02/08/2009 - 22:57
SÃO PAULO (nem lembrava como era um domingo de folga…) – Felipe Massa chega ao Brasil amanhã à noite, segundo sua assessoria de imprensa. Abaixo, resumo do último comunicado, que é muito animador. Provavelmente no fim da semana Felipe já estará se recuperando em casa.
“Acompanhado da mulher Raffaela e do médico particular Dino Altmann, Felipe Massa deve chegar ao Brasil no início da noite desta segunda-feira. A viagem em jatinho dotado de total estrutura de acompanhamento médico será iniciada pela manhã em Budapeste, com uma única escala para reabastecimento em Dacar, no Senegal.
Do Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos, Massa embarcará imediatamente em helicóptero para o Hospital Albert Einstein, na Zona Sul da capital paulista, onde pernoitará. ‘Graças a Deus, estou me sentindo muito bem. Tenho apenas ainda um pouco de inchaço na região do olho esquerdo. Estou ansioso para voltar para o Brasil e continuar o trabalho de recuperação. O importante é estar completamente bom antes de regressar às pistas’, comentou o piloto da Ferrari, do quarto do Hospital AEK da capital húngara onde está internado desde o acidente nos treinos classificatórios do GP da Hungria no último dia 25 de julho.
Depois de instalado em seu apartamento no Hospital Albert Einstein, Massa será apresentado ao diretor-clínico e aos médicos neurologista, buco-maxilo-facial e oftalmologista que realizarão uma bateria de testes de rotina na terça-feira. O piloto deverá ser submetido a exame de sangue e a uma nova tomografia computadorizada. Ainda na noite de amanhã, Altmann se reunirá com esses colegas para definirem o planejamento da seqüência do tratamento.
Altmann acredita que a permanência de Massa no hospital será curta, talvez no máximo de dois dias. Em seguida, Massa receberá alta para voltar para casa e obedecer à recomendação de repousar ao máximo. Durante o período de internação, as informações sobre resultados de exames e condições clínicas do piloto serão fornecidas exclusivamente pelo hospital por meio de nota oficial.”
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: acidente, Hungria, Massa
30/07/2009 - 16:00
SÃO PAULO (retomando) – E vamos às últimas notícias de Budapeste, um divertido papo de Massa com Barrichello pelo telefone, no relato de Márcio Fonseca, assessor de imprensa de Felipe:
“Cinco dias depois do acidente no circuito de Hungaroring, Felipe Massa e Rubens Barrichello conversaram pela primeira vez nesta quinta-feira. Do seu quarto no Hospital AEK, onde está internado desde sábado passado, Felipe ligou para o celular de Rubens Barrichello. A princípio, o piloto da Brawn Racing não atendeu, mas logo em seguida retornou a chamada.
‘Pô, mas você tinha que jogar as coisas logo na minha cabeça?’, brincou Felipe, cuja recuperação favorável continua surpreendendo os médicos. Durante a bem-humorada conversa de cerca de cinco minutos, da qual participaram também as esposas Raffa e Silvana, Barrichello perguntou pelas condições do amigo e desejou a ele uma pronta recuperação.
O descontraído bate-papo com Barrichello resumiu o dia de Felipe. Bem-humorado ao longo de toda a quinta-feira, brincou bastante com familiares, o amigo Popó Bueno e o empresário Nicolas Todt. Recebeu ainda ligações de Jean Todt, ex-diretor esportivo da Ferrari, e do seu engenheiro Rob Smedley, que prometeu aparecer amanhã no hospital. Felipe ainda não tem confirmação da visita de Michael Schumacher, que vai substituí-lo a partir do GP de Valência, em agosto, e enquanto durar seu impedimento. Na véspera, Massa soube pelo pai da decisão da equipe. ‘Ele gostou muito da escolha e disse que ficou feliz pelo Michael. Só não estava certo que precisaria mesmo abrir mão da vaga, porque está achando que estará em condições de correr na próxima etapa’, divertiu-se Titônio Massa.
