SÃO PAULO (semana cheia) – Pois é, Button não quis saber de conversa, ficou emburrado porque Ross Brawn não topou aumentar demais seu salário e se pirulitou para a McLaren. O time vai ter uma dupla de peso, claro, os dois últimos campeões mundiais, mas acho que Hamilton vai engolir o bonitão. Me parece mais piloto. Vai ser um bom ano para se medir a qualidade de Button, de qualquer forma.
E a Mercedes, agora? Vai encarar um campeonato com uma duplinha mequetrefe como Rosberg e Heidfeld? Pelo jeito, sim. A única resposta à altura seria contratar Raikkonen, mas pelo jeito o finlandês está mesmo a fim de chafurdar na lama, na neve, no barro e na poeira, disputando o Mundial de Rali.
E no fim das contas está sendo uma semana cheia de novidades. Mercedes despacha a McLaren e compra a Brawn, Kimi tira o time de campo, o campeão mundial troca de endereço… E vai ficar a pergunta, claro: Barrichello fez bem em assinar com a Williams? Se tivesse adiado a decisão, poderia se transformar no número 1 da nova Mercedes?
Difícil dizer. Ele poderia ter esperado, sim, mas nada garante que a Mercedes apostaria nele. Assim, foi atrás daquilo que considerou mais seguro.
SÃO PAULO (vixemaria) – Vai sair no “The Guardian” amanhã. Jenson Button teria assinado com a McLaren por três anos, 6 milhões de libras por temporada. Teria decidido assim que soube da compra da Brawn pela Mercedes. Ele seria companheiro de Hamilton, claro. E, aí, me permito acreditar que a Mercedes, que adora o Raikkonen, vai pegar o rapaz. E colocar ao lado dele Nico Rosberg. Fiquemos atentos. Novidades por aí. Mas nada confirmado, por enquanto.
SÃO PAULO(vixemaria) – Será que a Brawn vai mesmo cometer a irresponsabilidade de perder um campeão mundial? Será que não tem grana, mesmo? O fato é que Button foi até visitar a McLaren por esses dias. E seu empresário diz que as coisas estão difíceis para a renovação.
Está no site do Red Bulletin, como um resumo visual da temporada. Sei que todos vão notar o Nelsinho/Dick Vigarista, mas curti o Button/Peter Perfeito. A mola no Massa é de péssimo gosto.
SÃO PAULO (boas mãos) – Uma vez, cobrindo um GP da Espanha, a gente foi jantar num restaurante em Granollers. É uma microcidade-dormitório (OK, nem tão micro assim) do lado de Montmeló, onde fica o circuito de Barcelona. Explicando: o circuito de Barcelona, que a gente chama de Barcelona, fica na cidade de Montmeló, na perifa de Barça, mas a gente diz Barcelona porque é mais bonito. Granollers fica à direita da entrada do autódromo. Montmeló, à esquerda. Mais para a direita a gente chega na França. Mais para a esquerda, em Barcelona. Sacaram?
Bem, saímos tarde da pista e fomos a um restaurante simpático em Granollers, que tinha dois grandes salões e um bom presunto pata-negra. Patanegra? Patannegra?
Não vou lembrar o ano, mas é bem provável que fosse 2001. Sim, 2001. Jenson Button estava na Benetton. Tinha estreado no ano anterior pela Williams, depois de derrotar, numa espécie de vestibular da equipe, o brasileiro Bruno Junqueira, que tinha vencido o campeonato da F-3000.
Button chegou chegando, porque Damon Hill tinha parado no ano anterior e a Inglaterra ficara sem nenhum bonitão para torcer. A Williams era a Williams, ora bolas, equipe de ponta, e lá foi Jenson começar sua vida de famoso. O companheiro dele era o mala sem alça do Ralf Schumacher, e assim ele virou a estrela da companhia.
Marcou uns pontinhos e, ainda muito jovem, 20 anos, foi parar na Benetton no ano seguinte, um time fashion, de vida social agitada, e aí ele pirou. Sabe aquela coisa de carrões, iates e mulheres? Pois é. Carrões, iates e mulheres. E aí chegamos ao restaurante de Granollers.
Numa mesa próxima estava um senhor de enorme nariz e rosto muito vermelho. John Button estava curtindo adoidado aquela vida de pai de piloto de F-1. Dividia os carrões, os iates e as mulhers com o filho, pode-se dizer. Usava camisa rosa e calça branca. Disso eu lembro bem, parecia da velha guarda da Mangueira. E bebia com gosto. E ria com gosto. Como a gente estava bebendo com gosto e rindo com gosto na mesa ao lado, estávamos no mesmo time.
“Buttão” virou figura frequente nos autódromos, sempre esteve ao lado do filho, um bonachão, mas ninguém deu muita bola mais para ele quando Button, o filho, entrou na espiral que leva pilotos para o fundo do poço por falta de resultados, até renascer anos depois na BAR em 2004, para sumir de novo até o começo desta temporada na Brawn.
Jenson sempre teve fama de bom piloto quando as coisas vão bem. Com um carro bom, neutro, sabe como buscar pontos e pódios. Depois da pirada juvenil dos tempos de Benetton, vendeu os carrões, os iates e as mulheres, e se concentrou em tentar ser alguém relevante na pista. Mas estava difícil, na Honda. E, para piorar, o posto de queridinho do Reino Unido foi perdido para Hamilton em 2007, por motivos óbvios. Button estava condenado ao ostracismo, em resumo.
E foi assim, esquecido, que reapareceu em Barcelona poucos dias antes da primeira corrida deste ano, num carro branco com faixas amarelas marca-texto. Era o primeiro teste da Brawn, a sucessora da Honda, que conseguiu se ajeitar para disputar o Mundial aos 44 do segundo tempo. Ninguém apostaria uma libra furada naquela equipe.
Talvez ele tenha ido jantar, naquele dia, no restaurante de Granollers. Com seu pai, John, que talvez estivesse de camisa rosa e calça branca. Talvez tenha dito ao pai que o carro era muito bom e que estava feliz por poder continuar a correr.
