrari e Red Bull, em mais um protesto lavrado junto à direção de prova.

É um início de ano maravilhoso, pela nova ordem estabelecida. Mas, ao mesmo tempo, cheio de suspeitas.

Vou tomar um café e já volto.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: ,
28/03/2009 - 08:42

MELBOURNETES (6)

SÃO PAULO (que delícia) – O domínio da Brawn foi tão acachapante na classificação desta madrugada, que já tem gente — Massa, para dar nome aos bois — achando que no meio do ano a equipe estreante fecha a disputa e conquista o título.

Pode ser um exagero, mas o que estamos vendo nestas últimas semanas é um dos capítulos mais belos da história da F-1. História mesmo, daquelas que serão lembradas daqui a décadas.

Button e Barrichello na primeira fila… Dia desses publiquei aqui uma montagem fotográfica com os dois na ponta do grid de Melbourne. Achava que era uma brincadeira. No fim, era uma profecia. Que se confirmou.

Daqui a pouco eu volto. A madrugada foi longa.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
27/03/2009 - 20:45

MELBOURNETES (5)

SÃO PAULO (apostem, ora) - E sabem quem é o favorito à pole em Melbourne para um desses grandes sites de apostas da Inglaterra, o Sportingbet? Ele mesmo, Barrichello, pagando 5 para 1. Hamilton, o campeão, é zebraça, pagando 21 para 1. Já para a corrida, os favoritos são Button e Raikkonen, na opinião dos apostadores. Rubens aparece em terceiro.

É realmente inacreditável o que está acontecendo com a Fórnula 1.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: ,
27/03/2009 - 11:03

MELBOURNETES (4)

SÃO PAULO (vale uma paçoca) – Muito bem, já foram duas sessões de treinos livres, todos os pilotos já deram suas declarações, está tudo no Grande Prêmio. Leia tudo, analise, veja os tempos, tente entender as entrelinhas.

Feito? Agora é hora de a blogaiada mostrar se entende alguma coisa de carro de corrida. Quero seus palpites para o grid de largada em Melbourne. Coisa simples: primeira fila, brasileiros, Alonso e Hamilton. Ou, se estiver com preguiça, só a pole.

Depois tentamos fazer as contas para saber quem é o favorito de vocês.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
27/03/2009 - 07:49

MELBOURNETES (3)

SÃO PAULO (ofusca) – Depois de assinar um convênio com o Palmeiras, a Brawn GP decidiu adotar o amarelo-marca-texto, cor recém-oficializada na Associação Internacional de Tintas Berrantes, como padrão para quase tudo. As calotas são amarelas, as faixas na carenagem do carro são amarelas, as placas de sinalização do time são amarelas, as cuecas dos mecânicos, as meias, até mesmo as canetas marca-texto usadas nas reuniões depois dos treinos são amarelas!

Os pilotos, claro, entraram na onda e adotaram a cor em seus capacetes. Button radicalizou e amarelou inteirinho o desenho estilizado da bandeira britânica. Barrichello fez algo parecido. Em seu capacete, o que era vermelho ficou amarelo. O que era azul, ficou preto.

Muita gente torce o nariz para essas mudanças nos desenhos dos capacetes, defensores que são do velho hábito de manter a mesma pintura a vida toda. Nisso, não sou tão nostálgico assim. Acho que variações sobre o mesmo tema, releituras, reestilizações e re-outras-coisas são legais. Mas é preciso manter uma ”alma” no casco, a base do desenho ou das cores, pelo menos.

Alguns capacetes dos pilotos da F-1, tenho notado, passaram a se assemelhar muito aos da MotoGP, com grafismos até bonitos, mas indefiníveis. Coisa de motoqueiro, sabe? Outros, como os do exército da Red Bull, se parecem com latinhas do energético, apenas — uma pobreza. 

