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28/09/2009 - 07:24

FRACA

SÃO PAULO (e a mala?) – Reginaldo Leme deu o furo mundial, escolhido que foi — por sua história, competência, seriedade — por Nelson Piquet para revelar que a FIA estava investigando o escândalo que ele, Piquet-pai, decidiu encaminhar às autoridades competentes. Ontem à noite, a Globo levou ao ar no “Fantástico” a entrevista que Regi fez com o tricampeão do mundo.

Fraca, muito fraca.

Não sei se Piquet impôs (tem acento, isso?) condições, coisas como “não pergunta isso que eu não respondo”. Mas faltou apertar o homem. Não como num interrogatório, porque nós jornalistas não somos paladinos da justiça ou coisa que o valha. Mas somos curiosos. A grande pergunta não foi feita: se Nelsinho não tivesse sido demitido, o escândalo seria varrido para baixo do tapete?

Piquet diz (já se sabia) que procurou a FIA durante o GP do Brasil, tão logo soube da batida proposital. Mas ficou tudo meio no ar. A FIA não acreditou? Pediu que Nelsinho desse um depoimento? Abriu investigação? Pelo jeito, nada disso. E Nelsão se calou para, como disse, “proteger o filho”. Depois, com o contrato rompido, atirou tudo ao ventilador.

Faltou, também, uma menção ao tal relacionamento que Briatore insinuou haver entre Piquet-pimpolho e “um homem mais velho”. Quem é o cara, afinal? É verdade que Nelson-pai quis afastá-lo do filho? Por quê? Era alguém prejudicial a sua carreira? Nelsinho foi mesmo morar no mesmo prédio de seu empresário?

No fim, o que se viu foi um Piquet soltando, aqui e ali, frases indignadas sobre o que aconteceu: ”crime”, “eu não faria”, “se ele tivesse falado comigo antes, não faria de jeito nenhum”, “Senna e Prost fizeram o mesmo” e por aí vai.

Nada contra um pai defender o filho, perdoá-lo, sofrer por ele. Mas acobertar não é bem o que se deve fazer nessas situações, e no fim das contas foi o que Piquet-pai fez, depois que o contrato com a Renault foi renovado no fim do ano passado.

Faltou também falar sobre o futuro. E agora? Nelsinho tem lugar na F-1? Você, como chefe de equipe, contrataria um piloto que fez isso? Qual o caminho a seguir a partir de agora?

paiefilho

Notei um Piquet envelhecido, com o rosto marcado pela mágoa que, certamente, está sentindo. Afinal, investiu tempo, dinheiro, esforço, dedicação e carinho na carreira do filho, que pode ter ido por água abaixo por conta de decisões erradas — uma delas de sua responsabilidade, a de vincular o garoto a uma cascavel como Briatore, sabendo direitinho de quem se tratava.

Gosto muito de Nelson-pai. Convivi razoavelmente com ele nos seus últimos quatro anos de F-1, de 1988 a 1991, sempre admirei sua história e seus feitos na pista, sempre o achei uma figura muito interessante fora dela. Não sei se esse caso todo vai mudar demais a imagem que as pessoas em geral têm dele — seus fãs mais encarniçados, seus críticos ferozes, os “sennistas” (sim, isso existe) e por aí vai. Sei, apenas, que tem muita coisa errada nisso tudo, todos agiram de forma condenável, e usar vingança como motivação para denunciar algo tão sério não é algo que eu faria.

Poderia, até, acobertar a cagada de meu filho assim que dela soubesse. É compreensível, por parte de um pai. Trata-se de defender a cria. E, felizmente, ninguém morreu, ninguém se feriu. Tudo se transformou “só” num crime moral e ético. Mas jamais permitiria que ele ficasse sob o mesmo teto, sob as ordens de pessoas que considerasse desprezíveis. O que Piquet fez, com seu silêncio, foi, ao descobrir que seu filhote estava numa jaula ocupada por hienas famintas, atirar a elas uns nacos de carne e esperar, ingenuamente, que nunca mais ficassem com fome. Deixou o menino num ambiente contamidado. E isso um bom pai não deveria fazer. Piquet agiu como pai protetor ao não escancarar a denúncia, mas como um frio homem de negócios ao guardá-la numa gaveta para usar quando fosse preciso.

Que reflita sobre o que fez. Não há santos nessa história, isso já se disse, e Piquet-pai se encaixa na turma que, se houvesse um Céu, teria de parar no meio do caminho por uns tempos antes de receber a credencial permanente.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , ,
25/09/2009 - 19:12

COLUNA 1

SÃO PAULO (o cara) – Com algum atraso, link para a coluna de Reginaldo Leme de hoje, falando sobre o fim da era Briatore na F-1 e revelando bastidores do grande furo mundial que deu com a revelação do escândalo Cingapura-Renault-Nelsinho. No texto, Regi conta que sua fonte foi Piquet-pai, a quem entrevistou nos últimos dias — o material vai ao ar no “Fantástico”, domingo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Grand Prix Tags: ,
25/09/2009 - 12:39

DARK SIDE (2)

singa2SÃO PAULO (será que colou?) – De acordo com o blogueiro que me mandou a foto, mas pediu anonimato e não vou dizer que foi o Ricardo Divila, o instantâneo registra o exato momento em que Flavio Briatore e Pat Symonds tentavam entrar no paddock de Cingapura, quando foram imediatamente reconhecidos por Sebastian Vettel.

