SÃO PAULO (acelera, Gomes) – Meu amigo Peter Kober acaba de enviar as primeiras fotos do Malzoni brasileiro já exposto no Audi Museum Mobile (o nome oficial do museu é esse). Atrás do carro, um imenso painel falando sobre o carro e a aventura da DKW no Brasil, via Vemag. “DKW na Audi?”, perguntará o incauto. Sim, a DKW é uma das marcas que deram origem ao que é hoje a Audi. Mas creio ser essa história mais do que conhecida.
SÃO PAULO(no lugar certo) – Venho à vossa presença para informar, orgulhosamente, que o GT Malzoni brasileiro foi colocado hoje no museu da Audi em Ingolstadt, e lá ficará exposto até o dia 30, sozinho, num dos andares do prédio, para deleite dos visitantes — o piso destinado a exposições temporárias. Depois, será incorporado ao acervo histórico da marca para participar de eventos de clássicos por toda a Europa. Mais para a frente, quem sabe possamos organizar uma exposição só com DKWs brasileiros por lá, levando um Candango, um Fissore, um Belcar 1967, quem sabe até um Moldex.
SÃO PAULO(valeu a pena) – Foi em julho de 2007 que fiz um primeiro contato por e-mail com Peter Kober, assessor de imprensa da Audi Tradition. É o braço da Audi que cuida do acervo histórico da marca. Escrevi para oferecer a eles meu DKW de corrida, o saudoso #96, para o museu de Ingolstadt. Afinal, era o último DKW correndo regularmente no mundo e eu já tinha decidido encerrar sua carreira. Não queria nada, um tostão sequer, apenas mandar o carro para a Alemanha, onde ficaria muito bem guardado.
Peter respondeu e nasceu uma bela amizade, que se tornou maior ainda porque ele é casado com uma brasileira e adora futebol.
Meses antes, em Goodwood, a Audi levara um Type C para exibição e Emerson Fittipaldi, um dos convidados de honra do evento, foi ver o carro de perto e comentou com Peter que, nos anos 60, tinha pilotado um DKW no Brasil.
O #96 não interessou, mas a história do Emerson com um DKW, sim. E contei a ele exatamente o que foi isso, as Mil Milhas de 1966, que o Rato quase ganhou, correndo em dupla com Jan Balder, pilotando um Malzoni. “Malzoni?”, perguntou Peter. “O que é isso?”
Expliquei, e a cabeça fervilhante do meu amigo, fã de Sócrates e Éder, começou a trabalhar de maneira incontrolável, até que chegou à conclusão: queremos um Malzoni para o museu.
No fim daquele ano, Peter veio ao Brasil com Ralfie, o cara da Audi Tradition que caça carros das quatro argolas por todos os cantos do mundo. Queriam conhecer meus DKWs e saber como arrumar um Malzoni. No fim, decidiram levar também um Belcar 1967 e um Fissore, carros feitos pela Vemag que lá eles não tiveram, novidades absolutas para a turma de Ingolstadt.
Arrumei um Malzoni no Sul com outro grande amigo, mas ele precisava ser totalmente restaurado, iria levar algum tempo. Não quis vender nem meu 67, nem meu Fissore, que a Audi quis comprar. Essa etapa ficou para depois, já arrumei os carros, também, eu e Doctor Hélio Marques, e mantivemos essa história toda sob sigilo para não inflacionar valores e para não aparecerem espertalhões no meio do caminho — esse meio dos caros antigos tem alguns tubarões, como em todo lugar.
Nem eu, nem o Hélio levamos um centavo nisso tudo. Nossa recompensa foi poder participar do maior encontro de DKWs do mundo no ano passado em Zwickau, com um carro do museu para cada um passear — o meu foi um 3=6 amarelo conversível, o do Hélio foi uma Schnellaster vermelha recém-restaurada.
