SÃO PAULO (semana cheia) – Pois é, Button não quis saber de conversa, ficou emburrado porque Ross Brawn não topou aumentar demais seu salário e se pirulitou para a McLaren. O time vai ter uma dupla de peso, claro, os dois últimos campeões mundiais, mas acho que Hamilton vai engolir o bonitão. Me parece mais piloto. Vai ser um bom ano para se medir a qualidade de Button, de qualquer forma.
E a Mercedes, agora? Vai encarar um campeonato com uma duplinha mequetrefe como Rosberg e Heidfeld? Pelo jeito, sim. A única resposta à altura seria contratar Raikkonen, mas pelo jeito o finlandês está mesmo a fim de chafurdar na lama, na neve, no barro e na poeira, disputando o Mundial de Rali.
E no fim das contas está sendo uma semana cheia de novidades. Mercedes despacha a McLaren e compra a Brawn, Kimi tira o time de campo, o campeão mundial troca de endereço… E vai ficar a pergunta, claro: Barrichello fez bem em assinar com a Williams? Se tivesse adiado a decisão, poderia se transformar no número 1 da nova Mercedes?
Difícil dizer. Ele poderia ter esperado, sim, mas nada garante que a Mercedes apostaria nele. Assim, foi atrás daquilo que considerou mais seguro.
SÃO PAULO(acho bom) – Esta notícia me foi enviada pelo Twitter por @borrifadinhas. Rubens Barrichello está acionando o Google para que sejam removidas do Orkut páginas com perfis falsos e outras ofensivas a ele. A empresa poderá ter de pagar R$ 1,2 milhão por perfil falso que for mantido no ar. Acho que Rubens, e qualquer pessoa, tem toda razão em pedir que o Google tire do ar esse lixo internético. O Orkut virou uma merda sem tamanho, uma ideia ótima que as pessoas, como sempre, se encarregaram de estragar.
SÃO PAULO (novidade) – Acabo de receber da assessoria de Rubens Barrichello o texto da coluna que ele publica no seu site e no “Lance!”. O piloto conta que escreveu voando de Abu Dhabi para a Inglaterra para “realizar um sonho”: guiar para a Williams, algo que, continua o texto, ele imagina fazer “desde criança, desde a primeira vez que vi um F-1 na TV”. Repdroduzo trechos:
Estou indo anunciar a minha contratação… Estou indo encontrar meu destino.Várias vezes nesses últimos 17 anos chegamos a conversar e a quase fechar um contrato, mas confesso que a hora boa é agora: nunca estive tão preparado, nunca estive tão bem guiando um carro e a Williams sabe vencer e tenho confiança no trabalho deles.
Foi já na prova de Barcelona que fui contatado por um jornalista inglês me perguntando se eu tinha contrato para 2010 porque tinha um time querendo os meus serviços (mal sabia ele que o meu contrato para 2009 era de somente quatro corridas e que o resto dependia do meus resultados e trabalho). Quis saber que time era esse, mas ele só me falou que era inglês e que não era um time novo… Só podia ser McLaren ou Williams. O coração bateu mais forte! Depois daqueles quatro meses sem saber se guiaria um F-1, logo na quinta prova do campeonato sendo procurado por um sonho.
Com a McLaren, cheguei a falar, mas foi mais para frente… No GP do Brasil exatamente. Uma grande equipe sempre a ser considerada, mas meu contrato com a Williams já estava assinado. E bem assinado… Estou indo para liderar um projeto na tentativa da equipe de voltar ao topo. E como quero isso…
Depois Rubens fala sobre a prova de Abu Dhabi, sem grandes novidades. Novidade, mesmo, é essa história de ter sido procurado pela McLaren no GP do Brasil. Indica duas coisas: que Kovalainen será mesmo descartado e que a coisa com Raikkonen anda complicada. Talvez por dinheiro. Talvez porque a Mercedes esteja pulando fora do time prateado, para jogar suas fichas na Brawn.
Tem coisa aí para acontecer nesse casamento McLaren-Mercedes. Picas grossas dos dois lados estiveram em Abu Dhabi para discutir. Advogados também. A McLaren está jogando duro. Quer de volta os 40% que a Mercedes tem na equipe sem pagar nada. Ao contrário: pretende receber por isso, e ainda exigiria motores de graça por dois anos. Coisas da engenharia financeira que eu nunca compreendo bem. Tem empresa que paga para se livrar do que tem, e pode ser o caso da Mercedes agora.
Anotem na agenda: no dia 1º de dezembro algum anúncio oficial pode ser feito.
SÃO PAULO(sol bom) – Foi no dia 11 de outubro que o Felipe Paranhos revelou aqui no Grande Prêmio que Barrichello tinha assinado com a Williams. Hoje, três semanas depois, vem a confirmação oficial do segredinho combinado, que todos tentaram negar nesse tempo todo sem sucesso. Às vezes acho esse pessoal da F-1 tão bobo…
Mas não tem importância quem falou primeiro e quem falou segundo. Falemos, sim, do que será dessa parceria, Rubens e Williams, piloto e equipe veteranos, um que realmente renasceu em 2009, outra que busca reencontrar o caminho das vitórias perdido lá atrás, quando se recusou a ser comprada pela BMW e se tornou a maior das independentes — o que não quer dizer muito.