O piloto alemão contatou as autoridades competentes e os dois meliantes foram expulsos a pontapés.

Falando em Briatore, ele anda dando uma entrevistinha aqui, outra ali. Na 84079442KR038_F1_Grand_Prixúltima, garantiu que voltará à F-1 e, quando o fizer, vai dar uma grande festa. Só para os amigos.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
23/09/2009 - 14:39

O BARQUINHO VAI

forceblueSÃO PAULO (boia?) – Recebo do Ricardo Divila, com a seguinte informação: para alugar o barquinho do Briatore, é só entrar no site e pagar 235 mil euros por semana. Chama-se Force Blue, a embarcação. Não tive paciência para ler tudo, nem sei se é mesmo de Briatore. Acho que é. Sei lá.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1, Turismo Tags:
22/09/2009 - 17:21

O QUARTO ELEMENTO

SÃO PAULO (vem mais) – Engana-se, pelo jeito, quem acha que o escândalo Cingapura acabou. Quem se deu o trabalho de ler o relatório final da FIA, como Marcus Lellis, do Grande Prêmio, notou que há um quarto elemento nessa história, além dos três patetas Nelsinho, Briatore & Symonds. Depois de fazer suas investigações internas, a Renault informou à FIA que se convenceu de que houve a manipulação do resultado graças ao depoimento de alguém que é chamado de “Testemunha X”, e que estava na reunião de sábado em que foi cogitada a ideia do acidente proposital.

O nome do sujeito está sendo mantido em sigilo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
21/09/2009 - 10:18

CASO ENCERRADO

SÃO PAULO (segue o bonde) – A FIA deu agora há pouco seu veredito. Flavio Briatore está banido da F-1 e de qualquer competição chancelada pela entidade. Não poderá sequer entrar em autódromos. Pilotos que têm suas carreiras gerenciadas pelo italiano (Kovalainen, Alonso, Di Grassi, Webber…) terão de escolher outro manager. Aqueles que tiverem contratos com Briatore não terão suas superlicenças emitidas ou renovadas.

O mesmo vale para Pat Symonds, mas por cinco anos. A FIA considera que o fato de ele ter confessado atenua um pouco as coisas. Flavio, não. A entidade não se conforma que ele mente até agora e nega tudo. Max Mosley conseguiu o que queria: a cabeça do italiano numa bandeja. Tchau e bênção. É uma punição dura. Afinal, o cara está na F-1 há quase 20 anos, foi dono de equipe, empresário de pilotos, uma figura influente.

A Renault foi suspensa por dois anos, mas com efeito suspensivo. Ou seja: até o fim de 2011, não pode mijar fora do vaso. Se fizer qualquer outra dessas, é riscada da F-1. Foi pouco. Pegaram leve. Se pegassem mais pesado, talvez a montadora deixasse a categoria.

Nelsinho não recebeu sanções. Ele entrou num esquema de delação premiada. Em comunicado, diz que se sente arrependido, que terá de começar a carreira do zero, que espera nova chance, que a verdade é sempre o melhor caminho, que sua vida na Renault foi um pesadelo, que mantém a paixão pelas corridas, que será o piloto mais esforçado do mundo se alguém lhe der um emprego.

Alonso disse que não sabia de nada e acreditaram nele. Saiu inocentado.

Daqui a pouco voltamos.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , ,
18/09/2009 - 14:01

COLUNA 2

LONDRINA (el furón) – E o dono da história, Reginaldo Leme, fala sobre a saída de cena de Briatore, que pode acabar pagando o pato sozinho, já que Symonds e Nelsinho foram brindados com a tal de delação premiada. O link de sua coluna está aqui.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Grand Prix Tags:
18/09/2009 - 13:56

COLUNA 1

apexbriaLONDRINA (certeiro) - Ontem não deu, estava na estrada. Então vai hoje o link da coluna Apex de Andre Jung, nosso batera-mor. Fala do escândalo, de Monza, de tudo. Ilustração da Marta Oliveira, que dispensa comentários.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Apex Tags: ,
16/09/2009 - 22:07

OLHAR 43

Sem maiores comentários, reparem no olhar de Nelsinho para Briatore no pitwall (Victor Martins publicou a imagem congelada em seu blog) assim que Alonso recebeu a bandeirada em Cingapura.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
16/09/2009 - 15:58

FALA MORENO

SÃO PAULO (todos nós) – Se tem um cara no mundo que conhece bem Flavio Briatore e a família Piquet, todos ao mesmo tempo, é Roberto Moreno. Amigo de infância de Nelson, demitido por Briatore da Benetton, Roberto mandou um e-mail a Victor Martins, do Grande Prêmio, dizendo que está “de queixo caído” com tudo que aconteceu. Está no blog do Victor. Merece ser lido. Comentários, lá. Se quiserem replicar aqui, à vontade, claro.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
16/09/2009 - 12:14

FIM DE PAPO

crashcingSÃO PAULO (pela porta dos fundos) – As seis linhas do comunicado da Renault divulgado hoje pela manhã dizem mais do que todas as palavras já escritas sobre o caso Cingapura-Nelsinho (ainda não arrumei um nome legal para esse escândalo).