Titônio disse que ainda não há uma data para a liberação de Felipe do hospital, mas confirmou que o piloto já sabe que ficará internado pelo menos até domingo. Com a gradativa evolução de suas condições – o olho esquerdo desinchou mais um pouco e uma nova avaliação do oftalmologista reconfirmou a ausência de danos no local -, Felipe movimenta-se cada vez mais no seu quarto, além de se alimentar e tomar banho sozinho. Hoje, por exemplo, aproveitou a saída da família – que foi almoçar num restaurante das proximidades – para pedir frango grelhado, batatas assadas e pene ao sugo.
Os médicos húngaros continuam cautelosos em relação ao regresso de Felipe às pistas. Segundo Titônio, no entanto, a expectativa otimista do médico pessoal Dino Altmann aumenta a cada dia. ‘Pelo caminhar das coisas, estamos cada vez mais esperançosos que ele ainda voltará a correr neste ano’, concluiu Titônio.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: acidente, Hungria, Massa
29/07/2009 - 16:42
SÃO PAULO (tempo ao tempo) – Márcio Fonseca, assessor de imprensa de Felipe Massa, vem fazendo um trabalho exemplar desde o início e é muito bom receber suas notícias equilibradas e realistas sobre tudo que acontece com o piloto em Budapeste. Por isso, reproduzo na íntegra o relato que acabo de receber, cuja notícia mais importante é sua transferência da UTI para um quarto comum.
“Durante a visita que fez nesta quarta-feira ao Hospital AEK de Budapeste, a segunda desde que Felipe Massa foi internado no sábado em decorrência do acidente durante os treinos classificatórios do GP da Hungria, o presidente da Ferrari fez questão de garantir ao piloto que seu lugar na equipe está garantido, independentemente do tempo que leve a sua recuperação. ‘Luca di Montezemolo disse ao Felipe que espera vê-lo de volta o mais breve possível. Se for este ano, ótimo; se for no ano que vem, também não haverá problema. O carro estará esperando por ele’, informou Titônio Massa, pai do piloto.
Montezemolo levou uma pilha de papéis com o timbre da Ferrari com mensagens de cada um dos integrantes da divisão esportiva da fábrica. O dirigente foi embora do hospital antes que a Ferrari, por meio de curta nota em seu site oficial, anunciasse a disposição de chamar o heptacampeão Michael Schumacher para substituir Massa no seu período de impedimento. ‘Felipe ainda não sabia dessa notícia, mas certamente vai ficar muito contente com ela. Afinal, não poderia haver um nome melhor para a vaga. Por todos os motivos, ele é mesmo a melhor opção’, aplaudiu Titônio.
Como já estava previsto, Felipe foi transferido na manhã desta quarta-feira da UTI para um apartamento comum, onde já não está preso a nenhum aparelho. Antes, havia sido submetido a nova ressonância magnética na cabeça que não constatou qualquer problema. ‘Na verdade, o resultado mostrou apenas que o ferimento sobre o olho esquerdo está regredindo’, continuou Titônio. Por causa da leve sedação exigida por esse exame, Felpe continuou alternando períodos de sonolência com o de despertar. ‘Mesmo que não tivesse tomado a medicação, esse estado é normal dentro do quadro que ele apresenta’, acrescentou.
Apesar da expectativa otimista manifestada na véspera, quando acreditou que o filho poderia receber alta do hospital da capital húngara já nesta quinta-feira, Titônio aceitou com naturalidade a decisão dos médicos de manter Felipe internado pelo menos até domingo. ‘Não é preciso pressa e, sim, sair daqui apenas quando os médicos acharem melhor. O dr. Dino Altmann (médico pessoal de Felipe) concorda que esses oito ou nove dias são um prazo compatível com a gravidade do acidente.’
Segundo Titonio, ainda não há uma decisão sobre o destino de Felipe quando for liberado do Hospital AEK. ‘Dependendo da palavra dos médicos, ele poderá continuar o tratamento em Paris. Se a evolução continuar tão favorável que dispense essa necessidade, ele irá diretamente para sua casa em Mônaco. A alternativa de voltar a São Paulo neste primeiro momento não está sendo considerada.’”
