SÃO PAULO(blergh) – Reunião em Nürburgring entre FIA e FOTA para discutir regulamento de 2010. FIA diz que FOTA não tem direito a voto porque seus times ainda não estão 100% inscritos no Mundial. FOTA se retira da reunião.
Vão gostar assim de briga no inferno. Encheu o saco.
SÃO PAULO(algo de podre) – Lembram, anos atrás, da licitação cujo resultado foi revelado pelo jornalista Janio de Freitas com um anúncio cifrado na “Folha”? Pois algo parecido está acontecendo na F-1. Só que a peça acusatória é um suposto e-mail de Alan Donnelly, braço-direito de Max Mosley, a uma autoridade saudita. Donnelly, duas semanas antes do anúncio das três novas equipes da F-1, esteve na Arábia Saudita negociando cotas de investimento na Manor, a surpresa da lista tríplice. A denúncia é do “The Guardian”, e a história toda está aqui, no blog Victal.
Está cheirando mal. A ponto de a FOTA estar a ponto de pedir formalmente que o processo de escolha das três novas equipes seja revisto.
SÃO PAULO (sinto frio) – A coluna Warm Up da semana está aqui. Fala sobre as três cartas que Max Mosley escreveu ontem e hoje, uma para Luca di Montezemolo, outra para o Conselho Mundial da FIA, outra para os clubes filiados à entidade.
Um trecho:
“Mosley declara-se vitorioso na contenda que terminou no acordo de quarta-feira. (…) Diz Max que seus dois principais objetivos, a redução dos custos e a entrada de novos times, foram alcançados. E que o anúncio de que não vai concorrer à reeleição para a presidência da FIA, em outubro, era algo que ele já tinha decidido no ano passado. Acontece que a FOTA, através de seus membros, saiu cantando de galo da reunião do Conselho Mundial, alardeando que a saída de Mosley era uma vitória dos times e fazendo chegar à imprensa a informação de que Michel Boeri, presidente do Automóvel Clube de Mônaco e presidente do Senado da FIA, cuidará dos assuntos relativos à F-1 até outubro, quando Max se retirar. Em outras palavras: Mosley deixaria de mandar. (…) Isso fez com que o presidente da FIA subisse nas tamancas.”
SÃO PAULO(ficou enorme, nunca mais escrevo sobre isso!) – Passada a tempestade, ficam duas perguntas. Terminou tudo em pizza? Quem ganhou e quem perdeu, afinal?
Primeiro, é um equívoco acreditar que tudo não passou de um teatro e que era fácil adivinhar seu desfecho. Não. Houve possibilidades reais de ruptura e temores dos dois lados. Das equipes, porque seriam incapazes de montar um campeonato em tão pouco tempo. Da dupla FIA/Bernie, de perder o que sempre tiveram, o controle da F-1. As chances maiores eram de um acordo, sim. Porque ele era necessário. Se não houvesse, porém, estariam todos lascados. E cada lado sairia a campo para lutar por sua sobrevivência, um tentando matar o outro. É assim nas guerras.
Mas houve um acordo, a guerra acabou, e voltamos às perguntas iniciais.
Terminou tudo em pizza?
Bem, pizza, assim, do jeito que a gente conhece, a clássica “fica tudo como está”, não. Afinal, a F-1 de 2010 será outra. O ambiente todo mudou. Max Mosley não será mais o presidente da FIA. Sem ele no comando, os times/montadoras podem pensar um pouco à frente, em colocar na cadeira do rei do chicotinho alguém mais simpático às suas causas. Não há pizza aí. Além do mais, o Mundial terá três equipes novas, algo que não aconteceria de forma espontânea. Será um campeonato diferente, que agrega mais três independentes, equilibrando um pouco a relação fábricas x “garagistas”. Não, definitivamente, sob esse ponto de vista, não acabou tudo em pizza.
Mas…
Há algumas sutilezas que devem ser observadas nesse episódio todo, e é preciso voltar um pouco no tempo para tentar compreender cada passo dado pelos combatentes nos últimos meses.
Max comanda a F-1 desde 1991, quando assumiu a presidência da FISA, o braço esportivo da FIA. Esse órgão seria extinto alguns anos depois. Mas em 1993 Mosley foi eleito presidente da entidade principal, o que dá na mesma.
Bernie sempre foi seu aliado, especialmente quando, no final dos anos 90, a Comissão Europeia acusou a FIA de monopólio por controlar tudo que dizia respeito à F-1 sem dar chances a ninguém de participar do racha do butim. Em 2000, numa manobra até hoje considerada bizarra, a FIA (leia-se Mosley) repassou os direitos comerciais da categoria à FOM (leia-se Bernie) por 100 anos. 100 anos! Estava, de certa forma, descaracterizado o monopólio que a Comissão Europeia contestava.
E tudo seguiu mais ou menos em paz, com um Pacto da Concórdia assinado em 1998 por dez anos, quando a presença das montadoras na F-1 ainda era fraca. Em 2007, porém, quando o acordo deveria ser renovado (para quem não sabe, o Pacto rege todas as relações entre FIA, FOM e equipes, comerciais e regulamentares), o quadro era outro. As fábricas, que tomaram a categoria de assalto, tiraram o pescocinho do engradado e começaram a pleitear fatias maiores das receitas que, achavam, eram magras demais para elas, as donas do espetáculo.
O que Mosley e Bernie fizeram? Cooptaram a Ferrari, assinando um contrato paralelo com o time de Maranello dando direito de veto aos italianos em questões ligadas às regras. Com a Ferrari ao seu lado, montadora nenhuma estaria disposta a encher o saco da dupla. Dupla que, diga-se, nunca confiou nelas, as montadoras, sob o argumento, muito aceitável, de que elas não tinham compromisso com o esporte, mas sim com seus balanços financeiros. Não iriam entregar nada a corporações que no dia seguinte poderiam se mandar da categoria. E foi assim, com esse equilíbrio meio mambembe, que a F-1 sobreviveu até setembro do ano passado, quando foi criada a FOTA.
Luca di Montezemolo, que não é tido como gênio por seus pares — antes, tem a fama de meio bronco e midiático além da conta —, assumiu a presidência da associação das equipes. E a Ferrari, que sempre rezou pela cartilha da FIA, alinhou-se às fábricas que, de novo, queriam fatias maiores do bolo que Bernie sempre mordeu com apetite inversamente proporcional ao seu diminuto tamanho. Foi assim que começou a guerra. Porque, além de querer mais dinheiro, as equipes-montadoras tinham um medo.
Mosley, àquela altura, já havia lançado, talvez na melhor das intenções, as bases de sua F-1 popular, barata, controlada. Controle. Era isso que apavorava os times das montadoras. Não é um acaso o fato de que as duas únicas associadas da FOTA que ficaram com a FIA sejam equipes realmente independentes. Têm nas corridas sua atividade principal. Não prestam contas a ninguém, exceto à Receita dos países onde estão sediados.
