SÃO PAULO(já fiz melhores) – O escândalo está bom, mas já não aguento mais escrever sobre ele, então minha coluna de hoje é mais sobre a corrida de Cingapura na pista do que fora dela. Está aqui. Leia e comente!
LONDRINA(chove!) – Blog cheio de colunas, hoje. Parece um templo greco-romano. Bem, na minha, uma pensata sobre a bobagem que é querer comparar o escândalo de Cingapura com as trocas de posição entre Schumacher e Barrichello, ou as trocas de porradas entre Senna e Prost.
Para ler, clique aqui. Para comentar, é aqui mesmo.
SÃO PAULO(acabou) – Todos os indícios apontam para uma “autodelação” no caso Nelsinho-Renault-Cingapura, com gente da Renault insinuando que foi o próprio Nelsinho a dar a sugestão de uma batida proposital na corrida vencida por Fernando Alonso no ano passado. É o que veio à tona hoje em reportagem da revista inglesa “Autosport”, com a informação extra de Victor Martins, do Grande Prêmio, de que Nelsinho teria recebido garantias da FIA de que não seria punido se entregasse tudo.
E foi Nelson Piquet, o pai, quem teria procurado a FIA para entregar tudo um dia depois do GP da Hungria, em 27 de julho, após a última corrida do filho pela Renault. Puto com Briatore, Nelsão abriu o jogo. Nelsinho teria sido chamado para confirmar a história.
É possível provar que Nelsinho bateu de propósito, ou quase isso, mesmo sem confissões obtidas no pau-de-arara, ou mesmo conversas de rádio. Se a coisa foi combinada antes, ninguém precisaria falar nada pelo rádio, que seria de uma ingenuidade fenomenal. Basta ver a telemetria. Se naquela curva Nelsinho passou 200 vezes tirando o pé e na 201ª encheu o acelerador, temos aí uma evidência.
Pat Symonds diz, na “Autosport”, que Piquet-pimpolho teria sugerido fazer aquilo, algo que não terá como provar, a não ser que carregue consigo um minigravador para registrar as reuniões pré-corrida.
Se ficar provada a armação, os Piquet poderão argumentar sempre que o piloto estava pressionado e foi obrigado a fazer aquilo, senão perderia o emprego. É desculpa frágil. Nada justifica uma atrocidade dessas. Não entendo, até agora, por que Piquet-pai se dispôs a entregar o filho, achando que alguém iria ficar com dó dele. A tal garantia de não-punição da FIA é retórica. A entidade pode até não dependurá-lo numa cruz. Mas a F-1 vai se encarregar de fazê-lo.
Ou seja: se Nelsinho se jogou no muro de propósito, mesmo, por decisão própria ou porque Briatore colocou atiradores de elite nos prédios de Cingapura para estourar seus miolos, está lascado. Só continua na categoria se seu pai comprar uma equipe, ou uma vaga. E isso é caro. Agora, mais ainda.
SÃO PAULO (daqui a pouco, a outra) - Reginaldo Leme fala um pouco mais sobre o furo mundial que deu durante a transmissão da Globo, domingo, na sua coluna de hoje. Está aqui, para vocês lerem e comentarem. O velho repórter no auge da forma, é isso aí!
SÃO PAULO (a ver…) – Longe de mim duvidar de uma informação do Reginaldo Leme. E a que ele deu na transmissão da TV é das mais graves. Resumindo, para quem não ouviu. O comentarista da Globo (e colunista do Grande Prêmio e d’”O Estado de S.Paulo”) contou que a FIA abriu uma investigação independente sobre o GP de Cingapura do ano passado. Na ocasião, Alonso tinha acabado de fazer seu pit stop, ele que largara lá atrás, quando Nelsinho Piquet bateu. Assim, todos pararam aproveitando o safety-car e Alonso, que já tinha trocado pneus e reabastecido, apareceu de repente em primeiro.
Na época, a batida foi tratada com ironia e curiosidade. Fernandito jamais venceria se não fosse o rabo danado de um safety-car ter sido acionado logo depois de sua parada. E justamente causado pelo companheiro de equipe…
Suspeitar de que foi de propósito, na época? Não me lembro de nenhuma desconfiança séria, apenas comentários, como disse, irônicos. E não tinha sido a primeira batida de Nelsinho no ano, afinal.
