SÃO PAULO (semana cheia) – Pois é, Button não quis saber de conversa, ficou emburrado porque Ross Brawn não topou aumentar demais seu salário e se pirulitou para a McLaren. O time vai ter uma dupla de peso, claro, os dois últimos campeões mundiais, mas acho que Hamilton vai engolir o bonitão. Me parece mais piloto. Vai ser um bom ano para se medir a qualidade de Button, de qualquer forma.
E a Mercedes, agora? Vai encarar um campeonato com uma duplinha mequetrefe como Rosberg e Heidfeld? Pelo jeito, sim. A única resposta à altura seria contratar Raikkonen, mas pelo jeito o finlandês está mesmo a fim de chafurdar na lama, na neve, no barro e na poeira, disputando o Mundial de Rali.
E no fim das contas está sendo uma semana cheia de novidades. Mercedes despacha a McLaren e compra a Brawn, Kimi tira o time de campo, o campeão mundial troca de endereço… E vai ficar a pergunta, claro: Barrichello fez bem em assinar com a Williams? Se tivesse adiado a decisão, poderia se transformar no número 1 da nova Mercedes?
Difícil dizer. Ele poderia ter esperado, sim, mas nada garante que a Mercedes apostaria nele. Assim, foi atrás daquilo que considerou mais seguro.
SÃO PAULO (vixemaria) – Vai sair no “The Guardian” amanhã. Jenson Button teria assinado com a McLaren por três anos, 6 milhões de libras por temporada. Teria decidido assim que soube da compra da Brawn pela Mercedes. Ele seria companheiro de Hamilton, claro. E, aí, me permito acreditar que a Mercedes, que adora o Raikkonen, vai pegar o rapaz. E colocar ao lado dele Nico Rosberg. Fiquemos atentos. Novidades por aí. Mas nada confirmado, por enquanto.
SÃO PAULO (buemba, buemba!) – E o que a gente vinha falando aqui se confirmou hoje, conforme queríamos demonstrar. A Mercedes se desfez da parte que tinha na McLaren (que vai assumir os 40% que estavam nas mãos da montadora) e comprou a Brawn. Notícia bombástica, que vai ao encontro daquilo que já se comentava há algum tempo: a insatisfação dos alemães com os ingleses mclarianos, por conta de gestão e, também, da concorrência dos superesportivos da McLaren no mesmo nicho de mercado da montadora. A McLaren Automotive, que faz os carrões (devem entrar no mercado em 2011), vai se desvilncular do McLaren Group. Ron Dennis está à frente dessa empreitada.
Sai a Brawn, depois de um ano de vida, e entra a Mercedes GP. Prateada, como na simulação acima, do site da própria Mercedes sobre a imagem do BGP001. A Mercedes, por sua vez, continua no nome oficial da McLaren, junto com a Vodafone, e informa que será “parceira” do time, não apenas fornecedora de motores até 2015, como foi acordado.
Tudo que tenho a dizer é… uau!
Palpites para pilotos: na nova Mercedes, Button e Raikkonen. Na McLaren, Hamilton e Rosberguinho. Mas estão falando de outros, Heidfeld, por exemplo. Interrogação total.
O que será da McLaren sem a Mercedes? De novo “independente”, espero que volte a usar o laranja nas suas pinturas. Será que vai virar uma Williams? E Ross Brawn? Quer melhor negócio no mundo? Comprou a Honda por nada e vendeu por uma fortuna para a Mercedes — valorizado seu time, claro, pelos títulos de pilotos e construtores.
SÃO PAULO(vixemaria) – Será que a Brawn vai mesmo cometer a irresponsabilidade de perder um campeão mundial? Será que não tem grana, mesmo? O fato é que Button foi até visitar a McLaren por esses dias. E seu empresário diz que as coisas estão difíceis para a renovação.
SÃO PAULO (o dia será longo) – A imprensa alemã já dá como favas contadas (de onde vem “favas contadas”) a compra da Brawn pela Mercedes, e vai além: a equipe pode assumir o nome da montadora já no ano que vem. A história toda está aqui, e vai ao encontro daquilo que já vinha sendo dito na Europa, sobre a insatisfação da montadora com a McLaren e seus sonhos (já realizados, na verdade) de fazer superesportivos de rua concorrentes de alguns modelos da própria Mercedes-Benz.
