23/08/2009 - 12:37
SÃO PAULO (estou ficando com fome) – Ligou Gola Profonda. Não estava dando para ouvir direito, porque estava a maior festa nos boxes da Ferrari, todo mundo comemorando. “O pódio deixou vocês felizes, não?”, perguntei. “Nada, a gente está comemorando que ninguém desconfiou de nada!”.
Não entendi.
“O Schumacher! Terminou a corrida, não sentiu dor nenhuma, só um pouco da artrite, e ninguém percebeu que era ele”, continuou Gola, e comecei a me preocupar, porque a ligação foi a cobrar, e notei que iria se estender. Como, era ele? “No carro, ô tapatto!”. Aqui vale uma explicação. Um dia chamei Gola de “tapado”, ele gostou do termo e o italianou. Sempre me chama de “tapatto”, com dois Ts.
“A gente falou que era o Badoer, mas era o Schumacher. Ele não podia passar vexame, e agora posso revelar. Era ele. O Luca ficou no motorhome.” Mas como? Eu vi o Schumacher na mureta dos boxes de fone e tudo! “Você viu ele falando com alguém, ô tapatto?”, emendou Gola. De fato, não reparei. “É aquele cara aí do Brasil, que vive indo nos autódromos e finge que é o Schumacher. A gente contratou ele pra ficar na mureta. Até depilamos suas pernas.”
Então não era o Badoer? Era o Schumacher se arrastando, rodando, cruzando a linha branca na saída dos boxes, sendo ultrapassado no pit stop? “Era. A linha, ele não viu. Os óculos são novos. O negócio do Grosjean, ele combinou com o Briatore. A rodada, foi porque desmaiou. Mas depois voltou ao normal.”
Mas era ele mesmo, lento daquele jeito? Desde o início? “Claro. Agora mesmo está lá nos boxes com os novos amigos dele comemorando que chegou ao final.” Novos amigos? Quem? “Ah, a turma da faculdade.” Faculdade? “Da terceira idade. Todos lá, felizes. Mas pediram para não interromper, porque agora vão jogar dominó.”
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: Badoer, Ferrari, Gola Profonda, GP da Europa 2009, Schumacher, valencianas
12/07/2009 - 12:19

SÃO PAULO (os caras) – Agora, o resto. Os destaques da prova, Red Bull à parte, foram petit Rosberg e Massa. O filhote de Keke largou em 15º e terminou em quarto, graças a uma largada excelente (ganhou seis posições) e a um ritmo forte mesmo com seu Williams pesado, esticando muito o primeiro stint. Massa fez mais ou menos o mesmo e ainda teve o trabalho extra de brigar com Barrichello e Vettel durante boa parte da corrida. Levou um troféu para casa suado e merecidíssimo, em seu primeiro pódio no ano.
A melhor volta de Alonso também é digna de nota. Se ele tivesse feito uma boa classificação, largando entre os sete ou oito primeiros, poderia brigar um pouco mais na frente. Fez dois pontos igualmente suados, mas pouco representativos.
Kovalento fechou a zona de pontos sem brilho. Afinal, era terceiro na primeira volta, depois de ótima largada. Depois foi ficando para trás, como de hábito. Hamilton, que também largou bem, furou o pneu na primeira curva e deu adeus a qualquer chance de um resultado que pudesse anotar no currículo.
Os piores na largada foram Trulli e Piquet-pimpolho, despencando cinco posições cada. Ambos terminaram a prova sem aparecer. Um deles, Nelsinho, pode ser que nem apareça na Hungria. Saberemos por seu Twitter, que hoje ainda não foi atualizado.
Deu pena, mesmo, de Sutil. Chegou a andar em segundo, estava muito perto de fazer os primeiros pontos da Force India, mas foi burro demais na saída dos boxes ao tentar dividir uma curva com Raikkonen. Deixa passar, o cara já o tinha acertado em Mônaco um dia, não tem nada a perder… Muito, muito ingênuo.
E, fechando, boa atuação de Glock, saindo dos boxes e terminando em nono, o que não vale nada, e péssima, de novo, da dupla da BMW Sauber — que conseguiu, neste ano, fazer um carro ao mesmo tempo muito feio e muito lento.
Ah, e teve também a despedida de Bourdais. Para alegria de Kimi. Segundo meu amigo Gola Profonda, Raikkonen decidiu abandonar quando disseram a ele que o francês estava se despedindo do pessoal da Toro Rosso no pitwall. “Eu também vou lá dizer tchau pro caolho”, falou Kimi, parando o carro.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: Gola Profonda, GP da Alemanha 2009, Massa, Rosberg, tedescas
06/06/2009 - 19:40
SÃO PAULO (finito) – Gola Profonda já não é mais o mesmo. Demora para telefonar, às vezes nem liga, não sei o que está acontecendo. Mas finalmente apareceu. Porque eu estava curioso, mesmo, para saber como estava o clima na Ferrari depois da classificação de hoje. Afinal, a equipe prometia reagir, lutar pela vitória. Só que ele não falou nada sobre isso. Disse que demorou para ligar porque quebrou o pau nos boxes. E não teve nada a ver com os maus resultados de Massa e Raikkonen na classificação.