Duvido que tenha dito que seria campeão com ele.
Hoje ele se tornou o oitavo inglês a conquistar um título mundial de Fórmula 1. Seu pai apareceu bastante na TV neste ano. É um velhinho simpático e sempre sorridente. Transpira muito, vive com a camisa aberta, é meio desgrenhado, continua bonachão.
Viu o filho ser campeão. Não há mais carrões, iates ou mulheres. Mas há um filho campeão.
Deve ser legal ser pai de um campeão. Por isso, fui lá embaixo agora há pouco falar parabéns para ele. E pedi para tirar uma foto. Minha?, ele perguntou. Claro, uai. Estava com a mesma roupa daquela noite no restaurante de Granollers. E o mesmo sorriso no rosto. Um bom cara, esse John. E lembra meu avô.
SÃO PAULO(glorious sunny day) – Está no Grande Prêmio desde cedo. Barrichello assinou com a Williams em Monza, e defenderá o time de Grove no ano que vem. É a sexta equipe de sua carreira. Estreou na Jordan, passou pela Stewart, Ferrari, Honda e Brawn para finalmente chegar a um time que sempre teve estreita relação com o Brasil. Foi num carro alugado por Frank Williams, salvo engano, que Pace estreou. Depois, Piquet, Senna e Pizzonia, além da turma dos testes agendados pela Petrobras, como Bruno Junqueira, Max Wilson, Sperafico (qual deles?), João Paulo de Oliveira.
Rubens, como escrevi outro dia, é a grande história do ano na pista, pela forma como renasceu. Estava desempregado em janeiro. Menos de um ano depois, tem emprego garantido para mais uma ou duas temporadas.
Só que, claro, não vai ser campeão. A decisão de sair obviamente foi tomada em consequência de decisão previamente assumida pela Brawn de não ficar com ele em 2010. Assim, achar que o time marca-texto vai abrir mão do número 1 no ano que vem é ingenuidade. Button, se não teve até agora, terá prioridade nas duas últimas corridas da temporada.
SÃO PAULO(um só) – Esse GP de Cingapura não merece mais do que um post. Sem armação de equipe alguma, a corrida não tem a menor graça. Mas vamos nos desdobrar. O mais relevante para o campeonato, claro, foi o fato de Button ter conseguido terminar à frente de Barrichello, mesmo tendo largado atrás. Isso só aconteceu justamente porque… largou atrás. Não foi ao Q3, pôde começar a prova mais pesado e ganhou a posição do companheiro, a quem marcou homem-a-homem desde as primeiras voltas, nos boxes.
Poderia ter levado já no primeiro pit stop, adiado ao máximo, mas a entrada do safety-car após a batida entre Sutil e Heidfeld adiou, também, a ultrapassagem. Rubens fez sua segunda parada na volta 46 e Jenson, na 51. Quando Barrichello retornou à pista depois de seu segundo pit stop, Button tinha mais de 25s de vantagem graças a uma sequência de boas voltas. Era o bastante para, com uma parada rápida, sair dos boxes ainda à frente. Barrichello, para piorar as coisas para seu lado, revelou depois da prova que seu motor morreu na parada, tirando-lhe segundos preciosos.
As últimas voltas foram dramáticas para o inglês, com problemas nos freios. Sorte dele que tinha uma boa distância para o brasileiro. Tirou o pé, levou o carro para casa, como pediu pessoalmente Ross Brawn pelo rádio. E foi o quinto colocado, uma posição à frente de Rubens. Depois de três provas seguidas terminando atrás do companheiro (a última vez tinha sido na Hungria), Button esboça uma reação. Aumenta de 14 para 15 pontos sua vantagem na classificação, agora com uma corrida a menos pela frente. Rubens precisa tirar 16 pontos em três GPs, porque um eventual empate daria o título ao britânico, que tem seis vitórias, contra duas do parceiro. Tudo pode acabar no Japão se, por exemplo, Button vencer e Barrichello terminar em quarto.
Foi um balde d’água fria no brasileiro, que teve interrompida sua sequência de bons resultados com uma apresentação apenas normal. Button, por outro lado, parece ter colocado fim de vez a uma série de más apresentações. Já havia andado bem em Monza e, hoje, foi maduro o bastante para compensar a péssima classificação com uma atuação segura e inteligente na prova, pensando exclusivamente em chegar perto do outro carro da Brawn.
Rubens não tem muito mais a fazer com seu marca-texto até o fim da temporada. Precisa continuar pilotando de forma agressiva e cruzar os dedos para Button ter algum problema no meio do caminho.
SÃO PAULO(aqui, sol) – Hamilton cravou a pole em Cingapura, o que me deixou muito feliz porque acertei no bolão de Victor Martins. Mas meus outros palpites estão quase todos furados. Para a corrida, fiz apostas seguras nos dois pilotos da Brawn e arriscada em Raikkonen. Mifu.
Estranhíssima essa Brawn hoje. Barrichello já começou o dia com a má notícia da troca do câmbio, que cedo ou tarde aconteceria. A peça foi submetida a certo stress (estresse, para quem gosta) na largada em Spa e estava no bico do corvo. Mas os carros estavam andando bem, Button inclusive, até o Q1. No Q2, o inglês foi eliminado de forma medíocre, e Barrichello conseguiu arrancar uma volta a fórceps no fim para entrar no Q3.
Aí, bateu. Me deu a impressão de que foi algo no assoalho. Rubens está guiando de maneira bem agressiva e acabou no muro. Mas não ficou tão ruim para ele. O treino foi interrompido, ninguém mais melhorou e acho que ninguém o superaria, mesmo, porque os que estavam atrás não davam pintas de.
Assim, o brasileiro fechou o Q3 em quinto, o que dá décimo, somando os cinco lugares que perderá pela troca do câmbio. Ainda assim, larga na frente de Button, 12º. Jenson, ou “Jêissãn”, como dizem alguns repórteres, terá ao menos a chance de marcar Rubens de perto na corrida. Ele não vê a hora de o campeonato acabar. A normalidade indica que deve perder mais uns pontinhos dos 14 que mantém de vantagem, mas não muito. Se sair de Cingapura com 10 ou 12 na frente de Barrichello, estará no lucro, ainda. Afinal, faltarão “menas” corridas, apenas três.
