04/02/2009 - 10:38
SÃO PAULO (o amanhecer é lindo) – Senna só existiu porque existiu Piquet, que só existiu porque existiu Emerson, que só existiu porque existe Chico Rosa. Personagem talvez não tão conhecido do grande público, o atual administrador de Interlagos é o grande entrevistado de hoje no Grande Prêmio. A primeira parte do papo com Marcus Lellis está aqui. A segunda vai ao ar amanhã.
É simplesmente sensacional, um documento histórico, com detalhes nunca contados sobre o alvorecer das gerações que resultaram em oito títulos mundiais de F-1 para o Brasil. E não seria exagero dizer que Chico ganhou todos eles.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Grande Prêmio
Tags: Chico Rosa, Grandes Entrevistas
07/01/2009 - 20:43
NATAL (tem pista aqui?) – O Ludimar de Menezes, de Brasília, me mandou esse desenho aí do lado. Uma ideia, mais uma, para melhorar Interlagos. Como veio na mensagem apenas a imagem, sem nenhum comentário, não sei se é de autoria do blogueiro, ou não. Mas gostei. E muito. Parece um pouco com o projeto inicial criado pelo Chico Rosa para a mudança do traçado, em 1989. Ele queria continuar usando o Retão, faria uma chicane antes da Curva 3, porque ali não tem espaço para área de escape, e o traçado seguiria até um pouco antes da antiga Ferradura, para emendar no atual Laranjinha com uma variante à esquerda.
O desenho enviado por Ludimar me parece interessantíssimo porque aumenta a extensão da pista, hoje pequena demais para a F-1, com suas voltas em menos de 1min10s, e não inviabiliza o traçado atual. A obra, para dizer a verdade, é muito simples. Cria sete novas curvas, sendo uma delas de alta, a “Nova 4″, e algumas boas freadas propícias a ultrapassagens.
Sem brincadeira nenhuma, acho que os atuais administradores do autódromo, Chico Rosa e Roberto Seixas, poderiam estudar essa possibilidade com carinho. Agora, dois pedidos: ao Ludimar, que esclareça aqui se foi ele o autor da ideia, porque é muito boa, mesmo, e seja lá quem for o criador merece crédito; e ao Comendador Ceregatti, nosso maior especialista no asfalto de Interlagos, que diga o que achou.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Autódromos
Tags: Chico Rosa, Interlagos, Roberto Seixas
28/04/2006 - 14:06
SÃO PAULO (eu ia lá de noite para ver as obras) – Vivi mui intensamente as discussões sobre as reformas de Interlagos, levadas a cabo em 1989. Era editor de Esportes da “Folha” e o assunto era prioridade da gente, porque dizia respeito ao retorno da F-1 a SP.
O vídeo postado ontem com a volta de Emerson na pista velha tem gerado muitas perguntas do pessoal mais novo. Parece haver um senso comum: o traçado foi assassinado, estuprado desnecessariamente.
De fato, havia propostas melhores para a reforma, e a melhor delas é essa abaixo, de autoria de Chico Rosa, à época (e hoje de novo) administrador do autódromo. Foi na gestão Erundina que Interlagos foi estuprado, mas não se deve atribuir à prefeita nenhuma culpa. Seu papel foi salvar a F-1 no Brasil, e isso a Princesa fez direitinho.
O projeto abaixo foi o primeiro a ser apresentado a Bernie Ecclestone, e é bem interessante. Primeiro, e principalmente, porque preservava o traçado original. Depois, eliminava os dois pontos críticos de uma reforma: área de escape na 3 (criava-se uma chicane) e no Sol (a curva saía do circuito).
Chico bolou uma ligação entre a retinha que levava à Ferradura e a então Subida do Lago, trecho que seria feito ao contrário para se juntar ao antigo Laranja, com aproveitamento integral do miolo (S, Pinheirinho e Bico de Pato).

Era, certamente, uma proposta bem melhor do que a finalmente adotada. Segundo o Chico, com quem conversei longamente ano passado numa viagem entre Silverstone e Londres, com o Fábio Seixas junto, quem resolveu mudar tudo foi Ayrton Senna (o Chico não o perdoa por isso). Foi ele quem inventou o S que leva seu nome, e que vem a ser o ponto exato de destruição do velho traçado. Isso porque aquela curva inviabiliza uma saída de box na 1, como era antes.
A partir do desenho de Senna, a pista encurtou demais e trechos antigos foram sendo dizimados. Dá pra refazer? Claro, hoje dá para fazer qualquer coisa. Basta vontade e dinheiro. A maior parte da pista velha está lá: 1, 2, Retão, 3, 4, Ferradura. O problema é do Sol até o Laranja. A curva do Sargento foi ocupada por uma quadra de esportes. Mas é simples: destrua-se a quadra e refaça-se a curva.
Dificuldade seria mesmo a saída de box, porque uma nova inviabilizaria o traçado atual. Há relevo ali, e só passando por cima do S do Senna para retornar ao leito da pista antiga.
Agora, se alguém quiser, faz.
A propósito, o estupro de Interlagos, na opinião mais do que sensata de Chiquinho Lameirão, tem a ver com a escassez de talentos brasileiros nos últimos anos. Entrevistei-o um tempo atrás e, resumidamente, ele disse:
“Antigamente os pilotos se formavam em Interlagos, uma pista que tinha todo tipo de curva. Aí o cara ia para a Inglaterra, entrava num circuito diferente, mas começava a identificar: êpa, essa curva aqui é igual ao Laranja; essa é como a Ferradura; essa aqui parece o Bico de Pato… E o sujeito se adaptava rápido a qualquer pista, porque Interlagos tinha um pouco de todas. Ou todas tinham um pouco de Interlagos. Hoje este traçado não ensina nada. Não tem uma curva de alta, é uma pista fácil e nada técnica.”
Cheio de razão, o Chiquinho.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Autódromos
Tags: Chico Rosa, Interlagos, Lameirão, Senna