Ferrari, Toyota, Renault, BMW Sauber, McLaren, Red Bull e Toro Rosso são, por assim dizer, “filiais” das matrizes que fazem carros e latinhas de energéticos. A Brawn é a exceção nesse grupo, cuja decisão de não correr para a FIA é, para mim, ainda um mistério. Essas sete se arrepiam só de pensar em ter alguém de fora controlando suas contas, digamos, pouco ortodoxas. O medo não era tanto do teto. Era de ter alguém escarafunchando livros e notas fiscais para fiscalizar seu cumprimento.
Esse era o ponto. Foi por isso que os ânimos se acirraram tanto.
Vencedores e vencidos?
Bem, pelo comunicado oficial do Conselho Mundial, as equipes das montadoras (como estão sendo chamadas) não farão um campeonato novo, mandando em tudo, de cabo a rabo. Aí temos uma vitória da FIA. O regulamento, por outro lado, será o mesmo deste ano com algumas bobagens extras, como proibição de mantas térmicas nos pneus e fim do reabastecimento. Vitória dos times, que pediam estabilidade das regras. As equipes, por sua vez, vão reduzir seus gastos genericamente “aos níveis do início dos anos 90”. Vitória da FIA, mas neste caso apenas retórica, porque quero ver quem é que vai fiscalizar isso. O que veremos serão medidas práticas de economia, como equipamentos padronizados, motores e câmbios mais baratos etc. Mas elas, as equipes, continuarão aceitando a FIA como órgão regulador e fiscalizador das regras técnicas e esportivas, vitória da FIA de novo, que segue à frente da categoria como sua principal governante, algo de que Max não abria mão.
Mosley concordou em não concorrer à presidência em outubro, e aí temos uma vitória clara das equipes, que não o queriam mais no comando da federação. Mas todas se comprometeram a seguir os acordos comerciais da FIA até 2012, concordando em renegociar seus termos e estender o Pacto da Concórdia antes que ele expire. Mais um ponto para a FIA, e este é o mais importante.
Aí sim temos uma pizza das mais recheadas. Saborosíssima para Bernie Ecclestone, que no fim das contas é o grande vencedor dessa parada toda (alguém duvidava?). Afinal, o que todos queriam era controlar o dinheiro. E é ele que continua chefiando as finanças, dando as cartas, assinando contratos com TVs e promotores de corridas.
Para os times, de certa forma, tudo bem. A não-adoção do teto orçamentário permite que elas continuem gastando à vontade, sem controle externo. É uma espécie de compensação. Sem o teto, podem seguir com sua atual, digamos, liberdade financeira — que deixaria qualquer fiscal honesto do imposto de renda de cabelos em pé.
Assim, pode-se dizer que não há propriamente vencedores e vencidos, Ecclestone à parte. Nem Max foi à lona, nem os times ajoelharam diante da sede da FIA na Place de la Concorde pedindo perdão por seus pecados.
Cada um cedeu um pouco. A FIA continua fazendo as regras e Bernie segue com sua caixa registradora tilintando. As equipes e as montadoras não terão de se preocupar com situações constrangedoras caso alguém venha rebuscar seus livros fiscais. No que diz respeito àquilo que move o mundo, a grana, aí sim a redonda foi para o forno. E, a esta altura, a mozzarella já derreteu e todos comeram.
SÃO PAULO (espero) - E não foi a F-1, desta vez. Foi a novela. E o racha. Max Mosley anunciou que não se candidatará à reeleição. Passou a madrugada reunido com Ecclestone e Montezemolo para amarrar as pontas hoje no Conselho Mundial da FIA em Paris. Avisou que foi feito um acordo com a FOTA. Haverá redução de custos, não se sabe ainda em quais condições e níveis. A FIA promete anunciar daqui a pouco as equipes de 2010, que serão as mesmas deste ano mais as três novatas Manor, USF1 e Campos.
Ainda é cedo para avaliar quem saiu ganhando. Não haverá campeonato paralelo, portanto a FIA venceu. Mas as equipes rebeldes estarão neste campeonato, e certamente sob condições que atendem às suas demandas, portanto os times venceram.
Quando não há vencedores, não há derrotados. Mosley deixar a FIA não é exatamente uma derrota, ele já havia dito antes que não tentaria a reeleição. Se deixou passar a impressão de que poderia ter mudado de ideia, era pressão sobre a FOTA igual à do calendário fajuto que a FOTA fez circular pela mídia europeia.
Creio que as equipes saíram em vantagem, Max deve ter-se cansado, Bernie entrou no circuito porque tem muita grana em jogo. A F-1 de 2010 será a mesma, pero no mucho. Creio que os times vão passar a mandar bastante, Ferrari à frente. A ver.
Resta saber quem será o sucessor de Max. Todt? É bom lembrar que o presidente da FIA não é eleito pelas equipes de F-1, mas sim por confederações nacionais e automóveis clubes. É um colégio eleitoral enorme. Se quisesse, Mosley conseguiria a reeleição.
Aguardemos os comunicados oficiais das duas partes.
Agora pergunto a vocês: no fundo, no fundo, será que não seria legal um rachinha básico? Dois campeonatos, a F-FOTA e a F-1, rivalidade entre séries, qual é melhor, qual leva mais público, qual tem mais audiência…
Para mim, sinceramente, tanto faz. Eu gosto de corrida. Tendo corrida, tá bom. Em Interlagos, de Lada, melhor ainda.
SÃO PAULO(hum…) – Curioso o calendário que a FOTA fez vazar ao “The Guardian”, parece que via um jornalista do Leste europeu, provavelmente croata. “New Formula” já um nome que corre por aí como o da nova categoria das equipes rebeldes. Não é o primeiro. Na Turquia já corria uma versão de calendário, menos elaborado, sem datas.
Não tem Brasil. Mas tem, das pistas atuais, Mônaco, Silverstone, Monza, Abu Dhabi, Cingapura e Suzuka. Alguns circuitos mortos-vivos para a F-1 foram resgatados: Imola, Magny-Cours, Jerez, Buenos Aires, Montreal, Indianápolis e Adelaide, com opção para Surfer’s Paradise.
Parece tudo, ainda, pouco verossímil. Balão de ensaio, tiro em vários alvos para ver em qual acerta. Pressão para que a FIA acredite que o novo campeonato pode mesmo sair. Vai na linha de insinuar que a Campos, confirmada para a F-1 dita oficial, teria interesse em se juntar aos insurgentes.
Seria bom, de qualquer forma, ver a Argentina e Portugal de volta. Imola, totalmente reformada, também. Assim como México e Canadá. Mas é bom observar essa lista de corridas com reservas, muitas reservas. Por enquanto, vale como curiosidade.