SÃO PAULO(e agora, macacada?) – Hehe. Acho que depois dessa, não preciso escrever mais nada hoje…
Meu irmão Julio, que trabalha na ESPN, foi buscar nos arquivos da gloriosa emissora a matéria do Dudu Monsanto no fim de 2005, quando a BAR promoveu a corrida de kart que eu ganhei em Aldeia da Serra, depois de deixar Jenson Button “impressionado”.
Ai, ai, como é difícil conviver com a glória…
O vídeo está neste link aqui. A primeira metade da matéria é sobre o futuro da BAR, que viraria Honda em 2006 e já tinha contratado Button, que àquela altura ainda brigava com a Williams para ficar onde estava. Depois começa a parte da corridinha. E vocês saberão, no fim, que por muito pouco o companheiro de Barrichello na Honda não fui eu!
SÃO PAULO(mas os meus cabelos…) - Rubens Barrichello reuniu hoje jornalistas no kartódromo da Granja Viana para reeditar uma brincadeira que fizera pela primeira vez em 1993, no final de sua primeira temporada na F-1. Infelizmente não pude ir, porque estava escalado para um programa na TV. Foram mais de 20 pés-de-breque que disputaram duas baterias (o Rubinho só deu umas voltas; piloto de verdade, nessas coisas, é covardia) e no final o vencedor geral foi Betto D’Elboux, que já teve experiência em corridas de carro, também. Conhece do assunto.
Naquele de 1993 eu fui. A festa aconteceu no kartódromo de Interlagos, e encontrei uma foto. Eu tinha até rabo-de-cavalo! No meio da pista, com o boné enorme da Arisco, está o Rubinho — na época era Rubinho, agora cresceu demais.
Não me lembro bem da minha atuação, o que significa que deve ter sido um desastre. Acho que rodei na minha bateria, ou me bateram, e acabei não indo para a final. O que me deixou naturalmente pistola da vida.
Mas nem tudo foram espinhos nessa minha curta carreira de corridas promovidas por ou disputadas com pilotos de F-1. Uma vez, na Inglaterra, convidamos Barrichello e Christian Fittipaldi para um indoor. Combinamos que o grid seria invertido, senão não ia ter graça nenhuma. Larguei em antepenúltimo, na frente apenas dos dois. Mas na primeira volta me deram uma chapoletada (está under investigation até hoje) e me ferrei. Anos depois, Pedro Paulo Diniz levou a putaiada para a Granja com a turma da Arrows e eu cheguei em segundo ou terceiro, não lembro bem.
Finalmente em 2005, a BAR fez um evento com o Button e o Bernoldi como instrutores, em Aldeia da Serra, e essa eu ganhei. Mas eles não correram. Juro que ganhei. Só não encontro a foto do pódio, mas uma hora eu acho. Se não me engano, já coloquei essa foto aqui. O macacão era uns três números maior que o meu, normalmente comprado na Petistil. Mesmo com o peso extra, mandei o sabugo. Eu já trabalhava na ESPN na época e mandamos repórter lá. Lembro que ele entrevistou o Button e perguntou se alguém na pista andava alguma coisa. E ele apontou pro meu kart e falou: “Aquele ali é impressionante”.
Tá gravado. Mas pode ser que tenham apagado a fita, essas coisas acontecem.
SÃO PAULO(vejam logo) - Para fechar o barraco, torcendo para que não tirem do ar logo, vejam as largadas de Barrichello, Kimi, Button e Hamilton on-board. A largada de Rubens, depois que o carro saiu do lugar, foi esplêndida. Lembrou muito o Meianov em Interlagos. A do Raikkonen, idem. E pela câmera do brasileiro muita gente vai rever o que falou do Grosjean. Ele não bateu mesmo no Button. Foi acertado pelo inglês. Vou ter de refazer a nota que dei para o francês. Ele não teve culpa.
SÃO PAULO (tudo na mesma) – Jenson Button, ao fim e ao cabo, deu sorte. Deixou de pontuar pela primeira vez no ano e o piloto que cresceu na semana passada, Barrichello, marcou apenas dois. Assim, a diferença que era de 18 caiu para 16 e em vez de seis, faltam cinco corridas para acabar o campeonato. O prejuízo poderia ter sido bem maior, porque igualmente Webber ficou fora dos pontos. E Vettel, mesmo marcando seis e estando na briga, ainda aparece mais distante na classificação e tem o problema dos motores.
Button, pelas imagens, foi tirado da corrida por Grosjean, mas não tem do que reclamar. Quem se classifica mal e larga no pelotão da merda está sempre muito mais sujeito a essas coisas do que quem parte na frente. O mesmo vale para Hamilton. Grosjean não admite erro algum e diz que foi ele que foi tirado da prova por Button. Preciso ver outras imagens para tirar alguma conclusão. De qualquer forma, depois de duas corridas, Romain Juba de Leão ainda não fez nada muito diferente de Nelsinho Piquet. Mas antes de umas três ou quatro provas, qualquer julgamento sobre o francês é precipitado.
Barrichello, pela terceira vez no ano, empacou na largada. Vai ter gente que acha que foi sabotagem, como sempre. Ainda não sei o que ele disse, além de detectar o mesmo problema, o “antistall” que deixa o carro em ponto morto. Pelas circunstâncias, salvou dois pontinhos. Caiu lá para trás no começo, deu sorte com o acidente que tirou quatro carros de sua frente, usou bem a entrada do safety-car, equilibrando as coisas com a parada que seria feita muito no início, foi decidido com várias ultrapassagens na primeira parte da prova, mas quando chegou na turma mais veloz, acabou ficando.
