SÃO PAULO(vejam logo) - Para fechar o barraco, torcendo para que não tirem do ar logo, vejam as largadas de Barrichello, Kimi, Button e Hamilton on-board. A largada de Rubens, depois que o carro saiu do lugar, foi esplêndida. Lembrou muito o Meianov em Interlagos. A do Raikkonen, idem. E pela câmera do brasileiro muita gente vai rever o que falou do Grosjean. Ele não bateu mesmo no Button. Foi acertado pelo inglês. Vou ter de refazer a nota que dei para o francês. Ele não teve culpa.
SÃO PAULO(vixemaria) – Ah, esse Twitter é uma delícia, não? Mais pistas de que algo vai acontecer na Renault esta semana vieram de breves “twittadas” de Lucas di Grassi, terceiro piloto do time. Agora à noite, antes de sair de Spa para voltar a Londres, onde vive, Lucas escreveu que teremos grandes novidades nos próximos dias e que o domingo “foi longo para mim e para a Renault”.
Encaixando as peças, é claro que o dia foi longo para a Renault, pois o time está sendo investigado por algo muito grave, a acusação (que pode ter partido dos Piquet) de que Flavio Briatore planejou o acidente de Nelsinho no GP de Cingapura para que Alonso vencesse a corrida.
Alonso pode ser anunciado pela Ferrari, algo que, se for mesmo acontecer, é de conhecimento de todos na Renault, Lucas inclusive, e seria uma das “grandes novidades” da semana, assim como uma possível confirmação de que o brasileiro, que já está lá mesmo, poderia ser o novo titular, ao lado de Romain Grosjean.
Por enquanto, apenas especulações. Mas que alguma coisa séria vai acontecer, vai.
SÃO PAULO (dia quente) – Fim de semana agitado, esse de Spa. Depois da corrida, Stefano Domenicali disse que a escolha do piloto para Monza tem relação com os planos da Ferrari para 2010. Pouco depois, o “la Repubblica” se saiu com essa: Alonso seria escalado já para o GP da Itália. No bolo dessa conversa está, claro, a investigação que a FIA faz “sobre uma corrida do ano passado”, sem especificar o que todos já sabem — possível armação da Renault em Cingapura, Nelsinho batendo de propósito para Alonso vencer.
Alonso, nessa história toda, é o único que pode alegar inocência. E poderia, assim, rasgar o contrato com a Renault caso a equipe seja punida duramente, o que vai acontecer se for provado que houve a ordem para a batida voluntária do brasileiro.
O que se diz na Itália é que na terça-feira pode ser feito um anúncio sobre Fernandinho em Maranello.
Já em 2010, depois da vitória de hoje de Kimi, não tenho a menor ideia do que vai acontecer na Ferrari.
SÃO PAULO (a ver…) – Longe de mim duvidar de uma informação do Reginaldo Leme. E a que ele deu na transmissão da TV é das mais graves. Resumindo, para quem não ouviu. O comentarista da Globo (e colunista do Grande Prêmio e d’”O Estado de S.Paulo”) contou que a FIA abriu uma investigação independente sobre o GP de Cingapura do ano passado. Na ocasião, Alonso tinha acabado de fazer seu pit stop, ele que largara lá atrás, quando Nelsinho Piquet bateu. Assim, todos pararam aproveitando o safety-car e Alonso, que já tinha trocado pneus e reabastecido, apareceu de repente em primeiro.
Na época, a batida foi tratada com ironia e curiosidade. Fernandito jamais venceria se não fosse o rabo danado de um safety-car ter sido acionado logo depois de sua parada. E justamente causado pelo companheiro de equipe…
Suspeitar de que foi de propósito, na época? Não me lembro de nenhuma desconfiança séria, apenas comentários, como disse, irônicos. E não tinha sido a primeira batida de Nelsinho no ano, afinal.
Agora, surge essa informação: Briatore teria ordenado que o brasileiro se arrebentasse no muro naquele momento e naquele lugar. Assim, Alonso teria chance de vencer, como venceu. Disse o Reginaldo que depoimentos chocantes já foram tomados pelos investigadores.
Nelsinho Piquet não se pronunciou pelo Twitter, como costuma fazer. Aliás, assim que a informação foi ao ar na Globo (estranhamente causando espanto até no narrador Galvão Bueno, que aparentemente não sabia de nada), Piquet-pimpolho desapareceu do miniblog, depois de dar uma zoada básica em Grosjean, seu substituto, que bateu na primeira volta.
