29/07/2009 - 07:50
SÃO PAULO (ainda me fazem madrugar!) - Foi confirmado agora no começo da manhã o que ontem à noite já parecia certo, como dá para ver no post aí embaixo. A BMW anunciou que no final do ano deixa a F-1. A cobertura completa está no Grande Prêmio. É uma “decisão corporativa” para “realinhamento da empresa” em nome de “projetos de sustentabilidade”, essas baboseiras de sempre.
É uma covardia, e uma total falta de comprometimento com o esporte.
A BMW, que fazia os motores da Williams desde 2000, comprou a Sauber no fim de 2005 e como time próprio entrou no Mundial de 2006 com planos bem razoáveis. A ideia era ganhar a primeira corrida em três anos, o que aconteceu de fato, com Kubica no Canadá/2008, e lutar pelo título logo depois. Mas foi só fazer uma bomba de carro para esta temporada, marcando apenas oito pontos em dez corridas, e pronto. A má campanha justificou aquilo que muitos diretores e acionistas queriam, tirar o time de campo. Ou da pista.
A BMW diz que a decisão foi tomada ontem. Ui. Que coisa intempestiva, não? Ontem alguém acordou, abriu o jornal, viu a classificação do campeonato e falou: “Que merda, vamos sair desse negócio e fazer carrinhos elétricos, ou movidos a óleo de linhaça”. Sei. Na verdade, é algo que vem amadurecendo desde o fim do ano passado, quando a Honda deu início à fase de deserções no automobilismo/motociclismo usando a crise econômica como desculpa.
Vamos ver se não esqueço ninguém: Honda (F-1), Audi (LMS), Suzuki (WRC), Subaru (WRC), Kawasaki (MotoGP), Mitsubishi (Dacar), agora BMW. Todo mundo pulando fora. Qual será a próxima? Renault? Toyota? Max Mosley está coberto de razão. Não se pode deixar categoria alguma nas mãos dessas empresas hoje em dia, já que elas são comandadas por conselhos de administração que cagam e andam para o que não é balanço financeiro. Não são confiáveis.
E agora? Agora, o mercado tem um ótimo piloto dando sopa, Kubica, e outro experiente e útil para essas equipes novas, Heidfeld. E uma vaga sobrando para o campeonato do ano que vem. E um time que terá um fim de ano melancólico. O que é realmente uma pena. Comprar uma equipe independente, sólida, voltada para o esporte, como era a Sauber, para fechá-la três anos depois é uma canalhice sem tamanho.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: BMW, BMW Sauber, crise
03/07/2009 - 14:59
SÃO PAULO (feia, a coisa) – Notícia enviada pelo Paulo Fernando Monteiro. Depois da Speedcar Series, aquela que usava carros parecidos com os da Nascar para correr no Oriente Médio, a A1GP pode ser a próxima da lista a encerrar suas atividades. O braço da empresa na Inglaterra, que tocava os negócios da categoria, entrou em liquidação.
É bom lembrar que a Ferrari é parceira desse negócio. Aguardemos.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): A1GP
Tags: crise
03/06/2009 - 10:45
SÃO PAULO (dureza) – A fábrica da Mercedes-Benz em Juiz de Fora vai ser fechada por dois meses. Não há demanda pelo modelo CLC, fabricado em Minas só para exportação. Produzir esse carro foi o jeito que a montadora encontrou de dar alguma utilidade à planta, originalmente concebida para fazer o Classe A, talvez o mais retumbante fracasso da Casa de Stuttgart. A notícia completa está aqui e foi enviada pelo blogueiro Fernando Carvalho. Os trabalhadores temem demissões em massa.
Os alemães são ótimos para fazer carros, todos sabem. Um país que tem Audi, Mercedes, Porsche, BMW, Wartburg, Trabant e DKW pode ser considerado, fácil, o melhor produtor de automóveis do mundo. Mas eles fazem coisas que não entendo. Essa fábrica de Juiz de Fora, por exemplo. Qualquer um antevia que o Classe A seria um fiasco. Depois, a compra da Chrysler, um elefante branco que teve de ser devolvido com prejuízo monstruoso. A Audi montou uma fábrica em Curitiba para fazer A3 e poucos anos depois desistiu.
