SÃO PAULO (vai, ficou bonitinho…) – Alertado pelo twitteiro @danielcamargos, fui ver que história era essa de a Honda imitar os alemães e lançar sua versão trabântica de carrinho elétrico retrô. Está aqui o dito cujo, Honda EV-N, apresentado no Salão de Tóquio. Acho que ainda é protótipo.
Devo dizer que, às vezes, muito de vez em quando mesmo, dá até vontade de comprar um carrinho japonês.
SÃO PAULO (não acaba nunca, esta jornada) – Estava aqui pensando com meus botões… Será que o pessoal da Honda está arrependido? Será que aquele CEO que anunciou a retirada da marca da F-1 tem conseguido dormir tranquilo? Ou será que cometeu harakiri?
E estava pensando também com meus botões… Será que o Bruno Senna estaria conseguindo resultados tão expressivos se tivesse ficado com a vaga de Barrichello? E se estivesse, já imaginaram a histeria no Brasil?
Bem, são apenas perguntas enquanto não começa a corrida na Austrália… E se você quiser perguntar mais algo aos meus botões, a partir da 1h30 teremos um chat no Grande Prêmio com a participação deste que vos fala.
SÃO PAULO(azar da crise) – “Salvo pela crise” é o título da coluna Warm Up desta semana, que defende a tese de que se não fosse a quebradeira geral do universo, que começou no dia 15 de setembro com o Lehman Brothers abrindo o bico, a Honda ainda estaria na F-1 e, portanto, Barrichello estaria a pé.
Já falei disso em posts anteriores, mas o assunto está consolidado no texto. Leiam lá e, como sempre, comentem aqui!
Ah, emprestei a charge do impagável Bruno Mantovani para ilustrar este post. Ficou demais, como sempre!
SÃO PAULO(até que enfim) – Como prometido, para pegar as bolsas asiáticas abrindo (para quê?), Ross Brawn acaba de anunciar na Inglaterra que assumiu o controle da Honda na modalidade de “management buyout”, o que, suponho, seja algo como “eu vou tocando essa merda aqui do jeito que der, mas se não aparecer ninguém para comprar, me mando”.
Os pilotos serão mesmo Jenson Button e Rubens Barrichello. Agora é oficial. Serão dez as equipes no Mundial, e Button deverá fazer o shakedown do carro amanhã em Silverstone, para que ele possa ser usado nos testes de Barcelona na semana que vem.
Fique ligado no Grande Prêmio, que daqui a pouco começam a pingar os detalhes e as primeiras declarações.
Atualizando, pouco depois…
O site da Brawn GP Formula One Team entrou no ar. O logotipo preto e amarelo desperta suspeitas. O “BR” de pé e o resto em itálico poderiam indicar que a Petrobras estaria na parada. “Zero”, me garantiu uma fonte petrobrástica. Não tenho por que duvidar. Segundo essa fonte, em dezembro Ross Brawn comunicou à Petrobras que a Mercedes não aceitaria o uso de outros combustíveis e lubrificantes que não os da Mobil.
Alguns detalhes do release oficial: serão dois testes, e não apenas um, até a estreia no Mundial: de 9 a 12 em Barcelona e de 15 a 17 em Jerez. Boa notícia para o time.
O texto oficial diz que Ross Brawn passa a ser o dono da equipe, e que foi fechado um acordo com a Mercedes-Benz High Performance Engines para fornecimento de motor e câmbio. Os pilotos são descritos como ”dois dos mais experientes” da categoria, e o comunicado chama a atenção para o fato de que, juntos, eles têm 423 GPs nas costas. É a dupla mais rodada do grid.
Brawn agradece à Honda e diz que é “uma pena” que não possa continuar trabalhando com os japoneses. Elogia o pessoal da fábrica em Brackley, “que nunca perdeu a motivação”, e celebra a manutenção da dupla BB, “capaz de encontrar a velocidade necessária [nos carros] no menor tempo possível”.
