iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

18/08/2008 - 07:54

BRASIL COM “Y”

PEQUIM (canso só de pensar) – De moderno, o pentatlo não tem nada, embora venha acompanhado do adjetivo desde 1912, quando a modalidade estreou nos Jogos de Estocolmo. Na Grécia Antiga, era a competição que consagrava os atletas mais completos: corrida de 200 m, lançamento de disco, arremesso de dardo, salto em distância e luta livre para arrematar.

Em 1912, o Barão Pierre de Coubertin resolveu inovar. Diz a lenda que quis homenagear os soldados franceses que sofreram o diabo na guerra com a Prússia e recriou o pentatlo baseado naquilo que eles precisavam saber para derrotar os inimigos: atirar no meio da testa deles, furá-los com uma espada, atravessar rios a nado, montar cavalos roubados e sair correndo se desse tudo errado.

Assim nasceu o pentatlo moderno, que teve como seu mais célebre competidor em Olimpíadas o general americano George Patton, quinto colocado em Estocolmo — herói doidão da Segunda Guerra, um alucinado que acreditava ter lutado em Tróia e servido ao imperador Júlio César em outras vidas.

A delegação brasileira tem uma representante no pentatlo moderno, o “Y” de nossa série olímpica. É Yane Márcia Campos da Fonseca Marques, 24 anos, pernambucana de Afogados da Ingazeira, pequena cidade de 35 mil habitantes a 375 km de Recife, no Sertão do Pajeú, terra do cangaceiro Adolfo Meia-Noite, cabra macho da peste.

Aos 11 anos, ela se mudou com a família para a capital. Pai, mãe, um irmão e duas irmãs. A mãe, funcionária pública. O pai, funcionário da Celpe, a Companhia Energética de Pernambuco. Lá, deu suas primeiras braçadas na escola de natação Nikita. Então, foi fundada uma federação de pentatlo moderno no Estado e ela foi convidada para conhecer a modalidade. Começou a praticar em 2003. Nunca tinha dado um tiro, segurado uma espada ou montado um cavalo na vida.

Aprendeu rápido a seqüência de provas que formam o pentatlo moderno: tiro esportivo com pistola de ar, 10 metros; esgrima, combates-relâmpago com espada de um minuto cada, no máximo; natação, 200 m livre; hipismo, saltos com 12 obstáculos (um duplo e um triplo) com cavalo sorteado; e corrida de 3.000 m em qualquer tipo de piso — aqui será sintético.

Tudo no mesmo dia, começando às 8h30 e terminando quase 12 horas depois. Uma maluquice, em resumo. Yane compete sexta-feira, dia 22. Chegou ontem a Pequim, depois de 17 dias treinando em Seul, na Coréia. E conversou com este blog, que adorou o sotaque da menina e sua sinceridade: “Eu ganhei medalha de ouro no Pan e as pessoas acham que vou chegar aqui e ganhar de novo. Não é assim, não. Olimpíada é outro patamar. Me perguntam se eu vou levar medalha, e eu respondo que estou indo buscar, mas não garanto que vou trazer”, diz, divertida.

Quando você começou, já tinha noção das outras provas além de natação?

Tinha, não. Comecei tudo do zero. Quer dizer, eu já nadava e correr é um negócio normal, né? O resto era tudo novidade. Mas eu me adaptei bem a todas as provas. É meio complicado para treinar, porque precisa de estande de tiro, lugar para praticar equitação, mas eu tento fazer tudo lá em Recife, mesmo.

Qual delas é a mais complicada?

Cada uma tem a sua dificuldade, mas eu acho que é o hipismo, porque no pentatlo a gente não conhece o animal, ele é sorteado na hora da prova. Mas é igual para todo mundo.

Os especialistas dizem que é preciso treinar pelo menos uns dez anos para se tornar um pentatleta de bom nível. Você começou outro dia e já tem bons resultados. Como é que conseguiu, tão rápido?

Pois é, menino, eu faço cinco anos de pentatlo em outubro… Acho que é porque algumas provas exigem muito fisicamente, e eu sou nova e bem preparada. As outras são mais técnicas, é questão de treino. Não sei, acho que foi o destino. Mas treino e dedicação também ajudam.

O ouro no Pan foi uma surpresa para você?

Sim, claro. Achei que o ouro seria quase impossível. Mas acho que acordei num daqueles dias, sabe?

Sei. Aqueles em que dá tudo certo…

Pois é, menino, deu tudo certinho. Mas aqui é diferente, as pessoas precisam entender que Olimpíada é outro patamar.