“O Bourdais esteve aqui. Rolou o maior stress.” Bourdais? “É. Chegou puto, carregando uma caixa enorme e pesada. Atirou no chão na frente do Domenicali e mandou a gente enfiar naquele lugar. ‘Enfia essa merde naquele lugar!’, foi literalmente o que ele disse.” Mas não disse o lugar?, provoquei. “Não, foi assim mesmo, ele é educado. Ou parecia ser. Porque quando jogou a caixa no chão, olhou lá para dentro, atrás das divisórias, e viu o Kimi de boné virado pra trás ao lado do Otavio, da Expedição. A gente chama ele de Otavione della Expedizione. É ele que despacha os motores para os nossos clientes. Os dois estavam escondidos rindo da cara do Bourdais.”
Eu não estava entendendo direito. Gola continuou. “Fils d’une pute!, o Bourdais começou a gritar em francês, apontando o dedo para os dois. E saiu atrás deles dizendo que quem tinha mandado aquela caixa tinha sido o Otavione della Expedizione, e que em vez de um V8 Ferrari tinham colocado dois motores de Fiat 147 de 4 cilindros, colados com araldite. Aí ele tropeçou, derrubou a divisória e caiu em cima do Kimi e do Otavione della Expedizione. Foi uma cagada federal (nota do blogueiro: no original, “cagata federale”), o Domenicali tentou separar e caiu por cima do Bourdais, que gritou ‘aí não, não vem por trás não!’, e deu uma cotovelada no chefe, aí ele perdeu os óculos, e como não enxerga nada sem óculos, quando levantou mandou um sopapo na mulher do Felipe achando que era o Kimi, aí o Felipe passou uma chinela nele e quando o Bourdais caiu, ainda sem óculos, olhou para ele e disse ‘Nelsinhô fils d’une pute!’, aí levou uma bica do Otavione, e veio o Buemi para ajudar, e o Bourdais agarrou ele achando que era o Kubica pedindo ajuda, começou a chorar e pediu para ele chamar o papa, aí alguém gritou que o papa polonês já tinha morrido, e a briga só acabou quando chegou a polícia.”
Quer dizer, perguntei, que o Bourdais acha que o Kimi tem a ver com o motor de Fiat 147 que a Ferrari mandou para a Toro Rosso porque estava mancomunado com o Otavião da Administração? “Otavione della Expedizione”, corrigiu, “o da amministrazione é o Albertone, é isso mesmo, ele acha que foi o Kimi que armou tudo e por isso que ele ficou em último, e acha também que o Kimi invadiu a frequência do rádio dele, porque quando estava voltando para os boxes disse que ouviu alguém dizendo no rádio ‘chupa, caolho de merda’.”
Uau. E agora? “Estão todos na delegacia. A gente falou com o pessoal da Toro Rosso, pediu desculpas, garantiu que não ia acontecer de novo, parcelou o pagamento, e a administração mandou um e-mail para eles mostrando o carro de onde iam tirar o motor para enviar amanhã para a corrida. Quem mandou a foto foi Albertone della Amministrazione, e mandou com cópia pra todo mundo. Vai dar merda de novo quando o Bourdais abrir os e-mails dele. Acho que o Albertone também tá fechado com o Kimi, eles não fazem outra coisa, só querem sacanear o Bourdais.”
Estão conseguindo. Gola mandou a foto. Pobre Bourdais. O cara vai enlouquecer.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: Bourdais, Gola Profonda, GP da Turquia 2009, kebabs, Kimi
05/06/2009 - 20:04
SÃO PAULO (até que enfim) - Gola Profonda demorou para mandar notícias porque passou a tarde no centro médico do autódromo com uma indigestão danada, depois de comer quatro kebabs no almoço. “Cortaram o macarrão para reduzir os gastos”, explicou. “Agora, cada um bate o rango onde der.”
Não me interessei muito pelos detalhes. Comer fora em viagem é duro, sei bem disso. Nem sempre desce redondo. Perguntei do clima na equipe. “Ótimo”, falou. “Voltamos ao normal. Kimi estava contente. Disse que lugar de Tião é no fundão. Riu pacas. Falou que se conseguir meter uma volta nos dois Tiões, para de correr no fim do ano. Está todo mundo torcendo.” Para meter a volta ou não?, perguntei. “O que você acha? Se ele parar, vem o Alonso. A gente volta a ganhar. Vitórias, troféus, títulos, pressão, imprensa. Claro que estamos torcendo pra ele não parar. Está ótimo assim. Ninguém nos enche o saco e podemos colocar a culpa nos difusores.” Mas vocês também têm difusores, argumentei. “Nem vem. Não estraga a nossa desculpa.”
OK. E o resto? “Então, o Felipe andou reclamando do carro. Quer um novo.” E vocês? ”Embarcamos outro chassi hoje. Chega amanhã. Vai usar na classificação. Me mandaram uma foto, passei pra você.”
Recebi. É essa aí. Acho que vai ter problema na vistoria. Me parece meio leve. Mas quem sabe com o KERS…
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: Gola Profonda, GP da Turquia 2009, kebabs
24/05/2009 - 16:50

SÃO PAULO (e olhe lá) – O desempenho de Kimi e Massa em Mônaco trouxe enorme melancolia à Ferrari, foi o que me contou Gola Profonda, em telefonema desanimado agora há pouco já da fronteira com a Itália, em Ventimiglia, bebericando um Segafredo curtíssimo num café que fica logo na entrada da cidade.