E deu mais sorte ainda no fim, com o motor prestes a estourar e conseguindo fazer duas voltas daquele jeito. Se tivesse conseguido largar bem, tinha chances de buscar um pódio, ou terminar em quarto ou quinto. Não venceria. Fisichella e Kimi estavam bem mais rápidos.
Para buscar o título, insisto, precisa fazer pelo menos umas três corridas excepcionais como a que fez em Valência. Não é fácil. Button pode chegar perder dele em todas as provas, que ainda assim será campeão, desde que permaneça sempre uma ou duas posições atrás do brasileiro.
Jenson Button colocou à venda por 900 mil libras (pouco mais de 1 milhão de euros) seu Bugatti Veyron com 1.500 milhas rodadas. Diz que o salário que recebe da Brawn não dá para pagar o IPVA…
SÃO PAULO (na falta de outra coisa…) – E a corrida de Silverstone foi tão sem graça, que nem Gola Profonda telefonou neste fim de semana. Talvez apareça, sei lá. Algumas coisinhas que notei nestes três dias que merecem registro, só para não dizerem que não vi nada…
- The Stig apareceu nos boxes da Brawn. E tinha BrawnGP escrito no capacete. O personagem misterioso do “Top Gear” da BBC seria um dos pilotos do time para o ano que vem? De qualquer forma, pelo menos alguém, hoje, sabe sua identidade: o funcionário da FIA que emitiu sua credencial. Ou será que a BBC mandou o formulário preenchendo “The Stig” no campo do nome?
- Max Mosley apareceu em várias imagens desde sexta, e hoje mais de perto na entrevista que deu a Mariana Becker, da Globo. Rapaz, como está envelhecido e abatido, nosso Max Chicotinho… E que ninguém imagine que isso se deve à crise entre a FIA e a FOTA. Max perdeu um filho recentemente por overdose. Isso é que é duro. Perto da morte de um filho, uma crise idiota com gente idiota é algo que não tem a menor importância.
- Alonso deu de presente um capacete a Nelsinho ontem. Li no twitter de Piquet-pimpolho, que tem sido uma ótima fonte para quem gosta de acompanhar mais de perto o dia-a-dia de um piloto. Nelsinho, aliás, atualiza seu twitter com assiduidade espantosa. Hoje colocou até fotos do desfile dos pilotos! É um garoto em dia com as tecnologias disponíveis e com todos os brinquedinhos eletrônicos à disposição.
- Notaram o capacete de Button? “Push the Button”, estava escrito, sobre uma cruz vermelha. Trocadilho britânico que não é exatamente de morrer de rir. E pelo que ele fez em Silverstone, alguém esqueceu de apertar o botão. Jenson experimentou seu primeiro fim de semana ruim na temporada. Já nem lembrava como era isso.
SÃO PAULO(só neguinho bom) – Reginaldo Leme analisa a temporada de Button em sua coluna de hoje, chamando a atenção para o fato de que, nas estatísticas, igualou Clark e Schumacher ao vencer seis das sete primeiras corridas do ano. Leia lá e, como de costume, comente aqui!
SÃO PAULO(é o frio…) - Está no ar na TViG o comentário do feioso aqui sobre o GP da Turquia. A análise é sobre a situação de Barrichello, que tem absoluta necessidade de uma vitória, e logo, para apagar a má imagem que está construindo nesta temporada ao reclamar do carro a cada derrota.
SÃO PAULO(sonífera) – Bem chatinha essa corrida turca. Mas eu dizia isso quando Schumacher dominava a F-1, não direi o contrário agora. Existe uma certa beleza, sim, no controle absoluto de um campeonato por um piloto só. Para quem gosta de corridas, ver um cara guiando como Button está fazendo é legal. Ele trucida a concorrência. Com o barato adicional que é o fato de correr por uma equipe estreante.
Ninguém, mas ninguém mesmo, esperava que a Brawn pudesse vencer seis das sete primeiras provas da temporada. Um verdadeiro assombro. Maior ainda quando se olha para a concorrência, seus orçamentos, seu queixo empinado — falo de Ferrari e McLaren, claro. Já notaram que o papo do difusor sumiu? Equipe nenhuma “culpa” o difusor duplo da Brawn por sua superioridade?
Porque não é ele que faz a diferença, evidente. Todos estão usando e ninguém chega perto. Exceto a Red Bull. Explicação? Ross Brawn de um lado, Adrian Newey de outro. Foi mudar o regulamento para o talento desses dois saltar aos olhos.
Button venceu a prova na primeira volta, na escorregada de Vettel que lhe custou a primeira posição. Aí a Red Bull tentou algo difícil, como seria difícil com Barrichello em Barcelona, a mudança de duas para três paradas. Teria alguma chance de dar certo se Tião Alemão conseguisse passar Jenson antes da segunda parada. Não deu.
Button controlou a corrida como quis. No fim, Vettel ainda perdeu o segundo lugar para Webber. Vou esperar as declarações, mas que ninguém espere que o pequeno tedesco solte cobras e lagartos contra sua equipe, coloque em dúvida a lisura interna do time, como fez Rubens na Espanha. Podem apostar: vai reconhecer a derrota, e a excelente atuação de Webber, e tocar a vida.
Para Barrichello, acabou de vez. Eram 16 pontos, agora são 26. O brasileiro teve sua pior corrida no ano. Não só porque abandonou e não pontuou, mas porque esteve mal, mesmo. Não sei o que aconteceu na largada, mas pode ser que ele não esteja se entendendo com a embreagem do carro. Foi a segunda derrapada em largada no ano. Desta vez, custou muito caro. Despencou para o fundão e ficou horas tentando passar Kovalento e Sutil. Na primeira tentativa, passou e foi repassado. Na segunda, rodou. Depois, tocou em Sutil e quebrou o aerofólio. Tenho a impressão que Rubens precisaria ter sido mais decidido nas ultrapassagens. Mas tenho a impressão, também, que os outros pilotos não respeitam seu assédio como respeitariam, sei lá, se fosse um Alonso, ou um Button, ou um Massa.
