SÃO PAULO (sem mais para o momento) - A vitória de Hamilton foi bola facilmente cantada desde a pole, ontem, e a divulgação do peso de seu carro. Ele não iria parar antes que seus mais diretos perseguidores, portanto era só largar bem e correr para o abraço. Teve um único momento de tensão, na metade da prova, quando Vettel chegou e apertou. Mas aí o alemão perdeu o espelho, foi punido por excesso de velocidade nos pits e as coisas ficaram muito simples para Lewis. Chega a 11 vitórias na carreira, duas no ano, faz um campeonato decente, depois do começo tumultuado. Resultado merecidíssimo.
Glock, o segundo colocado, também merece uma menção honrosa. Não cometeu erros, largou bem, esteve sempre à frente de Alonso e os infortúnios de Vettel o levaram a repetir sua melhor colocação na F-1. É um piloto sem brilho, mas que não tem nada de bobo. Não tem mais bobo na F-1, diria Galvão Bueno.
Galvão que, junto com Burti e Leme, ao longo da transmissão da Globo, nada mais fez do que ficar dizendo que qualquer coisa que acontecesse na face da Terra durante as quase duas horas do GP era “bom pro Barrichello”. Irritante. Parecia que não havia mais nada na pista. E, no fim, nada era “bom pro Barrichello”. Porque era evidente que a marcação de Button era boa para ele, Button, com a estratégia que adotou. Uma hora ia passar, como passou. Era tudo tão “bom pro Barrichello” que nem notaram que seu motor morreu no segundo pit stop. O que não foi nada bom pro Barrichello.
Mas voltemos ao resto. Alonso, mais uma vez, tirou leite de pedra. Parece que dedicou o pódio a Briatore. Perdeu ótima chance de ficar calado. Vettel, aos trancos e barrancos, terminou em quarto. Agora, só ele, com 59 pontos, ao lado da dupla da Brawn, tem chances matemáticas de título. Jenson tem 84, com 69 para Rubens. Webber, que deixou de ser regular como no início do ano, deu adeus a qualquer possibilidade.
O safety-car, desta vez, não teve influência decisiva na prova, como no ano passado. Apenas antecipou a parada da turma que tinha previsto um primeiro stint bem longo. A causa: uma barbeiragem de Sutil, que rodou ao tentar passar um Toro Rosso (Buemi, acho), e na volta acertou Heidfeld. O alemão teve quebrada uma incrível sequência de 41 provas terminadas, desde o GP dos EUA de 2007. Disse que a BMW Sauber não vai protestar, mas tentará “achar um cérebro” para Sutil. Ira desnecessária. O piloto da Force India se desculpou.
O azarado do dia foi Rosberguinho. Tinha carro e ritmo para chegar no pódio, mas barbeirou na saída dos boxes, foi punido e nem pontuou. Por fim, a Ferrari. Uma de suas piores apresentações no ano, com Raikkonen em décimo e Fisichella em 13º. Vexame total.
Semana que vem tem mais, em Suzuka. Ótimo, porque a pistinha de Fuji não se compara à velha pista da Honda, agora modernizada e pronta para receber o GP do Japão por mais 200 anos.
SÃO PAULO(um só) – Esse GP de Cingapura não merece mais do que um post. Sem armação de equipe alguma, a corrida não tem a menor graça. Mas vamos nos desdobrar. O mais relevante para o campeonato, claro, foi o fato de Button ter conseguido terminar à frente de Barrichello, mesmo tendo largado atrás. Isso só aconteceu justamente porque… largou atrás. Não foi ao Q3, pôde começar a prova mais pesado e ganhou a posição do companheiro, a quem marcou homem-a-homem desde as primeiras voltas, nos boxes.
Poderia ter levado já no primeiro pit stop, adiado ao máximo, mas a entrada do safety-car após a batida entre Sutil e Heidfeld adiou, também, a ultrapassagem. Rubens fez sua segunda parada na volta 46 e Jenson, na 51. Quando Barrichello retornou à pista depois de seu segundo pit stop, Button tinha mais de 25s de vantagem graças a uma sequência de boas voltas. Era o bastante para, com uma parada rápida, sair dos boxes ainda à frente. Barrichello, para piorar as coisas para seu lado, revelou depois da prova que seu motor morreu na parada, tirando-lhe segundos preciosos.
As últimas voltas foram dramáticas para o inglês, com problemas nos freios. Sorte dele que tinha uma boa distância para o brasileiro. Tirou o pé, levou o carro para casa, como pediu pessoalmente Ross Brawn pelo rádio. E foi o quinto colocado, uma posição à frente de Rubens. Depois de três provas seguidas terminando atrás do companheiro (a última vez tinha sido na Hungria), Button esboça uma reação. Aumenta de 14 para 15 pontos sua vantagem na classificação, agora com uma corrida a menos pela frente. Rubens precisa tirar 16 pontos em três GPs, porque um eventual empate daria o título ao britânico, que tem seis vitórias, contra duas do parceiro. Tudo pode acabar no Japão se, por exemplo, Button vencer e Barrichello terminar em quarto.