A equipe começa dizendo que não vai contestar as alegações da FIA. Ou seja: foi tudo armado, mesmo. As investigações internas chegaram a essa conclusão.

Depois, informa que Flavio Briatore e Pat Symonds não fazem mais parte da equipe. Nelsinho já não fazia. E são as cabeças dos três que vão, com justiça, para a guilhotina.

A Renault vai tentar tirar o seu pescoço francês da reta. É possível alegar, e é até provável que seja verdade, que a corporação francesa não tem nada a ver com isso. Não foi ordem de cima. Foi decisão de três indivíduos que resolveram fazer aquela merda toda à revelia, por conta própria. Para salvar seus empregos, pode-se dizer. Nelsinho, porque queria ter o contrato renovado; os outros dois, porque a equipe precisava de um resultado marcante, já que a empresa ameaçava puxar o carro da F-1, ou reduzir seus investimentos.

Symonds e Nelsinho entregaram tudo por delação premiada. Não serão punidos pela FIA. Serão pela F-1. Estão acabados. Briatore negou até agora, e tudo que lhe restou, além da justificada fama de mau elemento, foi o acréscimo de “mentiroso” à sua biografia. Está acabado, também.

Não há mais dúvidas de que tudo foi combinado. Há a confissão do piloto, o depoimento de Symonds (que não responde às perguntas mais importantes, o que é uma admissão de culpa) e a demissão de todos pela chefia em Paris.

briasymBriatore é um escroque. Symonds, outro. Nelsinho, um fraco. O que fizeram é desprezível, vergonhoso. A Renault, agora, teria de processar os três, pelo que fizeram com sua marca e reputação. Arrancar as calças de todos. E de outros que, dentro da equipe, possam estar envolvidos.

A FIA deve punir a equipe duramente. Mesmo que tenha sido uma decisão de indivíduos, todos estavam a serviço da empresa. Ninguém mandou contratar escroques. Pode não haver culpa da Renault, mas há responsabilidade. O time deve pagar. Com multa, exclusão, o que for.

Está claro que Max Mosley sai ganhando nessa história toda. Odeia Briatore e as montadoras. Deram-lhe munição para bater no peito e falar: eu não disse? E ninguém poderá tirar sua razão.

Mas há algumas pontas soltas nesse caso todo. A primeira, a posição de Alonso. Ele não pode calar. Por enquanto, está limpo. Pode argumentar que não sabia de nada. Que a estratégia era esquisita, mas já houve outras na história, que não deram certo. O melhor a fazer seria devolver o troféu. E a FIA, mesmo que isso não mude muito a história, deveria mudar o resultado da corrida e dar a vitória a Nico Rosberg.

Alonso sabia? Não sei, e não vou chutar. Acho apenas difícil que, pelo menos, não tenha sabido depois. Ou desconfiado. Mas se foi algo restrito aos três patetas, mesmo, vá lá. Que desfrute do benefício da dúvida.

Massa seria campeão se não fosse a presepada do trio? Difícil dizer. Ele não perdeu a corrida porque parou nos boxes, apenas. Perdeu porque a Ferrari fez bobagem no pit stop. Poderia fazer também mesmo se não houvesse acidente algum. É algo que nunca se saberá.

A outra ponta se chama Nelson Piquet, o pai. Foi ele que procurou Mosley depois da demissão de Nelsinho para acender o pavio da bomba. Provavelmente sabia de tudo antes, mas só resolveu falar quando o filho perdeu o emprego. Por que fez isso? Apenas para cortar a cabeça de Briatore? Será que não imaginava que Nelsinho sairia igualmente queimado? O que será que disse ao pimpolho quando soube de tudo, muito provavelmente bem antes de sua demissão? “Vamos esperar para usar no momento certo”? “Você é um idiota, como faz um negócio desses”?

Nelsão é o maior mistério dessa história toda.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , , ,
14/09/2009 - 21:55

AS ÚLTIMAS

SÃO PAULO (serviço completo) – O que está rolando na Inglaterra é que a FIA (leia-se Max Mosley) ofereceu a Pat Symonds imunidade caso entre no programa de delação premiada que salvou a pele de Nelsinho — salvou numas, ele não será formalmente punido, apenas. A ideia é fazer com que Symonds dê todo o serviço incriminando Flavio Briatore, a quem nada se ofereceu, exceto um nabo.

Dessa forma, Max teria a chance de banir o italiano da F-1, naquele que seria seu último ato como presidente. Ron Dennis, outro desafeto de carteirinha, já se mandou por conta. Pelo jeito, Briatore tá lascado, para não dizer fodido.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
11/09/2009 - 20:04

MILANESAS (4)

mila4SÃO PAULO – O Grande Prêmio teve acesso a um relatório da FIA com o primeiro interrogatório de Pat Symonds. Suas declarações são incriminadoras. Em nenhum momento ele nega a armação de Cingapura. Recusa-se a responder a quase todas as perguntas. Parece claramente acuado diante de evidências de que Nelsinho bateu mesmo de propósito e de que a FIA sabe que ele estava por trás da combinação.

