SÃO PAULO (dúvidas) – No ar a coluna Apex de nosso batera Andre Jung, analisando o GP da Bélgica e as suspeitas de armação da Renault em Cingapura. E, no fim, a solitária voz em defesa de Badoer.
Leia lá, comente aqui! A ilustração, como sempre, é da Marta Oliveira.
SÃO PAULO(merecido) – Coisa rara, o piloto de melhor nota no GP da Bélgica, para a equipe do Grande Prêmio, não venceu. Fisichella levou um sonoro 10, enquanto o ganhador, Kimi Raikkonen, ficou com 9,4. Vettel foi o terceiro melhor, com 8,6. Barrichello teve sua avaliação prejudicada pelo problema recorrente da largada, e acabou com 5,2. Foi uma prova de barbeiros, um monte abaixo de 3. O pior acabou não sendo Badoer, que teve média 1,2. Button ficou com a nota mais desastrosa do fim de semana: 1.
No ranking geral, Jenson ainda lidera com média 6,9, seguido por Webber (6,8) e Vettel (6,4). Barrichello é o quinto com 5,9.
SÃO PAULO(Barueri, é mole?) – Pois já está no ar, cortesia de nosso arquiduque de Leningrado Marcelo Barbosa, o InfoRace com a radiografia do GP da Bélgica. É incrível como a ferramenta de representação gráfica das corridas mostra, com precisão, atuações espetaculares como as de Fisichella e Vettel.
Destrinchem a prova e, se tiverem dúvidas, mandem por aqui que o Marcelo responde.
SÃO PAULO(boas surpresas) - Comentariozinho em vídeo do feioso aqui sobre o GP da Bélgica e o caso Renault-Briatore-Nelsinho. Tomara que a imagem congelada não fique ridícula…
SÃO PAULO(vejam logo) - Para fechar o barraco, torcendo para que não tirem do ar logo, vejam as largadas de Barrichello, Kimi, Button e Hamilton on-board. A largada de Rubens, depois que o carro saiu do lugar, foi esplêndida. Lembrou muito o Meianov em Interlagos. A do Raikkonen, idem. E pela câmera do brasileiro muita gente vai rever o que falou do Grosjean. Ele não bateu mesmo no Button. Foi acertado pelo inglês. Vou ter de refazer a nota que dei para o francês. Ele não teve culpa.
SÃO PAULO(vixemaria) – Ah, esse Twitter é uma delícia, não? Mais pistas de que algo vai acontecer na Renault esta semana vieram de breves “twittadas” de Lucas di Grassi, terceiro piloto do time. Agora à noite, antes de sair de Spa para voltar a Londres, onde vive, Lucas escreveu que teremos grandes novidades nos próximos dias e que o domingo “foi longo para mim e para a Renault”.
Encaixando as peças, é claro que o dia foi longo para a Renault, pois o time está sendo investigado por algo muito grave, a acusação (que pode ter partido dos Piquet) de que Flavio Briatore planejou o acidente de Nelsinho no GP de Cingapura para que Alonso vencesse a corrida.
Alonso pode ser anunciado pela Ferrari, algo que, se for mesmo acontecer, é de conhecimento de todos na Renault, Lucas inclusive, e seria uma das “grandes novidades” da semana, assim como uma possível confirmação de que o brasileiro, que já está lá mesmo, poderia ser o novo titular, ao lado de Romain Grosjean.
Por enquanto, apenas especulações. Mas que alguma coisa séria vai acontecer, vai.
SÃO PAULO (dia quente) – Fim de semana agitado, esse de Spa. Depois da corrida, Stefano Domenicali disse que a escolha do piloto para Monza tem relação com os planos da Ferrari para 2010. Pouco depois, o “la Repubblica” se saiu com essa: Alonso seria escalado já para o GP da Itália. No bolo dessa conversa está, claro, a investigação que a FIA faz “sobre uma corrida do ano passado”, sem especificar o que todos já sabem — possível armação da Renault em Cingapura, Nelsinho batendo de propósito para Alonso vencer.
Alonso, nessa história toda, é o único que pode alegar inocência. E poderia, assim, rasgar o contrato com a Renault caso a equipe seja punida duramente, o que vai acontecer se for provado que houve a ordem para a batida voluntária do brasileiro.
O que se diz na Itália é que na terça-feira pode ser feito um anúncio sobre Fernandinho em Maranello.
