19/02/2009 - 15:26
SÃO PAULO (quem sabe dá certo…) – Bem, vou passar apenas o que recebi de informação, porque não estive presente na reunião — no mesmo horário, estava no ar na rádio. Terça-feira à noite, a pedido do Bastos, vice-presidente da FASP e dono de não sei bem qual clube, vários pilotos da Superclassic foram à federação para discutir o que aconteceu sábado em Interlagos (para quem não sabe ainda, é só clicar aqui).
Nenhum — repito, nenhum — dos quatro gênios da comissão de Antigomobilismo nomeada no ano passado para estragar nosso campeonato apareceu. O que levou todos à conclusão de que ela não mais existe. Ou, se existe, não apita mais nada. Ótimo. Livramo-nos desses caras que criaram 20 (20!) categorias num campeonato que tinha só três, com o único objetivo aparente de encaixar um JK com pneus slicks e algumas Alfas da antiga Classic num grid que construímos com muito esforço em cinco anos. É bom dizer aqui que nenhuma Alfa da antiga Classic apareceu para correr, e o JK quebrou.
Parece que a reunião foi positiva. A comissão foi dissolvida (não sei se formalmente, mas ela nunca existiu formalmente, também, então dá na mesma) e o campeonato foi rebatizado e reformatado.
A partir de agora, o que foi Historic Racing Cars (2003), Copa SP de Autos Antigos (2004), Superclassic (2005 a 2007) e Históricos de Competição (2008) passa a se chamar Classic Cup, e já tem até logotipo, feito pelo piloto Tadeu Destro. As 20 categorias foram reduzidas a oito. É um progresso, sem dúvida. Pelo que entendi (o novo regulamento está sendo redigido, e é o que me preocupa, porque sai cada coisa de lá…), teremos três divisões da seguinte forma:
DIVISÃO 1 – Carros com motores e carburadores originais, subdivididos em três categorias: A, para motores até 1.400 cc; B, para motores até 1.600 cc; C, para motores até 2.500 cc (creio que isso abre a possibilidade de Opalas entrarem no campeonato, o que acho bem legal).
DIVISÃO 2 – Carros com motores originais, podendo ser usados carburadores Weber 40 ou semelhantes, subdivididos em três categorias como acima, por cilindrada do motor. Aqui também podem ser usados diferenciais autoblocantes.
DIVISÃO 3 – Réplicas e protótipos. As réplicas são exclusivamente aquelas que usam mecânica VW a ar até 1.600 cc. Os protótipos, pelo que entendi, são todos aqueles que não usam motores originais, como os Pumas, Fuscas, Karmann-Ghias, Chevettes e outros equipados com motores AP, com cilindrada máxima de 2.000 cc.
Não serão permitidos pneus slicks, nem apêndices aerodinâmicos que não sejam originais do carro. O Transformer do Malanga, portanto, terá de arrancar a asa traseira, o spoiler dianteiro e as minissaias laterais. Os carros que podem participar são os mesmos, nacionais ou importados fabricados até 1979 — e as exceções previstas desde 2004, como os Fiat 147, Brasília, Corcel II, Passat, Chevette, todos que foram fabricados além de 1979, mas ou estão descontinuados, ou mantêm os projetos originais sem alterações (caso do Lada, que é um projeto da Fiat década de 60, aprimorado pelos camaradas soviéticos).
Gostei. Espero que seja cumprido e fiscalizado, para acabar essa balbúrdia que a FASP fez e agora tenta desfazer. Ah, e o resultado da primeira etapa será adequado às novas divisões, parece. Mas não tenho certeza sobre isso. Nossa segunda prova está marcada para 7 de março. Até lá!
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): #69, Classic Cup
Tags: Classic Cup, FASP
14/02/2009 - 17:45
SÃO PAULO (não diga…) – Bem, foi um retumbante fiasco a abertura do Paulista de Velocidade na modalidade Antigomobilismo, a ex-Superclassic (qual nome vocês acham melhor?). Um campeonato que terminou a temporada de 2007 com 42 carros no grid e manteve uma média de mais de 30 no ano passado, apesar das primeiras mudanças de regulamento e da ingerência da FASP, que tirou do comando a APTA, nossa associação, começou com minguados 22 pilotos hoje em Interlagos.
Foi uma piada de mau gosto a estreia do novo regulamento, devidamente espinafrado por este que vos fala neste post aqui, alguns dias atrás, e fervorosamente defendido por escrito nos comentários deste outro post pelo piloto Ricardo Malanga. A fama de chato e intransigente ficou comigo.
A zona começou na hora da inscrição. “Qual a sua categoria?”, perguntava a secretária aos pilotos diante do checão de 790 reais, a taxa deste ano. Muitos não sabiam. Eu fui sincero, não sabia mesmo. Queria ver se tinha uma lista para me inscrever na que tivesse menos participantes, já que meu carro se encaixa em várias delas, mas não tinha lista alguma e deixei a cargo da secretária escolher uma.
Quando saiu a folha de tempos da classificação, o Meianov estava enquadrado como D2C2, uma categoria que não existe. Achei sensacional. Um carro-fantasma de uma categoria-fantasma. Entre os 25 inscritos para o treino que definiu o grid, havia carros da PB, PA, D3C, D2C2, D3B, D3, D4B, D4D, D2B, F, D3A e D1.
A classificação começara tensa, com uma forte batida do Ricardo Magnusson no S do Senna. Acabou com o Bianco, mas ele não sofreu nada. Tanto que mandou buscar o Puma em casa e largou com ele, horas depois. A pole foi do Malanga, que apareceu com seu Transformer verde agora decorado com um enorme aerofólio traseiro (na PB, a divisão dele, pode usar asa onde quiser) e fez 1min59s348 na sua melhor volta. As novas regras agora permitem slicks em alguma divisões, acho que a D4 com suas letrinhas, e dois carros usaram tais pneus: o Passat do Rogério Tranjan (melhorou seu tempo em mais de 2s em relação ao que costumava virar com radiais, e adorou) e o JK de Fábio Steimbruch, que vem a ser um dos quatro membros da genial comissão de antigomobilismo da FASP — a que elaborou o genial regulamento de 20 categorias diferentes.