“Não tinha ninguém da imprensa no nosso motorhome depois da corrida”, disse o Gola. “E olha que o Luca pediu para a gente arrumar as mesas e colocar umas garrafas de tubaína para os jornalistas. Até os copinhos eram da Nadir Figueiredo. Tinha coxinha de catupiri e brigadeiro. Tudo coisinha simples, caseira. Nada de champanhe. Para a gente mostrar que está na luta para reduzir os custos. Mas só veio um repórter finlandês, e ele queria vodca. Foi embora quando falei que só tinha tubaína. Ele disse que não ia beber qualquer coisa.”

Perguntei por quê, já que deu pódio, troféu e tudo mais, não era para ser um dia de festa, imprensa italiana, brasileira, todo mundo trocando abraços e apertos de mão? Tudo bem, entendo, um terceiro lugar não é nada disso, mas depois daquele começo de temporada está de ótimo tamanho, não? Ao menos o Raikkonen, não estava feliz?
“Estava puto. Porque o Bourdais pontuou. A gente não falou no rádio, porque senão ele não ia buscar nem o troféu. Foi lá, ficou olhando as pernocas da filha da princesa, esvaziou a garrafa e quando chegou nos boxes é que lembrou do Bourdais. E o vesgo?, perguntou. Quando contamos que chegou em oitavo, jogou a taça na parede e chutou o bico do carro. Mas era o carro do Felipe. Aí o Felipe deu um bico no carro dele, também. E ficou tudo por isso mesmo.”

Mas, afinal, por que essa obsessão com o Bourdais?, perguntei. “Acho que tem a ver com o motor. O Kimi tem certeza que a fábrica dá um motor melhor para o Bourdais do que para ele por causa dos óculos.” Dos óculos? “É, tem um cara no departamento de motores que usa uns óculos muito grossos, e um dia o Kimi passou por lá e perguntou como é que um quatro-olhos daquele podia montar motores de F-1, e o cara ficou doido e chamou ele de bebum e foi uma bruta confusão, e o cara jurou que não ia ficar assim, e desde então o Kimi tem essa implicância com o Bourdais.” Entendi, finalmente.
Bom, mas e a equipe, não ficou animada com com a reação, o carro não voltou a ser competitivo, a brigar na frente? “Nada, o Felipe estava muito irritado o fim de semana todo ainda por causa da Espanha, descobriram que ele tinha gasolina no tanque no final, que não precisava economizar nada, que perdeu duas posições à toa, e exigiu mudanças para a Turquia, ele quer ganhar de qualquer jeito, porque só ele ganha lá e tal.”
E quais mudanças?, perguntei. “Maior autonomia, um tanque maior para não correr riscos, ele não confia mais nos caras que calculam o consumo e a quantidade de combustível, e vai ter um chassi novo, um pacote aerodinâmico bem diferente. Já tenho foto. Vou desligar e te mandar pelo celular.”
Já chegou.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: Ferrari, Gola Profonda, GP de Mônaco 2009, Massa, Raikkonen
23/05/2009 - 12:36
SÃO PAULO (vai sumir, com certeza) – Gola Profonda não telefonou hoje. Mandou um e-mail com uma foto. Demorou para dar sinal de vida porque parece que saiu do treino e foi até Saint-Tropez com alguns amigos. Giuseppe Varagrande, seu grande colega na equipe, é que foi dirigindo a van. Escreveu de uma lan-house à beira-mar. “Ninguém sabe o que está acontecendo. Kimi estava possesso quando chegou aos boxes. Perguntava do Buemi e do Bourdais. Dizia que não admitia ficar tão longe deles. Que a equipe vai acabar. Que o melhor é mesmo deixar a F-1. Que é a favor do teto. Que é a favor dos dois regulamentos. Que não quer mais correr. Que a vida perdeu a graça. Que gostaria que a lancha do Luca afundasse. Que vai jogar o carro dentro da igrejinha na primeira curva para ser enterrado junto com a santa. Ele estava meio alterado. Pediu para usar o bico furado do carro do Felipe. Não se conforma com a posição de largada. Depois que começou a encher a cara, eu saí. O-d-e-i-o homem bêbado.
“Aquele meu amigo da Inglaterra, Ronaldo Denysson, estava de folga aqui perto, mandou um torpedo e fomos encontrá-lo, eu, Giuseppe e um outro amigo alemão, um bem loiro e forte, Sprache Lange, que trabalha na BMW. No estacionamento onde a gente foi pegar a van, aquele que fica debaixo do morro de pedra, Lan (eu chamo ele assim) me mostrou o carro que o Kubica, aquele feioso, vai usar amanhã. Pediu para eu não contar a ninguém, mas pra você eu conto tudo, né?”
Ih, sai fora, Gola.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Sem categoria
Tags: BMW Sauber, Gola Profonda, GP de Mônaco 2009, monegascas
21/05/2009 - 13:12
SÃO PAULO (isso vai dar problema) - Bem, receio não poder mais segurar a informação. Acho que Gola Profonda vai ter estremecida a amizade com seu colega de McLaren, mas paciência. Eles se falam muito. O nome do cara é Ronaldo Denysson e nasceu no Maranhão. Parece que foi parar na Europa uns dez anos atrás, para tentar a vida como jogador de futebol. Chegou a ser contratado por um time da terceira divisão na Inglaterra, mas uma contusão no púbis (história meio nebulosa, parece que andou saindo com a mulher do técnico e o cara deu no púbis dele com um taco de críquete, e nunca mais se recuperou) encerrou prematuramente sua carreira.