Já em 2010, depois da vitória de hoje de Kimi, não tenho a menor ideia do que vai acontecer na Ferrari.
SÃO PAULO (a ver…) – Longe de mim duvidar de uma informação do Reginaldo Leme. E a que ele deu na transmissão da TV é das mais graves. Resumindo, para quem não ouviu. O comentarista da Globo (e colunista do Grande Prêmio e d’”O Estado de S.Paulo”) contou que a FIA abriu uma investigação independente sobre o GP de Cingapura do ano passado. Na ocasião, Alonso tinha acabado de fazer seu pit stop, ele que largara lá atrás, quando Nelsinho Piquet bateu. Assim, todos pararam aproveitando o safety-car e Alonso, que já tinha trocado pneus e reabastecido, apareceu de repente em primeiro.
Na época, a batida foi tratada com ironia e curiosidade. Fernandito jamais venceria se não fosse o rabo danado de um safety-car ter sido acionado logo depois de sua parada. E justamente causado pelo companheiro de equipe…
Suspeitar de que foi de propósito, na época? Não me lembro de nenhuma desconfiança séria, apenas comentários, como disse, irônicos. E não tinha sido a primeira batida de Nelsinho no ano, afinal.
Agora, surge essa informação: Briatore teria ordenado que o brasileiro se arrebentasse no muro naquele momento e naquele lugar. Assim, Alonso teria chance de vencer, como venceu. Disse o Reginaldo que depoimentos chocantes já foram tomados pelos investigadores.
Nelsinho Piquet não se pronunciou pelo Twitter, como costuma fazer. Aliás, assim que a informação foi ao ar na Globo (estranhamente causando espanto até no narrador Galvão Bueno, que aparentemente não sabia de nada), Piquet-pimpolho desapareceu do miniblog, depois de dar uma zoada básica em Grosjean, seu substituto, que bateu na primeira volta.
E foi pelo Twitter que recebi outro vídeo (desculpe, não sei quem mandou) daquela corrida. Na volta de apresentação, Nelsinho rodou de maneira parecida. Não bateu. Teria sido um ensaio? É conspiração demais, não? De qualquer maneira, apimenta a história toda.
O que é essencial, agora, é ouvir o piloto. Antonio Pizzonia, também pelo Twitter, contou que jantou com Nelsinho ontem e disse que uma bomba vai estourar na F-1 “hoje ou segunda-feira”. Seria essa? “Isso e muito mais”, escreveu Pizzonia. Mas Nelsinho seria capaz de bater de propósito sob ordem da equipe?
É tudo muito pouco verossímil. Uma coisa é dar passagem ao companheiro de equipe, segurar um rival na pista, essas atitudes menos dramáticas e mais corriqueiras. Mas se jogar no muro para obedecer ao chefe?
No fim da tarde, a FIA confirmou que uma prova de 2008 está, sim, sendo investigada. Se houve algo, Briatore será elevado à condição de capeta dos capetas. Mas é preciso que se diga, como bem lembrou meu amigo Teo José. Se isso aconteceu, Nelsinho está no mesmíssimo barco.
Vamos aguardar. É caso que vai dar pano pra manga, como se diz. E muito sério.
SÃO PAULO (tudo na mesma) – Jenson Button, ao fim e ao cabo, deu sorte. Deixou de pontuar pela primeira vez no ano e o piloto que cresceu na semana passada, Barrichello, marcou apenas dois. Assim, a diferença que era de 18 caiu para 16 e em vez de seis, faltam cinco corridas para acabar o campeonato. O prejuízo poderia ter sido bem maior, porque igualmente Webber ficou fora dos pontos. E Vettel, mesmo marcando seis e estando na briga, ainda aparece mais distante na classificação e tem o problema dos motores.
Button, pelas imagens, foi tirado da corrida por Grosjean, mas não tem do que reclamar. Quem se classifica mal e larga no pelotão da merda está sempre muito mais sujeito a essas coisas do que quem parte na frente. O mesmo vale para Hamilton. Grosjean não admite erro algum e diz que foi ele que foi tirado da prova por Button. Preciso ver outras imagens para tirar alguma conclusão. De qualquer forma, depois de duas corridas, Romain Juba de Leão ainda não fez nada muito diferente de Nelsinho Piquet. Mas antes de umas três ou quatro provas, qualquer julgamento sobre o francês é precipitado.