O Meianov andou direitinho, nem muito, nem pouco. Fez 2min19s653 (111,078 km/h), 19º na geral. Para a corrida, pedi apenas para colocarem meu banco bem mais para a frente, porque acho que desde a última prova eu encolhi — ou o Meianov esticou. Demos uma mexida no carburador, também, porque estava havendo um buraco enorme nas retomadas de aceleração. A posição de dirigir melhorou muito. A carburada não adiantou grande coisa, mas tudo bem. Se eu tivesse treinado na sexta, a gente teria tido tempo de arrumar isso, mas não pude, paciência.
No intervalo entre classificação e largada, mandei fazer lá no autódromo mesmo os adesivos da ToGroundControl, o ateliê da Juliana, lembram?, a estilista que desenhou o novo macacão do velho piloto aqui. Depois coloco fotos, ficaram muito bonitos.
No briefing, perguntei timidamente ao Ernesto, diretor de prova, como seria a questão do pódio e dos troféus, já que tínhamos 12 categorias representadas no grid, inclusive uma, a minha, que não existia. Não era de sua alçada, avisou. Steimbruch, o da comissão de antigomobilismo, não soube responder. Não insisti.
Largamos com o tempo muito nublado, sem grandes sustos, e nas primeiras seis ou sete voltas tive uma briguinha bem divertida com meu amigo José Zuffo, maluco por DKW, mas que voltou a correr depois de muito tempo com um simpaticíssimo Fiat 147 — o único carro inscrito na D1. Ele me passou na largada, eu o passei no S do Senna, depois ele me passou no Sol, quando a minha quarta marcha não entrou, e eu o passei de novo no S antigo. Aí comecei a abrir um pouquinho, ele quebrou e corri sozinho até o fim.
Não foi uma prova das mais emocionantes. Fiz minha melhor volta na sexta passagem, 2min18s635, e da metade para o final, sem ninguém para brigar e com uma leve garoinha em Interlagos, os tempos subiram para a casa dos 2min20s. Tudo funcionou direitinho no carro e foi bacana ver a blogaiada torcendo a cada passagem pelo S do Senna ou pelo Laranjinha, com a turma acenando lá do heliporto.
O Malanga, que liderava na geral com o Transformer alado, quebrou na última volta. A vitória acabou ficando com o João Caldeira, de réplica de Porsche, carro preparado pelo Della Barba. Sebastião Gulla (Puma AP da LF, minha equipe) ficou em segundo na geral e o “restauranteur” Edson Furrier (Puma a ar, da Della Barba) foi o terceiro.
Não houve pódio. Porque ninguém da FASP, nem de sua genial comissão de antigomobilismo (de seus quatro membros, dois não apareceram em Interlagos, um estava correndo e outro preparando o carro do filho), sabia como fazer a classificação final. O caladinho Meianov, coitado, começou o sábado como D2C2 e terminou como D2C. Eram 12 as categorias na definição do grid, tornaram-se dez ao final da corrida. A comissão de antigomobilismo desapareceu. O vice-presidente da FASP bradava que aquilo estava uma bagunça e convocava os pilotos à federação terça-feira, para reclamar a volta do regulamento de 2006/2007 (feito pela nossa proscrita associação, a APTA). Malanga, que defendeu aqui com devoção quase religiosa as novas regras, também sumiu. Se tivesse ficado até mais tarde, levaria o troféu de quarto colocado na categoria PB, seja lá o que for isso.
Muitos pilotos reclamaram troféus de vitoriosos em suas categorias, mesmo que elas tivessem apenas um carro. Falaram em fazer cinco pódios, usando a classificação de cada divisão, independentemente da subcategoria. Eu, por exemplo, terminei na gloriosa segunda posição na D2C, que tinha dois carros (o primeiro foi o TL do Michael Preffer). Num pódio com todos os D2 e suas letrinhas, ficaria em quarto. Mas não houve cerimônia de pódio, porque depois de muita discussão e desesperança, vários pilotos simplesmente foram embora. Catei um troféu de quarto lugar na D2 e me mandei, também. Outros pilotos fizeram o mesmo. Sobraram troféus, acredito.
É o resultado dessa comissão desastrosa, que estragou nosso campeonato com uma arrogância ímpar, fazendo um regulamento ininteligível sem consultar ninguém, sem ouvir os pilotos que há seis anos correm na Superclassic e que sempre trabalharam por uma certa estabilidade da categoria, que forçou a barra para colocar pneus slick onde nunca houve (o carro de Steimbruch usa slicks, reforço) achando que velhos amigos voltariam a correr (não voltaram), que embromou o pobre do Professor Carpinelli com a história de que era preciso chamar mais carros originais (a D1, os ditos originais, tinha um carro), resultado da ação dessa comissão cujos membros mal sabem escrever (basta tentar ler o regulamento para comprovar), desses caras que fogem na hora da crise, e que vão enterrar uma categoria que já foi tão bela, pacífica e divertida. Quem esteve hoje em Interlagos viu no que deu a combinação da omissão da FASP com a genialidade da comissão e sua defesa cega puxada pelos ”legalistas” como Malanga.
E, depois, o chato sou eu.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): #69, Automobilismo brasileiro, Corridas de clássicos
Tags: FASP, Interlagos, Meianov
11/02/2009 - 17:53
SÃO PAULO (é fácil) – Recebo e-mail de André Carrillo, campeão paulista da categoria Históricos V8 5000 no ano passado. Essa categoria conta com alguns Mavericks, são pouquíssimos, infelizmente, que largam junto com os carros da Força Livre. Pois bem. Mexeram no regulamento deles, também. O mais curioso, curiosíssimo, é que a mesma FASP que extinguiu a Superclassic no fim de 2007 porque jamais aceitou que uma associação de pilotos como a nossa assumisse as rédeas da categoria elegeu na V8 duas pessoas como “Representantes da Categoria”: David Brunstein e Edilson Hiluey. Eles podem tudo: dizer quem corre, quem não corre, aceitar pilotos novos, rejeitá-los e, pasmem, determinar onde os carros serão preparados! Sim, isso mesmo! Só podem correr carros preparados nas oficinas indicadas e homologadas pelos “Representantes da Categoria”!