E foi pelo Twitter que recebi outro vídeo (desculpe, não sei quem mandou) daquela corrida. Na volta de apresentação, Nelsinho rodou de maneira parecida. Não bateu. Teria sido um ensaio? É conspiração demais, não? De qualquer maneira, apimenta a história toda.
O que é essencial, agora, é ouvir o piloto. Antonio Pizzonia, também pelo Twitter, contou que jantou com Nelsinho ontem e disse que uma bomba vai estourar na F-1 “hoje ou segunda-feira”. Seria essa? “Isso e muito mais”, escreveu Pizzonia. Mas Nelsinho seria capaz de bater de propósito sob ordem da equipe?
É tudo muito pouco verossímil. Uma coisa é dar passagem ao companheiro de equipe, segurar um rival na pista, essas atitudes menos dramáticas e mais corriqueiras. Mas se jogar no muro para obedecer ao chefe?
No fim da tarde, a FIA confirmou que uma prova de 2008 está, sim, sendo investigada. Se houve algo, Briatore será elevado à condição de capeta dos capetas. Mas é preciso que se diga, como bem lembrou meu amigo Teo José. Se isso aconteceu, Nelsinho está no mesmíssimo barco.
Vamos aguardar. É caso que vai dar pano pra manga, como se diz. E muito sério.
SÃO PAULO (tudo na mesma) – Jenson Button, ao fim e ao cabo, deu sorte. Deixou de pontuar pela primeira vez no ano e o piloto que cresceu na semana passada, Barrichello, marcou apenas dois. Assim, a diferença que era de 18 caiu para 16 e em vez de seis, faltam cinco corridas para acabar o campeonato. O prejuízo poderia ter sido bem maior, porque igualmente Webber ficou fora dos pontos. E Vettel, mesmo marcando seis e estando na briga, ainda aparece mais distante na classificação e tem o problema dos motores.
Button, pelas imagens, foi tirado da corrida por Grosjean, mas não tem do que reclamar. Quem se classifica mal e larga no pelotão da merda está sempre muito mais sujeito a essas coisas do que quem parte na frente. O mesmo vale para Hamilton. Grosjean não admite erro algum e diz que foi ele que foi tirado da prova por Button. Preciso ver outras imagens para tirar alguma conclusão. De qualquer forma, depois de duas corridas, Romain Juba de Leão ainda não fez nada muito diferente de Nelsinho Piquet. Mas antes de umas três ou quatro provas, qualquer julgamento sobre o francês é precipitado.
Barrichello, pela terceira vez no ano, empacou na largada. Vai ter gente que acha que foi sabotagem, como sempre. Ainda não sei o que ele disse, além de detectar o mesmo problema, o “antistall” que deixa o carro em ponto morto. Pelas circunstâncias, salvou dois pontinhos. Caiu lá para trás no começo, deu sorte com o acidente que tirou quatro carros de sua frente, usou bem a entrada do safety-car, equilibrando as coisas com a parada que seria feita muito no início, foi decidido com várias ultrapassagens na primeira parte da prova, mas quando chegou na turma mais veloz, acabou ficando.
E deu mais sorte ainda no fim, com o motor prestes a estourar e conseguindo fazer duas voltas daquele jeito. Se tivesse conseguido largar bem, tinha chances de buscar um pódio, ou terminar em quarto ou quinto. Não venceria. Fisichella e Kimi estavam bem mais rápidos.
Para buscar o título, insisto, precisa fazer pelo menos umas três corridas excepcionais como a que fez em Valência. Não é fácil. Button pode chegar perder dele em todas as provas, que ainda assim será campeão, desde que permaneça sempre uma ou duas posições atrás do brasileiro.
SÃO PAULO(ah, os velhinhos…) – Legal demais o segundo lugar de Fisichella. Daqueles históricos. Primeiros pontos da Force India, corrida que dava até para ganhar. Mais uma em Spa para a lista de coisas históricas envolvendo a velha Jordan: primeira pole em 1994, primeira vitória em 1998, estreia de Schumacher na F-1, último ponto com o nome Jordan em 2005, essas coisas que fazem de um circuito um lugar muito especial para certos times.
No fim, tive a impressão de que Fisico tinha carro para atacar Kimi. Não o fez. Ou porque está acertado com a Ferrari para correr em Monza, ou porque Raikkonen tem KERS, sei lá. Mas não importa muito. Acho que seria difícil passar, no fim das contas. Kimi me pareceu ter alguma sobra no carro.
Esse segundo lugar teve cara de canto do cisne para Giancarlo, mais ou menos como a vitória de Barrichello em Valência na semana passada. Mas os dois, em que pese a idade (e idade pesa…), têm lugar na F-1, ainda, com essa história de proibição de testes. Está difícil formar alguém. Sobrevida à vista para ambos, então. E a impressão de canto do cisne pode ficar só nisso mesmo, impressão.
