SÃO PAULO(fechado) – Está lá no Grande Prêmio. Bruno Senna assinou com a Campos e é o terceiro brasileiro confirmado na temporada 2010 da F-1, ao lado de Rubens Barrichello (Williams) e Felipe Massa (Ferrari). Há ainda chances para Lucas di Grassi (em alguma pequena; parece que Timo Glock vai para a Renault) e Nelsinho Piquet (em outra pequena, mas com possibilidades menores).
É impossível fazer qualquer prognóstico. Bruno será estreante, como a Campos. Todos irão aprender. Imaginar uma nova Brawn, que chega arrebentando, é querer demais. O primeiro-sobrinho tem qualidades. Começou tarde, pulou etapas, mas me parece preparado. Talvez um time novato seja um bom caminho para começar, sim. E, além do mais, não havia muitas alternativas. Num time que nasce do nada, e na condição de debutante, Bruno estará isento de cobranças se não fizer bobagens. E pode estabelecer metas modestas. Pontuar, por exemplo, já será uma vitória.
Seu companheiro de equipe deve ser Pedro de la Rosa. E, depois de 16 anos, o sobrenome Senna volta ao seu habitat. Bacana. Bruno é um cara que batalhou para chegar. O nome ajudou, claro. Mas ele tem resultados bem razoáveis, está longe de ser um zé-mané. Que ninguém, porém, queira que ele seja o tio de um dia para o outro. Essa carga ninguém merece.
SÃO PAULO(bonita camisa, Fernandinho) - Não sei se é novidade, me parece que sim. Leandro Guimarães foi quem enviou. Parece que é a primeira volta de um F-1 pelo circuito de Abu Dhabi. Um dois lugares conduzido por Bruno Senna. Tem até túnel no box. Uau.
SÃO PAULO(está dando fome…) – A outra notícia que agitou o dia em Valência foi publicada pelo “Marca” e dá conta de que a Campos já teria escolhido sua dupla de pilotos para o ano que vem. Um deles, Pedro de la Rosa, veterano piloto de testes da McLaren, que chegaria com patrocínios espanhóis do banco BBVA, da Telefónica e da cadeia de lojas El Corte Inglés. Faz todo sentido. O outro, Vitaly Petrov, russo da GP2, que também traria muita grana de patrocinadores de seu país. Também faz todo sentido.
Nesse cenário, Bruno Senna e Nelsinho Piquet estariam fora da Campos. O primeiro-sobrinho é patrocinado pelo Santander, banco rival do BBVA. Piquet-pimpolho tem seu nome ligado a mais de um time para o ano que vem: o espólio da BMW Sauber, que vai acabar na mão de alguém, a Williams, que deve perder Rosberguinho para a McLaren e talvez à Manor, que ainda não está falando em ninguém.
SÃO PAULO (a ver) – Depois que perdeu a vaga na Honda/Brawn para Rubens Barichello, Bruno Senna deu uma desaparecida do noticiário ligado à F-1. A explicação pode estar na notícia de hoje do “Autosport” lusitano. Ele já teria acertado um novo teste para o fim do ano com a equipe de Ross Brawn.
É cedo para especular, mas será interessante acompanhar como Rubens vai negociar seu futuro na categoria. As seguidas críticas à Brawn não caíram bem no time e, ao contrário do ano passado, ele tem mais alternativas agora, com a chegada de três equipes novas.
SÃO PAULO (esse era o carro) - Bruno Senna vai pilotar neste fim de semana em Goodwood, no maior festival de carros antigos de competição do mundo, o McLaren MP4/4 que seu tio Ayrton guiou na temporada de 1988. Foi o ano de seu primeiro título mundial, num campeonato em que a McLaren ganhou nada menos do que 15 das 16 corridas do calendário. E só não venceu todas porque em Monza Senna bobeou e bateu em Jean-Louis Schlesser, retardatário — estava correndo pela Williams no lugar de Nigel Mansell.