Cagada não tem nacionalidade, a verdade é essa.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Indústria automobilística
Tags: crise, Juiz de Fora, Mercedes
08/04/2009 - 16:59
SÃO PAULO (tristeza) – Acabo de receber a notícia, enviada pelo Eric Karmannvic, de que a Karmann, na Alemanha, faliu. Empresa fundada em 1874 para fabricar carruagens, produziu mais de 3 milhões de automóveis desde 1902, como encarroçadora para várias montadoras, especialmente a VW. O mais conhecido por aqui é o Karmann-Ghia, fabricado pela VW do Brasil de 1962 até 1972, num total de 23.577 unidades, incluindo 177 conversíveis — mosca-branca para colecionadores, e eu deixei de comprar um por 8 mil reais há uns dez anos, sou uma besta mesmo. A fábrica da Karmann-Ghia do Brasil ainda existe, na via Anchieta, e não tem mais nada a ver com a matriz alemã. Chegou a montar até Land Rover, mas não sei o que faz hoje em dia. Quem quiser saber, que clique aqui.
Perdi o conversível, mas mantive o meu com capota, esse amarelinho da foto maior, 1963, com motor 1.600 cc e rodas cromadas de Porsche. É uma graça. Troquei há alguns anos pelo vermelhinho da outra foto, 1966. Vou sair com ele amanhã para fazer uma homenagem póstuma. A Karmann na Alemanha demitiu seus 3.470 funcionários e, por causa da crise, encerrou suas operações em Osnabrück, onde há um lindo museu com carros que levam sua marca agregada.
O Karmann-Ghia é considerado, em várias listas de clássicos que as revistas especializadas publicam toda hora, um dos dez carros mais belos já produzidos no mundo em todos os tempos.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Antigos em geral, Fusca & cia., Indústria automobilística
Tags: crise, Karmann, Karmann-Ghia
11/03/2009 - 14:48
SÃO PAULO (bateu forte) – Mais uma baixa no esporte motorizado para ser debitada na conta da crise. Os promotores do GP da Hungria de MotoGP, que seria realizado na nova pista de Balatonring, pediram o adiamento da corrida para 2010. A etapa húngara estava marcada para 20 de setembro e os organizadores avisaram que não há dinheiro para concluir as obras.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): MotoGP
Tags: Balatonring, crise, Hungria
06/03/2009 - 17:26
SÃO PAULO (azar da crise) – “Salvo pela crise” é o título da coluna Warm Up desta semana, que defende a tese de que se não fosse a quebradeira geral do universo, que começou no dia 15 de setembro com o Lehman Brothers abrindo o bico, a Honda ainda estaria na F-1 e, portanto, Barrichello estaria a pé.
Já falei disso em posts anteriores, mas o assunto está consolidado no texto. Leiam lá e, como sempre, comentem aqui!
Ah, emprestei a charge do impagável Bruno Mantovani para ilustrar este post. Ficou demais, como sempre!
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Warm Up
Tags: Barrichello, Brawn, crise, Honda
27/02/2009 - 12:44
SÃO PAULO (vazio) – A Williams mostrou sua pintura definitiva hoje. O RBS, banco escocês, fica até o fim do ano porque tem contrato. Já avisou que em 2010 pula fora. Notem os dois chifres ao lado da tomada de ar. Será que pode esse negócio?
E notem o cenário da foto. Se fosse um carro alemão-oriental sendo apresentado em Leipzig o fundo não seria diferente…
Zero de alegria, charme, glamour e criatividade nas apresentações dos carros neste ano. As equipes pareciam aquelas ricas famílias que se reúnem no primeiro Natal pós-falência compungidas, com dó de si próprias porque o destino lhes foi cruel e dizimou os negócios.