A Force India andou muito bem também com Sutil, que só não pontuou porque largou mais atrás e teve muito mais trabalho que o companheiro. O alemão foi um dos mais combativos da prova, passou muita gente, mas teve um ritmo inconstante.
Vettel é outro que fez um corridão. Inteligente, foi buscar o que dava para quem largava em oitavo, um pódio. Volta a brigar pelo título, mas vai ter de conviver até o fim do ano com o fantasma dos motores quebrantes da Renault. Palmas também para a BMW Sauber. O carro é ruim, mas a pista ajudou. E seus pilotos mostraram dignidade e profissionalismo: quarto e quinto, ninguém esperaria isso de um time cuja morte já foi anunciada.
Webber se afastou um pouco da briga. Não andou bem, e ainda foi atrapalhado pelo time, que o liberou do pit stop de forma atabalhoada. São dois finais de semana ruins acumulados pelo australiano, que vinha fazendo uma temporada muito regular e começa a dar sinais de perda de fôlego.
Finalmente a Toyota, que largava lá na frente. Mas, como quase sempre, se ressente do mau ritmo de corrida de Trulli. Para ele, as coisas sempre dão errado. Tocou em Heidfeld na largada, teve de trocar o bico, depois aconteceu um problema no reabastecimento… Enfim, se tem alguém que pode reclamar do azar nessa F-1, é o pobre do Trulli. Mas ele também não ajuda muito a sorte.
Daqui a pouco eu volto para falar da Brawn e da história de Nelsinho ter batido de propósito em Cingapura no ano passado, história lançada pelo Reginaldo Leme na transmissão da TV.
SÃO PAULO(jornada tripla hoje) – Kimi Raikkonen sempre anda bem na Bélgica. Foi sua quarta vitória em Spa, e esse rapaz sempre impressiona quando encaixa uma boa corrida. Se andasse sempre assim, ninguém na Ferrari estaria pensando em trocá-lo por Alonso. Troca que deve acontecer, no fim das contas.
Mas dá gosto ver Kimi sentando a bota. Sua largada foi fenomenal. Inteligente, esperto, foi para a área de escape, apontou e despinguelou, usou bem o KERS, não deu chance a ninguém, e na relargada resolveu a corrida ao passar Fisichella sem maiores dificuldades.
Depois, andou com o italiano em seus calcanhares a prova toda. E, nessas condições, é realmente o Iceman, um cara frio que não se abala e não comete erros.
Raikkonen não vencia desde a Espanha no ano passado. Tem feito um bom campeonato nesta temporada, no final das contas. Eu não achava que a Ferrari iria conseguir ganhar uma corrida, depois do fiasco da primeira metade do ano. Mas o carro melhorou, a turma trabalhou e Kimi merece todos os aplausos hoje.
Não sei quais efeitos essa vitória terá em seu futuro. Talvez nenhum. Esse moço, normalmente, não parece ligar para nada. Seja lá o que tiver resolvido fazer da vida, não é uma vitória em Spa que vai mudar.
Daqui a pouco eu volto, a corrida foi boa, merece mais posts.
SÃO PAULO (muda um pouco) - A divulgação dos pesos de cada carro no grid do GP da Bélgica, agora há pouco, joga ainda mais dúvidas sobre o que pode acontecer na corrida de amanhã. Sabem qual o carro mais leve? O de Rubens Barrichello: 644,5 kg, mais leve até do que Fisichella, que larga com 648 kg. Incrível. Eu escrevi no post anterior que Rubens, Trulli e Raikkonen estariam mais ou menos com o mesmo peso. Trulli tem 656,5 kg e Kimi, 655 kg; parecidos, sim. Mas bem mais pesados do que o brasileiro, o que lhes dará umas três voltas de pista a mais, depois da primeira parada do carro da Brawn, possivelmente na volta 11.
Heidfeld e Kubica, surpreendentes pelas posições (terceiro e quinto), foram mais surpreendentes ainda porque também andaram com mais peso que Barrichello: 655 kg e 649 kg cada um, respectivamente. O alemão, assim, merece aplausos. E Trulli, segundo no grid, mais ainda. Não fosse seu crônico problema de ritmo de corrida, mereceria ser colocado como favorito à vitória.
Entre os dez primeiros, Rosberguinho é o mais pesado, 670 kg, mas não assusta. Quem aparece bem na fita é Vettel, com 662,5 kg, em oitavo. Poderá ficar umas quatro ou cinco voltas a mais na pista depois das paradas de seus principais adversários. Uma boa largada pode colocá-lo na briga. E Raikkonen pinta como forte candidato a vencer o GP belga, porque pode ganhar umas posições na primeira volta com o KERS e, a partir daí, ditar o ritmo da corrida.