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: acidente, Hungria, Massa
27/07/2009 - 15:16
SÃO PAULO (muito bom, bom mesmo!) – Acabo de receber e-mail do Márcio Fonseca, assessor de imprensa do Felipe Massa. As notícias são muito animadoras. Ele conversou com o Titônio, seu pai. Segue o relato:
“Titônio diz que ele, família e pessoas próximas (Dino Altmann e Nicolas Todt, por exemplo) estão mais animados porque a melhora do Felipe é agora a cada hora, e não mais de um dia para outro. Não está mais sedado, mas ainda um pouco sonolento porque continua com a medicação no organismo. Também não está entubado, apenas com uma máscara para auxiliar a rspiração…
Está enxergando e hoje chegou a trocar palavras com Dino, a família e o Nicolas. Para o Dino, perguntou o que havia acontecido para estar no hospital. Dino respondeu e ele simplesmente assentiu, sem fazer comentários. De uma bronca no Dudu, porque em determinado momento começou a levar a mão para uma sonda que tinha no nariz e o irmão segurava a mão dele para impedir. ‘Larga minha mão’, resmungou, com que o irmão concordou desde que ele parasse de mexer na sonda. Passou por tomografia pela manhã e ultrassonografia no abdome à tarde, mas esses exames nada revelaram de anormal. Para o Nicolas, fez uma pergunta curiosa: ‘Que horas são?’ (como se tivesse algum compromisso… rs)
Titônio admite que Felipe possa ser transferido para aquele hospital em Paris, mas diz que essa não é uma preocupação imediata e que ele só será removido quando estiver em plenas condições de ser transportado. Disse mais: acha que se a recuperação dele continuar no ritmo atual, é possível que em dois dias o Felipe possa ser transferido para um quarto comum. Por enquanto, ele continua em observação, sendo monitorado pelos médicos. Diz que ele reagiu bem às perguntas, está lúcido, mas naturalmente ainda sonolento. Então tá naquela base de acorda-dorme-acorda-dorme…
Titônio falou também que o olho esquerdo está inchado como se tivesse levado um soco do Maguila. Pela manhã, a família – Titônio, Ana Helena, Raffaela e Dudu – deram depoimento à Mariana Becker para agradecer aos torcedores pelo apoio e pelas mensagens. O teor desse depoimento está no Globo.com. A família, aliás, passou novamente o dia inteiro no hospital.”
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: acidente, Hungria, Massa
27/07/2009 - 11:52
SÃO PAULO (cinza e feia) – Faz dois dias que Felipe Massa sofreu seu pior acidente e muita gente se preocupa com sua volta às pistas. Preocupação compreensível, claro. Afinal, é sua vida, sua carreira, o que sabe fazer, e bem.
Não dá para dizer nada por enquanto. Hakkinen sofreu acidente violentíssimo em Adelaide/1995, muita gente achava que não voltaria a correr, mas voltou, e foi bicampeão mundial. Wendlinger bateu em Mônaco/1994, ficou em coma, e não voltou bem. Não para a F-1. Mas corre até hoje em outras categorias. Burti se arrebentou em Spa, ficou um tempão parado, hoje corre na Stock. Cada caso é diferente do outro, depende da extensão das lesões, do tipo de acidente, da reação do organismo, que é absolutamente individual.
O que mais preocupa no caso de Massa, agora (digo agora porque hoje os médicos que o assistem afastaram, felizmente, o risco de morte, depois de realizar mais exames; é a grande notícia do dia), é sua visão. Há suspeitas de que o olho esquerdo tenha sido afetado. Mas, de novo, é precipitado dizer qualquer coisa. Todo estado clínico evolui. Melhora ou piora. Assim, afirmar que ele nunca mais vai correr, ou que estará de volta 100% sem problema algum, é mero chute.
O que já dá para afirmar, sem muito medo de errar, é que a recuperação será lenta e bem gradual. E que, hoje, as chances maiores são de que ele não corra mais nesta temporada. O que, venho insistindo, não tem a menor importância. Só o que importa agora é que Felipe se recupere plenamente, seja bem assistido, volte à vida. O resto, quanto tempo, se corre ou não corre, quem será seu substituto, é irrelevante.