Abaixo, as datas:
3/3 – Argentina – Buenos Aires
21/3 – México – Hermanos Rodríguez
11/4 – Espanha – Jerez de la Frontera
25/4 – Portugal – Algarve/Portimão
2/5 – Itália – Imola
23/5 – Mônaco – Monte Carlo
6/6 – Canadá – Montreal
13/6 – EUA – Indianápolis
1/7 – Inglaterra – Silverstone
25/7 – França – Magny-Cours
15/8 – Alemanha – Lausitz
29/8 – Finlândia – Helsinque
12/9 – Itália – Monza
26/9 – Emirados Árabes – Abu Dhabi
10/10 – Cingapura – Marina Bay
24/10 – Japão – Suzuka
8/11 – Austrália – Adelaide ou Surfers’ Paradise
SÃO PAULO(daqui a pouco falo do Meianov) – Max Chicotinho falou em Silverstone. E deu a entender que não está muito preocupado com a chiadeira da FOTA. “No ano que vem, estarão todos no grid em Melbourne”, disse. Como ganhou algum tempo desistindo de divulgar a lista de inscritos amanhã, decidiu tirar uma onda. Faz parte do jogo.
A lista não sai porque a FIA resolveu entrar na Justiça contra a FOTA. Max não é bobo. É advogado, e dos bons. Muitos times devem ter contratos individuais com a FIA que, se forem quebrados, podem resultar em pesadas multas. Suspeita-se que Ferrari, Red Bull e Toro Rosso estejam entre elas. Por isso apareceram na primeira lista sem asteriscos. Como se fossem obrigadas a competir, algo que estaria escrito em algum papel.
Mosley demonstra muita segurança numa solução negociada. Acha que, a esta altura do campeonato, a questão está virando pessoal, embora ele não cite Montezemolo. Isso porque, em suas palavras, as condições da FOTA e as propostas da FIA são menos distantes do que se imagina.
É duro na queda, o velho Max. Está peitando a Ferrari, o que não é pouco.
SÃO PAULO(eu gosto é de ver o circo pegar fogo) – Algumas reflexões. Acho que cabe refletir, afinal estamos falando de uma categoria que tem 60 anos e que, de certa forma, é a razão de ser deste blog, paixão da maioria dos blogueiros, essas coisas…
- Sou pró-Max, é o que a blogaiada está entendendo. Vamos esclarecer. Nada exatamente pessoal. Mosley não é infalível. Basta ver o que aconteceu no começo do ano, com a ideia doida de dar o título a quem ganhasse mais corridas. Mas ele é sensato, em geral. E da mesma forma que as equipes têm o direito de defender suas causas, ele tem o direito de defender uma categoria que, no final das contas, pertence à FIA e à FOM. Essa posse não é arbitrária. Todas as equipes sempre aceitaram a tutela regulamentar da FIA e comercial da FOM. Que ninguém esqueça que se a F-1 é um sucesso comercial (e todo mundo ganha dinheiro com ela, não fosse assim a McLaren não teria a sede que tem e por aí vai), deve isso a Bernie Ecclestone, por mais que ele seja um gavião para ganhar dinheiro. Aí não há santos.
- Vocês me conhecem e, em geral, estou longe de ser um legalista. Questionar os mandatários de plantão é algo saudável e necessário. Mas, para isso, é preciso argumentar bem. Os argumentos da FOTA não são bons. Os da FIA são. E quando eu digo FOTA, é melhor ler Ferrari. É ela, na persona de Luca di Montezemolo, que está à frente da revolução. E a Ferrari nunca foi uma revolucionária. Não nos enganemos. Não é uma questão de princípios que está em jogo no que diz respeito a Maranello. É uma questão de poder: controle sobre as regras e sobre o dinheiro. Direito legítimo, pode-se dizer. Tão legítimo quanto o da FIA e de Bernie de tentarem manter seu brinquedo.
- Mosley tem muita razão quando diz que uma categoria de competição precisa de um órgão regulador independente. É assim na MotoGP, no Mundial de Rali, em qualquer categoria que opõe adversários tão distintos. É mais fácil um autocontrole quando se trata de uma categoria monomarca. Mas é muito difícil quando se trata de administrar uma porção de equipes diferentes, fabricantes avulsos, marcas diversas de motores, pneus etc. Deixar isso nas mãos de oito equipes diferentes é suicídio. Serão oito regras, uma para cada. E brigas intermináveis.
- Se sair o campeonato “paralelo”, com as oito equipes da FOTA, duvido que equipes novas se disponham a participar. Afinal, quem tem dinheiro para isso? É possível montar equipes novas com um orçamento limitado a sei lá quantos milhões de dinheiros. Mas encarar um campeonato em que não há limite, e apenas uma genérica intenção de “cortar custos”, não é para qualquer um. Talvez apenas para montadoras. E, como se sabe, não há fila de montadoras dispostas a correr de F-1 ou de F-FOTA.
- Por outro lado, como dizem os neoliberais, a concorrência é sempre bem-vinda, não? Ninguém é obrigado a disputar a F-1 da FIA. Mas se quiser disputar, tem de seguir suas regras. Discordo dos que apontam autoritarismo em Mosley. A FIA tem várias instâncias de decisão, como o Conselho Mundial, a Comissão de F-1 etc. Em todas, as equipes são representadas, assim como os promotores, os patrocinadores, as confederações nacionais. O problema é que a Ferrari, que sempre rezou pela cartilha da FIA, resolveu não rezar mais. E arrastou com ela aqueles que Max sempre disse serem voláteis: Toyota, Renault, BMW, Red Bull. E mais McLaren e Brawn, que merecem tópico à parte.
- A McLaren espionou a Ferrari há dois anos. Viraram inimigos. Por conta disso, foi duramente punida. Seria um contrassenso ficar ao lado da FIA, portanto. Mas eu não achava isso. Seria um contrassenso igual ficar ao lado da Ferrari, inimiga mortal. Achava que por estar com a espada de Dâmocles na cabeça, a McLaren iria capitular para evitar problemas. Só que as diferenças entre Ron Dennis (alguém duvida que ele ainda manda?) e Mosley foram maiores do que as diferenças dele com a Ferrari. E é preciso compreender também que a Mercedes é do time das montadoras, não dos garagistas. Assim, está explicada sua opção, levando consigo a Brawn — que não teve peito para debandar, sob o risco de perder sua fornecedora de motores.
- E a F-1 da FIA, o que será? Bem, muitos dos que se voltam contra Mosley defendem e têm saudades “daquela F-1 dos velhos tempos”, em que todo mundo corria de motor Cosworth e a competição ficava por conta da criatividade de engenheiros e projetistas. Uai, é o que teremos agora, com o desfalque enorme da Ferrari, que não pode ser desprezado. Mas é uma aposta. Tem chance de perder? Tem. A Ferrari tem torcida, é a cara da F-1, não se sabe como o povo vai reagir à sua ausência.
- O povo… A FOTA fala em ingressos mais baratos, num exercício banal de demagogia. A F-1 é elitista e elitizada não por causa da FIA. Não só por causa dela. As equipes contribuem, e muito, com esse queixo empinado que quem conhece sabe como é abominável. Uma consequência boa desse racha pode ser essa: todo mundo baixar sua bolinha, a FIA e as equipes. A FIA, porque lidará com outro tipo de gente em seu campeonato, gente que sempre foi desprezada e segregada. O ambiente será outro. E as equipes fotianas, porque sabem que se continuarem se achando o uó do borogodó não têm futuro. Quem sabe param de gastar fortunas com motorhomes ridículos, aviões particulares e iates para festinhas em Mônaco. Eu sei bem como é o relacionamento dessa gente com o público. E não é exatamente a FIA quem dita esse comportamento.