Salvo engano, a Williams não vence uma corrida desde 2004 com Montoya, aqui em Interlagos. São cinco anos de jejum. Conseguirá algo com Barrichello e o novato Nico Hulkenberg? Esse alemãozinho (mais um no caminho de Rubens) é bom, ganhou por onde passou e é uma aposta para o futuro. O brasileiro será uma espécie de professor. A Williams vai andar de Cosworth e tem tradição de fazer bons carros, embora nos últimos anos tenha andado muito apagada. Nesta temporada, começou bem. Tinha difusor duplo e tudo mais. Mas fez um campeonato discretíssimo, entre outras coisas porque Nakajima é um piloto muito fraco.
Barrichello se junta a Piquet, Senna e Pizzonia na lista dos brasileiros que disputaram GPs para Frank Williams. O normal, aqui, seria dizer que não há milagres na F-1, e que por isso ninguém deve esperar grande coisa de Rubens em 2010. Mas a Brawn está aí para mostrar que milagres acontecem. Por isso, o melhor é esperar para ver os carros, os testes, os motores.
SÃO PAULO (e chega) – De todas as pessoas que encontrei hoje, ouvi: “Esse Rubinho é um cagado, mesmo”, “Puta azar deu o Rubinho”, “Esse Rubinho é muito ruim”, “O cara é muito azarado, tinha de furar um pneu?”, “Esse cara é muito ruim, não vai ser campeão nunca”, “Quando a gente mais espera dele, faz isso”.
E algumas variáveis sobre o mesmo tema.
Eu já tinha dessa impressão, mas depois deste fim de semana, tenho certeza. O problema de Barrichello não é ele, não são seus carros, não são seus companheiros de equipe. O problema de Barrichello é a TV Globo.
E por que a Globo, e não toda a mídia? Porque não se deve ter nenhuma ilusão. A imensa maioria das pessoas no Brasil só se informa sobre F-1 pela Globo. “Se informa” é um eufemismo, melhor corrigir. Digamos que a cultura de F-1 que a imensa maioria das pessoas tem no Brasil vem daquilo que a Globo diz.
E a Globo só diz besteira. A cultura de F-1 do brasileiro médio é zero, talhada pelas cascatas globais.
Barrichello não fez nada de errado ontem, não errou ao tentar a pole com o carro mais leve, não teve azar nenhum, não foi cagado. Mas a histeria global, martelada dia após dia — e quando a corrida é no Brasil, e ele está na pole, chega a ser quase uma lavagem cerebral, uma lobotomia —, faz com que o público aqui acredite que Rubinho do Brasil tem a obrigação de ganhar, e se não ganhar, das duas uma: ou sacanearam com ele, ou é um cagado que não tem mais jeito.
As pessoas veem uma corrida de F-1 aqui com zero de informação honesta. Ontem, depois de dez voltas já era possível afirmar que Rubens não venceria a prova. Simples: não abria de Webber e iria parar cinco voltas antes nos boxes. Cinco voltas, com um carro mais rápido e cada vez mais leve, seriam mais do que suficientes para Webber voltar à sua frente do pit stop. E Kubica, também. Ambos passaram.
Rubens apostou no clima instável de São Paulo, no que fez muito bem. Larga na pole, pula na frente, vai que chove no início, todos têm de parar, a vantagem do carro mais pesado é anulada. Ou, ainda: acontece alguma merda atrás dele, Webber se enrosca, Kubica bate, fica para trás, e a vantagem é igualmente anulada.
Mas há uma desonestidade editorial clara naquilo que a Globo faz, alimentando uma expectativa que não poderá ser cumprida. Porque corrida de carro é muito mais do que essa gritaria de “Vâmo, Rubinho!”, “Não erra agora, Rubinho!”, “Acelera, Rubinho!”. Corrida de carro tem lógica, é matemática, e quem mostra um evento desses a milhões de pessoas tem a obrigação de ser honesto.
Porque se não for, as pessoas não têm elementos para entender a derrota. E se amparam na explicação que está à mão: o cara é cagado, dá azar, não vai ganhar nunca. Ou, ainda: furaram o pneu dele de propósito.
E, aí, vai-se criando a fama, dia após dia, de perdedor, azarado, cagado. Uma farsa, uma mentira. A TV mente o tempo todo. Foi assim nos anos pós-Senna, em que Barrichello, de Jordan ou Stewart, não tinha a menor chance de ganhar uma corrida, embora a TV dissesse o contrário. Porque corria contra Williams, Ferrari, McLaren, Benetton. Depois, na Ferrari, a venda de ilusões baratas era igualmente cruel, porque contra um piloto como Schumacher, Barrichello jamais seria campeão. Não seria porque Schumacher era muito melhor. Se eu for companheiro de Barrichello numa corrida de qualquer coisa, não terei chance alguma de andar na frente dele. Deem um kart para ele e outro para mim, e ele vai chegar na frente todas as vezes. Entreguem um Lada igualzinho ao meu, e não vou ser mais rápido que ele nunca, em nenhuma volta.
Mas a Globo vende a esperança, porque acha que as pessoas só vão se interessar por seu evento se houver a chance de um brasileiro vencer, mesmo se for uma mentira deslavada, como na maioria das vezes. É um engodo, e uma sacanagem com o piloto. A expectativa que se cria por seus resultados é criada na TV. OK, muitas vezes Rubens embarcou na onda, mas é o menor dos culpados.
Se a TV não se dedicasse tanto a iludir seus telespectadores tratados como otários, Barrichello não seria zoado como é há anos, pela Globo inclusive. Poderia conduzir sua carreira com mais tranquilidade e serenidade. Ele não tem a obrigação de vencer por ninguém, pelo povo, pelo país. Tem obrigação de trabalhar direito para quem lhe paga, e por ele mesmo.