A foto mostra Bruno acertando o banco e a posição de dirigir. O carro, sem a carenagem, mostra como eram diferentes os F-1 de duas décadas atrás.
SÃO PAULO(onde está o céu?) – Norbert Haug revelou que Bruno Senna não quis correr no DTM pela Mercedes porque a montadora alemã, em troca, não garantiu a ele um lugar na F-1 no futuro. “Ele escolheu outro caminho”, disse o diretor mercêdico. Para a casa da estrela de três pontas, faltou entusiasmo a Bruno, comprometimento com a marca, essas coisas.
Essas coisas que, para algumas empresas, contam muito.
SÃO PAULO (também não durmo) – A Mercedes anunciou hoje quais serão seus oito pilotos para a disputa do DTM. Bruno Senna está fora. “As conversas com ele se estenderam até a noite de ontem, mas Bruno decidiu se concentrar nos esforços que tem feito para chegar à F-1″, informa o informe. Gosto de “informa o informe”.
O informe informa também que o time de cima da equipe da estrela de três pontas, que vai correr com os modelos 2009 do Mercedes C-Class AMG, será formado por Gary Paffett (28 anos, inglês), Paul Di Resta (22, escocês), Ralf Schumacher (33, alemão) e Bruno Spengler (25, canadense). O segundo time, que vai usar carros do ano passado, terá Susie Stoddart (26, escocesa), Maro Engel (23, alemão), Jamie Green (26, inglês) e Mathias Lauda (28, austríaco).
SÃO PAULO (não acaba nunca, esta jornada) – Estava aqui pensando com meus botões… Será que o pessoal da Honda está arrependido? Será que aquele CEO que anunciou a retirada da marca da F-1 tem conseguido dormir tranquilo? Ou será que cometeu harakiri?
E estava pensando também com meus botões… Será que o Bruno Senna estaria conseguindo resultados tão expressivos se tivesse ficado com a vaga de Barrichello? E se estivesse, já imaginaram a histeria no Brasil?
Bem, são apenas perguntas enquanto não começa a corrida na Austrália… E se você quiser perguntar mais algo aos meus botões, a partir da 1h30 teremos um chat no Grande Prêmio com a participação deste que vos fala.
SÃO PAULO (novos rumos) – Bruno Senna vai mesmo investir, e com razão, em seu relacionamento recém-iniciado com a Mercedes Benz. O primeiro-sobrinho, que perdeu a vaga para Barrichello na Brawn, andou hoje pela primeira vez com um carro do DTM, o Campeonato Alemão de Turismo, em Hockenheim. Amanhã treina de novo.
O teste acontece duas semanas depois de Bruno experimentar o protótipo Courage-Oreca que vai correr em Le Mans. Ele não decidiu (nem equipe alguma por ele) se vai correr as 24 Horas, ou se participa da competição tedesca levando a estrela de três pontas no macacão. Mas, parece, está determinado a correr de alguma coisa neste ano.
E de onde vem essa “cola” na Mercedes?, alguém pode se perguntar. Possivelmente de Domingos Piedade, amicíssimo de longa data da família Senna, jornalista português que comandou durante anos a AMG. Junte-se a ele o relacionamento com Ron Dennis, por motivos óbvios, e é uma ótima forma que Bruno tem de se manter perto da F-1. Afinal, no ano que vem (como neste) serão seis carros com motores Mercedes no grid. Um pode sobrar para ele.
O DTM pode ser uma opção, claro. É um campeonato forte e Senninha ficaria em atividade, e perto de seus novos tutores. Mas é uma pauleira.
SÃO PAULO(o que fazer?) – Senninha pode acabar mesmo no DTM, para ficar perto da Mercedes e, portanto, da F-1. Vale só para isso mesmo, até porque Kovalainen não é propriamente o amor da vida da McLaren. E, além do mais, existe a filial Force India, que tem Fisichella — ninguém é eterno, embora Barrichello esteja aí para desmentir a tese.