Agora, surge essa informação: Briatore teria ordenado que o brasileiro se arrebentasse no muro naquele momento e naquele lugar. Assim, Alonso teria chance de vencer, como venceu. Disse o Reginaldo que depoimentos chocantes já foram tomados pelos investigadores.
Nelsinho Piquet não se pronunciou pelo Twitter, como costuma fazer. Aliás, assim que a informação foi ao ar na Globo (estranhamente causando espanto até no narrador Galvão Bueno, que aparentemente não sabia de nada), Piquet-pimpolho desapareceu do miniblog, depois de dar uma zoada básica em Grosjean, seu substituto, que bateu na primeira volta.
E foi pelo Twitter que recebi outro vídeo (desculpe, não sei quem mandou) daquela corrida. Na volta de apresentação, Nelsinho rodou de maneira parecida. Não bateu. Teria sido um ensaio? É conspiração demais, não? De qualquer maneira, apimenta a história toda.
O que é essencial, agora, é ouvir o piloto. Antonio Pizzonia, também pelo Twitter, contou que jantou com Nelsinho ontem e disse que uma bomba vai estourar na F-1 “hoje ou segunda-feira”. Seria essa? “Isso e muito mais”, escreveu Pizzonia. Mas Nelsinho seria capaz de bater de propósito sob ordem da equipe?
É tudo muito pouco verossímil. Uma coisa é dar passagem ao companheiro de equipe, segurar um rival na pista, essas atitudes menos dramáticas e mais corriqueiras. Mas se jogar no muro para obedecer ao chefe?
No fim da tarde, a FIA confirmou que uma prova de 2008 está, sim, sendo investigada. Se houve algo, Briatore será elevado à condição de capeta dos capetas. Mas é preciso que se diga, como bem lembrou meu amigo Teo José. Se isso aconteceu, Nelsinho está no mesmíssimo barco.
Vamos aguardar. É caso que vai dar pano pra manga, como se diz. E muito sério.
SÃO PAULO (falta algo neste domingo) – No ar a coluna Apex de Andre Jung, com sua visão do GP noturno de Cingapura e uma crítica dura à suposta modernidade da Ferrari com seu pirulito eletrônico. Mais um a defender o pirulito de verdade!
SÃO PAULO(estraga os dentes) – Na coluna Warm Up de hoje, Flavio Gomes, que sou eu, defende a tese de que se Massa perder o título de 2008, o pirulito será lembrado para sempre como grande culpado. Mas não foi. Um campeonato não se ganha ou se perde numa corrida só.
SÃO PAULO(vamos, malhem!) – No ar as avaliações do pessoal do Grande Prêmio para a pilotaiada no GP de Cingapura. Leiam lá, concordem, discordem, xinguem, façam o que quiserem! Alonso ficou com a maior média, 9,9, e Nelsinho com a pior, 1,2. Na classificação geral do Ranking GP, Hamilton, Massa e Kubica estão empatados na liderança, com nota 7.
SÃO PAULO(artistas) – A dica de hoje é do guru Celso Itiberê (um dos meus maiores companheiros de viagem pela Europa naqueles deliciosos anos 80/90): uma seleção de fotos do GP de Cingapura, em alta resolução, do site do “The Boston Globe”. Fotos como essa aí embaixo, do Alonso, no sábado. Um espetáculo de cores e sensibilidade. Dá pra montar uma coleção de papéis de parede para seu computador. É uma melhor que a outra.
SÃO PAULO(tudo é muito novo) - Já está no ar a radiografia do GP de Cingapura no incrível InfoRace, obra de nosso arquiduque da Tanzânia Marcelo Barbosa, exclusividade do Grande Prêmio. Acompanhar a evolução de Rosberg depois dos pit stops, por exemplo, é o máximo. Com Fisichella segurando todo mundo, o alemão sumiu na frente. O que explica seu segundo lugar, mesmo depois da punição.
Mas hoje me detive na página de “Estatísticas 2008″, onde se encontram alguns números muito interessantes. Por exemplo, que 14 pilotos lideraram corridas neste ano e Felipe Massa foi o que mais ficou na frente, por 299 voltas. Lewis Hamilton liderou 241 e Kimi Raikkonen, apenas 172.