E qual seu objetivo em Pequim?

Vim aqui para dar o meu melhor. O que tinha de treinar, foi treinado. Eu quero é sair satisfeita, independentemente do resultado, porque fiz tudo que tinha de ser feito. Mas a realidade de uma Olimpíada é bem diferente de um Pan-americano. Eu fiquei me preparando na Coréia e lá, só na esgrima, podia jogar num centro de treinamento com 20 ou 30 adversários por dia. Em Recife, somos cinco. Então, não tem comparação. Na Hungria, por exemplo, o pentatlo moderno é o esporte nacional. Fora a turma do Leste Europeu.

Esporte nacional na Hungria?

É, as mães colocam as crianças desde pequenininhas para fazer pentatlo. Acho que é pra elas ficarem cansadas de noite.

Falando nisso, em que estado você termina um dia de prova?

Menino… No começo eu ficava que não conseguia nem andar direito no outro dia. Hoje é mais tranqüilo. Uma dorzinha aqui, outra ali, uma puxadinha na coxa, mas já acostumei.

A ordem das provas é meio cruel, não?

A gente começa com o tiro, quando a cabecinha ainda está normalzinha. Aí vem a esgrima, e começa a ficar na pilha. Porque são todos contra todos, e aqui são 36 competidores, então vou fazer 35 lutas. Um minuto de luta, ou um toque no outro. Se empatar, os dois perdem pontos. Aí vai para a natação, que é normal, o hipismo, que tem aquele problema do cavalo sorteado, e depois a corrida, com o que sobrou do dia. Um bagaço só.

Bom, então vamos fechar com minhas perguntas moderninhas… Cite cinco atletas que você admira.

Deixa eu ver… Gustavo Borges, Rodrigo Pessoa… Pô, cinco?

Podia ser pior, se você disputasse o decatlo…

Bom, então deixa eu pensar… Coloca aí uma francesa, a Amelie Case, que vai competir comigo. Faltam dois, né?

É. Pode ser alguém do passado.

Do passado já falei o Gustavo Borges. Não vou ficar falando de museu, né? Mas pode colocar dois do passado, sim: o Guga e o Ayrton Senna.

OK. Agora, cinco coisas que você gosta de comer.

Massas, feijão, caranguejo, camarão e tudo que é doce.

Para terminar, se você encontrasse o gênio da lâmpada e pudesse fazer cinco desejos, quais seriam?

Bom, acho que o primeiro seria ganhar uma medalha olímpica. Depois, ter uma família bem grande, eu adoro família. O terceiro… Me realizar profissionalmente. Quero continuar trabalhando com esporte. Quarto: mais humanidade por parte dos políticos, das pessoas que comandam o mundo. E por último, mais paz e fé nos corações de todo mundo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: ,
15/08/2008 - 01:44

BRASIL COM “Z”

PEQUIM (ela tem a força) – Rosângela Conceição tem 35 anos e é uma lutadora. Domingo, inicia sua caminhada em Pequim como representante solitária do Brasil na luta olímpica, categoria livre, 72 kg. Em maio, chegou à final do Pré-olímpico em Edmonton, no Canadá, garantindo sua vaga nos Jogos.

É sua segunda Olimpíada. Em 1996, esteve em Atlanta. De quimono, na equipe de judô, como reserva de Edinanci Silva. Em 2003, não se classificou para Atenas, “fiquei deprimida”, e decidiu mudar o rumo, por sugestão do técnico cubano Eugenio Fontes.

“O judô começou a ficar muito esse negócio de catar a perna. Então, tem bastante semelhança com a luta olímpica. Difere um pouco a posição, porque a gente luta com o joelho flexionado, mas dá para usar muitos golpes”, diz. “Eu já tinha assistido a algumas competições. Fui ver como era e comecei a treinar com o Eugenio, que me mostrou uma luta apaixonante.”

Rosângela Conceição mora e treina em São Paulo, na estrelada academia Fórmula do Shopping Eldorado. Mas fala “tu” o tempo todo, porque é gaúcha “com muito orgulho”, de São Leopoldo. E é esse sotaque gaúcho que ela empresta três vezes por semana ao Hospital Infantil Darcy Vargas, no Morumbi, num grupo multidisciplinar que cuida de crianças com Síndrome de Down. Ela ajuda a garotada na parte física, motora e nos fundamentos do judô. “Dá um resultado maravilhoso. Quando saio de lá, percebo que quem está bem sou eu, elas me ajudam muito mais do que eu ajudo a elas. Cada vez que volto, sinto que estou melhor do que quando cheguei.”