É demais… O regulamento está aqui, no site da FASP. Cliquem no “técnico” da Históricos V8 5000 e vejam os primeiros itens, em algarismos romanos. É de chorar de rir.
Não conheço os dois representantes, nem o André, que me mandou o e-mail. Ou talvez conheça os três. A gente vive se encontrando por aí, mas não estou ligando os nomes às pessoas. A questão, aqui, é outra, bem diferente. Por que a FASP proibiu nossa associação, a APTA, que tinha mais de 20 pilotos afiliados, fazia eventos fora de SP, cuidava do regulamento, tinha até diretor-técnico remunerado, e agora entrega uma outra categoria a duas pessoas que escolhem até em qual oficina os carros podem ser preparados?
E o chato sou eu…
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo brasileiro
Tags: FASP, Maverick
03/02/2009 - 19:38
SÃO PAULO (vamos escolher uma…) – Saiu a 247ª versão do regulamento do campeonato de carros antigos para 2009. Está no site da FASP. Como vocês sabem, no final de 2007 nós, da APTA — a associação que de certa forma cuidava do campeonato, embora ele fosse supervisionado pela federação —, fomos chamados de “subversivos”. Queríamos mandar muito, sabe como é… Aí a categoria Superclassic, que dividia o campeonato em três categorias e nada mais, foi extinta.
Criaram uma coisa confusa para 2008, que até hoje não sei o nome. Acho que tinha algo com veículos históricos de competição. Sublimei, até porque foi o ano da aposentadoria do #96 e do nascimento do Meianov, e eu estava preocupado com outras coisas. Aí, no fim do ano passado, sei lá por quê, a FASP resolveu criar uma “comissão de antigomobilismo”.
A maioria dos pilotos dá uma banana para a comissão, formada por quatro pessoas. Mas o fato é que o Professor Carpinelli, presidente da federação, um homem que respeito e adoro de paixão — embora não concorde com quase nada que ele faz, afinal sou um subversivo —, deixou tudo nas mãos dos nossos novos gurus.
Desde o final do ano passado, os adorados mestres do quarteto fantástico tentam fazer um regulamento. Eu já tinha desistido de tentar compreendê-lo, porque todas as versões apresentadas são incompreensíveis. Mas agora saiu o que parece definitivo, e me obriguei a ler a batelada de bobagens. Foi um choque.
Para provar que não é má-vontade minha, vejam o que saiu, e está valendo:
- São agora cinco divisões: 1, 2, 3, 4 e Réplicas & Protótipos. Em todos os regulamentos, na lista de carros permitidos, está lá que podem correr, entre outros, ”importados fabricados até 1979, ou que preservem a aparência dos modelos feitos até 1979″. É exatamente o caso do Meianov, que teve frente e traseira modificadas para ficar com a cara do modelo 1976 do Lada (ele é igual desde 1966, só mudaram faróis e lanternas). E como ele tem motor original e apenas um carburador, está apto a correr em quase todas as divisões, como se verá adiante.
- A Divisão 1 é subdividida em cinco (A, B, C, D, E). Pelo que deu para entender, destina-se a carros “originais”, seja lá o que for isso. O Meianov se encaixaria nela, como D1/C (motores de 1501 cc a 1800 cc), não fosse o fato de eu ter substituído os vidros traseiro e laterais por acrílico. Pelo que entendi (desculpem, vou repetir essa expressão muitas vezes até o fim do post), qualquer carro que tiver acrílico no lugar de vidro está fora. Creio que não teremos carros na D1. Ah, eu estaria fora pelo peso, também. O regulamento fala em peso original reduzido em 120 kg no caso da subdivisão em que se encaixa a cilindrada do meu motor. O Lada pesa originalmente 1.015 kg. Teria de pesar 895 kg, com piloto. Hoje, pesa 886 kg. OK, eu até poderia colocar um lastro, ou voltar aos vidros. Aí, provavelmente, correria sozinho na D1/C. E seria campeão. Mas não vou colocar os vidros de volta, acho.
- A Divisão 2 também é subdividida em cinco (A, B, C, D, E). Nesta, o Meianov se encaixa sem restrições. Estaria na D2/C, motores de 1.401 cc a 1600 cc. O peso seria o original reduzido em 150 kg. No meu caso, teria de pesar 865 kg. Estamos dentro! E pode usar acrílico. Pelo que entendi, a diferença fundamental da D1 para a D2 é o acrílico… Mas tem algumas coisas sobre o uso de peças de fibra e carburadores, também.
- Na Divisão 3, temos quatro subdivisões (A, B, C, D). Também posso entrar nela, porque pelo que entendi, a diferença em relação à Divisão 2 está apenas nos pesos — ao menos no que diz respeito ao meu carro. Eu entraria na D3/B, motores de 1.301 cc a 1.600 cc, peso mínimo de 750 kg. Daria para fazer um regime no Meianov. Vou pensar no assunto.
- Na Divisão 4, mais quatro subdivisões (A, B, C, D). Pelo que entendi, é bem parecida com as demais, mas permite o uso de spoilers e aerofólios, pneus importados e pneus slicks nacionais. Aí eu entraria na B, motores de 1.001 cc a 1.600 cc, pesando 820 kg. Porque embora seja permitido o uso de pneus diferentes, nada é dito sobre o uso dos pneus permitidos nas outras divisões (radiais nacionais ou fabricados em países do Mercosul).
- Finalmente a Divisão 5, para réplicas e protótipos, subdividida em duas (A e B). Aqui não me encaixo, meu carro não é um protótipo, nem uma réplica de nada.