Mas, do ponto de vista técnico, serve apenas para abrir o leque de sua carreira, porque não tem nada a ver com tudo o que fez até hoje. Bruno nunca guiou um carro de Turismo na vida.
Eu aceitaria. Até porque a F-1 está cada vez mais difícil. Augusto Farfus fez isso e corre até hoje no WTCC. Com salário.
SÃO PAULO(não acaba nunca!) – Está tudo certo e o anúncio será feito na quinta-feira. Rubens Barrichello vai mesmo para sua 17ª temporada na F-1. Na reta final das negociações, deu um tombo em Bruno Senna, por assim dizer. Falando ao jornalista Livio Oricchio, de “O Estado de S.Paulo”, Bruno usou essa expressão mesmo: um tombo. Disse que foi “inocente” nas conversas com Ross Brawn, com quem tinha uma reunião para onem que acabou sendo cancelada. E que ficou “chateado por perder boas oportunidades profissionais” enquanto esperava um desfecho do caso. “Brawn”, aliás, será o nome da equipe — como já se sabia desde a semana passada.
Assim, fica claro que Bruno não mentiu quando nos disse que não tinha nada assinado com ninguém, contrariando reportagem da revista italiana “Autosprint” — que cravou um contrato já firmado de três anos para o brasileiro, usando de um expediente maroto no jornalismo, a edição de respostas adaptando-as a perguntas jamais feitas.
A permanência de Barrichello não deixa de ser uma surpresa, ao menos para mim. Menos pelo silêncio que ele manteve nos últimos meses, mais por achar que do ponto de vista mercadológico Senna seria um negócio melhor para quem quer que fosse o novo controlador da ex-Honda. Mas acabou pesando, no frigir dos ovos (ovos fregem?), a experiência de Rubens para fazer andar um carro que terá, antes da estreia na Austrália, míseros quatro dias de testes em Barcelona.
Barrichello não fará milagres, nem Button (que deve conduzir o shakedown da barata sexta-feira em Silverstone). Com pouquíssimo tempo de pista, nada de dinheiro e uma situação atípica para qualquer time em qualquer categoria, o carro da Brawn está condenado a andar nas últimas posições. Mas a F-1 será bem estranha neste ano, por conta das novas regras. O que pode, ao longo do ano, causar uma surpresa ou outra.
O último capítulo dessa novela pode ser considerado o maior triunfo da carreira de Barrichello. Às portas de seu 37º aniversário, desacreditado e sem resultados notáveis nos últimos anos, ele deixa para trás um monte de garotos loucos para correr e consegue uma sobrevida improvável, depois de ter sido sacado do baralho sem dó nem piedade por todo mundo — eu, por exemplo, apostaria em qualquer coisa, menos na sua permanência. É sinal de que ainda goza do respeito de pessoas importantes na categoria, o que certamente fará muita gente repensar os conceitos que normalmente agrega ao seu nome — “lento”, “perdedor”, “coitadinho” etc.
Não que, de um dia para o outro, ele tenha se tornado “velocíssimo”, “ganhador” e “fantástico”. Na Honda, mesmo, não foi nada disso desde que por lá chegou, em 2006. Há sempre um outro lado para a moeda. O que aconteceu foi que as circunstâncias, por incrível que pareça, ajudaram Rubens. Num cenário de tragédia anunciada e terra arrasada, Ross Brawn viu nele um porto seguro e conhecido para fazer a roda continuar girando. Na zona que deve estar a equipe neste momento, a última coisa que o novo chefe precisa é de um piloto novato, a quem tenha de ensinar quais botões apertar no volante e todos os demais segredos de uma categoria repleta deles. Brawn olhou para suas possibilidades, viu o retrato de Rubens à frente e deve ter dito: “Só tem tu, vai tu mesmo”.
Não tivesse a Honda decidido puxar o carro da F-1, em resumo, Barrichello provavelmente estaria a pé. Mas não ficará, e continuará fazendo aquilo que sempre declarou ser sua paixão. Que tenha muita sorte, então!