Aí conseguiu um emprego naquela fábrica que parece um disco-voador em Woking, primeiro na limpeza, depois no almoxarifado, até ser promovido a garçom da diretoria, para servir chá, café e biscoitos aos diretores da empresa. Na semana retrasada, o colega paquistanês que fazia a mesma coisa no departamento de engenharia e projetos secretos faltou e Denysson cumpriu jornada dupla, levando café e chá ora à diretoria, ora à engenharia, onde nunca tinha entrado antes.
Na hora do almoço, todos os engenheiros saíram para o refeitório e ele ficou até sair o último deles, olhando admirado sua elegância e postura, para só então recolher as xícaras e os saquinhos de chá, quando deparou-se com um envelope onde estava escrito “Top secret – illegal tests for Monaco GP – fuck you Max, shoop Ferrari!”, e o envelope estava meio aberto, ele puxou as fotos por curiosidade e… bingo! Eis aí a explicação para o desempenho de Hamilton e Kovalento em Monte Carlo.
Não está muito claro como Denysson conheceu Gola Profonda, ele não me contou, o Gola. Quer dizer, contou, mas não entrou em detalhes, e eu também não pedi, falou apenas que se encontraram num evento de verão em Mikonos, não sei bem que tipo de evento, algo “liberal e libertador, alegre e colorido”, em suas palavras, e identificaram-se imediatamente, e quando Gola soube que ele trabalhava na McLaren, nasceu uma amizade muito intensa, forte mesmo. Por isso Denysson manda a ele fotos todas as semanas, fotos de todos os tipos, inclusive de carros, sabendo que Gola se interessa muito por carros, também.
Bom, para mim está muito claro que a McLaren andou testando em algum lugar ermo uma configuração específica para Mônaco, o que se configura numa grave denúncia, mais uma. As fotos serão encaminhadas à FIA. Gola me contou que o zunzunzum no paddock de Mônaco é muito intenso e que o motorista do caminhão da Ferrari, Giuseppe Varagrande, de quem é amicíssimo, anda desconfiado de que ele, Gola, tem outros amigos em outras equipes, e por isso ele, Gola, vai dar um tempo neste fim de semana.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: Gola Profonda, GP de Mônaco 2009, McLaren, monegascas
19/05/2009 - 15:28
SÃO PAULO (esse cara ainda vai se dar mal) – Gola Profonda voltou a fazer contato. Pelo jeito, não soube ainda que acabei revelando aqui os últimos segredos da Ferrari. Felizmente este blog não tem muita leitura na Itália. Eu achava que ele iria sumir depois das minhas indiscrições durante o GP da Espanha.
Gola está indo para Mônaco via terrestre (não adianta querer adivinhar quem é; muitos ferraristas vão a Monte Carlo de carro, ônibus, caminhão ou trem, porque é pertinho) e me mandou esta imagem com rápidas informações de um computador público num posto de gasolina Agip.
Reproduzo:
“Já esquecemos Mônaco. Vamos só cumprir tabela. Depois que Felipe conseguiu um tempo melhor com seu carro de rua num programa de TV do que o que obtivemos em nossos simuladores, desistimos dessa corrida. E ele ainda estava levando um gorducho de carona, com uma câmera enorme. Pode ser que a gente nem largue. Estamos negociando com uma equipe, não posso dizer qual é, para trocar os carros. Enquanto isso, um alto funcionário da fábrica procura no eBay uma Benetton de 1996 ou uma Williams de 1997 para vender. É só jogar uma tinta, ninguém vai perceber. Mas há um certo otimismo na equipe para Monza. O protótipo do novo carro já está pronto. Ainda não andou, mas nossos simuladores indicam que fará ótimos tempos quando a gente correr em casa. Fotografei hoje quando saía da fábrica. Dizem que a ideia desse carro já foi desenvolvida a partir dos dois regulamentos do ano que vem. A imagem é do meu celular, por isso a qualidade não é grande coisa. Estamos vendo ainda onde vamos colocar o KERS. O Kimi gostou e perguntou se pode levar alguém junto. Felipe reclamou da pintura, disse que o tom do vermelho está meio apagado. Voltamos a nos falar quando eu chegar a Mônaco.”
Me parece que as soluções aerodinâmicas são um tanto quanto radicais, mas no atual estágio da Ferrari, acho que qualquer tentativa vale a pena.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: Ferrari, Gola Profonda
10/05/2009 - 12:33
SÃO PAULO (another day in the office) – Desculpem a demora. É que como venho recebendo alguns telefonemas ameaçadores, sempre em italiano, resolvi gravar todas as ligações que vêm do exterior. Cautela e caldo de galinha, sabem como é… Querem que eu revele a identidade secreta de Gola Profonda, parece que já descobriram que informações sigilosas e confidenciais estão saindo de dentro da equipe. Mas não posso. Preciso preservar minhas fontes, mesmo se elas passem a impressão de ser meio amalucadas, como é o caso de Gola. Acabei de falar com ele. A transcrição é que demorou um pouco. Vai já traduzido, porque Profonda, vocês devem imaginar, não é brasileiro.
- Gomes?
- Onde você está?
- Na catedral do Gaudí. Preciso te contar umas coisas.
- Você sempre precisa contar umas coisas, Gola. Desembucha. E fala rápido, estão me pressionando para que eu conte quem você é. Só não contei ainda porque não sei.
