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04/04/2009 - 21:10

FAZER ALGO (LEMBRAM?)


SÃO PAULO (e agora?) – Em 12 de fevereiro, mandei um e-mail para o comandante da Polícia Rodoviária que cuida da Anhanguera. Falava sobre o vídeo que mostrava no YouTube o palhaço do Porsche amarelo e dois motoqueiros tirando racha em sua estrada. Nunca recebi resposta. Fui malhado aqui por muita gente que dizia que eu tinha inveja do bebê do Porsche. Eu sou chato e intolerante.

Hoje um policial morreu na Anhanguera quando estava socorrendo uma moça que perdeu a direção de seu carro. Foi atropelado por motoqueiros que tiravam racha.

Vi as motos na TV.

Eu sou chato e intolerante.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Brasil Tags: ,
16/02/2009 - 15:56

NADA AINDA

SÃO PAULO (novidade…) – Foi no dia 12 que mandei o e-mail ao comandante da Polícia Rodoviária Estadual sobre as barbaridades do rapaz com o Porsche amarelo (e as duas motos) na Anhanguera. Acredito que muitos blogueiros fizeram o mesmo. Hoje é dia 16. Passaram-se quatro dias e nem uma resposta-padrão foi enviada, do tipo “recebemos sua mensagem, obrigado”. O que me dá o direito de pensar que ninguém lê os e-mails enviados ao comandante, ou que a polícia não está nem aí para os contribuintes, ou que o comandante achou bacana a demonstração de valentia do motorista e de seus amigos motoqueiros.

É horrível a sensação de que estamos perdendo tempo quando recorremos ao poder público.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Brasil Tags: ,
13/02/2009 - 13:06

RECORDES & REFLEXÕES

SÃO PAULO (bom, isso) – O tema, baixo-astral e candente ao mesmo tempo, ajudou. A presença na home do iG também, claro. E graças ao bobinho do Porsche que tira racha na Anhanguera, este blog bateu ontem todos seus recordes de audiência. É ótimo, porque quanto mais gente for exposta a essa discussão, melhor. Não se deve ocultar a realidade, é preciso exercer a cidadania e a indignação.

Ser capaz de se indignar é a primeira e indispensável qualidade de qualquer jornalista. Mesmo que não leve a nada — meu e-mail para o comandante do policiamento rodoviário, por exemplo, foi solenemente ignorado até agora, e duvido que aconteça algo ao garotinho que guia inclinando os ombros como se estivesse diante de um console de Playstation. Mas levou à reflexão de milhares de pessoas, por mais breve que tenha sido, o que já é alguma coisa — embora seja deprimente constatar que uma parte não desprezível (numericamente) dos que se manifestaram tenha expressado um pensamento tão raso e medíocre, agressivo e hostil, defendendo o meliante e atribuindo à inveja a revolta que pautou a maioria dos comentários.

É deprimente porque acho que uma grande parte da juventude brasileira está irremediavelmente perdida, o que compromete o futuro do país. Gente que pensa assim (vocês não têm ideia da quantidade de comentários que fui obrigado a apagar; são outros bobinhos, que têm seus IPs todos registrados e poderiam levar lindos processos na telha) não tem solução e me faz pensar que a máxima da Elis, não confie em ninguém com mais de 30, precisaria ser invertida, hoje. Não confie em ninguém com menos de 30, isso sim, claro que com as exceções de sempre. Mas noto que especialmente nas grandes cidades o perfil de boa parte da molecada é exatamente esse: matem, atropelem, briguem, desrespeitem, foda-se.

São os verdadeiros rebeldes sem causa, expressão até simpática, cunhada numa época em que havia muitas causas para se rebelar contra, e aqueles que se rebelavam sem causa alguma eram divertidos e anárquicos. Hoje essa gente rebela-se contra o quê, mesmo?

Se fossem capazes de se autoanalisar, entenderiam que se rebelam contra o vazio de sua existência, a pobreza de seus propósitos, a incapacidade de encontrar objetivos de vida, a falta de sentido em tudo que fazem. São prisioneiros do hedonismo e do exibicionismo, portadores de um vácuo absoluto, bestas quadradas que passarão pelo mundo deixando pouco mais do que uma página no Orkut e uma produção literária repleta de “aes”, “blzs”, “vlws”, “intaums” e “akis”.

A internet é um barato, sem dúvida. Sabendo usá-la, com todos seus defeitos e imprecisões, uma ferramenta que pode mudar o mundo. Mas cada vez que passo diante de uma lan-house e observo que 100% dos computadores estão conectados no Orkut com jovens que gastam horas diante da tela trocando “aes”, “bjuuusss” e “blzs”, constato que não está servindo para nada. Não há exatamente inclusão digital, nisso. Há, sim, a globalização e padronização da babaquice e da inutilidade, ócio em estado bruto.

Sorte de quem se salvar disso.

Ah, os números… Foram 56.595 visitas ao blog ontem, com 47.951 visitantes únicos, o que é um bom número. O recorde anterior era de 3 de novembro do ano passado — salvo engano, o dia seguinte à decisão do título da F-1 em Interlagos —, com 38.751 visitas e 30.713 usuários. Vieram até aqui internautas de 61 países e 741 cidades diferentes.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Blog Tags: ,
12/02/2009 - 10:43

FAZER ALGO

SÃO PAULO (segue tudo cinza) – O blogueiro Manuel, nos comentários do post abaixo, sugeriu que eu enviasse o vídeo do crime do Porsche ao Ministério Público Estadual. Sugeri que ele o fizesse. Ou outros. Não temos advogados aqui? O que fazer para ver um criminoso desses, que grava o crime e o exibe publicamente, atrás das grades, ou sem a carteira, ou com o carro apreendido?