Pelo jeito, é questão de tempo um anúncio tirando o amarelo marca-texto dos carros de Ross Brawn para pintá-los de prateado.
SÃO PAULO (novidade) – Acabo de receber da assessoria de Rubens Barrichello o texto da coluna que ele publica no seu site e no “Lance!”. O piloto conta que escreveu voando de Abu Dhabi para a Inglaterra para “realizar um sonho”: guiar para a Williams, algo que, continua o texto, ele imagina fazer “desde criança, desde a primeira vez que vi um F-1 na TV”. Repdroduzo trechos:
Estou indo anunciar a minha contratação… Estou indo encontrar meu destino.Várias vezes nesses últimos 17 anos chegamos a conversar e a quase fechar um contrato, mas confesso que a hora boa é agora: nunca estive tão preparado, nunca estive tão bem guiando um carro e a Williams sabe vencer e tenho confiança no trabalho deles.
Foi já na prova de Barcelona que fui contatado por um jornalista inglês me perguntando se eu tinha contrato para 2010 porque tinha um time querendo os meus serviços (mal sabia ele que o meu contrato para 2009 era de somente quatro corridas e que o resto dependia do meus resultados e trabalho). Quis saber que time era esse, mas ele só me falou que era inglês e que não era um time novo… Só podia ser McLaren ou Williams. O coração bateu mais forte! Depois daqueles quatro meses sem saber se guiaria um F-1, logo na quinta prova do campeonato sendo procurado por um sonho.
Com a McLaren, cheguei a falar, mas foi mais para frente… No GP do Brasil exatamente. Uma grande equipe sempre a ser considerada, mas meu contrato com a Williams já estava assinado. E bem assinado… Estou indo para liderar um projeto na tentativa da equipe de voltar ao topo. E como quero isso…
Depois Rubens fala sobre a prova de Abu Dhabi, sem grandes novidades. Novidade, mesmo, é essa história de ter sido procurado pela McLaren no GP do Brasil. Indica duas coisas: que Kovalainen será mesmo descartado e que a coisa com Raikkonen anda complicada. Talvez por dinheiro. Talvez porque a Mercedes esteja pulando fora do time prateado, para jogar suas fichas na Brawn.
Tem coisa aí para acontecer nesse casamento McLaren-Mercedes. Picas grossas dos dois lados estiveram em Abu Dhabi para discutir. Advogados também. A McLaren está jogando duro. Quer de volta os 40% que a Mercedes tem na equipe sem pagar nada. Ao contrário: pretende receber por isso, e ainda exigiria motores de graça por dois anos. Coisas da engenharia financeira que eu nunca compreendo bem. Tem empresa que paga para se livrar do que tem, e pode ser o caso da Mercedes agora.
Anotem na agenda: no dia 1º de dezembro algum anúncio oficial pode ser feito.
SÃO PAULO(começo) – Desculpe-me o blogueiro que indicou, mas não gravei o nome. A imagem veio via Twitter… Trata-se de um anúncio de jornal da Mercedes-Benz festejando o título de Button. Alguma dúvida sobre a paixão de Stuttgart pelo time marca-texto? E olha que os carros da Brawn nunca carregaram a estrela de três pontas na carenagem. Só no cabeçote do motor, escondida de todos.
Há algumas semanas já tínhamos falado disso aqui. A Mercedes, aos poucos, vai se descolar da McLaren. Podem apostar. E vai acabar tomando conta da Brawn. Podem apostar também.
SÃO PAULO(ficou escuro) – Observem a foto abaixo. Observem as asinhas dianteiras do carro da Brawn. Observem que o Banco do Brasil meteu uns adesivos ali. Agora observem bem. Não dá para observar direito. E, na TV, não dá para observar nada.
O Banco do Brasil deve pedir o dinheiro de volta. Ou, então, rescindir o contrato com sua agência de publicidade. Ou, então, mandar alguém arrancar aquelas asinhas que não deixam ver nada. Ou, ainda, trocar esses adesivos de lugar.