E, claro, a recompensa maior: deu tudo certo. Hoje o Peter me escreveu para avisar que dois anos e quatro meses depois do nosso primeiro contato, o Malzoni chegou à Alemanha. E, em breve, estará exposto no museu da Audi em Ingolstadt. É algo que me enche de alegria e orgulho. Primeiro, porque é a constatação de que dá para fazer as coisas sem pensar em dinheiro, sem passar por picaretas, sem olhar para o mundo como se tudo não passasse de um grande comércio de coisas e ideias. A gente queria, apenas, ver um Malzoni em Ingolstadt. E isso aconteceu. O segundo motivo desse orgulho e alegria é saber que o carro estará imortalizado na Alemanha, legítimo fruto da imaginação e do trabalho de Rino Malzoni, Anísio Campos e Jorge Lettry, pessoas tão caras a nós, que amamos a história da Vemag.
Essa foto valeu meu dia, é o resultado de uma paixão meio desembestada e inexplicável por um carro, uma marca, um cheiro.
Peter é o carequinha segurando a bandeira do Brasil. Danke, my friend. Como a gente diz aqui (espero que a Claudinha traduza), você é o cara.
SÃO PAULO(gostaram?) – A Audi, no ano de seu centenário, anuncia uma ligeira mudança no seu logotipo. O novo está aí do lado. Neste link, uma comparação com o antigo. Há uma diferença nas argolas, que perdem um pouco de profundidade (não entendo nada disso, embora adore design) e ficam mais, digamos, chapados, e uma grande mudança na tipologia usada no nome Audi.
Não gostei da nova, ficou muito comum. As fontes antigas eram exclusivas da Audi e eram utilizadas pelo menos desde os anos 20, com pequenas variações.
Mas quatro argolas são quatro argolas. E os DKWs de nova geração continuarão tão bons quanto sempre foram. Essas mudanças só servem para torrar dinheiro da empresa, que precisa alterar todos seus impressos, luminosos, cartazes, programas de computador e o diabo a quatro.
SÃO PAULO(velinhas) – 2009 é o ano do centenário da Audi. Por isso meus amigos de Ingolstadt estão enlouquecidos, e nem vou ao encontro de DKWs deste ano em julho na Alemanha, como no ano passado. A Audi não vai poder levar carros do museu e o evento vai ser prejudicado. Ano que vem a gente volta. Mas voltando ao centenário, a “Der Spiegel” fez uma pequena galeria de fotos que pode ser vista aqui (dica de blogueiro que não deixou o nome) para celebrar a data.
Escolhi esse Typ-K, de 1923, para ilustrar a nota. Qualquer semelhança com o Belcar é isso mesmo, semelhança. Não tem nada de coincidência.
SÃO PAULO(esses chinos…) – Esse poderia ser o nome da trapizonga aí, apresentada ao mundo no Shanghai Motor Show e à blogaiada pelo blogueiro Sete. Trata-se de um esportivo ainda não em produção da famosíssima Tong Jian, e foi batizado de S11, com o S, no logotipo, lembrando um pouco um 9, o que nos remete imediatamente a 911, o número cabalístico da Porsche.
Notem que a frente é do Audi R8, assim como o perfil lateral. Traseira e interior foram, digamos, inspirados na Ferrari F430.
Mais um Xing-Ling dessa turma que copia tudo e não tá nem aí.
SÃO PAULO(acontece) – Os leõezinhos ganharam. Gené/Wurz/Brabham acabaram com a sequência de vitórias da Audi em Le Mans e levaram o Peugeot 908 à vitória na manhã de hoje. Pior para a Casa de Ingolstadt: os caras fizeram dobradinha, com Bourdais/Sarrazin/Montagny em segundo, uma volta atrás. O terceiro 908 ficou em sexto com Minassian/Lamy/Klien. Receberam a bandeirada em filinha indiana. Frescos!
O melhor R15 ficou em terceiro com Kristensen/McNish/Capello. Estou começando a achar essa turma meio envelhecida. Os trios da Peugeot eram de bom nível, sem dúvida. Hora de a Audi começar a se mexerpara o ano que vem. Poderia, por exemplo, repensar a decisão de sair dos campeonatos de protótipos para fazer só uma corridinha ou outra.
