SÃO PAULO (semana cheia) – Pois é, Button não quis saber de conversa, ficou emburrado porque Ross Brawn não topou aumentar demais seu salário e se pirulitou para a McLaren. O time vai ter uma dupla de peso, claro, os dois últimos campeões mundiais, mas acho que Hamilton vai engolir o bonitão. Me parece mais piloto. Vai ser um bom ano para se medir a qualidade de Button, de qualquer forma.
E a Mercedes, agora? Vai encarar um campeonato com uma duplinha mequetrefe como Rosberg e Heidfeld? Pelo jeito, sim. A única resposta à altura seria contratar Raikkonen, mas pelo jeito o finlandês está mesmo a fim de chafurdar na lama, na neve, no barro e na poeira, disputando o Mundial de Rali.
E no fim das contas está sendo uma semana cheia de novidades. Mercedes despacha a McLaren e compra a Brawn, Kimi tira o time de campo, o campeão mundial troca de endereço… E vai ficar a pergunta, claro: Barrichello fez bem em assinar com a Williams? Se tivesse adiado a decisão, poderia se transformar no número 1 da nova Mercedes?
Difícil dizer. Ele poderia ter esperado, sim, mas nada garante que a Mercedes apostaria nele. Assim, foi atrás daquilo que considerou mais seguro.
SÃO PAULO (vixemaria) – Vai sair no “The Guardian” amanhã. Jenson Button teria assinado com a McLaren por três anos, 6 milhões de libras por temporada. Teria decidido assim que soube da compra da Brawn pela Mercedes. Ele seria companheiro de Hamilton, claro. E, aí, me permito acreditar que a Mercedes, que adora o Raikkonen, vai pegar o rapaz. E colocar ao lado dele Nico Rosberg. Fiquemos atentos. Novidades por aí. Mas nada confirmado, por enquanto.
SÃO PAULO (vergonha é isso) - Ontem, depois da corrida. Dando entrevista à BBC, Hamilton foi atingido, segundo a emissora, por amendoins e restos de comida atirados do Paddock Club.
Um belo exemplo da nossa gente não muito bronzeada que paga ingressos bem caros ou, na maioria das vezes, recebe convites de empresas para ver uma corrida de F-1.
SÃO PAULO (ficou estranho) – Ontem falei da tinta mágica da McLaren, lembram? Por coincidência, recebi um press-release da empresa que fabrica a dita cuja, se chama AkzoNobel, deve ser importante, porque é dona da marca Sikkens, a tal tinta mais rápida, leve e ligeira e sei lá mais o quê, e da… Wanda! Ah, das tintas Wanda eu lembro. Essa sim. Então, dê-se o crédito.
Essa AkzoNobel (me lembra Alka Seltzer), que certamente é grande e famosa, usa bem a McLaren para suas promoções. Prova disso é o vídeo que veio anexado no press-release. Interessante a ideia. Meteram o Hamilton num carro para passar voando sobre pequenos tanques com 1.200 litros de tinta. Colocaram uma tela gigante de cada lado, e o resultado é esse aí.
Bom, tem gente que pinta assim, expõe em galeria e a isso se chama arte. Por que não um carro fazer o mesmo?
SÃO PAULO (o que é feriado?) – É destaque na imprensa hoje a história de que Lewis Hamilton teria vetado Kimi Raikkonen na McLaren, ou ao menos pedido para que a equipe evitasse formar uma dupla com dois caras de ponta. Ele preferiria ficar com o morto do Kovalainen ao lado, ou alguém mais dócil, como Sutil.
O que reabre a velha discussão: é negócio ter dois pilotos “top” no mesmo time? Duplas como Piquet & Mansell, Senna & Prost, Hamilton & Alonso, Massa & Raikkonen, Alonso & Massa, Hamilton & Raikkonen mais atrapalham do que ajudam?
Eu nunca tive opinião formada sobre isso. Muitas vezes sai faísca demais e a equipe acaba perdendo títulos de bobeira. Em outras, os duelos internos acabam sendo mais interessantes que o resto do campeonato. E vocês, o que acham?
SÃO PAULO (sem mais para o momento) - A vitória de Hamilton foi bola facilmente cantada desde a pole, ontem, e a divulgação do peso de seu carro. Ele não iria parar antes que seus mais diretos perseguidores, portanto era só largar bem e correr para o abraço. Teve um único momento de tensão, na metade da prova, quando Vettel chegou e apertou. Mas aí o alemão perdeu o espelho, foi punido por excesso de velocidade nos pits e as coisas ficaram muito simples para Lewis. Chega a 11 vitórias na carreira, duas no ano, faz um campeonato decente, depois do começo tumultuado. Resultado merecidíssimo.