Tentando resumir: temos 20 subdivisões em cinco categorias, o que me faz imaginar que a FASP e os clubes terão de fazer 20 pódios diferentes a cada etapa, e como cada pódio contempla os cinco primeiros colocados, serão 100 troféus por etapa. Claro que não haverá carros em algumas delas, mas pode ser que haja, sim, um ou dois em algumas delas. Ah, antes que me esqueça, não entendi onde entram os carros que usam motores AP não originais. Como não é meu caso, não me preocupei com isso.
O Meianov está habilitado para correr na D1/C (se colocar os vidros de volta), na D2/C, na D3/B e na D4/B. Não é demais? Adorei a clareza dos textos e o esmero nas subdivisões. É uma façanha redigir um regulamento que permite que o mesmo carro se enquadre em quatro categorias diferentes! Considero-me um privilegiado por poder escolher qualquer uma delas, podendo disputar cada prova por uma diferente, o que certamente me levará ao pódio em todas as corridas — muitas vezes, provavelmente, sozinho.
Já vou providenciar uma nova estante para minhas taças, e agora é só uma questão de decidir, momentos antes de fazer minha inscrição para cada etapa, em qual divisão/subdivisão quero correr. Vou para aquelas com menos participantes, obviamente. E, ao final do ano, serei campeão numa temporada que terá nada menos do que 20 campeões!
Não é demais? Genial, nossa nova comissão. Parabéns.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): #69, Automobilismo brasileiro
Tags: FASP, Meianov, regulamento
03/02/2009 - 11:44
SÃO PAULO (bom nível) – Está ótima a discussão abaixo sobre a nova categoria da FASP, a Street Car, para carros feitos a partir de 1995, de rua, sem preparação alguma, com santantônio e cinco de quatro pontos. Apenas gostaria de chamar a atenção para um detalhe. Tem muita gente defendendo a ideia, que permitirá a qualquer um dar umas voltas em Interlagos, usando o argumento de que são um sucesso os “track days” e os festivais de regularidade que acontecem mundo afora.
O detalhe: não estamos falando aqui de “track day”, ou de dar uma passeada por uma pista de verdade com seu carro de rua. Isso é legal demais, claro, desde com controle de velocidade e sem competição corpo a corpo. Oferece-se aos não-pilotos a chance de guiar num autódromo, matar a vontade, e não tenho nada contra isso, ao contrário. Aproxima o público do esporte, é positivo.
A Street Car não é isso, porém. Nós estamos falando de corrida, corrida de carros, um contra o outro, pauleira pura. Com carros não preparados para isso e pilotos, menos ainda.
É perigoso demais. Ninguém falou, por exemplo, em vistoriar esses carros. Os amortecedores estão bons? Os freios aguentam? Os pneus estão em boas condições? Por enquanto, está tudo muito no ar. Sigo com minha opinião de que é uma temeridade.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo brasileiro
Tags: FASP, Street Car
02/02/2009 - 19:04
SÃO PAULO (ai, ai, ai…) – Não sei direito, para dizer a verdade. A FASP colocou no ar em seu site o regulamento de uma nova categoria que não foi apresentada a ninguém, apenas despencou no mundo digital sem muito alarde e eu só soube dela através do blogueiro Eric Drukovich. As regras estão aqui. Pelo que entendi, é um campeonato aberto a qualquer tipo de carro de rua, desde que seja fabricado a partir de 1995, tenha santantônio, cinto de quatro pontos, motor de 4 cilindros, duas ou quatro portas, sem turbo, com mecânica e carroceria originais, rodas e pneus nas medidas de fábrica. Pick ups, vans, conversíveis e furgões estão proibidos. No mais, vale qualquer coisa. Qualquer Palio, Gol, Corolla, Civic, Astra, Vectra, Focus, literalmente tudo.
Pode participar qualquer um que tenha carteira de motorista, ou que tenha feito curso de pilotagem. Ex-pilotos são admitidos, desde que não tenham competido oficialmente nos últimos dez anos. É obrigatório uso de macacão e capacete homologados.
Serão dez provas durante o ano, de sete voltas cada uma (a última terá dez voltas). O grid será definido por sorteio.
O que parece a vocês? Uma nova “Estreantes & Novatos”? OK, isso funcionou nos anos 60, estimulou a formação de pilotos, mas eram outros tempos. Fuscas, Gordinis e DKWs, com todo respeito, não ofereciam grande perigo a ninguém.
Agora, fazer isso em 2009… Pensem bem: uma categoria aberta a qualquer carro, numa época em que boa parte deles passa dos 180 km/h, mesmo os de baixa cilindrada. Pelo regulamento, pode-se colocar na pista um Audi A3, por exemplo, na mão de um cabra que não tem a menor noção de pilotagem. É um carro rápido, que chega a 200 km/h, mas não está dimensionado para corrida. A suspensão é mole, é pesado, se o cara entrar errado no S do Senna, vai capotar e se arrebentar.
OK, sou a favor de automobilismo de custo baixo e massificado. Só que colocar carros de rua na pista sem mais nem menos não é exatamente o que eu chamo de automobilismo. Isso aí não vai formar piloto algum. Vai, sim, satisfazer o desejo de quem quer acelerar em Interlagos e está disposto a pagar 300 reais (o preço da inscrição) para dar sete voltas, numa razão de R$ 10/km, além de detonar seu possante, porque pista detona, mesmo. Isso, para mim, é estimular o racha na pista. Ótimo, melhor que nas ruas. Só que perigoso demais, na opinião deste que vos fala.
Não gosto da ideia, não. Para dizer a verdade, acho uma grande cagada. E arriscada. Em outras palavras, e em português claríssimo: vai dar merda.
Quero saber a opinião de vocês, agora.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo brasileiro
Tags: FASP, Street Car
26/11/2008 - 12:42
SÃO PAULO (estarrecedor) – Acaba de pingar nos comentários do último post sobre o episódio do quase-acidente de sábado na Superclassic em Interlagos a primeira manifestação do… hum… piloto-mirim Felipe Castro. Que não tem 16 anos, como ele mesmo nos revela. “Quase 18″, em suas palavras. Faz aniversário na semana que vem. Tornar-se-á um “de maior”.