Barrichello, pela terceira vez no ano, empacou na largada. Vai ter gente que acha que foi sabotagem, como sempre. Ainda não sei o que ele disse, além de detectar o mesmo problema, o “antistall” que deixa o carro em ponto morto. Pelas circunstâncias, salvou dois pontinhos. Caiu lá para trás no começo, deu sorte com o acidente que tirou quatro carros de sua frente, usou bem a entrada do safety-car, equilibrando as coisas com a parada que seria feita muito no início, foi decidido com várias ultrapassagens na primeira parte da prova, mas quando chegou na turma mais veloz, acabou ficando.
E deu mais sorte ainda no fim, com o motor prestes a estourar e conseguindo fazer duas voltas daquele jeito. Se tivesse conseguido largar bem, tinha chances de buscar um pódio, ou terminar em quarto ou quinto. Não venceria. Fisichella e Kimi estavam bem mais rápidos.
Para buscar o título, insisto, precisa fazer pelo menos umas três corridas excepcionais como a que fez em Valência. Não é fácil. Button pode chegar perder dele em todas as provas, que ainda assim será campeão, desde que permaneça sempre uma ou duas posições atrás do brasileiro.
SÃO PAULO(ah, os velhinhos…) – Legal demais o segundo lugar de Fisichella. Daqueles históricos. Primeiros pontos da Force India, corrida que dava até para ganhar. Mais uma em Spa para a lista de coisas históricas envolvendo a velha Jordan: primeira pole em 1994, primeira vitória em 1998, estreia de Schumacher na F-1, último ponto com o nome Jordan em 2005, essas coisas que fazem de um circuito um lugar muito especial para certos times.
No fim, tive a impressão de que Fisico tinha carro para atacar Kimi. Não o fez. Ou porque está acertado com a Ferrari para correr em Monza, ou porque Raikkonen tem KERS, sei lá. Mas não importa muito. Acho que seria difícil passar, no fim das contas. Kimi me pareceu ter alguma sobra no carro.
Esse segundo lugar teve cara de canto do cisne para Giancarlo, mais ou menos como a vitória de Barrichello em Valência na semana passada. Mas os dois, em que pese a idade (e idade pesa…), têm lugar na F-1, ainda, com essa história de proibição de testes. Está difícil formar alguém. Sobrevida à vista para ambos, então. E a impressão de canto do cisne pode ficar só nisso mesmo, impressão.
A Force India andou muito bem também com Sutil, que só não pontuou porque largou mais atrás e teve muito mais trabalho que o companheiro. O alemão foi um dos mais combativos da prova, passou muita gente, mas teve um ritmo inconstante.
Vettel é outro que fez um corridão. Inteligente, foi buscar o que dava para quem largava em oitavo, um pódio. Volta a brigar pelo título, mas vai ter de conviver até o fim do ano com o fantasma dos motores quebrantes da Renault. Palmas também para a BMW Sauber. O carro é ruim, mas a pista ajudou. E seus pilotos mostraram dignidade e profissionalismo: quarto e quinto, ninguém esperaria isso de um time cuja morte já foi anunciada.
Webber se afastou um pouco da briga. Não andou bem, e ainda foi atrapalhado pelo time, que o liberou do pit stop de forma atabalhoada. São dois finais de semana ruins acumulados pelo australiano, que vinha fazendo uma temporada muito regular e começa a dar sinais de perda de fôlego.
Finalmente a Toyota, que largava lá na frente. Mas, como quase sempre, se ressente do mau ritmo de corrida de Trulli. Para ele, as coisas sempre dão errado. Tocou em Heidfeld na largada, teve de trocar o bico, depois aconteceu um problema no reabastecimento… Enfim, se tem alguém que pode reclamar do azar nessa F-1, é o pobre do Trulli. Mas ele também não ajuda muito a sorte.
Daqui a pouco eu volto para falar da Brawn e da história de Nelsinho ter batido de propósito em Cingapura no ano passado, história lançada pelo Reginaldo Leme na transmissão da TV.
SÃO PAULO(jornada tripla hoje) – Kimi Raikkonen sempre anda bem na Bélgica. Foi sua quarta vitória em Spa, e esse rapaz sempre impressiona quando encaixa uma boa corrida. Se andasse sempre assim, ninguém na Ferrari estaria pensando em trocá-lo por Alonso. Troca que deve acontecer, no fim das contas.