- Considerando que dois campeonatos coexistam, a FOTA terá bastante trabalho para montar seu calendário. E para escrever as regras, e para escolher quem vai fiscalizá-las, e para fechar contratos com TVs, promotores e autódromos. Pistas existem. Sem pensar muito, dá para imaginar um campeonato correndo em Magny-Cours, Silverstone, Fuji, Portimão, Jerez, Valência, Montreal, Kyalami, Indianápolis, Hockenheim, Mugello, Áustria (Didi resolve…), Qatar e por aí vai. O problema maior é: quem vai governar essa categoria? Um conselho formado por representantes de montadoras rivais? É difícil imaginar que isso dará certo. Automobilismo é fogo.
- E, por fim, olhemos as coisas de forma otimista. Se sair um novo campeonato, serão dois para que aqueles que gostam de corridas acompanhem. Perder-se-á um pouco da referência, aquela coisa de saber que se está vendo a elite do automobilismo, o campeonato mais importante, mais charmoso, o olimpo. Mas os tempos estão mudando. Além do mais, é mais piloto correndo, mais gente empregada, mais equipes, maior diversidade. Não acho que vá acontecer, a tendência é de um enfraquecimento geral, como aconteceu nos EUA no racha Cart x IRL. Mas é impossível prever o futuro. Tem coisas que a gente só consegue avaliar depois que elas acontecem. Pode ser o caso agora.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s):F-1Tags:2010, FIA, FOTA
SÃO PAULO(muita calma nessa hora) – Bem, bem, bem. O comunicado da FOTA não dá margens a especulações. Não se trata mais de uma ameaça, mas de uma decisão. Que me surpreende, para ser sincero. Eu achava que no fim das contas Mosley iria vencer, dado o teor da enorme carta divulgada terça-feira, embasando todas suas decisões e acusando diretamente a Ferrari de liderar uma tentativa de levante com claros interesses próprios.
Venceria rachando a FOTA. Mosley não se importaria com deserções da Toyota, da Renault, da BMW Sauber, da Red Bull e da Toro Rosso. Essas ele sempre achou que não têm importância, entram e saem, não são comprometidas com a F-1. Também não se importaria se a Ferrari resolvesse bater o pé. Mas queria atrair Brawn e McLaren. Esta última seria seu grande trunfo para mostrar ao mundo que a Ferrari era a vilã da história.
Contava, para isso, com o pisar em ovos da McLaren desde o caso da espionagem e da mentira de Hamilton em Melbourne. Achava que o time prateado, para evitar problemas, acabaria cedendo, levando junto a Brawn por causa da Mercedes. Além do mais, Ross Brawn não é exatamente o maior amigo de Luca di Montezemolo por conta dos protestos do início do ano em relação aos seus difusores.
Mas talvez Max não considerasse seriamente a possibilidade de um novo campeonato. Com seus times novatos, mais a tradição da Williams, a Force India, a McLaren e a Brawn, daria um pé solene na Ferrari e nas montadoras que tanto abomina.
E não abomina por questões pessoais, aqui vale o parêntese. Há anos Mosley alerta para a instabilidade de uma categoria cujo alicerce são empresas dirigidas por gente que não tem no esporte um fim, mas um meio. Diz ele na carta de terça: “Quando a Honda anunciou sua desistência em dezembro de 2008, já havia feito sua inscrição para 2009 e era contratualmente obrigada a competir. Duas coisas ficaram claras para a FIA. Primeiro, qualquer montadora poderia sair a qualquer momento. E a FIA não teria como recorrer contra essas montadoras, contra a empresa principal, apenas contra as equipes que não teriam patrimônio nenhum, exceto suas dívidas. Segundo, que era muito provável que outras montadoras fizessem o mesmo antes de 2010″.
Segue a FIA, sempre com muita propriedade: “A Renault depende do governo francês. Parece duvidoso que os contribuintes franceses estivessem dispostos a gastar o dinheiro de seus impostos, em quantias tão altas, numa equipe de F-1. As operações da Toyota verificaram perdas pela primeira vez na história, e ela poderia desistir de gastar centenas de milhões numa equipe, enquanto a BMW, que faz enormes sacrifícios para cortar os custos em sua operação principal, poderia decidir não gastar pesadamente em seu time”.
“Diante da possibilidade de termos apenas 18 carros no grid em Melbourne e de as coisas piorarem em 2010, a FIA teve de agir. Havia dois passos óbvios. Primeiro, uma aproximação ao sr. Montezemolo para obter dele uma garantia de que as montadoras estariam no grid em 2010 e que a situação da Honda não iria se repetir. Segundo, iniciar conversas com a FOTA na direção de cortar os custos a um ponto que fizesse com que uma eventual saída das montadoras se tornasse improvável, que viabilizasse a existência das equipes independentes e a entrada de novos times.”
Aí seguem várias críticas a Montezemolo. Ele teria prometido as garantias, mas nunca apresentou sequer uma carta das montadoras garantindo seu compromisso com a F-1. “Nem mesmo da companhia dele, a Fiat”, diz a FIA. Depois, na reunião do Conselho Mundial de 17 de março, a Ferrari votou contra o teto orçamentário, mas não contra as liberdades para as equipes que o adotassem. Mais tarde, em outro Conselho Mundial, em 29 de abril, foi votado o regulamento para 2010 em detalhes. Montezemolo não apareceu. Elegeu o presidente da comissão italiana de kart, “Mr. Macaluso”, com uma procuração para votar em nome da Ferrari. Macaluso também não apareceu e participou da reunião por videoconferência. Votou contra as regras (foram dois votos contra), sem justificar o voto.
Veio depois a ação da Ferrari na Justiça francesa, e mais reuniões, e a FOTA empurrando tudo com a barriga, inclusive uma tentativa de esclarecer como seria feito o controle financeiro do teto orçamentário. Max foi ficando de saco cheio.
O presidente da FIA acha que a FOTA quer controlar a grana e as regras. Tem razão, quer mesmo. E argumenta que a F-1 precisa de um órgão regulador imparcial e independente “pela própria natureza do esporte”, porque ele é disputado “por pessoas que querem vencer (literalmente) a qualquer custo”. “Há vários exemplos disso, envolvendo ao menos quatro equipes da FOTA, nos últimos anos”, diz o texto. “Um bom governo não significa que a Ferrari deve governar. (…) A Ferrari é representada no Conselho Mundial desde 1981 e nunca se opôs aos nossos processos ou decisões até abril e maio deste ano.”
Mosley termina sua carta com uma reflexão um pouco mais filosófica sobre a F-1. “A discussão é sobre os princípios da F-1. Sobre liberdade técnica. É o reconhecimento da FIA e de várias equipes de que você pode ter liberdade técnica, liberdade para inovar, ou liberdade para gastar sem limites. Não é possível sustentar as duas coisas. (…) Comparada com as propostas da FOTA, o regulamento de 2010 é muito mais livre. A FOTA propõe não testar, eliminar o KERS, padronizar câmbio, aerodinâmica, limitar o trabalho nas fábricas. Em vez de buscar meios econômicos para fazer coisas inovadoras (que é o espírito da F-1 e o desafio da indústria automobilística), a FOTA quer impor restrições e diminuir os desafios técnicos.”