Temos uma situação clara: Briatore no ataque, partindo para o lado pessoal, afirmando que é tudo mentira, e Symonds enrolado. Pode ser que sobre para ele, no time.

O relatório é longo e contém imagens da telemetria, que apontam um comportamento “incomum”, nas palavras de Symonds, de Nelsinho na hora do acidente. Há também detalhes das conversas de rádio que indicam que talvez ninguém mais na Renault, exceto Symonds e (talvez de novo) Briatore, soubesse do que estava acontecendo.

As desconfianças que eu tinha, e manifestei no último post, de que uma hipótese a ser considerada era a de que Nelsinho poderia estar inventando tudo já não existem mais. Pelo tom das respostas de Symonds, não tenho mais dúvidas de que foi tudo combinado.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , , ,
11/09/2009 - 15:48

MILANESAS (3)

mila03SÃO PAULO (ui) – Pois o caso Briatore-Nelsinho-Renault-Cingapura assumiu proporções nunca antes vistas na F-1. Virou um tiroteio de acusações pessoais que hoje chegaram ao auge, suponho, com as insinuações de Briatore de que Nelsinho tinha um caso homossexual com um homem mais velho.

(Claro que se a família Piquet resolver responder no mesmo tom, terá farta munição sobre a não muito ortodoxa vida sexual-porno-erótica de Briatore, que vive posando de tanguinha nas praias da Sardenha. Portanto, o auge ainda pode ser mais alto. Ou baixo, dependendo do ponto de vista.)

O diretor da Renault soltou o verbo em Monza. Disse que a Renault já entrou com processos criminais contra Nelson Filho e Nelson Pai — e se for preciso, vai Nelson Espírito Santo para a roda. Acusações: chantagem e extorsão.

“Nós não fizemos nada. O fato de estarmos processando os dois prova que estamos confiantes. Nelsinho nunca teve performance. É um garoto mimado que sempre correu com sua própria equipe, o melhor carro, sempre teve seu pai do lado. Quando chegou numa competição de verdade, perdeu a cabeça. É muito frágil.”

Aí vem a parte mais escabrosa e cabeluda. Que não carece de apuração. Não tem nada a ver com as coisas da pista. Expõe ressentimentos. Porque mesmo se forem verdadeiras as afirmações de Briatore, dizem respeito à vida pessoal de Nelsinho, e não à sua atividade profissional. Briatore é um escroto. Mas se Nelsinho está mentindo só para implodir sua cabeça, como ele afirma, é compreensível e nada surpreendente que um escroto como ele diga o que disse:

“Ele [Piquet Jr] me acusou pesadamente de lhe fazer romper um relacionamento com um amigo, e isso eu devo dizer, porque foi seu pai quem me pediu isso. Ele vivia com esse senhor. Não se sabe que tipo de relação eles tinham. O pai estava muito preocupado. Viviam juntos, e o pai me pediu para interferir. Fiz Nelsinho se mudar de Oxford para meu prédio em Londres, onde eu podia mantê-lo sob controle.”

Não sei quem é a tal pessoa. Também não me interessa minimamente. Mas sei que Nelsinho é o que a molecada chama de “pegador”. Já ouvi histórias. E foda-se, a vida sexual de ninguém me interessa muito. Neste caso, o que interessa é perceber a que nível as coisas chegaram. Briatore está espumando de ódio. Diz que as denúncias à Renault foram feitas pelos dois Nelsons, e que o pai “todos conhecem”:

“Ele degradou a imagem de todo mundo. Fez isso com Senna, com a mulher de Mansell, todos sabem como ele é.”

Virou briga de rua. Mas que não será tratada como tal pelo Conselho Mundial da FIA — embora o interesse pessoal de Max Mosley pelo caso possa ter aumentado depois do surgimento desse, hum, componente picante na história.

crashpiquetNelsinho terá de provar que lhe deram a ordem de se espatifar no muro. Provar que fez de propósito não bastará. No máximo, vão lhe dizer que é uma besta, ou um barbeiro. O crime precisa de um mandante. Se não tiver, o criminoso será só ele. Que terá feito o que fez apenas para garantir o emprego e, pior, estaria mentindo para arrastar com ele os pescoços de desafetos.

Existe a chance, ainda, de nada ter acontecido. Sim, de Nelsinho ter apenas errado, batido, feito cagada (não teria sido a primeira), e um ano depois, por conta de uma relação tumultuada e horrorosa com a equipe e seus chefes, elaborar essa história toda para incriminar os inimigos, mesmo sob o risco de dar um tiro na própria cabeça e acabar com sua carreira.

É difícil acreditar em imaginação tão fértil, porém. O depoimento de Nelsinho é muito detalhado, embora Briatore contra-argumente (tem hífen, essa merda?) que seria impossível desenhar uma corrida na 14ª volta, prever tudo que aconteceria depois.

“Massa teve problemas, Kubica teve problemas, seis ou sete tiveram problemas. Como prever isso depois de 14 voltas?”