Mas dá gosto ver Kimi sentando a bota. Sua largada foi fenomenal. Inteligente, esperto, foi para a área de escape, apontou e despinguelou, usou bem o KERS, não deu chance a ninguém, e na relargada resolveu a corrida ao passar Fisichella sem maiores dificuldades.
Depois, andou com o italiano em seus calcanhares a prova toda. E, nessas condições, é realmente o Iceman, um cara frio que não se abala e não comete erros.
Raikkonen não vencia desde a Espanha no ano passado. Tem feito um bom campeonato nesta temporada, no final das contas. Eu não achava que a Ferrari iria conseguir ganhar uma corrida, depois do fiasco da primeira metade do ano. Mas o carro melhorou, a turma trabalhou e Kimi merece todos os aplausos hoje.
Não sei quais efeitos essa vitória terá em seu futuro. Talvez nenhum. Esse moço, normalmente, não parece ligar para nada. Seja lá o que tiver resolvido fazer da vida, não é uma vitória em Spa que vai mudar.
Daqui a pouco eu volto, a corrida foi boa, merece mais posts.
SÃO PAULO (muda um pouco) - A divulgação dos pesos de cada carro no grid do GP da Bélgica, agora há pouco, joga ainda mais dúvidas sobre o que pode acontecer na corrida de amanhã. Sabem qual o carro mais leve? O de Rubens Barrichello: 644,5 kg, mais leve até do que Fisichella, que larga com 648 kg. Incrível. Eu escrevi no post anterior que Rubens, Trulli e Raikkonen estariam mais ou menos com o mesmo peso. Trulli tem 656,5 kg e Kimi, 655 kg; parecidos, sim. Mas bem mais pesados do que o brasileiro, o que lhes dará umas três voltas de pista a mais, depois da primeira parada do carro da Brawn, possivelmente na volta 11.
Heidfeld e Kubica, surpreendentes pelas posições (terceiro e quinto), foram mais surpreendentes ainda porque também andaram com mais peso que Barrichello: 655 kg e 649 kg cada um, respectivamente. O alemão, assim, merece aplausos. E Trulli, segundo no grid, mais ainda. Não fosse seu crônico problema de ritmo de corrida, mereceria ser colocado como favorito à vitória.
Entre os dez primeiros, Rosberguinho é o mais pesado, 670 kg, mas não assusta. Quem aparece bem na fita é Vettel, com 662,5 kg, em oitavo. Poderá ficar umas quatro ou cinco voltas a mais na pista depois das paradas de seus principais adversários. Uma boa largada pode colocá-lo na briga. E Raikkonen pinta como forte candidato a vencer o GP belga, porque pode ganhar umas posições na primeira volta com o KERS e, a partir daí, ditar o ritmo da corrida.
Rubens optou por uma classificação agressiva, e mesmo com o carro leve ficou em quarto. Prova de que a Brawn não está mesmo muito competitiva em Spa, Button que o diga. O inglês, aliás, vai para a corrida com 694,2 kg no tanque, previsão de parada na volta 26, possibilidade de apenas um pit.
Veja abaixo os pesos e as previsões para as primeiras paradas das principais figuras em Spa, pela ordem em que estão no grid:
1) Fisichella – 648 kg – volta 12; 2) Trulli – 656,5 kg – volta 14; 3) Heidfeld – 655 kg – volta 14; 4) Barrichello – 644,5 kg – volta 11; 5) Kubica – 649 kg – volta 12; 6) Raikkonen – 655 kg – volta 14; 7) Glock – 648,5 kg – volta 12; 8 ) Vettel – 662,5 kg – volta 16; 9) Webber – 658 kg – volta 15; 10) Rosberg – 670 kg – volta 19; 12) Hamilton – 693,5 kg – volta 26; 14) Button – 694,2 kg – volta 26.
Acho que Barrichello ainda tem chances, mas são menores. Deixou de ser o favorito, a não ser que passe todo mundo na largada e abra uma grande vantagem nas 11 primeiras voltas, esgoelando-se. Raikkonen, Vettel e Trulli me parecem com possibilidades maiores de vitória, em condições normais.