Um dia depois de uma corrida normal, na qual fez o que podia fazer dentro dos limites de seu carro e de seu talento, o coitado tem de aguentar um tijolo a mais nessa construção de uma imagem que não corresponde à realidade. Barrichello pode não ser o melhor piloto do mundo, está longe disso, mas é um dos bons dos últimos anos, como outros tantos. Nem muito mais, nem muito menos. Não estaria há tanto tempo correndo se não tivesse qualidades.
Quando parar, muito provavelmente sem ter sido campeão, terá para sempre colado na testa o rótulo de cagado, azarado, lento, o que for. Pode agradecer à TV por isso. Foi ela que, nesses anos todos, disse ao Brasil que Rubens era algo que nunca foi. Talvez ele nunca entenda isso, até porque adora ser bajulado pela Globo, com seu pseudo-jornalismo esportivo meloso, ufanista e cascateiro. Mas é assim.
SÃO PAULO (com colarinho, sempre) – A Itaipava gostou tanto de patrocinar a Brawn, o retorno foi tão grande, que a Cervejaria Petrópolis está firmemente disposta a seguir na F-1. Com Barrichello, para onde ele for. Há informações de que um emissário (talvez mais do que isso) da cervejaria já está a caminho da Europa para negociar valores. Mais especificamente, Inglaterra. Sendo mais preciso, Grove.
Por enquanto, é tudo que eu tenho. Quem contou foi um pássaro do oeste do Paraná. Que quando pia, acerta.
SÃO PAULO (cada uma…) – E adentra a sala de imprensa o filósofo, jornalista, escritor e cineasta Raul Moreira, cidadão que a Bahia forneceu ao mundo, portando a máscara abaixo. Está sendo distribuída nas cercanias do autódromo. Parece que alguma empresa aproveitou o, digamos, ensejo.
SÃO PAULO(enfim, acabou) – Rubens Barrichello conseguiu talvez a mais bonita das 14 poles de sua carreira, cinco anos depois da última, pela Ferrari, aqui mesmo em Interlagos em 2004. Foi parecida com algumas outras. De cabeça, lembro daquela de Spa pela Jordan em 1994, a primeira de todas. Foi buscar, em condições complicadas, difíceis para todos, mas… no quintal de casa. Rubens, apesar de um retrospecto ruim em Interlagos, anda bem nesta pista. E a coisa da “energia da torcida”, para ele, parece funcionar.
E a pole veio num treino longo, muito longo. Que começou na hora marcada, mas depois da primeira rodada, de Fisichella, com 4min de sessão, foi suspenso por causa da chuva. Primeiro, só oito minutos de interrupção. Um baita aguaceiro, e solta todo mundo na pista para degolar Vettel, Kovalainen, Hamilton, Heidfeld e o trágico Físico.
Aí começou o longa-metragem de Interlagos. A chuva não parava, a pista estava perigosa, e só depois de 24 minutos começou o Q2. Que foi logo interrompido porque Liuzzi se estampou no S do Senna. Eram 14h59. Depois de vários adiamentos por medo d’água, só às 16h10 as atividades foram retomadas, quando um solzinho tímido começou a aparecer pelos lados da represa de Guarapiranga. Já dava para andar.
O Q2 foi fatal para Button, que guiou mal e ficou em 14º. Barrichello passou na conta do chá, em décimo. “Eu precisava passar, porque sabia que com a pista secando meu carro seria muito competitivo”, falou agora há pouco.
Ficaram fora Kobayashi, Alguersuari, Grosjean, “Jênssãn” e Liuzzi, claro, com o carro batido.
Nas duas sessões, o carro que melhor se adaptou ao piso molhado de Interlagos foi o da Williams. Nico Rosberg liderou as duas primeiras partes do treino, com Nakajima sempre por perto. Virou o favorito à pole.
Mas Barrichello se superou no Q3, e a Williams amarelou. Com pneus intermediários, foram todos para o tudo ou nada e Rubens abriu o treino com o melhor tempo, 1min21s167, marca superada imediatamente por Kubica, Webber, Raikkonen, Trulli e Rosberg. Aí, o brasileiro voltou à ponta com 1min20s210. E a pista melhorando. Webber virou seu adversário direto. A briga seria entre os dois, e Barrichello fez 1min19s576. O australiano da Red Bull tentou dar o troco, mas virou 1min19s668. A torcida vibrou.
Sutil, com a Force India, cravou um excelente terceiro tempo, e os dez primeiros se completaram com Trulli, Raikkonen, Buemi (outra surpresa), Rosberguinho, Kubica, Nakajima e Alonso.
Button, num mau-humor compreensível, disse assim que saiu do carro que se Barichello fizesse a pole, a decisão poderia ir mesmo para Abu Dhabi. Em condições normais, é o que deve acontecer, mesmo. A distância entre os dois é grande e o inglês vai ter dificuldades até para pontuar. Rubens tem uma ótima chance de vencer pela primeira vez em casa, talvez a maior de todas, o que seria muito bonito para sua carreira. Adversário de verdade, por perto no grid, ele só tem Webber. O resto ficou para trás. Não saíram os pesos ainda, ele deve estar mais leve, mas não sei se muita coisa, não.
Só que o resultado dessa corrida é totalmente imprevisível, como o clima paulistano e, especialmente, o de Interlagos. O domingo pode ser como hoje, com idas e vindas dos cumulus nimbus pelos céus entre as represas, ou pode nascer ensolarado, ou apenas frio. Pode nevar e aparecer um furacão, também.
O que dá para antecipar, apenas, é que vai ser um corridão. Interlagos é bom para corridões.