Mais: o piloto que mais completou voltas até agora neste ano foi Nick Heidfeld, 919, o que dá 99,5% do total. Em segundo? Robert Kubica, 891 (96,5%). E em terceiro, uma surpresa: Rosberguinho, com 876 (94,9%). Kovalainen andou mais do que Hamilton (875 x 871). Massa andou mais do que Raikkonen (863 x 848). E Nelsinho Piquet aparece apenas em 18º, à frente apenas dos pilotos da Force India e da finada Super Aguri, com 653 voltas completadas.
Nos abandonos por acidentes, o campeão é Fisichella, com seis. Piquet-filho e Sutil têm cinco. Os abandonos por quebras apontam Sutil com quatro, e Vettel empatado com Nelsinho, três para cada.
Outra coisa legal é a posição média de largada de cada um. O primeiro colocado é Massa, com 2,93. Hamilton vem em segundo, com 4,2. Kovalainen fica perto dele com 4,4 e Raikkonen aparece com 4,8. Notem o que acontece com a Renault: a posição média de largada de Alonso é 7,33; de Nelsinho, 14. Há equilíbrio entre Button e Barrichello, embora o brasileiro tenha largado mais vezes à frente de seu companheiro. Na média, Jenson tem 14,06 e Rubens, 14,60.
Vai lá, navega no InfoRace e tire todas suas dúvidas sobre o GP de Cingapura. É legal demais!
SÃO PAULO(falar é bom) – A poeira cingapuriana vai baixando e o “day after” da Ferrari chega com algumas informações extras. Primeiro, o nome do pirulitoman, Federico Uguzzoni. Ninguém vai mandá-lo embora, claro. Afinal, são anos de bons serviços prestados. Embora haja uma curiosidade envolvendo sua pessoa: foi ele, em 2000, que liberou Schumacher de um pit stop enquanto o carro era reabastecido. O resultado foi a queda do cara da mangueira que era ninguém menos que Nigel Stepney… Quebrou o pé. Depois, quebraria a Ferrari, passando informações secretas à McLaren.
O que só me faz concluir: nunca confie nesses caras que seguram mangueiras e pirulitos. (Sorry, Nick, não resisti.)
Massa foi muito legal ao abraçar o pirulitoman depois da corrida. Ele chorava copiosamente. De onde vem esse termo, copiosamente? E de onde vem “visivelmente abatido”? Estou cheio de perguntas, hoje.
As corridas deste ano, graças à falibilidade humana, têm sido bem divertidas. Para um blog, uma delícia. Todo mundo quer falar alguma coisa, dar uma opinião, redigir uma tese. A mais engraçada de todas, que vi em alguns comentários, foi de que a Renault mandou Nelsinho bater de propósito, para Alonso ganhar a corrida.
De fato, a Renault é incrível. Porque fez isso, e ainda combinou com Kubica e Rosberg para entrarem nos boxes com a luz vermelha, com Fisichella para segurar todo mundo antes de seu pit stop, e, claro, com o pirulitoman para ferrar o Massa.
SÃO PAULO(não acabou) – Um blogueiro indicou (sorry, não anotei o nome), e é legal ver este vídeo. Aos 2min35s, está destacado o mecânico que aperta o botão do pirulito eletrônico, dando o verde a Massa na saída do pit stop em Cingapura. Aí ele nota “A Grande Cagada” e volta para o vermelho. Só que àquela altura já era tarde, Massa já tinha engatado e acelerado. Seu tempo de reação ao verde foi melhor que o de Usain Bolt nos 100 m rasos.
Talvez se fosse um pirulito de verdade, o meca pudesse dar uma pirulitada no capacete de Felipe, que irritado pararia o carro para lhe dar uma porrada. Isso evitaria que ele arrancasse a mangueira, deixando de protagonizar aquela cena dantesca nos boxes.
Foi o que fez o cara da Red Bull com Coulthard, e funcionou. David brecou e não arrastou ninguém.
SÃO PAULO(haja texto…) – A reação de nove em cada dez blogueiros ao final desta nota será: “E daí?”. Mas, correndo o risco, informo que hoje Kimi Raikkonen fez, pela décima vez no ano, a melhor volta de uma corrida. Foi assim também na Espanha, Turquia, Mônaco, Canadá, França, Inglaterra, Hungria, Bélgica e Itália. Kimi tem, nas estatísticas, 35 voltas mais rápidas em GPs, e só perde para as 76 de Michael Schumacher e para as 41 de Alain Prost.