Glock, o segundo colocado, também merece uma menção honrosa. Não cometeu erros, largou bem, esteve sempre à frente de Alonso e os infortúnios de Vettel o levaram a repetir sua melhor colocação na F-1. É um piloto sem brilho, mas que não tem nada de bobo. Não tem mais bobo na F-1, diria Galvão Bueno.
Galvão que, junto com Burti e Leme, ao longo da transmissão da Globo, nada mais fez do que ficar dizendo que qualquer coisa que acontecesse na face da Terra durante as quase duas horas do GP era “bom pro Barrichello”. Irritante. Parecia que não havia mais nada na pista. E, no fim, nada era “bom pro Barrichello”. Porque era evidente que a marcação de Button era boa para ele, Button, com a estratégia que adotou. Uma hora ia passar, como passou. Era tudo tão “bom pro Barrichello” que nem notaram que seu motor morreu no segundo pit stop. O que não foi nada bom pro Barrichello.
Mas voltemos ao resto. Alonso, mais uma vez, tirou leite de pedra. Parece que dedicou o pódio a Briatore. Perdeu ótima chance de ficar calado. Vettel, aos trancos e barrancos, terminou em quarto. Agora, só ele, com 59 pontos, ao lado da dupla da Brawn, tem chances matemáticas de título. Jenson tem 84, com 69 para Rubens. Webber, que deixou de ser regular como no início do ano, deu adeus a qualquer possibilidade.
O safety-car, desta vez, não teve influência decisiva na prova, como no ano passado. Apenas antecipou a parada da turma que tinha previsto um primeiro stint bem longo. A causa: uma barbeiragem de Sutil, que rodou ao tentar passar um Toro Rosso (Buemi, acho), e na volta acertou Heidfeld. O alemão teve quebrada uma incrível sequência de 41 provas terminadas, desde o GP dos EUA de 2007. Disse que a BMW Sauber não vai protestar, mas tentará “achar um cérebro” para Sutil. Ira desnecessária. O piloto da Force India se desculpou.
O azarado do dia foi Rosberguinho. Tinha carro e ritmo para chegar no pódio, mas barbeirou na saída dos boxes, foi punido e nem pontuou. Por fim, a Ferrari. Uma de suas piores apresentações no ano, com Raikkonen em décimo e Fisichella em 13º. Vexame total.
Semana que vem tem mais, em Suzuka. Ótimo, porque a pistinha de Fuji não se compara à velha pista da Honda, agora modernizada e pronta para receber o GP do Japão por mais 200 anos.
SÃO PAULO(a corrida, mesmo…) - E não é que a McLaren voltou a vencer? Com Hamilton largando em quarto. É apenas a quarta vez em 24 GPs da Hungria que o vencedor não largou entre os três primeiros. Em 1989, Mansell partiu em 12º; em 2005, Raikkonen largou em quarto; em 2006, Button saiu de 14º para a vitória; e, agora, Lewis.
O inglês começou a construir sua vitória ao passar os dois rubrotaurinos nas primeiras voltas. A presepada da Renault no carro de Alonso, que estava na pole, nem era necessária. Hamilton já estava bem mais rápido que o espanhol, e muito perto, quando Fernandinho foi para os boxes.
Boa corrida também fez Raikkonen. Não sei se vão puni-lo, mas se o fizerem, acho sacanagem. O cara buscou posições na largada, não tirou ninguém da corrida. Precisam acabar com algumas frescuras na F-1. Webber, em terceiro, acabou ficando decepcionado. Foi derrotado pelo KERS, no fundo. Aliás, foi a primeira vitória de um carro com KERS na F-1, e o dispositivo ajudou muito tanto Hamilton, quanto Raikkonen na largada.
Barrichello teve qualquer chance de bom resultado comprometida pela má posição de largada e pela má largada em si. Mesmo se fizesse uma parada apenas (o que é quase impossível com os pneus de hoje), não chegaria mais à frente. Terminou em décimo. Button, sétimo, pingou mais dois pontinhos na conta, mas a situação da Brawn está longe de ser confortável. A boa notícia para a turma do marca-texto é que a McLaren e a Ferrari podem ajudar a tirar pontos da Red Bull a partir de agora, como aconteceu na Hungria.