SÃO PAULO(anuncie aqui) – Itaipava nas laterais e no aerofólio, Banco do Brasil na asa dianteira, Mapfre (seguradora espanhola com forte presença por aqui) na tomada de ar… O GP do Brasil está rendendo à Brawn, e o time deve agradecer a Barrichello, que também está enchendo as burras no fim de semana.
Certo ele, aproveita o bom momento. Rubens nunca teve grandes patrocinadores pessoais desde os tempos da Arisco e, ainda na Jordan, da Pepsi, Antenas Santa Rita, Ruffle’s e alguns outros.
Na Ferrari, Barrichello chegou a ter um pequeno patrocínio da Net atrás do boné (quem é que aprovou aquilo?, me pergunto até hoje…) e, depois, desencanou porque ganhava bem e não precisava complementar a renda como nós, mortais, com um bico aqui e outro ali.
Agora, além de levar esse monte de patrocinadores novos para o time, Rubens ainda tem Batavo no capacete, graças à sua corintianice explícita.
SÃO PAULO(blergh) – Semana de GP do Brasil é muito chata, com coletivas em que nada de muito útil é dito, pessoal do “Pânico na TV” e (agora) do “CQC” querendo fazer graça sem a menor criatividade, um nada geral. Apresentei agora há pouco a coletiva da Bridgestone, que em geral acontece com os pilotos brasileiros, mas neste ano só teve Barrichello de verde e amarelo, porque Nelsinho está atrás de uma caminhonete e Massa, só no ano que vem. Então, levaram Sutil.
Rubens não confirmou que já assinou com a Williams, o que é mais do que normal. Só vai falar nisso depois de o título estar decidido. De resto, nada de novo: esperança de vencer em casa, reconhecimento de que este é seu melhor ano na carreira, sonho de receber a quadriculada de Massa, essas coisas.
O “Pânico”, que três anos atrás entregou uma tartaruga a Schumacher, levou desta vez aquela japonesa gostosa, Sabrina Sato, com seus dois metros de pernas, e aquele sujeito eternamente dopado que fala “Ronaldo”. Sinceramente, não vejo muita graça nessas coisas quando ultrapassam o limite do razoável. É um pessoal meio inconveniente e insistente além da conta. E o corintiano chapado é trash demais, dá até pena.
SÃO PAULO(glorious sunny day) – Está no Grande Prêmio desde cedo. Barrichello assinou com a Williams em Monza, e defenderá o time de Grove no ano que vem. É a sexta equipe de sua carreira. Estreou na Jordan, passou pela Stewart, Ferrari, Honda e Brawn para finalmente chegar a um time que sempre teve estreita relação com o Brasil. Foi num carro alugado por Frank Williams, salvo engano, que Pace estreou. Depois, Piquet, Senna e Pizzonia, além da turma dos testes agendados pela Petrobras, como Bruno Junqueira, Max Wilson, Sperafico (qual deles?), João Paulo de Oliveira.
Rubens, como escrevi outro dia, é a grande história do ano na pista, pela forma como renasceu. Estava desempregado em janeiro. Menos de um ano depois, tem emprego garantido para mais uma ou duas temporadas.
Só que, claro, não vai ser campeão. A decisão de sair obviamente foi tomada em consequência de decisão previamente assumida pela Brawn de não ficar com ele em 2010. Assim, achar que o time marca-texto vai abrir mão do número 1 no ano que vem é ingenuidade. Button, se não teve até agora, terá prioridade nas duas últimas corridas da temporada.
SALZBURG(linda noite) – Bom dia, macacada. Dando uma atualizada no noticiário, fiquei com a pulga atrás da orelha com essa história de que o futuro de Raikkonen pode surpreender. A matéria do Grande Prêmio fala em Red Bull e Renault. Mas sabe onde eu colocaria algumas fichinhas? Na Brawn.
BRATISLAVA(fechou o tempo) – Mais uma do Saward, que ajuda a jogar algumas luzes sobre as negociações entre Mercedes e Brawn GP. Para quem não sabe, são fortes os rumores de que a montadora vai comprar uma boa parte do time marca-texto. E começam a ficar fortes, também, os rumores sobre um divórcio entre Mercedes e McLaren — a empresa alemã detém 40% da equipe inglesa e estaria disposta a se desfazer da participação.