SÃO PAULO (hoje vai ser fácil…) - Nelsinho Piquet voltou a abandonar uma corrida por acidente, em Cingapura. Quando o som do rádio foi ao ar pela TV, aquele “sorry, guys” me deu pena. Nelsinho tem se mostrado, na F-1, bem mais humilde do que era nas categorias menores, GP2 incluída. O problema é que vem guiando mal. Não fiz as contas, estou sem tempo de ver prova por prova, e peço aos blogueiros que o façam: foram quantos GPs neste ano que ele abandonou por erro?
Muitos. O que compromete demais sua permanência na Renault e na F-1. Na Renault, porque há dois meninos na fila ávidos por uma chance: Lucas di Grassi e Romain Grosjean. Eu arriscaria dizer que Lucas com vantagem, pelo que fez este ano na GP2 diante dos resultados pífios de Grosjean — cuja única vantagem em relação ao brasileiro é o fato de ser francês. Na F-1, porque são poucas as vagas disponíveis, e, sendo bem honesto, Nelsinho não apresentou nenhum grande atrativo neste seu ano de estréia para despertar o interesse de alguém, exceto o nome.
É um momento difícil para Piquet-filho. Que vai precisar de muita ajuda e cabeça nestas três últimas provas do ano para deixar uma boa impressão no fim da temporada.
Boa o bastante para que a Renault fique com ele, ou para que algum outro time aposte nele.
SÃO PAULO(boom da Alemanha) – Rosberguinho em segundo, Glock em quarto, Vettel em quinto, Heidfeld em sexto. Quatro alemães entre os oito primeiros em Cingapura. Não é um acaso. É fruto dos “anos Schumacher”, que serviram, e muito, para estimular a molecada no país. A maioria andava de calças curtas quando Michael estreou, na Bélgica, em 1991. E cresceu vendo o patrício ganhando corridas e campeonatos.
É algo que, no entanto, não acontece na Espanha. Alonso, desde 2003, é protagonista do Mundial. E não apareceu nenhum espanholzinho espevitado nos últimos cinco anos para tomar a estrada que Fernandito abriu. Em categoria nenhuma.
SÃO PAULO (altos e baixos) – A corrida não foi tão boa quanto todos gostariam, mas também esteve longe de ser muito ruim. No começo, estava meio chata. Mas alguns pilotos acharam um ponto para ultrapassar, como Rosberg e Alonso, e as coisas começaram a melhorar, ficando definitivamente interessantes com a entrada do safety-car que embaralhou o pelotão.
Como sempre, teve gente que se deu mal na escolha do momento de parar. Hoje, foi Kubica. Rosberguinho, mesmo com a punição, estava tão rápido depois da relargada que ainda conseguiu chegar em segundo. Hamilton, que tivera uma esquisita queda de rendimento na altura da volta 12, foi salvo pela cagada da Ferrari e, no fim, ainda livrou um pódio e seis pontos decisivos para o campeonato.
Acho que agora ele não perde mais, se souber manter a cabeça no lugar. O momento da Ferrari é de crise e tensão, enquanto que na McLaren reina a tranquilidade, especialmente porque Lewis não precisa mais vencer para ser campeão. E as provas que vêm pela frente não têm favoritismo claro de ninguém. Haverá equilíbrio (talvez em Fuji a McLaren ande um pouco melhor), e o clima poderá ser um fator de favorecimento ao inglês. Em português mais claro: se chover, Massa está lascado.
SÃO PAULO(back) – A vitória de Alonso foi esplêndida. Deu para entender, hoje, seu desespero ao ficar empacado com o motor apagado no Q2 ontem. Ele sabia que se largasse nas primeiras posições tinha um carro bom o bastante para ganhar e, sobretudo, mais talento que os outros numa pista como essa, cheia de truques e manhas. Era uma chance desperdiçada, das raras nesta temporada que nem um podiozinho tinha lhe dado, ainda.
O curioso é que, na corrida, Fernandito teve a mesma sorte que rendeu a Nelsinho Piquet um segundo lugar em Hockenheim, no GP da Alemanha: a parada pouco antes da entrada do safety-car, o que o ajudou a ganhar posições importantes.