A diferença de Jenson para Webber, terceiro hoje, é de 18,5 pontos. É bom abrir o olho. A Red Bull vem chifrando. Para sorte do inglês, Vettel teve um fim de semana apagado que acabou com um abandono ainda não explicado.
Destaque para Timo Glock, 13º no grid e sexto no final, com estratégia igual à de Barrichello: esticar o primeiro stint e deixar a segunda parada para o finalzinho. Com ele, deu certo. Outro que merece menção honrosa é Rosberguinho, quarto, cada vez melhor em corrida.
No mais, Jaiminho Alguersuari não fez nenhuma bobagem e pode se dar por satisfeito por ter terminado sua corrida de estreia. Não deve ter sido fácil. Nelsinho foi o 12º na prova que pode ter sido sua despedida da Renault. As consequências de seu tiroteio com Briatore, porém, devem ficar mais claras nos próximos dias. Hoje não sai nada, creio.
SÃO PAULO (o leite ficou mais ou menos) – Bueno (ops), falemos agora da escória, dos degolados, dos pés-de-breque, dos ceifados pela foice do Q1, relegados ao ostracismo do fundão. Em geral, os dois Tourinhos Vermelhos e as duas Caminhos das Índias ficam nessa fase, mas hoje Raj Sutil se livrou e levou seu carro noveleiro para o Q2. Ponto para ele. Fisico ficou e larga em penúltimo. À frente dele, Tião Buemi; atrás, carregando a lanterna dos afogados, Tião Bourdais. Os outros dois desgraçados pela sorte foram Hamilton e Piquet-pimpolho.
Ambos merecem algumas linhas.
Lewis repete o mau resultado de Mônaco. Vive a pior fase de sua curta carreira. Muita gente começa a questionar sua qualidade. Não é o caso. Mas me parece evidente que ele deve ao menos alguma parte de seu sucesso em 2007 e 2008 à breve convivência com Alonso. E a McLaren também deveria mandar flores para Fernandito todos os anos em seu aniversário, porque ele foi muito importante em 2007 e os frutos foram colhidos na última temporada com o título de Hamilton.
Lewis ainda tem bastante para aprender. E precisa mostrar serviço com carros ruins, um rito de passagem quase obrigatório para os grandes campeões. Em 2007, quando ele desandou a fazer pódios no ano de estreia, escrevi que não era o gênio que parecia, pelo menos ainda não. Teve seus momentos brilhantes, claro. E não foram poucos. É ótimo. Ninguém é campeão do mundo se não for ótimo. Mas daí a elevá-lo à condição instantânea de gênio, como se fez à época, me parecia um exagero. Porque não era muito difícil conseguir bons resultados com aquele carrão e um Alonso do lado para fazer o trabalho pesado.
Bem, deixemos Lewis na geladeira por uns tempos. É a hora de ele provar que é mais do que um rostinho bonito. Terá a segunda metade da temporada para fazer isso, construir uma base sólida de crescimento (estou parecendo executivo picareta falando em reunião) para voltar forte em 2010.
Quanto a Pimpolhito-piquesito, vexame de novo. Ficou no Q1 depois de duas rodadas atribuídas aos freios. OK, pode até ser, Alonso rodou no final de maneira parecida. Mas isso quando já estava no Q3. O espanhol larga em oitavo e Nelsinho, em 17º. O problema dele não é freio. É acelerador, diriam os mais cáusticos.
SÃO PAULO (cedo assim?) – Depois dos dois pilotos da Ferrari, que em algum grau já jogaram a toalha no que diz respeito às suas chances de conquistar o título de 2009, agora é a vez de Lewis Hamilton. O atual campeão do mundo disse que torce para Button ser o campeão, e que suas possibilidades — dele, Hamilton — se resumem à improvável hipótese de Jenson quebrar nas próximas dez corridas…
(Mesmo assim, continuam despejando grana na McLaren. A foto ao lado mostra o número 1 cravejado de diamantes no capacete de Lewis. É o quinto ano seguido em que os joalheiros Steinmetz cravam diamantes nos cascos dos pilotos da equipe quando correm em Mônaco.)
E fico me perguntando onde esses caras encontrarão motivação para disputar as próximas 12 etapas do Mundial, sabendo que não têm chance nenhuma. E eu mesmo respondo: no mesmo lugar onde os eternos coadjuvantes vão buscar a sua. Na verdade, piloto encara sua vida prova a prova. Se der para ser campeão, ótimo. Mas se der para se divertir correndo, tudo bem, também.