SÃO PAULO (que coisa…) – São as idas e vindas dos negócios na F-1. O silêncio de Barrichello nos últimos meses, pelo jeito, tinha alguma razão de ser. Neste exato instante, é ele o favorito à segunda vaga da ex-Honda, futura Brawn Racing, ou coisa que o valha. Bruno Senna, o outro B, era dado como certo até alguns dias atrás, tendo inclusive viajado para a Inglaterra para, em tese, acertar as coisas. Quando surgiu a notícia, divulgada primeiro pela “Autosprint”, de que o primeiro-sobrinho tinha assinado um contrato, Bruno negou e uma pessoa muito próxima a ele me disse, literalmente: “Rubinho não está morto, muito pelo contrário”.
Agora, comenta-se que até quinta-feira definições ocorrerão. Como venho falando, aguardemos. Novela é assim mesmo, a gente só sabe o que vai acontecer no último capítulo. Mas deixo a pergunta para a blogaiada, quase em forma de enquete: qual dos dois você contrataria, e por quê?
SÃO PAULO (finalmente) – Pelo jeito, vai chegando ao fim a novela da ex-Honda, sem que um comprador tenha aparecido. Como disse ontem aqui, Ross Brawn deverá ficar à frente do espólio. E contará com grana dos japoneses para pagar os custos nos primeiros meses — vale-transporte, ticket restaurante, uniformes, essas coisas.
Agora, o que está intrigando todo mundo, mesmo, é a dupla de pilotos. OK, Button é certo. Bruno Senna será? Eu acho que sim. Mas mais de uma pessoa bem informada já me disse, daquele jeito meio “olha que tem angu nesse caroço” (não sei se o ditado é esse, se tem angu no caroço ou caroço no angu, aliás, nem sei o que é angu), que Barrichello não pode ser descartado assim, não.
SÃO PAULO(será assim) – A perspectiva meio deprimente para os fãs mais ouriçados de ver um Senna andando no fundo do pelotão, caso ele venha mesmo a correr neste ano, é o tema da coluna Warm Up de hoje. Leia lá. Comente aqui.
SÃO PAULO(gravações o dia todo) – E parece que é o milionário Richard Branson que está por trás da compra da Honda, segundo o sempre bem-informado site inglês GrandPrix. Faz todo sentido. O empresário britânico Tem dinheiro, é aventureiro (gosta de dar a volta ao mundo de balão, por exemplo), um baita empreendedor, e seu grupo Virgin atua em muitas áreas. A F-1 não seria nada muito caro para ele.
Portanto, se as negociações avançarem rapidamente, deveremos ter em breve uma Virgin Racing, assim como existem a Virgin Records, a Virgin provedora de internet, a Virgin companhia aérea (uma das melhores do mundo), a Virgin operadora de telefonia celular, a Virgin rede de hotéis e outras virgens. Com o virgem Bruno Senna ao volante, ao lado do nada virgem Jenson Button.
A propósito de Senna, já pedi desculpas por chamá-lo de mentiroso etc e tal. Mas concordo com meu amigo Fábio Seixas no que diz respeito à entrevista que ele deu à “Autosprint”. Bruno pode até dizer que não disse o que disse, ou que foi mal-interpretado. Mas responde a 14 perguntas do repórter italiano Cesare Manucci, falando sempre como piloto de F-1.
SÃO PAULO(errou, conserta) - Cometi uma injustiça com Bruno Senna no post abaixo ao afirmar que ele mentiu ao Grande Prêmio na semana passada. Retiro tudo que disse, porque receio que parti de um princípio equivocado. Para afirmar que ele mentiu ao meu repórter, eu teria de acreditar piamente no que escreveu a “Autosprint”. E Bruno nega que tenha dito à revista italiana que já tem um contrato assinado com a ex-Honda. Argumenta que suas palavras foram mal interpretadas.
