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02/06/2009 - 14:58

AF 447 (2)

SÃO PAULO (num cyber, tomando café) – Parece que acharam alguma coisa do AF 447. A confirmação de que se trata do Airbus da Air France ainda depende da identificação de alguma peça através de números de série, por exemplo. Mas é muito provável que sejam os destroços, mesmo. Há um compreensível cuidado das autoridades para afirmar qualquer coisa, mas num caso como esse não há muito espaço para coincidências. A cobertura do iG está bem completa, sugiro que acompanhem pelo portal.

Nesses dias que se seguem a grandes acidentes, as pessoas têm a tendência de demonizar aviões e companhias aéreas. Mal sabem que, com a exceção óbvia daqueles que perdem amigos e parentes, são elas, as empresas, as que mais sofrem com as quedas. Não porque têm de indenizar as vítimas; as seguradoras fazem isso. Mas porque é um golpe muito duro na alma de cada funcionário de terra, de cada comissário, de cada aeromoça, de cada engenheiro, de cada piloto, de cada mecânico de manutenção. Companhias aéreas não são firmas normais, elas possuem uma aura diferente. Quem já trabalhou em uma, ou quem se identifica com alguma, sabe do que estou falando.

Como disse um cara ontem na TV, morre mais gente picada por abelha no mundo do que em acidentes aéreos. Então, nada de enviar todas as gerações que descendem de Santos Dumont aos cuidados de satanás. Melhor é prestar respeito às grandes companhias e aos grandes aviões, como este Breguet Provence operado pela Air France que, como conta o Rodrigo Ghigonetto, tinha dois decks como o A380. A foto é de 1964, no aeroporto de Dusseldorf.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Nas asas Tags: , ,
01/06/2009 - 17:58

AF 447

SÃO PAULO – Este blogueiro gosta de aviação. E fica muito mal quando acontecem acidentes como o da madrugada de hoje, ou noite de ontem, ainda não se sabe. Estou acompanhando o noticiário desde as primeiras horas da manhã, como todo mundo, acho. O desaparecimento do Airbus da Air France é raríssimo. Normalmente, os acidentes acontecem em pousos e decolagens. Um Airbus sumir no ar, como o AF 447, não é normal.

Não sou especialista em quase nada, muito menos em aviões. Pane elétrica, raio, colapso da estrutora (pouco provável, porque era uma aeronave nova), as teorias surgem a todo instante.

Vai ser difícil saber o que aconteceu, como vai ser muito difícil encontrar os destroços do avião. É importante descobrir, claro. A história da aviação é essa: aprender com as catástrofes, para evitar que elas se repitam.

Este acidente, ao contrário dos recentes que aconteceram no Brasil, tende a causar menos comoção pela ausência de referências visuais. O Airbus sumiu sobre o Atlântico, provavelmente caiu no mar, é bem provável que os corpos nunca sejam encontrados. Mas é uma tragédia enorme, como qualquer acidente aéreo. Duro para todos, inclusive para a companhia, que já sofrera um golpe tremendo com a queda de um Concorde em Charles De Gaulle em 2000.

Nessas horas, para quem acompanha tudo a distância, só resta fazer silêncio e, cada um do seu jeito, pensar nas vítimas, seus parentes e amigos.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Nas asas Tags: , ,
15/08/2008 - 03:21

NAS ASAS

PEQUIM (um pulinho) - Vir à China hoje em dia é uma coisa simples. Pequim não é mais sinônimo de lonjura. “Nem aqui, nem na China” é expressão que logo cairá em desuso. Do Brasil, tem um monte de vôos diários para cá. É só pingar na Europa, ou no Canadá, e seguir viagem. Não há companhia aérea no mundo que se dê o luxo de não voar para Pequim ou Xangai.

Eu curto aviação, como vocês sabem, e caiu na minha mão um texto sobre a história recente das rotas aéreas entre o Ocidente e a China. E descobri que a primeira companhia a estabelecer uma rota regular para estes lados foi a Air France, em setembro de 1966. Ótimo pretexto para fazer um “Nas asas” direto de Pequim, com aviãozinho bacana na foto!

A França foi a primeira grande potência ocidental a estabelecer relações diplomáticas com a China maoísta, em 1964. Dois anos depois decolava de Orly o Boeing 707 que, quase 23 horas depois, pousaria em Xangai após escalas em Atenas, Cairo, Karachi (Paquistão) e Phnom Pehn (Camboja). Era o vôo 180, semanal. Em 1973, o presidente George Pompidou estava em outro 707 que inaugurava a linha Paris-Pequim (que foi nome, também, de famosa corrida no início do século passado).

Um vôo político, por assim dizer, em meio à Guerra Fria e ao clima de hostilidade franca entre os EUA e todos os países comunistas do mundo — embora a China, por adotar uma linha anti-soviética, fosse olhada pelos americanos como potencial aliada no futuro, o que acabaria acontecendo, mas por razões meramente econômicas.

Hoje, a Air France e sua subsidiária KLM fazem 77 vôos semanais para cinco destinos chineses diferentes. Some a eles todos os vôos das outras companhias e se compreende por que os caras têm um aeroporto que só dá para percorrer de ponta a ponta de trem. O país de Mao, que começou a se abrir para o mundo nas reformas de 1978, é hoje o quarto destino mais procurado por turistas no planeta. Em 2014, segundo a Organização Mundial do Turismo, deve passar a França e assumir o primeiro lugar no ranking. Os chineses já são os asiáticos que mais viajam (acabaram de passar o Japão) e, em 2020, ocuparão o quarto lugar entre os países que mais enviam turistas para fora de suas fronteiras.

Os caras estão ocupando o mundo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Nas asas, Pequim 2008 Tags: ,
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