O motivo: o novo brinquedinho de Ron Dennis, que agora cuida dos carros de rua da McLaren. “De rua” é modo de falar. Vejam aí na foto o primeiro deles, o MP4-12C (mais imagens aqui). É um F-1 com faróis. Ocorre que, segundo Saward, Dennis quer transformar a marca McLaren numa espécie de “Ferrari inglesa”, uma grife de supercarros, e isso vai acabar levando o grupo a fazer seus próprios motores — terceirizando, claro; na prática, colocando o nome na tampa do cabeçote, como já está fazendo com esse carro, lançado no começo de setembro.
O passo seguinte seria usar tais motores na F-1, mesmo, para ajudar a divulgar seus produtos. E a Mercedes, de parceira, viraria concorrente. Aliás, na história dos carrões já é, de certa forma: a montadora apresentou outro dia em Frankfurt o SLS AMG, que concorre na mesma faixa de mercado.
Faz sentido, o raciocínio do colega inglês. A Brawn seria a válvula de escape dos alemães para não perder espaço na F-1.
SÃO PAULO(um só) – Esse GP de Cingapura não merece mais do que um post. Sem armação de equipe alguma, a corrida não tem a menor graça. Mas vamos nos desdobrar. O mais relevante para o campeonato, claro, foi o fato de Button ter conseguido terminar à frente de Barrichello, mesmo tendo largado atrás. Isso só aconteceu justamente porque… largou atrás. Não foi ao Q3, pôde começar a prova mais pesado e ganhou a posição do companheiro, a quem marcou homem-a-homem desde as primeiras voltas, nos boxes.
Poderia ter levado já no primeiro pit stop, adiado ao máximo, mas a entrada do safety-car após a batida entre Sutil e Heidfeld adiou, também, a ultrapassagem. Rubens fez sua segunda parada na volta 46 e Jenson, na 51. Quando Barrichello retornou à pista depois de seu segundo pit stop, Button tinha mais de 25s de vantagem graças a uma sequência de boas voltas. Era o bastante para, com uma parada rápida, sair dos boxes ainda à frente. Barrichello, para piorar as coisas para seu lado, revelou depois da prova que seu motor morreu na parada, tirando-lhe segundos preciosos.
As últimas voltas foram dramáticas para o inglês, com problemas nos freios. Sorte dele que tinha uma boa distância para o brasileiro. Tirou o pé, levou o carro para casa, como pediu pessoalmente Ross Brawn pelo rádio. E foi o quinto colocado, uma posição à frente de Rubens. Depois de três provas seguidas terminando atrás do companheiro (a última vez tinha sido na Hungria), Button esboça uma reação. Aumenta de 14 para 15 pontos sua vantagem na classificação, agora com uma corrida a menos pela frente. Rubens precisa tirar 16 pontos em três GPs, porque um eventual empate daria o título ao britânico, que tem seis vitórias, contra duas do parceiro. Tudo pode acabar no Japão se, por exemplo, Button vencer e Barrichello terminar em quarto.
Foi um balde d’água fria no brasileiro, que teve interrompida sua sequência de bons resultados com uma apresentação apenas normal. Button, por outro lado, parece ter colocado fim de vez a uma série de más apresentações. Já havia andado bem em Monza e, hoje, foi maduro o bastante para compensar a péssima classificação com uma atuação segura e inteligente na prova, pensando exclusivamente em chegar perto do outro carro da Brawn.
Rubens não tem muito mais a fazer com seu marca-texto até o fim da temporada. Precisa continuar pilotando de forma agressiva e cruzar os dedos para Button ter algum problema no meio do caminho.
SÃO PAULO(aqui, sol) – Hamilton cravou a pole em Cingapura, o que me deixou muito feliz porque acertei no bolão de Victor Martins. Mas meus outros palpites estão quase todos furados. Para a corrida, fiz apostas seguras nos dois pilotos da Brawn e arriscada em Raikkonen. Mifu.
Estranhíssima essa Brawn hoje. Barrichello já começou o dia com a má notícia da troca do câmbio, que cedo ou tarde aconteceria. A peça foi submetida a certo stress (estresse, para quem gosta) na largada em Spa e estava no bico do corvo. Mas os carros estavam andando bem, Button inclusive, até o Q1. No Q2, o inglês foi eliminado de forma medíocre, e Barrichello conseguiu arrancar uma volta a fórceps no fim para entrar no Q3.