Leiam vocês mesmo, se conseguirem compreender seu… hum… português um tanto exótico. E julguem vocês mesmos o tipo de juventude classe média que está se formando nas grandes cidades deste país.
Da minha parte, menininho, aviso que pode procurar outra coisa para correr, porque na Superclassic não corre mais. E antes que você pergunte “o que você manda?”, te respondo que, nessa categoria, mando bastante.
Quanto ao pai do rapaz, com todo respeito… Como é que esse menino passa de ano? O senhor deveria imprimir o texto abaixo, procurar sua escola e, aí sim, processá-la.
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26/11/2008 – 12:07 Enviado por: Felipe Castro
primeiramente antes de falar minha idade acho melhor você se informar e corrigir ,,, farei 18 daqui 1 semana !
orkut ? coloco qualquer coisa que eu queira pois é MEU !
sobre desculpas ? nem momento alguem me recusei de pedir …sei que errei.. e oque estao falando nesses comentarios nao me influencia em nada… porque NINGUEM estava dentro do carro para saber oque aconteceu muito MENOS VOCÊ que quiz começa falando disso..
nao deviria mais vou falar…
o carro nao tinha controle algum.. tentei dar motor e nao adiantou.. para nao dar de frente com o muro do lado da pista se vc for capaz repare nas fotos que as lanternas traseiras estao TODAS acesas…
vao me criticar muito aqui ainda que sei.. isso nao me afeta…
tenho camera on board que ja estou pasando para dvd .. ELA EH A PEÇA PRINCIPAL DA HISTORIA ! pois da pra ver que faço tudo certo durante a freaia mais o carro nao para.. para nao bater no rogerio tiro o carro pra tirei e ai perco a traseira dele… e ai começa….
outro erro ? sim, no mergulho quando o SR Bras pisa no freio enquanto todos estao com o pe embaixo.. e perdendo a traseira.. me assustei achando que ele iria rodas e so aliviei o pe do meu ..neste mesmo momento perdi a traseira novamente mais consegui segurar depois e o marcelo q estava atras se ASSUSTO MAIS AINDA e jogo para a grama ….
nao vou ficar me defendendo aqui por “BLOG” inuteis.. por que nao deve satisfaçoes para este…
vou dar para quem mereço (FASP,CBA,MARCELO GIORDANO)
somente ao marcelo que quase bateu.. pq o resto tava normal na corrida …
vao me achar ignorante ? pode ate ser.. mais duvido que voces nao errem… foi um erro..ateh senna errou … FLAVIO GOMES errou e BATEU ! querem cair de pau emcima de mim por que ? por que era minha primeira prova ? por que sou menor ? IDAI ? sera ja era campeao e errou !
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo brasileiro
Tags: acidente, CBA, FASP, Mobral
25/11/2008 - 21:10
SÃO PAULO (direito concedido) – Está há algumas horas nos comentários do post “Recado para a FASP”, mas como nem todos lêem os comentários, acho justo abrir um novo post sobre o assunto para que o missivista tenha o mesmo espaço de que disponho para expor suas idéias.
Trata-se da mensagem de Hailton Castro, pai do piloto Felipe Castro, do Passat #50, que quase causou gravíssimo acidente sábado em Interlagos, em nossa prova da Superclassic (quem não viu pode ver no link).
Mais abaixo, a resposta que coloquei ao seu comentário, que igualmente reproduzo aqui.
O que eu tinha a dizer sobre o assunto, já disse ontem. Portanto, me abstenho de mais comentários, deixando-os para vocês.
A mensagem do pai de Felipe Castro está publicada na íntegra, sem revisão ortográfica.
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“Prezado Sr. Flavio Gomes
Inicialmente, permita-me apresentar.
Sou Hailton Castro, pai do Felipe Castro piloto do Passat #50 que participou da prova da categoria Carros Antigos no último sábado 22 de novembro no Autódromo José Carlos Pace.
Com relação aos fatos ocorridos naquela prova, tenho a esclarecer ao Sr. o seguinte:
O Felipe errou em sua pilotagem ao perder o ponto de frenagem do carro para o contorno da primeira perna da curva e errou novamente quando ao retornar à pista, colocando em risco a sua integridade física e à de terceiros.
Eu estava assistindo à corrida no “S do Senna” acompanhado de minha esposa e de minha filha e presenciamos toda a cena. Creio ser desnecessário descrever os nossos sentimentos naquele momento. Espero sinceramente que o Sr. jamais tenha de passar por este tipo de emoção com os seu filhos.
Na terceira passagem, o Felipe errou novamente no mesmo local porém em menor escala. Daí em diante, ele conseguiu recuperar a concentração e não mais cometeu erros maiores, completou todas as voltas, fez ultrapassagens com segurança e classificou-se em 4o. lugar em sua categoria.
Terminada a prova e já em casa, discutimos exaustivamente o ocorrido, não somente entre família mas também com a participação da equipe, de amigos e de pilotos de nosso relacionamento que também presenciaram a tudo.
Os devidos alertas e ”puxões de orelha” foram levados à cabo com a energia merecida e, o mais importante, com a devida aceitação pelo Felipe, ou seja, ele assumiu o seu erro.
Declarou que estava tenso no momento da largada embora também reconheça que isto não justifique o erro cometido. Não é segredo para ninguém de que aquela foi a primeira participação do Felipe em uma prova.
Importantíssimo salientar, que desde os treinos da 5a. feira o Felipe foi alvo de perseguições e pressões por parte de vários pilotos da categoria, sob a alegação de que o Passat #50 estava equipado com motor fora do regulamento. Acredito que este fato não lhe tenha sido revelado.
Um verdadeiro clima de terrorismo instalou-se nos boxes da categoria e o Felipe teve de se submeter a tudo isto.
Disponibilizamos o carro e o motor nos boxes para que qualquer mecânico o abrisse e verificasse.
Sabe o Sr. quantos pilotos tiveram a hombridade e a coragem de fazê-lo?
Resposta : NENHUM!
Na verdade, trata-se de um motor VW AP 1.6, preparado ainda nos moldes da antiga categoria “Turismo N” e equipado com um velho carburador mini-progressivo.