Acho que é assim. Eu, pelo menos, sou assim com o Meianov!
SÃO PAULO(ajoelha no milho) – Nem multa, nem suspensão. A McLaren saiu limpinha do julgamento do Conselho Mundial da FIA pelas mentiras de seus dirigentes e de Hamilton aos comissários do GP da Austrália. Para quem não lembra, ele devolveu uma posição a Trulli sob bandeira amarela e safety-car, mas o italiano acabou sendo punido por tê-lo ultrapassado. Na torre, Hamilton não revelou que deixou o piloto da Toyota passar por ordem da equipe, e herdou o terceiro lugar. Depois a FIA ouviu as gravações de suas conversas pelo rádio com o time e ficou comprovado que Lewis deixou Trulli passar deliberadamente, ao contrário do que afirmara aos comissários.
Hoje o time recebeu uma suspensão de três GPs pelas mentiras, mas a pena foi suspensa. Deu para entender? Ou entendeu sem dar? É o seguinte: suspensão de três GPs mas que só será aplicada se a McLaren aprontar mais alguma, é isso.
Em resumo, não deu em nada. E acho justo, porque já tiraram os pontos de Hamilton na Austrália e, para mim, ficou de bom tamanho.
SÃO PAULO(dormir pra quê, não é mesmo?) - Esse primeiro treino livre de sexta-feira é mesmo de amargar. Não que se espere uma competição sangrenta, pilotos dividindo curvas ou arriscando o pescoço por um tempo, mas eles precisam ficar tanto tempo nos boxes, coçando e passando hipoglós? Ainda mais num ano sem testes? Não sei por que não aproveitam melhor o tempo para treinar, mas enfim…
Como já acontecera na sexta de Xangai, deu Hamilton na primeira sessão, que terminou agora há pouco, mais ou menos (muito precisa essa localização temporal, não?). Atrás dele vieram os dois da BMW Sauber, que ressuscitaram usando o KERS. No Bahrein, esse troço vai fazer alguma diferença, pelo jeito.
Rosberguinho em quarto, Button com o primeiro Brawn em quinto, Kovalainen em sexto e Barrichello em sétimo, com Massa em oitavo, Raikkonen em nono e Webber em décimo. Aí os dez primeiros. Entre eles não aparecem Vettel, vencedor na China, nem os carros da Toyota, discretíssimos nesse primeiro treino, embora sejam considerados favoritos à vitória por muita gente, Rubens incluído na turma — pelo fato de a equipe ter andado mais do que camelo no Bahrein, durante a pré-temporada.
Pista suja, cheia de areia, poucas voltas e interesse de equipes e pilotos, muito calor e arquibancadas vazias, esse foi o cenário barenita da sessão de abertura da quarta etapa do campeonato. Daqui a pouco começa a segunda, às 8h. Aí as coisas começam a clarear para a corrida.
SÃO PAULO(bom piloto ou mau esportista?) – A coluna Warm Up de hoje está no ar, e Gomes, que sou eu, afirma: “O resultado do histórico de polêmicas de Hamilton é que ninguém mais discute se ele é ou não um bom piloto, mas sim seu caráter duvidoso”.
SÃO PAULO(pobrecito) - Em entrevista à “F1 Racing”, Nelsinho Piquet pediu mais apoio à Renault. Reclamou que as atenções são todas de Alonso, que o espanhol testou mais o carro, e que todos os azares da equipe encontram em seu carro abrigo seguro, e não no de Fernandito.
Já vi esse filme.
Nelsinho não tem sido um bom piloto de F-1, essa é a verdade. Foi bem nas categorias menores, mesmo não tendo sido campeão na GP2, e o fato de ter tido sempre a condição de primeiro piloto e equipamento de ponta não serve para dizer que “assim qualquer um”. Nem sempre. Mesmo com atenções e equipamentos exclusivos, o cara precisa ter qualidades para ganhar corridas e campeonatos. Não há notícias na história do automobilismo de pilotos horrorosos que tenham sido campeões com carros maravilhosos. Nem o contrário. O que prevalece é a média: carros bons pilotados por pilotos qualificados, em geral produzem resultados. Um atrai o outro.