Hiroshi Oshima, picão da Honda, fala claramente que o time foi vendido a Ross Brawn. O que invalida a primeira frase deste post, sobre “management buyout” — que só vou deixar porque achei legal. Não sei com que dinheiro Brawn comprou a equipe, nem mesmo se teve de gastar alguma coisa. Talvez a Honda apenas tenha repassado o time ao seu controle, para não ter de gastar mais nada com a F-1. É o mais provável, uma doação para se livrar do problema.
E é isso. Acaba assim a longa novela da ex-Honda, iniciada em 5 de dezembro do ano passado, cuja única vítima acabou sendo Bruno Senna, que contava com a vaga. Mas ele não deve se lamentar. Vai amarrar seu burro na Mercedes, que tem motores em seis carros na categoria. Um deles deve sobrar para o primeiro-sobrinho no ano que vem.
SÃO PAULO(não acaba nunca!) – Está tudo certo e o anúncio será feito na quinta-feira. Rubens Barrichello vai mesmo para sua 17ª temporada na F-1. Na reta final das negociações, deu um tombo em Bruno Senna, por assim dizer. Falando ao jornalista Livio Oricchio, de “O Estado de S.Paulo”, Bruno usou essa expressão mesmo: um tombo. Disse que foi “inocente” nas conversas com Ross Brawn, com quem tinha uma reunião para onem que acabou sendo cancelada. E que ficou “chateado por perder boas oportunidades profissionais” enquanto esperava um desfecho do caso. “Brawn”, aliás, será o nome da equipe — como já se sabia desde a semana passada.
Assim, fica claro que Bruno não mentiu quando nos disse que não tinha nada assinado com ninguém, contrariando reportagem da revista italiana “Autosprint” — que cravou um contrato já firmado de três anos para o brasileiro, usando de um expediente maroto no jornalismo, a edição de respostas adaptando-as a perguntas jamais feitas.
A permanência de Barrichello não deixa de ser uma surpresa, ao menos para mim. Menos pelo silêncio que ele manteve nos últimos meses, mais por achar que do ponto de vista mercadológico Senna seria um negócio melhor para quem quer que fosse o novo controlador da ex-Honda. Mas acabou pesando, no frigir dos ovos (ovos fregem?), a experiência de Rubens para fazer andar um carro que terá, antes da estreia na Austrália, míseros quatro dias de testes em Barcelona.
Barrichello não fará milagres, nem Button (que deve conduzir o shakedown da barata sexta-feira em Silverstone). Com pouquíssimo tempo de pista, nada de dinheiro e uma situação atípica para qualquer time em qualquer categoria, o carro da Brawn está condenado a andar nas últimas posições. Mas a F-1 será bem estranha neste ano, por conta das novas regras. O que pode, ao longo do ano, causar uma surpresa ou outra.
O último capítulo dessa novela pode ser considerado o maior triunfo da carreira de Barrichello. Às portas de seu 37º aniversário, desacreditado e sem resultados notáveis nos últimos anos, ele deixa para trás um monte de garotos loucos para correr e consegue uma sobrevida improvável, depois de ter sido sacado do baralho sem dó nem piedade por todo mundo — eu, por exemplo, apostaria em qualquer coisa, menos na sua permanência. É sinal de que ainda goza do respeito de pessoas importantes na categoria, o que certamente fará muita gente repensar os conceitos que normalmente agrega ao seu nome — “lento”, “perdedor”, “coitadinho” etc.
Não que, de um dia para o outro, ele tenha se tornado “velocíssimo”, “ganhador” e “fantástico”. Na Honda, mesmo, não foi nada disso desde que por lá chegou, em 2006. Há sempre um outro lado para a moeda. O que aconteceu foi que as circunstâncias, por incrível que pareça, ajudaram Rubens. Num cenário de tragédia anunciada e terra arrasada, Ross Brawn viu nele um porto seguro e conhecido para fazer a roda continuar girando. Na zona que deve estar a equipe neste momento, a última coisa que o novo chefe precisa é de um piloto novato, a quem tenha de ensinar quais botões apertar no volante e todos os demais segredos de uma categoria repleta deles. Brawn olhou para suas possibilidades, viu o retrato de Rubens à frente e deve ter dito: “Só tem tu, vai tu mesmo”.