Já não sei direito o que pensar disso tudo — se é verdade que a Renault pediu e ele obedeceu e se arrependeu, se o time insinuou e ele captou a mensagem, se Nelsinho está mentindo, não pediram nada e ele fez mesmo assim, se não foi nada disso e ele apenas bateu o carro, como disse à época, e Alonso deu um rabo inacreditável.

Dizer que fico triste pelo esporte seria hipocrisia. Caguei, isso não afeta o esporte, e mesmo se afetasse, não tenho nada com isso. No fundo, é apenas um barraco digno dos piores programas de TV. Do ponto de vista jornalístico, o caso é ótimo, rende manchetes e audiência. O povo gosta de uma putaria, quem há de negar?

Sinto, sim, pelo nome Piquet e tudo que representou no passado, para a história do automobilismo brasileiro e internacional. É uma tristeza biográfica, digamos assim. Porque, no fim das contas, ele, ídolo de tanta gente, está metido nessa baixaria toda.

Os ídolos são mesmo de barro. Todos eles.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , , ,
10/09/2009 - 15:25

SORRY, GUYS

SÃO PAULO (outro olhar) – Juro que não tenho 100% de certeza, mas acho que foi naquele GP de Cingapura que, depois da batida, a FOM colocou no ar a comunicação de rádio de Nelsinho com a equipe. Ele bateu e disse “sorry, guys”.

Lendo o depoimento de Nelsinho à FIA, fica claro, ao menos nas suas palavras, que apenas Briatore e Symonds, além dele, claro, sabiam o que iria acontecer. Ele diz que seu engenheiro questionou o incidente. E acrescenta que qualquer engenheiro inteligente notaria, pela telemetria, que continuou acelerando onde deveria frear.

Acho que aquele “sorry, guys” é a única coisa bonita que Nelsinho fez. Pedir desculpas (sem saber que aquilo seria ouvido fora da equipe) aos seus mecânicos, funcionários da Renault, amigos dentro da equipe, gente que passou horas preparando seu carro, resolvendo problemas, ajudando a melhorar as coisas, pela cagada que estava fazendo. Um momento quase íntimo — porque acabou se tornando público — de dizer a si mesmo “o que é que eu estou fazendo?”.

Não tira sua culpa, não atenua nada. É só um detalhe que humaniza um pouco a questão.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
10/09/2009 - 11:50

FOI ELE

SÃO PAULO (fim de linha) - Nelsinho Piquet confessou, por escrito, que causou deliberadamente o acidente que deu a vitória a Alonso em Cingapura. A íntegra de sua confissão à FIA está aqui.

Nelsinho isenta Alonso, afirmando que apenas Symonds, Briatore e ele sabiam dos planos. Justifica-se por um “estado emocional frágil”, por conta das incertezas sobre seu futuro na Renault.

Piquet-pimpolho revela-se dono de personalidade frágil, isso sim. Não há justificativa para o que fez. Que pedisse demissão, nem corresse, metesse a boca no mundo. “Ah, é fácil falar”, dirá alguém. É fácil, mesmo. Se ele fizesse isso, não estaria em jogo sua vida, sua carreira, nada. Ao contrário, jogaria luz nas trevas da Renault e da F-1, poderia dormir em paz.

Uma coisa é aceitar fazer o inaceitável diante de ameaças irreversíveis. Perder a casa, a vida, um filho, um braço. Essas coisas de filmes, torturas, mutilações. Outra, bem diferente, é se agarrar a um emprego medíocre cometendo um ato indefensável. O que poderia lhe acontecer de pior se não aceitasse? Perder a vaga? Deixar de correr na F-1? Bela merda.

A carreira do menino acabou. E tenho pena dele. O que fez é desprezível, mas sinto mais pena do que desprezo. De gente como Briatore, Symonds e todos da F-1, que conheço bem, pouca coisa me surpreende. Esses que se fodam, serão punidos, acho que nunca mais aparecerão num paddock. Quem mais vai se sujar nisso tudo, justamente por ter se sujeitado à ganâncias dos patrões que são reconhecidamente maus elementos, é Piquet Jr. Porque de um piloto se espera um comportamento diferente, o que resta de pureza num esporte mau.

Há alguns anos, quando Nelsinho ainda estava na GP2, escrevi um texto sobre ele depois de um entrevero com um piloto turco em Mônaco. Fiquei muito mal-impressionado com o rapaz, a quem não conhecia direito, pois ele estava chegando, vinha da F-3 inglesa, não tínhamos muito contato. Achei-o um merdinha, para dizer o português bem claro.

Mas depois parei de viajar com a F-1, não o encontrei mais, e nos últimos meses ele até ganhou uma certa simpatia da mídia — e do público, por que não? — por sua atuação no Twitter, sempre dando a impressão de ser muito franco e sincero, disponível, interativo nas suas mensagens, revelando algumas inseguranças e esperanças, um jovem em busca de um lugar no mundo. Causava uma certa consternação ouvi-lo, sempre em voz baixa, preocupado com o futuro, sofrendo numa F-1 dura e competitiva, alvo de críticas e incertezas.