Mosley tem razão em tudo. O cenário econômico mundial não comporta a gastança da F-1 e as incertezas quanto à participação das montadoras. A Ferrari quer tomar conta de tudo, é o que Max quer dizer. Comprou a briga. Perdeu oito equipes, mas pode ganhar 15. Só que sem McLaren e Brawn, vai ter de ser muito hábil para montar uma nova F-1 que seja atraente para o público e para os parceiros de sempre.
Do outro lado da trincheira, as oito rebeldes também terão dificuldade para montar um grid razoável. Quem vai querer competir com gigantes que gastam o que querem? Quem vai querer colocar um carro na pista para levar ferro das já estabelecidas? E os contratos com os autódromos e com as TVs?
É o maior racha da história da F-1. Por enquanto, é tudo que dá para dizer.
SÃO PAULO(acho que agora é sério) – A FOTA acaba de divulgar comunicado em Silverstone. BMW Sauber, Ferrari, Brawn, McLaren, Red Bull, Renault, Toro Rosso e Toyota assinam o papel. Dizem que acabou o papo. Vão fazer um campeonato novo.
Segue a íntegra do texto:
“Desde a formação da FOTA em setembro, as equipes têm trabalhado unidas e procuraram engajar a FIA e o detentor dos direitos comerciais para desenvolver e melhorar o esporte.
“Uma crise financeira sem precedentes colocou diante da comunidade da F-1 enormes desafios. A FOTA orgulha-se de ter estipulado medidas substanciais de corte de custos, as maiores na história de nosso esporte.
“As equipes de fábrica em particular ofereceram assistência aos times independentes, alguns dos quais provavelmente não estariam no esporte se não fossem as iniciativas da FOTA. As equipes da FOTA concordaram voluntariamente em reduzir seus custos de forma a chegar a um modelo sustentável para o futuro.
“Em seguida a esses esforços, todos os times confirmaram à FIA e ao detentor dos direitos comerciais sua disposição de assumir um compromisso até o fim de 2012.
“A FIA e o detentor dos direitos comerciais fazem uma campanha para dividir a FOTA.
“Os desejos da maioria das equipes foram ignorados. Além disso, dezenas de milhões de dólares dos times foram retidos pelo detentor dos direitos comerciais desde 2006. Apesar disso e da ausência de um ambiente favorável a um compromisso, a FOTA genuinamente procurou esse compromisso.
Ficou claro, assim, que as equipes não podem continuar a assumir tal compromisso relativo aos valores fundamentais do esporte, e declinaram de alterar suas inscrições condicionais para o Campeonato Mundial de 2010.
“Estas equipes, assim, não têm outra alternativa que não iniciar a preparação para um novo Campeonato que reflita os valores de seus participantes e parceiros. Esta categoria terá uma gestão transparente, um único regulamento, vai encorajar a entrada de novas equipes e escutar os desejos dos fãs, inclusive oferecendo preços de ingressos mais baixos em todo o mundo, assim como a novos parceiros e acionistas.
“A maioria dos pilotos, estrelas, marcas, patrocinadores, promotores e companhias historicamente associadas ao mais alto nível do automobilismo estarão todos do lado dessa nova categoria.”
Já volto para tentar analisar o que está acontecendo.
SÃO PAULO(nunca cumpro) – Eu tinha jurado que não iria mais falar nesse assunto antes de uma solução final, mas é impossível. Afinal, é o assunto do ano na F-1, apesar da grande, enorme novidade de ver uma equipe estreante arrasando a concorrência.
Fato é que os ânimos se acirraram mais uma vez. Mosley descascou as equipes hoje e, ontem, emitiu outro comunicado descascando a associação das montadoras europeias — que declararam apoio aos times mantidos por fábricas.
O raciocínio do presidente da FIA é, como sempre, cristalino. Não entende como as fábricas, atoladas em dívidas e falindo uma por dia, podem ser contra o teto orçamentário na F-1, esse sorvedouro de receita que, diante de acionistas, não faz o menor sentido. Na sua opinião, a FIA está é fazendo um favor às fábricas ao limitar os gastos em corridas. Dá para lhe tirar a razão?
No que diz respeito às equipes, diz que está agindo no sentido de dar liberdade técnica aos engenheiros, estimulando a criatividade e o desenvolvimento em bases mais racionais, dando oportunidade aos mais inventivos de se sobreporem àqueles que trabalham com orçamentos ilimitados. Acrescenta que, até agora, a única medida real para cortar custos na F-1 foi o congelamento dos motores, o que não é o bastante. E que não dá para congelar o resto dos carros, sob o risco de agir contra os princípios da F-1. Dá para lhe tirar a razão?
Para Max, o que está acontecendo de verdade é um embate pelo poder, com as equipes querendo assumir a categoria comercialmente e também fazer suas regras. Novamente, não é possível tirar sua razão.
O placar desse confronto, aqui neste blog, já variou muito e teve algumas viradas. Uma hora Max ganhava de 1 x 0, depois os times viraram para 10 x 1, depois viu-se que na verdade os 10 não eram 10, mas 8, e Mosley tinha 15 na manga. A Ferrari continua entrincheirada de um lado e os que continuam com ela não parecem ter grande convicção. No outro lado da trincheira, Max acena com gastos mais baixos, uma F-1 mais “democrática”, mocinhas de cinta-liga e chicotinhos para todos.
Eu diria que, neste momento, as ideias de Mosley são mais sedutoras que o pezinho de Montezemolo batendo no chão sem parar, que a pança de Briatore chacoalhando ao som gutural de suas fanfarronices, que o bigodinho sem graça de Theissen e que a insignificância do que pensa a Toyota.
SÃO PAULO(nem precisava) – É só para constar, porque a coluna que publiquei hoje no Grande Prêmio é uma somatória pura e simples de dois posts que coloquei aqui de manhã. Para ver como vocês são privilegiados…
SÃO PAULO(e me fez acordar cedo) - Saiu a lista de Max Mosley. As 13 equipes que vão disputar o Mundial de F-1 no ano que vem estão definidas. São as 10 desta temporada mais Campos, USF1 e Manor — delas falo daqui a pouco.
A curiosidade da lista é que cinco times vieram acompanhados de asteriscos: McLaren, BMW Sauber, Renault, Toyota e Brawn. São todas da FOTA. A papeleta da FIA diz que estas cinco equipes submeteram suas inscrições de forma “condicional” e que elas serão convidadas a discutir essas condições e resolver a situação até, no máximo, sexta-feira da semana que vem, 19 de junho.
Informa a FIA, também, aquilo que já se sabia: que serão 13 times e que enquanto houver a pendência das cinco equipes com asteriscos, as demais que apresentaram seus formulários de inscrição continuarão sendo avaliadas pela entidade, podendo substituir qualquer uma delas no prazo final, dia 19.