- Ótimo. Vamos continuar assim. Quer que eu comece por onde?
- Raikkonen.
- Raikkonen. Estava felicíssimo. Desde a primeira volta. Quando o Bourdais e o Buemi bateram, ele começou a falar “chupa, palhaços” no rádio. Dois a menos, disse. Perguntou se o vesgo tinha morrido. Cortamos o rádio com medo de punição da FIA. Cada vez que ele passava pela reta dos boxes, dava uma banana para todos nós. Aí ligamos o rádio e o chamamos para um pit stop.
- E ele?
- Parou no meio da pista. Desligou o carro e parou.
- Como assim? Sem mais nem menos?
- Começou a rir e disse que não tinha pneus para colocar, por isso não ia adiantar fazer pit stop algum. Fomos ver atrás dos boxes. Não tinha mesmo. E ele continuou gargalhando. Disse que ontem tínhamos deixado ele nos boxes para economizar um jogo de pneus, agora foda-se. “Cadê os pneus?”, perguntou o engenheiro, desesperado. “Vendi”, disse o Kimi. “Já que não usei, vendi para um cara na estrada.” Estão reunidos agora. Querem saber por quanto ele vendeu e quem vai ficar com a grana.
- E agora?
- Agora, não sei. Eram macios, valem mais. Também quero minha parte.
- Não, agora o que vai acontecer? Vão mandar ele embora?
- Não, só estamos vendo mesmo quanto vai dar para cada um.
- OK, e o Felipe?
- Felicíssimo.
- Felicíssimo? Pô, acabou a gasolina!
- Pois é. Mas quase deu. Foi a primeira corrida que fizemos com o motor flex. Por isso que deu errado. Ainda estamos calculando o consumo com álcool. Vocês ouviram o rádio?
- Ouvimos. Uma hora ele perguntou “what can I do?”.
- E a resposta foi para o ar?
- Não.
- É. O erro foi dele. Por isso não colocaram no ar, para não queimar o filme do coitado. É que quando ele perguntou, a gente mandou passar para o gás. E ele não passou. Por isso acabou o combustível. Mas tenho novidades para você.
- Quais?
- Mandei no seu e-mail duas fotos que me mandaram da fábrica ontem. Uma é do carro novo do Felipe para Mônaco. Mais econômico, perfeito para andar na rua. A outra é do pacote para o Kimi usar na próxima corrida. Mas não publique, senão vão saber que fui eu quem mandou.
- Vou publicar.
- Se você publicar, eu desapareço.
- Lamento, vou publicar.
E Gola desligou. É minha obrigação publicar, tenho leitores, não posso omitir informações. Aí estão as fotos. O vermelhinho é o carro do Felipe. O outro, o que será usado pelo Raikkonen. Parece que é o Badoer que está testando, na foto, mas não tenho certeza. O número 4 não deixa muita margem a dúvidas, porém. É com esse que o Kimi vai agora. Espero que Gola reconsidere e volte a fazer contato. Mas pode ser que, depois dessa, ele suma de vez.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: barcelonetas, Ferrari, Gola Profonda, GP da Espanha 2009, Massa, Raikkonen
09/05/2009 - 12:16
SÃO PAULO (entendi) – Gola Profonda ligou. Na verdade, era ele bem cedinho, depois da dobradinha da Ferrari no último treino livre. Não atendi. O telefone estava lá embaixo, tive preguiça de descer. “Uma pena, você perdeu o champanhe”, me disse. Como, perdi? Não se bebe champanhe pelo telefone, argumentei. Mas teve champanhe? Por resultado de treino livre? “A esta altura, amigo, a gente comemora até troca de pneu mais rápida em intervalo de treino. Quinta-feira, quando estávamos levando os carros para a vistoria, empurrando pelo pit-lane, nossos mecas ultrapassaram um carro da Brawn. Até o Luca ligou para dar os parabéns”, contou. Luca, o presidente?, perguntei. “Ele mesmo”, disse Gola.
Bom, e aí? Dobradinha em treino livre, quer dizer que deu tudo certo? A Ferrari voltou? Ganha amanhã? “Calma, calma”, falou o Gola. “Preciso te contar algumas coisas…”. E desandou a falar.
“Aquele vídeo de ontem no YouTube pegou muito mal. Hoje de manhã, quando chegamos ao autódromo, o engenheiro do Kimi veio falar comigo. Pediu para tirar o KERS do carro dele e colocar no do Felipe. Foi isso que aconteceu. Felipe andou com dois KERS. Por isso foi tão bem. Quando o Kimi foi para a pista, percebeu que estava sem KERS. Perguntou pelo rádio o que estava acontecendo. Três vezes. Aí o engenheiro respondeu: não precisa me perguntar a cada volta, a cada curva. Eu estou vendo que você está sem KERS, as luzes mostram. Aí ele cortava o rádio e cagava de rir. Então o Kimi voltou para os boxes. E perguntou onde estava o engenheiro. Queria encher ele de porrada. Aí entro eu de novo. Fiz um negócio no cinto de segurança dele, de manhã. Só abria com timer, depois do Q1. Ele ficou preso no carro. Quando abriu, o engenheiro já estava nas Ramblas. Mesmo assim, o Kimi ficou feliz. Em que posição está o Bourdais, aquele francês míope com cara de Kafka?, perguntou. Dissemos a ele que ficou em 17º. Atrás de mim ou na minha frente? Atrás, respondemos. Então Kimi abriu um sorriso e disse ‘chupa, comedor de crêpe au Grand Marnier’. Mas o Buemi está na frente, dissemos, uma na frente e outro atrás, e Kimi abriu outro sorriso: três Ferraris juntinhas, isso é que é equipe.”