O “franco e sincero”, pelo jeito, ficaram na impressão.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
04/09/2009 - 17:24

COLUNA 2

SÃO PAULO (cheira mal) – O que eu acho de toda essa confusão envolvendo Renault, Briatore e Nelsinho está na minha coluna de hoje. Ao final da qual chego à conclusão de que gosto mesmo é dos carros.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Colunas Warm Up Tags: , ,
30/08/2009 - 12:37

BELGICANAS (9)

SÃO PAULO (a ver…) – Longe de mim duvidar de uma informação do Reginaldo Leme. E a que ele deu na transmissão da TV é das mais graves. Resumindo, para quem não ouviu. O comentarista da Globo (e colunista do Grande Prêmio e d’”O Estado de S.Paulo”) contou que a FIA abriu uma investigação independente sobre o GP de Cingapura do ano passado. Na ocasião, Alonso tinha acabado de fazer seu pit stop, ele que largara lá atrás, quando Nelsinho Piquet bateu. Assim, todos pararam aproveitando o safety-car e Alonso, que já tinha trocado pneus e reabastecido, apareceu de repente em primeiro.

Na época, a batida foi tratada com ironia e curiosidade. Fernandito jamais venceria se não fosse o rabo danado de um safety-car ter sido acionado logo depois de sua parada. E justamente causado pelo companheiro de equipe…

Suspeitar de que foi de propósito, na época? Não me lembro de nenhuma desconfiança séria, apenas comentários, como disse, irônicos. E não tinha sido a primeira batida de Nelsinho no ano, afinal.

Agora, surge essa informação: Briatore teria ordenado que o brasileiro se arrebentasse no muro naquele momento e naquele lugar. Assim, Alonso teria chance de vencer, como venceu. Disse o Reginaldo que depoimentos chocantes já foram tomados pelos investigadores.

Nelsinho Piquet não se pronunciou pelo Twitter, como costuma fazer. Aliás, assim que a informação foi ao ar na Globo (estranhamente causando espanto até no narrador Galvão Bueno, que aparentemente não sabia de nada), Piquet-pimpolho desapareceu do miniblog, depois de dar uma zoada básica em Grosjean, seu substituto, que bateu na primeira volta.

E foi pelo Twitter que recebi outro vídeo (desculpe, não sei quem mandou) daquela corrida. Na volta de apresentação, Nelsinho rodou de maneira parecida. Não bateu. Teria sido um ensaio? É conspiração demais, não? De qualquer maneira, apimenta a história toda.

O que é essencial, agora, é ouvir o piloto. Antonio Pizzonia, também pelo Twitter, contou que jantou com Nelsinho ontem e disse que uma bomba vai estourar na F-1 “hoje ou segunda-feira”. Seria essa? “Isso e muito mais”, escreveu Pizzonia. Mas Nelsinho seria capaz de bater de propósito sob ordem da equipe?

É tudo muito pouco verossímil. Uma coisa é dar passagem ao companheiro de equipe, segurar um rival na pista, essas atitudes menos dramáticas e mais corriqueiras. Mas se jogar no muro para obedecer ao chefe?

No fim da tarde, a FIA confirmou que uma prova de 2008 está, sim, sendo investigada. Se houve algo, Briatore será elevado à condição de capeta dos capetas. Mas é preciso que se diga, como bem lembrou meu amigo Teo José. Se isso aconteceu, Nelsinho está no mesmíssimo barco.

Vamos aguardar. É caso que vai dar pano pra manga, como se diz. E muito sério.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , , ,
03/08/2009 - 12:46

FALOU NELSINHO

SÃO PAULO (fim) – Saiu agora há pouco o comunicado oficial de Nelsinho Piquet, despedindo-se da Renault. Está aqui. E como observou Fábio Seixas, é texto que está pronto há algum tempo, já que fala, em certo ponto, “das oito corridas que fiz neste ano”. E já foram dez…

Piquet-pimpolho atribui quase toda responsabilidade pelo mau desempenho em quase dois anos como titular a Flavio Briatore, a quem chama de “carrasco”. Briatore é, para muitos, um sujeito asqueroso, abominável, pilantra, o adjetivo fica ao gosto do freguês.

Mas é preciso que se diga que Nelsinho decepcionou como piloto na F-1. Talvez o fato de não ter uma equipe à disposição, como na F-3 e na GP2, tenha pesado. Talvez ele simplesmente não seja bom o bastante para a F-1. É o futuro que dirá, se ele conseguir um cockpit para 2010. Acho que, de alguma forma, seu pai vai arrumar um jeito de mantê-lo na categoria. Na verdade, é a única forma de seguir. Porque se depender do interesse puro e real de algum time por seu discutível talento, Piquet-pimpolho fica a pé.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
24/07/2009 - 16:09

MAGIARES (2)

SÃO PAULO (nem todo Flavio é legal…) – Nelsinho descascou Briatore hoje, em entrevista depois dos treinos em Hungaroring. Disse que o dirigente não entende “porra nenhuma”, que é seu manager, mas “pisa na minha cabeça”, que “não tem amigos”, só “pensa em negócios, em quanto vai ganhar”, que “é difícil correr numa equipe que tem Fernando e Flavio”, que Alonso “é espetacular”, que se mudar de equipe e pegar pela frente um piloto comum, “talvez minha confiança volte”, e por aí foi. Pouco antes, Briatore havia descascado Nelsinho, a quem deve demitir depois do GP da Hungria.

