GUARUJÁ(e anda) – Esse brinquedinho aí estará no “Limite” terça-feira que vem, na ESPN Brasil. Agora que a Renault resolveu ressuscitar a marca Gordini, e no ano em que se comemora meio século do lançamento do Dauphine no Brasil, fui gravar com o Fábio Seixas e seu Gordini 1965. A foto é de 2003, do dia em que o indigitado jornalista se apaixonou pelo carro. Foi no desfile de clássicos de corrida antes do GP do Brasil, em Interlagos.
O carro é uma delícia e a matéria, apesar do Seixas, ficou bem legal. Lá pelas tantas a gente falou da equipe Willys de competições, que deu nada menos do que quatro pilotos brasileiros para a F-1: Moco, Rato, Wilsinho e Luizinho (mais abaixo, no mesmo dia, num dos amarelinhos do time; sabem que carro é?). Uma façanha. E todos eles correram de Gordini, 1093, Interlagos, essas coisas que viviam apanhando da Vemag.
SÃO PAULO(ah, Paul Ricard…) - Vídeo bacana divulgado pela Renault, creio, e veiculado no UOL. Uma “gordinada”, com direito a corrida em Paul Ricard, musiquinha dos anos 60 e algumas moças de minissaia. Igualmente não recomendado a alunos da Uniban.
SÃO PAULO (boa) – Era especulação, agora está confirmado. A Renault vai ressuscitar a marca Gordini para batizar séries especiais do Twingo e do Clio, por exemplo. Aqui no Brasil, a Willys trocou o nome do Dauphine para Gordini quando mudou várias coisas no motor, chamando a atenção em sua publicidade para os “40 HP de emoção” do carrinho. No BestCars está toda a história do modelo por aqui, brilhantemente contada pelo Fabrício Samahá.
Para quem não sabe, carros feitos por Amédeé Gordini chegaram a disputar o Mundial de F-1 entre 1950 e 1956. Foram 40 GPs disputados e o registro de uma melhor volta no GP da Inglaterra de 1954 cravada por Jean Behra. Curiosidade: como os sistemas de cronometragem eram manuais, sem grande precisão, essa prova registra sete pilotos com a volta mais rápida da prova, todos com 1min50s cravados.
SÃO PAULO(ensolarada, pelo menos hoje) – Para quem vai ver um monte de carrinhos coloridos e velozes nesta semana, é sempre bom lembrar que Interlagos era assim, nos anos 60. Outros personagens, mas no fundo a mesma coisa: correr.
SÃO PAULO(belo brinquedo) – O azulzinho aí embaixo apareceu no sempre ótimo encontro de carros antigos do Forte de Copacabana no Rio, neste final de semana.
Atualizei o post depois de receber comentário do Nelson Cintra, o dono. Porque essa é a própria carretera Renault/Gordini que ele pilotava e fazia das suas nos anos 60. Quem mandou as duas fotos foi o Jason Vôngoli.
Na primeira está o carro durante a Taça Santos Dumont, em 27 de novembro de 1968, em Jacarepaguá. Era por essa placa do tigre da Esso que meu manager Luiz Salomônico entrava escondido no autódromo. Na frente dele, acho que vocês sabem quem, não?
Na segunda foto está o carro reconstruído com muito esmero e capricho, instrumentos de época, pintura no mesmo azul, o mesmo número e, segundo o Jason, um motorzinho que ronca bonito e com alegria. O Nelson o encontrou e fez tudo como era há 40 anos.
SÃO PAULO(e ronca forte, o bicho) - Para quem não viu o “Limite” na ESPN Brasil ontem, já está no site da emissora a matéria sobre o Renault R8 que foi da Willys e, depois, do Marivaldo Fernandes. O carro, hoje, pertence ao brother piloto e colecionador Alfonso Abrami. Para ver, é só clicar aqui.
O carro é esse da foto, na época pilotado pelo Bird Clemente na Willys.