Bruno Senna, que fazia sua primeira aparição na prova, abandonou no meio da madrugada. O dono da Oreca achou melhor guardar as peças de reposição que ainda tinha para o carro de Panis/Lapierre/Ayari, depois de vários incidentes com o carro de Bruno/Ortelli. Fez bem. Panis & amigos chegaram em quinto na geral.
Na GT2, destaque para nova vitória de Jaime Melo Jr., correndo com Salo e Kaffer de Ferrari.
SÃO PAULO(novidade…) - Começou hoje em Hockenheim o DTM, que infelizmente tem só duas marcas participando, Audi e Mercedes, mas ainda assim arrasta multidões aos autódromos alemães.
Tom Kristensen venceu. De Audi, claro. Aliás, os DKWs fizeram primeiro, segundo, terceiro e quarto lugares. Ótima forma de começar a festejar o ano do centenário das quatro argolas.
Foi bico. Ganhar de fábrica de caminhão e ônibus é fácil…
SÃO PAULO (portas se abrindo) – Falamos do Lucas di Grassi aí embaixo, e não é que o rapaz andou experimentando o R10 TDI da Audi na segunda-feira em Paul Ricard? Informa sua assessoria que ele pode disputar as 24 Horas de Le Mans pelas quatro argolas, o que seria um feito e tanto. Afinal, entraria na prova com chances razoáveis de vitória, embora esse seja o penúltimo modelo da Audi, não o que está sendo usado atualmente. Lucas diz que sua participação na corrida está “em estudos”. Aguardemos os próximos passos.
Achei que já tinha visto tudo que podia ver com quatro argolas. Pelo jeito, sempre tem alguma coisa nova. As fotos foram enviadas por (quem mais?) Humberto Corradi, o arqueólogo.
SÃO PAULO(e aí?) – Nos EUA, a Audi ganhou as 12 Horas de Sebring com seu novíssimo DKW R15. A briga foi com os bichaninhos da Peugeot, devidamente colocados em seu lugar — atrás. Gil de Ferran, que largara na pole, abandonou. Na GT2, Jaime Melo Jr. levou de novo — é outro brasileiro que faz muito bem aquilo a que se propôs, no exterior.
E me pergunto, em relação à Audi… Precisava mesmo largar a Le Mans Series? Como se sabe, a marca anunciou, ano passado, que por medo do bicho-papão iria fazer apenas algumas provas nesta temporada. Não é um desperdício ter um carro desses para andar meia-dúzia de vezes?
SÃO PAULO (meu sonho) – Surgiram aí embaixo algumas dúvidas sobre a origem da Audi, e talvez a blogaiada mais nova desconheça a história das quatro argolas e tal. Bem, as quatro argolas surgiram da fusão, em 1932, de Audi, DKW, Wanderer e Horch. Daí nasceu a Auto Union, que depois da Segunda Guerra foi refundada, passou pelas mãos da Mercedes, foi vendida à Volkswagen e o último DKW fabricado foi esse aí, o F102, motor dois tempos de 1.200 cc. Desse carro surgiu o primeiro Audi da “era moderna”, digamos, já com motor quatro tempos refrigerado a água etc e tal.
Na verdade, resumi a história só para publicar a foto, porque esse é meu sonho de consumo. Foi o nosso Zé Rodrix, do Rio, que me mandou a imagem, para dar mais vontade ainda de, um dia, ir atrás de um…
SÃO PAULO(dois tempos?) – A Audi saiu da LMS e da ALMS, mas já está testando o carro para as 24 Horas de Le Mans. O novo DKW, batizado de R15, é esse aí. A foto foi enviada pelo Milton Pecegueiro’n'Calda. E é foto mesmo, porque da última vez que coloquei esse carro aqui, era um estudo por computador que nada tinha a ver com a realidade…
SÃO PAULO(deve ter custado caro…) – Mais uma enviada pelo Eric Audish. É o comercial que a filial alemã da Vemag colocou no intervalo do Superbowl, domingo. O ladrão (é um ator famoso, mas não conheço o bonitão) escapa de seus perseguidores numa Mercedes, nos anos 70, numa BMW, nos anos 80, a pé, nos anos 90 (é a parte mais engraçada), e, finalmente, encontra a fuga ideal. Não chega a ser brilhante, mas como é um DKW moderninho, fica o registro.