Gozada, a F-1. Será que só por causa da crise todos precisam se mostrar tão deprimentes e deprimidos? Querem que o mundo morra de pena porque a fartura acabou? Fazer festa com grana saindo pelo ladrão é fácil. Quando o cinto aperta é que a gente vê quem é quem.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: crise, Williams
26/02/2009 - 16:45
SÃO PAULO (inscreva-se) – O Sérgio Materazzi me mandou interessante link, de um grupo de SAABmaníacos que resolveu colocar no ar um site cujo único objetivo é salvar a marca sueca da falência, caminho ao qual foi levada pela incompetência da GM. Pelo sim, pelo não, coloquei meu nome na lista.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Indústria automobilística
Tags: crise, SAAB
26/02/2009 - 16:06
SÃO PAULO (o último apaga a luz) – Lembram do parque temático da F-1 em Dubai? Investimento, se bem me lembro, de US$ 5 bilhões? Pois é. Acabo de receber um festivo press-release da F1-X International (F1-X seria o nome do parque, ou será, sei lá) que diz o seguinte:
“A Union Properties PSJC anunciou hoje a suspensão das obras do parque temático F1-X, previsto para ser inaugurado em Dubai em 2009. A decisão foi tomada por conta da crise que drenou a liquidez dos bancos e instituições financeiras.”
O texto segue dizendo que ficou tudo adiado para 2010. Tem um paspalhão dizendo que metade está pronta e que é “difícil acreditar que não vamos arranjar um parceiro comercial nos próximos dias” para tocar o projeto.
Digo que o release é “festivo” justamente por esse tom róseo das declarações do paspalhão, e pelo orgulho em apresentar o perfil da tal Union Properties, “responsável pela construção e incorporação de ícones de Dubai”, citando hotéis, torres, parques, shoppings e puteiros. Os caras devem estar quebrados. Dubai é uma brincadeira de mau-gosto (maugosto? mauggosto?) do capitalismo.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: crise, Dubai
20/02/2009 - 11:23
SÃO PAULO (morro de pena, mas…) - É de cortar o coração, mas a lendária SAAB declarou insolvência na Suécia e pode fechar as portas logo, logo, se ninguém ajudar. A GM pediu — novidade — ajuda do governo sueco. Que, sinceramente, não sei se deve ajudar. A SAAB nasceu na década de 30 como fabricante de aviões e quando terminou a Segunda Guerra, diz a lenda, seus donos e engenheiros se reuniram e, olhando um para o outro, perguntaram-se: e aí, o que vamos fazer agora? Um dos engenheiros deu a ideia: “Vamos fazer carros!”.
Ainda segundo a lenda, eram, sei lá, 16 reunidos na sala e 14 nem tinham carteira de motorista. E decidiram fazer carros… Não é demais? E em 1947 os carros nasceram em Trollhättan com motorzinho DKW de dois cilindros, depois evoluindo para um três cilindros parecido com os dois tempos alemães (tenho um desses, 1964, lindo de doer), e depois veio o V4 que a Ford pediu para a SAAB testar e foi adotado pelos suecos, e o resto é história. Fizeram carros espetaculares, sempre.
Eu dizia que o resto era história até a ganância chegar, quando a GM, em 1990, comprou metade da SAAB. Dez anos depois, comprou a outra metade e passou a ser proprietária de 100% da companhia.
Nunca entendi por que essas montadoras menores foram se vendendo sem a menor cerimônia ao longo dos anos. Para ganhar mercado? Para entrar nos EUA? Por que não se contentar com mercados menores, produção mais contida, qualidade e tradição?
Bem, a partir daí, os pequenos Trolls, os gnomos das florestas de Trollhättan que, todos sabem, faziam os queridos SAABs, começaram a ter de fabricar Cadillacs para o mercado europeu, as fábricas da Opel na Alemanha passaram a produzir SAABs, que também saíam de outras unidades em Ohio, e virou uma zona dos diabos.
Não tem como dar certo, lamento. Uma história linda de uma marca adorada mundo afora não pode ser tratada assim, como fábrica de salsicha. A GM tem demonstrado, nos últimos anos, uma incompetência crônica para administrar o monte de marcas que foi comprando por aí, como se estivesse num supermercado. É um desastre de gestão, e só vai sobreviver se Barack Obama abrir o bolso para salvá-la.
Eu, se fosse a rainha da Suécia, tomava a fábrica de volta e devolveria tudo à administração dos Trolls, como a fantástica fábrica de chocolate Wonka. Mas jamais emprestaria dinheiro à GM.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Indústria automobilística
Tags: crise, GM, SAAB
19/02/2009 - 19:21
SÃO PAULO (azar deles) – A “Forbes” fez uma lista de modelos e marcas que estão em extinção nos EUA. Quem mandou a notícia foi o Milton Arruda Neto. Buick, Isuzu, Jaguar e SAAB (o da foto) estão entre eles, com quedas monstruosas nas vendas nos últimos anos.
