SÃO PAULO (that’s it) – Eu tenho anotados todos os GPs que cobri “in loco”, como se diz, desde 1988. Fui atualizar a lista e esse aqui foi o 225º. Ducentésimo vigésimo quinto. É bastante. Mais do que a maioria dos pilotos. Bela porcaria. É só um trabalho. Que me custou nesses anos todos intermináveis horas em aeroportos e aviões e hotéis.
Não foi o melhor dos GPs do Brasil que já acompanhei de perto. Eu gostava muito das corridas do Rio, e a fase Senna em Interlagos durou pouco, apenas cinco provas, e sem dúvida as duas que ele venceu foram muito interessantes, pela empolgação do público e pela clara vocação de protagonista que Ayrton tinha.
Depois foram anos e mais anos de uma falsa impressão de que Barrichello poderia finalmente ganhar (falo sempre do ponto de vista do torcedor), exceção feita a 2003, que ele podia mesmo, e mais recentemente a ascensão de Massa, que correspondeu às expectativas da turma da arquibancada.
Neste ano, havia uma chance boa para Barrichello, que acabou frustrada por conta de um domingo de sol e tempo firme. Ele não poderia ser campeão aqui, mas dava para ganhar se o dia fosse instável, aquele chove -não-molha, tudo que o ajudou a fazer a pole ontem.
Não ganhou, e ficou aquela impressão de decepção no ar, na saída do público. É pena que a maioria venha só para ver brasileiro na frente. O espetáculo geralmente é bonito na F-1, seja qual for a nacionalidade dos vencedores, e Interlagos costuma oferecer bons pegas, como a gente dizia antigamente.
Mas se não foi o melhor de todos, também não foi o pior. Pelo quinto ano seguido saiu um campeão aqui, e assim Interlagos vai acrescentando belos capítulos à sua já rica história.
Agora, quase dez da noite, garoa e faz frio na região do autódromo. Os mecânicos estão acabando de empacotar suas tralhas nos boxes, porque daqui a duas semanas todos estarão em Abu Dhabi para a última prova do ano. E assim se vai mais uma temporada, e para quem como eu passou muito tempo ajeitando o calendário pessoal ao calendário da FIA, é mais um ano que acaba também.
Só que meu calendário pessoal já não é mais o da FIA. Então, não saio mais daqui com aquela sensação de que o ano acabou e, agora, “só na Austrália” (nem é, ano que vem começa no Bahrein). Nada. Amanhã é segunda, dia útil, cheio de coisa para fazer.
Sendo assim, encerramos nossas transmissões direto de Interlagos. Mais uma vez. Para fazer tudo de novo no ano que vem, creio. Só que, nesse intervalo, voltarei aqui para fazer outras coisas. Acelerar meu carrinho, que é muito mais gostoso do que ver os outros acelerando.
Bye, macacada. Estou com fome. Vou bater um pastel.
SÃO PAULO (estou atrasado!) – Barrichello não venceria a corrida nas condições de hoje. Para ganhar, teria de contar com chuva ou confusões dos outros. Com tempo firme e carro mais leve que Webber, precisaria contar com uma má largada do australiano, o que não aconteceu.
Foi uma prova de leitura muito simples. Webber não podia deixar Barrichello escapar, para aproveitar as cinco voltas que tinha a mais de combustível. Quando Rubens voltou de seu pit stop, caiu no tráfego, o que é normal em Interlagos, e ali perdeu também uma posição para Kubica. O terceiro lugar seria sua posição natural, mas no fim teve o problema do pneu furado e acabou apenas em oitavo. Foi-se a chance de vencer em casa.
O GP do Brasil teve ótimas primeiras voltas e algumas grandes atuações. A começar pelo campeão Button, que se aproveitou das trapalhadas de Trulli, Sutil e Alonso (para mim, tudo culpa do Trulli) para fechar a primeira volta em nono, perto dos pontos, e passou muita gente. Me lembro de Buemi, Grosjean, Nakajima. E de uma disputa doida demais com Kobayashi, grande surpresa, um japa doidinho de pedra e muito rápido e combativo. Será titular da Toyota no ano que vem, isso já está decidido. Estreou deixando excelente impressão.
Button guiou, como ele mesmo disse, “para fazer as coisas acontecerem”. Fez. Entrou nos pontos rápido, sabia do que estava acontecendo com Barrichello e não teve medo de buscar posições. Mereceu o título. Foi a melhor corrida dele desde a vitória na Turquia.
Outra grande, fenomenal, atuação foi de Hamilton. Largou em 17º e foi buscar um pódio. Assim como Raikkonen, que até passou no meio do fogo deixado pela gasolina de Kovalainen nos boxes, depois de cair para último na primeira volta graças a um toque em Webber, após uma grande largada. Ufa. Frase longa, porque aconteceu muita coisa para ele, mesmo, na prova. Terminou em sexto. Tem feito ótimas corridas, Kimi, apesar de já demitido.
Vettel, o quarto colocado, também foi de encher os olhos. Se não tivesse largado tão atrás, em 15º, era o maior candidato à vitória, porque é mais piloto que Webber. A Red Bull, na verdade, sobrou. E palmas para Kubica, que conseguiu sua melhor posição no ano, num time que vive claro estado de fim de feira.