Rubens optou por uma classificação agressiva, e mesmo com o carro leve ficou em quarto. Prova de que a Brawn não está mesmo muito competitiva em Spa, Button que o diga. O inglês, aliás, vai para a corrida com 694,2 kg no tanque, previsão de parada na volta 26, possibilidade de apenas um pit.
Veja abaixo os pesos e as previsões para as primeiras paradas das principais figuras em Spa, pela ordem em que estão no grid:
1) Fisichella – 648 kg – volta 12; 2) Trulli – 656,5 kg – volta 14; 3) Heidfeld – 655 kg – volta 14; 4) Barrichello – 644,5 kg – volta 11; 5) Kubica – 649 kg – volta 12; 6) Raikkonen – 655 kg – volta 14; 7) Glock – 648,5 kg – volta 12; 8 ) Vettel – 662,5 kg – volta 16; 9) Webber – 658 kg – volta 15; 10) Rosberg – 670 kg – volta 19; 12) Hamilton – 693,5 kg – volta 26; 14) Button – 694,2 kg – volta 26.
Acho que Barrichello ainda tem chances, mas são menores. Deixou de ser o favorito, a não ser que passe todo mundo na largada e abra uma grande vantagem nas 11 primeiras voltas, esgoelando-se. Raikkonen, Vettel e Trulli me parecem com possibilidades maiores de vitória, em condições normais.
SÃO PAULO (alguma coisa fora da ordem) – Barrichello e Raikkonen. Um desses dois deve vencer o GP da Bélgica amanhã. A classificação de hoje teve muitas zebras, a começar da pole de Fisichella, e poucas posições “normais”. Rubens em quarto é uma delas. Kimi em sexto, também. Badoer em último, a lógica das lógicas. Não corre em Monza, evidentemente, mas isso é assunto para depois. Gola Profonda ainda não telefonou.
Ainda não saíram os pesos, mas acredito que Barrichello, Trulli e Raikkonen estejam mais ou menos parecidos. Fisichella, Heidfeld (outra enorme supresa, em terceiro) e Kubica (quinto) aparentam estar mais leves, principalmente o italiano.
A Red Bull, daqui até o fim do ano, com uma nova quebra de motor (agora de Webber), vai ter de administrar o ímpeto em treinos e se concentrar em corridas. É aposta certa para um pódio, mesmo largando em oitavo e nono com Vettel e Webber. Os carros são bons o bastante para crescer ao longo da prova.
Rubens tem boas chances porque o carro é bom e consistente em corrida. S e não se envolver em confusões na largada, pode se dar muito bem. Kimi, porque sempre anda bem na Bélgica. E a Ferrari cresceu nas últimas provas. Alguns dos favoritos ficaram na segunda degola afastando-os da briga na ponta, e isso vai ajudar ainda mais os dois.
A segunda parte da classificação foi das mais doidas dos últimos anos, embora o locutor oficial se preocupasse única e exclusivamente em falar de Massa. Aliás, fiz questão de contar: entre “Massa”, “Felipe” e “Felipe Massa”, o brasileiro foi citado exatas 30 vezes em uma hora de classificação. Uma a cada dois minutos, sem contar os comerciais da transmissão. Haja saco. E tudo acontecendo na pista… Assim, ninguém na TV deu o devido peso e destaque à pole incrível de Fisichella e às eliminações, do Q3, de Alonso, Hamilton e Button, todos ao mesmo tempo.
Desde o Q1 se via que a classificação em Spa seria diferente. Na primeira parte do treino, Buemi, Sutil, Heidfeld, Trulli e Fisichella chegaram a ocupar a primeira posição. A primeira degola ceifou o óbvio Badoer, o fraco Nakajima, Grosjean (pego por uma bandeira amarela do acidente de Badoer, mas azar dele, as coisas são assim; ele deve andar melhor na corrida, porém) e a dupla da Toro Rosso, Buemi e Alguersuari.
No Q2, a Toyota mostrou força (eu disse ontem que era só brilhareco, mas com Trulli não foi, não), a BMW Sauber surpreendeu colocando os dois no Q3, Button desandou, Hamilton também, Alonso sucumbiu e Barrichello emergiu.