Não tivesse a Honda decidido puxar o carro da F-1, em resumo, Barrichello provavelmente estaria a pé. Mas não ficará, e continuará fazendo aquilo que sempre declarou ser sua paixão. Que tenha muita sorte, então!
SÃO PAULO (que coisa…) – São as idas e vindas dos negócios na F-1. O silêncio de Barrichello nos últimos meses, pelo jeito, tinha alguma razão de ser. Neste exato instante, é ele o favorito à segunda vaga da ex-Honda, futura Brawn Racing, ou coisa que o valha. Bruno Senna, o outro B, era dado como certo até alguns dias atrás, tendo inclusive viajado para a Inglaterra para, em tese, acertar as coisas. Quando surgiu a notícia, divulgada primeiro pela “Autosprint”, de que o primeiro-sobrinho tinha assinado um contrato, Bruno negou e uma pessoa muito próxima a ele me disse, literalmente: “Rubinho não está morto, muito pelo contrário”.
Agora, comenta-se que até quinta-feira definições ocorrerão. Como venho falando, aguardemos. Novela é assim mesmo, a gente só sabe o que vai acontecer no último capítulo. Mas deixo a pergunta para a blogaiada, quase em forma de enquete: qual dos dois você contrataria, e por quê?
SÃO PAULO(chegando ao fim) – Brawn Racing deverá ser o nome da nova Honda. Os domínios na internet já foram registrados e a equipe deve alinhar com esse nome em Melbourne, com motores Mercedes. Button será um dos pilotos, com certeza. A outra vaga está entre Barrichello, Bruno Senna e, agora, Takuma Sato. Ross Brawn vai assumir o controle do time.
Rubens tem ótimas chances de continuar correndo, segundo o que ando escutando por aí. Neste momento, eu arriscaria dizer que é o favorito. Acho que até segunda-feira deveremos ter alguma definição.
Ah, a ilustração da cooperativa, aí do lado, é do blogueiro Tuta, que não é aquele que joga no São Caetano, é outro.
SÃO PAULO (finalmente) – Pelo jeito, vai chegando ao fim a novela da ex-Honda, sem que um comprador tenha aparecido. Como disse ontem aqui, Ross Brawn deverá ficar à frente do espólio. E contará com grana dos japoneses para pagar os custos nos primeiros meses — vale-transporte, ticket restaurante, uniformes, essas coisas.
Agora, o que está intrigando todo mundo, mesmo, é a dupla de pilotos. OK, Button é certo. Bruno Senna será? Eu acho que sim. Mas mais de uma pessoa bem informada já me disse, daquele jeito meio “olha que tem angu nesse caroço” (não sei se o ditado é esse, se tem angu no caroço ou caroço no angu, aliás, nem sei o que é angu), que Barrichello não pode ser descartado assim, não.
SÃO PAULO(e dá-lhe Mocidade!) – Para quem dizia que havia pelo menos uma dúzia de ofertas concretas de compra, o fuinha Nick Fry, é de espantar o olímpico desprezo do mundo civilizado pelo que será da Honda na F-1. Havia um prazo informal para que até segunda-feira o mecenas misterioso depositasse o cheque, mas passou a terça-feira Gorda, chegou a quarta-feira de Cinzas e ninguém apareceu.
Agora, comenta-se que o mais provável é que a equipe passe para a administração de seus funcionários, Ross Brawn à frente (tem um nome, essa bagaça: management não-sei-o-quê). Pelo que andei ouvindo por aí, a Honda continuaria pagando os salários de todo mundo pelo menos até abril, bancando as despesas das primeiras quatro corridas do ano. Até lá, quem sabe o time ganhe umas três provas e arrume um patrocinador, ou um comprador.
A Honda não faria isso porque é boazinha, mas porque é mais barato do que fechar de vez as portas e pagar indenizações a deus e o mundo.
Enquanto isso, as vendas da CG andam muito bem. Eu compraria uma dessas laranjinha, fácil.
SÃO PAULO(gravações o dia todo) – E parece que é o milionário Richard Branson que está por trás da compra da Honda, segundo o sempre bem-informado site inglês GrandPrix. Faz todo sentido. O empresário britânico Tem dinheiro, é aventureiro (gosta de dar a volta ao mundo de balão, por exemplo), um baita empreendedor, e seu grupo Virgin atua em muitas áreas. A F-1 não seria nada muito caro para ele.