Rosângela Conceição, linda, cheia das tranças no cabelo, sorriso largo e aquele olhar de quem sabe exatamente o que veio fazer no mundo, é lutadora e é o Brasil com “Z” da nossa série. Porque na verdade ela é a Zanza, como gosta de ser chamada.

Você é a única brasileira na luta olímpica. Como é que faz para treinar no Brasil?

O meu treino tem de ser diferenciado, por causa da minha idade e da sobrecarga de trabalho. Acabo treinando com uma pessoa só lá na Fórmula, o Felipe, que faz jiu-jitsu. Treino luta olímpica de três a quatro horas por dia. Ele me ajuda muito, porque aplica várias técnicas de luta que a gente precisa usar nessa modalidade.

Deve ser duro esse negócio de treinar com homem, não?

Nada, é normal. No judô eu fazia isso, também. Não tem mistério.

Do judô para a luta, como foi a transição?

A filosofia é diferente. O judô tem origem oriental e a luta vem da Grécia. Na luta se valoriza muito a educação, o respeito pelo adversário, o espaço e a higiene.

Higiene?

É. Por isso que a gente tem que ter sempre dois lencinhos prontos para usar no caso de um corte, um sangramento… E uma toalha para se secar sempre, o tempo todo. Homem tem de estar barbeado, tem todas essas coisas…

Depois do bronze no Pan do Rio, no ano passado, o que está esperando aqui?

 Eu treinei para fazer o meu melhor. Não vai ser fácil. Tem uma búlgara que é bicampeã mundial e uma chinesa campeã olímpica que são as adversárias mais fortes.

Você falou que treina com um rapaz que luta jiu-jitsu. O jiu-jitsu tem uma imagem meio negativa no Brasil por causa desses caras que saem brigando por aí nas ruas…

É verdade. Mas esses não são lutadores, são baderneiros. Estragam a imagem da modalidade, que é muito bonita, um jogo de xadrez. Os bons professores de jiu-jitsu são muito especiais, eles acompanham você não só no tatame, mas na sua vida toda, também. Infelizmente, as pessoas acham que jiu-jitsu é essa coisa de bad boys, mas isso não é jiu-jitsu.

E o seu trabalho social com crianças com Síndrome de Down?

É no Hospital Infantil Darcy Vargas, no Morumbi. Eu faço judô com eles, mostro os valores humanos que o judô ensina, trabalho a parte física e motora. E a gente usa sempre uma frase que é muito importante: “Ser diferente é normal”. Esse trabalho dá resultados maravilhosos. Eu sempre saio de lá melhor do que entrei.

Que idade elas têm?

A gente acompanha desde o nascimento, o trabalho desse grupo começa na gestação. Mas para mim eles vêm a partir dos 4 anos. E é lindo, eles estão me mandando e-mails desejando boa sorte, fizeram desenhos, me dão uma força muito grande.

Agora, as perguntinhas metidas a besta… Qual a maior luta da sua vida?

A luta pela sobrevivência. No dia a dia, nos tatames e na área de luta. É tudo muito difícil no Brasil. No nosso país falta tudo. Acho que é isso, a luta para sobreviver a cada dia.

Uma luta inglória…

O trabalho que faço pelo humanismo. Essa é inglória, porque quando tu chega com essa proposta, até tocar o coração das pessoas, ouve muita barbaridade e vê muita indiferença.

Um grande lutador…

Daisaku Ikeda, um educador e humanista japonês que roda o mundo fazendo trabalhos sociais e despertando o amor das pessoas, um cara que luta contra as guerras e as injustiças, como essa guerra ridícula entre Rússia e Geórgia, que têm atletas aqui e a gente vê eles se abraçarem e competirem de um jeito tão bonito, coisa que só o esporte pode proporcionar.

Para terminar, qual a luta que você compra de olhos fechados, contra o quê você acha que vale a pena lutar até o fim?

Contra a indiferença social.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: ,
12/08/2008 - 11:13

BRASIL COM “N”

PEQUIM (faz pensar) – Sete anos atrás ele pegou um ônibus em Capela, no Sergipe, e desceu para o Sul maravilha. Foi se juntar à mãe, que já tinha se instalado em São Vicente, perto de Santos, aonde foi atrás de trabalho. Ainda adolescente, via os meninos da sua idade remando no Canal dos Barreiros. Um amigo o levou até lá. As aulas na escolinha de canoagem custavam 20 reais por mês. O amigo emprestou metade. Ele começou a remar. Levava jeito. Mas acabou o mês, e acabou o dinheiro. “Aí eu parei, porque não tinha condições de pagar as aulas.”