O Sr. Luiz Finotti, a que o Sr. conhece bem, poderá atestar-lhe sobre a verdade deste motor. O Sr. Luiz conhece muito bem ao Felipe e à mim.
Claro que estes pilotos que protagonizaram esta atitude lamentável, não o fizeram pelo regulamento mas sim pelo cronômetro, afinal, com esse motor o Felipe cravou 02’09” nos treinos, ou seja, muito abaixo daqueles que usam carburação Weber, etc.
Houve até o caso de um piloto que retirou-se do treino, revoltado que estava.
Para ele também o motor continua à total disposição para qualquer verificação.
Este assunto está encerrado para mim e para meu filho.
Porém, cabe-me aqui como Pai (com P maiúsculo mesmo) esclarecer-lhe e alerta-lhe do seguinte:
Li atentamente aos 2 artigos publicados pelo Sr. e às dezenas de comentários de seus visitantes em seu “Blog” à respeito do ocorrido. Estão todos devidamente arquivados em CD.
A única conclusão que posso chegar é a de que o Sr., através do seu “Blog” está submetendo meu filho menor à execração pública.
Até consumo de drogas foi sugerida nos comentários dos visitantes e, saiba o Sr. de que os comentários veiculados em seu “Blog” também são de sua responsabilidade.
Dezenas de comentários, de pessoas que sequer conheço, atingem a integridade de minha família e à minha particularmente, uma vez que fui taxado de irresponsável publicamente por pessoas que não se identificam, usam apenas iniciais ou alcunhas.
O Sr. tem alguma noção do que isto significa? Tem o Sr. alguma noção das terríveis conseqüências que estes comentários geraram em minha família? Tem alguma noção do clima que estabeleceu-se em minha casa? Creio que não.
Lamentável para alguém como o Sr. que se diz “jornalista” utilize de palavras tão chulas e de baixo calão em seus artigos. Esta atitude realmente denuncia à que categoria de “jornalista” o Sr. pertence.
Com relação às autoridades desportivas (FASP e CBA), a quem o Sr. tanto odeia, quero informá-lo de que a pressão que o Sr. está fazendo para que estas tomem providencias é totalmente desnecessária. Eu pessoalmente e o Felipe iremos à FASP, independentemente de qualquer convocação, prestar os esclarecimentos que nos forem solicitados e acataremos com total resignação à quaisquer penalidades que aquele órgão entender necessárias.
Faremos isto pois, em minha família assumimos integralmente por nossos atos e não precisamos de opiniões como as suas, aliás, dispenso-as todas. Sabemos e assumimos nossas responsabilidades.
Com relação ao aprendizado do Felipe como piloto, cursos, habilitação e às dezenas de treinos feitos desde 2007, não lhe devo satisfações. Isto não lhe diz respeito.
Em seu primeiro artigo o Sr. declara que irá procurar o Felipe para conversar com ele. Peço-lhe que não o faça. Não procure à ele nem à mim. Não queremos falar consigo, não temos tempo para o Sr. Nós o ignoramos totalmente.
A única atitude que espero do Sr., se é que terá a dignidade para tal, é a de publicar esta mensagem na íntegra na página principal seu “Blog”, pois, tem esta a finalidade de exercer o meu direito de resposta.
Para finalizar, quero que saiba que falo como homem, como Pai e como um apaixonado pelo automobilismo. Este mesmo automobilismo que, lamentavelmente, abriga gente como o Sr. que, apesar dos meios de que dispõe, nada faz pelo seu engrandecimento.
Atenciosamente
Hailton Castro”
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RESPOSTA DO FG:
Caro Sr. Hailton,
Incialmente, permita-me apresentar-me.
Sou Flavio Gomes, jornalista há 26 anos, 20 deles no automobilismo. E sou o criador da categoria que seu filho escolheu para iniciar sua carreira no automobilismo.
De tudo que o senhor escreveu, as únicas coisas que realmente importam estão nos primeiros parágrafos. Folgo em saber que o senhor percebeu que o Felipe colocou em risco sua integridade e a de terceiros. E folgo mais ainda em saber que nada de grave aconteceu, nem a ele, um garoto de 16 anos, nem a ninguém. Imagino, sim, os sentimentos seus e de sua família diante da possibilidade de um acidente grave. Não, não passarei pelas mesmas emoções porque jamais permitirei que meus filhos participem de corridas de carros aos 16 anos.
O resto, me desculpe a franqueza, é um amontoado de bobagens. Se o Felipe, como o senhor disse, assumiu seu erro, demonstrou mais maturidade que o senhor, com seu discurso virulento e destemperado. Porque seu destempero é típico de quem não aceita críticas, nem o confronto com a realidade. Algo que, felizmente, parece que o Felipe aceitou.
O senhor alega que Felipe foi alvo de “perseguições” por parte de “vários pilotos da categoria”. Dê os nomes, talvez seja interessante saber quem foi que o “perseguiu” e “pressionou”. Era uma corrida amistosa, duvido que alguém tenha feito isso. Não vi “clima de terrorismo” nenhum. Eu, por exemplo, nem sabia que seu filho iria correr. Fui vê-lo na pista. O carro. Nem sabia quem estava ao volante. Lamento, mas nossa categoria não é formada pelo tipo de gente que o senhor imagina que dela participa.
O que tem no carro de seu filho não me interessa minimamente. Se ele tem a intenção de participar de nosso campeonato, caberá aos comissários da FASP constatar se o carro está no regulamento ou não. Isso é irrelevante. O senhor está desviando o assunto de seu tema central, que descrevi com a maior clareza possível no que escrevi — o despreparo de alguém com 16 anos para enfrentar uma pista com um carro de corrida. Abstraia que é seu filho. Estou falando genericamente. Há alguns anos escrevi a mesmíssima coisa sobre crianças de 9 ou 10 anos que disputam campeonatos de moto. Parte da comunidade motociclística me odeia por isso. Paciência.
