SÃO PAULO(ainda tem pista?) - Talvez o pessoal do Rio não saiba, mas tem rodada dupla da F-3 Sul-americana em Jacarepaguá neste fim de semana. Mais uma chance de ver o autódromo decrépito, o mato tomando conta de tudo, arquibancadas caindo aos pedaços e tudo mais… Aliás, dia desses me mandaram uma foto de uma ossada de cachorro, já devidamente devorado por urubus, no meio do asfalto do circuito. Nem publiquei porque era meio nojenta. Mas se alguém viu (está num fotoblog por aí na rede), coloque o link aí nos comentários.
SÃO PAULO (branco?) – Olha só essa… Um carro de F-3 movido a biocombustível feito a partir de restos de uma fábrica de chocolate! A história toda está aqui, com vídeo e tudo. Foram uns caras de uma universidade na Inglaterra que desenvolveram. A Honda, se ainda existisse, certamente faria seu carro movido a chocolate.
E tem mais: a carenagem é feita de batata, o volante é de cenoura e o banco, de soja. Algo assim. Se não andar nada, pelo menos dá para comer.
Não sou um chocólatra, mas tenho lá minhas preferências. Sou louco, por exemplo, por Baci Perugina. E também pelos cigarrinhos de chocolate Pan e pelo Alpino. O resto, dispenso.
SÃO PAULO(e tinha gente…) - Não, não é mais um post malhando o menino, que passa por maus momentos na F-1. É um vídeo indicado pelo blogueiro da madrugada José Everson de Abreu. Imagens raras, essas eu nunca tinha visto. Trata-se do GP da Áustria de F-3 de 1977, na velha pista de Zeltweg. No grid, em terceiro, aparece Piquet-pai quando ainda era Piquet-pimpolho, um ano antes de estrear na F-1.
Notem que a largada era lançada, algo que me deixou curioso. Logo na primeira volta, Nelsinho, como era chamado, assume a liderança. Depois, Derek Daly passa por ele e ganha a corrida. Se não me equivoco, Daly seria campeão inglês de F-3 naquele ano. Na F-1, não deu muito certo e acabou se mudando para os EUA, anos depois.
Nossos piquetistas de plantão estão espertos e vão nos explicar que prova foi essa, afinal, na Áustria. Campeonato Europeu? Austríaco? Amistoso para arrecadar fundos para a Associação das Vaquinhas Aposentadas de Zeltweg?
SÃO PAULO(e eu no Morumbi, argh) – Acabaram as principais temporadas do automobilismo mundial, mas este domingo é um autêntico racing day no Brasil. O Desafio das Estrelas foi bem legal, esses caras todos são excelentes pilotos e Barrichello, no kart, é um dos melhores do mundo até hoje. Vi a primeira bateria pela TV e foi fantástica. Schumacher deu um rodão e levou um porrão (do Rubinho!), Liuzzi mostrou velocidade e ingenuidade, Di Grassi foi bem, mas resistiu pouco a Barrichello, e o Jeff Gordon teria dificuldades para andar com nossa turma de jornalistas depois de um churrasco. Depois vocês me contam, aqui mesmo, como foi a segunda bateria.
Em Interlagos, GT3, F-3 e Copa Clio, tudo no mesmo fim de semana. Não sei como está de público, mas pelo menos a GT3 publicou alguns anúncios em jornais. Ontem mesmo Mattheis e Negrão conquistaram o título. Se alguém aqui foi, que conte como foi.
E no Ibirapuera, aqui do lado, Nelsinho andou de F-1 na av. Pedro Álvares Cabral, tinha bastante gente, mas também não fui, porque tive de fazer café da manhã para cinco moleques que dormiram aqui em casa, os dois e mais três agregados, e acabou a manteiga e o pão de fôrma em coisa de dez minutos, e não sei como é que essa molecada consegue comer tanto e fazer tanta zona.
Meu racing day, portanto, nada teve e nada terá de velocidade, porque entro no ar daqui a pouco e vou até de noite no jogo do São Paulo. Que, segundo um amigo meu, só não foi campeão duas rodadas atrás por causa do Corinthians. Porque se estivesse o Corinthians na Série A, teriam sido mais duas vitórias, já…
SÃO PAULO(arte) – Bruno Terena é o lambe-lambe do Grande Prêmio neste fim de semana em Interlagos. Clique aqui para ver as duas galerias de fotos da GT3 e da Fórmula 3 Sul-americana, maravilhosas. Essa aí do lado me agrada particularmente, pelo inusitado do ângulo, mostrando uma face do autódromo raramente clicada.
Aproveite, você que esteve em Interlagos, para contar o que viu. Na primeira da GT3, por exemplo, Ingo venceu. Na segunda, Walter Salles e Andreas Mattheis estragaram bem seus Fords GT no S do Senna. Pelo jeito, as corridas foram agitadas. Mas os testemunhos daqueles que foram a Interlagos são sempre os melhores. Contem tudo!
SÃO PAULO(é Senna, afinal) – Bruno Senna venceu três corridas na Austrália, e hoje abriu com vitória sua segunda temporada na F-3 Inglesa.
Ainda é cedo para fazer qualquer julgamento sobre seu real potencial, mas vitória é vitória, torcida é torcida, imprensa é imprensa.
Preparem-se para uma superexposição do rapaz. Que pode ser algo positivo, se ele souber encarar como parte do negócio e passar por cima da enchição de saco inevitável com picardia. E que pode ser uma tragédia, se ele resolver incorporar o espírito do tio e cair no, digamos, “estilo Globo” de ver o mundo, com musiquinha de fundo e lágrimas em primeiro plano, emoções baratas a granel, “se chorar dá Jornal Nacional”. Que é o que a Globo deve estar preparando para os próximos dias.
SÃO PAULO(tem o mesmo olhar do tio) – Bruno Senna venceu de madrugada sua primeira corrida de F-3. Foi na Austrália, onde participa de quatro provas locais da categoria. Foi com chuva.
Bruno começou tarde, e coisa de um ano atrás, quando me perguntaram na rádio o que eu achava dele como piloto, respondi que não achava nada porque ele ainda não era piloto. Até então, era apenas um sobrenome tentando começar.
O rapaz disputou a F-3 Inglesa, conseguiu alguns bons resultados e agora, sim, pode-se dizer que é piloto. Não sei o que pretende, muito menos onde vai chegar. Nome ajuda a abrir portas, mas muitas vezes também antecipa o fechamento delas.
Boa sorte ao garoto, que parece ser muito esforçado e determinado. Claro que ganhar uma prova de F-3 na Austrália contra não sei quem não faz do sobrinho de Ayrton automaticamente seu sucessor. Mas é melhor do que perder. E também não se pode afirmar que corre apenas com o nome, seria injusto.
A propósito, nunca assisti a nenhuma corrida de Bruno Senna, portanto não me perguntem o que acho de seu estilo de pilotagem, etc. e tal. E desconfiem de quem sair afirmando um monte de coisas como “ele é rápido e arrojado”.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.