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22/08/2008 - 00:41

O PEDRÃO SABE

PEQUIM (perguntem a ele) – Só para registrar, uma das esperanças de medalha para o Brasil no atletismo, o celebrado Jadel Gregório, ficou em sexto ontem à noite na final do salto triplo, com 17,20 m. Em Atenas, quatro anos atrás, saltou 17,31 m e ficou em quinto. Jadel chorou, como é praxe, e disse: “Não sei o que aconteceu, trabalhei o ano inteiro, não sei o que deu errado”.

O Pedrão talvez saiba.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: , ,
20/08/2008 - 11:48

MANÉ BOLT

PEQUIM (veritas) – O cara corre rindo, se divertindo, como se driblasse sete joões. Sorry, Phelps. Usain Bolt é o cara. Porque é rápido, como os carros que eu amo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: , ,
20/08/2008 - 08:18

A INVEJA É… (2)

PEQUIM (tudo apurado) – Não foi só o brasileiro Sandro Viana que partiu para o ataque a Usain Bolt pelo recorde mundial dos 100 m no fim de semana. Tobias Unger, alemão, também destilou seu fel, acusando o jamaicano de ter corrido dopado, e a Jamaica de não fazer controle algum sobre seus atletas.

Mais um que merece o adesivo igual ao do Sandro. Em alemão.

Enquanto isso, Michael Johnson, um dos maiores mitos vivos do esporte mundial, faz elogios a Bolt, mas acha que ele não quebra seu recorde nos 200 m, esta noite (manhã aí no Brasil) — 19s32, de 1996. Para ele, a estatura de Bolt e suas largas passadas explicam o desempenho fenomenal nas provas mais rápidas do atletismo. E não fala nada de doping.

Campeão é campeão.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: , ,
18/08/2008 - 05:42

DRAMALHÕES

PEQUIM (chororô) – Os jornais de hoje no Brasil, possivelmente, vão estampar em suas primeiras páginas fotos de Diego Hypólito atônito levando um tombo no final de sua apresentação — que de acordo com os especialistas vinha sendo muito boa até o último movimento.

Diego chorou muito, disse que não tinha condições de falar com os jornalistas, voltou atrás, deu entrevistas e pediu desculpas ao povo brasileiro. Abro mão da minha parte, atleta nenhum precisa se desculpar comigo por não ganhar o que achava que ia ganhar. Faz parte do jogo, a medalha seria dele, não minha.

O que percebi, na verdade, é que os resultados em geral da ginástica foram bem ruins para a equipe brasileira. Nenhum dos candidatos a medalhas conseguiu nada. Jade Barbosa se sentiu aliviada porque “finalmente acabou”, não aguentava mais a pressão (enorme, ela será apedrejada quando chegar ao Brasil; esses atletas às vezes exageram, você conhece alguém que “pressionou” a pobre Jade?), Diego caiu sentado e disse que “não acreditava” e Daiane dos Santos, a única que, para mim, encara as coisas de um jeito mais realista, avisou que no fim do ano pára com a ginástica para voltar a estudar.

Com a saída daquele técnico ucraniano que inventou a ginástica no Brasil, receio que o “efeito Guga” pode se abater sobre a modalidade. Quando o Guga ganhava torneios por aí, todo mundo falava de tênis. Começou a perder, o tênis deixou de existir. É só ver onde está o Brasil na Davis. No caso da ginástica, viramos todos especialistas em duplo twist carpado — eu continuo sem ter a menor idéia do que seja isso — quando Daiane, com toda sua simpatia e graça, desandou a ganhar medalhas pelo mundo. Sem ela, e sem resultados, pode apostar: ninguém mais vai falar de duplo twist carpado, até aparecer algum novo fenômeno meio sem-querer.

Mas drama por drama, esqueçam o da ginástica brasileira. A China hoje está comovida com Liu Xiang, campeão olímpico e mundial dos 110 m com barreiras. Ao lado de Yao Ming, do basquete, parece ser o maior ídolo esportivo local. Era certeza de medalha, em outra das provas nobres do atletismo. Antes da sua primeira série classificatória, ele já parecia sentir uma contusão no tendão de Aquiles do pé direito, que o aflige há seis anos. Houve uma largada falsa. Da segunda, Xiang nem participou. Tirou o número da camiseta e desistiu, para comoção do país.

Espero que nem todos chorem. Se 1,3 bilhão de chineses começarem a chorar ao mesmo tempo, vai inundar estar merda toda.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: ,
18/08/2008 - 03:05

ASSIM É

PEQUIM (realidade) – Nesta imagem estão duas medalhas da Jamaica, conquistadas ontem à noite nos 100 m rasos. Shelly-Ann Fraser (com o 4 no shorts) ganhou com 10s78 e em segundo, com 10s98, chegaram Sherone Simpson (2) e Kerron Stewart. Como fizeram o mesmo tempo, ambas deixaram o Ninho prateadas.