Depois vieram as punições a Rosberguinho e Kubica, e aí a prova caiu no seu colo, do jeito que ele gosta. Mais curioso ainda é que o safety-car que lhe atirou para a frente foi motivado por uma batida de… Piquet-filho!
Bom companheiro está aí.
Fernando ganha sua 20ª corrida, a primeira desde Monza/2007, quando ainda estava na McLaren. Foi seu 50º pódio. E no 800º GP da história, o primeiro noturno. Largando lá atrás, em 15º. Não é resultado para qualquer um. Seu passe se valorizou ainda mais, num momento em que ele ainda não decidiu o que fazer em 2009.
Ontem, ele dizia depois da classificação que “só um milagre” para conseguir alguma coisa nas ruas cintilantes de Cingapura. Venceu, e não houve propriamente nenhum milagre, apenas a coincidência de um pit stop na hora certa. Quase milagre, sim, é vencer uma corrida com o problemático carro da Renault, tendo todos os outros mais rápidos na pista — algo parecido com o que Vettel fez em Monza. Aí a gente vê quem é especial e quem não é.
Pelo rádio, o mais engraçado ao fim da corrida foi a frase de Briatore, que resume bem seu sentimento de alívio depois da primeira vitória do pupilo que ele se esforçou tanto para trazer de volta: “Finalmente, cazzo!”.
Alonso está de volta. É o sétimo vencedor do ano, ao lado de Massa, Raikkonen, Hamilton, Kovalainen, Kubica e Vettel. Belo campeonato, este.
SÃO PAULO(por partes) – “A Grande Cagada”. Este poderia ser o título de um divertido minidocumentário (tem hífen?) sobre o GP de Cingapura tendo a Ferrari como eixo narrativo. Aquela luzinha ridícula que ordena a saída do piloto do pit stop tirou, senão a vitória, ao menos um pódio de Felipe Massa, que dominava a prova com a mesma autoridade que fizera em Valência. Nunca confie num pirulito eletrônico, é o que sempre digo.
O mais provável desfecho para Felipe seria um pódio, porque Fernando Alonso parou na hora exata, pouco antes do primeiro safety-car, provocado por Nelsinho Piquet. Isso sim é jogo de equipe… Mas seriam pontos fundamentais na luta pelo campeonato.
O que veio depois, para o ferrarista, perdeu a importância: o tempão parado na saída dos boxes com a mangueira pendurada, o drive-through, a rodada no fim… Mais uma prova na conta da equipe (como em Budapeste). Felipe poderia estar liderando o Mundial com alguma folga. Agora está a sete pontos de Hamilton e já não depende mais só dele para ser campeão.
A coisa ficou ruim para o brasileiro. Daqui a pouco eu volto.
SÃO PAULO(interminável) – Vale aqui uma menção a outra informação da TV Globo, de Galvão Bueno, sobre o futuro de Rubens Barrichello. Ele estaria negociando com quatro equipes: Honda, Toro Rosso, Williams e Renault, esta no caso de Alonso deixar o time. Parar não passa pela cabeça do veterano brasileiro, que hoje foi superado nas estatísticas por Felipe Massa no quesito poles: 14 x 13. Felipe passa a ser o terceiro piloto do Brasil com mais pole-positions na F-1, atrás de Senna (65) e Piquet-pai (24).
O que você, blogueiro especulador, acha que vai acontecer com Barrichello em 2009?
SÃO PAULO(cintilante) - Foi fantástica a pole de Massa agora há pouco em Cingapura. Colocou 0s664 sobre Hamilton com uma volta perfeita e garantiu uma posição que pode lhe dar a liderança do Mundial depois da corrida de amanhã. É tempo demais, mais de meio segundo, e haverá sempre quem ache que está mais leve etc. Se estiver, fez muito bem. É prova que muito provavelmente terá acidentes, e a questão do combustível será anulada pelas eventuais entradas do safety-car.
Felipe e Lewis estão empatados em poles no ano, cinco para cada. O inglês não andou bem hoje. No Q2, conseguiu a vaga no talo, terminando em décimo. No Q3 até melhorou um pouco, mas nunca pareceu capaz de fazer frente a Massa, que continua guiando bem numa já duradoura excelente fase.