GUARUJÁ(queijo de coalho e milho verde) – O Danilo Gaijin mandou a foto. É o carro que a Audi preparou para 2009. Inicialmente, para correr a ALMS e a LMS. Agora, apenas para as 24 Horas de Le Mans. E olhe lá. Bem, ao menos é bonito. Lindo. Com capota, muito mais legal que os conversíveis usados nos últimos anos. Um belo DKW.
SÃO PAULO (tudo certinho) – Bom dia, macacada. A segunda coluna da sexta-feira é a minha mesmo. Revoltado, o blogueiro-jornalista espinafra as montadoras que estão abandonando as pistas. São todos uns canalhas incompetentes! Leiam lá, comentem aqui. Daqui a pouco eu volto.
SÃO PAULO(deprimente) – É para terminar o ano deprimido, mesmo, encolhido num canto. O automobilismo mundial, como a economia virtual, está derretendo. Primeiro a Honda na F-1, depois a Audi na LMS/ALMS, aí a Suzuki no WRC e, agora, a Subaru, também no rali. Todos tirando seus times de campo.
Já disse aqui e repito: considero essas deserções do esporte ridículas, me fazem perder o respeito pelas empresas (não pelas marcas), dirigidas por bobalhões que têm medo de perder seus empregos. As marcas, essas sobrevivem aos paspalhões, espero. Todas as quatro têm história nas pistas, e história não se apaga assim, tão fácil. Há de surgir, no caminho de cada uma delas, uma nova categoria de dirigentes que olhem para o esporte com alguma paixão e devoção, e não apenas com essa visão mercantilista absurda e patética.
Porque seria muito didático pegar um CEO qualquer da Subaru e colocá-lo na lama em Córdoba, jogá-lo no meio de centenas de argentinos enlouquecidos e deixá-lo ali, observando a reação deles a cada passagem dos carros azuis, urrando e abrindo passagem em meio a gritos alucinados de “Subaruuuuuuuuuu”.
O CEO babaca pode não saber, mas os produtos que saem de suas fábricas são reverenciados mundo afora, levam milhares de pessoas às estradas por onde passa o Mundial de Rali, pessoas que saem de casa no frio, na chuva, no sol a pino, na poeira, no barro, na neve, e elas acampam por vários dias com mulher e filhos, apenas para ver, por segundos fugidios, os carros azuis passando à sua frente atravessados, indomáveis, selvagens. Se a Subaru existe aos olhos do mundo, é por causa do rali. E não pelos ternos risca-de-giz de seu conselho de administração.
Seria interessante fazer o mesmo com um executivo babaca da Audi e colocá-lo nas arquibancadas de Le Mans ao lado de algum torcedor com quatro argolinhas no boné durante 24 horas, e a mesma coisa com algum engravatado tonto da Honda em Fuji, e idem para algum diretorzinho da Suzuki numa prova da MotoGP, apenas para eles sentirem como as marcas que representam têm uma importância, para muita gente, que vai além da otimização do fluxo produção e adequação dos parâmetros financeiros às necessidades da puta que o pariu.
Esporte não é caro. O que está levando essas empresas à bancarrota é a incompetência de seus gestores, que não entendem picas, nem de carros, nem de nada. Se entendessem, suas empresas enormes, que venderam como nunca nos últimos anos, não estariam como estão.