Ah, pelo Twitter do Pizzonia, soube que a irmã do Felipe passou notícias animadoras do hospital, dizendo que ele está acordando e se mexendo. Ótimo, ótimo e ótimo.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1
Tags: acidente, Massa
26/11/2008 - 12:42
SÃO PAULO (estarrecedor) – Acaba de pingar nos comentários do último post sobre o episódio do quase-acidente de sábado na Superclassic em Interlagos a primeira manifestação do… hum… piloto-mirim Felipe Castro. Que não tem 16 anos, como ele mesmo nos revela. “Quase 18″, em suas palavras. Faz aniversário na semana que vem. Tornar-se-á um “de maior”.
Leiam vocês mesmo, se conseguirem compreender seu… hum… português um tanto exótico. E julguem vocês mesmos o tipo de juventude classe média que está se formando nas grandes cidades deste país.
Da minha parte, menininho, aviso que pode procurar outra coisa para correr, porque na Superclassic não corre mais. E antes que você pergunte “o que você manda?”, te respondo que, nessa categoria, mando bastante.
Quanto ao pai do rapaz, com todo respeito… Como é que esse menino passa de ano? O senhor deveria imprimir o texto abaixo, procurar sua escola e, aí sim, processá-la.
*************************************************************
26/11/2008 – 12:07 Enviado por: Felipe Castro
primeiramente antes de falar minha idade acho melhor você se informar e corrigir ,,, farei 18 daqui 1 semana !
orkut ? coloco qualquer coisa que eu queira pois é MEU !
sobre desculpas ? nem momento alguem me recusei de pedir …sei que errei.. e oque estao falando nesses comentarios nao me influencia em nada… porque NINGUEM estava dentro do carro para saber oque aconteceu muito MENOS VOCÊ que quiz começa falando disso..
nao deviria mais vou falar…
o carro nao tinha controle algum.. tentei dar motor e nao adiantou.. para nao dar de frente com o muro do lado da pista se vc for capaz repare nas fotos que as lanternas traseiras estao TODAS acesas…
vao me criticar muito aqui ainda que sei.. isso nao me afeta…
tenho camera on board que ja estou pasando para dvd .. ELA EH A PEÇA PRINCIPAL DA HISTORIA ! pois da pra ver que faço tudo certo durante a freaia mais o carro nao para.. para nao bater no rogerio tiro o carro pra tirei e ai perco a traseira dele… e ai começa….
outro erro ? sim, no mergulho quando o SR Bras pisa no freio enquanto todos estao com o pe embaixo.. e perdendo a traseira.. me assustei achando que ele iria rodas e so aliviei o pe do meu ..neste mesmo momento perdi a traseira novamente mais consegui segurar depois e o marcelo q estava atras se ASSUSTO MAIS AINDA e jogo para a grama ….
nao vou ficar me defendendo aqui por “BLOG” inuteis.. por que nao deve satisfaçoes para este…
vou dar para quem mereço (FASP,CBA,MARCELO GIORDANO)
somente ao marcelo que quase bateu.. pq o resto tava normal na corrida …
vao me achar ignorante ? pode ate ser.. mais duvido que voces nao errem… foi um erro..ateh senna errou … FLAVIO GOMES errou e BATEU ! querem cair de pau emcima de mim por que ? por que era minha primeira prova ? por que sou menor ? IDAI ? sera ja era campeao e errou !
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo brasileiro
Tags: acidente, CBA, FASP, Mobral
25/11/2008 - 21:10
SÃO PAULO (direito concedido) – Está há algumas horas nos comentários do post “Recado para a FASP”, mas como nem todos lêem os comentários, acho justo abrir um novo post sobre o assunto para que o missivista tenha o mesmo espaço de que disponho para expor suas idéias.