Falando em capacetes, qual você acha que foi o mais bonito e/ou marcante de todos os tempos? Eu gosto de alguns. Do Piquet-pai, por exemplo. Do Damon Hill, outro exemplo. Mais alguns que sempre curti: Emerson, Christian (tem bom gosto, o clã), Cevert, Coulthard, Warwick, Michael Andretti, Diniz… Bom, deve ter mais um monte aí que não me lembro agora. Falem vocês dos seus preferidos, enquanto faço um café.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
27/03/2009 - 06:52

MELBOURNETES (2)

SÃO PAULO (esse horário…) – A turma dos difusores justificou ao final do primeiro dia de treinos na Austrália o esforço da turma dos protestantes em pedir à FIA o banimento da peça de dois andares. A segunda sessão, que acabou agora há pouco, teve repeteco na primeira colocação, Rosberguinho, 1min26s053, um espanto. Atrás dele, Rubens Barrichello, a 0s104, e, depois, Jarno Trulli, a 0s297. Pela ordem, Williams, Brawn e Toyota. Aí apareceu o Webber, leão de treino com a Red Bull. Depois, mais do “trio difusor”: Button, da Brawn, Glock, da Toyota, e Nakajima, da Williams.

O que se conclui disso tudo? Que o tal difusor é o máximo, bárbaro, um luxo, um espetáculo (veja aqui como ele funciona). Fez seis dos sete primeiros colocados. E por isso será copiado imediatamente por todas as outras equipes, ou contestado, protestado, defenestrado, proscrito, caso a cópia seja difícil.

Mais pitaquinhos, no ritmo de um canguru:

- As diferenças de tempo, abissais de manhã entre os primeiros e o resto, diminuíram bem. Menos de um segundo do primeiro ao décimo e, destoando mesmo, apenas Buemi, o estreante da Toro Rosso — último colocado a mais de dois segundos do líder do dia.

- Começou o calvário de Piquet-pimpolho, que passará as próximas semanas lendo nos jornais que sua vaga está ameaçada se não fizer x até a corrida y. Alonso foi o 12º e ele, penúltimo. Esse rapaz, realmente, só pega no tranco. Ou nem isso.

- A McLaren tem um carro ruim, mesmo. Quase horroroso, embora seja bonito. Kovalainen ficou em 17º e Hamilton, em 18º. Estou falando do segundo treino, não dos tempos agregados. Na primeira sessão, Heikki até que andou bem. Vai ser curioso observar, ao longo do ano, como reage Lewis ao seu primeiro carro ruim na F-1. Ele estreou na base do pão-de-ló em 2007, com um carraço nas mãos e um pilotaço como companheiro de equipe, Alonso. No ano passado, se valeu de tudo que Fernandinho deixou no time (ele e Nigel Stepney, um amigão). Agora, sem sinais remanescentes da passagem-relâmpago do espanhol por Woking e sem nem ao menos um boy da máquina de xerox para ajudar, Hamilton vai camelar. Sua expressão nos boxes, sem aquele sorriso cheio de dentes que se habituou a mostrar, denunciou o momento tenso pelo qual passam os prateados.

- A Ferrari começou o ano longe de apresentar o desempenho arrasador que costumava mostrar na Austrália nos últimos anos. Raikkonen ficou atrás de Massa no segundo treino, mas fechou o dia com um tempo melhor que o brasileiro, registrado pela manhã. De tarde, Felipe foi o 10º e Kimi, o 11º. Nenhum dos dois deixou a pista feliz, contente e saltitante. O tempo de Massa foi 1s011 pior que o de Rosberg. O de Raikkonen, 1s151.

- Há uma nova ordem na F-1? Há. Essas três equipes, Williams, Brawn e Toyota, lutarão pelas primeiras posições do grid na madrugada de amanhã. Mais do que qualquer traquitana invisível — como um KERS atômico ou um câmbio que muda as marchas por pensamento —, ou do que qualquer solução absolutamente conceitual — como um bico de três pontas ou um aerofólio redondo —, é no pequeno difusor traseiro que está a diferença entre elas e as demais. Até a quarta corrida do ano, pela falta de tempo para estudos no túnel de vento e para a produção de peças, que ainda devem passar por simuladores antes que sejam colocadas nos carros, os outros times vão correr atrás.