SÃO PAULO(vergonhoso) - A paúra do mundo financeiro de mentira que derrete pegou a Audi, também. A Casa de Ingolstadt anunciou que está fora da Le Mans Series e da sua versão americana do campeonato de protótipos, a ALMS. Ao contrário da Honda, que não ganhou nada e jogou dinheiro no ralo na F-1, a Audi vinha conquistando um título em cima do outro. O novo carro será usado apenas em Sebring e Le Mans. No DTM, parece que continua. Na GT3, apenas com o R8 para equipes (leia-se “pilotos milionários”) independentes.
A marca tem uma vastíssima tradição nas pistas desde a década de 20, com as motos DKW, passando pelos anos 30 da Auto Union, pelas inovações nos carros de rali com a tração quattro, e pelo sucesso com os protótipos e com os carros de turismo.
SÃO PAULO(sempre na frente) – Para quem acha que a Fórmula 1 colocou o ovo em pé ao tampar as rodas de seus carros (a propósito, como ficaram feias…), Antonio Stricagnolo mata a cobra e mostra a calota: a Audi fazia isso mais de duas décadas atrás. Com mais bom-gosto.
E certamente alguém fez antes, sei lá, nos tempos das corridas de biga no Império Romano.
O Fábio Poppi Star mandou fotos de algumas das baratas que estarão no Dacar em janeiro, na Argentina e no Chile. Não preciso dizer para qual delas vou torcer…
SÃO PAULO(quase passa batido) – A notícia é importante, e com algum atraso coloco aqui porque acho que merece os comentários da blogaiada. Deu nos EUA que Porsche, Audi e Alfa Romeo teriam planos de se juntar à Honda na Indy. Mas só em 2011. Será? Seria bem legal.
SÃO PAULO (na pista) – A Petit Le Mans, em Road Atlanta, terminou com vitória das quatro argolas, Audi na cabeça, com Allan McNish fechando a prova para a Casa de Ingolstadt (o trio foi formado ainda com Dindo Capello e Emanuele Pirro). A prova vale pelo campeonato da American Le Mans Series e os R10 turbodiesel correm pela categoria LMP1. Foram 392 voltas em 9h39min. Christian Klien fechou a prova em segundo com a Peugeot (ele mais Nicolas Minassian e Stéphane Sarrazin).
Com a terceira vitória seguida na prova, McNish se redimiu de uma presepada — ele bateu o carro na volta de formação do grid, o que fez a equipe perder duas voltas reparando o carro.
Na LMP2, sabem quem venceu? Helio Castroneves, de Porsche, quarto colocado na geral. Deve ter sido um momento de grande emoção para o brasileiro, que vive os problemas que todos nós já conhecemos.
SÃO PAULO(foram?) – Terminou domingo a mostra da Audi no Porão das Artes, no Ibirapuera, e eu não poderia deixar de registrar a vitória que foi a colocação de um Malzoni (do Stricagnolo) entre os carros apresentados para festejar os 15 anos da marca no Brasil.
Como contei outro dia, quando a Audi chegou ao país, pelas mãos da família Senna, ninguém queria vincular as quatro argolas ao seu passado brasileiro, que foi a DKW-Vemag. Achavam, os executivos da importadora, que poderia denegrir a imagem “premium” que queriam impor ao mercado. Uma bobagem monumental, pois na Alemanha nunca a Audi renegou seu passado e a importância que os carros DKW tiveram na sua trajetória. Felizmente essa visão distorcida da história se foi, e a presença do Malzoni na exposição é um reconhecimento de tudo que a Vemag e seus pioneiros fizeram entre 1956 e 1967, enquanto a fábrica existiu.
Ver o Malzoninho brilhando, junto de um Imperator 1929, do Type C e dos modernosos A4, R8 e TT me deu uma satisfação enorme. E um baita orgulho dos meus carrinhos.
SÃO PAULO (vai lá!) – Seguinte, macacada. A partir de amanhã, a Audi faz uma exposição em SP para comemorar os 15 anos da chegada da marca ao Brasil (em 1993, via família Senna; a apresentação aconteceu em 1994 num hangar de Congonhas, com o Jô Soares chegando a bordo de um conversível, foi um festão, logo depois do GP do Brasil, mas o Ayrton estava meio puto por ter rodado na corrida).