O primeiro-sobrinho falou agora há pouco com outro jornalista do site, Victor Martins. Negou que tenha assinado contrato com a ex-Honda e que tenha dito à revista que assinou. Não tenho motivo algum para duvidar dele. Nem da revista, por supuesto, mas como não falamos com o autor da matéria da “Autosprint”, e falamos com Bruno, ficamos com a palavra dele, que deve saber mais de sua própria vida que qualquer jornalista.
Pode ser que Senna esteja indo à Inglaterra exatamente para assinar o contrato (ele também nega), e é bem possível que o faça nos próximos dias, assim que clarear a situação da equipe. E se assinar, não significará também que eu estava certo em chamá-lo de mentiroso, nem que a revista acertou ao antecipar algo que, segundo o piloto, ainda não aconteceu.
Assim, peço desculpas a Bruno Senna e a sua assessoria. Não tenho problema algum, nenhum drama de consciência, em me desculpar com quem sou injusto. Precipitei-me, e creio ser o mais correto aceitar o erro.
SÃO PAULO(dois pesos, duas medidas) - Não sou de criticar pilotos por falarem a X e não a Y. Mas estou espantado com a repercussão dada hoje ao anúncio feito por Bruno Senna de que tem contrato com a ex-Honda. Primeiro, porque todo mundo já sabe que se a equipe alinhar em Melbourne, ele tem a chance de seru um dos pilotos. Não era propriamente uma novidade, o site GrandPrix.com cravou isso na semana passada e a notícia foi reproduzida no mundo todo. Além do mais, foi testado pela Honda antes do anúncio do afastamento da montadora da F-1, e portanto fazia parte de seus planos. Novidade era a duração de um eventual contrato e a assinatura do próprio, com Bruno confirmando de viva voz. Foi o que a “Autosprint” revelou, ao entrevistá-lo, e a “Folha de S.Paulo”, em texto assinado por Fábio Seixas, reproduziu.
Se ninguém tivesse conseguido falar com Bruno, só a “Autosprint”, eu seria o primeiro a aplaudir o bom furo de reportagem. Ocorre que na semana passada, na minha frente, um de meus repórteres, Marcelo Ferronato, falou com Bruno pelo celular. Fez a pergunta óbvia, se já tinha assinado e se ia mesmo correr, como tudo indicava, mas o primeiro-sobrinho se recusou a responder, disse que não poderia falar com ninguém sem que as entrevistas passassem por sua assessoria de imprensa.
Marcelo respeitou o piloto e ligou para o assessor de imprensa. Que nos enviou uma resposta-padrão, como pode se ver aqui, em texto publicado no Grande Prêmio na última quinta-feira. Dizia que não havia contrato algum. Mas para a “Autosprint”, ele confirmou.
Mentiu para o Grande Prêmio, pois. Isso é feio. Escolheu uma revista italiana para dizer aquilo que já poderia ter dito a quem o procurou. Começou mal.
SÃO PAULO (e daí de novo?) – E agora vem o GrandPrix, bem-informado site inglês, dizer que a Honda vai, sim, alinhar em Melbourne, com nome ainda a definir (”Fry-Brawn Racing”? “Dennis Motorsports”? “Bernie Saves”? “Thanks God There’s a Senna”?), motor Mercedes (na prática, entranhas Mercedes…), apoio incondicional de Ron Dennis e a dupla BB, Button-Bruno.
Não duvido. Não duvido de mais nada. Mas o tempo é exíguo. A temporada começa no dia 29 de março e lá para o dia 20 do mês que vem, no máximo, as equipes precisam embarcar suas tralhas para a Austrália. Até lá, a nova Honda teria de montar dois carros e, ao menos, colocá-los numa pista para ver se funcionam.
Há semanas venho dizendo que essa Honda já era. É bem possível que minha avaliação caia do cavalo, porém. O silêncio é grande demais de todos os envolvidos, o que pode significar que ou não está acontecendo nada, ou já aconteceu tudo.