Um mês depois, o técnico Pedro Sena o encontrou numa feira. Lembrou dele e perguntou por que tinha parado. Por causa da grana. Tirou do bolso, e Nivalter Santos de Jesus, no final de 2004, voltou a fazer canoagem no Canal dos Barreiros.

No ano seguinte, estava na seleção brasileira e já era campeão sul-americano. No ano passado, no Pan do Rio, levou o bronze em sua especialidade, C1, prova de 500 metros — uma canoa rápida, na qual se rema ajoelhado sem tempo nem de olhar para os lados.

Nivalter Santos de Jesus, que não tinha 20 mangos por mês para praticar um esporte, é o Brasil com “N” de hoje. Ele vai à raia do Parque de Canoagem e Remo de Shunyi no dia 19 como primeiro e único representante brasileiro na canoagem em Pequim. Tem 20 anos de idade e uma humildade do tamanho da China.

Quando você começou, imaginava que pouco tempo depois estaria numa Olimpíada?

Eu não imaginava que ia ficar tanto tempo na canoagem. Porque não tinha dinheiro para pagar as aulas. Mas depois que eu voltei, os resultados começaram a aparecer e eu comecei a sonhar. Hoje estou muito feliz.

Quanto custavam essas aulas?

20 reais.

Por aula?

Por mês.

E como você conseguiu voltar?

O Pedro [Pedro Sena, seu técnico] me encontrou numa feira e me colocou de volta na escolinha da AFC [Associação dos Funcionários da Cosipa].

E onde você treinava, em Cubatão?

Em São Vicente, mesmo. Mas tem canal que passa por Cubatão.

Hoje você se sente realizado, por estar em Pequim?

Não. Por enquanto eu só dei um passo para realizar meu sonho de verdade, que é ser campeão olímpico, ou mundial.

E dá para pensar nisso aqui?

Todo mundo quer uma medalha, né? Se eu chegar a uma final, aí será bom disputar uma medalha.

E quais são seus principais adversários?

Rapaz, eu não me ligo muito nos nomes deles, não. Eu saio remando.

Mas quais os países mais fortes, os caras que vão dar mais trabalho?

Ah, da Hungria, Alemanha, Canadá. Eles são muito fortes.

Você já foi ver a raia?

Fui. É uma raia artificial. Parece que era uma plantação de arroz.

E como são as raias no Brasil? Você tem condições legais de treinar?

Não, porque no Brasil as raias são todas tortas, né? A gente vai remando e as bóias vão saindo do lugar. Quando chega no fim, não sabe nem em que raia chegou. Mas tem uma em Curitiba que é muito boa.

Isso não atrapalha nos treinamentos, na sua preparação?

Rapaz, acho que não adianta ficar pensando nisso, senão a gente não vai pra frente. Quando dá, a gente faz intercâmbios, fica um mês na Europa, o importante é aproveitar. Mas não dá para pensar em morar fora, não.

E dá para viver de canoagem?

Olha, eu vivo, mas é difícil. Às vezes o salário não dá para pagar as contas.

Quem te ajuda?

Eu tenho patrocínio de uma universidade [UNIMES, Universidade Metropolitana de Santos] e de uma firma de embalagens [Porsani, também de Santos].

Algumas perguntinhas rápidas… Você já remou contra a maré?

Remo contra a maré todo dia, correndo atrás de patrocínio.

Onde você sonha remar? Algum rio famoso, algum lugar conhecido?

Não, nenhum lugar assim. Acho que na praia da Biquinha.

Onde é isso?

Em São Vicente.

Qual foi a maior remada da sua vida?

Quando eu consegui me classificar em quinto na Copa do Mundo da Alemanha. Mas acho que a minha maior remada ainda está por vir.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: ,
11/08/2008 - 11:29

BRASIL COM “R”

PEQUIM (touché!) – Ele era apenas um garotinho de 12 anos, aí um amigo convidou e ele topou. Foi conhecer a esgrima no Paulistano, aristocrático clube nos Jardins que um dia já me teve como sócio, vejam só, mas eu só ia lá para brincar de autorama, cortar o cabelo e comer feijoada. Achava todo mundo muito fresco. Pois é, quando eu tinha 12 anos, já achava um monte de gente fresca.