SÃO PAULO(anuncie aqui) – Itaipava nas laterais e no aerofólio, Banco do Brasil na asa dianteira, Mapfre (seguradora espanhola com forte presença por aqui) na tomada de ar… O GP do Brasil está rendendo à Brawn, e o time deve agradecer a Barrichello, que também está enchendo as burras no fim de semana.
Certo ele, aproveita o bom momento. Rubens nunca teve grandes patrocinadores pessoais desde os tempos da Arisco e, ainda na Jordan, da Pepsi, Antenas Santa Rita, Ruffle’s e alguns outros.
Na Ferrari, Barrichello chegou a ter um pequeno patrocínio da Net atrás do boné (quem é que aprovou aquilo?, me pergunto até hoje…) e, depois, desencanou porque ganhava bem e não precisava complementar a renda como nós, mortais, com um bico aqui e outro ali.
Agora, além de levar esse monte de patrocinadores novos para o time, Rubens ainda tem Batavo no capacete, graças à sua corintianice explícita.
SÃO PAULO(blergh) – Semana de GP do Brasil é muito chata, com coletivas em que nada de muito útil é dito, pessoal do “Pânico na TV” e (agora) do “CQC” querendo fazer graça sem a menor criatividade, um nada geral. Apresentei agora há pouco a coletiva da Bridgestone, que em geral acontece com os pilotos brasileiros, mas neste ano só teve Barrichello de verde e amarelo, porque Nelsinho está atrás de uma caminhonete e Massa, só no ano que vem. Então, levaram Sutil.
Rubens não confirmou que já assinou com a Williams, o que é mais do que normal. Só vai falar nisso depois de o título estar decidido. De resto, nada de novo: esperança de vencer em casa, reconhecimento de que este é seu melhor ano na carreira, sonho de receber a quadriculada de Massa, essas coisas.
O “Pânico”, que três anos atrás entregou uma tartaruga a Schumacher, levou desta vez aquela japonesa gostosa, Sabrina Sato, com seus dois metros de pernas, e aquele sujeito eternamente dopado que fala “Ronaldo”. Sinceramente, não vejo muita graça nessas coisas quando ultrapassam o limite do razoável. É um pessoal meio inconveniente e insistente além da conta. E o corintiano chapado é trash demais, dá até pena.
SÃO PAULO(glorious sunny day) – Está no Grande Prêmio desde cedo. Barrichello assinou com a Williams em Monza, e defenderá o time de Grove no ano que vem. É a sexta equipe de sua carreira. Estreou na Jordan, passou pela Stewart, Ferrari, Honda e Brawn para finalmente chegar a um time que sempre teve estreita relação com o Brasil. Foi num carro alugado por Frank Williams, salvo engano, que Pace estreou. Depois, Piquet, Senna e Pizzonia, além da turma dos testes agendados pela Petrobras, como Bruno Junqueira, Max Wilson, Sperafico (qual deles?), João Paulo de Oliveira.
Rubens, como escrevi outro dia, é a grande história do ano na pista, pela forma como renasceu. Estava desempregado em janeiro. Menos de um ano depois, tem emprego garantido para mais uma ou duas temporadas.
Só que, claro, não vai ser campeão. A decisão de sair obviamente foi tomada em consequência de decisão previamente assumida pela Brawn de não ficar com ele em 2010. Assim, achar que o time marca-texto vai abrir mão do número 1 no ano que vem é ingenuidade. Button, se não teve até agora, terá prioridade nas duas últimas corridas da temporada.
BERLIM(e faz frio…) – Por conta de tantas polêmicas extrapista, o mercado de pilotos só foi pegar no breu agora, em Suzuka. Alonso fechou com a Ferrari, Raikkonen não sabe se casa ou se compra um guarda-chuva, Kubica vai para a Renault, Rosberguinho deve acabar na Brawn, Barrichello caminha para a Williams, que por sua vez terá motores Renault, a Toro Rosso confirmou Alguersuari e Buemi para 2010, Bruno Senna fala com a Force India (a Petrobras está na parada), Kovalainen foi visto em longo papo com Bob Bell e pode voltar à Renault…
No que diz respeito a Barrichello, está claro que a temporada 2009 não só lhe deu uma sobrevida, como o valorizou. Tentar adivinhar o que será da Williams no ano que vem é exercício de futurologia. Menos do que a Brawn, possivelmente. Mas mesmo a Brawn é um mistério. Uma coisa é acertar a mão num carro de forma surpreendente, como aconteceu neste ano, ainda tendo à disposição a verba que a Honda investiu no próprio. Outra é imaginar como será na próxima temporada, sem que se saiba ainda de onde virá a grana.
De qualquer forma, será bom para Rubens ficar num time que ainda carrega as glórias do passado e que, nos últimos tempos, é dos poucos que não se envolveu em escândalo nenhum.
Sobre Massa e Alonso, as declarações dos últimos dias são as esperadas. Igualdade de condições, dupla competitiva, e um rosário de elogios ao espanhol por paete dos dirigentes da Ferrari, o que é mais do que normal. E Fernandinho, como eu achava, quer mesmo encerrar a carreira em Maranello. Como Schumacher.
SÃO PAULO(um só) – Esse GP de Cingapura não merece mais do que um post. Sem armação de equipe alguma, a corrida não tem a menor graça. Mas vamos nos desdobrar. O mais relevante para o campeonato, claro, foi o fato de Button ter conseguido terminar à frente de Barrichello, mesmo tendo largado atrás. Isso só aconteceu justamente porque… largou atrás. Não foi ao Q3, pôde começar a prova mais pesado e ganhou a posição do companheiro, a quem marcou homem-a-homem desde as primeiras voltas, nos boxes.