Portanto, se as negociações avançarem rapidamente, deveremos ter em breve uma Virgin Racing, assim como existem a Virgin Records, a Virgin provedora de internet, a Virgin companhia aérea (uma das melhores do mundo), a Virgin operadora de telefonia celular, a Virgin rede de hotéis e outras virgens. Com o virgem Bruno Senna ao volante, ao lado do nada virgem Jenson Button.
A propósito de Senna, já pedi desculpas por chamá-lo de mentiroso etc e tal. Mas concordo com meu amigo Fábio Seixas no que diz respeito à entrevista que ele deu à “Autosprint”. Bruno pode até dizer que não disse o que disse, ou que foi mal-interpretado. Mas responde a 14 perguntas do repórter italiano Cesare Manucci, falando sempre como piloto de F-1.
SÃO PAULO (acho que já usei esse título, mas ele é ótimo!) – Ninguém tem falado muito no assunto, mas acho que merece os comentários da blogaiada. Por conta da desistência da Honda de correr na F-1, a Petrobras sai junto na categoria, depois de 11 anos com a Williams. Não, não é novidade. Estava na cara, porque afinal o contrato novo era com uma montadora que pulou fora, e não com uma equipe cujo formato ninguém sabe ao certo qual será.
Não faria sentido para a Petrobras permanecer na categoria apenas como patrocinadora, para estampar sua marca num mercado que ela não atinge globalmente. O projeto da estatal na F-1, e isso posso falar sem medo de errar porque conheço toda essa turma, tinha como objetivo principal o desenvolvimento de combustíveis e lubrificantes — mais até do que fazer publicidade.
Foram 11 temporadas de enormes progressos, a ponto de outras equipes terem se interessado pelos produtos nacionais nesse tempo todo. Com uma equipe enxuta e muito competente, liderada pelo engenheiro Rogério Gonçalves na parte técnica e Cláudio Thompson no marketing, a Petrobras se igualou a concorrentes de peso como Elf, Mobil e Shell num ambiente ultracompetitivo, e foi aprovada com louvor.
É possível que da lista de despesas da Honda com o fechamento de sua equipe faça parte uma gorda indenização à empresa brasileira. Afinal, um contrato foi rompido unilateralmente, e a Petrobras tinha planos para o time e verba comprometida com pessoal e pesquisa. Seria bom que viesse a público para esclarecer o desfecho desse episódio em termos financeiros, inclusive.
SÃO PAULO(errou, conserta) - Cometi uma injustiça com Bruno Senna no post abaixo ao afirmar que ele mentiu ao Grande Prêmio na semana passada. Retiro tudo que disse, porque receio que parti de um princípio equivocado. Para afirmar que ele mentiu ao meu repórter, eu teria de acreditar piamente no que escreveu a “Autosprint”. E Bruno nega que tenha dito à revista italiana que já tem um contrato assinado com a ex-Honda. Argumenta que suas palavras foram mal interpretadas.
O primeiro-sobrinho falou agora há pouco com outro jornalista do site, Victor Martins. Negou que tenha assinado contrato com a ex-Honda e que tenha dito à revista que assinou. Não tenho motivo algum para duvidar dele. Nem da revista, por supuesto, mas como não falamos com o autor da matéria da “Autosprint”, e falamos com Bruno, ficamos com a palavra dele, que deve saber mais de sua própria vida que qualquer jornalista.
Pode ser que Senna esteja indo à Inglaterra exatamente para assinar o contrato (ele também nega), e é bem possível que o faça nos próximos dias, assim que clarear a situação da equipe. E se assinar, não significará também que eu estava certo em chamá-lo de mentiroso, nem que a revista acertou ao antecipar algo que, segundo o piloto, ainda não aconteceu.
Assim, peço desculpas a Bruno Senna e a sua assessoria. Não tenho problema algum, nenhum drama de consciência, em me desculpar com quem sou injusto. Precipitei-me, e creio ser o mais correto aceitar o erro.