SÃO PAULO(e minha Suzuki?) – É assim que o Grande Prêmio trata Di Grassi, Bruno e Barrichello: órfãos da Honda. O site foi atrás deles. Encontrou Lucas, que negocia nos EUA e na GP2. Bruno parece ser o mais confiante em estar no grid de Melbourne, se der certo a negociação da ex-Honda com a Mercedes e Ron Dennis, envolvendo sua participação (falei disso no dia 9 de janeiro aqui mesmo no blog). Barrichello desapareceu. Parece que andou passeando nos EUA, mas tem se mantido em silêncio sobre o futuro.
SÃO PAULO (esperado) – Sébastien Buemi, novo garoto-prodigio da Red Bull, foi confirmado hoje como titular da Toro Rosso para 2009. Era previsível, mais ainda depois dos excelentes testes que fez no final do ano passado. Assim, considerando que a Honda, hoje, está extinta, resta apenas uma vaga a ser confirmada para a temporada que começa em março na Austrália. Sébastien Bourdais e Bruno Senna fazem parte da lista de candidatos, que tem ainda Takuma Sato e outros menos votados. Buemi é muito bom e a Toro Rosso está assumindo, no quesito “celeiro de pilotos”, o papel que foi da Jordan nos anos 90.
SÃO PAULO(acelera, rapaz) – Vamos atualizar, aos poucos, as últimas da F-1. Começando pelas declarações de Nick Fry, que garante ter 12 — uma dúzia! — interessados em comprar a Honda. O cara está até escolhendo, falou que vai dar preferência a quem se comprometer a assinar um acordo de pelo menos cinco anos.
Bom, tomara que seja tudo verdade. Vai ficar meio em cima da hora fazer um carro, acertar com dois pilotos, testar, desenvolver. Vamos esperar para ver.
Ah, sobre a história de parceria com a Mercedes… Um pequeno pássaro me contou que isso pode ter o dedo de Ron Dennis com Bruno Senna na parada. A conferir.
SÃO PAULO(falta só nevar, neste verão) – Está na edição de hoje do “La Stampa” italiano: o biliardário Carlos Slim teria fechado mesmo a compra da Honda, e os pilotos estariam até definidos: Jenson Button (que já fez fotos promocionais, e mostramos a primeira aqui, com exclusividade) e Bruno Senna. Isso porque escrevi, ontem, que o assunto estava morrendo — com a ressalva, diga-se, de que algo poderia estar sendo negociado em silêncio.
Se for confirmada a notícia, é ótimo. E esse cara tem bala na agulha. O bastante para, inclusive, incluir o México no calendário já de 2009, que tem vagas abertas com as desistências de Montreal e Magny-Cours.
SÃO PAULO(pode chover) – Duas notinhas para fechar o sábado e abrir o domingo. A primeira é a confirmação oficial da Force India de que Fisichella e Sutil continuam no ano que vem. Importante, porque quem estava namorando um lugarzinho ali era Bruno Senna — no dia em que a Honda fechou as portas, o primeiro-sobrinho disse que ainda tinha “boas opções”, citando nominalmente Toro Rosso e Force India.
Bem, o namoro acabou. Se Bruno for correr na próxima temporada, resta-lhe a Toro Rosso. Ou, talvez, o que sobrar da Honda. Mas, nesse caso, é difícil demais. Havia um interesse específico do time japonês pelo sobrenome famoso. Agora, não se sabe se quem vai pegar a equipe tem o mesmo interesse. Não se sabe sequer se alguém vai pegar a equipe.
SÃO PAULO (vai chover?) - O joguinho com as palavras é meio bobo, mas Buemi foi mesmo muito bem na Espanha. Nos três dias de Jerez, foi o mais rápido em todos. A Toro Rosso queria comparar seus três candidatos, e se havia alguma dúvida quanto ao suíço, parece não haver mais. Bourdais, Sato, Senninha, Button, Barrichello… Todos são aspirantes à outra vaga. Se a Honda não virar alguma outra coisa, eu apostaria em Button. Se for transformada num outro time, acho que o inglês fica onde está. E, aí, Bruno teria de apostar suas fichas, embora ele fale também numa possibilidade na Force India.