SÃO PAULO (alguma coisa fora da ordem) – Barrichello e Raikkonen. Um desses dois deve vencer o GP da Bélgica amanhã. A classificação de hoje teve muitas zebras, a começar da pole de Fisichella, e poucas posições “normais”. Rubens em quarto é uma delas. Kimi em sexto, também. Badoer em último, a lógica das lógicas. Não corre em Monza, evidentemente, mas isso é assunto para depois. Gola Profonda ainda não telefonou.
Ainda não saíram os pesos, mas acredito que Barrichello, Trulli e Raikkonen estejam mais ou menos parecidos. Fisichella, Heidfeld (outra enorme supresa, em terceiro) e Kubica (quinto) aparentam estar mais leves, principalmente o italiano.
A Red Bull, daqui até o fim do ano, com uma nova quebra de motor (agora de Webber), vai ter de administrar o ímpeto em treinos e se concentrar em corridas. É aposta certa para um pódio, mesmo largando em oitavo e nono com Vettel e Webber. Os carros são bons o bastante para crescer ao longo da prova.
Rubens tem boas chances porque o carro é bom e consistente em corrida. S e não se envolver em confusões na largada, pode se dar muito bem. Kimi, porque sempre anda bem na Bélgica. E a Ferrari cresceu nas últimas provas. Alguns dos favoritos ficaram na segunda degola afastando-os da briga na ponta, e isso vai ajudar ainda mais os dois.
A segunda parte da classificação foi das mais doidas dos últimos anos, embora o locutor oficial se preocupasse única e exclusivamente em falar de Massa. Aliás, fiz questão de contar: entre “Massa”, “Felipe” e “Felipe Massa”, o brasileiro foi citado exatas 30 vezes em uma hora de classificação. Uma a cada dois minutos, sem contar os comerciais da transmissão. Haja saco. E tudo acontecendo na pista… Assim, ninguém na TV deu o devido peso e destaque à pole incrível de Fisichella e às eliminações, do Q3, de Alonso, Hamilton e Button, todos ao mesmo tempo.
Desde o Q1 se via que a classificação em Spa seria diferente. Na primeira parte do treino, Buemi, Sutil, Heidfeld, Trulli e Fisichella chegaram a ocupar a primeira posição. A primeira degola ceifou o óbvio Badoer, o fraco Nakajima, Grosjean (pego por uma bandeira amarela do acidente de Badoer, mas azar dele, as coisas são assim; ele deve andar melhor na corrida, porém) e a dupla da Toro Rosso, Buemi e Alguersuari.
No Q2, a Toyota mostrou força (eu disse ontem que era só brilhareco, mas com Trulli não foi, não), a BMW Sauber surpreendeu colocando os dois no Q3, Button desandou, Hamilton também, Alonso sucumbiu e Barrichello emergiu.
Button é um caso a ser estudado. Nas últimas quatro provas, foi discreto. Mal, mesmo, em Valência. Nas anteriores, teve desempenho equivalente ao de Rubens, sofreu com o frio etc e tal. Mas, hoje, parece que a coisa degringolou para o inglês. Pela primeira vez no ano não passou do Q2 e larga muito longe de seu companheiro de equipe. Corre para salvar alguns pontos. E precisa ser religado à tomada se quiser ser campeão. Porque ficar só torcendo contra os outros me parece meio arriscado.
SÃO PAULO(coisa de novela) – Grande Fisichella! Sim, um pré-aposentado, ninguém quer, fim de carreira, e aí começam a falar do cara na Ferrari, e ele vai e crava uma pole de… Force India!
A molecada que me perdoe, mas os velhinhos estão matando a pau. Domingo passado foi Barrichello a vencer em Valência. Hoje, Fisico a cravar todo mundo em Spa. Muito, muito legal.
Curioso é que exatos 15 anos atrás essa mesma equipe fazia, lá mesmo, em Spa-Francorchamps, uma pole improvável, com… Barrichello! Pela Jordan, o ainda garoto Rubinho, apenas 22 anos, conseguiu uma pole pela primeira vez. De lá para cá, a Jordan virou Midland, que virou Spyker e que é Force India hoje, se é que não esqueci de ninguém no meio do caminho.