E o Felipe?, perguntei. “Preocupadíssimo.” Silêncio. “O carro melhorou. E ele vinha dizendo que o campeonato tinha acabado, que só no ano que vem, que estava tudo perdido, que as outras equipes estavam melhorando também. Tanto que quando entrou nos boxes, nosso projetista entrou no rádio sem permissão e disse ‘chupa, palhaço’, e eles bateram boca, o Felipe falou que ele não projeta nem carrinho de rolimã, que fez esse carro copiando desenhos de crianças do pré-primário, que está com saudades do Ross Brawn e do Rory Byrne e do Jean Todt, aí entrou o Domenicali no rádio, o cara da cozinha, a moça da faxina, virou um puta bate-boca, e a gente escutando tudo, e foi quando o Schumacher mandou todo mundo calar a boca e acabou com aquela discussão. Felipe, ele disse, você está atrás do Rubinho. Ficou aquele puta silêncio no rádio, todo mundo parou de falar e, neste exato momento, estão todos muito deprimidos. Menos o Kimi, que ficou na frente do Bourdais e fica falando ‘chupa francês de mèrde’ o tempo todo.”
É uma equipe meio atrapalhada, a Ferrari. Mas melhorou, sem dúvida.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
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09/05/2009 - 10:43

SÃO PAULO (preparando a pizza) – Não sei o que acha a Hortência, mas estrela, mesmo, quem carrega neste ano é Jenson Button. Talvez não na bunda, como apostaria nossa rainha basqueteira, mas certamente no pé direito. Estrela e talento, diga-se. Foi absolutamente linda a pole que o inglês fez agora há pouco em Barcelona, a terceira dele neste ano — três em cinco provas, desempenho de piloto de ponta, favorito à vitória em toda corrida, forte candidato ao título. Arrancou a posição de honra no último suspiro do cronômetro, quase não conseguindo abrir sua última volta. Pelo rádio, o engenheiro que quase errou no cálculo teve orgasmos via satélite.
Jenson tem um estilo muito polido de dirigir. Sempre gostou de carros neutros, desde os tempos de Williams, e finalmente tem um nas mãos. O Brawn GP é muito “amigável”. Combina com o piloto. Daí os resultados aparecerem em sequência e com tanta naturalidade. Seu tempo, 1min20s527, superou o de Sebastião Vettel por 0s133 e o de Rubens “A Estrela é Minha e Coloco Onde Quiser” Barrichello por 0s235.
Ambos, nos instantes finais do Q3, chegaram a comemorar a pole. Mas havia um Button no meio do caminho, como diria o poeta.
Jenson e Vettel na primeira fila. São os dois que vão lutar pelo título neste ano. A chance de o alemão assumir a vice-liderança do campeonato amanhã, onde deveria estar se não fosse a cagada da Austrália, é muito grande. Tião-alemão, falando nele, vem trucidando Marcos Webber. O australiano está perdendo a pose. Larga em quinto e o bico é cada vez maior diante da — de novo — estrela do jovem parceiro.
Ops, daqui a pouco eu volto. Está tocando o telefone, pode ser Gola Profonda.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: barcelonetas, Button, Gola Profonda, GP da Espanha 2009, Vettel
08/05/2009 - 13:09
SÃO PAULO (tudo explicado) – Acabo de desligar o celular. Gola Profonda telefonou de fora do autódromo. De um “orellón”, como disse. “Não seria ‘orejón’?”, perguntei. “Não, na Catalunha é ‘orellón’ mesmo, com dois L e acento no ‘o’”, respondeu. Falou que lá dentro está tudo grampeado. Por isso não quis correr riscos. Se a Ferrari souber que ele anda passando o serviço, perde o emprego. E olha que sua função é importante. Não sei direito o que faz, mas um dia me garantiu que, sem ele, carro nenhum sai do box. Desconfio que ele tenha a chave da porta do box. Às vezes acho suas informações meio fantasiosas, mas enfim…
Bem, que pasa?, perguntei. Vocês não levaram um pacote aerodinâmico, difusores duplos, motorhome novo, asas lindas e faceiras, carenagens exuberantes e tudo mais? Não era para começar a reação?
E começamos, ora! O clima era de muita alegria nos boxes, me garantiu Gola. Kimi estava feliz. Saiu do carro perguntando do Bourdais. Onde ficou o Bourdais, onde ficou o Bourdais?, ele repetia, e quando contaram que ficou uma posição atrás, nos tempos somados, abraçou seu engenheiro e gritou “chupa, palhaço francês quatro-olhos!”, para ouvir de volta “é isso aí, chupa, vesgo de merda!” e “toma, comedor de baguete!” de seus mecânicos.
Kimi ficou em 12º. Bourdais, 13º. Mas o Buemi ficou na frente, argumentei. “O Kimi está cagando para o Buemi. Acha o Buemi muito feio, diz que não come ninguém. É que nem o Kubica”, informou Gola. Perguntei se neste momento não seria o caso de Raikonen se preocupar não com a feiura do Buemi, nem com os óculos do Bourdais, mas sim com o desempenho do seu carro, que mesmo todo renovado e remodelado e redesenhado voltou a andar atrás. “Claro que sim. Mas nossa briga é com o Sutil e com o Fisichella, e por isso estamos aliviados. Andamos na frente dos dois hoje.” É verdade.