Bem, vou dar meu palpite. No fim, a Honda sobrevive, comprada por David Richards, e alinha com Button e Bruno. E a Toro vai de Buemi e Bourdais. Mas é mero palpite.
SÃO PAULO (bela estréia) – Em Salvador, para um evento em uma faculdade, Nelson Piquet, o pai, foi marcado de muito perto pelo mais novo repórter-redator-faz tudo do Grande Prêmio, o baiano Felipe Paranhos. Que já estreou arrebentando, arrancando de Piquet declarações que, certamente, vão repercutir por aí.
Entre elas, de que “está na hora de Barrichello voltar pra casa” e “Bruno Senna ainda não mostrou talento nenhum”.
Leiam lá, tudo dividido em várias matérias, cada uma sobre um tema. Depois debatam aqui. E aproveitemos para dar as boas-vindas ao Felipe, que passa a ser nosso ponta-de-lança no Nordeste.
SÃO PAULO (o último apague a luz) – A coisa está feia. O mundinho da F-1 espera para amanhã, no Japão, um anúncio da Honda sobre seu futuro na categoria. Que, ao que tudo indica, é: estamos fora. Resultado de dois anos desastrosos somados à crise financeira mundial. A equipe pode até não fechar, se alguém comprar, ou se quem ficar à sua frente arrumar patrocínios para sustentar o brinquedo. Mas a montadora, pelo que se especula, vai cair fora. Em vez de gastar 400 milhões de verdinhas por ano para andar lá atrás fazendo propaganda ecológica, é melhor produzir Fits e Civics e tentar vender essas coisas o mais rápido possível. O que está difícil de fazer, principalmente nos EUA, onde os consumidores deixaram de honrar seus carnês das Casas Bahia.
Barrichello, que testaria na semana que vem em Jerez, já teria sido avisado de que nem precisa ver se o passaporte ainda é válido. Bruno Senna, a esta altura, está procurando na agenda o telefone de “Didi” Mateschitz para saber se aquela vaguinha na Toro Rosso ainda tem jeito.
O Mundial de 2009 pode começar com 18 carros. O que é ridículo para uma categoria como a F-1.
SÃO PAULO(jogo perigoso) - Está na manchete do Grande Prêmio hoje. Barrichello será chamado para os testes de Jerez pela Honda. A equipe quer comparar Bruno Senna a ele, porque os caras acharam que Button não andou tudo que podia em Barcelona.
É uma sacanagem com Rubens, usá-lo assim, na cara dura, como boi de piranha? Pode ser. Mas, por outro lado, é a chance derradeira que ele tem de andar como nunca, enfiar tempo no primeiro-sobrinho e deixar a equipe sem argumentos na hora de escolher entre ele e Senninha.
Lucas di Grassi já foi avisado de que está fora. Sua carreira chega a uma encruzilhada. Continuar como piloto de testes não serve para nada, porque hoje piloto de testes não testa. Assim, só fica na Renault se não aparecer mais nada. Vaga de titular, sobra uma na Toro Rosso, mas não se sabe de nenhum contato entre piloto e time (aliás, é um grande mistério essa segunda vaga na Toro; a primeira será Buemi).
Esses testes de Jerez serão interessantes. Queiram ou não os protagonistas, Barrichello e Bruno são inimigos a partir de agora. Lutam pelo mesmo prato de comida. Rubens, apesar da situação incômoda, renasceu e voltou a ter chances de continuar correndo. Tem, a defendê-lo (na verdade, a defender um piloto experiente, seja quem for), Ross Brawn; contra ele, o fuinha Nick Fry.