Mas não se trata aqui de destilar preconceitos bobos contra o Paulistano, clube de elite, sim, mas que presta ótimos serviços ao esporte brasileiro. A elite não é de todo má, afinal.

Bem, o outro garotinho de 12 anos é Renzo Pasquale Zeglio Agresta, o Brasil com “R” de nossa série olímpica, que daqui a 12 horas faz sua primeira luta em Pequim e me atendeu gentilmente pelo telefone agora há pouco para falar da vida de um espadachim. Sua Olimpíada começa e acaba amanhã. “É tudo num dia só”, avisa.

Renzo mora em Roma há três anos, para onde foi por conta da esgrima e dos estudos. Se formou em administração pela John Cabot University, me informa o guia do COB. Foi medalha de bronze no sabre no Pan do Rio, ano passado, e chega à sua segunda Olimpíada aos 23 anos. É corintiano, coitado. A foto que ilustra esta entrevista é de autoria de Rogério Albuquerque, e peguei emprestada deste álbum de ótima qualidade. Dado o crédito, merecidíssimo.

As cinco perguntas que eu tinha preparado, já que a idéia da série é essa, não foram suficientes. Acabei esticando um pouco. Não faz mal. Renzo é bom papo e a ele, como a todos, desejo sorte na estréia.

Como começou esse negócio de esgrima? No Brasil ninguém faz esgrima…

Foi um amigo que me convidou em 1997, no Paulistano. Eu sempre gostei de esporte. E acabei gostando muito da esgrima porque é uma modalidade que une o físico e o mental.

E o Brasil tem algum futuro na esgrima?

O nível das competições ainda é baixo, mas está melhorando, já conseguimos medalha em Pan e classificação para Olimpíada. Mas para melhorar ainda mais é preciso fazer muito intercâmbio e disputar competições internacionais. Essa foi uma das razões que me levaram a morar na Itália, um centro importante da esgrima na Europa. Mas hoje tem uns cinco ou seis lugares muito bons para praticar esgrima no Brasil. O Paulistano é um deles, o Pinheiros é outro.

A esgrima é um esporte de elite? Pouca gente pratica porque é caro?

Não, não é de elite. Existem muitos lugares para praticar e o material não é caro. E dura bastante tempo. Um sabre, por exemplo, custa entre 100 e 200 reais.

O preço de uma chuteira…

Menos. É mais barato que uma chuteira dessas novas, de marcas famosas.

Qual é o seu herói de capa e espada?

Puxa… Acho que nenhum.

Nem o Zorro, o Dartagnan?

Não, acho que nenhum, mesmo.

Bom, para terminar… Se você tivesse de escolher alguém no Brasil para dar uma espetada, em quem seria?

Rapaz, você vai ficar bravo se eu disser que não tem ninguém?

De jeito nenhum.

Então… Ninguém.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: ,
10/08/2008 - 03:10

BRASIL COM “W”

PEQUIM (pesado) – Único representante brasileiro no levantamento de peso em Pequim, Welisson Rosa da Silva queria mesmo era jogar bola. Torcedor do Atlético Mineiro, não sabia que seu Galo tinha derrubado Cuca do Santos no meio da semana passada. “Foi mesmo? Que ótimo!”, falou, e deu uma gargalhada.

Quinto colocado no Pan do Rio na sua categoria (69 kg), Welisson não tem grandes pretensões na sua prova, segunda-feira. “Se eu levantar mais de 298 kg já será o recorde brasileiro. Qualquer coisa além disso vai me deixar feliz.”

Casado com Ana Carolina e pai de Andrei Gabriel, 3 anos, Welisson mora em Viçosa (MG) e é o nosso Brasil com “W” de hoje.

Qual o maior peso que você já carregou na vida?

Na vida? Puxa, nenhum, eu sou tranqüilo… Peso que levantei, mesmo, foram 230 kg, no agachamento.

O que mais pesou na sua decisão de escolher o levantamento de peso?

Não ter dado certo no futebol. Eu cheguei a disputar um Campeonato Mineiro juvenil pelo Viçosa Atlético Clube, que tinha um convênio com o Atlético. Era lateral-direito. Mas não deu certo. O futebol é muito difícil. Aí um amigo me convidou para experimentar o levantamento, oito anos atrás, e eu gostei. Acho que o que mais pesou foi isso, o amor que peguei por esse esporte.