Trata-se da mensagem de Hailton Castro, pai do piloto Felipe Castro, do Passat #50, que quase causou gravíssimo acidente sábado em Interlagos, em nossa prova da Superclassic (quem não viu pode ver no link).
Mais abaixo, a resposta que coloquei ao seu comentário, que igualmente reproduzo aqui.
O que eu tinha a dizer sobre o assunto, já disse ontem. Portanto, me abstenho de mais comentários, deixando-os para vocês.
A mensagem do pai de Felipe Castro está publicada na íntegra, sem revisão ortográfica.
*******************************************************
“Prezado Sr. Flavio Gomes
Inicialmente, permita-me apresentar.
Sou Hailton Castro, pai do Felipe Castro piloto do Passat #50 que participou da prova da categoria Carros Antigos no último sábado 22 de novembro no Autódromo José Carlos Pace.
Com relação aos fatos ocorridos naquela prova, tenho a esclarecer ao Sr. o seguinte:
O Felipe errou em sua pilotagem ao perder o ponto de frenagem do carro para o contorno da primeira perna da curva e errou novamente quando ao retornar à pista, colocando em risco a sua integridade física e à de terceiros.
Eu estava assistindo à corrida no “S do Senna” acompanhado de minha esposa e de minha filha e presenciamos toda a cena. Creio ser desnecessário descrever os nossos sentimentos naquele momento. Espero sinceramente que o Sr. jamais tenha de passar por este tipo de emoção com os seu filhos.
Na terceira passagem, o Felipe errou novamente no mesmo local porém em menor escala. Daí em diante, ele conseguiu recuperar a concentração e não mais cometeu erros maiores, completou todas as voltas, fez ultrapassagens com segurança e classificou-se em 4o. lugar em sua categoria.
Terminada a prova e já em casa, discutimos exaustivamente o ocorrido, não somente entre família mas também com a participação da equipe, de amigos e de pilotos de nosso relacionamento que também presenciaram a tudo.
Os devidos alertas e ”puxões de orelha” foram levados à cabo com a energia merecida e, o mais importante, com a devida aceitação pelo Felipe, ou seja, ele assumiu o seu erro.
Declarou que estava tenso no momento da largada embora também reconheça que isto não justifique o erro cometido. Não é segredo para ninguém de que aquela foi a primeira participação do Felipe em uma prova.
Importantíssimo salientar, que desde os treinos da 5a. feira o Felipe foi alvo de perseguições e pressões por parte de vários pilotos da categoria, sob a alegação de que o Passat #50 estava equipado com motor fora do regulamento. Acredito que este fato não lhe tenha sido revelado.
Um verdadeiro clima de terrorismo instalou-se nos boxes da categoria e o Felipe teve de se submeter a tudo isto.
Disponibilizamos o carro e o motor nos boxes para que qualquer mecânico o abrisse e verificasse.
Sabe o Sr. quantos pilotos tiveram a hombridade e a coragem de fazê-lo?
Resposta : NENHUM!
Na verdade, trata-se de um motor VW AP 1.6, preparado ainda nos moldes da antiga categoria “Turismo N” e equipado com um velho carburador mini-progressivo.
O Sr. Luiz Finotti, a que o Sr. conhece bem, poderá atestar-lhe sobre a verdade deste motor. O Sr. Luiz conhece muito bem ao Felipe e à mim.
Claro que estes pilotos que protagonizaram esta atitude lamentável, não o fizeram pelo regulamento mas sim pelo cronômetro, afinal, com esse motor o Felipe cravou 02’09” nos treinos, ou seja, muito abaixo daqueles que usam carburação Weber, etc.
Houve até o caso de um piloto que retirou-se do treino, revoltado que estava.
Para ele também o motor continua à total disposição para qualquer verificação.
Este assunto está encerrado para mim e para meu filho.
Porém, cabe-me aqui como Pai (com P maiúsculo mesmo) esclarecer-lhe e alerta-lhe do seguinte:
Li atentamente aos 2 artigos publicados pelo Sr. e às dezenas de comentários de seus visitantes em seu “Blog” à respeito do ocorrido. Estão todos devidamente arquivados em CD.