SÃO PAULO (demais) – Gravamos hoje a materinha para o “Limite” da semana que vem. É sobre o Renault R8 Gordini que pertence ao amigo Alfonso Abrami, colecionador, piloto e profundo conhecedor de automobilismo. O que é mais legal, além de ser um carro único no Brasil: ele pertenceu à equipe oficial da Willys e, depois, foi comprado por Marivaldo Fernandes, que correu com ele até 1967, estima-se.
Marivaldo estava no avião que caiu e matou também José Carlos Pace, em 1977. Eram muito amigos. O carro foi resgatado pelo Abrami há uns dez anos e passou por restauração bem criteriosa. Voltou ao motor de 1.100 cc de 90 hp, um espanto, com dois Solex 40, câmbio de 4 marchas e freios a disco só na frente. No fim de sua vida nas pistas, ele já tinha motor de 1.300 cc, 5 marchas e disco nas quatro, como os últimos R8 fabricados na França.
Esse carro foi importado pela Willys em meados dos anos 60 — ele é 1965. Foram duas unidades que vieram para corrida. Só essa sobreviveu, pelo que se sabe. Luiz Pereira Bueno, Carol Figueiredo, Chiquinho Lameirão e Bird Clemente estão entre os que o pilotaram antes de Marivaldo.
Abrami melhorou algumas coisas, como as suspensões e o sistema de refrigeração, colocando radiador na frente. A primeira pintura era a da Willys, amarela com faixa verde. Marivaldo, que sempre usou o número 45, pintou de azul escuro, depois. Quando foi encontrado, estava pintado de chumbo. Abrami decidiu voltar à cor original dos R8 de corrida na França, o azul claro que era a marca dos carros do país em competições.
Funciona lindamente, ronca que é uma beleza e, o que é melhor: preserva em suas entranhas as histórias desses pilotos fabulosos que com ele correram pelo Brasil afora.
SÃO PAULO(tolerância zero) – Quem tem carro antigo, sabe. Além de um ou outro olhar de admiração e um ou outro sorriso que a passagem de um velhinho motiva, tem sempre as duas perguntas clássicas quando você para num farol. O cara do carro ao lado, geralmente à sua direita, faz um sinal, você é obrigado a se inclinar, abrir o vidro e escutar: 1) que ano é? 2) vende?
A primeira pergunta tem por objetivo assegurar ao cidadão o direito de se virar para o lado e dizer “te falei?” ao/à acompanhante. Se for mulher, é demonstração tola de erudição. As mulheres estão cagando e andando para o ano de um DKW ou de um Fiat 147. Se for homem, alguém dado às mesmas necessidades de demonstrar conhecimento amplo sobre a indústria automobilística, pode ser que se inicie uma animada discussão sobre o sentido de abertura das portas, o fato de ser a álcool ou a presença/ausência de frisos na tampa do porta-malas (portamalas, portammalas, sei lá).
A segunda pergunta, “vende?”, é retórica, porque o indigitado não vai comprar seu carro mesmo se você lhe disser que sim. Se não há um cartaz de “vende-se”, é porque não está à venda; se há, a pergunta torna-se desnecessária. Mesmo assim, o cara sempre pergunta “vende?”, esperando uma resposta para se virar ao/à acompanhante e dizer “se eu tivesse um dinheirinho sobrando, comprava” ou, em tom mais baixo, “esse cara tá louco, não vale a metade”.
Mas a resposta é sempre “não”, tirando do cara a chance de fazer seu comentário besta ao/à acompanhante, o que leva à terceira intervenção do vizinho do carro ao lado, quando o sinal está prestes a abrir, o que é um alívio. “Meu pai teve um desse. Vemaguet, né?”, ou a variável “Gordini, né?”, e não, não é Vemaguet, nem Gordini, provavelmente é um Belcar, e o cara ainda diz “três marchas, né?”, e não, são três cilindros e quatro marchas, mas aí o farol abriu e tchau.