SÃO PAULO(treino ou não treino?) – Reginaldo Leme aposta que serão dez as equipes no grid em Melbourne. E comenta os testes de pré-temporada em sua coluna de hoje no Grande Prêmio. Leia lá e, como de costume, comente aqui!
SÃO PAULO (e daí de novo?) – E agora vem o GrandPrix, bem-informado site inglês, dizer que a Honda vai, sim, alinhar em Melbourne, com nome ainda a definir (”Fry-Brawn Racing”? “Dennis Motorsports”? “Bernie Saves”? “Thanks God There’s a Senna”?), motor Mercedes (na prática, entranhas Mercedes…), apoio incondicional de Ron Dennis e a dupla BB, Button-Bruno.
Não duvido. Não duvido de mais nada. Mas o tempo é exíguo. A temporada começa no dia 29 de março e lá para o dia 20 do mês que vem, no máximo, as equipes precisam embarcar suas tralhas para a Austrália. Até lá, a nova Honda teria de montar dois carros e, ao menos, colocá-los numa pista para ver se funcionam.
Há semanas venho dizendo que essa Honda já era. É bem possível que minha avaliação caia do cavalo, porém. O silêncio é grande demais de todos os envolvidos, o que pode significar que ou não está acontecendo nada, ou já aconteceu tudo.
SÃO PAULO(meu pai…) – O blogueiro Camilo Almendra avisa: a W/Brasil está com os dias contados. A Mearim Motos, do Maranhão, tem uma campanha brilhante na TV. São vários comerciais (veja todos no YouTub) impecáveis, esplêndidos, inigualáveis!
SÃO PAULO(Walt já está na casa nova) – Quatro personagens que sumiram do noticiário, depois de frequentá-lo diariamente em dezembro: Barrichello, Button, Bourdais e Bruno Senna. Os dois primeiros dependiam, e dependem, de certa forma, do futuro da antiga Honda, que é cada vez mais nebuloso — estamos a pouco mais de dois meses da abertura do Mundial e até agora, nada. O francês aguarda uma decisão da Toro Rosso, que pode até contemplar Button, mas está mais com cara de Sato. E Bruno esperava algo nas duas, Honda e Toro, mas deve acabar mesmo na GP2. Em qual equipe, não se sabe ainda.
Lucas di Grassi é outro que, embora não tenha B no nome, sumiu da mídia. Mas sosseguem. O pessoal do Grande Prêmio já está convocado para tentar achar essa turma e atualizar a situação de cada um deles.
SÃO PAULO(acelera, rapaz) – Vamos atualizar, aos poucos, as últimas da F-1. Começando pelas declarações de Nick Fry, que garante ter 12 — uma dúzia! — interessados em comprar a Honda. O cara está até escolhendo, falou que vai dar preferência a quem se comprometer a assinar um acordo de pelo menos cinco anos.
Bom, tomara que seja tudo verdade. Vai ficar meio em cima da hora fazer um carro, acertar com dois pilotos, testar, desenvolver. Vamos esperar para ver.
Ah, sobre a história de parceria com a Mercedes… Um pequeno pássaro me contou que isso pode ter o dedo de Ron Dennis com Bruno Senna na parada. A conferir.
NATAL (um dia vou morar no Nordeste) - Bonito o aviãozinho aí em cima, não? Pois quem vai fazê-lo é… a Honda! Sim, a própria, que acha caro colocar dois carrinhos para correr na F-1, uma despesa enorme, está levando a empresa à bancarrota. Agora vai entrar no ramo aéreo.
Quem mandou a notícia, depois de ver um anúncio no “The Seattle Times” de domingo, foi o blogueiro Gustavo Errante. A Honda está procurando técnicos, engenheiros, comissários de bordo e santos dumonts nos EUA para se juntarem a ela nessa nova empreitada. Oferece ótimos salários e a chance de “realizar um sonho”.
A empresa já está estabelecida: é a HondaJet. Absolutamente nada contra. É bem legal ver como uma montadora de porte, detentora de altíssima tecnologia, alça novos e ambiciosos voos.