Foi um balde d’água fria no brasileiro, que teve interrompida sua sequência de bons resultados com uma apresentação apenas normal. Button, por outro lado, parece ter colocado fim de vez a uma série de más apresentações. Já havia andado bem em Monza e, hoje, foi maduro o bastante para compensar a péssima classificação com uma atuação segura e inteligente na prova, pensando exclusivamente em chegar perto do outro carro da Brawn.
Rubens não tem muito mais a fazer com seu marca-texto até o fim da temporada. Precisa continuar pilotando de forma agressiva e cruzar os dedos para Button ter algum problema no meio do caminho.
SÃO PAULO (e o meu?) – Saíram os pesos da putada no GP de Cingapura. Da turma da frente, o mais pesado é Hamilton. Pelos meus cálculos apocalípticos (esse “p” mudo caiu?), o inglês para na volta 20. Vettel, na 16. Rosberg, na 19. E Webber, na 18. Assim, Lewis, que já era favorito, é ainda mais.
Na disputa interna da Brawn, a vantagem é grande para Button, que sai com 683 kg contra 655,5 kg de Barrichello. Isso significa que o brasileiro deve fazer seu primeiro pit stop na 18ª volta e o inglês, lá pela 29ª. O que, numa corrida em que ninguém passa ninguém, possivelmente devolverá Button à pista, depois de sua parada, à frente de Barrichello.
Mas tudo isso é teoria e chute puro, porque não considera qualquer possibilidade de bandeira amarela, acidente, má largada, safety-car. E em provas de rua, tudo pode acontecer (oh, que novidade). Tirando o favoritismo de Hamilton, que tem KERS e não deve perder a ponta na largada, o resto é pura especulação.
Abaixo, os pesos:
Lewis Hamilton: 660,5 kg
Sebastian Vettel: 651 kg
Nico Rosberg: 657,5 kg
Mark Webber: 654,5 kg
Rubens Barrichello: 655,5 kg
Fernando Alonso: 658 kg
Timo Glock: 660,5 kg
Nick Heidfeld: 650 kg
Robert Kubica: 664 kg
Heikki Kovalainen: 664,5 kg
Kazuki Nakajima: 680,7 kg
Jenson Button: 683 kg
Kimi Räikkönen: 680,5 kg
Sébastien Buemi: 678 kg
Jarno Trulli: 690,9 kg
Adrian Sutil: 693 kg
Jaime Alguersuari: 683,5 kg
Giancarlo Fisichella: 678,5 kg
Romain Grosjean: 683 kg
Vitantonio Liuzzi: 656 kg
Blogueiro gosta de dar palpite, não? Então deixem os seus aqui. O meu, para os oito primeiros (bem diferente do que apostei no bolão), é: Hamilton, Rosberg, Vettel, Alonso, Kovalainen, Button, Barrichello e Kubica.
SÃO PAULO (quero pastel) – E quem leva amanhã? Aposto em Hamilton. Larga na pole, está com o carro direitinho, a pista é lenta, difícil de passar, essas coisas. Quem vai tirar a diferença de pontos para os marca-textos é a dupla da Red Bull, largando em segundo e quarto, Vettel e Webber. Rosberguinho é uma boa aposta para pódio, também. Anda bem em pista de rua e se não fosse a patuscada do ano passado, seria ele o vencedor em Cingapura. Bom piloto, esse Rosberguinho. Ninguém fala muito dele, mas tem sido um dos melhores deste ano. Por isso que Hamilton não quer o bonitão na McLaren no ano que vem.
A BMW Sauber foi a surpresinha da noite, com os dois carros no Q3. A turma da equipe tem trabalhado com a dignidade que faltou à BMW ao resolver puxar o carro assim, sem mais, nem menos.
E esse Grosjean? É um Nelsinho cabeludo, nada mais. Na TV, Galvão Bueno insistiu na possibilidade de Lucas di Grassi correr em Interlagos. Não acho que queimariam o espantalho tão cedo, mas até que seria legal para Lucas correr em casa. E da Renault, hoje em dia, nada mais me surpreende. Grosjean é “Briatore-boy”, não? Assim, no processo de purificação interna, pode até ser que sobre para ele.
A Force India, como previa Maya, voltou lá para trás, numa pista travada e que exige alguma sofisticação aerodinâmica. E sobra a Ferrari… Gola Profonda, meu informante de Maranello, nunca mais ligou. As coisas andam meio tristes nas hostes vermelhas. Badoer pode ter sido imolado à toa, coitado. É so ver o que Fisichella anda fazendo. Larga em 18º. Raikkonen, que tem tirado leite de pedra nas últimas corridas, ficou em 13º. É bom, mas não faz milagre. Se pontuar, já é muito.