A prova foi melhor na primeira metade. Depois, as posições se acomodaram. Com Barrichello fora da briga pela vitória desde o primeiro pit stop, a eletricidade que tomava conta do autódromo antes da largada se esvaiu.
Foi o quinto ano seguido que Interlagos consagrou um campeão. Alonso em 2005 e 2006, Raikkonen em 2007, Hamilton em 2008 e Button agora. É um bom palco para decidir títulos. Claro que a corrida de hoje não pode ser comparada à do ano passado, que teve desfecho cinematográfico. Mas foi legal. Button é, igualmente, um campeão legal. Cara batalhador, que teve altos e baixos na carreira, estava a pé no fim do ano com a desistência da Honda, e aí veio Ross Brawn, e aí ele começou o campeonato de forma arrebatadora, ganhou seis das sete primeiras provas e passou a administrar a vantagem já sem brilho. Brilho que hoje voltou. À sua pilotagem e, especialmente, ao sorriso e ao olhar. Um campeão feliz.
SÃO PAULO (boas mãos) – Uma vez, cobrindo um GP da Espanha, a gente foi jantar num restaurante em Granollers. É uma microcidade-dormitório (OK, nem tão micro assim) do lado de Montmeló, onde fica o circuito de Barcelona. Explicando: o circuito de Barcelona, que a gente chama de Barcelona, fica na cidade de Montmeló, na perifa de Barça, mas a gente diz Barcelona porque é mais bonito. Granollers fica à direita da entrada do autódromo. Montmeló, à esquerda. Mais para a direita a gente chega na França. Mais para a esquerda, em Barcelona. Sacaram?
Bem, saímos tarde da pista e fomos a um restaurante simpático em Granollers, que tinha dois grandes salões e um bom presunto pata-negra. Patanegra? Patannegra?
Não vou lembrar o ano, mas é bem provável que fosse 2001. Sim, 2001. Jenson Button estava na Benetton. Tinha estreado no ano anterior pela Williams, depois de derrotar, numa espécie de vestibular da equipe, o brasileiro Bruno Junqueira, que tinha vencido o campeonato da F-3000.
Button chegou chegando, porque Damon Hill tinha parado no ano anterior e a Inglaterra ficara sem nenhum bonitão para torcer. A Williams era a Williams, ora bolas, equipe de ponta, e lá foi Jenson começar sua vida de famoso. O companheiro dele era o mala sem alça do Ralf Schumacher, e assim ele virou a estrela da companhia.
Marcou uns pontinhos e, ainda muito jovem, 20 anos, foi parar na Benetton no ano seguinte, um time fashion, de vida social agitada, e aí ele pirou. Sabe aquela coisa de carrões, iates e mulheres? Pois é. Carrões, iates e mulheres. E aí chegamos ao restaurante de Granollers.
Numa mesa próxima estava um senhor de enorme nariz e rosto muito vermelho. John Button estava curtindo adoidado aquela vida de pai de piloto de F-1. Dividia os carrões, os iates e as mulhers com o filho, pode-se dizer. Usava camisa rosa e calça branca. Disso eu lembro bem, parecia da velha guarda da Mangueira. E bebia com gosto. E ria com gosto. Como a gente estava bebendo com gosto e rindo com gosto na mesa ao lado, estávamos no mesmo time.
“Buttão” virou figura frequente nos autódromos, sempre esteve ao lado do filho, um bonachão, mas ninguém deu muita bola mais para ele quando Button, o filho, entrou na espiral que leva pilotos para o fundo do poço por falta de resultados, até renascer anos depois na BAR em 2004, para sumir de novo até o começo desta temporada na Brawn.
Jenson sempre teve fama de bom piloto quando as coisas vão bem. Com um carro bom, neutro, sabe como buscar pontos e pódios. Depois da pirada juvenil dos tempos de Benetton, vendeu os carrões, os iates e as mulheres, e se concentrou em tentar ser alguém relevante na pista. Mas estava difícil, na Honda. E, para piorar, o posto de queridinho do Reino Unido foi perdido para Hamilton em 2007, por motivos óbvios. Button estava condenado ao ostracismo, em resumo.
E foi assim, esquecido, que reapareceu em Barcelona poucos dias antes da primeira corrida deste ano, num carro branco com faixas amarelas marca-texto. Era o primeiro teste da Brawn, a sucessora da Honda, que conseguiu se ajeitar para disputar o Mundial aos 44 do segundo tempo. Ninguém apostaria uma libra furada naquela equipe.
Talvez ele tenha ido jantar, naquele dia, no restaurante de Granollers. Com seu pai, John, que talvez estivesse de camisa rosa e calça branca. Talvez tenha dito ao pai que o carro era muito bom e que estava feliz por poder continuar a correr.
Duvido que tenha dito que seria campeão com ele.
Hoje ele se tornou o oitavo inglês a conquistar um título mundial de Fórmula 1. Seu pai apareceu bastante na TV neste ano. É um velhinho simpático e sempre sorridente. Transpira muito, vive com a camisa aberta, é meio desgrenhado, continua bonachão.
Viu o filho ser campeão. Não há mais carrões, iates ou mulheres. Mas há um filho campeão.
Deve ser legal ser pai de um campeão. Por isso, fui lá embaixo agora há pouco falar parabéns para ele. E pedi para tirar uma foto. Minha?, ele perguntou. Claro, uai. Estava com a mesma roupa daquela noite no restaurante de Granollers. E o mesmo sorriso no rosto. Um bom cara, esse John. E lembra meu avô.
