GUARUJÁ(e anda) – Esse brinquedinho aí estará no “Limite” terça-feira que vem, na ESPN Brasil. Agora que a Renault resolveu ressuscitar a marca Gordini, e no ano em que se comemora meio século do lançamento do Dauphine no Brasil, fui gravar com o Fábio Seixas e seu Gordini 1965. A foto é de 2003, do dia em que o indigitado jornalista se apaixonou pelo carro. Foi no desfile de clássicos de corrida antes do GP do Brasil, em Interlagos.
O carro é uma delícia e a matéria, apesar do Seixas, ficou bem legal. Lá pelas tantas a gente falou da equipe Willys de competições, que deu nada menos do que quatro pilotos brasileiros para a F-1: Moco, Rato, Wilsinho e Luizinho (mais abaixo, no mesmo dia, num dos amarelinhos do time; sabem que carro é?). Uma façanha. E todos eles correram de Gordini, 1093, Interlagos, essas coisas que viviam apanhando da Vemag.
SÃO PAULO(palmas) – Luiz Pereira Bueno em Interlagos nesta semana? Sim! De Maverick? Sim! Com as cores da Hollywood? Sim! São as adoráveis maluquices de Dú Cardim, Ronaldão et caterva. Mais detalhes aqui.
SÃO PAULO(cheio dos trocadilhos…) – Gosto de miniaturas, e particularmente dessas artesanais feitas com materiais pouco comuns. O Jefferson (laudasports@yahoo.com.br) construiu esse March para homenagear Luiz Pereira Bueno, o carro que ele usou no GP do Brasil de 1972, se não me equivoco. Segue a receita:
O March foi feito usando um tubo de shampoo e a técnica de montagem usada é o “scratchbuilding” . Aqui uma breve lista de materiais usados na execução desse trabalho.
- motor: papel panamá esp. 1,5mm
- dobras da tampa do cabeçote: cabos de pirulito
- tubos de radiador e escapamentos: fios elétricos pintados de cromado
- chassi: tubo de shampoo Fructis
- suspensão: hastes de metal e molas de canetas
- radiadores e aerofólio: poliestileno
- rodas: plásticas retiradas de carros de brinquedo
SÃO PAULO(ouro puro) - Dú Cardim e Ronaldo Nazar já colocaram lá no blog do Luizinho Pereira Bueno e está igualmente no VocêTubo. Ouçam e se emocionem. O Fábio Farias tinha 13 anos quando seu pai o levou a Interlagos em 1972 para a primeira corrida de F-1 do Brasil. Nos treinos, o “Peroba” deu quatro voltas de March pelo anel externo para bater o recorde da pista. Fábio gravou o som do carro. De quebra, tem a narração do Barão Wilson Fittipaldi do treino que definiu o grid daquela corrida.
Incrível. Incrível também lembrar que eu estava lá. Não nesse dia do recorde do anel externo. Se estava, não lembro. Mas na corrida, sim. Vai ver até esbarrei no Fábio Farias comprando um cachorro-quente, quem sabe?
SÃO PAULO(portas que se abrem) – Tomo a liberdade de reproduzir, na íntegra, texto do Ricardo Achcar sobre 25 de maio de 1969. Leiam e entenderão. Quem mandou foi o Sidney Cardoso. Todos os aplausos e obrigados a esses pioneiros. Sem eles, a história brasileira no automobilismo não seria a que foi.
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Dia 25 de maio de 1969 é uma data interessante no calendário temporal do esporte motor. Muito pouca gente ainda pode ter qualquer recordação sobre o fato que vou descrever nestas linhas. Mas as conseqüências para o Brasil, quer seja em termos de divulgação do país, afirmação esportiva e presença no cenário da velocidade, não têm parâmetro igual, mesmo em se considerando que o Brasil tenha sido um dia etapa dos Grand Prix da eterna Gávea, e, igualmente, do inolvidável Francisco “CHICO” Landi, de quem ainda tenho a esperança de ver uma estátua comemorativa na porta de um autódromo brasileiro que se mereça.
Um prestigioso almoço promovido pela revista “4 Rodas”, que convidara Sir Stirling Moss, permitiu que um piloto abordasse o campeão Inglês e lhe dissesse à queima-roupa que existiam pilotos brasileiros capazes de pulverizar os ingleses. Sir Moss achou graça e aceitou o desafio de testar dois pilotos na Inglaterra. Lá foram quatro, em fevereiro de 1969. Dois foram de fato escolhidos. A um, Sir Moss daria o carro; o outro teria 50% do valor a título de estímulo.
Mais ainda, Sir Stirling Moss aceitara convocar a equipe SMART- Stirling Moss Automobile Racing Team – sempre preservada no corpo de suas atividades, para dar igualmente suporte moral (indispensável) aos pilotos e sua tentativa de reavivar sua equipe que ficara fora das pistas após seu acidente.
Chegamos à Inglaterra patrocinados no mínimo do sustento com dois meses de campeonato iniciado. Sir Moss ficou indignado: “Como vocês pretendem ter destaque num campeonato desta envergadura chegando com dois meses de atraso?”. Valerie Val Pirie, administradora da equipe, nos salvou: “Stirling, dá mais trabalho mandar estes caras de volta…”.
E todos entraram na briga com vontade de ver a SMART outra vez brilhando nas pistas.