- Quer saber? Ficou muito divertida, a F-1. Ao menos por enquanto, porque pode ser que na hora H ao menos a Ferrari, entre as grandes de sempre, se intrometa lá na frente. Mas é legal, muito legal mesmo, ver duas equipes independentes liderando uma folha de tempos.

Volto mais tarde. Por enquanto, pingue suas primeiras impressões aqui.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: ,
27/03/2009 - 00:19

MELBOURNETES (1)

SÃO PAULO (nova ordem) – Até que enfim começou esse bendito campeonato. Porque o único jeito de tentar entender o que pode acontecer nesta temporada que promete ser esquisitíssima, é vendo todo mundo na pista em condições parecidas.

O primeiro treino livre em Melbourne foi o suficiente para algumas conclusões (que podem durar somente até o segundo treino livre, daqui a pouco, mas tudo bem). Vamos a elas:

- Há uma diferença brutal entre os carros, um abismo entre os mais rápidos, o bloco do meio e a turma do fundão. Rosberguinho, Mini-Nakajima e Kimi Manguaça andaram próximos, 1min26s687 para o primeiro, com 0s049 de diferença para o segundo e 0s063 para o terceiro. A partir daí, as diferenças foram muito grandes. Massa, por exemplo, ficou em sétimo a 0s955 de Nico. Alonso, em décimo, a 1s436. Hamilton, em 16º, a 2s355.

- A Williams, embora tenha dado uma pista no último dia de testes em Jerez de que poderia vir com alguma força, surpreendeu. Afinal, fez os dois primeiros lugares. Algo muito expressivo para um time de orçamento curto e sem parceiros técnicos de expressão. Aerodinamicamente, o carro parece ser bem nascido: bico nem muito fino, nem muito largo, mas bem curvado para baixo; e difusor de dois andares, alvo da ira de algumas rivais. Não por acaso, o carro da Brawn é bem parecido.

- A Brawn, a Brawn… Não era um blefe, afinal, o que é uma ótima notícia. Button e Barrichello fizeram tempos muito consistentes e andaram sempre entre os primeiros. Fará pontos na Austrália, podem apostar. E, se bobear, pode até subir ao pódio. Falando na Brawn, me ligou o Salomão antes do treino para dizer que um amigo dele, tratador de cangurus num zoológico de Melbourne, leu no jornal que Richard Branson, o dono da Virgin, pegou um avião de sua companhia aérea rumo à Austrália para anunciar, possivelmente amanhã, que vai patrocinar a equipe que quase comprou. O carro, que hoje treinou virgem, amanhã deve treinar Virgin. Boa, essa.

- É muito cedo, claro, e não quer dizer nada ainda. Mas tive a impressão de que Raikkonen está mais à vontade com o novo carro da Ferrari do que Felipe.

- Na Renault, o quadro é idêntico ao do ano passado: um piloto para tentar algo, Alonso, e outro para atormentar a equipe, Nelsinho. Piquet-pimpolho ficou mais de 1s3 atrás do espanhol. O carro, que eu ainda acho bonito, apesar das linhas meio grotescas, não é grande coisa, mesmo.

- Troféu discrição da manhã: BMW Sauber. Heidfeld foi o 11º e Kubica, o 13º.

- Troféu decepção da manhã: Toyota. Glock em nono, Trulli em 12º.

- Troféu melhor do que esperávamos da manhã: Sutil, nono com a Force India.

- Troféu exatamente o que esperávamos da manhã: Hamilton, em 16º.

- Troféu será que chegou minha vez? da manhã: Kovalainen, 11 posições à frente do campeão do mundo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: ,
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