Digamos que você tivesse de escolher uma das marcas, ou carro brasileiro, para entrar em extinção hoje mesmo, de tão ruim. Qual seria sua eleita ou eleito para eliminar da face da Terra?
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Indústria automobilística
Tags: crise
18/02/2009 - 16:45
SÃO PAULO (pelo jeito, acabou a festa) – Deu no “The New York Times”, e a íntegra está aqui. Foi o Paulo Trevisan quem encontrou a notícia, preocupante para aqueles que acham que Dubai é o “ultimate paradise” da Terra.
Parece que a coisa está feia por lá. Algo que não me surpreende, porque Dubai não passa de um mundo de fantasia que, uma hora, iria mesmo explodir — ou implodir, como parece o caso.
É como as pirâmides de dinheiro de antigamente, lembram?, hoje muito populares também na internet, embora eu ache que ninguém mais acredite nesse negócio. Na verdade, o sistema financeiro mundial é uma enorme pirâmide, está aí a crise que não me deixa mentir. Uma farsa que mais dia, menos dia iria deixar milhões de pessoas de calças arriadas.
Bem, no que diz respeito a carros, que é nosso tema preferencial, a crise em Dubai pode ser traduzida em reportados três mil carros abandonados no aeroporto do emirado, todos muito luxuosos e caros, largados por pretensos novos-ricos que não conseguiram pagar suas prestações e fugiram do país porque lá, segundo consta, calote dá cadeia.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo
Tags: crise, Dubai
06/02/2009 - 13:19
SÃO PAULO (corta tudo de novo) – Está no Grande Prêmio, em reportagem de Victor Martins. O adiamento dos primeiros treinos coletivos da Estoque tem como principal razão a falta de pilotos. Isso mesmo. As 16 equipes já compraram seus carros e estão prontas. Mas o grid de 32 ainda não foi fechado. Porque a turma que paga para correr está com dificuldades para arranjar patrocinadores.
Como diria Tom Jobim, é a crise, é a crise.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Stock Car
Tags: crise
06/02/2009 - 13:09
SÃO PAULO (corta tudo) – Na sua coluna de hoje, Reginaldo Leme fala sobre o paradoxo da F-1: a categoria que sempre foi líder no desenvolvimento de tecnologias, busca agora os caminhos da igualdade de condições para conter seus custos. Leia lá, comente aqui!
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Grand Prix
Tags: crise, Leme
04/02/2009 - 11:16
SÃO PAULO (e deprimente) – A Mitsubishi anunciou hoje que vai deixar de participar do Dacar, rali que ganhou 12 vezes. Motivo? Adivinhão… A crise, claro. Decisão patética, mais uma. A marca, por exemplo, só emplacou o modelo Pajero, um sucesso mundial, graças ao rali. Antes, era conhecida por seus rádios e aparelhos de TV.
Mas não vou ficar aqui repetindo o discurso que usei para chamar de patéticas, também, as deserções de Honda (F-1), Suzuki (WRC), Subaru (WRC), Audi (LMS e ALMS) e Kawasaki (MotoGP). Me ajudem se esqueci de alguém, a lista está cada vez maior.
Para não dizerem que só reclamo e critico, vou dar sugestões para a Mitsubishi economizar e, quem sabe, rever sua decisão com o dinheiro que deixará de gastar: cortar o cafezinho em seus escritórios e desligar as máquinas de capuccino; proibir os office-boys de tirarem mais de duas cópias em papel por dia; voltar a usar impressoras matriciais; usar água e sabão para lavar as janelas, no lugar de caros limpa-vidros perfumados; vender as TVs de plasma espalhadas pelas paredes e trocá-las por aparelhos convencionais de 14 polegadas; penhorar os relógios Bulgari de seus executivos.
Será que com esses cortes dá para fazer pelo menos um jipinho para o Dacar? Se não der, empresto o meu. Está novinho. Se devolverem lavado, é só passar em casa e pegar.