Aí, bateu. Me deu a impressão de que foi algo no assoalho. Rubens está guiando de maneira bem agressiva e acabou no muro. Mas não ficou tão ruim para ele. O treino foi interrompido, ninguém mais melhorou e acho que ninguém o superaria, mesmo, porque os que estavam atrás não davam pintas de.
Assim, o brasileiro fechou o Q3 em quinto, o que dá décimo, somando os cinco lugares que perderá pela troca do câmbio. Ainda assim, larga na frente de Button, 12º. Jenson, ou “Jêissãn”, como dizem alguns repórteres, terá ao menos a chance de marcar Rubens de perto na corrida. Ele não vê a hora de o campeonato acabar. A normalidade indica que deve perder mais uns pontinhos dos 14 que mantém de vantagem, mas não muito. Se sair de Cingapura com 10 ou 12 na frente de Barrichello, estará no lucro, ainda. Afinal, faltarão “menas” corridas, apenas três.
SÃO PAULO(montados) – Recebo press-release informando que a cerveja Itaipava vai estampar sua marca nos carros da Brawn e nos capacetes de Button e Barrichello no GP do Brasil. A marca tem tido um grande envolvimento com automobilismo nos últimos tempos.
São raras essas incursões de empresas nacionais na F-1.
SÃO PAULO(que sol lindo…) – Na contramão das outras montadoras, que ou já se pirulitaram ou estão prestes a fazê-lo, a Mercedes vê na F-1 um bom negócio para ganhar dinheiro e prestígio. Sócia da McLaren, fatura algum com a existência do time graças a bons contratos de publicidade, como com a Mobil, o Santander e a Vodafone. Vende seus motores à Force India. E os cede à Brawn meio na camaradagem, olhando lá na frente. E lá na frente significa comprar parte do time marca-texto, como informa hoje a imprensa inglesa.
A F-1 se tornou um bom negócio para quem vende motores, mesmo que a custo não muito alto, porque a limitação de seu uso acabou com aquela farra de fazer 200 unidades por ano. A necessidade levava os custos às alturas para quem era parceiro/fornecedor, e não vendedor. Agora, são oito por carro, e ponto final. O gasto maior fica resumido às revisões e à manutenção.
A Brawn pode ser um negócio de ocasião. Não custa muito e é promissora. O repasse de motores à Red Bull, outro. Entre outras coisas, para fisgar o alemãozinho Sebastian Vettel. Sem a BMW pela frente como concorrente local, a Mercedes pretende estender seus braços pela categoria.
É uma outra visão da crise. O outro lado. Aquele de quem aproveita para crescer.
SÃO PAULO (tudo na mesma) – Jenson Button, ao fim e ao cabo, deu sorte. Deixou de pontuar pela primeira vez no ano e o piloto que cresceu na semana passada, Barrichello, marcou apenas dois. Assim, a diferença que era de 18 caiu para 16 e em vez de seis, faltam cinco corridas para acabar o campeonato. O prejuízo poderia ter sido bem maior, porque igualmente Webber ficou fora dos pontos. E Vettel, mesmo marcando seis e estando na briga, ainda aparece mais distante na classificação e tem o problema dos motores.
Button, pelas imagens, foi tirado da corrida por Grosjean, mas não tem do que reclamar. Quem se classifica mal e larga no pelotão da merda está sempre muito mais sujeito a essas coisas do que quem parte na frente. O mesmo vale para Hamilton. Grosjean não admite erro algum e diz que foi ele que foi tirado da prova por Button. Preciso ver outras imagens para tirar alguma conclusão. De qualquer forma, depois de duas corridas, Romain Juba de Leão ainda não fez nada muito diferente de Nelsinho Piquet. Mas antes de umas três ou quatro provas, qualquer julgamento sobre o francês é precipitado.
Barrichello, pela terceira vez no ano, empacou na largada. Vai ter gente que acha que foi sabotagem, como sempre. Ainda não sei o que ele disse, além de detectar o mesmo problema, o “antistall” que deixa o carro em ponto morto. Pelas circunstâncias, salvou dois pontinhos. Caiu lá para trás no começo, deu sorte com o acidente que tirou quatro carros de sua frente, usou bem a entrada do safety-car, equilibrando as coisas com a parada que seria feita muito no início, foi decidido com várias ultrapassagens na primeira parte da prova, mas quando chegou na turma mais veloz, acabou ficando.