E o Felipe?, perguntei. “Satisfeitíssimo!”, respondeu de bate-pronto o Gola. Mas ficou em antepenúltimo nos tempos somados!, espantei-me. Gola nem esperou que eu continuasse. “Pode parar, vocês só veem o lado negativo. Felipe vai ser pai. Ainda não anunciou no Faustão, nem no Luciano Huck, nem no ‘Bem, Amigos’, mas vai ser pai. A Ferrari compreendeu este momento. Deu a ele um automóvel muito seguro. Um pouco mais lento, é verdade, mas a hora é de cuidar da prole que vem por aí. A mulher de Felipe não pode passar por nenhum susto. Ela tem de ver o marido pela TV guiando com tranquilidade e sem correr riscos. Só assim a criança vai nascer sem sobressaltos. O parâmetro para o acerto do carro foram as voltas do medical-car quinta-feira. Felipe ficou muito feliz ao saber que virou tempos semelhantes. Afinal, é uma Mercedes. Disse que estamos no caminho certo.”
Bem, se é assim, se estão todos alegres e com a sensação do dever cumprido, acho que não temos muito mais para conversar, disse a Gola, percebendo que o tempo da ligação já passava do razoável, telefonema internacional ainda é caro. Aliás, só me ligue amanhã se tiver algo bombástico para contar, porque essa felicidade contagiante não me serve, acrescentei. “Eu tenho, sim, uma notícia que vai abalar as estruturas”, respondeu Gola, depois de alguns instantes de silêncio. Também fiquei em silêncio do outro lado da linha, esperando o que viria. “Estamos pensando em impugnar o campeonato.” Continuei em silêncio. “Tem a ver com o Rubinho. Ele tinha jurado, quando saiu daqui, que nunca mais assinaria um contrato parecido. Temos provas, foi publicado nos jornais. E assinou. Isso não pode, é sacanagem. Já estamos atrás dos nossos advogados e…” nessa hora achei que Gola Profonda estava dando uma de Hortência e desliguei.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: barcelonetas, Ferrari, Gola Profonda, GP da Espanha 2009
08/05/2009 - 12:20
SÃO PAULO (folga, jura?) – Bom, pelo menos no primeiro dia, os pacotes de BMW Sauber, Ferrari e McLaren poderiam ser devolvidos aos remetentes. Eu não esperava outra coisa. Nada funcionou em Barcelona. Melhor: pode ser até que funcionem, mas o tempo é curto, treino virou teste, e essa é a maior dificuldade desta F-1 2009 para quem começou mal: a tendência é continuar mal, e os pilotos vão desanimando, os engenheiros também…
Enfim, cada um com seus problemas, não é mesmo?
Os leões de treino da Williams fizeram seu papel, com Rosberguinho em primeiro e Nakajima-san em segundo. O tempo de Nico: 1min21s588. Nada mau. Nos tempos acumulados, Alonsito, que sempre anda bem em casa, cravou a terceira melhor volta do dia. Em quarto e quinto, Button e Barrichello. Em sexto e sétimo, os bois alados Webber e Vettel.
Tudo normal, pois. Piquet-pimpolho até que andou bem, quando se olha apenas para o cronômetro. Terminou em décimo e esteve no alto nas duas sessões. Mas deu duas rodadas no treino da tarde que motivaram sinais de reprovação do pit-wall — estou falando de Briatore. O menino precisa tomar mais cuidado. Está todo mundo de olho nele. Piquet-pai estava no autódromo. Está seguindo o filho de perto, neste ano.
A McLaren fechou o dia lá atrás, com Hamilton em 16º. E a Ferrari… Bom, da Ferrari falo daqui a pouco, porque está tocando o telefone. Acho que é Gola Profonda.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: barcelonetas, Gola Profonda, GP da Espanha 2009
27/04/2009 - 16:23
SÃO PAULO (isso vai dar rolo) – Todos sabem que os testes estão proibidos nesta temporada, mas tem gente querendo burlar as regras. Acabo de receber de meu informante em Maranello, Gola Profonda, foto tirada hoje perto da fábrica, a caminho de Fiorano.
A qualidade não é grande coisa, porque a foto foi obtida com um celular, e em movimento. Mas por mais que os caras tenham tentado disfarçar, colocando até uma placa brasileira (o Massa deve ter arrumado para eles), está na cara que é uma F60 prontinha para testar o novo difusor que será usado em Barcelona.
Já encaminhei o arquivo, anonimamente, a Charlie Whiting.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: difusor, Ferrari F60, Gola Profonda
26/04/2009 - 12:10
SÃO PAULO (entendido) – Só agora recebi um telefonema a cobrar da Itália. Era Gola Profonda. “O presidente está lá e estou ligando do gabinete dele, por isso a cobrar”, explicou. Faz sentido, poderia aparecer na conta uma ligação para o Brasil e alguém teria de responder por isso.
O que aconteceu?, perguntei, e a resposta veio de bate-pronto. “Foi o seguro.” Gola, muito falante, e por isso vou resumir, contou que a apólice do carro de Massa é muito ruim, a Ferrari fez com uma seguradora daquelas baratas, que jogam a franquia lá em cima para compensar e, pior, não tem assistência 24 horas. O serviço de guincho é terceirizado e a firma que faz vistoria, idem.