Enfim, um domingo ruim para ele, em todos os sentidos. Inclusive técnicos, porque parece que teve problemas com a relação de marchas, especialmente a sétima, e no fim das contas acusou problemas de câmbio, de embreagem e de destino: “As coisas têm acontecido demais do meu lado”, falou à BBC. Deu tudo errado. Vai precisar buscar motivação não sei onde, a partir de agora. Porque, neste momento, Barrichello volta a estar em baixa. Não na equipe. Na F-1. A atuação foi mesmo muito ruim.
O mesmo pode-se dizer de Nelsinho, que se arrastou com seu Clio pesadíssimo para chegar em 16º. De bom, a ultrapassagem sobre Hamilton. Muito bonita mesmo, uma das mais belas da temporada. Mas não valia nada. Alonso não foi muito melhor. A Renault é outra em baixa. Não justifica o falar grosso de Briatore, que vive zoando as equipes novas que pretendem entrar na F-1. Melhor faria se cuidasse da sua. Só que Flavio não entende de corridas, nem de carros. Fala muito, faz pouco. Depende dos outros. Já andou falando em parar. Talvez seja sua hora, mesmo.
Gostei das corridas de Trulli, Rosberguinho e Glock. A Ferrari decepcionou. Essa corrida era aquela em que o time italiano teria de mostrar se iria, mesmo, reagir no campeonato. Não vai. Massa em sexto, Raikkonen em nono. É muito pouco.
No começo do ano, Brawn, Toyota, Red Bull e Williams eram as forças. Toyota e Williams, embora tenham carros honestos, ficaram para trás e não serão capazes de brigar mais lá na ponta. Tudo se resume, agora, a Brawn x Red Bull. Na disputa pelas vitórias, diga-se. Não pelo título. Este está mais do que desenhado para o inglês impecável.
E receio que não haja muito mais a dizer sobre este GP. Vou esperar para ver o que dizem seus protagonistas, e daqui a pouco eu volto.
SÃO PAULO(alguém aposta em outra coisa?) – Pronto, no ar a minha coluna da semana, com dois temas. O primeiro, Button. Apostando que ele será o campeão, apesar da pequena diferença que tem para Barrichello, porque está mostrando que não é apenas um rostinho bonito. O segundo, o acordo entre FOTA e FIA.
SÃO PAULO(vai ser difícil) – O cara certo no lugar certo. Este é Jenson Button, na opinião de Reginaldo Leme. Tema parecido com o da coluna do Andre Jung. E com a minha, também, que daqui a pouco vai para o ar. Leiam e comentem!
SÃO PAULO(completinho) – O cara certo na hora certa, esse é Button. E esse é apenas um dos temas da coluna pós-Mônaco de Andre Jung. Leia lá, comente aqui!
SÃO PAULO (é isso aí) – A coluna de Rubens Barrichello no seu site oficial sobre o GP de Mônaco, desta vez, é uma aula de realismo. Ponto para ele. Destaquei a seguinte frase, sobre Button: “O menino está demais e está de parabéns. Enquanto não consigo batê-lo, continuo na minha humildade batendo palmas, mas tenho muita fé e trabalho duro para virar o jogo”.
Sem desculpas e chororô. E é exatamente isso. Button está guiando o fino. Reconhecer isso é o primeiro passo para tentar superá-lo.
SÃO PAULO(fácil demais) – Largou, acelerou, esperou o tempo passar, ganhou. Button, que mora em Mônaco, talvez nunca tenha tido tanta facilidade para ir de um lugar a outro no Principado quanto na corrida de hoje, que foi, junto da de Barcelona, a mais sem graça da temporada. Não é novidade, aliás. Monte Carlo só produz corridas boas quando chove e quando os pilotos estão em dias ruins e cometem erros, se arrebentando no guard-rail, mergulhando no porto, atravessando seus carros na Loews interrompendo o tráfego, voando sobre o público, estatelando-se no cassino, forçando a entrada do safety-car.
Hoje, quem errou? O Kovalento, o Nakalerdo, Tião Vettel, Tião Buemi. Só. Batidas bobas e sem grandes consequências, exceto para eles mesmos. Aliás, Vettel está merecendo uns puxões de orelha. Não que seja mascarado, ou se ache o uó do borogodó, mas já cometeu dois erros neste ano que lhe custaram muitos pontos e, possivelmente, a vice-liderança do Mundial.
Posição que, diga-se, não importa muito porque seja quem for o vice-líder, dificilmente vai conseguir arrancar de Button o título deste ano. Com cinco vitórias em seis corridas, embora a diferença de pontos para Barrichello não seja nada assombrosa, 16 apenas, Jenson só não será campeão caso aconteça algo muito fora do comum, como uma paixão avassaladora que o tire das pistas e o leve a ser pescador no litoral do Ceará, ou uma viagem interplanetária sem data para voltar, ou um surto místico-religioso que o transforme em líder de alguma seita numa cidade-satélite de Brasília.
O GP monegasco foi bem chatinho, previsível mesmo, sem um toquinho na largada que fosse, algo que não compreendo, com aquelas asas limpa-trilhos ninguém se esbarra, nada acontece. Do jeito que os três primeiros fecharam a primeira volta, terminaram. Mesmo depois de dois pit stops para cada.
No primeiro stint (eu gosto de stint), Button ganhou a prova, ao despachar Rubens fazendo melhor uso dos pneus-chiclete. Depois, foi só gerenciar a situação. Tirando a burrada vetteliana, que poderia chegar nos pontos, o resto ficou onde estava. Bem na corrida foram Bourdais, pontuando em oitavo, e Fisichella, que chegou em nono com a Caminho das Índias depois de passar a noite dançando. O Glock também, largou dos boxes e terminou em décimo. Mas do oitavo para trás, sinceramente, bela merda.
A Ferrari melhorou muito, sem dúvida, mas em Mônaco não se mede performance. Então, devagar com as previsões. Na Turquia, sim, será possível ter uma ideia mais clara de quanto. O que os italianos têm de festejar, mesmo, é o fato de não terem feito nenhuma cagada federal no fim de semana, como esquecer o carro no caminhão, ou colocar álcool no tanque em vez de gasolina. Resultado: terceiro para Kimi, quarto para Felipe, e está bom demais.