O caso de Piquet-pimpolho não é muito diferente, por exemplo, do de Hamilton. O inglês, desde que foi adotado por Ron Dennis, teve na McLaren o seu, digamos, “Piquet”. Se Nelsão-pai sempre deu do bom e do melhor para o filhote, o mesmo aconteceu com a McLaren, que amparou Lewis por anos a fio proporcionando a ele equipamentos que lhe dessem a chance de ser campeão. Hamilton devolveu a gentileza com títulos e vitórias, enquanto Piquezinho o fez até a F-3 Inglesa, e em bem menor escala na GP2.
O mundo da F-1 é diferente, e não adianta chiar. Tem piloto que chega e encaixa, mesmo sem ter um retrospecto nas séries de base assustadoramente bom. Foram os casos de Raikkonen, Massa, Kubica, Vettel e Alonso, para ficar em exemplos recentes. Não foram os casos de Pizzonia, Bernoldi e Zonta, para permanecer apenas nos nomes de brasileiros.
Portanto, a Piquet-filho não bastarão os queixumes. Ou anda direito, ou não anda. É simples e cruel assim. Seu pai sabe disso como ninguém.
SÃO PAULO(só espuma) – A imprensa inglesa está em polvorosa. E, pelo jeito, tenta salvar a reputação de bom moço de Lewis Hamilton, que anda para lá de arranhada, atacando a McLaren. Deu no “Daily Mail” que o pai do piloto, Anthony, ficou irrtado com a equipe, por ter obrigado o filhote a mentir aos comissários da FIA em Melbourne. Para ele, foi constrangimento demais. E começa o diz-que-diz. Haveria a intenção de oferecer o menino à Ferrari.
Ora, ora, seu Antonio Hamilton… O senhor é que deveria ter ensinado o moleque a não mentir. Puxe a orelha do rapaz, expresse seu descontentamento, mas esqueça esse papo de Ferrari. Hamilton é daqueles que não vão deixar a McLaren nunca, como Mika Hakkinen.
Falando em mentiras, a FIA acabou de convocar a McLaren para uma reunião extraodrinária do Conselho Mundial no dia 29. O time está sendo acusado de um monte de coisas. Não estranhem uma nova multa milionária, talvez menos que os 100 milhões de dólares de 2007, pela espionagem. Mas que vão comer o rabo do time prateado, vão.
Falando em comer o rabo, expressão chula, admito, mas apropriada ao caso, é visível que desde que Max Mosley foi flagrado de cinta-liga e chicotinho que a McLaren vem levando sucessivas cravadas da FIA. É que o presidente sadomasô está convencido de que Ron Dennis tem algo a ver com os vídeos que o entregaram aos leões. A vingança está sendo exercida em prestações.
Falando em flagrante, o diretor-esportivo Dave Ryan, o da mentira, que estava na McLaren desde 1974, foi formalmente desligado da equipe hoje.
SÃO PAULO (no milho) – No ar a coluna Grand Prix, de Reginaldo Leme, comentando as traquinagens de Hamilton, que levou um castigo digno da escolinha primária. Leia lá, comente aqui!
SÃO PAULO(coisa feia) – Hamilton, quase às lágrimas, admitiu que mentiu aos comissários de Melbourne. Disse que foi o tal de David Ryan que mandou que ele mentisse. Bem, o diretor-esportivo, esse é o cargo do cabra, foi suspenso pela McLaren, onde trabalha desde 1974. Acho que vão mandar o sujeito embora.
Quanto a Hamilton, bem… Falta de personalidade, não? “Mente aí”, diz o chefe. E ele mente. Espero que tenha aprendido a lição. O rapaz é bom piloto, mas meio atrapalhado em algumas coisas. E a pilotaiada começa a ficar com raiva dele. Já a McLaren se torna mais antipática a cada dia que passa.
SÃO PAULO(vá se benzer!) – Excelente este texto do Marcus Lellis no Grande Prêmio, fazendo uma retrospectiva de todas as confusões em que Lewis Hamilton já se meteu desde que estreou arrebentando na F-1, em 2007, como vice-campeão mundial. Uma delas foi essa da foto, na Hungria, quando Fernando Alonso atrapalhou seu treino de classificação. De lá para cá, várias. A mais famosa, talvez, em Spa, no episódio com Raikkonen, que acabou rendendo uma vitória inesperada a Massa.
Será Hamilton um trapalhão que atrai confusões? Ou ele procura?