Ou, então, que a Mitsubishi volte a fazer radinhos. Eram bonitinhos. Tenho um com capa de couro.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Rali
Tags: crise, Dacar, Mitsubishi
30/01/2009 - 18:16
SÃO PAULO (e aqui?) – Impressionante esta galeria de fotos do “The Guardian”, com milhares de carros encalhados em pátios e portos do mundo inteiro (quem mandou foi o blogueiro Ricardo Jayme). São retratos fiéis da crise, que acertou em cheio o estômago da indústria automobilística e sua exageradíssima capacidade de produção — na boa, onde imaginam que vão enfiar tudo isso?
O que acho gozado no mundo dos negócios é que os economistas e executivos se acham capazes de prever tudo, desenhar o futuro nos números e projeções, mas cometem erros grotescos de avaliação da hora em que saem da cama para trabalhar até o fim do expediente. Será que nunca ninguém conseguiu dimensionar o tamanho real do mercado de automóveis? Sei lá, calcular a vida média de um carro, quando uma família tem de substituí-lo por outro, quanto tempo eles duram, na hora de planejar e executar projetos de novas fábricas com capacidade de fazer 50 carros por segundo ou coisa assim?
É uma verdadeira desgraça. Não os carros no tempo, nos pátios e portos; mas, sim, a quantidade de gente que vai perder o emprego por conta deles.
Por isso só compro carro velho.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Indústria automobilística
Tags: crise
23/01/2009 - 17:30
SÃO PAULO (eu, nem em casamento) – A austeridade dos eventos de lançamento dos carros de 2009 é o tema da coluna Warm Up de hoje, que já está no ar.
Leiam lá, comentem aqui, e fiquem felizes da vida que ainda tive tempo de colocar este post. Estou atrasadíssimo! Talvez não volte hoje, portanto bom final de semana a todos. E não se esqueçam da corrida domingo em Interlagos, Meianov na veia, a partir das 9h!
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Warm Up
Tags: crise, lançamentos
17/01/2009 - 00:09

O título poderia ser: “A GM e a limonada”. Enviado pelo Ari Rocha. Espetacular.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Indústria automobilística, One comment
Tags: Calvin, crise, GM
11/01/2009 - 10:55
PELOTAS (o Danrlei vai jogar aqui!) – Falando nela, a crise, passou batido na semana passada, mas merece comentários da blogaiada a última reunião da Fota, a associação das equipes de F-1 (que tem um logotipo bem legal, mas ainda não está em site algum na internet; dei uma busca e achei outra Fota…).
O encontro aconteceu na quinta-feira num hotel em Heathrow e o mote “vamos cortar os custos” foi, claro, dominante. Equipes que até meses atrás fugiam dele como o diabo da cruz, negando qualquer possibilidade de adoção de motor único ou de restringir testes e uso de túneis de vento, passaram a rezar incondicionalmente pela cartilha de Max Mosley.
Fechou-se o acordo para eliminar os testes e limitar as horas de uso dos túneis de vento. Para o período 2010/2012 será desenvolvido um câmbio que terá de durar seis corridas e vai custar 1,5 milhão de euros por temporada. Para 2010, as fabricantes de motor prometem fornecer seus produtos para qualquer equipe independente ao preço módico de 5 milhões de euros por ano.
Mais: serão eliminados alguns materiais muito caros (como criptonita cristalizada nas velas de ignição, cerâmica Portobello nos banheiros das fábricas e queijo parmesão nos motorhomes) e vai ser feito um estudo para identificar componentes e sistemas que não trazem diferença de performance (TVs de plasma nos boxes, papel de gramatura alta para os press-releases ou relógios TAG-Heuer para os mecânicos).