Mas o investimento deve ser alto. Bem mais que os alegados US$ 400 milhões gastos na F-1 em 2008. Dinheiro que poderia ser bem menor se a equipe soubesse aplicar com sabedoria nos lugares e pessoas certos. Dava para fazer o que a Honda fez no ano passado com menos da metade. E com contenção de despesas, mais as medidas de redução de gastos determinadas pela FIA, dá para disputar um campeonato com bem menos.
Portanto, dizer que a crise fechou a equipe de F-1 é balela de CEO, como eu disse há um mês. Se tem dinheiro para fazer avião, tem dinheiro para correr de carro. Isso, claro, se for do interesse da empresa. Porque diante dessas brincadeira aérea, acho que teria sido mais honesto dizer ”não queremos mais, essa F-1 é uma bomba, não dá retorno e a gente não consegue fazer um carro decente”. Em vez disso, o japa da vez apareceu na TV com cara de choro… Para comover quem?
GUARUJÁ (caipirinha e camarão) - “Um daqueles boatos que ganham vida própria.” Assim Ross Brawn definiu o “affair” Telmex-Honda. OK, pode até ser. Mas a julgar pela surpresa dele e de Nick Fry quando a Honda avisou que estava de saída, com testes marcados e uniformes comprados para 2009… Acontece que o milionário Carlos Slim também negou as negociações. De qualquer forma, o melhor a fazer é esperar…
GUARUJÁ(ficou lindo!) – Graças ao blogueiro Hugo Ferreira da Silva, que mora em Guadalajara, este blog apresenta com absoluta exclusividade o novo carro da equipe sucessora da Honda, já sob a gestão dos mexicanos indicados por Carlos Slim, dono da Telmex. O vídeo é de qualidade apenas razoável, porque foi feito com a câmera do celular de um funcionário demitido, que estava escondido no momento da apresentação do modelo, numa cerimônia interna ultra-secreta com hífen.
Não se sabe se a cor escolhida para esta apresentação é a definitiva, mas nossas fontes em Brackley indicam que deve ser algo muito próximo disso. A motorização, vocês irão perceber, é uma surpresa absoluta.
Preparem-se. Vocês vão ficar de queixo caído com estas imagens (a foto das “chicas Telmex” é só para chamar a atenção para o post).
SÃO PAULO(falta só nevar, neste verão) – Está na edição de hoje do “La Stampa” italiano: o biliardário Carlos Slim teria fechado mesmo a compra da Honda, e os pilotos estariam até definidos: Jenson Button (que já fez fotos promocionais, e mostramos a primeira aqui, com exclusividade) e Bruno Senna. Isso porque escrevi, ontem, que o assunto estava morrendo — com a ressalva, diga-se, de que algo poderia estar sendo negociado em silêncio.
Se for confirmada a notícia, é ótimo. E esse cara tem bala na agulha. O bastante para, inclusive, incluir o México no calendário já de 2009, que tem vagas abertas com as desistências de Montreal e Magny-Cours.
SÃO PAULO(criem, criem!) – Enquanto a GM, a Ford e a Chrysler passam o pires na porta do Tesouro americano, a Honda pede penico e a Toyota chora pitangas, nossa imbatível e gloriosa montadora soviética diversifica suas atividades para enfrentar a crise. Não descobri ainda onde é, mas com certeza é ótimo!
SÃO PAULO(vale qualquer negócio) – O dono da Telmex teria visitado a sede da Honda na Inglaterra. Ou demonstrado interesse. Ou enviado mariachis. Ou alguém do “The Sun” passou em frente da fábrica e viu uma embalagem do Taco Bell. O fato é que já parece haver interessados na equipe, além de David Richards. Seria um presente de Natal para a F-1, que não teria de passar a vergonha de começar a temporada com 18 carros.
E o que tem de piloto com o dedo no telefone neste fim de ano não é brincadeira…
SÃO PAULO (tudo certinho) – Bom dia, macacada. A segunda coluna da sexta-feira é a minha mesmo. Revoltado, o blogueiro-jornalista espinafra as montadoras que estão abandonando as pistas. São todos uns canalhas incompetentes! Leiam lá, comentem aqui. Daqui a pouco eu volto.