Button é um caso a ser estudado. Nas últimas quatro provas, foi discreto. Mal, mesmo, em Valência. Nas anteriores, teve desempenho equivalente ao de Rubens, sofreu com o frio etc e tal. Mas, hoje, parece que a coisa degringolou para o inglês. Pela primeira vez no ano não passou do Q2 e larga muito longe de seu companheiro de equipe. Corre para salvar alguns pontos. E precisa ser religado à tomada se quiser ser campeão. Porque ficar só torcendo contra os outros me parece meio arriscado.
SÃO PAULO(coisa de novela) – Grande Fisichella! Sim, um pré-aposentado, ninguém quer, fim de carreira, e aí começam a falar do cara na Ferrari, e ele vai e crava uma pole de… Force India!
A molecada que me perdoe, mas os velhinhos estão matando a pau. Domingo passado foi Barrichello a vencer em Valência. Hoje, Fisico a cravar todo mundo em Spa. Muito, muito legal.
Curioso é que exatos 15 anos atrás essa mesma equipe fazia, lá mesmo, em Spa-Francorchamps, uma pole improvável, com… Barrichello! Pela Jordan, o ainda garoto Rubinho, apenas 22 anos, conseguiu uma pole pela primeira vez. De lá para cá, a Jordan virou Midland, que virou Spyker e que é Force India hoje, se é que não esqueci de ninguém no meio do caminho.
Giancarlo está mais leve que o resto? Claro que está. Mas o velho Fisico — sobre quem, nos últimos dois ou três anos, já escrevi várias vezes que deveria ter parado, o que mostra que a gente não entende nada de picas — já tinha começado a classificação muito bem. Foi o mais rápido no Q1 e o quarto mais rápido no Q2. Seu desempenho desde sexta (fora o mais rápido na chuva) vem sendo muito consistente, e a Force India passou da primeira degola com seus dois pilotos, acho que pela primeira vez. Sutil também fez bons tempos e larga numa honrosa 11ª posição, à frente de Brawn, McLaren, Renault, e aí não tem nada de peso, não.
Assim, leve por leve, truco, bonitão. É a grande chance da simpática Force India de marcar os primeiros pontos de sua curta existência, para alegria do núcleo dançante da novela das oito que começa às nove.
Loas a Giancarlo Fisichella, 36 anos, quarta pole em 223 GPs disputados (amanhã corre pela 224ª vez). As outras, para registro, foram na Áustria em 1998 pela Benetton, na Austrália em 2005 e na Malásia em 2006, ambas pela Renault.
Daqui a pouco eu volto para falar do resto. Porque acho que Barrichello se tornou favorito à vitória amanhã, e isso é importante para o campeonato, e merece um post à parte.
SÃO PAULO(ficam todos doidos) – Spa é incrível, mesmo. Após um temporal pela manhã, depois do almoço o sol brilhou alegre e feliz nas Ardenhas, com algumas nuvens, é verdade, mas a pista estava sequinha para o segundo treino.
Aí, sim, dá para tirar algumas conclusões. Um certo favoritismo da Red Bull pode ser considerado, nessas condições de temperatura e pressão: solzinho, calorzinho, asfalto acima de 30ºC. Mas, hoje, é mais de Webber que de Vettel. Essa história dos motores acabando para o alemãozinho está minando o próprio.
A Brawn me pareceu trabalhar para a corrida. Seus tempos foram muito discretos durante quase toda a sessão, mas devem subir bastante no sábado. Se esfriar ou chover, a coisa complica. A Toyota fez seu brilhareco andando lá na frente, mas ficará restrito à sexta-feira, como se sabe. Amanhã, Trulli e Glock despencam para o meio do pelotão.
Gostei de ver o menino Alguersuari virando tempos muito competitivos, assim como Buemi. Os tourinhos vermelhos podem sonhar com um Q2 na classificação. Os carros da Caminho das Índias também foram bem. Sutil consistente, Fisichella estupendo no fim. Estupendo é forçar a barra, mas sexto lugar é legal para um aposentado.
Grosjean foi muito bem, fechando o dia à frente de Alonso, e lá em cima, em quinto. Nelsinho é que não deve estar gostando muito…
E a McLaren, que ficou em primeiro? E a Ferrari, em terceiro? Pois é… Eu acho que ambos podem brigar na frente, buscar pódio, certamente. Mas ganhar? OK, Hamilton não pode ser descartado. Kimi, que sempre anda bem na Bélgica, também vai incomodar.
Em resumo, a corrida está abertíssima. Há uma única certeza: Luca Badoer será o último no grid e o último na prova. E nunca mais vai guiar para a Ferrari. Em Monza, é capaz de colocarem o Luca di Montezemolo no cockpit.
Volto de tarde, agora vou gravar matéria para a TV.