E deu mais sorte ainda no fim, com o motor prestes a estourar e conseguindo fazer duas voltas daquele jeito. Se tivesse conseguido largar bem, tinha chances de buscar um pódio, ou terminar em quarto ou quinto. Não venceria. Fisichella e Kimi estavam bem mais rápidos.
Para buscar o título, insisto, precisa fazer pelo menos umas três corridas excepcionais como a que fez em Valência. Não é fácil. Button pode chegar perder dele em todas as provas, que ainda assim será campeão, desde que permaneça sempre uma ou duas posições atrás do brasileiro.
SÃO PAULO (ufa, terminei!) - Todo o pessoal da McLaren, nas declarações oficiais e também nas entrevistas fora dos comunicados de imprensa, acha que Barrichello ganharia a corrida mesmo se Hamilton não tivesse tido o problema que teve na segunda parada. É possível que todos tenham razão. Quando foi para os boxes, na volta 37, Lewis tinha menos de 4s de vantagem para o brasileiro, que encaixou três voltas voadoras e poderia passá-lo na parada seguinte. Que foi feita na 40ª, mas poderia ter sido feita um pouco depois. Pelos cálculos da McLaren, a vantagem, para que Hamilton tivesse chances de vencer, teria de ser de 7s ou 8s.
Apenas para constar, a primeira parada custou a Lewis 22s218 e a segunda, 25s599. No total, perdeu 47s817 nos boxes. Rubens gastou 20s972 e 19s021, total de 39s993. Foram 7s824 de “lucro” em relação ao mclariano. Não dá para afirmar com 100% de certeza que ele voltaria na frente, nem o contrário. Seria muito próximo, de qualquer forma, bem mais do que acabou acontecendo, com o marca-texto voltando bem à frente de Hamilton, mais de 6s.
A tática da Brawn foi muito inteligente. Barrichello abriu mão da pole porque sabia que na largada, com KERS, Hamilton e Kovalainen provavelmente conseguiriam passá-lo. Preferiu largar um pouco mais atrás, mais pesado, para resolver a corrida nas “janelas” de voltas em que ficaria na pista depois das paradas dos prateados. Ontem eu dizia que precisaria de uma largada assombrosa. Falei besteira. Se conseguisse se manter perto de Kovalainen, desde que Hamilton não sumisse na frente, já daria. Rubens ficou perto de Kovalainen, Hamilton não sumiu na frente, e ainda teve o piripaque no pit stop. Assim, deu tudo certo para ele.
Barrichello não ganhava uma corrida havia cinco anos. Eu arriscaria dizer que não fazia uma boa corrida de verdade havia cinco anos — com a exceção de Silverstone no ano passado, um pódio circunstancial, porém, um bom resultado, claro, mas não necessariamente uma boa corrida.
E vocês, o que acham?
(Famosa pergunta para turbinar comentários, hehehe…)
SÃO PAULO(para pensar nas férias) – A Brawn GP deve estar em polvorosa. Hoje, andou como a Honda no ano passado. Time pequeno. Alguns números podem ser usados para acender a luz amarela marca-texto. Primeiro, o resultado da corrida de hoje. Button chegou quase um minuto atrás de Hamilton. Barrichello não lutou por pontos em nenhum momento.
Nas últimas quatro corridas (contando a partir da primeira, depois da China, em que a Red Bull pontuou mais que a Brawn), o time fez 28 pontos. Os rubrotaurinos marcaram 56. A partir da dobradinha de Silverstone, Webber marcou 24 pontos. Button fez nove. A diferença entre eles é de 18,5 pontos. Vettel é que ficou um pouco para trás, zerando hoje.
A coisa está feia. E ninguém mais fala dos difusores duplos, do bico largo, da capacidade de Button de andar na frente com carro bom, do talento de Barrichello para acertar carro… A esperança da Brawn, suspeito, é o crescimento da McLaren e da Ferrari. E Vettel. Todos devem roubar pontos de Webber. Enquanto isso, que Button se vire para beliscar o que puder.