Essa exposição é aberta ao público e acontece no Porão das Artes, que fica no prédio da Bienal no Ibirapuera. Os caras trouxeram uns carros interessantes: o A1 Project quattro, um protótipo, R8, TT, essas coisas. E estarão na mostra também um Malzoni e um DKW-Vemag 1958, num tardio reconhecimento da marca, no Brasil, de seus antepassados. Digo tardio porque na época dos Senna, eles tinham vergonha de ligar a Audi à DKW. Não entendiam nada de nada. Na Alemanha, a Audi sempre fez questão de lembrar suas origens.
Dois carros, particularmente, justificam a visita: um Audi Imperator 1929, único no mundo, e o inacreditável Auto Union Type C de 1936, reconstrução do carro que Bernd Rosemeyer consagrou. Um V16 com 520 hp que a Audi Tradition fez a partir dos projetos da época. Acho que é igual ao que correu na Gávea nos anos 30. Duvido que o Type C volte ao Brasil um dia. Portanto, quem gosta de carros de corrida tem de ir a essa mostra.
Os horários: amanhã, das 14h às 18h; sexta, das 10h às 18h; e no sábado e domingo, das 10h às 22h. Pelo que entendi, é de graça.
SÃO PAULO(calma que o mundo não se fez num dia) – Acho que a esta altura todo mundo já está sabendo, mas é mais uma da minha pasta “Penduras de Pequim”. A Audi anunciou que está preparando um R8 versão GT3 para entrar na pista no ano que vem. Tomara que venha algum para correr no Brasil. Pelo menos já tenho para quem torcer nessas corridas de carrões. Se alguém usar o número 96, então… Porque, afinal, não passa de um DKW reestilizado, como se sabe.
PEQUIM(muito rápido, tudo) – E lá pelo meio do passeio, dou uma parada no stand da Volkswagen e… surpresa! Encontro o Auto Union Type D! Sabe que acho que é a primeira vez que vejo esse carro ao vivo? No Museu da Audi, quando estive lá, estava se exibindo em algum canto. Agora se exibe aqui.
Nem preciso dizer que fiquei babando.
Falando em carro alemão, três das principais montadoras de lá já têm fábricas na China. Quando o governo chinês liberou a compra de automóveis para o povão, em 1979 (é isso mesmo: só a partir de 1979 passou a ser permitido ter um carro; antes disso, quem tinha uma bike já se dava por muito feliz), o olho tedesco cresceu para cima de um potencial mercado consumidor de carros de luxo.
No fim dos anos 80, a Mercedes conseguiu convencer o governo a substituir os velhos Hongqi (algo como “bandeira vermelha”) oficiais da frota dos líderes do partido por modelos 250 S e 280 SEL. Mas foi a Audi quem se instalou primeiro, em Changchun. Fez uma parceria com uma empresa local (só pode assim) e em 1996 passou a fabricar o Audi 200, com motor V6. Em 1999, iniciou a produção do A6.
Em 2003, foi a bez da BMW, que montou uma fábrica em Shenyang. A Mercedes, só em 2005. Hoje fabrica o E-Class e o C-Class, a preços que vão de 100 mil a 150 mil reais. O mercado é promissor. Nos quatro primeiros meses deste ano, a Mercedes vendeu 9.626 carros. A taxa de crescimento para esse segmento de luxo é de 40% ao ano. Em 2014, a projeção é de que se vendam 500 mil carros “premium” por ano na China.
Outro número impressionante é o da produção de veículos. Quando era movida a bicicleta, em 1980, a China fabricou 220 mil carros. Em 2000, foram 1.830.000.
Ainda bem que o país é grande, para caber tudo isso. E como eles dirigem muito mal, creio que em pouco tempo este será um mercado dos mais promissores do mundo para funileiros (ok, Rio, lanterneiros).
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.