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08/01/2009 - 20:47

SELVAGENS

NATAL (e vamos para o ar) – Infelizmente, não visitei a fábrica dos buggys Selvagem hoje. Felizmente, fez um sol danado e aproveitei muito bem o último dia por estas bandas. Motivo nobre para o cano, pois: as praias do Rio Grande do Norte.

Mas quero deixar de público aqui o agradecimento pelo convite feito pelo Marquinhos Melo, RP da Selvagem, prometendo que na próxima (e haverá muitas próximas, Natal é linda demais) vou à fábrica sem falta.

Aliás, a gente deveria falar mais de buggys aqui. Sei que não é um veículo inventado no Brasil, mas é óbvio que foi aqui que ele se “naturalizou”. Fortaleza e Natal, salvo engano, são as capitais mundiais dos buggys, e sobre eles tive uma verdadeira aula com o Péricles, nosso bugueiro, conhecido por aqui como Juízo — é que quando ele era mais jovem, tomou um tombo de moto e os amigos dizem que precisaram abrir a cabeça dele; quando fecharam, colocaram dentro um juízo de cobra…

Juízo é um grande contador de casos, e o primeiro que contou foi sobre Ayrton Senna. Diz que depois de conquistar o título de 1988, Senna veio passar uns dias em Natal e foi passear de buggy, claro. No meio de uma duna qualquer, pediu ao bugueiro para dar umas aceleradas. O que você faria se fosse o bugueiro? Bom, o cara é o Senna… Vai lá, “açuléra”! Ayrton andou cinco metros e atolou na areia. Deu risada, passou o volante de volta ao bugueiro e disse: “Cada macaco no seu galho!”. Anos depois, diz o Juízo, Senna apareceu na TV dirigindo um buggy numa de suas fazendas, ou na casa de Angra. Gostou do negócio.

Os buggys, falei isso em post sobre os Fuscas estacionários, sempre usaram mecânica VW a ar. Atualmente, essa realidade está mudando por conta do fim dos motores e das peças que ele precisa. Por isso, a nova geração deverá ter motores AP ou o motor do Fox, cujo nome não sei.

Eu não conhecia a Selvagem, e duvido que muita gente que não tenha vindo a Natal ou que não seja do Nordeste tenha ouvido falar da marca. Simplesmente porque seu mercado é Natal e ponto final. O que é ótimo: saber que estas cidades, tão distantes (e mais belas) que as do nosso Sul Maravilha, têm sua vida própria, seu mercado, suas particularidades. O Selvagem é apenas uma dessas.

Bem, preciso ir embora. O avião vai sair daqui a pouco. Amanhão, de volta à vaca fria. 

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Indústria automobilística Tags: , ,
07/01/2009 - 02:25

BOMBRIL

NATAL (acabando…) – Quinta-feira, a convite do Marcos Melo, blogueiro do pedaço, devo visitar a fábrica de buggys Selvagem, que domina o mercado no Rio Grande do Norte. Depois falo deles. Antes, algo que me deixou encantado em Natal. Como se sabe, a VW descontinuou a produção de seus motores boxer a ar. Os últimos feitos no Brasil equiparam a Kombi até o fim de 2005. Depois disso, passaram a usar na Velha Senhora o 1.4 do Fox, ou algo do tipo. Refrigerado a água — crime exaustivamente denunciado aqui à época.

Buggys, no Brasil, pelo menos, sempre usaram motores de Fusca. O fim deles, claro, trouxe problemas aos seus fabricantes, que um belo dia foram avisados pela VW, que lhes vendia conjuntos mecânicos completos, de que a fonte secara. A Selvagem está estudando alternativas. Acredito que as outras fábricas também. Motores AP entre elas. O conjunto atual da Kombi é outra. No fim, tudo dá certo. O buggy que nos levou para passear terça-feira, do Juízo, tinha motor AP 2.0. Andava muito bem. O jeito que esses buggys enfrentam a areia fofa, apenas com tração traseira, é de deixar com inveja todos que estão no Dacar.

(Falando nisso, vocês estão acompanhando? Vi que tem gente se arrebentando de montão. Mas as paisagens são belas. Acho que o Dacar do Cone Sul vai pegar. Tomara.)

Mas o legal mesmo é saber que Fusca não acaba nunca, seus motores servem para tudo, são que nem bombril. Quem já veio a Natal e escorregou nas dunas para cair na água, ou desceu de cordinha para despencar numa lagoa, deve ter notado que para subir de volta os caras usam… Fuscas! Sem pneus ou carroceria, mas Fuscas. Vejam na foto. O cabra da peste tem pedal de embreagem, freio e acelerador à disposição. O motor é traseiro. Têm câmbio. Para quê? Trazer os turistas num carrinho sobre trilhos até o alto da duna, de onde eles despencam na água numa prancha de fibra de vidro, o esquibunda. Melhor do que qualquer motor elétrico, ou estacionário, ou qualquer coisa moderna. Fusca, mesmo.

Me explicou o cabra que o carrinho sobe em segunda. O que um dia foi uma roda, a esquerda traseira, puxa um cabo de aço. O freio é só atrás… A tambor, claro.

E assim os motores que mais sucesso fizeram na história continuam por aí, subindo e descendo gente. Uma história interminável.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Fusca & cia., Turismo Tags: , , ,
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