A única conclusão que posso chegar é a de que o Sr., através do seu “Blog” está submetendo meu filho menor à execração pública.
Até consumo de drogas foi sugerida nos comentários dos visitantes e, saiba o Sr. de que os comentários veiculados em seu “Blog” também são de sua responsabilidade.
Dezenas de comentários, de pessoas que sequer conheço, atingem a integridade de minha família e à minha particularmente, uma vez que fui taxado de irresponsável publicamente por pessoas que não se identificam, usam apenas iniciais ou alcunhas.
O Sr. tem alguma noção do que isto significa? Tem o Sr. alguma noção das terríveis conseqüências que estes comentários geraram em minha família? Tem alguma noção do clima que estabeleceu-se em minha casa? Creio que não.
Lamentável para alguém como o Sr. que se diz “jornalista” utilize de palavras tão chulas e de baixo calão em seus artigos. Esta atitude realmente denuncia à que categoria de “jornalista” o Sr. pertence.
Com relação às autoridades desportivas (FASP e CBA), a quem o Sr. tanto odeia, quero informá-lo de que a pressão que o Sr. está fazendo para que estas tomem providencias é totalmente desnecessária. Eu pessoalmente e o Felipe iremos à FASP, independentemente de qualquer convocação, prestar os esclarecimentos que nos forem solicitados e acataremos com total resignação à quaisquer penalidades que aquele órgão entender necessárias.
Faremos isto pois, em minha família assumimos integralmente por nossos atos e não precisamos de opiniões como as suas, aliás, dispenso-as todas. Sabemos e assumimos nossas responsabilidades.
Com relação ao aprendizado do Felipe como piloto, cursos, habilitação e às dezenas de treinos feitos desde 2007, não lhe devo satisfações. Isto não lhe diz respeito.
Em seu primeiro artigo o Sr. declara que irá procurar o Felipe para conversar com ele. Peço-lhe que não o faça. Não procure à ele nem à mim. Não queremos falar consigo, não temos tempo para o Sr. Nós o ignoramos totalmente.
A única atitude que espero do Sr., se é que terá a dignidade para tal, é a de publicar esta mensagem na íntegra na página principal seu “Blog”, pois, tem esta a finalidade de exercer o meu direito de resposta.
Para finalizar, quero que saiba que falo como homem, como Pai e como um apaixonado pelo automobilismo. Este mesmo automobilismo que, lamentavelmente, abriga gente como o Sr. que, apesar dos meios de que dispõe, nada faz pelo seu engrandecimento.
Atenciosamente
Hailton Castro”
*************************************************
RESPOSTA DO FG:
Caro Sr. Hailton,
Incialmente, permita-me apresentar-me.
Sou Flavio Gomes, jornalista há 26 anos, 20 deles no automobilismo. E sou o criador da categoria que seu filho escolheu para iniciar sua carreira no automobilismo.
De tudo que o senhor escreveu, as únicas coisas que realmente importam estão nos primeiros parágrafos. Folgo em saber que o senhor percebeu que o Felipe colocou em risco sua integridade e a de terceiros. E folgo mais ainda em saber que nada de grave aconteceu, nem a ele, um garoto de 16 anos, nem a ninguém. Imagino, sim, os sentimentos seus e de sua família diante da possibilidade de um acidente grave. Não, não passarei pelas mesmas emoções porque jamais permitirei que meus filhos participem de corridas de carros aos 16 anos.
O resto, me desculpe a franqueza, é um amontoado de bobagens. Se o Felipe, como o senhor disse, assumiu seu erro, demonstrou mais maturidade que o senhor, com seu discurso virulento e destemperado. Porque seu destempero é típico de quem não aceita críticas, nem o confronto com a realidade. Algo que, felizmente, parece que o Felipe aceitou.
O senhor alega que Felipe foi alvo de “perseguições” por parte de “vários pilotos da categoria”. Dê os nomes, talvez seja interessante saber quem foi que o “perseguiu” e “pressionou”. Era uma corrida amistosa, duvido que alguém tenha feito isso. Não vi “clima de terrorismo” nenhum. Eu, por exemplo, nem sabia que seu filho iria correr. Fui vê-lo na pista. O carro. Nem sabia quem estava ao volante. Lamento, mas nossa categoria não é formada pelo tipo de gente que o senhor imagina que dela participa.