Williams e Force India, das atuais participantes, aparecem sem asteriscos e estão confirmadíssimas.
E Ferrari, Red Bull e Toro Rosso? As três, mal saiu o comunicado da FIA, já estavam com seus próprios textos prontinhos para distribuírem à imprensa. Red Bull e Toro Rosso disseram que continuam alinhadas à FOTA e que as inscrições permanecem “condicionais”. A Ferrari é mais incisiva. Abre seu comunicado com título em negrito e tudo: A Ferrari não participará do Mundial de F-1 de 2010 da FIA até que suas condições sejam atendidas.
Ulalá. Maranello demonstra estranheza com sua apariçao na lista como se nada estivesse acontecendo e avisa que: 1) submeteu sua inscrição no dia 29 de maio sujeita a certas condições, e que até agora essas condições não foram atendidas; 2) não obstante, e apesar de a equipe ter solicitado à FIA que isso não fosse feito, a FIA incluiu a Ferrari como participante incondicional do Mundial de 2010. Para dirimir qualquer dúvida, a Ferrari reafirma que não participa do campeonato sob o regulamento adotado pela FIA, que viola os direitos da Ferrari assegurados por escrito em acordo com a entidade.
Esses direitos, só para deixar claro, são de veto. A Ferrari tem há algum tempo, por ser a equipe mais antiga do grid, um acordo firmado com a FIA, coisa meio nebulosa e recente, que lhe dá poder de vetar algumas coisas na F-1. Max Mosley, pelo jeito, não está dando muita bola a esse papel.
Toro Rosso e Red Bull teriam, de acordo com fontes na Inglaterra, cláusulas contratuais com a FIA que as obrigam a correr, e por isso apareceram sem asterisco algum. Também são papéis obscuros. E os times, assim como Max com a Ferrari, está se lixando para eles — tanto que seguiu a Ferrari ao condicionar sua participação.
Bem, o impasse continua. A diferença é que, agora, pelo menos se sabe quais são as novatas aprovadas. E o Dia D, que era hoje, foi transferido para sexta que vem. Até, as cinco “asteriscadas” terão de se manifestar. Essa será a parte mais fácil. Difícil será dobrar a Ferrari. A queda-de-braço ainda não teve um vencedor. Mas minha intuição diz que Mosley está virando o jogo de novo.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s):F-1Tags:2010, FIA, FOTA
SÃO PAULO(que chuva é essa?) – Max Mosley já tinha em mãos os desenhos e animações computadorizadas de todos os carros das equipes novas que enviaram suas inscrições para o Mundial de 2010. A novidade é que agora há imagens de alguns carros andando, e parecem bem reais. É com esse material que ele pretende encostar as equipes da FOTA na parede, mostrando que todas elas têm estrutura de sobra para disputar o campeonato no mesmo nível que a turma da Ferrari & Cia. Até porque não anda tão alto assim o nível da turma da Ferrari & Cia.
O que vocês verão neste link (que, espero, fique no ar bastante tempo; desconfio que acabará sendo tirado assim que perceberem que vazou) é absolutamente exclusivo e apresenta a verdadeira face da F-1 em 2010. E atenção: não é montagem. As imagens são reais mesmo.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s):F-1Tags:2010, FIA, FOTA
SÃO PAULO(sensato, como sempre) – O conflito entre FIA e FOTA é, em resumo, uma estupidez. Leiam na coluna do Andre Jung, e depois comentem aqui, claro.
SÃO PAULO(que saco) – Max Mosley mandou uma carta para a FOTA. Convida as equipes para participarem da elaboração do regulamento de 2010, mas pede que as inscrições sejam incondicionais. “Depois a gente senta e resolve”, é o que Max quer dizer.
Estou quase tomando a decisão de só voltar a tocar nesse assunto quando alguma solução definitiva for tomada.
SÃO PAULO (dia 12 tá aí) – O fala-fala sobre 2010 foi muito intenso na Turquia, como já havia sido em Mônaco. A sensação que tenho é de que as equipes estão pouco se lixando para aquilo que anda acontecendo na pistas e só se preocupam com o jogo político que tomou conta da cena desde que a briga entre FOTA e Max Mosley se escancarou.
Os piloto se reuniram e juraram amor a seus times. Vão com eles até o fim. O que é curioso, porque alguns deles possivelmente serão demitidos no final do ano, estejam onde estiverem seus patrões. Mas esqueçam os pilotos, eles não mandam nada.
A situação de momento aponta Williams e Force India com a FIA, e mais as novatas que demonstraram interesse em correr no ano que vem: Epsilon Euskadi, Campos, USGP-Alguma-Coisa, Prodrive-Aston Martin, Superfund, Lola, N. Technologies, March, Brabham e Litespeed (que pode usar o nome Lotus). Claro que algumas são apenas ensaios, não têm condições nem de preparar o Meianov. Mas são dez, fazem volume. E acho que a FOTA ainda terá algumas baixas, como McLaren e Brawn.
Em Istambul, circulou até um calendário que as dissidentes, lideradas pela Ferrari, podem adotar em 2010 caso decidam correr sozinhos, formando outra categoria. Claro que não deve ser muito levado a sério, até porque existem contratos entre alguns desses autódromos/promotores e a FIA/FOM. Mas vale pela curiosidade. Dos circuitos que fazem parte do calendário atual, Mônaco, Monza, Silverstone e Abu Dhabi seriam incorporados pelos rebeldes. As outras pistas utilizadas seriam Magny-Cours, Jerez, Portimão, Mugello, Indianápolis, Montreal e Hockenheim.
Todas elas têm condições imediatas de receber corridas de F-1, ou de alguma categoria semelhante. Notem que colocaram Silverstone, que provavelmente será substituída por Donington no ano que vem na F-1 de Bernie & Max. Abu Dhabi ainda nem estreou e já está sendo cooptada. Magny-Cours foi abandonada à própria sorte, é a chance de resgatá-la. Mônaco diz que só faz corrida se tiver Ferrari nas suas ruas. Jerez é outra relegada à própria sorte, aceitaria sem pestanejar. Mugello é praticamente da Ferrari, e Monza só faz sentido com carros vermelhos na pista. Portimão, no Algarve, está estalando de novo, louco por alguma coisa importante. Montreal adoraria ver a F-1 ou outra categoria qualquer de volta. Indianápolis precisaria de um trabalho comercial forte com Tony George. E Hockenheim anda meio em baixa nessa história de revezamento.
Como se vê, pista no mundo é o que não falta. Dá para vários campeonatos, sem problema algum. Problema imediato mesmo, outro, é o que tem sido visto nos elefantes brancos construídos recentemente para a F-1, como esse autódromo da Turquia. Ontem, apenas 36 mil pessoas ocuparam suas arquibancadas. Público de joguinho do Corinhtians no Pacaembu. A culpa, dizem, foi dos preços muito altos dos ingressos. Se for criada uma nova F-1 pelas rebeldes, e se continuar existindo a atual sob o comando de Max, Bernie & seus seguidores, é algo que deve ser levado em consideração. Tirando a Nascar, vejo que automobilismo leva cada vez menos gente aos autódromos. No mundo todo.