SÃO PAULO(aqui, fog) – Bom dia, macacada. Como acontece ano sim, outro também, choveu hoje pela manhã em Spa. O primeiro treino livre começou com pista seca e frio, 17ºC, e deu tempo de alguns pilotos virarem tempos. Trulli foi um deles, na casa de 1min49s, nada de excepcional. Badoer estava 5s mais lento que ele…
Aí veio a chuva, e todo mundo recolheu. Pneus trocados, pouca gente na pista (Vettel, que poupa motor até o fim do ano, não fechou volta, assim como Hamilton), tempos entre 2min03s e 2min e cacetada, não dá para tirar conclusão alguma sobre performance.
Mas dá para preocupar a Brawn, que andou mal no frio, em Nürburgring e Silverstone, e esperava um pouquinho mais de calor na Bélgica. Está pintando Red Bull, mas ainda é cedo, como diz aquela música.
Spa é assim mesmo, desde as corridas de biga. O tempo segue fechado, mas pode abrir a qualquer momento. Por enquanto, em resumo, tudo loteria. Até porque a meteorologia indicava tempo seco no fim de semana, e começou desse jeito…
SÃO PAULO(é isso aí, gasolina na fogueira!) – Eu normalmente acho que os comissários esportivos das corridas têm sempre razão (não é a FIA quem decide essas questões em provas, mas sim os comissários, que variam de GP para GP), porque dispõem de vídeos, cabeça-fria e experiência para analisar, rapidamente, questões difíceis. Apenas para mencionar, pois não os conheço, os comissários que decidiram pelo drive-through a Hamilton (transformado em 25s a mais no tempo porque a corrida já tinha terminado) foram: Nicholas Deschaux, Surinder Thatthi e Yves Bacquelaine.
A punição foi embasada na seguinte sentença, que consta do documento #49 do fim de semana belga: “Cut the chicane and gained an advantage”. Cortou a chicane e ganhou uma vantagem. Matou a família e foi ao cinema.
Creio que há um equívoco essencial, aí. Hamilton não cortou a chicane para ganhar vantagem. Fê-lo (como escrevo bem!) para não bater em Raikkonen, o que é bem diferente. Uma coisa é o cara cortar caminho para fazer os outros de bobos. Outra é aproveitar que enfiaram asfalto em tudo que é canto dos circuitos para evitar uma batida, o que fez Lewis, e dali em diante seguir com o cortejo porque havia uma corrida ainda por terminar.
Portanto, acho que o trio de comissários partiu de um princípio que não condiz com a realidade dos fatos (como escrevo mal!), determinando logo de cara, para abrir a discussão, que Hamilton cortou a chicane e levou vantagem. Um julgamento duro e difícil de ser feito, não? O pobre do Hamilton mesmo disse, depois da corrida: “Devolvi a posição. O que mais eu poderia fazer?”.
Pois é, não sei bem. Talvez ir ao confessionário e rezar dez ave-marias, pedindo perdão por ultrapassar outro carro numa corrida de carros.
A McLaren recorreu da punição. A história recente avisa que são raríssimos os casos em que há uma mudança das decisões de comissários. Em todo caso, a equipe inglesa tem todo direito de chiar.
SÃO PAULO (tapetón) – Acaba de sair a decisão em Spa, Hamilton perde 25 segundos de seu tempo total de corrida e, assim, cai para terceiro. Felipe Massa herda a vitória e passa a ser o vencedor do GP da Bélgica, com Heidfeld em segundo. Hamilton fica com 76 pontos, contra 74 de Felipe.
Não mudo uma vírgula do que escrevi abaixo. Acho a decisão um absurdo, como seria absurda qualquer ação contra Massa em Valência pela saída do pit stop em que quase acertou Sutil.
E o mais irônico é que o único prejudicado pela suposta atitude antidesportiva de Hamilton, Raikkonen, sai da Bélgica no zero do mesmo jeito.
SÃO PAULO(under investigation) – Já vi que vai pegar fogo a discussão sobre a posição devolvida por Hamilton a Raikkonen depois que ele assumiu a liderança ao cortar a Bus Stop. Ninguém pediu, mas vai aí minha opinião. Na tentativa de ultrapassagem, Raikkonen foi duro e não tirou o pé, no que fez muito bem. Hamilton não teve alternativa e, para não bater, cortou a chicane e passou o finlandês. Ato 1 claramente descrito e resolvido.
A partir daí, por ter ganho a posição cortando caminho, Hamilton teria de devolver o lugar. Fez isso. O regulamento não diz se o piloto tem de devolver a posição pedindo desculpas, ajoelhando no milho, deixando o adversário abrir dez carros de diferença, ou implorando o perdão diante do altar. Aliás, não diz nada sobre isso. A praxe é apenas devolver a posição para não ser caracterizada uma ultrapassagem irregular. Hamilton devolveu. Ato 2 concluído.