Raikkonen, de novo apagado, passou a ser mesmo o segundo piloto da Ferrari, algo que eu, sinceramente, não imaginava que pudesse acontecer quando começou o campeonato. Vettel voltou a mostrar sua capacidade acima da média e enfiou a Toro Rosso em sétimo. Glock deu um vareio em Trulli e a Williams foi bem, colocando os dois carros entre os dez primeiros.
Massa é o mais forte candidato à vitória em Marina Bay, o feérico circuito cingapuriano que é ondulado demais mesmo, bem ao contrário do que escrevi ontem aqui neste bloguezito — que as ondulações não eram nada de grave.
E como hoje estou apertado de tempo, vamos “matar” a classificação neste post aqui com mais alguns pitaquinhos…
- Raras vezes vi Fernando Alonso tão desesperado. Depois de fazer o melhor tempo no terceiro treino livre, ele era um dos candidatos à pole, ou ao menos às primeiras posições no grid. Mas no Q2 seu carro apagou quando ele ainda nem tinha começado sua volta rápida. O Carlos Gil, da TV Globo, informou que foi problema na bomba de combustível. “The car stopped”, falou o espanhol pelo rádio com sua equipe. Ficou putcho da cara, com razão. Larga em 15º.
- O mesmo Carlos Gil informou que a Renault contrariou as preferências de acerto de Nelsinho Piquet (foto) e, por isso, as coisas saíram totalmente erradas para o brasileiro, que ficou na primeira degola e larga em 16º.
- AInda no Q1 ficaram Bourdais, Barrichello, Sutil e Fisichella. Nenhuma grande surpresa. Talvez apenas Bourdais, já que Vettel andou lá na frente.
- No Q2 espirraram Trulli, Button, Webber, Coulthard e o supracitado Alonso. Os dois Red Bull fora do Q3… Foi mal, a matriz.
- Por fim, pequena previsão: com Massa e Hamilton na primeira fila, vai sair faísca na largada, amanhã…
SÃO PAULO(para alguns, não muda nada!) - Saborosíssima a coluna Grand Prix do Reginaldo Leme de hoje, já publicada no Grande Prêmio. Leiam lá, comentem aqui!
SÃO PAULO (cada vez mais longe) – Duas notícias dadas por Bernie Ecclestone hoje em Cingapura. A primeira, sobre o GP da Índia, em Nova Déli. Será em 2011, não mais em 2010. A segunda, sobre as corridas na Ásia/Oceania. Bernie quer que todas sejam realizadas à noite.
O pessoal de Melbourne, Sepang, Fuji/Suzuka, Xangai, Bahrein e Abu Dhabi pode começar a fazer orçamento de lâmpadas.
Falando nisso, odeio lâmpadas e luminárias. Queimou uma no banheiro dos meninos, fui trocar, escapou a bagaça e não consigo prender de novo. Não existe nada mais tosco no mundo do que esses buracos no teto das construções brasileiras, cheios de fios parafusos que nunca entram no lugar certo.
SÃO PAULO(deu certo) – Não choveu, e o primeiro dia de treinos noturnos da história da F-1 transcorreu sem maiores problemas. Ficou bonito, na TV. Não tem como ficar feio: pista bem iluminada, carros coloridos, bastante gente (mas muito espaço em algumas arquibancadas, o que é normal às sextas na maioria dos circuitos), um monte de prédios futuristas com suas luzes acesas e suas fachadas espelhadas ao fundo, uma ponte, água, alguns iates, e tem-se o que as pessoas costumam chamar de “cenário deslumbrante”.
Eu não iria tão longe. OK, é legal, mas acho que é tudo um pouco mais do mesmo, um desperdício desgraçado de energia, um certo ar de coisa artificial que vem contaminando esses países asiáticos montados na grana, como a Coréia do Sul, a Malásia, Abu Dhabi, Dubai, a China e seus anexos… Tudo exagerado, riquíssimo, uma ostentação desnecessária. Depois não entendem por que o mundo está quebrado.
Bom, é fase. Fato é que essa exuberância feérica toda me enche um pouco o saco.
Do ponto de vista puramente esportivo, a pista é ruim. Tem algumas ondulações, mas nada tão grave, e se bobear, bate mesmo. Alguns trechos me pareceram bem estreitos. Aquela famosa frase “não perdoa erros” será ouvida durante o fim de semana e anexada aos comentários-padrão sobre Marina Bay até o fim dos tempos.