SÃO PAULO(virão outros?) – Este é o 22º GP do Brasil seguido em que trabalho. Além de ser uma evidência de que estou em fim de vida e carreira, é uma longa história de observações, desde os tempos de Jacarepaguá e das primeiras quando da volta da F-1 a São Paulo. Foram anos de Senna e Piquet, Prost e Mansell, muito Schumacher, overdose de Barrichello.
Interlagos mudou alguma coisa desde 1990, mas não muito na essência. O espaço atrás dos boxes aumentou bastante. Está tudo mais moderno e bem cuidado. É normal. Mas é um autódromo velho. Afinal, são 70 anos de vida. Conheço vários pelo mundo. Da F-1 atual, todos menos as pistas da Turquia, Cingapura, Valência e Abu Dhabi. Dessa safra nova de circuitos gigantescos, inaugurada com Sepang, já estive na China e no Bahrein, além, claro, dos repaginados Nürburgring, Hockenheim, Silverstone e sei lá mais onde.
E não há nada igual a Interlagos.
Nada igual, porque aqui as pessoas se encontram. E andam entre pneus e caixas de motores e pedaços de carro e tambores de óleo e latões de gasolina. Aqui se sente o cheiro da gasolina. O paddock é apertado, mas todo mundo quer passear entre um treino e outro, porque sabe que vai encontrar aquele velho amigo, aquele mecânico com quem trabalhou não sei onde, aquele cara que em Istambul ou Xangai ele não verá nunca, porque o paddock é enorme, deserto, os boxes são distantes uns dos outros, há quilômetros de assepsia entre a McLaren e a Brawn, a Force India e a Renault, não há bicos, mulheres, atrizes, modelos, manequins (já houve mais peruagem aqui, mas não se pode querer tudo).
Aqui todo mundo arruma uma credencial. O dono da equipe de F-3, o instrutor da escola de pilotagem aqui na frente, o tesoureiro da federação, o pilotinho de kart, o amigo do Rubinho, a familia do Massa, os caras das empresas, o gerente da firma, os policiais federais e os delegados, o secretário de meio-ambiente e seus assessores, a turma da faxina é numerosa, a da segurança, também. Aparecem jornalistas que a gente só vê uma vez por ano, é um evento festivo e concorrido, mas em Interlagos sempre cabe mais um.
E o pessoal da F-1, que é normalmente chato e metido a besta, parece voltar um pouco no tempo e entra no clima da camaradagem, circulando entre pneus, esbarrando em bundas e peitos, fumando loucamente na porta dos banheiros movimentados, jogando bitucas no chão, suando, se molhando na chuva, encharcando as meias e os tênis e, no fim do dia, se acabando na picanha e na caipirinha e, se der tempo, numa morena faceira.
Interlagos é um pouco do que sobrou de automobilismo na F-1. Boa corrida a todos.
SÃO PAULO (cada uma…) – E adentra a sala de imprensa o filósofo, jornalista, escritor e cineasta Raul Moreira, cidadão que a Bahia forneceu ao mundo, portando a máscara abaixo. Está sendo distribuída nas cercanias do autódromo. Parece que alguma empresa aproveitou o, digamos, ensejo.
SÃO PAULO(impossível) – Quando acordei, chovia. Quando saí do banho, estava sol. Aqui em Interlagos, o sol aparece entre nuvens. Meteorologistas dos quatro cantos do mundo dizem que a corrida começa com pista seca, mas que pode chover no fim. Eu não tenho a menor ideia. Fosse um sabadão de Classic Cup, do jeito que está agora, me prepararia para correr no seco total. Mas o horário é diferente. A gente corre por volta do meio-dia. Hoje, começa às duas da tarde. Na verdade, uma, pelo horário antigo. É que à meia-noite começou o horário de verão.
Ambiente muito tranquilo por aqui. Nada de trânsito (esse esquema da CET sempre funcionou muito bem, desde os tempos da prefeita Erundina), o público não é muito grande.
Vamos aos palpites para a corrida? O meu, para os oito primeiros: Webber, Barrichello, Trulli, Sutil, Rosberg, Raikkonen, Button e Alonso.
SÃO PAULO(gordos e magros) – Saiu a lista de pesos dos carros para o GP do Brasil. Barrichello, como era de se imaginar (ele mesmo disse que imaginava), é o mais leve do grid. Parte para a corrida com 650,5 kg e deve parar na 21ª volta da prova para seu primeiro pit stop. Webber, ao seu lado na primeira fila, larga com 656 kg e deve parar três voltas depois que o brasileiro. Não é tanta coisa assim.
Quem aparece bem, entre os primeiros, é Trulli, o quarto no grid, com 658,5 kg. Se conseguir manter contato com os líderes no começo, pode dar o pulo do gato, embora seja conhecido por ter um ritmo de corrida bastante instável. Sutil, o terceiro, começa a prova com 656,5 kg.
Lá atrás, o adversário de Rubens, Button, vai pesadão para a corrida, com 672 kg. Mas não é o mais gordo do grid. Com 683,5 kg, Fisichella, o lanterna da classificação, é quem vai sair com mais gasolina no tanque.