Bem, no fim da semana, dia 12, dia dos namorados, a FIA promete divulgar sua lista de inscritos. Até lá, vamos ficar especulando.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s):F-1Tags:2010, FIA, FOTA
SÃO PAULO (o banco me adora todo dia 5) – De toda essa zona que virou a briga entre FOTA e FIA, uma certeza: no ano que vem, teremos algumas (ou muitas…) equipes nanicas de novo na F-1. É a boa notícia para 2010, e tema da minha coluna Warm Up de hoje. Leia lá, comente aqui!
SÃO PAULO (céu de brigadeiro) – São muitas idas e vindas nessa briga. Já está enchendo um pouco, mas não deixa de ser divertido acompanhar a marra de Max Mosley. O fato é que todo mundo deu como favas contadas que um acordo havia sido feito sexta-feira, quando as equipes se inscreveram em bloco. Picas. Max ainda não havia se pronunciado. Fê-lo à imprensa suíça. Pelo jeito, ele não considera a exclusão do teto orçamentário e, muito menos, a assinatura de um novo Pacto da Concórdia até o dia 12 de junho — exigências da FOTA para seus associados participarem do Mundial.
Max acha que a inscrição em bloco (excluindo a Williams) foi feita para atrapalhar as novas equipes que pretendem correr. E disse que quem não estiver satisfeito, que crie seu próprio campeonato.
Assim, tudo volta ao estágio anterior à inscrição coletiva. De um lado, os times; do outro, Max. Se no dia 12 de junho não for assinado pacto algum, a FIA deve consultar os times da FOTA, os “fotidos” do Bairro Peixoto, para saber se querem continuar na brincadeira. Se não quiserem, vai sair uma “entry list” para 2010 com Williams, McLaren, Brawn, Force India (essas querem que a FOTA se “fota”, não estão nem aí para a Ferrari) e o bando de loucos das últimas semanas: March, Brabham (a marca é de um alemão que comprou a Super Aguri), Epsilon Eukadis, Lola, Campos, Superfund, Prodrive, USGPE. Só aí já são 12. Um bom grid, e ainda sobra.
Considerando tal hipótese plausível, quem é que faria falta entre os “desertores” puxados pela Ferrari? Só a própria. A Toyota nunca deixou de ser uma fabricante de Corollas de passagem pela F-1. A Renault já entrou e saiu tanto das pistas, como equipe ou fornecedora de motores, que talvez seja melhor mesmo ficar fazendo seus Twingos. A BMW Sauber é a equipe mais sem sal de todos os tempos. Red Bull e Toro Rosso são legais, mas o mundo não vai parar se carros disfarçados de latinhas de energético deixarem as pistas, tampouco a Red Bull deixará de patrocinar corridas de aviões, quedas livres de precipícios, travessias aéreas sem motor, maratonas de balonismo ou descidas de ladeira com carrinhos de rolimã, como sempre fez.
Falta, mesmo, fará a Ferrari. Mas o mundo anda tão doido que não me surpreenderia se ela fosse esquecida em seis meses. Dizem que existe uma pesquisa que concluiu que se a Coca-Cola parar de fazer publicidade, a marca cai no ostracismo em menos de um ano, embora tenha mais de um século de existência e seja consumida em todos os cantos do planeta. Não duvido.
Assim, a Ferrari que coloque as barbichas de molho. Se tem uma coisa que não mudei desde o início dessa guerrinha foi a convicção de que a Ferrari precisa muito mais da F-1 do que a F-1 da Ferrari.
SÃO PAULO(alguém aposta em outra coisa?) – Pronto, no ar a minha coluna da semana, com dois temas. O primeiro, Button. Apostando que ele será o campeão, apesar da pequena diferença que tem para Barrichello, porque está mostrando que não é apenas um rostinho bonito. O segundo, o acordo entre FOTA e FIA.
SÃO PAULO(segue o bonde) – A FOTA acaba de anunciar que todas as equipes associadas se inscreveram para o Mundial de 2010. Quem tem, tem medo. Mas não é bem isso. O texto da associação explica que a participação no campeonato e o compromisso com a FIA vêm associados a um plano trienal de redução de custos. Mas não há teto orçamentário estabelecido.
Um novo Pacto da Concórdia será assinado até o dia 12 de junho. O regulamento de 2010 será o mesmo de 2009 e não haverá regra dupla para quem gasta mais e para quem gasta menos. Será criado, nestes três anos de facão, um genérico e pouco claro “mecanismo que preserve a competição tecnológica, os desafios esportivos e facilite a entrada de novas equipes na F-1″.
Quem ganhou e quem perdeu? Ninguém. Max Mosley queria drástica redução de custos. Terá, com os tais três anos de cortes. As equipes não queriam teto orçamentário, nem regras de duas caras. Não haverá teto, e as regras serão as mesmas para todos.
Com dez times garantidos, mais as anunciadas inscrições de quatro novos times, alguém haverá de dançar, imaginará o mais atento leitor. Médio. Dentre essas quatro, e entre todas as que andaram falando que iriam correr em 2010, muitas certamente condicionaram sua participação ao teto de 40 milhões de libras. Sem teto, caem fora. Pode ser até que uma ou outra entre, como a US-Alguma-Coisa, que anunciou seus planos no ano passado antes de começarem as conversas sobre orçamento limitado.
Assim, ponto final no chatíssimo assunto quem-entra-quem-sai. Enterram-se os bate-bocas entre Ferrari e FIA, a gritaria das últimas semanas cairá no esquecimento, e, como sempre, o mundo continuará girando, a Lusitana rodando e a F-1 fazendo suas corridinhas com novas e velhas caras.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s):F-1Tags:2010, FIA, FOTA
SÃO PAULO(tudo muito nebuloso) – Luca di Montezemolo mentiu em Mônaco ao dizer que as equipes concordaram em não se inscrever para o Mundial se a FIA não voltasse atrás na regra do teto orçamentário. A Williams se inscreveu hoje. E podem apostar que a Brawn, a McLaren e a Force India farão o mesmo até o fim da semana. Estranho foi ninguém ter vindo a público para desmentir o presidente da Ferrari e da FOTA sobre o suposto consenso.
Eu disse, semana passada, que estava 10 x 1 para as equipes contra Mosley, depois da reunião no iate. O placar é mais apertado. A minha sensação de que a Ferrari estava isolada nessa história, ou quase, não era tão falsa assim. Assim, para ficar no futebolês, a semana começa com os vermelhos ainda à frente. Mas o time de Max reage e está atacando. Vamos ver se os italianos resistem à pressão.
SÃO PAULO(totalmente estressado) – Bueno, voltamos. Ops. Bom, voltamos. No caminho, telefonemas me informaram que as equipes chegaram a um consenso no iate de Briatore: boicote já. Luca di Montezemolo foi o porta-voz (portavoz? portavvoz?) da FOTA e disse que todos os times decidiram não se inscrever se o teto de Mosley for mantido.
Aí saíram todos do iate e foram falar com Max, levar a ele a posição unânime etc e tal. Acabou a reunião e nada foi revelado, mas tudo indica que uma porta foi aberta e que todos estão perto de um acordo, seja ele qual for.