Por fim, Piquet-pimpolho que, coitado, não teve culpa nenhuma em ser atropelado por Buemi. O que achei engraçado foi o que ele disse à moça da TV: “É isso que dá colocar piloto jovem na F-1, sem experiência”. Ora, ora. Falou o veterano de tantas vitórias, tantas conquistas. Nelsinho tem toda razão de ficar putcho dentro do macacão. Mas precisa lembrar que ainda está na sua segunda temporada e, corrida a corrida, fez mais burradas neste ano que Buemi. E menos pontos. Portanto, que segure a língua. O suíço errou feio, desculpou-se, mas não bateu por falta de experiência, e sim por barbeiragem.
SÃO PAULO(por onde andava esse rapaz?) – Bela pole, não? Quarta em seis corridas, com chance de vencer a quinta prova no ano. É meio espantoso o que Button e a Brawn GP vêm fazendo. Meio, não. Muito. “Muito Além do Difusor” poderá ser o título de um documentário sobre esta temporada, se alguém quiser rodá-lo. Um domínio que foi visto, pela última vez, em 2004, quando a Ferrari ganhou tudo e mais um pouco e deu até pena dos concorrentes.
Pois neste ano não dá dó de ninguém, porque é o mocinho que está ganhando, deixando todos os vilões do passado para trás. As grandonas estão sentindo o tamanho da vara. Da vara mágica que faz carros estreantes voarem, bem-entendido. Já pensaram bobagem.
Button fez uma volta muito boa, com estilo, batendo Raikkonen por 0s025. Raikkonen, quem diria… Uma Ferrari na primeira fila, quem diria… Mas disso falamos daqui a pouco. Jenson ficou novamente à frente de Barrichello no grid, quinta vez no ano, se não me equivoco, com 0s175 de vantagem. Rubens, que hoje completa 37 anos, estava sorridente ao final da classificação, apesar de não ter feito a pole. Terá ao seu lado na segunda fila Sebastião Vettel. Massa, Rosberguinho, Kovalento, Marcos Webber, Alonsito e Nakajima-san fecham os dez primeiros.
O GP de Mônaco é legal, desde que alguém bata, ou chova. Não vai chover, pelo jeito, e pouquíssima gente bateu nos treinos. Os pilotos têm errado pouco, algo que espero que termine no ano que vem, com a entrada de novas equipes e pilotos-cabaço, nova categoria de condutores que acabo de criar. Hoje, por exemplo, só Hamilton deu uma ligeira estampada, logo no Q1, e sifu, porque quebrou a suspensão e vai largar lá atrás, em 16º.
No Q1, aliás, grandes surpresas. Nenhum carro da Force India, nem Piquet-pimpolho. Ficaram na degola, além do sinistrado Lewis, os dois da BMW Sauber, equipe que desandou de vez, e os dois da Toyota, com seus pilotos de Corolla muito instáveis neste ano, capazes de poles e últimas filas.
O Q2 foi bem normal, ceifando Tião Buemi, Piquet, Fisilerdo, Tião Bourdais e Sutil. Kimi fechou a melhor volta do fim de semana com 1min14s514, mostrando que iria brigar pela pole num claro momento de reação da Ferrari — algo a se lamentar, porque se a Ferrari voltar a andar bem, Gola Profonda sai de cena.
E aí, no Q3, Button colocou o brawn na mesa e cravou todo mundo.
SÃO PAULO(sumiu, uai!) – Nosso blogueiro mais famoso, Nick B., desapareceu sem deixar vestígios. Lamento pelos machões, mas não vejo outra maneira de atraí-lo de volta a esta casa. Neste link, matéria do Grande Prêmio que mostra Jenson Button peladão num iate em Mônaco!
Se depois dessa ele não aparecer, é porque: 1) arrumou um bonitão e foi morar na Grécia; 2) teve uma recaída e voltou para o outro lado; 3) morreu.
SÃO PAULO (cedo assim?) – Depois dos dois pilotos da Ferrari, que em algum grau já jogaram a toalha no que diz respeito às suas chances de conquistar o título de 2009, agora é a vez de Lewis Hamilton. O atual campeão do mundo disse que torce para Button ser o campeão, e que suas possibilidades — dele, Hamilton — se resumem à improvável hipótese de Jenson quebrar nas próximas dez corridas…
(Mesmo assim, continuam despejando grana na McLaren. A foto ao lado mostra o número 1 cravejado de diamantes no capacete de Lewis. É o quinto ano seguido em que os joalheiros Steinmetz cravam diamantes nos cascos dos pilotos da equipe quando correm em Mônaco.)
E fico me perguntando onde esses caras encontrarão motivação para disputar as próximas 12 etapas do Mundial, sabendo que não têm chance nenhuma. E eu mesmo respondo: no mesmo lugar onde os eternos coadjuvantes vão buscar a sua. Na verdade, piloto encara sua vida prova a prova. Se der para ser campeão, ótimo. Mas se der para se divertir correndo, tudo bem, também.
Acho que é assim. Eu, pelo menos, sou assim com o Meianov!
SÃO PAULO(vai que pega no tranco) – Bom dia, macacada. Button x Barrichello x Universo é o assunto da semana, mas já deu, não? Hoje, relendo tudo que escrevi ontem e a enxurrada de comentários da blogaiada, cheguei à conclusão de que às vezes se gasta vela demais com defunto ruim.
Não, o defunto não é Rubens, que disse ontem que já tinham jogado flores em seu túmulo. Defunto é o assunto, que não sei se merece tanto fosfato. Trata-se apenas de uma corrida de carros, afinal. Um ganha, os outros perdem. É sempre assim. Corrida é bom porque não tem empate. Alguém sempre acha que poderia ter vencido, no automobilismo todos acham que são os melhores, e aí começam a surgir as desculpas, as justificativas. De todos os perdedores, não apenas de um.
