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15/08/2008 - 14:55

ALI DO LADO

TIANJIN (coadjuvante) – Tudo tem impressionado muito nos Jogos de Pequim. As instalações, por exemplo. Impecáveis. Monumentais. De se morder de inveja. A organização, apesar do ar-condicionado muito frio nos jogos de vôlei e de uma ou outra escorregada, é ótima, eficaz, inteligente. Tudo corre bem, o que é incrível em se tratando de um país gigantesco que, até 30 anos atrás, era fechado para o mundo. E é mais incrível ainda porque estamos falando de um país no qual é praticamente impossível a comunicação entre seres humanos por causa da barreira da língua.

Fiz toda essa introdução apenas para contar que fiquei espantado com o que vi em Tianjin, cidade a 120 km de Pequim que é uma espécie de sub-sede dos Jogos. O Estádio Olímpico da cidade é usado para alguns jogos de futebol.

Na verdade, o estádio faz parte de um complexo esportivo que poderia, quase sozinho, abrigar outra Olimpíada. Isso em Tianjin, que só está quebrando o galho para o futebol. A cidade, que eu não tinha a menor idéia de como seria, é uma metrópole de 10 milhões de habitantes. De avenidas largas, enormes conjuntos de prédios residenciais e arranha-céus de arquitetura arrojada, como em Pequim e Xangai.

Tianjin é chamada de “Diamante do Golfo de Bohai”. Uma porta de entrada pelo mar para Pequim e um dos maiores centros industriais do país. O estádio tem capacidade para 50.696 pessoas. Hoje, havia 26.174 nas suas cadeiras para ver Brasil e Noruega no futebol feminino. E muita segurança. Mais do que vi em qualquer outro lugar. Confiscaram até meu tubinho de chicletes. Na saída, dezenas de caminhões do exército passaram por nosso carro, todos eles cheios de soldados.

Havia poucos torcedores brasileiros vendo o jogo. E poucos noruegueses, também. Como em todas as partidas de futebol, os chineses se manifestam em função da beleza ou gravidade de um lance. E obedecem às ordens dos placares eletrônicos, que continuam pedindo a “Mexican wave”. No intervalo e no fim da partida, os locutores informam, em três línguas, o resultado. Assim mesmo: “Senhoras e senhores, o jogo está no intervalo e está 1 a 0 para o Brasil”. No final: “Senhoras e senhores, o jogo terminou e foi 2 a 1 para o Brasil”.

Para ninguém voltar para casa com dúvidas.

Bem, as meninas brasileiras passaram à semifinal e agora pegam as alemãs, que continuam sem levar gol nos Jogos. A outra semifinal será entre Japão e EUA. É possível que a final de Atenas, entre brasileiras e americanas, se repita. Quatro anos atrás, o Brasil perdeu.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: ,
12/08/2008 - 07:12

MEXICAN WAVE?

PEQUIM (fácil) – Intervalo de jogo aqui no Estádio do PT, também conhecido como Workers Stadium. Belo estádio, construído em 1959 como parte dos festejos de dez anos da fundação da República Popular da China, era o maior da cidade até erguerem o Ninho. Tem capacidade para 60 mil pessoas sentadinhas da silva, e se você quiser saber mais, clique aqui que tem tudo, menos eu na foto, como aí do lado.

O Brasil está ganhando da Nigéria, 3 a 1. Futebol feminino, que é um jogo meio feio de ver porque as mulheres não sabem jogar bola direito, sejamos francos. Tropeçam, dão trombadas, são meio desajeitadas e relutam em matar no peito.

Mas uma coisa é preciso dizer: se esforçam e correm mais do que qualquer marmanjo, tem muito vagabundo em time grande que precisa ver jogo de futebol feminino para entender o que é empenho e dedicação. Elas também sofrem para praticar o esporte, que não tem estrutura alguma no Brasil. A CBF vive prometendo que vai fazer alguma coisa, mas não faz picas.

E é preciso que se diga, sim, que algumas batem uma bola mais redondinha, como a Marta e, hoje, a Cristiane, que fez os três gols do Brasil e um deles foi lindo, de bicicleta. Cristiane que, segundo a ficha que me entregaram, tem 23 anos e joga no Linkopings da Suécia, a terra do meu SAAB. Se eu morasse na Suécia, teria um monte de SAABs.

Putz, no fim quase esqueci o que queria contar. É que o placar eletrônico, no meio do primeiro tempo, mandou a mensagem: “Let’s do the Mexican wave!”, o que pode ser livremente traduzido como “vamos fazer a ola, putada!”, e a chinesada toda mandou bem na ola, um pouco descoordenada, mas não ficou feia, não.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: ,
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