Acho que agora o Galvão pode cravar…

Brincadeira à parte, e em que pesem as deficiências de Piquet-pimpolho, é evidente que a porta pela qual entrou na F-1 não foi das mais amistosas e tranquilas. Talvez tivesse sido muito melhor para ele se o tal contrato de dez anos com a Williams, que Piquet-pai inventou um dia que existia, existisse mesmo. A Williams é, por assim dizer, mais “friendly”.

Agora, a questão não é mais discutir se Nelsinho fica ou sai da Renault. Me parece que as coisas estão definidas, um chefe não fala tão mal de um funcionário, e vice-versa (tem hífen, isso?), se pretendem continuar juntos. A questão, agora, é: o que será de Nelsinho? Ele tem lugar na F-1?

Olhando a situação pelo lado otimista para ele, num universo de pilotos com pouca cancha de F-1, ele tem quase dois anos, andou por três times (fez testes na BAR e na Williams…), carrega um sobrenome famoso e não seria uma tragédia tê-lo em alguma equipe sem aspirações imediatas. Olhando pelo lado pessimista, a falta de performance em quase dois anos (e que Piquet não se iluda, ninguém se importa se ele tinha carro igual ao de Alonso ou não, o que fica é a folha de tempos), os muitos erros em treinos e corridas e o boca-a-boca do paddock entre mecânicos e engenheiros podem fazer com que qualquer um pense muitas vezes antes de lhe dar uma nova chance.

O futuro de Piquet-pimpolho será a próxima novela das sete para meu Brasil brasileiro.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
18/04/2009 - 20:12

SPRING ROLLS (6)

RIO DE JANEIRO (o Maraca é demais) – Marcelo Rodrigues foi o blogueiro que mandou a foto. Vem bem a calhar. Piquet e Briatore. Os mesmos nomes se encontram quase 20 anos depois. Esse registro, se não me engano, é de 1991. Foi quando Piquet-pai completou 200 GPs na F-1, em Monza. Naquele mesmo fim de semana Schumacher estreava pela Benetton.

Fizeram uma festinha no paddock, no motorhome da equipe. Eu estava lá e tenho esse boné em algum lugar, um dia encontro. Piquet-pai era bom, mais do que a média. Ninguém ganha três títulos por acaso, com três motores diferentes. Na Benetton, venceu corridas e se aposentou silenciosamente, com dignidade e sem dramas.

Seu filho (não estou pegando no pé; preciso apenas esticar a nota, a foto é boa…) não será o que o pai foi. Entre outras coisas, porque sua personalidade é muito diferente da de Nelsão. Tímido, introvertido, não demonstra poder de reação depois de uma temporada de estreia ruim e de um início de ano igualmente fraco. Não sei se segura a onda até o fim do campeonato. A Renault tem alguns nomes na agulha, se precisar. Romain Grosjean é um, e até Lucas di Grassi pode ser chamado, numa eventualidade.

Piquet-pimpolho precisa de um tratamento de choque se quiser se manter na F-1. Porque se for demitido antes do tempo, nunca mais arrumará uma vaga na categoria.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
16/04/2009 - 11:56

CANSOU TAMBÉM

SÃO PAULO (e está nervosinho) – Esse é outro que em breve vai amarrar o burro em outra sombra. Flavio Briatore chutou o balde por causa da liberação dos difusores e disse que daqui a algumas corridas a Brawn conquistará o título “ou com um piloto aposentado, ou com outro que estava parado”, referindo-se a Barrichello e Button. E, assim, a F-1 perderá o interesse e a credibilidade.

Briatore, se gostasse de verdade do esporte e das corridas, deveria estar comemorando o fato de uma equipe estreante liderar o Mundial. Ele fez um pouco disso com a Benetton lá atrás, no início dos anos 90, embora não entendesse picas de automobilismo — como hoje, aliás; ele entende, e muito, da política que cerca a F-1 e olhe lá.

Flavio está de saco cheio, isso sim. Por isso saiu falando bobagens. Jean Todt ficou de saco cheio e saiu em silêncio. Ron Dennis ficou de saco cheio e montou uma fábrica de carros. Alguns, como Eddie Jordan, Paul Stoddart, Giancarlo Minardi, Jackie Stewart, Tom Walkinshaw e Peter Sauber, não estavam propriamente de saco cheio, mas por um motivo ou outro foram levados a abandonar o barco.

É a fila que anda . E Briatore, diga-se, tem como aproveitar bem seu tempo, se resolver parar de se aborrecer com o mau-humor de Alonso e o peso-morto de Nelsinho. Embora seja meio metido a besta, adepto de um universo cheio de frescuras e grifes caras, é divertido e pode se regenerar. Poderia pegar a namorada (será que é essa?) e sair pelo mundo numa Kombi. Tenho certeza que iria gostar.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags:
14/04/2009 - 16:00

DISSE QUE NÃO DISSE

SÃO PAULO (ok, então) – Nelsinho disse que não disse o que a “F1 Racing” disse que ele disse. O desmentido da Renault veio em nota oficial, depois de mal-estar causado pelas declarações do piloto publicadas pela revista inglesa. Para refrescar a memória, os queixumes de sempre sobre os privilégios de Alonso, os azares que são só dele e de mais ninguém, o comportamento de Flavio Briatore.