SÃO PAULO(que saco, isso) – Está no site da FIA a explicação para a punição a Hamilton. A entidade alega que quando chamou Hamilton e o chefe de equipe David Ryan à torre para analisar a ultrapassagem de Trulli sobre o inglês com o safety-car na pista, foi perguntado a ambos se a McLaren havia instruído seu piloto a deixar o italiano retomar a posição. A resposta foi que não. Então, perguntaram a Hamilton “especificamente” se ele havia deixado Trulli passar deliberadamente. O campeão mundial disse que não de novo.
A FIA argumenta que não usou as entrevistas pós-corrida de Hamilton, nem a gravação de suas conversas com a equipe pelo rádio, para tomar a decisão de punir Trulli. Acreditou no que a McLaren e seu piloto disseram e tirou o terceiro lugar do piloto da Toyota. Dias depois, diante de “novas evidências”, como as entrevistas e a ordem expressa dos boxes para que Lewis deixasse Trulli passar, resolveu voltar atrás e reconduzir Jarno ao pódio.
O motivo? A McLaren mentiu na torre. Só isso. Mas esqueceram de avisar Hamilton para mentir à imprensa, também. E esqueceram que a FIA poderia descobrir a farsa apenas ouvindo as conversas gravadas. É uma história esquisita. Para quê Hamilton mentiria na torre e minutos depois revelaria aos jornalistas que a McLaren tinha dado a ordem para deixar Trulli passar? Será que achava que ninguém iria contar à FIA o que ele disse à imprensa? Ou que ninguém iria ler nos jornais?
Muito estranho. Será que Hamilton é um mentiroso compulsivo e a McLaren gosta de brincar com o perigo, tentando enganar os comissários o tempo todo?
Bem, a equipe não nega que tenha dado a ordem. E não contesta a FIA quando esta diz que foi enganada na torre. Lewis também não. Seu silêncio indica que, de fato, mentiu na torre. Diante disso, refaço meu veredicto. A punição foi justa. Mentir é feio. Mas a FIA é candidata, já, ao troféu “Trapalhões do Ano”. Como é que pune um piloto, como fez com Trulli, sem ao menos consultar as gravações da equipe, se tem acesso a elas?
A única atenuante para a McLaren é o fato de ter consultado Charlie Whiting (isso está na gravação) sobre o que fazer. Portanto, a direção de prova sabia que a equipe estava tentando se informar sobre qual o procedimento que Hamilton deveria tomar. Não obteve resposta, ao que parece. E pode alegar que, diante disso, resolveu deixar Trulli passar e não considerou relevante reforçar a ordem aos comissários, na torre. O que, de qualquer maneira, não apaga a mentira.
Bem, ao menos a justiça foi feita com relação a Trulli, que mereceu o terceiro lugar.
SÃO PAULO (e cedo) – Eu achava justo que devolvessem o terceiro lugar a Trulli. Mas não precisavam ter desclassificado Hamilton, precisavam? Pois desclassificaram. O inglês, que levou uma bela duma ferroada dos comissários de Spa no ano passado, viu seu pódio de Melbourne evaporar agora pela manhã. E não ficou nem com o quarto lugar que, na pista, conseguiu na Austrália.
A FIA ouviu as partes envolvidas, já em Sepang, e entendeu que a McLaren agiu de má-fé. Teria ordenado a Hamilton que devolvesse a posição a Trulli, depois que o inglês o ultrapassou sob safety-car, quando o italiano foi parar na grama na última curva. Por ter, digamos, “aceitado” a oferta, Jarno foi punido e perdeu 25s de seu tempo final de prova, caindo de terceiro para 12º.
Lewis, me parece, é o menos culpado nessa história. Cumpriu ordens e, de certa forma, agiu com “fair play”. Mas a FIA anunciou sua decisão com muita convicção. Pelo que entendi, a entidade considerou que a McLaren poderia ter se manifestado domingo mesmo, contando que pediu a Lewis para devolver a posição — e, assim, isentaria Trulli de culpa. Ao contrário, o time deu uma de migué ao saber da punição ao piloto da Toyota.
Bem, digamos que você agora é o jurado deste tribunal. O que diria? A McLaren é escrota e Hamilton, bonzinho? Ou Lewis é, igualmente, um cafajeste? Ou nada disso, muito pelo contrário, teria sido só um mal-entendido? O melhor não seria deixar a coisa como acabou na pista?
Dê seu veredicto. O meu? Acho que pegam pesado demais com Hamilton. O mais apropriado, me parece, seria recolocar Trulli no pódio, deixar Hamilton em quarto e procurar tomar decisões, sempre que possível, que se aproximem daquilo que aconteceu no asfalto.