Aí começa o ato 3. Era uma reta, Raikkonen estava acelerando, e Hamilton, assim que o adversário passou, fez o mesmo. A partir do momento em que Kimi retoma a posição, a corrida volta ao normal. Claro que Lewis tinha o carro acelerando e tracionado. Mas Raikkonen também tinha. E defendeu a posição como pôde. Foi o maior barato, um dos mais belos momentos do ano. Hamilton, no entanto, estava mais rápido. Passou na La Source, ainda foi tocado, e seguiu em frente. Fim do ato 3.
Enfim, não vi nada demais. Nem esperteza do primeiro, nem ingenuidade do segundo, nem atitude antidesportiva de qualquer um dos dois. Situação de corrida difícil, mas que foi concluída dentro dos conformes, como diria o outro.
SÃO PAULO(e como!) – Precisa ser macho para trocar pneu na penúltima volta. Alonso e Heidfeld fizeram isso. Voltaram feito foguetes com intermediários e foram passando todo mundo. O prêmio? Heidfeld, que passou a corrida toda empacado atrás de Vettel, da Toro Rosso, subiu ao pódio em uma volta. Alonso, que fez uma boa corrida andando um bom tempo em quarto, arriscou para beliscar um pódio e quase deu certo. Caiu para oitavo e terminou em quarto, mesmo, mas ao menos tentou algo.
Tristeza para os meninos da Toro, especialmente Bourdais. O francês fez sua melhor corrida no ano. Terminaria em terceiro, com o abandono de Kimi. Andou em quarto um bom tempo, segurou sem dificuldade Kubica e quem mais tentasse chegar perto. No fim, por causa da chuva, acabou em sétimo, atrás até de Vettel, o quinto colocado.
Mas que não se desespere, o simpático Bourdais. Em Spa, ele mostrou à Toro Rosso que pode ser um piloto de F-1 e que merece uma chance de continuar no ano que vem.
SÃO PAULO(gostei!) – Sabe jogo de basquete, que é um pé no saco o tempo todo e só se decide nos últimos 30 segundos? Pois é, o GP da Bélgica foi assim. Embora não tenha sido um pé no saco até os últimos metros, muito pelo contrário — teve bons momentos desde o início. Mas foi decidido nos últimos metros, isso foi. Graças à chuva, que pegou Raikkonen de calças curtas. Incrível, o finlandês. Estava renascendo para o campeonato, fazia até ali uma prova exemplar, depois de passar Massa e Hamilton nas duas primeiras voltas. Aí se apavorou quando Lewis chegou junto com a água. Perdeu a posição, recuperou, rodou, perdeu de novo e acabou batendo.
Resumo de Spa-2008 para Raikkonen: seu campeonato acabou de vez. E a ironia é que acabou a menos de duas voltas do fim de uma corrida que dominou com autoridade e competência. Só que é preciso ter tudo isso até a bandeirada, e Kimi escorregou quando não podia.
Para Massa, que fazia uma prova apenas discreta, para somar seis pontos, o segundo lugar foi uma dádiva. Não só pelos pontos, mas porque viu Raikkonen ser tirado da briga. A diferença para Hamilton aumentou, são oito pontos, é difícil ser campeão, mas pelo menos ele só tem de se preocupar com um adversário, agora.
Hamilton, por sua vez, mostrou uma determinação rara nas últimas voltas da prova. Se rodou de bobeira no começo, perdendo a posição para Raikkonen, foi para cima no fim, quando notou que de pneus duros a Ferrari não estava lá essas coisas. E a briga com o finlandês foi maravilhosa. Como aqueles últimos segundos que decidem os jogos de basquete, quando tudo acontece como se nada tivesse acontecido antes. Foi um barato, esse GP da Bélgica.
SÃO PAULO(e o resto todo) – Lá embaixo, o Q1 degolou os de sempre: os dois da Honda, os dois da Force India (quatro carros muito assíduos nas últimas filas) e um quinto que varia de corrida para corrida. Hoje foi Kazuki Nakajima, da Williams. A Honda continua dando seus vexames quinzenais, às vezes semanais.
No Q2, a decepção foi a Toyota, que vem bem no campeonato e, desta vez, não passou nenhum dos dois carros para o Q3. Nelsinho também decepcionou, depois de algumas recentes atuações mais sólidas. Ficou só em 12º. Alonso larga em sexto. E Coulthard, como vem acontecendo ultimamente, não se esforçou demais para ir à briga dos dez primeiros, ao contrário de Webber, que quase sempre chega lá (e ficou em sétimo no grid).