Por fim, as nove equipes sobreviventes informaram que aceitarão unanimemente qualquer nome que venha a ser adotado “para a equipe hoje conhecida como Honda”. Pode parecer um detalhe bobo, mas não é. Em sua arrogância secular, as equipes, até outro dia, tinham de aprovar qualquer mudança de nome em times concorrentes, e muitas vezes não aprovavam, se não fossem com a cara do novo dono. Assim, quem comprar a Honda, se é que alguém vai fazer isso, pode batizá-la como quiser: “Mariposas Alegres do Asfalto Team”, “Dirigido Por Mim e Guiado por Deus Racing” ou “Nóis Capota Mais Num Bréka Motorsports”.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: crise, FOTA
11/01/2009 - 10:34
PELOTAS (hoje vai no seco) – Mais uma. A equipe alemã da A1 GP não participa das duas primeiras etapas do campeonato. Espera estrear na terceira, na África do Sul, no fim de fevereiro. Oficialmente, porque os novos gestores do time querem se preparar melhor — o piloto, a propósito, será Andre Lotterer. Na real, porque está faltando dinheiro. O novo chefe da equipe alemã deixou escapar que precisa de tempo para “arrumar patrocínios”.
Falando em A1 GP, Interlagos recebeu o pedido de uma reserva de data para a prova de encerramento da temporada. A conferir.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo internacional
Tags: A1 GP, crise
09/01/2009 - 12:53
SÃO PAULO (e a minha?) – No ar a coluna Grand Prix do Reginaldo Leme, falando sobre a viabilidade da F-1 em tempos de vacas magras. Leia lá e comente aqui, como sempre! Agora vou escrever a minha…
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Grand Prix
Tags: crise, Leme
09/01/2009 - 09:35
SÃO PAULO (trouxe o sol) – Confirmada hoje a saída da Kawasaki da MotoGP. Marca importante, tradicional, ligada à velocidade mais do que a qualquer outra coisa — não é uma montadora que investe em motos de pequena cilindrada —, que deixa a pé dois pilotos de ponta, John Hopkins e Marco Melandri.
Vamos à lista dos caídos pela crise: Honda (F-1), Subaru e Suzuki (Mundial de Rali), Audi (LMS e ALMS) e Kawasaki (MotoGP). Esqueci alguém? Ah, talvez possamos incluir nessa relação a Petty Enterprises, equipe tradicionalíssima da Nascar, e o fim dos GPs da França e do Canadá.
A coisa está bem feia, mesmo. Sem medo de errar, dá para afirmar que o esporte motorizado é a maior vítima das hipotecas americanas. Está até rolando um boato dando conta de que a Lada pode cessar seus investimentos nas competições brasileiras. Mas eu nego!
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): MotoGP
Tags: crise, Kawasaki
03/01/2009 - 00:48

NATAL (mundo em extinção) – Ao ver essa foto, os mais jovens talvez façam uma associação imediata com o filme “Cars”, da Pixar, e nada além disso. Normal. O ídolo do protagonista Relâmpago McQueen era ele, o #43, chamado de “The King” na versão original. Mas esse Plymouth é muito mais do que um carrinho de desenho animado. É o carro — melhor seria dizer o número — mais famoso da história da Nascar, consagrado por Richard Petty, que inspirou o personagem e o batizou (seu apelido também é “The King”) nas telas dos cinemas.
Petty, com seu chapéu de caubói, suas botas espalhafatosas e esporas cintilantes, é um ícone das corridas americanas. Parou de competir há algum tempo, em 1992, aos 55 anos. Ganhou sete vezes o título da Nascar, é recordista da categoria com 200 vitórias, sete delas nas 500 Milhas de Daytona, fez 127 poles e disputou nada menos do que 1.185 provas desde 1958.
A Petty Enterprises, ao longo das últimas seis décadas, precisamente desde 1949, se transformou na mais querida e popular equipe da Nascar. Além dos sete títulos de Richard, faturou mais três com seu pai, Lee, que começou a saga da família nas pistas depois da Segunda Guerra. O time tem, no total, 268 vitórias.
Mas a última delas aconteceu uma década atrás, em abril de 1999, com John Andretti em Martinsville. E o derradeiro título, de 1979, vai completar 30 anos. É muito tempo longe das glórias. E, por isso, em junho do ano passado o controle da equipe foi vendido por Richard “The King” para uma certa Boston Ventures (o “certa” é por minha conta; talvez seja uma firma conhecidíssima), um fundo de investimento, fabricante de dinheiro fácil, que prometeu injetar um caminhão de grana para fazer ainda mais grana nas pistas, mas se arrebentou com a crise financeira já íntima de todos nós. E, assim, a Petty Enterprises foi para o vinagre. Acabou.