SÃO PAULO(sei lá) – Polêmica à vista. Hamilton pode perder o terceiro lugar de Melbourne, depois que surgiram evidências de que Trulli não passou o inglês sob safety-car porque é um doido de pedra, ou estava distraído, ou é um canalha aproveitador. Vídeos amadores (um deles está no Grande Prêmio) mostram que Jarno deu mesmo uma escapada na última curva quando estava à frente de Lewis, sim, em fila quase indiana. Foi lá na grama. Hamilton passou porque era difícil não passar, não tinha como parar o carro e esperar para ver o que aconteceu.
Glock escapou também, porém, e quem vinha atrás não passou. Mas me parece que Vettel, com o carro arrebentado, era quem puxava a fila. E quem estava atrás de Vettel também não passou o alemãozinho de três rodas, com medo de punição.
A situação é confusa, porque Hamilton, logo depois, deixou Trulli passar — e por retomar a posição que, em tese, lhe foi devolvida, o italiano acabou sendo punido. Desconfia-se que quem deu a ordem para Hamilton devolver o posto tenha sido a McLaren. Nesse caso, por que punir Jarno?
A Toyota, curiosamente, avisou hoje que retirou o apelo contra a punição. Mas pode acabar recebendo o pódio de volta sem ter de pagar advogados.
O que eu acho? Não sei direito. É um episódio realmente complicado. Tendo a achar que o mais justo seria devolver os pontos a Trulli. Porque se é verdade que Hamilton não poderia parar o carro para esperar pela volta do piloto da Toyota à pista, também é verdade que Trulli, logo depois, viu Hamilton tirar o carro da frente e não teria como avaliar se ele tinha algum problema, se estava sendo gentil, ou se espirrou dentro do capacete.
SÃO PAULO(pobre Jarno) - Não vou reescrever o que já está publicado, porque estou com sono. Então, considere as notas redigidas nas “melbournetes” abaixo corrigidas pela seguinte informação: Trulli, coitado, acaba de ser punido pelos comissários esportivos em Melbourne. Passou Hamilton sob regime de safety-car. Teve 25s acrescidos ao seu tempo final e do terceiro lugar despencou para 12º.
Sujeitinho azarado. Se houver uma chuva torrencial de Julianas Paes, é capaz de cair um gorila na cabeça do rapaz.
Com isso, a classificação final da corrida ficou assim, na zona de pontos: Button, Barrichello, Hamilton, Glock, Alonso, Rosberg, Buemi e Bourdais. A Toro Rosso pontuou com os dois, vejam só.
Não sei se a McLaren já mandou buscar o troféu nos boxes da Toyota. Hamilton considerou o GP da Austrália uma das melhores corridas de sua vida. E foi o mais bem colocado entre os sete que declaradamente usaram o KERS.
Norbert Haug, da Mercedes, fez uma brincadeira com a dobradinha da Brawn: “O importante é que nossos clientes ficaram satisfeitos”. Engraçadinho.
SÃO PAULO(valeu a tentativa) – A propaganda “viral”, como se diz, é um pouco longa e não tem tanta graça assim, mas não deixa de ser interessante. É um comercial da Vodafone colocado no YouTube, no qual uns caras pilotam uma miniatura de McLaren com um celular. Depois, na pista, Hamilton faz o mesmo. É gozado ver o carro saindo dos boxes sem ninguém dentro. Enfim, vale pela curiosidade… Mas aquela do Hamilton com o Alonso, no começo de 2007, era bem mais divertida.
NATAL(buggy ou Pipa?) – Vixe, já ia esquecendo de manter a tradição das sextas-feiras… Bem, é sábado, mas está valendo. Aqui, a minha coluna. A do Reginaldo Leme está aqui. Leiam lá, comentem aqui!
SÃO PAULO(lá vem porrada) – Os tricolores vão achar que é sacanagem, mas juro que não é. Só que Hamilton ganhou mesmo o tal troféu “Bambi”, vou fazer o quê? E ele já declarou sua paixão clubística no Brasil, vou fazer o quê? E não adianta ninguém vir aqui esculhambar a Portuguesa, porque os comentários serão prontamente apagados e seus nomes, enviados para a sede da Leões da Fabulosa. Além do mais, futebol de verdade se joga na Série B, e não nessa seriezinha A cheia de frescura.
SÃO PAULO (bárbaro) – Andre Jung faz sua coluna de balanço da temporada, com uma ótima descrição deste Felipe Massa vice-campeão mundial de 2008. Como sempre, texto preciso e diferente, belamente ilustrado pela Marta Oliveira.