Eu que não vou tirar conclusão nenhuma dessa pesagem. Dependendo do tempo, amanhã, esse negócio não significa muito, não. De qualquer forma, a lista completa está aqui.
SÃO PAULO(enfim, acabou) – Rubens Barrichello conseguiu talvez a mais bonita das 14 poles de sua carreira, cinco anos depois da última, pela Ferrari, aqui mesmo em Interlagos em 2004. Foi parecida com algumas outras. De cabeça, lembro daquela de Spa pela Jordan em 1994, a primeira de todas. Foi buscar, em condições complicadas, difíceis para todos, mas… no quintal de casa. Rubens, apesar de um retrospecto ruim em Interlagos, anda bem nesta pista. E a coisa da “energia da torcida”, para ele, parece funcionar.
E a pole veio num treino longo, muito longo. Que começou na hora marcada, mas depois da primeira rodada, de Fisichella, com 4min de sessão, foi suspenso por causa da chuva. Primeiro, só oito minutos de interrupção. Um baita aguaceiro, e solta todo mundo na pista para degolar Vettel, Kovalainen, Hamilton, Heidfeld e o trágico Físico.
Aí começou o longa-metragem de Interlagos. A chuva não parava, a pista estava perigosa, e só depois de 24 minutos começou o Q2. Que foi logo interrompido porque Liuzzi se estampou no S do Senna. Eram 14h59. Depois de vários adiamentos por medo d’água, só às 16h10 as atividades foram retomadas, quando um solzinho tímido começou a aparecer pelos lados da represa de Guarapiranga. Já dava para andar.
O Q2 foi fatal para Button, que guiou mal e ficou em 14º. Barrichello passou na conta do chá, em décimo. “Eu precisava passar, porque sabia que com a pista secando meu carro seria muito competitivo”, falou agora há pouco.
Ficaram fora Kobayashi, Alguersuari, Grosjean, “Jênssãn” e Liuzzi, claro, com o carro batido.
Nas duas sessões, o carro que melhor se adaptou ao piso molhado de Interlagos foi o da Williams. Nico Rosberg liderou as duas primeiras partes do treino, com Nakajima sempre por perto. Virou o favorito à pole.
Mas Barrichello se superou no Q3, e a Williams amarelou. Com pneus intermediários, foram todos para o tudo ou nada e Rubens abriu o treino com o melhor tempo, 1min21s167, marca superada imediatamente por Kubica, Webber, Raikkonen, Trulli e Rosberg. Aí, o brasileiro voltou à ponta com 1min20s210. E a pista melhorando. Webber virou seu adversário direto. A briga seria entre os dois, e Barrichello fez 1min19s576. O australiano da Red Bull tentou dar o troco, mas virou 1min19s668. A torcida vibrou.
Sutil, com a Force India, cravou um excelente terceiro tempo, e os dez primeiros se completaram com Trulli, Raikkonen, Buemi (outra surpresa), Rosberguinho, Kubica, Nakajima e Alonso.
Button, num mau-humor compreensível, disse assim que saiu do carro que se Barichello fizesse a pole, a decisão poderia ir mesmo para Abu Dhabi. Em condições normais, é o que deve acontecer, mesmo. A distância entre os dois é grande e o inglês vai ter dificuldades até para pontuar. Rubens tem uma ótima chance de vencer pela primeira vez em casa, talvez a maior de todas, o que seria muito bonito para sua carreira. Adversário de verdade, por perto no grid, ele só tem Webber. O resto ficou para trás. Não saíram os pesos ainda, ele deve estar mais leve, mas não sei se muita coisa, não.
Só que o resultado dessa corrida é totalmente imprevisível, como o clima paulistano e, especialmente, o de Interlagos. O domingo pode ser como hoje, com idas e vindas dos cumulus nimbus pelos céus entre as represas, ou pode nascer ensolarado, ou apenas frio. Pode nevar e aparecer um furacão, também.
O que dá para antecipar, apenas, é que vai ser um corridão. Interlagos é bom para corridões.
SÃO PAULO (eu ando) - O treino está parado aqui desde as 14h59. Quase uma hora. Chove, mas não é uma tempestade. A pista está molhada, mas não alagada. A questão real é: carros de F-1, hoje, não são apropriados para a natureza. Potentes demais, extremos demais, incontroláveis com piso molhado. São muito baixos, o curso do acelerador é mínimo, são feitos para andar com o pé embaixo o tempo todo.
Nas condições de Interlagos agora, qualquer carro normal anda. É só andar mais devagar. Só que os pilotos não conseguem.
Carros de F-1 são aberrações mecânicas. Eles deveriam dar aos pilotos a chance de ser mais lentos, de baixar o limite. Só que não dão. Na minha opinião, teriam de se virar. Não há tempestade nenhuma aqui. Só chuva. Já vi bem piores.
SÃO PAULO(estou seco) – Foi divertida a manhã interlaguística. Para quem vem aqui quase toda semana, nada muito estranho. Mas a turma que baixa por estas bandas uma vez por ano acha tudo esquisito. Uai, só porque de manhã cedinho estava garoando, depois fechou o tempo de vez, aí saiu o sol, e de repente caiu uma tempestade? O que tem isso demais?
Tem que o primeiro treino livre não começava de jeito nenhum, porque a chuva era tão forte que o helicóptero médico não tinha como decolar, e sem helicóptero, sorry, periferia: carro de F-1 não anda. Questões de segurança.