Um treino, em resumo, bem normalzinho em Spa. Como não teve chuva, ficou na média.
SÃO PAULO(e uns quitutes) – E a Toro Rosso cravou os dois no Q3, com Bourdais tendo cometido a façanha de fazer o melhor tempo de todos no Q1. Equipe interessante, essa. Mas que pode deixar de sê-lo em 2009. Já se fala que a Red Bull vai tomar os motores Ferrari de volta, despachando os Renault. E à Toro restariam, possivelmente, os Honda. Para abrigar Takuma Sato e alguns punhados de milhões de dólares de reforço no orçamento.
SÃO PAULO(bom para um chope) – Hamilton reverteu a situação de ontem e acaba de fazer a pole em Spa. Ele, que no começo da semana disse ter o melhor carro do mundo, foi 0s340 mais rápido que Felipe Massa na boa briga pelas duas primeiras filas na Bélgica.
É uma pole importante, mas não fundamental. Spa tem uma particularidade na primeira volta. O carro que sai grudado no da frente na Raidillon, depois da Eau Rouge, tem toda a enorme reta Kemmel para embutir no vácuo e tentar passar na freada para a Les Combes.
O que está na frente precisa usar de ardis para evitar a ultrapassagem. Deixar o carro no meio da pista, por exemplo, para dar o lado ruim ao adversário na primeira freada. Não é fácil, mas é possível.
Essa primeira volta vai ser interessante, com quatro carros parecidos se pegando.
Hamilton fez sua quinta pole no ano. A segunda fila também tem uma McLaren e uma Ferrari, Kovalainen e Raikkonen. Kimi, de novo, foi mais lento que Felipe. Começou a dar adeus ao campeonato. Se terminar atrás do brasileiro na corrida, é melhor esquecer. Na briga interna da BMW, Heidfeld deu um suspiro, o canto do cisne, e larga na frente de Kubica (quinto e oitavo).
SÃO PAULO (agora ou nunca) - Para Kimi Raikkonen, a última chance de ainda sonhar com o título é voltar a vencer domingo, em Spa. Tema da coluna Warm Up de hoje.
SÃO PAULO (sua aposta?) – Reginaldo Leme fala sobre os desafios de Massa neste fim de semana em Spa-Francorchamps na sua coluna Grand Prix. Leia lá, comente aqui!
SÃO PAULO (desse mato sai cachorro) – Bourdais em sétimo, Vettel em oitavo. E a Toro Rosso, graças a um motor que segundo a Red Bull é melhor que os Renault, vai se intrometendo, aos poucos, no grupo intermediário. Deixando a honra da lanterna (não se esqueçam que a equipe, até outro dia, era a Minardi) para ser dividida entre Force India (ex-Jordan, Midland e Spyker) e Honda (ex-BAR).
Vettel, falando nele, pode estrear na Red Bull em Cingapura. Comenta-se a boca pequena que Coulthard se despede em Monza, antecipando a aposentadoria. O alemãozinho teria quatro corridas para começar a se adaptar ao novo time. No seu lugar, na Toro Rosso, Sébastien Buemi ou Takuma Sato, que serão testados.
Não duvido nada. Depois da Itália, a F-1 vai para Cingapura, Japão, China e Brasil. Tudo longe demais para um cara que, como Coulthard, não tem mais nada a fazer na categoria.
SÃO PAULO(desse jeito…) – Rubens Barrichello ficou com o último tempo do dia em Spa. Torce, reza, implora para chover. E para chover muito. Porque se não for assim, a chance de andar até atrás dos carros da Force India passa a ser concreta.
É inacreditável o que se passa com a Honda. Quando vejo esse carro aí embaixo, não consigo acreditar que as carroças de Barrichello e Button tenham o mesmo DNA.
SÃO PAULO (tem coisa que não acaba nunca…) – Pois bem, macacada, com algum atraso, falemos desses treinos de hoje em Spa. Os melhores tempos, todos de manhã. O melhor? Massa, que é o piloto que vive melhor momento na temporada e tem mais é que aproveitar. Raikkonen ficou em segundo. O único piloto que fez tempo melhor de tarde que de manhã foi Sutil. Isso porque na segunda sessão choveu, parou, a pista molhou, aquelas coisas de Spa.
A Ferrari começa muito bem o fim de semana e Felipe, idem. O menino está muito focado, como adoram dizer os cronistas. E quem deve estar começando a se preocupar, agora, é Hamilton. Que disse, no início da semana, que a McLaren tem o melhor carro do mundo.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.