Aí Felipe foi tocado pela roda traseira de Raikkonen na largada, e começaram os problemas. Até que o menino das vistoria chegou rápido, porque na hora telefonaram para ele, e é motoboy, sabe como é. Quando Massa parou nos boxes, já estava pronto com o formulário nas mãos. “Mas não queria fazer a vistoria se o outro carro não estivesse lá também, para configurar o sinistro”, relatou Gola. “E ficou perguntando quem bateu atrás, porque quem bateu atrás é sempre o culpado.”
Nessa hora, parece que Domenicali teve um chilique e precisou ser tirado do local pelos seguranças. Luca, o presidente, assumiu o comando da operação e disse ao rapaz da vistoria que os dois carros eram dele, Luca, e que não se importaria em pagar duas franquias, desde que ele queimasse a vistoria do outro carro. O menino disse que precisava falar com seu chefe, mas o nextel não funcionava naquele fim de mundo e Luca, o presidente, emprestou seu celular para ele.
Isso tudo, certamente, atrasou o pit stop de Felipe, que aguardava dentro do carro tentando, do seu próprio celular, falar com o SAC da Acer, porque queria conectar-se à internet com seu lap top para saber como estava a corrida, mas recebia mensagem de erro.
Quando o rapaz da vistoria finalmente liberou o carro sinistrado (mas pediu para que a equipe guardasse a asa quebrada e tirasse uma foto do outro carro envolvido na batida), Felipe já estava um pouco atrás na prova. Na 36ª volta, levou um passão do líder Button, o que motivou um olhar 43 de Luca, o presidente, para Domenicali, já de volta ao pit-wall depois de medicado com calmantes. Domenicali não gostou do olhar 43 e parece que ergueu a voz com Luca, o presidente, “tá olhando o quê?, e daí?, ele vai parar no box ainda e o Felipe recupera essa volta”, e de fato Button parou logo depois, mas pelo que vi na classificação final da corrida, o brasileiro acabou mesmo uma volta atrás.
Raikkonen, no entanto, foi muito bem e terminou em sexto, marcando os três primeiros pontos da equipe no ano. Como foi a reação dele, ficou contente, aliviado?, perguntei a Gola. “Ele saiu do carro, olhou para o Fisichella e o Sutil, cerrou os punhos e falou: chupa, palhaços!”, e perguntei se foi assim mesmo, se ele não teria dito “chupem, palhaços”, mas não, ele é meio maloqueiro mesmo, porque depois ainda passou na Toro Rosso, cerrou os punhos de novo e disse “chupa, palhaços!” para o Bourdais e para o Buemi. E quando chegou aos boxes da Ferrari, olhou para o Massa e disse “chupa, palhaço!”, e depois para Luca, o presidente, e falou “chupa, palhaço!”, e saiu dizendo “chupa, palhaço!” para todo mundo que encontrou até pegar um carro e ir embora para o hotel, ainda de macacão.
O Kimi estava meio alterado, segundo Gola Profonda. Mas tudo há de melhorar em Barcelona.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: barenitas, Ferrari, Gola Profonda, GP do Bahrein 2009, Massa, Raikkonen
25/04/2009 - 10:04
SÃO PAULO (quero correr!) – É bom que se diga que Ferrari e McLaren, aos poucos e aos trancos, vão dando sinal de que ainda vivem. Massa foi segundo no treino livre da manhã e conseguiu passar ao Q3, na classificação. Para a atual fase do time, é uma proeza. Raikkonen também levou o carro à frente e, assim, ambos classificaram-se entre os dez primeiros do grid, Felipe em oitavo, Kimi em décimo.
Minha fonte em Maranello, porém, continua despejando toneladas de informações na minha caixa-postal. Acho que há uma conspiração em andamento, não é possível alguém vazar tanta coisa sabendo que vou publicar. Enfim, não é problema meu. O que me contaram hoje foi que Raikkonen reclamou do ar-condicionado, instalado em seu carro no lugar do KERS. “Ele desligou no Q2, e por isso ficou em quarto”, me contou a fonte, que pediu para ser chamado de Gola Profonda. “Mas no Q3 recusou-se a sair com o ar desligado, e acabou ficando em décimo.”
É fato, ar-condicionado rouba potência de qualquer motor. Sei disso porque eu tive um Ka, em 1997, por duas semanas (devolvi à Ford). O motorzinho era 1.0 e quando ligava o ar, não passava nem em lombada.
Felipe não teve o mesmo equipamento disponível, revelou-me Gola Profonda. A Ferrari pediu para ele optar: ou ar-condicionado no carro, ou festinha de aniversário com balões, línguas-de-sogra, brigadeiros, cajuzinhos e tubaína nos boxes, depois do treino. “Ele ficou com os brigadeiros e com a tubaína”, contou Gola. “Só que a tubaína estava quente e tiveram de pedir gelo para o pessoal da McLaren, que mandou um saco de gelo seco, e deu a maior merda.”
Sobre a McLaren, louve-se a boa classificação de Hamilton, quinto no grid. E vaias para Kovalainen, que ficou no Q2 e larga em 11º. Daqui a pouco eu volto de novo para falar do resto do resto.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: barenitas, Ferrari, Gola Profonda, GP do Bahrein 2009, Massa, Raikkonen
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