O que tem no carro de seu filho não me interessa minimamente. Se ele tem a intenção de participar de nosso campeonato, caberá aos comissários da FASP constatar se o carro está no regulamento ou não. Isso é irrelevante. O senhor está desviando o assunto de seu tema central, que descrevi com a maior clareza possível no que escrevi — o despreparo de alguém com 16 anos para enfrentar uma pista com um carro de corrida. Abstraia que é seu filho. Estou falando genericamente. Há alguns anos escrevi a mesmíssima coisa sobre crianças de 9 ou 10 anos que disputam campeonatos de moto. Parte da comunidade motociclística me odeia por isso. Paciência.
O senhor brande “o cronômetro” como motivação para a tal “perseguição”, o que é uma sandice. Eu e todos meus colegas dispensamos tais demonstrações de virilidade. Não quero ensiná-lo a educar ninguém, mas creio que elas não sejam um bom exemplo para um adolescente que está agora formando sua personalidade.
Não submeti seu filho a execração alguma. Apenas mostrei o que aconteceu numa corrida. Ele, como piloto inscrito numa prova pública, está sujeito a julgamentos públicos — de outros pilotos, de jornalistas, de espectadores. O senhor não “julga” pilotos quando os vê pela TV? Tratei da manobra de Felipe exatamente como devo ter tratado as manobras desastradas de Alex Yoong quando ele estreou na F-1.
Quanto a ser tachado de “irresponsável”, bem… Todos temos direito a opiniões, não? Eu acho uma irresponsabilidade um pai permitir que um garoto de 16 anos participe de corridas sem ter preparo para tal. O senhor pode achar que eu sou irresponsável, por exemplo, por levar meus filhos a estádios para ver jogos de futebol. É tudo questão de ponto de vista.
Se isso criou um clima ruim em sua casa, lamento. Mas pode ter certeza que o clima estaria muito pior se seu filho tivesse sido acertado em cheio pelo Fiat de meu colega Marcelo Giordano. Muito pior. Talvez o senhor estivesse agora chorando ao lado de um leito de hospital, ou de um caixão.
Dispenso, igualmente, suas considerações sobre “a categoria de jornalista” à qual pertenço. E não me importo muito com o que o senhor acha disso que chama de “pressão” de minha parte para que as autoridades esportivas tomem providências. Acho que têm de tomar, mesmo. Se o senhor não se importa com a segurança de seu filho, tomara que alguém se importe. Nesse caso específico, são as autoridades esportivas. De fato, o senhor não me deve satisfações sobre os treinos e aprendizado de seu filho. Deve-as aos órgãos que regulam as corridas. Pelo que se viu na pista, o aprendizado de Felipe foi falho e quase causou um acidente gravíssimo. Isso, sim, me diz respeito. A mim e a todos os pilotos que correm na nossa categoria.
Não mais procurarei o Felipe para conversar, se é de seu desejo. Mas se ele quiser conversar comigo, estarei à disposição. Ao contrário do senhor, que pretende me ignorar, não vou ignorar a presença dele, nem a de qualquer piloto, em nossas corridas. Queira o senhor ou não, ele terá de se submeter a julgamentos e regras, se quiser seguir no automobilismo. Regras e julgamentos aos quais terá de se submeter também na sua profissão, no seu convívio social, na sua escola, na sua faculdade, na sua vida.
Vida que, felizmente, não acabou de maneira trágica sábado passado em Interlagos. Como disse no início, essa é a única coisa que importa: ele saiu ileso, assim como todos os outros. O resto — sua ira, seu inconformismo, seu histrionismo, suas demonstrações de “macheza” — pode guardar para si. São características que, de fato, não me dizem respeito.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Automobilismo brasileiro
Tags: acidente, CBA, FASP, Interlagos, Superclassic