Poderia ter levado já no primeiro pit stop, adiado ao máximo, mas a entrada do safety-car após a batida entre Sutil e Heidfeld adiou, também, a ultrapassagem. Rubens fez sua segunda parada na volta 46 e Jenson, na 51. Quando Barrichello retornou à pista depois de seu segundo pit stop, Button tinha mais de 25s de vantagem graças a uma sequência de boas voltas. Era o bastante para, com uma parada rápida, sair dos boxes ainda à frente. Barrichello, para piorar as coisas para seu lado, revelou depois da prova que seu motor morreu na parada, tirando-lhe segundos preciosos.
As últimas voltas foram dramáticas para o inglês, com problemas nos freios. Sorte dele que tinha uma boa distância para o brasileiro. Tirou o pé, levou o carro para casa, como pediu pessoalmente Ross Brawn pelo rádio. E foi o quinto colocado, uma posição à frente de Rubens. Depois de três provas seguidas terminando atrás do companheiro (a última vez tinha sido na Hungria), Button esboça uma reação. Aumenta de 14 para 15 pontos sua vantagem na classificação, agora com uma corrida a menos pela frente. Rubens precisa tirar 16 pontos em três GPs, porque um eventual empate daria o título ao britânico, que tem seis vitórias, contra duas do parceiro. Tudo pode acabar no Japão se, por exemplo, Button vencer e Barrichello terminar em quarto.
Foi um balde d’água fria no brasileiro, que teve interrompida sua sequência de bons resultados com uma apresentação apenas normal. Button, por outro lado, parece ter colocado fim de vez a uma série de más apresentações. Já havia andado bem em Monza e, hoje, foi maduro o bastante para compensar a péssima classificação com uma atuação segura e inteligente na prova, pensando exclusivamente em chegar perto do outro carro da Brawn.
Rubens não tem muito mais a fazer com seu marca-texto até o fim da temporada. Precisa continuar pilotando de forma agressiva e cruzar os dedos para Button ter algum problema no meio do caminho.
SÃO PAULO(aqui, sol) – Hamilton cravou a pole em Cingapura, o que me deixou muito feliz porque acertei no bolão de Victor Martins. Mas meus outros palpites estão quase todos furados. Para a corrida, fiz apostas seguras nos dois pilotos da Brawn e arriscada em Raikkonen. Mifu.
Estranhíssima essa Brawn hoje. Barrichello já começou o dia com a má notícia da troca do câmbio, que cedo ou tarde aconteceria. A peça foi submetida a certo stress (estresse, para quem gosta) na largada em Spa e estava no bico do corvo. Mas os carros estavam andando bem, Button inclusive, até o Q1. No Q2, o inglês foi eliminado de forma medíocre, e Barrichello conseguiu arrancar uma volta a fórceps no fim para entrar no Q3.
Aí, bateu. Me deu a impressão de que foi algo no assoalho. Rubens está guiando de maneira bem agressiva e acabou no muro. Mas não ficou tão ruim para ele. O treino foi interrompido, ninguém mais melhorou e acho que ninguém o superaria, mesmo, porque os que estavam atrás não davam pintas de.
Assim, o brasileiro fechou o Q3 em quinto, o que dá décimo, somando os cinco lugares que perderá pela troca do câmbio. Ainda assim, larga na frente de Button, 12º. Jenson, ou “Jêissãn”, como dizem alguns repórteres, terá ao menos a chance de marcar Rubens de perto na corrida. Ele não vê a hora de o campeonato acabar. A normalidade indica que deve perder mais uns pontinhos dos 14 que mantém de vantagem, mas não muito. Se sair de Cingapura com 10 ou 12 na frente de Barrichello, estará no lucro, ainda. Afinal, faltarão “menas” corridas, apenas três.
SÃO PAULO(mas os meus cabelos…) - Rubens Barrichello reuniu hoje jornalistas no kartódromo da Granja Viana para reeditar uma brincadeira que fizera pela primeira vez em 1993, no final de sua primeira temporada na F-1. Infelizmente não pude ir, porque estava escalado para um programa na TV. Foram mais de 20 pés-de-breque que disputaram duas baterias (o Rubinho só deu umas voltas; piloto de verdade, nessas coisas, é covardia) e no final o vencedor geral foi Betto D’Elboux, que já teve experiência em corridas de carro, também. Conhece do assunto.
Naquele de 1993 eu fui. A festa aconteceu no kartódromo de Interlagos, e encontrei uma foto. Eu tinha até rabo-de-cavalo! No meio da pista, com o boné enorme da Arisco, está o Rubinho — na época era Rubinho, agora cresceu demais.
Não me lembro bem da minha atuação, o que significa que deve ter sido um desastre. Acho que rodei na minha bateria, ou me bateram, e acabei não indo para a final. O que me deixou naturalmente pistola da vida.
Mas nem tudo foram espinhos nessa minha curta carreira de corridas promovidas por ou disputadas com pilotos de F-1. Uma vez, na Inglaterra, convidamos Barrichello e Christian Fittipaldi para um indoor. Combinamos que o grid seria invertido, senão não ia ter graça nenhuma. Larguei em antepenúltimo, na frente apenas dos dois. Mas na primeira volta me deram uma chapoletada (está under investigation até hoje) e me ferrei. Anos depois, Pedro Paulo Diniz levou a putaiada para a Granja com a turma da Arrows e eu cheguei em segundo ou terceiro, não lembro bem.