Agora, é aguardar os pesos. Button leva uma certa vantagem sobre Barrichello porque vai largar mais pesado e, portanto, para depois que o companheiro. É algo que pode lhe ajudar se não tiver ninguém entre ele o brasileiro nas primeiras voltas. Mas se ficar encaixotado, Rubens pode compensar a parada antecipada abrindo na pista. A largada, em resumo, será essencial para a dupla.
SÃO PAULO(aqui, sol) – Hamilton cravou a pole em Cingapura, o que me deixou muito feliz porque acertei no bolão de Victor Martins. Mas meus outros palpites estão quase todos furados. Para a corrida, fiz apostas seguras nos dois pilotos da Brawn e arriscada em Raikkonen. Mifu.
Estranhíssima essa Brawn hoje. Barrichello já começou o dia com a má notícia da troca do câmbio, que cedo ou tarde aconteceria. A peça foi submetida a certo stress (estresse, para quem gosta) na largada em Spa e estava no bico do corvo. Mas os carros estavam andando bem, Button inclusive, até o Q1. No Q2, o inglês foi eliminado de forma medíocre, e Barrichello conseguiu arrancar uma volta a fórceps no fim para entrar no Q3.
Aí, bateu. Me deu a impressão de que foi algo no assoalho. Rubens está guiando de maneira bem agressiva e acabou no muro. Mas não ficou tão ruim para ele. O treino foi interrompido, ninguém mais melhorou e acho que ninguém o superaria, mesmo, porque os que estavam atrás não davam pintas de.
Assim, o brasileiro fechou o Q3 em quinto, o que dá décimo, somando os cinco lugares que perderá pela troca do câmbio. Ainda assim, larga na frente de Button, 12º. Jenson, ou “Jêissãn”, como dizem alguns repórteres, terá ao menos a chance de marcar Rubens de perto na corrida. Ele não vê a hora de o campeonato acabar. A normalidade indica que deve perder mais uns pontinhos dos 14 que mantém de vantagem, mas não muito. Se sair de Cingapura com 10 ou 12 na frente de Barrichello, estará no lucro, ainda. Afinal, faltarão “menas” corridas, apenas três.
SÃO PAULO(o raio caiu duas vezes) – Antes que tirem do ar, vejam o vídeo da batida de Grosjean hoje no treino livre em Cingapura. No final do vídeo tem a comunicação de rádio. E não é que ele fala “sorry guys” mesmo?
SÃO PAULO (será que colou?) – De acordo com o blogueiro que me mandou a foto, mas pediu anonimato e não vou dizer que foi o Ricardo Divila, o instantâneo registra o exato momento em que Flavio Briatore e Pat Symonds tentavam entrar no paddock de Cingapura, quando foram imediatamente reconhecidos por Sebastian Vettel.
O piloto alemão contatou as autoridades competentes e os dois meliantes foram expulsos a pontapés.
Falando em Briatore, ele anda dando uma entrevistinha aqui, outra ali. Na última, garantiu que voltará à F-1 e, quando o fizer, vai dar uma grande festa. Só para os amigos.
SÃO PAULO(no fim do túnel há) – Bom dia, macacada. Acabou agorinha o segundo treino livre em Cingapura. O mais engraçado do dia, disparado, foi Grosjean, logo no começo da primeira sessão, rodar e bater no “Muro do Nelsinho”. Foi de leve, é verdade. Mas não deu para acreditar. Coincidência demais. Será que disse “sorry, guys”?
A Renault andou pelada, sem ING e Mutua Madrileña. Fechou o dia com Alonso em segundo, 0s274 atrás de Vettel, o mais rápido com 1min48s650. Foram tempos bem mais altos que no ano passado por conta, parece, de novas zebras e de um asfalto que, em um ano, ganhou algumas ondulações.
A Brawn trabalhou claramente para a corrida no segundo treino, depois de fazer 1-2 com Barrichello e Button na primeira sessão. No fim do dia, seus pilotos fecharam em quinto (Jenson) e 11º (Rubens). Vão brigar na frente.
A McLaren deu pinta de que pode andar bem, também, juntando-se à Red Bull na lista de candidatas a algo que valha a pena na corrida. A Ferrari está para trás. Fisichella ficou o tempo todo nas últimas posições e, no fim, conseguiu o 16º tempo. Raikkonen foi o 14º.
A Force India, que arrancou suspiros em Monza e Spa, caiu para o bloco intermediário com Sutil em 12º e Liuzzi em 18º — este, ainda conhecendo a pista.
O circuito me deu a impressão de ser menos luminoso e exuberante, hoje, do que no ano passado. Não sei se foram as arquibancadas vazias, ou o baixo-astral geral da F-1 nas últimas semanas, ou mesmo a minha TV. Mas me pareceu uma sexta-feira meio sombria.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.