O senhor brande “o cronômetro” como motivação para a tal “perseguição”, o que é uma sandice. Eu e todos meus colegas dispensamos tais demonstrações de virilidade. Não quero ensiná-lo a educar ninguém, mas creio que elas não sejam um bom exemplo para um adolescente que está agora formando sua personalidade.
Não submeti seu filho a execração alguma. Apenas mostrei o que aconteceu numa corrida. Ele, como piloto inscrito numa prova pública, está sujeito a julgamentos públicos — de outros pilotos, de jornalistas, de espectadores. O senhor não “julga” pilotos quando os vê pela TV? Tratei da manobra de Felipe exatamente como devo ter tratado as manobras desastradas de Alex Yoong quando ele estreou na F-1.
Quanto a ser tachado de “irresponsável”, bem… Todos temos direito a opiniões, não? Eu acho uma irresponsabilidade um pai permitir que um garoto de 16 anos participe de corridas sem ter preparo para tal. O senhor pode achar que eu sou irresponsável, por exemplo, por levar meus filhos a estádios para ver jogos de futebol. É tudo questão de ponto de vista.
Se isso criou um clima ruim em sua casa, lamento. Mas pode ter certeza que o clima estaria muito pior se seu filho tivesse sido acertado em cheio pelo Fiat de meu colega Marcelo Giordano. Muito pior. Talvez o senhor estivesse agora chorando ao lado de um leito de hospital, ou de um caixão.
Dispenso, igualmente, suas considerações sobre “a categoria de jornalista” à qual pertenço. E não me importo muito com o que o senhor acha disso que chama de “pressão” de minha parte para que as autoridades esportivas tomem providências. Acho que têm de tomar, mesmo. Se o senhor não se importa com a segurança de seu filho, tomara que alguém se importe. Nesse caso específico, são as autoridades esportivas. De fato, o senhor não me deve satisfações sobre os treinos e aprendizado de seu filho. Deve-as aos órgãos que regulam as corridas. Pelo que se viu na pista, o aprendizado de Felipe foi falho e quase causou um acidente gravíssimo. Isso, sim, me diz respeito. A mim e a todos os pilotos que correm na nossa categoria.
Não mais procurarei o Felipe para conversar, se é de seu desejo. Mas se ele quiser conversar comigo, estarei à disposição. Ao contrário do senhor, que pretende me ignorar, não vou ignorar a presença dele, nem a de qualquer piloto, em nossas corridas. Queira o senhor ou não, ele terá de se submeter a julgamentos e regras, se quiser seguir no automobilismo. Regras e julgamentos aos quais terá de se submeter também na sua profissão, no seu convívio social, na sua escola, na sua faculdade, na sua vida.
Vida que, felizmente, não acabou de maneira trágica sábado passado em Interlagos. Como disse no início, essa é a única coisa que importa: ele saiu ileso, assim como todos os outros. O resto — sua ira, seu inconformismo, seu histrionismo, suas demonstrações de “macheza” — pode guardar para si. São características que, de fato, não me dizem respeito.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo brasileiro
Tags: acidente, CBA, FASP, Interlagos, Superclassic
24/11/2008 - 17:52
SÃO PAULO (um pouco de seriedade é bom, para variar) - Antes de mais nada, que fique claro (já comecei um texto assim outro dia, estou ficando repetitivo) que não se trata, aqui, de campanha pessoal contra piloto algum. Mas o episódio do garoto do Passat #50 sábado, na corrida “amistosa” da Superclassic, que fez parte da programação das Mil Milhas, merece não só reflexão, como ação.
Felipe Castro é o nome do menino, já mencionado alguns posts abaixo. Digo “menino”, porque ele tem 16 anos. Seu tio ligou para o Marcelo Giordano, que quase o acertou em cheio, para conversar. E revelou a idade dele. Já acho um absurdo sem tamanho um garoto de 16 anos correr de carro. Nem idade para ter carta de motorista ele tem. Mas parece que a legislação esportiva permite que se corra antes de se aprender a dirigir. Mais um desses absurdos do esporte, e não é só no Brasil, não.
Então, se pode, paciência. Mas as autoridades esportivas não podem permitir que alguém vá para a pista sem ter o menor preparo para correr de carro. Isso independe da idade. O cara pode ter 50 anos e fazer o que Castro fez. E as ações têm de ser as mesmas.
O menino Felipe não tem condições de disputar corridas, pelo que vimos na nossa prova. Não é, repito, porque é novinho e porque nós, os mais velhos, não queremos a molecada correndo conosco. Nada disso. Temos pilotos jovens, também, que possuem alguma experiência e se comportam com civilidade. Não estou discutindo a índole do rapaz. Ele pode ser ótimo filho, bom garoto, estudioso e comportado. Seus pais, que permitem que ele sente numa bagaça que vai a quase 200 km/h, são irresponsáveis. O menino não pode disputar corridas. Não sem antes ser avaliado por quem tem a obrigação de fazê-lo.
Se esse rapaz tem carteira de piloto, ele deve ter feito curso de pilotagem. Se fez, e faz o que faz na pista, o curso foi uma merda. Se não fez, e lhe deram a carteirinha, a responsabilidade é 100% das autoridades esportivas (CBA e FASP), que emitem carteira de piloto para qualquer um. Não sei se é obrigatório fazer um curso. Se não for, deveria. Mesmo assim, algum mecanismo de controle deveria existir. É o fim do mundo permitir que uma pessoa entre num carro de corrida sem ter sido avaliado por ninguém antes.
Nossas autoridades (de novo, CBA e FASP, fora as outras federações) são omissas no controle de quem pode pilotar, e colocam em risco as vidas de todos que participam de suas competições. As entidades se jactam de ter não sei quantos mil filiados, mas pergunto: quantos têm condições de correr? Eu, por exemplo, não poderia jamais disputar uma corrida de GT3, ou de Porsche, ou de Stock. Sou um amador. Tenho limites claros. Colocaria em risco a segurança de pilotos de verdade.