Quando diminuiu um pouco, faltavam 18 minutos para meio-dia, hora prevista para o fim do terceiro treino livre. Aí a pista foi liberada e todos saíram para ver como estava o circuito com aquele aguaceiro todo. Estava bem molhada, pode-se dizer. Mas nada de tão espetacular, tanto que o melhor tempo, de Rosberguinho, foi de 1min23s182, pouco mais de 10s pior, apenas, que no seco. É quase nada, para o tanto que choveu.
Faltando três minutos para o fim dos 18 disponíveis (é preciso um intervalo de duas horas entre o último treino livre e a classificação), Grosjean, na descida do Lago, perdeu o carro, que apontou para a direita, onde tem grama, e quase decolou ao bater numa pequena elevação. Acertou o guard-rail bem onde estava um fiscal, que deu aquela fechada anal e pulou para trás. Salvaram-se todos.
No fim, Williams com os dois melhores tempos e Button em terceiro. Alonso em quarto. Barrichello em 14º.
Parou de chover agora, mas a ameaça sempre existe. Vai secar bem até as 14h se não cair mais nenhum pingo. Mas é provável que o Q1 comece com pista ainda molhada. A classificação é imprevisível.
Ah, essa imagem aí no alto, totalmente sem graça, é do gráfico de chuva dos monitores da FIA.
SÃO PAULO (…e um guarda-chuva) – Faltam 15 minutos para começar o treino livre e faz 20 minutos que está chovendo assim em Interlagos. Esquece. Do jeito que está, não dá para andar. Pobres dos torcedores nos setores descobertos. Está chovendo como fazia tempo eu não via por estes lados. Coisa mais linda. O safety-car está saindo agora para fazer uma vistoria. Temo que morra afogado.
SÃO PAULO(e tocando!) – Espetacular dica do Dú Cardim. Parece que alguém andou colocando parte do acervo da antiga TV Tupi no VocêTubo. Nesse vídeo aí em cima, uma visita de Fangio a Interlagos. E guiando um Simca Abarth, me parece. Gênio!
SÃO PAULO (casamento de viúva) – O tempo em Interlagos deixa qualquer um louco. Olha para um lado, sol e céu azul. Para o outro, nuvens negras. Para outro, ainda, a chuva chegando. Pobres engenheiros. Por isso gosto de correr com o Meianov. É só trocar pneu, e olha lá.
Saí de casa com garoa intensa, tudo cinza, quase nevando. Devia ser proibido levantar da cama nos sábados frios. Tem coisa melhor para fazer…
Cheguei aqui, neste microcosmo, e está tudo diferente.
Acima, alguns cliques de agora há pouco. Estamos começando nossas transmissões. Bom sábado a todos.
SÃO PAULO(ficou escuro) – Observem a foto abaixo. Observem as asinhas dianteiras do carro da Brawn. Observem que o Banco do Brasil meteu uns adesivos ali. Agora observem bem. Não dá para observar direito. E, na TV, não dá para observar nada.
O Banco do Brasil deve pedir o dinheiro de volta. Ou, então, rescindir o contrato com sua agência de publicidade. Ou, então, mandar alguém arrancar aquelas asinhas que não deixam ver nada. Ou, ainda, trocar esses adesivos de lugar.
SÃO PAULO (ficou estranho) – Ontem falei da tinta mágica da McLaren, lembram? Por coincidência, recebi um press-release da empresa que fabrica a dita cuja, se chama AkzoNobel, deve ser importante, porque é dona da marca Sikkens, a tal tinta mais rápida, leve e ligeira e sei lá mais o quê, e da… Wanda! Ah, das tintas Wanda eu lembro. Essa sim. Então, dê-se o crédito.
Essa AkzoNobel (me lembra Alka Seltzer), que certamente é grande e famosa, usa bem a McLaren para suas promoções. Prova disso é o vídeo que veio anexado no press-release. Interessante a ideia. Meteram o Hamilton num carro para passar voando sobre pequenos tanques com 1.200 litros de tinta. Colocaram uma tela gigante de cada lado, e o resultado é esse aí.
Bom, tem gente que pinta assim, expõe em galeria e a isso se chama arte. Por que não um carro fazer o mesmo?
SÃO PAULO(faltam dois dias) – Bueno, ficaram todos os pilotos no mesmo segundo no treino livre que acabou agora há pouco aqui em Interlagos. De Alonso, o mais rápido, a Fisichella, o mais lerdo, 0s961. Oh. Não se assustem. Como disse em post abaixo, a pista é muito curta. Os tempos de volta de Interlagos são os menores da temporada. O traçado só não é menor que o de Mônaco, e por isso é natural que no cronômetro as diferenças sejam minúsculas.
Para que ninguém se impressione demais, é só fazer uma conta simples. Se a pista fosse 25% maior, algo como 5.385 m, uma extensão mais próxima de outros circuitos do calendário, esse 0s961 do Fisichella lanterninha viraria 1s201, aplicados os mesmos 25%.
Mas houve um certo equilíbrio, sim, especialmente nas primeiras sete posições, de Alonso a Vettel: 0s297. Escolhi sete primeiros porque nesse grupo estão os três que lutam pelo título. Deles, Barrichello foi o melhor, em terceiro. Button ficou em quinto. A surpresa foi Buemi, da Toro Rosso, em segundo.