Será favorável às equipes, claro. Se todas resolveram peitar a FIA, o isolamento que eu via na Ferrari não existe mais, ou nunca existiu. Max terá de abrir mão de alguma coisa, porque senão a F-1 acaba. Ele tentou rechar a FOTA, dividi-la em FO e TA, mas não conseguiu, as sílabas continuam coladas.
Palpite? Ou sobem o teto, ou então as equipes dizem que apresentaram à FIA um superplano plurianual de contenção de despesas, e a FIA responde que, agora sim, estão falando sua língua, que sentiu nas equipes enorme boa-vontade de gastar menos, e em nome dos maiores interesses do esporte a entidade aceita o plano, diz que vai ser rigorosa na fiscalização e continuará lutando para que a F-1 seja economicamente viável e coisa e tal.
A segunda hipótese é a mais plausível. Estava 1 x 0 para o Max. Agora está 10 x 1 para as equipes. Com 10 x 1, não dá para virar.
SÃO PAULO(”o”, não “a”!) - Max Mosley não deve ser dado como morto. A McLaren vai se inscrever no Mundial dentro do prazo. Com ela vão também Force India, Brawn e Williams, pelo menos. E ainda tem a Lola e a USGPE. E a BMW Sauber no muro. A FOTA não tem posições unânimes, como se vê. Por isso a Ferrari entrou na Justiça sozinha contra o regulamento de 2010.
Max quer rachar a associação das equipes. Max é fogo.
SÃO PAULO(de novo, mais do mesmo) – Só para manter a tradição, o link com minha coluna de hoje para o Grande Prêmio. Porque o assunto, afinal, já foi tratado em post anterior. Mas está aí, para quem quiser comentar.
SÃO PAULO(agora que eu quero ver…) – Acabou agora há pouco a reunião entre FOTA, FIA e FOM em Londres. As primeiras informações dão conta de que Max Mosley bateu o pé no teto orçamentário. Não houve acordo. A Ferrari já teria anunciado que vai entrar na Justiça francesa contra o regulamento de 2010.
Breves e primeiras conclusões, enquando mais detalhes não vêm à tona…
1) Se a Ferrari vai entrar na Justiça, era cascata que iria sair da F-1. Bastaria sair e pronto, cumprindo a promessa feita por escrito no início da semana. Mas a equipe dá a impressão de que quer continuar, e por isso poderá brigar nos tribunais para mudar o regulamento. A informação de que os italianos vão recorrer à Justiça, porém, não é oficial no exato momento em que escrevo esta nota (depois atualizo, se for necessário).
2) Max está disposto a um confronto. Ao seu lado, por enquanto, apenas Brawn e Williams. Mas não duvidem que a McLaren se alinhe, levando junto a Force India. Se a Lola vier, mais a USGPE, seriam seis ao seu lado. Na outra trincheira, Ferrari, Renault, Toyota, Red Bull, Toro Rosso e BMW Sauber. Esse grupo pode ser dividido em suas convicções. As três primeiras se manifestaram oficialmente contra o teto orçamentário. As outras três me parecem, digamos, mais flexíveis.
3) Bernie Ecclestone, o mediador, não deve ter mediado nada. Já foi, digamos, levado mais a sério pelas equipes.
Aguardemos os detalhes para tentar imaginar onde isso vai parar. Não nos esqueçamos que no dia 29 terminam as inscrições para o Mundial. Por via das dúvidas, imprimi um formulário e vou reservar o número 69.
SÃO PAULO (que céu!) – Max, Bernie e FOTA se encontram amanhã em Londres. Na pauta, a óbvia discussão sobre 2010. De um lado, as equipes que ameaçam deixar a F-1; de outro, os dirigentes que insistem no teto orçamentário.
O agendamento de uma reunião pouquíssimos dias depois dos comunicados oficiais de Ferrari e da Renault indica que há disposição para a conversa. Vai sair uma pizza quentinha, mas neste caso muito bem-vinda. A discussão política já está enchendo. E uma F-1 com duas regras diferentes não faz sentido.
Algum acordo sai daí.
Falando em pizza, se eles quiserem indico o forno a gás que comprei outro dia. Dá para montar em casa em dois minutinhos. Muito bom. O problema só fazer a massa ficar redonda, mas um dia ainda aprendo. Por enquanto, ela sai em forma de ameba. Pena que o site da empresa esteja em manutenção. Mas tem um e-mail de contato lá, se Bernie, Max & amigos quiserem encomendar.
SÃO PAULO(só piora) – O passado recente das brigas entre equipes e FIA talvez faça com que a gente olhe meio desconfiado para o que está acontecendo agora, meio que pensando que já viu esse filme, e que no fim o mocinho beija a mocinha e segue o bonde.
Mas não sei por quê, desconfio que desta vez a coisa pode ser um pouco mais pesada. A Ferrari lascou a lenha ontem. A Toyota, a Red Bull, a BMW Sauber e a Toro Rosso fizeram o mesmo. Hoje, a Renault. Novo comunicado oficial dizendo que sai da F-1 se a FIA mantiver o teto orçamentário.
O texto da Renault diz que a FOTA tem as mesmas ideias de conter os custos com propostas concretas para o período entre 2009 e 2012, e que não aceita a maneira que a FIA escolheu para impor sua decisão, estabelecendo um campeonato com dois regulamentos. “A FIA ignorou completamente as equipes”, diz a Renault.
Para a montadora francesa, a gestão do esporte deve ser “coordenada sob o espírito da consulta mútua entre todas as partes (FIA, FOM, FOTA)” para que se adote qualquer medida, e aí há uma sutileza importante: as equipes já se consideram parte integrante da administração da F-1 e com peso idêntico aos de Mosley (FIA) e Bernie (FOM).
O presidente da Renault (a equipe, não a montadora), Bernard Rey, diz no comunicado que o time não vai se envolver num campeonato que tenha dois conjuntos de regras diferentes. “Se levarem isso adiante, saímos no fim do ano.” Depois, Briatore fala: “Nós nos recusamos a aceitar uma gestão unilateral conduzida pela FIA. Se as decisões do Conselho Mundial de 29 de abril não forem revistas, não teremos outra escolha que não seja deixar a F-1″.
Mais uma frase que deve ser lida não como sendo de Briatore, mas de todas as equipes insurgentes: não se aceita mais o poder unilateral da FIA.
Começou a revolução. Brawn, Force India e McLaren ainda não se manifestaram individualmente. A Williams já o fez, dizendo que vai correr no ano que vem, do jeito que for, até porque não sabe fazer outra coisa. O racha entre os times, algo que Max deseja, está começando. Mas é provável que McLaren e Force India se alinhem aos “revolucionários” — a McLaren reluta porque vem levando muita cacetada, ultimamente.
A Brawn… Eu apostaria que a Brawn vai ficar do lado da Williams, ao menos no início.
O curioso é que enquanto Bernie vai à imprensa a cada ameaça de deserção para chamar todos de estúpidos e cafajestes, a FIA nada diz.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.