Finalmente em 2005, a BAR fez um evento com o Button e o Bernoldi como instrutores, em Aldeia da Serra, e essa eu ganhei. Mas eles não correram. Juro que ganhei. Só não encontro a foto do pódio, mas uma hora eu acho. Se não me engano, já coloquei essa foto aqui. O macacão era uns três números maior que o meu, normalmente comprado na Petistil. Mesmo com o peso extra, mandei o sabugo. Eu já trabalhava na ESPN na época e mandamos repórter lá. Lembro que ele entrevistou o Button e perguntou se alguém na pista andava alguma coisa. E ele apontou pro meu kart e falou: “Aquele ali é impressionante”.
Tá gravado. Mas pode ser que tenham apagado a fita, essas coisas acontecem.
SÃO PAULO(vejam logo) - Para fechar o barraco, torcendo para que não tirem do ar logo, vejam as largadas de Barrichello, Kimi, Button e Hamilton on-board. A largada de Rubens, depois que o carro saiu do lugar, foi esplêndida. Lembrou muito o Meianov em Interlagos. A do Raikkonen, idem. E pela câmera do brasileiro muita gente vai rever o que falou do Grosjean. Ele não bateu mesmo no Button. Foi acertado pelo inglês. Vou ter de refazer a nota que dei para o francês. Ele não teve culpa.
SÃO PAULO (tudo na mesma) – Jenson Button, ao fim e ao cabo, deu sorte. Deixou de pontuar pela primeira vez no ano e o piloto que cresceu na semana passada, Barrichello, marcou apenas dois. Assim, a diferença que era de 18 caiu para 16 e em vez de seis, faltam cinco corridas para acabar o campeonato. O prejuízo poderia ter sido bem maior, porque igualmente Webber ficou fora dos pontos. E Vettel, mesmo marcando seis e estando na briga, ainda aparece mais distante na classificação e tem o problema dos motores.
Button, pelas imagens, foi tirado da corrida por Grosjean, mas não tem do que reclamar. Quem se classifica mal e larga no pelotão da merda está sempre muito mais sujeito a essas coisas do que quem parte na frente. O mesmo vale para Hamilton. Grosjean não admite erro algum e diz que foi ele que foi tirado da prova por Button. Preciso ver outras imagens para tirar alguma conclusão. De qualquer forma, depois de duas corridas, Romain Juba de Leão ainda não fez nada muito diferente de Nelsinho Piquet. Mas antes de umas três ou quatro provas, qualquer julgamento sobre o francês é precipitado.
Barrichello, pela terceira vez no ano, empacou na largada. Vai ter gente que acha que foi sabotagem, como sempre. Ainda não sei o que ele disse, além de detectar o mesmo problema, o “antistall” que deixa o carro em ponto morto. Pelas circunstâncias, salvou dois pontinhos. Caiu lá para trás no começo, deu sorte com o acidente que tirou quatro carros de sua frente, usou bem a entrada do safety-car, equilibrando as coisas com a parada que seria feita muito no início, foi decidido com várias ultrapassagens na primeira parte da prova, mas quando chegou na turma mais veloz, acabou ficando.
E deu mais sorte ainda no fim, com o motor prestes a estourar e conseguindo fazer duas voltas daquele jeito. Se tivesse conseguido largar bem, tinha chances de buscar um pódio, ou terminar em quarto ou quinto. Não venceria. Fisichella e Kimi estavam bem mais rápidos.
Para buscar o título, insisto, precisa fazer pelo menos umas três corridas excepcionais como a que fez em Valência. Não é fácil. Button pode chegar perder dele em todas as provas, que ainda assim será campeão, desde que permaneça sempre uma ou duas posições atrás do brasileiro.
SÃO PAULO(acho que vai esfriar) – “A Rubens, o que é de Rubens” é o título de minha coluna Warm Up de hoje, exaltando a beleza de sua vitória em Valência, embora ele não tenha passado ninguém (quando era o Schumacher, todo mundo reclamava…). E na inevitável especulação sobre suas possibilidades de título, este que vos bloga faz prognóstico sombrio para o brasileiro: ele teria de encaixar uma sequência de quatro ou cinco grandes corridas, algo que nunca fez em 17 anos de F-1.
SÃO PAULO (que sol lindo, barbaridade!) – Reginaldo Leme celebra as 100 vitórias brasileiras na F-1, mas faz a ressalva: o título para Barrichello ainda é tarefa difícil. Sua coluna de hoje está aqui. Comentem!
SÃO PAULO (merecido) – Rubens Barrichello mereceu nota 10 de todos os integrantes do Grande Prêmio que avaliaram os pilotos no GP da Europa. Desconfio que foi seu primeiro 10 desde que a gente começou a dar notas em grupo. Não lembro quanto tirou no ano passado em Silverstone. Eu ia tirar uns décimos porque ele chegou à pista com a camisa do Corinthians, ma relevei.
O segundo melhor foi Kimi Raikkonen, com média 8,5, seguido por Lewis Hamilton, com 8,4. A turma foi implacável com Jenson Button, média 3,8. O pior, esse é fácil: Luca Badoer, com média 0,8.
Button segue na liderança geral. Daqui a pouco a página será atualizada com as médias depois de 11 etapas.
Gostou das notas? A turma foi justa? Exagerada? Os comentários, aqui…
SÃO PAULO(ótimo, as always) – Como sempre, impecável a análise de Andre Jung sobre o GP da Europa. Ele diz, lá pelas tantas, que se Barrichello corresse a vida toda como correu em Valência, o Brasil “seria Rubens desde criancinha”. Mais pura verdade. Andre “tira o chapéu” para o brasileiro e também chama a atenção para um detalhe que tem passado despercebido na F-1 deste ano: com os novos difusores, a dependência aerodinâmica dos carros voltou e as ultrapassagens têm sido tão difíceis quanto sempre foram.