Tião suíço ficou em primeiro quase o treino todo, até Alonso bater seu tempo no final. Ambos deram a impressão de terem conseguido suas voltas com os carros bem leves. Na Brawn, foi claro o obejtivo de trabalhar para a corrida. Rubens ficou nas últimas posições durante muito tempo, andando com o carro pesado, até tirar gasolina e cravar um tempo aceitável.
A pilotaiada andou bastante. Alguersuari, por exemplo, completou 78 voltas. A corrida terá 71. Button, com 74, e Vettel, com 72, pouco se lixando para o motor muito rodado, foram os outros que mais treinaram durante o dia. Para Barrichello, foram 70 voltas.
Fez frio, mas não choveu de verdade em Interlagos. Só um pouquinho no treino da manhã. A ameaça de água pairou sobre o autódromo o dia todo, com nuvens negras no entorno. Mas água, mesmo, necas de pitibiribas. Dizem que o tempo pode melhorar amanhã. Com asfalto frio, como hoje, as coisas não são muito boas para a Brawn. Dizem também que pode chover. Aí, pior ainda.
É bem difícil fazer alguma aposta para a classificação de amanhã. Eu ainda iria de Red Bull. O próprio tempo de Buemi, que anda com um carro clonado, feito pelo mesmo Adrian Newey, indica que os rubro-taurinos podem se dar bem aqui. Mas é meio chute, ainda.
O dia acabou sendo de Massa, que passeou à vontade pelo paddock, encontrou Alonso, deu coletiva e disse, em tradução livre deste que vos bloga, que é um saco estar num autódromo e não poder correr. É mesmo. Daqui a pouco eu volto.
SÃO PAULO(frio da peste) – O que foi gozado na Toyota foi o tal Kobayashi. Eu lá pegando uma sobremesa depois do frugal bife com salada e, na mesa atrás, um jovem engenheiro da equipe com o volante do carro nas mãos, mostrando para o piloto para que serve cada botão. E o simpático japonês comendo e prestando atenção. Kobayashi corre no lugar de Glock, que já foi dispensado pelo time, mas talvez volte em Abu Dhabi. Ele se machucou no Japão e por isso ficou fora da prova daqui.
Koba-san foi o 18º colocado hoje.
Acho que ele pinta o cabelo. É tipo japonês loiro.
SÃO PAULO(tudo escuro) - A hora do almoço em Interlagos é sempre divertida. A gente vai esbarrando em gente conhecida, pilotos que querem mostrar a cara, dirigentes, todos sorrindo, aquelas coisas. Fui disposto a comer uma macarronada ferrarista, mas acabei na Toyota, graças ao Fábio Seixas. Almoçamos eu ele e Bárbara Gancia. Papo bom, rango mais ou menos. Teria sido melhor na Ferrari.
E foi no bafafá do paddock que Massa e Alonso se encontraram. Fernandinho foi ao pequeno escritório da Ferrari e uma multidão de fotógrafos e cinegrafistas registrou a cena. Na hora eu estava combinando com o Claudio Thompson (botafoguense) e o Rogério Gonçalves (tricolor carioca), da Petrobras, onde iremos jogar no ano que vem: Canindé aqui, claro, mas lá estamos pensando em Laranjeiras e Caio Martins. Foi quando o encontro Massa-Alonso aconteceu, e deu tempo de um clique mambembe.
Salvo engano, foi a primeira vez que eles se encontraram desde o anúncio oficial da contratação do espanhol.
SÃO PAULO (da garoa) – Os pilotos gostam de Interlagos. Por isso, não desprezaram o primeiro treino, mesmo com o chove-não-molha típico da região — que fica entre os lagos, as represas, e faz desta pista algo único, uma zona meteorológica, uma espécie de ilha de Lost com clima próprio, que não é o mesmo de Santo Amaro, nem de Parelheiros, nem de lugar algum; é o clima do autódromo, não do bairro.
Assim, começou com pista seca, depois teve garoa, depois chuva, depois secou. É bom mesmo a pilotaiada ir se acostumando. Vai ser assim todo o fim de semana.
Deu Webber na primeira sessão, com 1min12s463. Ano passado, a pole de Massa foi em 1min12s368. Vai ficar por aí, talvez entrem em 1min11s, lembro de voltas em 1min10s aqui, a pista é muito curta, pouco mais de 4 mil metros, e hoje algum comentarista haverá de dizer que a F-1 é muito competitiva, com não sei quantos carros no mesmo segundo.
Em pistas curtas, isso não quer dizer nada. Não acreditem nos comentaristas. Muito menos em mim.
Barrichello ficou com o segundo tempo, a 0s411 do canguru da Red Bull. Deu uma rodadinha no Bico de Pato. Foi exatamente igual a uma que eu dei nesta corrida aqui, na chuva, na frente do Passat Trovão Azul do Tranjan. Pena que essa imagem eu não tenho. Na verdade, tenho, gravada do carro do Tranjan. Mas acho que não está no VocêTubo. Bem, não importa.
De marcante neste primeiro treino, a trapalhada de Grosjean, piloto fraco, que atropelou uma placa de isopor marcando os 100 metros para a freada da Junção, colocada num lugar estúpido, no fim da zebra do Mergulho, onde às vezes se passa do ponto, mesmo. Arrebentou tudo e deu bandeira vermelha. Placa tem de pendurar, não colocar no chão.