Giancarlo está mais leve que o resto? Claro que está. Mas o velho Fisico — sobre quem, nos últimos dois ou três anos, já escrevi várias vezes que deveria ter parado, o que mostra que a gente não entende nada de picas — já tinha começado a classificação muito bem. Foi o mais rápido no Q1 e o quarto mais rápido no Q2. Seu desempenho desde sexta (fora o mais rápido na chuva) vem sendo muito consistente, e a Force India passou da primeira degola com seus dois pilotos, acho que pela primeira vez. Sutil também fez bons tempos e larga numa honrosa 11ª posição, à frente de Brawn, McLaren, Renault, e aí não tem nada de peso, não.
Assim, leve por leve, truco, bonitão. É a grande chance da simpática Force India de marcar os primeiros pontos de sua curta existência, para alegria do núcleo dançante da novela das oito que começa às nove.
Loas a Giancarlo Fisichella, 36 anos, quarta pole em 223 GPs disputados (amanhã corre pela 224ª vez). As outras, para registro, foram na Áustria em 1998 pela Benetton, na Austrália em 2005 e na Malásia em 2006, ambas pela Renault.
Daqui a pouco eu volto para falar do resto. Porque acho que Barrichello se tornou favorito à vitória amanhã, e isso é importante para o campeonato, e merece um post à parte.
SÃO PAULO(ficam todos doidos) – Spa é incrível, mesmo. Após um temporal pela manhã, depois do almoço o sol brilhou alegre e feliz nas Ardenhas, com algumas nuvens, é verdade, mas a pista estava sequinha para o segundo treino.
Aí, sim, dá para tirar algumas conclusões. Um certo favoritismo da Red Bull pode ser considerado, nessas condições de temperatura e pressão: solzinho, calorzinho, asfalto acima de 30ºC. Mas, hoje, é mais de Webber que de Vettel. Essa história dos motores acabando para o alemãozinho está minando o próprio.
A Brawn me pareceu trabalhar para a corrida. Seus tempos foram muito discretos durante quase toda a sessão, mas devem subir bastante no sábado. Se esfriar ou chover, a coisa complica. A Toyota fez seu brilhareco andando lá na frente, mas ficará restrito à sexta-feira, como se sabe. Amanhã, Trulli e Glock despencam para o meio do pelotão.
Gostei de ver o menino Alguersuari virando tempos muito competitivos, assim como Buemi. Os tourinhos vermelhos podem sonhar com um Q2 na classificação. Os carros da Caminho das Índias também foram bem. Sutil consistente, Fisichella estupendo no fim. Estupendo é forçar a barra, mas sexto lugar é legal para um aposentado.
Grosjean foi muito bem, fechando o dia à frente de Alonso, e lá em cima, em quinto. Nelsinho é que não deve estar gostando muito…
E a McLaren, que ficou em primeiro? E a Ferrari, em terceiro? Pois é… Eu acho que ambos podem brigar na frente, buscar pódio, certamente. Mas ganhar? OK, Hamilton não pode ser descartado. Kimi, que sempre anda bem na Bélgica, também vai incomodar.
Em resumo, a corrida está abertíssima. Há uma única certeza: Luca Badoer será o último no grid e o último na prova. E nunca mais vai guiar para a Ferrari. Em Monza, é capaz de colocarem o Luca di Montezemolo no cockpit.
Volto de tarde, agora vou gravar matéria para a TV.
SÃO PAULO(aqui, fog) – Bom dia, macacada. Como acontece ano sim, outro também, choveu hoje pela manhã em Spa. O primeiro treino livre começou com pista seca e frio, 17ºC, e deu tempo de alguns pilotos virarem tempos. Trulli foi um deles, na casa de 1min49s, nada de excepcional. Badoer estava 5s mais lento que ele…
Aí veio a chuva, e todo mundo recolheu. Pneus trocados, pouca gente na pista (Vettel, que poupa motor até o fim do ano, não fechou volta, assim como Hamilton), tempos entre 2min03s e 2min e cacetada, não dá para tirar conclusão alguma sobre performance.
Mas dá para preocupar a Brawn, que andou mal no frio, em Nürburgring e Silverstone, e esperava um pouquinho mais de calor na Bélgica. Está pintando Red Bull, mas ainda é cedo, como diz aquela música.
Spa é assim mesmo, desde as corridas de biga. O tempo segue fechado, mas pode abrir a qualquer momento. Por enquanto, em resumo, tudo loteria. Até porque a meteorologia indicava tempo seco no fim de semana, e começou desse jeito…
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.