É que quando Barrichello está envolvido, a coisa ganha outra dimensão, por seu histórico na Ferrari e pela mania de se explicar mesmo quando ninguém pergunta nada. É verdade que, ontem, as pessoas queriam saber o que houve, como é que a chance de vitória escapuliu de suas mãos e tudo mais. É que aqui, pelo menos, pouca gente encarou o resultado pela óptica de Button. ”Como é que perdeu?” foi a questão escolhida para ser respondida, quando “como é que ganhou?” poderia ser, também.
Mas já deu. Ganhou, ponto. Foi rápido quando precisava, o outro não foi, a história recente da F-1 está repleta de casos em que dois pilotos da mesma equipe usaram estratégias diferentes numa prova, e sempre um chega na frente, e sempre o que chega atrás tende a achar que a do outro era melhor. Faz parte do jogo. Button vive uma fase melhor, está guiando o fino, fez valer a posição que está conquistando na equipe na pista, não pela vitória de ontem, mas pelas outras três neste ano, e pelas três poles, também.
Button & Barrichello estão em sua quarta temporada juntos e o desempenho nos três primeiros anos foi mais ou menos parelho. A desigualdade está se verificando agora. De qualquer forma, são 58 GPs lado a lado, e há equilíbrio, por exemplo, nas posições de largada: 31 x 27 para o inglês. Nos pontos, sim, Jenson demonstra alguma superioridade: 106 x 68. Boa parte dela, porém, se deve à ótima temporada que fez em 2006, com 56 pontos, contra 30 do brasileiro — era o primeiro ano Rubens na Honda, e o resultado não foi ruim, afinal.
São pilotos que se equivalem, portanto. Mas Button, neste ano, tem sido mais efetivo, mais rápido, mais tudo. Eu, sinceramente, achava que Rubens iria arrebentar, de tão motivado que estava, por ter conseguido a vaga a fórceps quando, ele tem razão, o mundo o dava como morto para a F-1, e por achar que, no mano a mano com Button, tinha chances de se sair melhor.
Mas não está. E depois de cinco corridas, com quatro vitórias para um e nenhuma para o outro, vai ser uma enorme surpresa se esse quadro virar.
Ah, sobre os papéis… Achei esse do GP do Brasil de 2006, a despedida da Lucky Strike da F-1, corrida vencida por Massa, última de Schumacher, prova histórica. Vem a calhar porque nessa prova, Button largou em 14º e chegou em terceiro. Rubens partiu em quinto e terminou em sétimo.
Como se vê, Barcelona não foi a primeira vez que Jenson superou o parceiro a partir de uma situação desfavorável. Então, ponto final na polêmica e vamos a Mônaco.
SÃO PAULO(e fim por hoje) – Rubens, Rubens… A síndrome da justificativa talvez seja o maior mal deste rapaz. OK, perdeu a corrida. OK, é bem provável que se ele fizesse duas paradas em vez de três, como Button, seria o vencedor. Afinal, estava na frente. Com carros iguais, sem ser pressionado, e com estratégias idênticas de paradas, talvez ganhasse, mesmo. Mas pode ser que não, também, porque enquanto estiveram com pesos parecidos, deu para perceber que Button não deixou o companheiro escapar. Poderia dar um pulo do gato, tentar uma ultrapassagem, antecipar um pit stop. Quem sabe?
Por isso, essa atitude “não suspeito de ninguém, mas acho que estão me sacaneando”, que não faz questão nenhuma de esconder depois de cada derrota dita “polêmica” (aquelas que ninguém entende, nem ele, por que aconteceram), acaba fazendo com que, cada vez mais, Barrichello seja visto como um mau perdedor.
Vamos aos fatos.
Rubens largou muito bem e passou Button, e como os dois tinham mais o menos o mesmo peso, o brasileiro não conseguiu abrir muito. Até a parada do inglês, na volta 18, a maior diferença registrada foi de 1s617, na volta 13. Barrichello teria duas voltas a mais para seu pit stop, mas essa vantagem foi anulada com o safety-car, por isso parou na volta seguinte. Não teve tempo de dar uma estilingada. E nem Button forçou nada.
O inglês, nessa altura, segundo seu depoimento, já tinha decidido (ou a equipe o fez) mudar a estratégia inicial de três para duas paradas. Gastou 25s489 em seu pit stop. Barrichello colocou menos gasolina e perdeu 23s332 nos boxes. Na volta 21, de novo na liderança, Rubens tinha 6s152 de vantagem sobre Jenson.
Com o carro mais leve, foi abrindo, o que seria natural. Mas não muito. Na 30ª, a diferença era de 13s594. Parou de novo na 31ª (gastou 23s063 na operação) e voltou 8s434 atrás de Button, na volta 32. O britânico esticou seu segundo “stint” até abrir 12s101 sobre o companheiro na volta 47. Parece-me que começou a ganhar a corrida nas primeiras voltas após seu primeiro pit stop, porque mesmo com o carro mais pesado, manteve um ritmo forte que não permitiu ao parceiro disparar na frente. Parou na 48ª, gastou 25s278 e voltou em segundo, “só” 15s470 atrás de Rubens, que ainda tinha um pit stop a cumprir.
A diferença entre o que Button gastou nos boxes (50s767) e o que Barrichello perdeu nas paradas (1min08s884) foi de 18s117. Era uma vantagem dessa ordem que o brasileiro precisaria ter construído na pista, digamos, entre as voltas 32 e 50, quando esteve mais leve que Button. Difícil, muito difícil. Teria de virar tempos quase 1s por volta mais rápidos que o inglês, o que é complicado mesmo quando se está mais leve, tratando-se de dois carros iguais.
Então, pode-se afirmar sem medo de errar que a estratégia de três paradas, quando comparada com a de duas, não foi a coisa mais inteligente que a Brawn, o engenheiro de Rubens e o próprio piloto escolheram para fazer na vida numa disputa com alguém que resolveu fazer dois pit stops. Daria até para ganhar, mas como disse o próprio brasileiro “eu teria de acelerar muito”. Foi nesse período que, segundo Ross Brawn, ele foi mais lento do que a equipe esperava.