Vettel foi o terceiro e Button, o sétimo. Na Ferrari, Kimi em décimo, Fisichella cinco posições atrás. O estreante Kobayashi foi o 18º. Ele corre no lugar de Glock pela Toyota.
Tem pouca gente em Interlagos, como é normal às sextas-feiras na maior parte dos autódromos do mundo.
Daqui a pouco tem o treino da tarde. O autódromo está cercado de nuvens bem carregadas. Eu vou aproveitar para almoçar. Ah, não sem antes dizer que a imprensa espanhola está dando que Bruno Senna assinou com a Campos e vai levar Petrobras no bolso. Todos negam, como de costume.
SÃO PAULO(19°C) – Bom dia, macacada. Interlagos a postos para o primeiro treino livre em instantes. Faz frio, o tempo está carrancudo, muitas nuvens e segundo a papeleta fixada na sala de imprensa, 95% de chances de chuva hoje. Não sei a que horas. 80% para amanhã. E domingo, não sei.
Todos instalados, equipe quase inteira do Grande Prêmio no autódromo e, no caminho, encontrei Nenê Finotti, Evaldo e Fábio numa picape Mitsubishi fazendo a ronda pelo autódromo. Vistoria para nossa corrida daqui a duas semanas, sacaram?
Massa está nos boxes, com uniforme da Ferrari, como se fosse guiar. Deve estar louco para correr, coitado. Eu, quando não posso correr, nem passo perto do autódromo.
Agora há pouco cruzei Bob Costandouros, o jornalista que conduz as coletivas oficiais da FIA desde os tempos das corridas de bigas. Ele também gosta de carro velho. Ao me ver, disse que sou o último Flavio do paddock. Pelo jeito, mais um que não sente a menor falta de Briatore.
SÃO PAULO (quase no fim) - O post abaixo poderia se chamar “fotos” e este aqui, “fatos”. “Fatos & Fotos”, lembram? Semana sim, semana não, tinha a Luiza Brunet na capa. Era ou na “Fatos & Fotos”, ou na “Manchete”. Bons os tempos em que era Luiza Brunet nas capas das revistas.
Bem, vamos aos fatos, para resumir o dia em Interlagos. São muitos, pequenos, e quem sabe juntando tudo dá um inteiro.
- Barrichello disse que Button “é muito bom”, e que “nos melhores dias, tem a velocidade do Schumacher”.
- Ainda ele, Rubens. “Tirando eu, o Alonso é o melhor”, sobre os pilotos em atividade.
- Mais: “Felipe foi como um pai pra mim”, contando que no fim do ano passado Massa o aconselhou a parar de correr, porque não tinha mais nada a provar a ninguém e não seria legal ficar mendigando uma vaga em qualquer lugar.
- Piquet-pai apareceu por aqui. Não vi. Mas parece que falou rapidamente com a Globo. “Estou procurando emprego para meu filho”, teria dito. Não deu para confirmar, mas fica a versão.
- Reginaldo Leme, para mim: “Galvão não pode nem te ver, está puto com as colunas do Máximo Bueno”. Mas não sou eu que escrevo, é o Máximo! “Ah, ele tá puto”, insistiu o Regi, morrendo de rir. Pelo sim, pelo não, acho melhor não cruzar o Galvão por aqui.
- Kubica andou dizendo que a Renault vai querer um piloto experiente para a segunda vaga no ano que vem. Grosjean estaria fora, portanto. Quem poderia ser o outro, que esteja dando sopa no mercado? Minha lista: Fisichella, Heidfeld, Trulli, De la Rosa. Ninguém muito emocionante. Grosjean pode estar dentro, portanto.
- Fisichella, você disse? Sim. Hoje, lá na coletiva da Ferrari, ele falou que tem contrato de reserva de Maranello, sim, mas que está estudando uma ou outra opção para o ano que vem. Quem sabe pinta algo legal e ele continua correndo.
- Raikkonen me pareceu bem puto com a Ferrari. “Não me queriam mais, não faria sentido insistir”, disse. Sobre o ano que vem, planos? “Não”, respondeu, com sua habitual verborragia.
- Alonso, claro, foi questionado sobre o “claro que ele sabia” (Massa, ontem, Cingapura). Não esticou o assunto. “A FIA já disse o que acha e eu não sei se é verdade que Felipe falou isso, pode ser um mal-entendido”.
- Choveu pacas de manhã, mas depois do almoço parou. Se a corrida tivesse sido hoje, começaria com pista úmida e terminaria no seco.
- Button garantiu que não se sente pressionado, nem ansioso demais pelo fato de que pode conquistar o título aqui. Diz que é tudo “positivo” e que sua única preocupação é o tempo instável, e que tem de ter cuidado para não tomar as decisões erradas se chover, parar, nevar ou sair um sol de rachar.
- Ainda Button, sobre a Brawn poder sair de Interlagos com o título de construtores: “Parece coisa de cinema, mas quando a gente fez o primeiro teste, em Barcelona, deu tudo tão certo que foi inacreditável. Nada que podia dar errado deu. E quando você faz um primeiro teste assim tão bom, a temporada só pode ser boa”.