Você é o único brasileiro no levantamento de peso em Pequim. Qual é o peso dessa responsabilidade?

Eu represento um país. É sempre uma grande responsabilidade. Mas estou preparado para ela.

Qual é o peso de ficar longe da família na sua rotina de competições?

A gente já se acostumou. Tudo que eu faço é pelo bem da minha família. Depois que eu voltar, tiro o atraso…

O que te deixa com peso na consciência?

Eu procuro fazer só o que meu coração manda, para não me arrepender de nada. Por isso tenho sempre a consciência bem levinha.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: , ,
09/08/2008 - 07:52

BRASIL COM “S”

PEQUIM (bum) – Ele se diz “80% dentista e 20% atleta”. E, na delegação brasileira, é uma espécie de vovô: 47 anos completados em 24 de junho, o atleta mais velho do grupo. Está na sua primeira Olimpíada. Nada mal para quem resolveu começar no tiro esportivo há apenas nove anos, em 1999, numa idade em que a maioria das pessoas consegue, quando muito, fazer esteira na academia do prédio para, quem sabe, disputar uma corridinha de 5 km em volta do Ibirapuera.

Inaugurando a seção “Brasil de A a Z”, randomizando o alfabeto, vamos ao nosso Brasil com ”S”. “S” de Stenio Akira Yamamoto, dentista, casado, duas filhas e palmeirense que não sabe nem que o goleiro do time é o Marcos (”Eu lembro do Ademir da Guia e do Leão”, brinca). Ele já estreou hoje, não foi bem na pistola de ar/10 metros, e volta a atirar dia 12, na prova de 50 metros.

Você começou a atirar com 38 anos de idade. Nunca é tarde para nada?

Nunca. Mas, no esporte, só o tiro dá essa possibilidade. Porque não tem idade para começar, nem para terminar. Tem um cara aqui de 60 anos que continua muito competitivo e é um exemplo disso. Quando eu comecei, me disseram para treinar bastante porque levava jeito. Me empolguei e no ano seguinte já estava na equipe brasileira.

Qual é o seu sonho olímpico?

Beliscar uma medalha seria um sonho. Mas eu comecei a realizar meu sonho no ano passado na Copa do Mundo em Munique. Fui vice-campeão e consegui a vaga olímpica. Agora estou aqui. Estou em plena realização do meu sonho olímpico.

Você é um atirador-dentista ou um dentista-atirador?

Ah, ser dentista ajuda muito. Ajuda a ter paciência. E ajuda a controlar os movimentos, a ser delicado, preciso. Um técnico russo disse uma vez que dentistas, artesãos e artistas dão ótimos atiradores. Mas para ser um bom atirador é preciso ter cabeça. É 90% cabeça e 10% treino. Porque todo mundo que atira pela primeira vez vai acabar acertando no 10. Mas é só treinando que você acerta mais que os outros.

Você é a favor do porte de arma no Brasil?

Sou a favor de quem quiser ter, que tenha. Eu nunca tive porte de arma. Já fui assaltado dezenas de vezes, sofri sequestro-relâmpago, mas nunca quis ter, nunca pensei em reagir. É muito melhor estar vivo.

Se tivesse de começar de novo, em outro esporte, qual seria?

Bom, na minha idade, não dá para pensar em começar nada daquilo que eu gostava quando era mais novo. Eu adorava ginástica olímpica, atletismo, fiz arremesso de peso. Eu frequentava os cursos no Ibirapuera, e acho importantíssimo para qualquer criança conhecer um esporte, poder praticar. Eu só não seria jogador de futebol, porque tenho os dois pés esquerdos…

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: ,
09/08/2008 - 07:24

BRASIL DE “A” A “Z”

PEQUIM (vão faltar algumas letras…) – Daqui a pouco este modesto blog olímpico inaugura mais uma seção (adoro seções), conversando com atletas brasileiros que estão em Pequim & adjacências, com prioridade para as modalidades menos conhecidas e com poucas chances de medalha. A delegação do Brasil tem 277 atletas e selecionei um com cada letra do alfabeto. Na medida em que for encontrando os cabras, vamos pingando aqui. Sempre entrevistas bem rápidas, com apenas cinco perguntas.

Ainda não encontrei nenhum com Q, U, V e X dentro dos critérios que estabeleci. Mas se achar, vão entrar na roda também. O primeiro será Stenio Yamamoto, do tiro esportivo, atleta mais velho representando o país nestes Jogos.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags:
Voltar ao topo