Hamilton foi o mais rápido do dia, fazendo o tempo no treino “da manhã”, o primeiro. Alonso ficou na frente na segunda sessão. A Ferrari ficou ciscando bem perto por ali, mais com Massa do que com Raikkonen.
Os tempos de volta são altos, acima de 1min40s, e é bem provável que essa prova estoure as duas horas, se houver safety-car, o que também é bem provável.
SÃO PAULO(e de graça) – Não deu uma voltinha ainda na pista de Cingapura? Tá esperando o quê? Vai lá no Grande Prêmio, uai! São 5.067 metros, 1.500 projetores de luz e uma chicanezinha…
SÃO PAULO(será que mostro tudo?) – Os carros de serviço da F-1 já fizeram seus primeiros testes pelos 5.067 m do circuito de Marina Bay, em Cingapura. A iluminação, garantem todos, não vai ser problema para ninguém. E vamos nos acostumando com esse tipo de imagem, porque tenho a sensação de que vai vir mais corrida noturna por aí. Porque no fundo é legal pacas.
SÃO PAULO(ficou lindo, esperem) – Pelo jeito a putaria pegou no breu em Cingapura. É um jeito de conquistar a F-1, sem dúvida. Sem hipocrisia nenhuma, e longe de mim qualquer traço de moralismo, porque não sou disso, vocês acham que todos na F-1 amam a corrida de São Paulo por quê? Pela bela paisagem do entorno de Interlagos ou pela farta oferta de bahamas, photos & congêneres?
Ah, e tem os rodízios, também. Sendo minimalista (mas me aproximando muito da verdade), eu diria que o que segura a F-1 em São Paulo são as picanhas e as putas.
SÃO PAULO (melhor usar viseira fumê…) - Essa foto aí está sendo divulgada pela Philips, responsável pela iluminação da pista de Cingapura, que domingo recebe a primeira corrida noturna da história da F-1. Por estes dias, recebi várias informações sobre a corrida e a preparação das equipes para a prova. Pinguei tudo lá no meu bloguezinho da Bridgestone, e reproduzo aqui porque estou com preguiça de escrever tudo de novo.
- São 5.067 metros de pista, e a corrida terá 61 voltas. Os horários locais: treinos livres começando às 19h na sexta, classificação às 22h do sábado e corrida às 20h do domingo. Tire 11h e terá o horário brasileiro.
- Os engenheiros calculam que a pressão aerodinâmica será parecida com a de Mônaco. Pelos simuladores, as equipes já chegarão com um acerto básico de distribuição de peso, pressão de molas e amortecedores, relação de marchas, inclinação das asas e cargas de freios. Uma das preocupações é a temperatura do asfalto. Sem sol, ela deverá ser baixa, mesmo com temperatura ambiente alta.
- A pista é percorrida no sentido anti-horário. Tem 23 curvas, seis delas contornadas a menos de 100 km/h. A média de velocidade estimada é de 175 km/h (menos que os 200 km/h de Valência, mais que os 160 km/h de Mônaco). A velocidade máxima que será atingida deve passar um pouco dos 290 km/h.
- A iluminação será feita por 240 postes com 1.500 projetores de luz. Foram usados 108.423 metros de cabos.
- E se chover? O medo da água se dá pelos reflexos das luzes no asfalto, não pelo risco de correr com chuva num circuito de rua. Outro detalhe curioso: pilotos e mecânicos não farão adaptação ao fuso horário. A idéia é que acordem tarde, depois do meio-dia, como se estivessem na Europa, cinco horas atrás. Porque têm de estar muito despertos de noite, e sabem que vão entrar na madrugada trabalhando nos carros e fazendo reuniões. Vão tomar café por volta das 13h e almoçar lá pelas 18h ou 19h. Dormir, lá pelas 4h ou 5h da madruga.
- Os times pediram aos hotéis que escureçam as janelas e que o serviço de quarto seja feito só de tarde. Nada de acordar ninguém de manhã para fazer a cama e pegar roupa suja.
Já tem muitos vídeos no YouTube com simulações e informações sobre essa prova, que vai ser o maior barato. Selecionei apenas um, da Toyota, no link abaixo.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.