A ilustração é da Marta Oliveira. Leiam lá, comentem aqui!
SÃO PAULO (ufa, terminei!) - Todo o pessoal da McLaren, nas declarações oficiais e também nas entrevistas fora dos comunicados de imprensa, acha que Barrichello ganharia a corrida mesmo se Hamilton não tivesse tido o problema que teve na segunda parada. É possível que todos tenham razão. Quando foi para os boxes, na volta 37, Lewis tinha menos de 4s de vantagem para o brasileiro, que encaixou três voltas voadoras e poderia passá-lo na parada seguinte. Que foi feita na 40ª, mas poderia ter sido feita um pouco depois. Pelos cálculos da McLaren, a vantagem, para que Hamilton tivesse chances de vencer, teria de ser de 7s ou 8s.
Apenas para constar, a primeira parada custou a Lewis 22s218 e a segunda, 25s599. No total, perdeu 47s817 nos boxes. Rubens gastou 20s972 e 19s021, total de 39s993. Foram 7s824 de “lucro” em relação ao mclariano. Não dá para afirmar com 100% de certeza que ele voltaria na frente, nem o contrário. Seria muito próximo, de qualquer forma, bem mais do que acabou acontecendo, com o marca-texto voltando bem à frente de Hamilton, mais de 6s.
A tática da Brawn foi muito inteligente. Barrichello abriu mão da pole porque sabia que na largada, com KERS, Hamilton e Kovalainen provavelmente conseguiriam passá-lo. Preferiu largar um pouco mais atrás, mais pesado, para resolver a corrida nas “janelas” de voltas em que ficaria na pista depois das paradas dos prateados. Ontem eu dizia que precisaria de uma largada assombrosa. Falei besteira. Se conseguisse se manter perto de Kovalainen, desde que Hamilton não sumisse na frente, já daria. Rubens ficou perto de Kovalainen, Hamilton não sumiu na frente, e ainda teve o piripaque no pit stop. Assim, deu tudo certo para ele.
Barrichello não ganhava uma corrida havia cinco anos. Eu arriscaria dizer que não fazia uma boa corrida de verdade havia cinco anos — com a exceção de Silverstone no ano passado, um pódio circunstancial, porém, um bom resultado, claro, mas não necessariamente uma boa corrida.
E vocês, o que acham?
(Famosa pergunta para turbinar comentários, hehehe…)
SÃO PAULO (todo mundo com pressa) - Muito bonita e emocionante a vitória de Barrichello em Valência. Na verdade, bonita porque emocionante, se é que vocês me entendem. A corrida em si foi bem chata, como fora a do ano passado nesse circuito que tem forma, mas não conteúdo.
Tecnicamente falando, a melhor parte da prova foram as voltas de Rubens antes do segundo pit stop. Impecáveis, que lhe dariam a chance de brigar pela vitória (seria difícil conseguir) mesmo se a McLaren não tivesse atirado a corrida de Hamilton pela janela, ao se atrapalhar no pit stop. Coisa rara: para a McLaren, um erro desses, e para Barrichello, uma sorte dessas.
O brasileiro aproveitou. E conquistou a 100ª vitória de um piloto do país na F-1. Está em boas mãos, a marca histórica. Rubens é um sobrevivente, um cara batalhador, que pode não ser brilhante, fenomenal, mas tem seu nome assegurado na história da categoria pela longevidade e por algumas atuações dignas de lembrança de todos que gostam de corridas.
No rádio, Ross Brawn lhe deu os parabéns e lembrou “os velhos tempos” de Ferrari. Isso deve ter emocionado Barrichello mais ainda, porque ele sabe que a longa carreira está chegando ao fim, e os tempos tendem a ser, mesmo, cada vez mais velhos. É legal ter uma trajetória escrita, construída com sangue, suor e lágrimas. Essa vitória de hoje pode até ser interpretada como um belo ponto final de uma carreira honesta, embora cheia de altos e baixos.
Mas ainda faltam algumas corridas, e talvez esse ponto final possa ser outro. A diferença entre Rubens e Button, que fez uma corrida medíocre, caiu para 18 pontos. É bastante, ainda, considerando que mesmo não andando nada, Jenson tem condições de administrar a vantagem. E a lógica do campeonato, até o fim, indica que a Brawn não vai lutar por vitórias com a mesma facilidade que teve no começo do ano. A McLaren está muito na briga, e a Red Bull, em condições normais, também. Até a Ferrari, com Kimi, anda colocando o pescocinho para fora do engradado.
Em resumo: a chance de título para o brasileiro é pequena, e Button segue sendo o favorito, mais pelo que fez na primeira metade do campeonato do que pelo que não está fazendo ultimamente. E ele, Button, ganha cada vez mais aliados, gente capaz de tirar pontos de seus adversários enquanto ele soma os seus.
SÃO PAULO(eu perdi muitos) – Todo mundo falando dos pesos da pilotaiada em Valência. OK, falarei também. De fato, o terceiro lugar de Barrichello é digno de aplausos. Apenas 0s065 atrás de Hamilton, com quase 9 kg a mais de gasolina, é um resultado expressivo. Seria um candidato à vitória se não fosse (não, não vou dizer “se não fosse o Rubinho”) o KERS nos carros dos dois da frente, Hamilton e Kovalainen. Rubens deve fazer sua primeira parada três ou quatro voltas depois que os pilotos da McLaren. Mas para ultrapassar qualquer um dos dois, teria de andar junto deles até a parada, para estilingar depois e voltar dos boxes à frente.