Bem, fica o dito pelo não dito. Enquanto isso, a assessoria de Piquet-pimpolho distribui fotos de suas atividades nos últimos dias em Dubai: umas voltas de F-1 numa plataforma flutuante e numa pista de esqui artificial no meio do deserto (foto).

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,
26/12/2008 - 11:45

DISCORDO

SÃO PAULO (um é bom) – Já Flavio Briatore defende duas corridas por dia ou por fim de semana, algo nos moldes de categorias como a A1 GP, a Superleague, a GP2. Para o dirigente da Renault, os GPs são “longos e previsíveis” demais. Aí já não faz muito minha cabeça. Acho que o tamanho das provas da F-1 é bem razoável, entre uma hora e meia e duas. Não precisa de mais. Nem de menos.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags:
07/12/2008 - 16:55

VAMOS BAIXAR A BOLINHA?

SÃO PAULO (pior impossível) – Em tempos de crise, pode existir algo mais idiota? Falo das lojas da rede Billionaire Couture, que tem como um dos sócios Flavio Briatore (mais uma descoberta do blogueiro Humberto Corradi, a propósito). Já acho o nome um acinte, num mundo tão pobre e miserável. É uma dessas babaquices de gente que tem dinheiro e compra, por exemplo, um guarda-chuva de pele de crocodilo por 50 mil dólares. E acha bonito.

Briatore é um cara divertido, às vezes. Mas, na prática, encarna o que é a F-1 de uns anos para cá: uma plataforma de negócios e relacionamentos, comandada por gente como ele, que não entende picas de carros e de corridas. Gente que entende daquilo que a gente chamava antigamente de “jet-set internacional”.

Briatore vendia moletons para a Benetton nos EUA quando foi chamado pela família para tocar as coisas na F-1, no início dos anos 90. Não sabia nem quantas rodas tinha um automóvel. Tem seus méritos, claro. Esperto, viu em Schumacher e Alonso, por exemplo, dois geniozinhos capazes de gerar receita. Ganhou muito dinheiro com ambos. Depois, passou a ser um gestor de carreiras, cercado de modelos, iates e relógios caros. Ao mesmo tempo, dirige um time, a Renault. Meio esquisito… É dono do passe de vários pilotos, que correm por equipes adversárias. Uma putaria.

Mas não é nada esquisito do ponto de vista de quem tem coragem de vender por 50 mil dólares um guarda-chuva de pele de crocodilo. E os caras ficam falando em cortar custos…

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags:
28/09/2008 - 11:39

NO ESCURINHO (7)

SÃO PAULO (back) – A vitória de Alonso foi esplêndida. Deu para entender, hoje, seu desespero ao ficar empacado com o motor apagado no Q2 ontem. Ele sabia que se largasse nas primeiras posições tinha um carro bom o bastante para ganhar e, sobretudo, mais talento que os outros numa pista como essa, cheia de truques e manhas. Era uma chance desperdiçada, das raras nesta temporada que nem um podiozinho tinha lhe dado, ainda.

O curioso é que, na corrida, Fernandito teve a mesma sorte que rendeu a Nelsinho Piquet um segundo lugar em Hockenheim, no GP da Alemanha: a parada pouco antes da entrada do safety-car, o que o ajudou a ganhar posições importantes.

Depois vieram as punições a Rosberguinho e Kubica, e aí a prova caiu no seu colo, do jeito que ele gosta. Mais curioso ainda é que o safety-car que lhe atirou para a frente foi motivado por uma batida de… Piquet-filho!

Bom companheiro está aí.

Fernando ganha sua 20ª corrida, a primeira desde Monza/2007, quando ainda estava na McLaren. Foi seu 50º pódio. E no 800º GP da história, o primeiro noturno. Largando lá atrás, em 15º. Não é resultado para qualquer um. Seu passe se valorizou ainda mais, num momento em que ele ainda não decidiu o que fazer em 2009.

Ontem, ele dizia depois da classificação que “só um milagre” para conseguir alguma coisa nas ruas cintilantes de Cingapura. Venceu, e não houve propriamente nenhum milagre, apenas a coincidência de um pit stop na hora certa. Quase milagre, sim, é vencer uma corrida com o problemático carro da Renault, tendo todos os outros mais rápidos na pista — algo parecido com o que Vettel fez em Monza. Aí a gente vê quem é especial e quem não é.

Pelo rádio, o mais engraçado ao fim da corrida foi a frase de Briatore, que resume bem seu sentimento de alívio depois da primeira vitória do pupilo que ele se esforçou tanto para trazer de volta: “Finalmente, cazzo!”.

Alonso está de volta. É o sétimo vencedor do ano, ao lado de Massa, Raikkonen, Hamilton, Kovalainen, Kubica e Vettel. Belo campeonato, este.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , ,
20/12/2005 - 23:55

Tá bom, eu acredito – I

Briatore, hoje: não me envolvi direta nem indiretamente em nada. Referindo-se às negociações de Alonso com a McLaren.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,
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