SÃO PAULO(reveladora) – Excelente a entrevista feita por Patrícia Poeta com Rubens Barrichello ontem no “Fantástico”, à qual acabei de assistir no YouTube. Abaixo, algumas frases comentadas por este blogueiro que, ao contrário do que muita gente imagina, não tem nada contra o piloto — que, para mim, é o melhor que o Brasil teve na F-1 depois do trio Emerson/Nelson/Ayrton:
“Nâo tenha dúvida que o Schumacher era mais rápido que eu. Mas nos momentos em que ia sobressair, eu acabava sendo freado.” – Verdade sobre a velocidade de Schumacher, e bacana que ele admita isso. Não é uma total inverdade a segunda sentença (e usou o verbo “sobressair” direitinho, coisa raríssima), embora em seis anos de dupla com o alemão isso não tenha acontecido tantas vezes assim.
“Eu entrei na última volta muito indeciso. (…) Entrei na penúltima curva decidido a não deixar passar.” – Sobre a famosa marmelada da Ferrari na Áustria em 2002, explicando por que deu passagem apenas nos metros finais da corrida. Ponto para ele: pelo menos ficou na dúvida até o final. Acabou fraquejando, mas ele explica as razões na próxima frase.
“[Falaram] Que eu deveria repensar meu contrato. Aquilo para mim foi uma ordem: melhor tirar o pé, senão você acaba sendo mandado embora.” – Essa é forte. Porque vai ao encontro daquela brincadeira da internet que fantasiava o episódio incluindo nele a mãe sequestrada e o cachorrinho. Não teve mãe no meio, nem cachorrinho. Mas foi uma cachorrada da equipe se isso de fato foi dito, e não tenho razão nenhuma para duvidar de Rubens. Era ele que estava lá, ouvindo tudo pelo rádio, não eu. Mas se me falam isso no rádio, eu mando todos à merda, ganho a corrida e perco o emprego.
“Me disseram que não cabia a ele decidir ou não. (…) Mas ele estava ciente de tudo que estava acontecendo.” – Barrichello contou que pediu à equipe para perguntar a Schumacher o que ele achava daquela papagaiada. A resposta foi essa. Claro que Michael sabia de tudo. Escrevi na época e repito agora: caberia ao alemão demover o time daquela idéia estapafúrdia assim que fosse informado pelo rádio que iriam pedir para Rubens abrir. Schumacher foi um fraco, nesse episódio. Rubens ter medo de perder o emprego eu até entendo. O alemão, não. Mandaria todos igualmente à merda.
“Não é o momento certo de entrar na F-1, numa Honda ou em qualquer outra equipe, porque na F-1 de hoje em dia, se não consegue explodir logo de cara, vão te explodir.” - Isso ele falou sobre Bruno Senna, elogiando muito o talento do primeiro-sobrinho, que em quatro anos de carreira já chega à categoria com chance de ser titular. Dizer o quê? Que está legislando em causa própria? Pode até ser. No fundo, não acho que Rubens acredite no que falou. Afinal, ele chegou à F-1 novinho, com 20 anos, menos do que Bruno. Do mesmo jeito que a F-1 explode quem não arrebenta de cara, o que não é 100% verdadeiro, ela também não dá muitas chances. Apareceu, tem de aproveitar.
“Vou chorar muito.” - É o que vai fazer no dia seguinte à decisão de parar. Compreensível. Foram 16 anos de F-1 e mais uns 12 correndo de kart e de outras categorias. Parar nunca é fácil. O jeito é continuar correndo, mesmo que seja de outra coisa, já que a paixão é tanta. E está cheio de lugar para continuar, em bom nível, se divertindo e sendo competitivo.
SÃO PAULO(tem torcida) – Vale reproduzir aqui o resultado da última enquete do Grande Prêmio, como sugeriu o Bruno Vicaria. Mesmo depois dos bons testes de Bruno Senna e Lucas di Grassi pela Honda, os internautas do site acham que Barrichello é quem deve ficar com a vaga no ano que vem.
A gente perguntou quem o time deveria escalar em 2009, e Rubens teve 54% dos votos (2.285), contra 26% para Senninha (1.112) e 19% para Di Grassi (821).
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.