Castro, aos 16 anos, não pode correr. Não porque tem 16 anos, mas porque não sabe pilotar. Acelerar o carro, ele sabe. Qualquer um que tenha o pé direito em funcionamento e saiba qual é o pedal do acelerador sabe. Mas correr não é só isso. Há princípios básicos que devem ser aprendidos e seu aprendizado, comprovado. Freadas, traçado, reações a imprevistos, respeito às bandeiras, comportamento nas ultrapassagens, como abrir caminho para os carros mais rápidos, toques, zebras, áreas de escape, sair da pista e voltar, saber se o carro quebrou e está espalhando óleo na pista, tem muita coisa para aprender, e a gente aprende uma nova a cada corrida.
Aos 16 anos, qualquer garoto deveria estar correndo de kart, se gosta de velocidade. Mas já que a legislação, parece, permite, é responsabilidade das autoridades (FASP, CBA) assegurar aos demais competidores que um garoto de 16 anos tem condições físicas e emocionais de competir.
A FASP receberá, amanhã, fotos da manobra de Castro que quase resultou num acidente gravíssimo no sábado. E receberá também este vídeo, postado no blog do nosso piloto Aroldo Teixeira, do Puma amarelo, que com sua câmera on-board filmou a escapada de pista e a volta quase trágica do Passat #50. É pavoroso.
Se diante dessas evidências a FASP não fizer nada, é porque não serve para nada. Deve, sim, fazer valer sua autoridade. Chamar o piloto, junto com seus pais ou responsáveis, mostrar as fotos e o vídeo, e tomar alguma medida que, como disse antes, pode ser uma suspensão, ou uma advertência formal, ou, o que acho mais indicado, obrigá-lo a fazer um curso de verdade e ser avaliado, depois.
Aproveitando… Nossa corrida foi muito bacana, 33 carros e tudo mais. Mas não tivemos briefing, não sabíamos como seria a largada (lançada ou parada), o pace-car deixou a pista, na frente do pelotão, de um jeito absurdamente inseguro, nossos carros não foram vistoriados, não houve Parque Fechado e tudo foi feito, desculpem os termos, nas coxas.
Já disse: corrida não é brincadeira. Pessoas podem se machucar seriamente. FASP, CBA e organizadores deveriam pensar mais nisso do que nas carteirinhas, nas taxas de inscrição e nas eleições do ano que vem.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): #69, Automobilismo brasileiro
Tags: CBA, FASP, Mil Milhas, Superclassic
02/02/2006 - 14:22
SÃO PAULO (e vai cair mais) – O movimento de certa forma detonado aqui, contra o abusivo aumento do preço das inscrições para as corridas do Campeonato Paulista de Velocidade no Asfalto, já começa a dar resultados.
O valor inicial de 770 reais caiu para 605, segundo o site da FASP. Ganhamos o primeiro round, mas a briga está longe de terminar. Amanhã, leiam a coluna do Fábio Seixas na “Folha de S.Paulo”. E vocês entenderão como funciona esse cartel dos clubes em São Paulo.
Agora vamos atacar a renovação da carteira de piloto. Aqui, pagando 960 paus, é que não tiro.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo brasileiro
Tags: FASP
25/01/2006 - 15:18
BARCELONA (se fosse assim com o salário…) – Não tem nada a ver com o que estou fazendo aqui, mas rola um pau homérico em SP por causa do Campeonato Paulista de Velocidade.
Não sei se todos sabem, mas em SP a coisa funciona assim: a FASP divulga um calendário, homologa as categorias, e os clubes organizam as corridas. Quando digo clubes, não me refiro a entidades com piscinas e ginásios, mas sim a clubes mequetrefes que se dizem de corrida, como o Interlagos, o Centauro, o da Lapa, essas coisas.
A eles cabe fazer com que as corridas aconteçam. Colocam bandeirinhas, ambulância, alugam o autódromo e começam a contar o dinheiro. Porque os pilotos devem pagar a taxa de inscrição para cada corrida aos clubes, e essa é uma das mais vigorosas fábricas de dinheiro fácil do mundo.
Ano passado, eram 550 reais por corrida. Já é um abuso. Imagine um fim de semana em Interlagos com 150 carros. É mais ou menos o que tem, nas oito categorias do Paulista. Dá um faturamento de mais de 82 mil reais. O aluguel da pista sai por menos de 10 mil.
Bem, tem neguinho enriquecendo há anos com essa picaretagem, e a Prefeitura, burra, reclama que o autódromo dá prejuízo. Fosse essa taxa repassada para a Prefeitura, ou boa parte dela, e o autódromo começaria a dar lucro. Seria limpo e funcional, e não o lixo que é.
Mas isso é outro problema, se nunca tivemos e não teremos prefeitos e prefeitas capazes o bastante para fazer um autódromo funcionar, paciência.
Só que agora chega a informação de que a taxa de inscrição para as corridas do Paulista em 2006 será de 770 reais. Sim, isso mesmo: 770 pilas por piloto. Um aumento de 40% em relação ao ano passado.
Me digam uma coisa: o que aumentou 40% no Brasil do ano passado para este? Alguém recebeu aumento de salário assim? A gasolina subiu? A banana nanica? O bombril?
Fora que renovar a carteira de piloto (adivinhem quem renova? sim, os clubes) em SP custa 960 reais este ano. Em Brasília são 520: 240 para a CBA, 240 para a federação local e 40 para o clube de lá que não sei qual é. Aqui, os clubes repassam 480 para CBA e FASP e embolsam o resto, 480 reais.
É ganância demais, putaria demais, ladroagem demais. Estou pensando em tirar minha carteira no Acre, se for preciso, e vou correr sozinho no inferno. Pagar 770 paus para andar naquela bomba de pista de Interlagos por meia hora é demais. E gostaria imensamente que esse infame cartel de clubes me explicasse, e às centenas de pilotos de SP, no que se basearam para aumentar as taxas em 40%.
Ah, para terminar: a única obrigação dos clubes para com os pilotos é comprar taças e troféus. Todos medonhos, com base de granito vagabundo. Os que tenho estou pensando em desmontar para fazer uma pia.
Pronto, falei.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo brasileiro
Tags: CBA, clubes, FASP, troféus
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