SÃO PAULO(e a chuva não para…) - Reginaldo Leme acha que o GP da Hungria é decisivo para se saber se a Brawn é ou não é. Sua coluna está aqui, os comentários são de vocês!
SÃO PAULO (a ver) – Depois que perdeu a vaga na Honda/Brawn para Rubens Barichello, Bruno Senna deu uma desaparecida do noticiário ligado à F-1. A explicação pode estar na notícia de hoje do “Autosport” lusitano. Ele já teria acertado um novo teste para o fim do ano com a equipe de Ross Brawn.
É cedo para especular, mas será interessante acompanhar como Rubens vai negociar seu futuro na categoria. As seguidas críticas à Brawn não caíram bem no time e, ao contrário do ano passado, ele tem mais alternativas agora, com a chegada de três equipes novas.
SÃO PAULO(preparem-se, marca-textos!) – A segunda coluna do dia é a do Reginaldo Leme, que coloca em dúvida as chances de a Brawn ser campeã diante do crescimento da Red Bull. Aqui, ó.
SÃO PAULO(esses patrícios) – As seguidas queixas de Barrichello em relação à Brawn não pegam mal só no Brasil. O vídeo acima foi encontrado neste blog português. Recebi a dica via Twitter do @mauriciostycer.
SÃO PAULO (desse jeito…) – Barrichello é especialista em criar clima… Saiu do carro dizendo a um microfone que foi “roubado” e a outro que a Brawn “deu um show de como se perde uma corrida”. No press-release da equipe, baixou o tom. “Foi uma combinação de coisas que agora estão claras para mim depois de conversar com o time”, falou.
Ross Brawn, que não deve ter muito saco para tantas queixas depois de anos trabalhando com ele, rebateu com alguma rispidez. Entre outras coisas, disse que não se vence uma corrida quando na lista das melhores voltas de um GP a sua aparece em 11º. Rubens cravou 1min34s676 em seu giro mais rápido (54) e, de fato, aparece em 11º na lista. Button, com 1min34s252, foi o sexto mais rápido (na 53ª).
Ambos conseguiram suas melhores voltas na parte final da corrida, cada um com um pneu diferente, o que prova que a borracha que foi boa para um não foi necessariamente boa para o outro. Ninguém colocou pneus duros em Barrichello de sacanagem no fim.
Rubens disse que não vai sair da equipe na metade do campeonato. Claro, não faria o menor sentido. Mas sua permanência em 2010 é algo em que não se deve apostar assim, de olhos fechados.
SÃO PAULO(eu também) – A Brawn tem medo do frio, e está um frio danado em Nürburgring. É o que pode salvar o campeonato, diz este blogueiro em sua coluna Warm Up de hoje.
SÃO PAULO(espertinhos) - Este talvez seja o carro mais esperado de 2010. E foi um tremendo esforço de reportagem conseguir a foto do protótipo, porque a Brawn GP tentou disfarçar usando vermelho em vez de amarelo marca-texto nos testes estáticos. Mas deixou-se trair pela ingênua troca de nomes, como fazia Piquet quando corria escondido da família, pintando “Piket” no capacete. Bobinhos…
Bem, numa análise inicial, nota-se que o BGP002 é bem diferente dos já apresentados aqui, a começar pela inclinação negativa do bico, com a colocação dos faróis na parte inferior, com claras funções aerodinâmicas, uma espécie de difusor dianteiro. Já os difusores traseiros foram retirados do assoalho e colocados sobre as asas duplas, em formato de varal.
Reparem que o automóvel tem dois escapamentos diferentes. As informações de que dispomos dão conta de que um será usado no carro de Button; o outro, no de Barrichello. A pedidos do brasileiro, a embreagem voltou a ser acionada por um pedal (vejam o acelerador e o freio juntos, ao pé do banco). A suspensão carenada na frente esconde segredos que devem fazer a diferença em 2010. Vamos aguardar os primeiros testes.
SÃO PAULO(vai ser difícil) – O cara certo no lugar certo. Este é Jenson Button, na opinião de Reginaldo Leme. Tema parecido com o da coluna do Andre Jung. E com a minha, também, que daqui a pouco vai para o ar. Leiam e comentem!
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.