Estuda-se uma fusão de araque com outra equipe, a GEM (Gillett Evernham Motorsports), que deve incorporar ao seu patrimônio o direito de usar o #43. A Petty deve finalizar, até o fim do mês, a demissão dos cerca de 40 funcionários que ainda trabalham nas suas garagens de Mooresville, na Carolina do Norte, e fechar as portas definitivamente. Se sobrar algo, vai ser em Orlando, onde Petty mantém sua “Driving Experience” junto dos parques da Disney. Um brinquedo para gente grande, onde qualquer um pode dar umas voltas num Nascar velho num oval de mentirinha.
“Fim de uma era”, é o que anuncia em letras garrafais o site oficial da Nascar. É algo quase inacreditável. Seria como se, no futebol, o Corinthians, o Flamengo ou a Portuguesa anunciassem o encerramento de suas atividades. Ou se, na F-1, a Ferrari decidisse parar de correr e de fabricar automóveis. Uma tragédia esportiva. O fim dos tempos.
A tal da crise está por trás da hecatombe que aflige o esporte-motor, tendo sido justificativa para as deserções recentes da Honda, da Suzuki, da Subaru, da Audi e da Kawasaki (esta a confirmar), e é pano de fundo, de certa forma, para as exclusões dos GPs do Canadá e da França do calendário da F-1.
No caso específico do fim da Petty, não se pode acusar diretamente nenhuma montadora, dirigente incompetente ou CEO acovardado. O time simplesmente estava nas mãos de uma financeira que derreteu. Foi uma morte menos agônica.
Mas, nem por isso, menos dolorosa.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo internacional
Tags: crise, Nascar, Petty
30/12/2008 - 17:53
GUARUJÁ (sou fã do aquecimento global) - Deu na Itália, e por enquanto é apenas boato. Mas a Kawasaki pode ser mais uma a tirar o time de campo, ou as rodas das pistas — no caso, da MotoGP. Esses japoneses estão me saindo…
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): MotoGP
Tags: crise, Kawasaki
24/12/2008 - 15:34
SÃO PAULO (feia, a coisa) – Até os milionários andam contando os tostões. O blogueiro Rodrigo Júnior, que já estava preparando a grana, desistiu de arrematar essa Ferrari 250 GT, 1958, que estava sendo leiloada na Suíça e não encontrou comprador. Outros carros foram vendidos por valores abaixo da avaliação. Tem até uma moto Ferrari, que eu nunca tinha visto na vida.
Enfim, os ricos também sofrem…
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Carros
Tags: crise, Ferrari
22/12/2008 - 16:09
SÃO PAULO (pobrezinhos) – O presidente da Toyota disse à imprensa japonesa que a crise é sem precedentes e blá-blá-blá. A empresa vai lucrar apenas US$ 556 milhões neste ano. Motivo para fechar a equipe de F-1? Não falaram nada, ainda. Mas no ano passado o lucro foi de US$ 16,4 bilhões! Não dá para segurar a onda por um tempo? Uns dez anos, mais ou menos?
Essas informações estão na matéria enviada pelo blogueiro Valdemar Furtado Não É Roubado.
Não se espantem se daqui a pouco a Toyota também tirar seu time das pistas. O que acontece é que esses caras, todos, fazem carros demais. E precisam vender muito. E não sei se tem tanta gente assim para comprar. O capitalismo é uma faca de dois legumes. Aumenta a produtividade, aumenta na mesma proporção a necessidade de vender, vender e vender.
Antigamente, quando as coisas eram mais lentas, funcionavam melhor.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Indústria automobilística
Tags: crise, Toyota
20/12/2008 - 01:58
SÃO PAULO (é de chorar) – A coisa está feia mesmo. A GM, em estado pré-falimentar, vai mandar a leilão 252 carros de seu acervo de históricos e veículos conceituais, tudo propriedade do museu da montadora, para arranjar algum dinheirinho para, sei lá, pagar a conta da lavanderia. A lista, que você encontra no link acima, inclui esse Pontiac GTO 1969 que ficaria bem na garagem de qualquer cristão, muçulmano ou seguidor de Zaratustra.