Acho, sim, que temos de agir. Todos. Eu, por exemplo, ajo tornando públicas essas barbaridades. Mas, desta vez, fui um pouco além. Mandei o seguinte e-mail para o comandante da Polícia Rodoviária Estadual, cujo nome encontrei no site oficial da corporação (o endereço eletrônico é faleconosco@polmil.sp.gov.br):

**********

São Paulo, 12 de fevereiro de 2009
 
Prezado Comandante Eliziário Ferreira Barbosa,
 
Meu nome é Flavio Gomes e sou jornalista especializado em automobilismo, atuando no canal de TV por assinatura ESPN Brasil, na rádio Eldorado, no diário “Lance!”, no portal iG (sou o dono do site especializado Grande Prêmio) e mantenho há três anos um blog com audiência de 20 mil visitas diárias.
 
Neste blog falo sobre vários assuntos e ontem chegou a mim, por e-mail, um vídeo que foi colocado no ar e pode ser visto neste link: http://www.youtube.com/watch?v=FWpCLXJuQV8.
 
O senhor certamente vai identificar uma de “suas” estradas. O vídeo foi feito na Anhanguera, provavelmente no começo do ano. É desnecessário dizer que o motorista em questão (e os motociclistas coadjuvantes do triste filmete) mereceriam ser autuados e indiciados, por ultrapassar os limites permitidos de velocidade, trafegar pelo acostamento e dirigir de maneira absolutamente perigosa, imprudente e, arriscaria dizer, criminosa.
 
So o Sr. acessar meu blog (http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/2009/02/11/cadeia-e-pouco/), verá que a indignação dos leitores é enorme. Primeiro, porque ninguém entende como alguém consegue fazer isso numa rodovia policiada e monitorada como a Anhanguera sem ser importunado. Depois, porque o motorista em questão mostra o rosto, dirige um Porsche amarelo facilmente identificável e, em outro vídeo de sua página no YouTube, aparece claramente a placa traseira do carro. E não se tem notícia de que a Polícia Rodoviária (ou qualquer outro órgão público) tenha interpelado o criminoso, que mantém, num vídeo público, as provas de seu crime.
 
Eu compartilho da indignação de meus leitores. Como pode, comandante? Como pode tamanho escárnio diante das autoridades? Como pode alguém colocar em risco a vida de tanta gente e troçar do Sr. e de seus comandados na estrada que o Sr. policia? Como pode alguém fazer o que fez por quase cinco minutos (pelo menos; pode ter sido mais tempo) numa rodovia como a Anhanguera sem ser detido pelo policiamento? E, depois, zombar do Sr. e de todos nós com essa demonstração de exibicionismo?
 
Longe de mim querer criticar aqui o trabalho da Polícia Rodoviária. A intenção deste e-mail é outra. É perguntar, apenas: o que pode ser feito agora? As provas do crime estão aí, são públicas. É como se um assassino resolvesse matar alguém, filmasse a ação, colocasse no YouTube e ficasse à espera das consequências. Haveria alguma? Acredito que sim. Por que não há, então, neste caso? Não houve um assassinato, é verdade. Mas quase. Esse motorista merece ser preso, ter sua carteira suspensa, seu carro apreendido. Ele tem nome, rosto, placa do carro identificada. Não falta mais nada.
 
Ficará impune, comandante?
 
Atenciosamente,
 
Flavio Gomes
Jornalista

**********

Acho que todo mundo aqui deveria fazer algo parecido. O rapaz pode até tirar o vídeo do YouTube. Será inútil. Tenho o vídeo em arquivo, porque ele me foi enviado por alguém que não conheço. E ele está disponível aqui, também. As provas, como escrevi ao comandante, são públicas. Um sujeito como esse não pode dirigir. Aliás, se a polícia se detiver no YouTube, encontrará dezenas de pessoas assim.

Vamos ver se teremos respostas. Sinceramente? Duvido. Mas temos obrigações, como cidadãos. Uma delas é não ficar em silêncio diante de episódios como esse.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Brasil Tags: ,
11/02/2009 - 22:46

CADEIA É POUCO

SÃO PAULO (baixo astral total) – Fosse este um país sério, a inteligência da polícia deveria rastrear quem colocou este vídeo no ar e convocá-lo para esclarecimentos. Quem é o cara no Porsche? Quem são os motoqueiros? O motorista nem se dá o trabalho de ocultar o rosto, graceja, acha o que está fazendo o máximo. O amiguinho também.

É fácil — deveria ser — identificar esse criminoso, que coloca a vida de um monte de gente em risco, comete dezenas de irregularidades, é um cretino sem tamanho. Afinal, não são tantos os Porsches em SP. Os pedágios da Anhanguera têm câmeras. É só querer que acha.

Merece cadeia esse palhaço, por muito tempo. Nada menos que isso. Os motoqueiros também.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Brasil Tags: ,
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