Em 10s98, portanto, a Jamaica ganhou uma medalha de ouro e duas de prata. Em 10s98, a Jamaica conseguiu mais do que a delegação brasileira inteira até aqui nos Jogos de Pequim.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags:
18/08/2008 - 02:24

PERDER DÓI

PEQUIM (incrível) – Palavras do heptacampeão do Norte-Nordeste nos 100 m rasos, Sandro Viana, ao Maurício Teixeira, do iG (a íntegra está aqui): “Eu vim aqui para ver um grande espetáculo, mas o que eu vi foi uma palhaçada. Pode perguntar para qualquer cientista, o que ele fez é impossível”.

O heptacampeão do Norte-Nordeste se refere ao recorde mundial de Usain Bolt, atleta que ele, Sandro Viana, enfrenta também nos 200 m, a especialidade do jamaicano.

Confúcio dizia com muita propriedade a seu fiel discípulo Gah-Fang-Yotong: “Invejar é uma forma aberrante de homenagear a superioridade”. E ao abaixar a cabeça humildemente diante do Gah-Fang-Yotong, arregalou os olhos e perguntou: “Onde tu descolou esse tênis?”.

Motivado pela manifestação de Sandro Viana, e lembrando das palavras sábias de Confúcio, encomendei adesivo que será enviado oportunamente à casa do heptacampeão do Norte-Nordeste.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: , ,
17/08/2008 - 03:54

USAIN

PEQUIM (começou, acabou) - Me contou o Fábio Seixas, da “Folha”, que Usain Bolt, ontem, antes de pulverizar o recorde mundial dos 100 m rasos, comeu nuggets, dormiu e depois comeu mais nuggets. É que tem um McDonald’s na Vila Olímpica. A prova foi tarde, dez e meia da noite, e Bolt teve fome durante o dia. É natural. Comeu nuggets e foi ao Ninho.

Acabou sendo a prova mais espetacular dos Jogos, como quase sempre acontece com os 100 m. Pela expectativa, pela nobreza, pela velocidade pura. Mas ontem foi ainda melhor. Porque Bolt parecia ter uma turbina embutida no rabo e, se quisesse, baixava mais ainda a marca de 9s69. A vantagem foi tão grande que nos metros finais ele abriu os braços, olhou para os lados, não viu ninguém, começou a comemorar. Fiquei com a impressão de que se ele corresse de ré, ganharia do mesmo jeito.

Já nas semifinais os jamaicanos davam pinta de que não perderiam o ouro, ainda mais depois que Tyson Gay, considerado um dos favoritos, ficou pelo caminho. Ambos, Usain e Asafa Powell, seu parceiro de bandeira, ganharam muito fácil suas séries, ambos dando as últimas passadas como se estivessem na banguela — engataram a primeira, a segunda, a terceira, e não precisaram nem passar a quarta. Os adversários pareciam correr com pneus de chuva e eles, com slicks.

Um amigo meu brincou que o resultado é a prova concreta de que a erva mais apreciada pelos jamaicanos faz bem, e eu retruquei que só se for para aprender a correr da polícia — já citando Confúcio, que sempre dizia a seu fiel discípulo Gah-Fang-Yotong, de modo a testá-lo: “Corre que é fria!”, e quando Gah-Fang-Yotong saía correndo, tomava uma chinela pra aprender.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: , ,
16/08/2008 - 05:06

O NOSSO ATLETISMO

PEQUIM (nem tudo é ouro) – Está em despacho da Agência Estado: Jadel Gregório, o principal nome do atletismo brasileiro, ficou sem técnico em Pequim. Pedro Henrique de Camargo Toledo, o Pedrão, veio à China e se mandou na semana passada.

Isso é o que está nos jornais brasileiros. Agora, o que eu sei.

Pedrão foi convidado pelo pessoal do atletismo e do COB para acompanhar Jadel, e acabou sendo colocado num quarto de hotel decrépito na capital chinesa. Prometeram que logo iriam procurá-lo para se juntar à delegação. Ficou uma semana no quarto do hotel e não recebeu um telefonema sequer. Com naturais dificuldades de comunicação, todos na China as têm, passou esses dias a pão e queijo, que era o que conseguia identificar no mercadinho perto de onde se hospedou. Mal saía do quarto, porque temia que telefonassem e não o encontrassem.

Pedrão não é nenhum garoto. Foi técnico do João do Pulo em Montreal/1976 e Moscou/1980. É um veterano respeitadíssimo na história do atletismo brasileiro. Tem quase 70 anos. Um amigo o encontrou aqui, largado pelos dirigentes e pelo Jadel (na foto, o triplista na Vila Olímpica). Outro amigo cuidou de mudar sua passagem, lhe dar uma refeição decente e mandá-lo de volta para o Brasil.

Antes de embarcar, Pedrão pediu apenas uma coisa: que este amigo o levasse a alguma lojinha onde pudesse comprar camisetas da Olimpíada para dar de presente aos netinhos. Queria mostrar, na volta, que realmente esteve em Pequim, e que lembrou deles.

Enquanto ninguém, aqui em Pequim, lembrava dele, Pedrão.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags: , ,
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