SÃO PAULO (abre o leque, rapaz) – Barrichello esteve na Inglaterra, visitando o que sobrou da Honda. E, pelo discurso, já admite correr de outra coisa que não F-1, o que é uma boa notícia. Em qualquer categoria que escolher, Rubens será uma atração. Ele fala em “amor ao esporte”. É isso aí. Se o barato é correr, que corra, uai!
SÃO PAULO(deprimente) – É para terminar o ano deprimido, mesmo, encolhido num canto. O automobilismo mundial, como a economia virtual, está derretendo. Primeiro a Honda na F-1, depois a Audi na LMS/ALMS, aí a Suzuki no WRC e, agora, a Subaru, também no rali. Todos tirando seus times de campo.
Já disse aqui e repito: considero essas deserções do esporte ridículas, me fazem perder o respeito pelas empresas (não pelas marcas), dirigidas por bobalhões que têm medo de perder seus empregos. As marcas, essas sobrevivem aos paspalhões, espero. Todas as quatro têm história nas pistas, e história não se apaga assim, tão fácil. Há de surgir, no caminho de cada uma delas, uma nova categoria de dirigentes que olhem para o esporte com alguma paixão e devoção, e não apenas com essa visão mercantilista absurda e patética.
Porque seria muito didático pegar um CEO qualquer da Subaru e colocá-lo na lama em Córdoba, jogá-lo no meio de centenas de argentinos enlouquecidos e deixá-lo ali, observando a reação deles a cada passagem dos carros azuis, urrando e abrindo passagem em meio a gritos alucinados de “Subaruuuuuuuuuu”.
O CEO babaca pode não saber, mas os produtos que saem de suas fábricas são reverenciados mundo afora, levam milhares de pessoas às estradas por onde passa o Mundial de Rali, pessoas que saem de casa no frio, na chuva, no sol a pino, na poeira, no barro, na neve, e elas acampam por vários dias com mulher e filhos, apenas para ver, por segundos fugidios, os carros azuis passando à sua frente atravessados, indomáveis, selvagens. Se a Subaru existe aos olhos do mundo, é por causa do rali. E não pelos ternos risca-de-giz de seu conselho de administração.
Seria interessante fazer o mesmo com um executivo babaca da Audi e colocá-lo nas arquibancadas de Le Mans ao lado de algum torcedor com quatro argolinhas no boné durante 24 horas, e a mesma coisa com algum engravatado tonto da Honda em Fuji, e idem para algum diretorzinho da Suzuki numa prova da MotoGP, apenas para eles sentirem como as marcas que representam têm uma importância, para muita gente, que vai além da otimização do fluxo produção e adequação dos parâmetros financeiros às necessidades da puta que o pariu.
Esporte não é caro. O que está levando essas empresas à bancarrota é a incompetência de seus gestores, que não entendem picas, nem de carros, nem de nada. Se entendessem, suas empresas enormes, que venderam como nunca nos últimos anos, não estariam como estão.
SÃO PAULO (pobrecito) – A segunda notinha diz respeito ao futuro de Jenson Button. Ele já admite ficar fora do grid se a Honda não for comprada por alguém. Deu declarações que mostram sua lealdade ao pessoal com quem trabalha há alguns anos — tenha o nome que tiver o time que pode surgir a partir do espólio deixado pelos japoneses.
Permanece aberta, porém, a chance na Toro Rosso. Que seria uma boa, para ele e para a equipe.
SÃO PAULO (vai chover?) - O joguinho com as palavras é meio bobo, mas Buemi foi mesmo muito bem na Espanha. Nos três dias de Jerez, foi o mais rápido em todos. A Toro Rosso queria comparar seus três candidatos, e se havia alguma dúvida quanto ao suíço, parece não haver mais. Bourdais, Sato, Senninha, Button, Barrichello… Todos são aspirantes à outra vaga. Se a Honda não virar alguma outra coisa, eu apostaria em Button. Se for transformada num outro time, acho que o inglês fica onde está. E, aí, Bruno teria de apostar suas fichas, embora ele fale também numa possibilidade na Force India.
Bem, vou dar meu palpite. No fim, a Honda sobrevive, comprada por David Richards, e alinha com Button e Bruno. E a Toro vai de Buemi e Bourdais. Mas é mero palpite.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.