Nas oficinas de Edward “Ed” Rossler, mecânico sul-africano que sempre acompanhara Sir Moss em todas as provas nas pistas, agora sócio dele em outras atividades da equipe, sentia-se estranho vestindo novamente o macacão de competição naquele mundo novo. Ele e todos os mecânicos adotaram os pilotos, vindos sabe-se lá de onde, mas que pareciam gente como eles. Gente do Brasil! Coisa nunca vista.
E veio aquela tarde ensolarada a dez minutos da fábrica da Lotus. Snetterton fervilhava de gente na pista, carretas, reboques, Mini Morris e Aston Martins brilhavam ao sol do verão mais perfeito que houve na Inglaterra, o verão de 1969 ao som dos Beatles e Chelsea Road no auge da pândega.
Sir Moss, careca jeitoso e forte, e Achcar e outros ajudavam a descer da caminhonete o carro de Luiz Pereira Bueno. Outros auxiliavam escorregar o monoposto de Ricardo Achcar. Val Pirie corria do grupo para a torre de controle e paddock, em busca de regularizar a documentação. Ed Rossler trocava balbúcias com o português Ferreirinha, e tudo ia se ajeitando.
Tempos tomados e carros alinhados, fora dada a partida.
25 de maio de 1969.
Dos boxes, os muitos que ficaram sentiram o forte cheiro da gasolina de alta octanagem, o queimar da borracha no asfalto quente e a poeira infinitamente deslumbrante que transformavam as silhuetas dos carros em fantasmas que se esvaíam ao horizonte.
Naquele turbilhão de poeira, cheiro e emoção, na carlinga duas bandeiras tão pequenas quanto nunca vistas singravam mares de asfalto das pistas da Inglaterra.
O Brasil ficou por conta de seus cidadãos exportados, indivíduos que acreditaram estar galgando a primeira trilha “bandeirante” do que seria uma avenida de campeões do mundo.
Mas foi também graças à rainha, pela via de seus súditos, que de fato ajudaram muito a iluminar os caminhos verdes e amarelos sem volta.
25 de maio de 1969, um pedacinho do Brasil que se esvai na memória do tempo.
SÃO PAULO (à tona) – Vocês sabiam que Luiz Pereira Bueno guiou a Tyrrell que foi campeã mundial com Jackie Stewart em 1973? E que foi em Interlagos, nas gravações de um comercial de relógio? Pois é, esta é mais uma das lindas histórias que têm sido resgatadas no blog do Peroba. Os detalhes estão aqui.
SÃO PAULO(para, chuva!) - Luiz Pereira Bueno fez aniversário ontem e mandei um parabéns a ele por meio de seu blog. E não é que o Luizinho aproveitou para tirar uma casquinha e contou por que nunca correu pela Vemag? Ah, Luizinho… Não sabes o que perdeu!
No blog, o Peroba conta também que, depois de 40 anos, recebeu um telefonema do Beppe, um “novo velho” amigo que fizemos em Londrina, quando a Superclassic foi correr lá. Levado pela Silvia e pelo Thiago Azevedo, blogueiros-ponta-de-lança no Paraná, Beppe, que foi mecânico da Ferrari e tem uma linda trajetória no automobilismo, nos encheu de histórias e alegrias.
SÃO PAULO(visitem!) – O Dú Cardim, o Ronaldo Nazar e todos os amigos do Luiz Pereira Bueno montaram um blog para o “Peroba” contar suas histórias e reunir ainda mais amigos e admiradores. Luizinho, nem preciso dizer, foi um dos maiores pilotos brasileiros de todos os tempos — embora tenha em sua carreira a lacuna de nunca ter corrido de DKW, pelo menos que eu saiba.
Todas as homenagens a ele, e a toda essa turma boa de bota dos anos 60, são mais do que merecidas. Valeu, Peroba!
SÃO PAULO(tomara que não chova) – Já estão estacionadas as baratas da Renault em torno do Parque do Ibirapuera para o Renault Road Show, domingo, a partir das 8h. Vai ser muito legal, claro, ver carros de F-1 andando nas ruas. Mas anotem: Luizinho Pereira Bueno vai dar umas aceleradas, também. Com a Berlineta da Willys. Berlineta que, para quem não sabe, era uma réplica autorizada dos Renault Alpine. Então, se tiver de escolher alguém para aplaudir mais, está escohido!
Enviada pelo Danilo Gaidarji (quem tirou foi o pai dele): Luizinho de March em Interlagos. O ano? Ah, essa é fácil… Quero é histórias dos que viram essa corrida. No autódromo.
SÃO PAULO(brilham os olhos) - Sim, eu sei que é semana de F-1 em Interlagos, mas como deixar de registrar este momento histórico? A turma do impagável Ronaldo Nazar & Cia. Ltda., a mesma que fez o jantar para o Luizinho Pereira Bueno outro dia em São Vicente, reuniu neste fim de semana os “Nobres do Grid”, um encontro da velha guarda que vai tomando corpo aos poucos e promete se tornar frequente, na medida do possível.
Esse vídeo mostra o Bird Clemente acelerando o Maverick da equipe Greco, e a emoção se vê no seu sorriso de criança (o Bird é um garotão crescido, ser adorável, morro de orgulho de ter me tornado seu amigo). Aparecem também o Peroba, o Paulão Gomes (graças ao sobrenome, sempre acelerou com pé bem pesado!), o Bob Sharp e o Luiz Evandro “Águia”.
Alguns dos que foram ao encontro são blogueiros deste pedaço. Então, convoco-os para contar os detalhes da festa!
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.