SÃO PAULO(prefiro aquele) – O site oficial da Fórmula 1 coloca no ar um dia depois de cada GP um clipe da corrida, sempre com imagens espetaculares, trilha sonora escolhida a dedo e, muitas vezes, com cenas que não aparecem na transmissão da TV. Muitos blogueiros, depois da corrida de São Paulo, pediram que eu indicasse o clipe de Interlagos. Está aqui. Precisa dar um “I agree” no termo que explica as condições de uso e, depois, é só selecionar o Brasil.
A imagem mais impressionante é essa registrada no “frame” aí do lado. Assista que vale a pena. A edição é primorosa. Mostra em poucos minutos o tamanho do drama que paralisou Interlagos.
SÃO PAULO (dia cheio, cheio demais!) - Hamilton ganhou um presentinho de Ron Dennis pelo título. Um carrinho igual a esse aí, um McLaren de rua. E me pergunto… Se Webber for campeão, por exemplo, vai ganhar o quê? Uma caixa de latinhas de Red Bull? E Alonso? Um Logan? E Glock? Um Corolla? E Button? Um Civic? E Fisichella? Um turbante?
Acho que, no lucro, só saem mesmo os pilotos que ganham títulos pela Ferrari e pela McLaren. OK, pela BMW Sauber também. Dá pra pedir um Cinquecento, um 1313 e um Mini. O resto só vai levar brinde para casa…
SÃO PAULO(esses blogueiros…) - Pensam que acabou tudo em pizza? O vídeo acima mostra que Massa partiu para cima de Glock depois da corrida. Foi impedido de bater no alemão por Hamilton e por outro piloto que não consegui identificar. Acho que era o Alonso, que aparece de relance no início do vídeo. O tempo fechou. Quero ver que atitude a FIA vai tomar agora, os caras não podem sair se estapeando assim, a torto e direito.
SÃO PAULO (vixe, quanta coisa!) – E como é que deixei de Falar de Fernando Alonso aqui? Rapaz, o espanhol, nas últimas oito corridas do ano, marcou 48 pontos. Mais do que qualquer outro piloto, campeão e vice incluídos na conta.
Não tenho dúvidas de que Fernandinho “is back”. Segundo colocado ontem, fechou em altíssima sua temporada, que começou apagada. O que ele fez com esse carro da Renault, ninguém sabe. Só ele e o time. Na corrida, foi novamente espetacular. Especialmente no drible humilhante que deu em Kovalainen no S do Senna. Deu até pena do finlandês.
E, no fim, resistiu a Raikkonen bravamente. Embora Kimi tenha contado que a Ferrari pediu a ele para não tentar nada de muito esquisito, porque podiam bater os dois e a presença de ambos à frente de Hamilton era, por assim dizer, recomendável.
No pódio, Alonso me deu a impressão de ter sentido mais a derrota de Massa que o próprio. Vejam esta foto, da Getty Images: não parece que é o Felipe quem está consolando o asturiano?
Viraram amigos de novo, depois daquele entrevero em Nürburgring, no ano passado. Há um, digamos, inimigo comum. Mas não pensem bobagens, ninguém quer ver a caveira de ninguém. Alonso foi um dos primeiros pilotos a irem aos boxes da McLaren ontem, depois da corrida. Deu um tapão nas costas de Hamilton, mandou um “well done” e cumprimentou civilizadamente o ex-companheiro.
Alonso, para mim, estará na briga pelo título em 2009. Ao lado de Raikkonen, Massa, Hamilton e, talvez, Kubica. Vettel, na Red Bull, vai incomodar bastante os favoritos. Mas não o vejo ainda como candidato. Mais pelo carro do que por ele. Esse menino, numa equipe de ponta, vira um Schumacherzinho.
SÃO PAULO(nunca imaginei que descobririam) – OK, agora não há mais como negar. Eu aqui, explicando com um monte de contas que Glock foi o mais rápido das últimas seis voltas da corrida, que se trocasse pneus voltaria atrás de Hamilton e Vettel, como estava, aliás, mais de 19s, antes de começar a chuva, que quase deu certo sua estratégia…
O problema é que uma câmera escondida registrou um detalhe da ultrapassagem que ninguém tinha visto. Está neste link aqui. Vejam lá. Glock tornou-se indefensável. Tenho de admitir, estavam todos certos e eu, errado.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.