Ao mesmo tempo, os organizadores do GP de Detroit de F-Indy cancelaram a corrida.
Onde isso vai parar?
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Antigos em geral
Tags: crise, GM
20/12/2008 - 01:34
SÃO PAULO (tudo certinho) – Bom dia, macacada. A segunda coluna da sexta-feira é a minha mesmo. Revoltado, o blogueiro-jornalista espinafra as montadoras que estão abandonando as pistas. São todos uns canalhas incompetentes! Leiam lá, comentem aqui. Daqui a pouco eu volto.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Warm Up
Tags: Audi, crise, Honda, Subaru, Suzuki
17/12/2008 - 10:15
SÃO PAULO (não tenho opinião formada sobre tudo) – Está numa revista suíça, em matéria assinada por um veterano jornalista que Bernie Ecclestone muitas vezes usa para soltar seus balões de ensaio (ou até para brincar com todo mundo, quando ambos combinaram de anunciar uma possível corrida em Cuba, só para dar risada das agências internacionais que “repercutiram” o “fato”): algumas equipes podem alinhar um terceiro carro em 2009, para que o grid tenha pelo menos 20.
Se ninguém comprar a Honda, ficarão mesmo nove times, e McLaren e Ferrari, as mais fortes, poderiam ser convidadas para alinhar um terceiro piloto, que não somaria pontos para os Mundiais.
Acho difícil de acontecer. Mas, nestes dias em que se fala até em medalhas na F-1, não me surpreendo com mais nada.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: crise, Ferrari, FIA, McLaren
16/12/2008 - 10:52
SÃO PAULO (deprimente) – É para terminar o ano deprimido, mesmo, encolhido num canto. O automobilismo mundial, como a economia virtual, está derretendo. Primeiro a Honda na F-1, depois a Audi na LMS/ALMS, aí a Suzuki no WRC e, agora, a Subaru, também no rali. Todos tirando seus times de campo.
Já disse aqui e repito: considero essas deserções do esporte ridículas, me fazem perder o respeito pelas empresas (não pelas marcas), dirigidas por bobalhões que têm medo de perder seus empregos. As marcas, essas sobrevivem aos paspalhões, espero. Todas as quatro têm história nas pistas, e história não se apaga assim, tão fácil. Há de surgir, no caminho de cada uma delas, uma nova categoria de dirigentes que olhem para o esporte com alguma paixão e devoção, e não apenas com essa visão mercantilista absurda e patética.
Porque seria muito didático pegar um CEO qualquer da Subaru e colocá-lo na lama em Córdoba, jogá-lo no meio de centenas de argentinos enlouquecidos e deixá-lo ali, observando a reação deles a cada passagem dos carros azuis, urrando e abrindo passagem em meio a gritos alucinados de “Subaruuuuuuuuuu”.
O CEO babaca pode não saber, mas os produtos que saem de suas fábricas são reverenciados mundo afora, levam milhares de pessoas às estradas por onde passa o Mundial de Rali, pessoas que saem de casa no frio, na chuva, no sol a pino, na poeira, no barro, na neve, e elas acampam por vários dias com mulher e filhos, apenas para ver, por segundos fugidios, os carros azuis passando à sua frente atravessados, indomáveis, selvagens. Se a Subaru existe aos olhos do mundo, é por causa do rali. E não pelos ternos risca-de-giz de seu conselho de administração.
Seria interessante fazer o mesmo com um executivo babaca da Audi e colocá-lo nas arquibancadas de Le Mans ao lado de algum torcedor com quatro argolinhas no boné durante 24 horas, e a mesma coisa com algum engravatado tonto da Honda em Fuji, e idem para algum diretorzinho da Suzuki numa prova da MotoGP, apenas para eles sentirem como as marcas que representam têm uma importância, para muita gente, que vai além da otimização do fluxo produção e adequação dos parâmetros financeiros às necessidades da puta que o pariu.
Esporte não é caro. O que está levando essas empresas à bancarrota é a incompetência de seus gestores, que não entendem picas, nem de carros, nem de nada. Se entendessem, suas empresas enormes, que venderam como nunca nos últimos anos, não estariam como estão.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo internacional, Rali
Tags: Audi, crise, Honda, Subaru, Suzuki
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