Não é bem a maior característica de Barrichello, reconheça-se. E, com o KERS, a tendência é de a dupla saltar à frente, e Kovalento segurar quem vier atrás, seja Rubens, seja Vettel.
Assim, para o brasileiro uma largada assombrosa é a chance de lutar de verdade. Se ficar um pouco para trás, não chega mais. Dos que estão atrás dele, deve se preocupar apenas com Raikkonen, de novo por causa do KERS. Em condições normais de temperatura e pressão, Vettel e Button não vão pro pau. Têm muito a perder. Um campeonato inteiro.
SÃO PAULO(ato falho) – “Nelsão era um grande piloto, mas tem muito a aprender como pessoa. Nelsinho é o contrário.” Foi mais ou menos isso que Rubens Barrichello disse hoje em Valência ao comentar a demissão de Piquet-pimpolho da Renault. Claro que dá para entender o que quis dizer, mas não deixa de ser engraçado. Quer dizer que Nelsinho não tem nada de grande piloto?
Bem, não peguemos no pé, Rubens falou na melhor das intenções e ele tem, de verdade, excelente relacionamento com Nelsinho e Massa. Foi apenas uma curiosidade verbal. Barrichello, aliás, vive dias de paz e serenidade, aparentemente — quem o segue pelo Twitter nota isso. A Brawn luta pelo título, mas ele, não. As vitórias que Button acumulou no começo do ano dificilmente se repetirão, o que tira do brasileiro a obrigação de vencer corridas, algo que não conseguiu quando seu time estava por cima, na primeira metade do campeonato.
Pouco se fala sobre o futuro de Rubens na F-1. Há muitas possibilidades, inclusive numa dessas equipes estreantes, mas mantenho meu palpite pós-acidente de Felipe na Hungria. Acho que ele deixa a categoria e começa a se estabelecer de vez no Brasil. Puro palpite, que fique bem claro.
SÃO PAULO (cheio de onda) – Li isso ontem no Twitter de Rubens Barrichello, mas não dei muita bola — afinal, a verborragia de Rubens é bem conhecida de todos. Hoje, porém, notei que saiu nos jornais e repercutiu. Para quem não viu, no miniblog o brasileiro diz algo como “tem mais do que uma simples dor no pescoço aí”, referindo-se à desistência de Schumacher de voltar à F-1.
Barrichello já falou várias vezes sobre o livro que nunca vai escrever, contando “tudo” de seus tempos de Ferrari. E parece não se livrar do fantasma de Schumacher. Os seis anos de Maranello são algo mal-resolvido em sua vida. O comentário sobre Schumacher foi gratuito e desnecessário. A não ser que ele saiba de algo que ninguém sabe. E, se sabe, que conte. E, se não quer contar, que não insinue nada.
Porque, desse jeito, dá a impressão que tem mais, mesmo, que uma dor no pescoço nessa história toda. Talvez no cotovelo.
SÃO PAULO (sempre ele) – Curiosidade levantada pelo Felipe Paranhos no Grande Prêmio. Como Felipe Massa não corre em Valência porque está se recuperando e Nelsinho Piquet também não, porque deixou a Renault, haverá apenas um piloto brasileiro no grid do GP da Europa. Isso aconteceu pela última vez em 2002 nos EUA, com Barrichello como representante único do país na corrida. Em 2005 também, mas outros brasileiros estavam inscritos para a corrida de Indianápolis, e não largaram por causa da história dos pneus Michelin.
SÃO PAULO(falando em túnel do tempo…) - Foi no Twitter de Rubens Barrichello que lembrei que hoje, 30 de julho, fez nove anos de sua primeira vitória na F-1, no GP da Alemanha. Sempre que me pedem para fazer uma daquelas listas bobas de “as cinco maiores corridas”, ou “os cinco maiores pilotos”, ou “as cinco maiores ultrapassagens”, menciono essa prova. Foi mesmo um corridão de Rubens, que largou em 18º e, no fim, se manteve na pista molhada com pneus secos. Vale a pena rever.
SÃO PAULO (boa, Mantova!) - Nossos blogueiros talvez tenham notado a camiseta de Barrichello em Budapeste. O desenhinho é do nosso gênio Bruno Mantovani, criador dos “Pilotoons”. Maior orgulho! Claro que o Bruno tem uma vasta carreira de designer, mas eu só fui descobri-lo aqui neste bloguezinho mixuruca. Vale lembrar que tanto a pintura do #96 como a do Meianov são de sua autoria…
SÃO PAULO(é isso aí) – Ano passado, não lembro bem em qual corrida, Barrichello chegou ao autódromo com a frase “older and faster” pintada na camiseta. Acho que foi logo depois de seu aniversário. Hoje, apareceu em Hungaroring com a inscrição “Mr. Happy”, para dar o recado claro: o que aconteceu depois do GP da Alemanha já morreu. Pelo menos é o que ele garante. Foram trocados telefonemas com Ross Brawn, e-mails com membros da equipe e, jura o brasileiro, está todo mundo feliz no time. Como diz a camiseta.
Acho simpático esse negócio de passar mensagens por camisetas. Todo mundo faz um pouco isso, afinal. Até o Collor, quando saía para correr da Casa da Dinda, lembram? Era cada dia uma camiseta diferente, até que nos cansamos delas e lhe demos um pé na bunda.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.