OK, é para ficar puto, uma chance foi desperdiçada, paciência. Mas, antes de ficar puto, é preciso ponderar uma série de coisas. Button, por exemplo… Se tivesse largado bem, será que ficaria só 1s5 à frente de Barrichello até a primeira parada? E se ficasse, será que não discutiria com seu engenheiro a possibilidade de mudar de três para duas paradas? E se mantivesse as três e Rubens mudasse para duas, será que não conseguiria virar rápido o bastante para compensar a parada extra?
Nunca se saberá. Numa equipe de F-1, cada piloto tem seu próprio time e deve ser responsável por suas decisões. Não serve a Rubens, um piloto tão experiente, a posição de mero seguidor do que lhe dizem pelo rádio ou do que decidem por ele. Muito menos numa pista tão conhecida quanto Barcelona.
Pela manjadíssima cabeça de Ross Brawn, que prevê uma disputa ferrenha com a Red Bull pelo título, é melhor Button ganhar e ampliar um pouco a vantagem sobre Vettel do que ver Barrichello roubar pontos importantes do inglês. Ninguém mais deveria se espantar com isso. E não dá para dizer que sacrificou seu time e seu piloto — afinal fez uma dobradinha, não há resultado melhor numa corrida, do ponto de vista da equipe, foi um domingo perfeito. Isso não é bem uma sacanagem. Sacanagem foi o que ele fez na Áustria em 2002, num campeonato ganho por antecipação e num fim de semana amplamente dominado por Rubens.
O que aconteceu em Barcelona foi bem diferente. Na disputa interna da Brawn, cada lado trabalhou do jeito que achou melhor. Button se saiu bem porque cumpriu o que dele se exigiu, ser rápido mesmo com o carro pesado. Rubens não o fez, ou ao menos não como deveria, para ganhar do companheiro. Ele mesmo relatou que seu carro estava estranho depois da segunda parada, sugeriu até que algo poderia ter se quebrado. E tudo deveria terminar aí, um festejando, o outro lamentando, e vamos para a próxima.
Mas…
Mas Barrichello faz caras e bocas. Expressa descontentamento e cria um clima. Claro, ninguém é obrigado a sorrir quando perde. Mas ninguém é obrigado a fazer tipo para as câmeras. Se desconfia que o time lhe sacaneou, a primeira coisa a fazer é falar com o time. E não com a imprensa. Suas primeiras declarações, em entrevista coletiva, foram dadas em tom acusatório. “Estou tentando entender o que aconteceu…”, “…preciso contar com apoio…”, “…fizeram uma aposta em Jenson e acabou funcionando…”, “…vou para a reunião ver o que eles têm a dizer…”.
O repórter Felipe Motta, da rádio Jovem Pan, ouviu Barrichello bem tarde, no autódromo, e colheu novas pérolas para seu já vasto rosário de declarações desastradas. A entrevista foi feita depois de ele ouvir o que “eles tinham a dizer”.
Transcrevo alguns trechos:
“Não foi legal. O Jenson copiou o set-up, eu larguei melhor, eu fiz o negócio ir, e no fim não tive os pontos que gostaria que tivesse. E vai montando aquela pressãozinha de um brasileiro que quer mostrar bem para o Brasil.”
“Meu engenheiro só foi comunicado depois. Acho que essa semana vai rolar um monte de polêmica sobre isso. Na F-1, você não pode esperar favor. Não vou para a próxima corrida esperando isso. Quero que o Brasil entenda a situação, mais do que qualquer outro piloto, eu sou brasileiro. Eu preciso de torcida. Só vou conseguir esse campeonato na raça.”
“Eu posso dizer que eu não tenho idéia do porquê que o Rubinho é polemizado no Brasil, mas eu saí do carro ciente de que aquilo era polêmica e tentei manter a calma perante todos os problemas. Cheguei aqui no box e falei para o Ross Brawn exatamente o que eu queria falar, que era se ele fez alguma coisa para que o Jenson vencesse a corrida, eu pendurava minhas chuteiras e ia para casa. ‘Não preciso disso, sou melhor que isso’, foi o que eu falei para ele. E a resposta dele foi bem clara: hoje ele ganhou por coincidência. A gente achou que você conseguiria estar na frente do Rosberg no primeiro pit-stop, e conseguiu, e ele não conseguiria. Então eles mudaram a estratégia dele por causa disso. A partir daí, se encaixa ou não, sou um piloto da equipe. Eu agradeço o momento de estar guiando um carro competitivo, acho que a corrida era minha, não foi. O time acha que foi pura coincidência, e é dessa maneira que saio daqui com a cabeça erguida.”
Sinceramente, precisa tanto? “Mais brasileiro que qualquer outro”, “só ganho na raça”, “preciso de torcida”, “paro se souber que estão favorecendo o Jenson”… Caramba, perdeu uma corrida, nada mais, não é nenhuma tragédia! Não precisa se justificar para o Brasil inteiro, ninguém está preocupado com isso, ninguém está pedindo explicações! E como é que vai descobrir se estão favorecendo o Jenson? Alguém vai contar para ele? O Gola Profonda?
Se Rubens realmente se acha prejudicado, se tem certeza que alguém premeditou a vitória do outro, que pare de fazer rodeios, diga logo e pegue o boné, ou se cale para sempre. Porque esse tom choroso não ajuda em nada dentro do time, ninguém gosta de ser acusado de sacana, o bom ambiente vai-se deteriorando, não é uma boa hora para apontar o dedo para ninguém numa equipe que vive um conto de fadas com quatro vitórias em cinco corridas em seu ano de estreia.
E para o torcedor médio do Brasil, que se habituou aos seis anos de queixumes na Ferrari, tal comportamento só reforça a tese de que Barrichello não sabe perder, é um eterno segundão, não tem estrela (ou tem, segundo a Hortência) etc. E uma imagem tão desgastada, que dava pinta de melhorar quando começou a temporada, uma ressureição improvável e até festejada, começa a se deteriorar de novo.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.