- Por fim, “Jênssãn” sobre a disputa do título de pilotos: “Se o Rubens ganhar, vou odiá-lo para sempre, porque ser campeão na F-1 é tudo que a gente sonha desde os oito anos de idade. Mas se ele for campeão, vou respeitar o resultado e admitir que ele fez um trabalho melhor que o meu ao longo de 17 corridas”. Mui polido, mas é isso aí.
E por enquanto é só. Ah, faltou dizer que a Brawn GP ocupa os nossos boxes, 20 e 21. “Nossos” da LF Competições, a equipe do Meianov. Espero que deixem tudo limpinho porque dia 31 os titulares estarão de volta.
SÃO PAULO(coisinhas) – Sim, eu sei que essas fotos estáticas de boxes não têm a menor graça, são repetitivas etc e tal. Mas como não tenho talento algum para fotografia e quero mostrar um ou outro detalhe, aguentem. Da esquerda para a direita: as asas dianteiras são hoje o grande charme aerodinâmico da F-1, cheias de aletas, minitúneis, passagens secretas de ar; uma modinha nova exclusiva para Interlagos, que não tem muito espaço atrás dos boxes, é a das barraquinhas no pit-lane para mexer nos pneus em dias de chuva; a Renault vai de laranja mesmo, e não de amarelo e preto, como se especulava.
Sobre esses bicos da McLaren, cumpre informar que ontem recebi um press-release de uma empresa, cujo nome não me lembro, dizendo que é a fabricante brasileira da tinta que pinta os carros de Hamilton e Kovalainen, e que a tal tinta possui propriedades mágicas que fazem não sei bem o quê, algo como reduzir o peso, diminuir o arrasto, preservar a camada de ozônio e frear o aquecimento global.
SÃO PAULO(após a tempestade, tem até pôr-do-sol) – Claro que tudo tem um preço. Cobrir um GP em Interlagos, por exemplo, resulta na necessidade de consumir líquidos não muito, digamos, populares. É um dos patrocinadores da prova e, portanto, fornecedor.
Na boa… Skinka ninguém merece. Amanhã vou trazer Chamyto.
SÃO PAULO(algo ficou) – Eu viajei para todas as corridas por 18 anos e esta é a quarta temporada acompanhada a distância, por assim dizer. Mas é legal ver que algumas pequenas memórias não se apagam. Assim que cheguei à sala de imprensa, hoje, um velho jornalista alemão, Achim Schlang, veio até minha mesa e falou: tenho um presente pra você.
Nõs nunca tivemos contato fora do ambiente dos GPs, mas de vez em quando conversávamos, principalmente sobre carros antigos, Leste europeu, um pouco de política, tudo, menos F-1. E, claro, DKW — afinal, é da terra dele. Mas… presente? Aí ele tirou um pequeno embrulho do bolso do casaco e me entregou. Disse que esteve numa feira de antigos, meses atrás, viu e se lembrou de mim.
O embleminha aí em cima é uma baita raridade. É comemorativo de um encontro de DKWs em Nürburgring em 1964. Quando disse ao Schlang que é do ano em que nasci, ele ficou mais contente do que eu. “Não é um 3=6 igual aos seus carros, mas é DKW!”, terminou, com exclamação.
(Eu vejo exclamações nas frases das pessoas quando elas falam comigo, e uma exclamação vinda de um alemão que eu não via havia um ano fica ainda mais bonita e verdadeira.)
Danke, Schlang. Vai ficar guardado com muito carinho.
SÃO PAULO(anuncie aqui) – Itaipava nas laterais e no aerofólio, Banco do Brasil na asa dianteira, Mapfre (seguradora espanhola com forte presença por aqui) na tomada de ar… O GP do Brasil está rendendo à Brawn, e o time deve agradecer a Barrichello, que também está enchendo as burras no fim de semana.
Certo ele, aproveita o bom momento. Rubens nunca teve grandes patrocinadores pessoais desde os tempos da Arisco e, ainda na Jordan, da Pepsi, Antenas Santa Rita, Ruffle’s e alguns outros.
Na Ferrari, Barrichello chegou a ter um pequeno patrocínio da Net atrás do boné (quem é que aprovou aquilo?, me pergunto até hoje…) e, depois, desencanou porque ganhava bem e não precisava complementar a renda como nós, mortais, com um bico aqui e outro ali.
Agora, além de levar esse monte de patrocinadores novos para o time, Rubens ainda tem Batavo no capacete, graças à sua corintianice explícita.
SÃO PAULO(agora vai) – Foram mais de 500 comentários em menos de duas horas, ótimas sugestões, mas a que gostei mais foi do blogueiro Caê Guimarães, cujo e-mail vou procurar depois para entrar em contato. É ele que leva o anuário AutoMotor Esporte do ano passado, baita presente. Caro pra cacete pra mandar pelo Sedex, inclusive.
As notinhas do GP do Brasil neste ano vão se chamar “1 chopps, 2 pastel”, coisa bem paulistana mesmo, e a quantidade de pastéis vai mudando de nota a nota, até todo mundo encher o rabo de pastel e morrer de azia.
Muito obrigado a todos que participaram, e agora vamos trabalhar, porque sempre tem alguma bobagem para escrever essa corrida aqui. Bobagem mesmo, porque notícia de verdade é no Grande Prêmio.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.