PEQUIM(tchau) - O mesmo raciocínio fotográfico serve (servia, as fotos voltaram a entrar) para as escassas palavras, agora, que serão dedicadas às gatíssimas velejadoras brasileiras Fernanda Oliveira e Isabel Swan, bronze na classe 470, a primeira da vela feminina para o país.
Resultado que faz deste esporte, novamente, o mais medalhado na história olímpica brasileira. O judô tinha passado, 15 x 14, mas agora o pessoal da água empatou de novo. E a vela ganha no desempate porque tem seis ouros, duas pratas e, agora, sete bronzes (contra dois ouros, três pratas e dez bronzes da turma do tatame).
Para um país que tem 8 mil km de litoral, faz até algum sentido ter um iatismo forte. Mas todos sabemos que não é bem a extensão de nossas praias que faz da vela uma modalidade tão bem-sucedida em Olimpíadas. O Brasil não é propriamente uma “pátria sobre barcos”, são poucos os praticantes, não há uma vasta massa de navegadores para se tirar da quantidade a qualidade.
Há, porém, uns caras e umas meninas muito bons nisso. Na sua maioria, gente de grana, que tem possibilidade de comprar os barcos e praticar muito. O que não faz deles nem um pouco menos merecedores de aplausos do que atletas que vêm da pobreza total. A dedicação é a mesma.
PEQUIM (de lado) – Admitam: a foto ficou bacana. Ainda do Tiago Camilo, que levou os judocas brasileiros às 15 medalhas acumuladas em Olimpíadas, o que faz do judô o esporte mais “medalhado” de todos os tempos.
PEQUIM(cinza de novo) – Tiago Camilo, terceira medalha brasileira nos Jogos, de novo no judô. Ele gravou uma pequena mensagem para os blogueiros e iGuinautas. Claro que ontem Tiago, melhor judoca do mundo em 2007, era só decepção. Afinal, perdeu um ouro ao qual era favorito. Mas a recuperação para buscar o bronze foi bonita.
Então, ele merece o sorriso. Até porque não foi a Atenas/2004, depois de ganhar uma inesperada prata em Sydney aos 18 anos, em 2000. Levlou a segunda medalha olímpica para casa. Tem mais é que se orgulhar.
PEQUIM(hoje está dando para ver o céu) – Eis a tchurma bronzeada do judô, que deu coletiva agora há pouco em Pequim na Casa Brasil, o quartel-general brasileiro na cidade. Tem cafezinho e biscoitos. Tinham me pedido para pegar um punhado de Sonho de Valsa e trazer para o IBC, mas não encontrei. Acho que acabou.
A Casa Brasil fica num hotel, onde há muitos turistas brasileiros hospedados. Todos fantasiados de Pacheco. São aqueles que a gente vê em todo evento esportivo internacional, seja onde for e da modalidade que for, e nunca sabe de onde vêm e como arrumam grana para essas coisas. Um bando de desocupados. Aqueles que usam peruca verde-amarela, sacumé? Malaças. Adoram aparecer nas transmissões de TV e levam cartazes onde se lê “Galvão, filma eu!”.
Bom, mas eles não importam muito, o importante era a tchurma do judô, que orgulhosamente apresento a Vossas Senhorias, da esquerda para a direita: Ney Wilson, coordenador da equipe; Luiz Shinohara, técnico do masculino; Leandro Guilheiro, medalhista em Atenas e Pequim, bronze em ambas; Ketleyn Quadros, a Keka, bronze em Pequim; Rosicléia Campos, técnica do feminino.
A façanha da Keka tem enorme importância. É a primeira brasileira medalhada em competições olímpicas individuais. Mas a menina não sacou a dimensão do que fez. “Eu ainda não tenho noção do que isso representa. Só sei que estou muito feliz e queria dar uma pirueta de felicidade no pódio. Espero que esta medalha não seja a última das meninas.”
O judô empatou com a vela como esporte olímpico mais bem-sucedido do Brasil. Pode passar, hoje. Daqui a pouco, porque o Tiago Camilo vai lutar. O Leandro disse que está torcendo. “Vou puxar a sardinha para o judô, claro. Se passar a vela, vou ficar feliz.”
Fico imaginando uma rivalidade sangrenta entre judocas e velejadores, com velejadores enforcados nas faixas dos judocas e judocas embrulhados nas velas das embarcações e sendo atirados no fundo do oceano.
Foi apenas uma divagação, não me levem tão a sério assim.
PEQUIM(cacilds) – Uau, segunda medalha do dia, de novo no judô, de novo bronze, agora de Leandro Guilheiro. As academias amanhã vão ficar lotadas. Bem que falei para meus filhos fazerem judô. Um topou, o outro não. Deixa eu fazer as contas… Para 2012, em Londres, não vai dar. Em 2016 também será cedo, ainda. Assim que voltar começo o projeto 2020. Dependendo, claro, de onde for a Olimpíada de 2020. Precisa ser num lugar legal. Já pensou em Cabul-2020? Não vou.
Eu lutei judô na AABB do Rio até os 10 anos. Fui faixa verde e era bom, ágil e preciso nos golpes. Mas quando pegava os gordinhos, não conseguia derrubar nenhum. Eu era magro que nem pau de amarrar tripa. Aí encheu o saco e parei.
Guilheiro, 25 anos, prata no Pan do Rio, bronze em Atenas, é de Suzano, Grande São Paulo, onde só tem japonês e hortifrútis. Beleza pura. Na Grécia, já tinha conquistado a primeira medalha da delegação brasileira. Sei dessas coisas porque tem um guia muito bom aqui do lado; não me tomem por especialista em nada, please. No guia não diz se ele gosta de arroz e feijão com bife e fritas, mas deve gostar.
Boa, Leandro! Passamos a Argentina, a Bielo-Rússia e a Argélia no quadro de medalhas.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.