Só que nada irrita mais do que quando o cara te pergunta “é econômico?”. Como é que alguém pode perguntar a alguém que está andando de DKW se ele é econômico? O que leva a tal pergunta? Será que o cara acha que eu tenho um DKW, ou uma Variant, porque é econômico/a? Se eu responder “sim”, ele vai vender seu Fiesta ou Corolla para comprar um DKW ou uma Variant, de modo a realinhar seu orçamento?
SÃO PAULO(repeteco?) – Pode ser que a dica já tenha sido dada no passado, mas se foi, não tem problema. O blog tem audiência rotativa, como diria aquele do rádio. Quem mandou foi o blogueiro “Du”, que não é o Cardim. Trata-se do blog do estudante mineiro de medicina Guilherme da Costa Gomes, que se chama Antigos Verde Amarelo. Tem uma infinidade de fotos de época e outras mais atuais com carros que escreveram a história do automóvel no Brasil.
Há muitas preciosidades, como essa do Silvio Santos entregando as chaves de um Gordini a um felizardo que ganhou alguma promoção há mais de 40 anos. Vale a visita.
SÃO PAULO (para relaxar) – Vejam quantos carrinhos lindos! Rural, Fusca, DKW, Gordini, Jeep Willys, Simca… A Jacqueline Della Barba foi quem mandou (e nos deve o crédito, que logo ela colocará nos comentários). Onde é, não sei. Parece que tem uma pirâmide asteca no fundo!
RIO DE JANEIRO (fantástica e fabulosa) – Olha só o que descobri… O primeiro carro que Emerson Fittipaldi guiou na vida foi uma caminhoneta DKW – que depois viria a ser chamada de Vemaguet. Ele tinha 12 anos, e portanto o evento inesquecível deve ter acontecido em 1959. Foi numa praia deserta e depois de esmerilhar a peruinha, o garoto arrebentou uma cruzeta. Levou uma dura do pai, claro.
Anos depois, arrebentou um Gordini num caminhão de leite na praça Vilaboim, em Higienópolis. “Estava chovendo e na volta anterior ele não estava lá…”, desculpou-se, como criança que acaba de confessar que fez coisa errada.
Lembranças da adolescência, num almoço que tivemos esta semana e que eu não tive tempo ainda de contar a vocês.
SÃO PAULO(já deu no saco) – Além da babaquice de obrigar locutores, comentaristas e repórteres a dizerem STR, RBR e MF1 no lugar de Toro Rosso, Red Bull e Midland (ai jisus, o que a Midland vende no Brasil?), a Globo estende suas pataquadas a outras glebas.
Hoje pela manhã vi rapidamente matéria no “Auto Esporte”, programete global que antecede o “Esporte Espetacular”. Me chamou a atenção porque apareceram um Renault Rabo Quente e um Gordini de corrida. Ambos seriam, como se diz, “testados” pelo Bruno Senna.
A brincadeira deve ter sido em Guaporé, pelo que percebi. Ou seja: convidam o rapaz para andar de Rabo Quente e Gordini. O rapaz vai a Guaporé, na casa do chapéu. Deve ter passado várias horas ali, à disposição global. E não é que apagam, por meio de computador, os patrocínios inscritos no macacão de Bruno?
Até onde vai tamanha babaquice? Nas entrevistas de jogadores e técnicos, cortam os bonés e os painéis publicitários. Aí as empresas deixam de apoiar o esporte e a Globo ataca as empresas que não apóiam o esporte.
Uma coisa é evitar fazer propaganda de graça. OK, cada um tem a política que quiser. Outra bem diferente, porém, é distorcer a realidade. A Toro Rosso não é STR (ou TRS, como disse, coitado, o Galvão). É Toro Rosso. A Red Bull é Red Bull, não RBR. A empresa que é dona da Ferrari é a Fiat. Se o locutor quer mencionar os cargos de Luca di Montezemolo e entre eles citar o de presidente da montadora que é dona da Ferrari, tem de dizer que é a Fiat.
E apagar inscrições no macacão de um piloto que teve a boa vontade de ir a Guaporé andar de Gordini é sacanagem demais. Aliás, esse negócio de retocar imagens, no caso fotos, já que falamos de outra época, Stálin fazia direitinho.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.