SÃO PAULO(vixemaria) – Será que a Brawn vai mesmo cometer a irresponsabilidade de perder um campeão mundial? Será que não tem grana, mesmo? O fato é que Button foi até visitar a McLaren por esses dias. E seu empresário diz que as coisas estão difíceis para a renovação.
SÃO PAULO(de quem são?) – Recebo e-mail do chefe contando que a a Embaixada Brasileira em Roma fez uma homenagem no fim de semana a Senna e aos 15 anos do instituto da irmã dele. “O tributo contou com a exposição de três carros usados pelo piloto – na Fórmula 1, Fórmula 3 e Fórmula Ford –, além de capacetes e acessórios que pertenceram a Senna e uma exposição fotográfica de Keith Sutton, com imagens da carreira do piloto. Estiveram presentes no evento o piloto e sobrinho de Ayrton, Bruno Senna, sua irmã Bianca Senna e o embaixador do Brasil na Itália, José Viegas Filho.”
OK, informação repassada. Mas curti mesmo os carrinhos. Esses aí eu não sei a quem pertencem, não. Mas valem uma fortuna. E seria legal vê-los no Brasil um dia.
SÃO PAULO(em ritmo de Twitter…) - E chega a informação de que na quinta-feira, em Monza, Ferrari e banco Santander farão uma coletiva para a imprensa. Anúncio do patrocínio para o ano que vem, claro. E, imagina-se, algo sobre Alonso, enfim.
SÃO PAULO(com sol e Canindé) – Fim de semana sem corridas muito importantes, exceto a MotoGP, folga nos meus 30 empregos hoje e amanhã, Meianov quebrado (e quando isso acontece nem passo perto de Interlagos, para não ficar deprimido), jogo da Lusa contra o Vasco, resolvi tirar folga de verdade. Segunda-feira voltamos.
SÃO PAULO(que som…) – A McLaren colocou um vídeo em sua página no VocêTubo com o shakedown do MP4/4 que Bruno Senna vai dirigir em Goodwood. Quem mandou foi o blogueiro Rafael Rezende. Pensa que é só tirar o carro do museu e levar para a pista? Que nada…
SÃO PAULO(quero descer) – Acabei de vir da Fotoptica. Por conta de umas compras passadas, me empurraram há alguns muitos meses uns cartões que dão direito a “revelar” fotos digitais. Entre aspas mesmo, porque foto digital não se revela, ela revela-se aos seus olhos no momento mesmo em que você bate. Não sei, tecnicamente, o que é mandar um pendrive numa loja, ou um CD, e pedir para que passem aquelas imagens para o papel fotográfico. Revelar é que não é. Revelar é outra coisa.
Bem, estou zerando algumas pastas, por assim dizer, e como tenho 1.750 “revelações” franqueadas na Fotoptica, levei algumas para fazer isso agora mesmo, aqui em frente. Essa loja da Fotoptica é bem antiga, existe desde que me conheço por frequentador da avenida Paulista. Queria aproveitar para comprar alguns filmes, já que assumi inapelavelmente o caminho de volta e vou começar a fotografar com filme de novo, para lembrar como é.
Aí a mocinha da Fotoptica me diz que as “revelações” estão levando até sete dias úteis, porque os novos donos da Fotoptica estão tirando as máquinas das lojas, já que pretendem “focar”, termo dela, mais em óptica do que em foto.
Eu nem sabia que a Fotoptica tinha novos donos. Para mim, a Fotoptica era de algum grande retratista do passado que vivia num castelo com vista para o Danúbio, zelando por nossas memórias visuais como Willy Wonka sempre zelou pelo sabor do nosso chocolate. Mas isso tudo é bobagem, a Fotoptica, como qualquer outra empresa, tem CNPJ, razão social, acionistas, talvez, deve ser de algum fundo de pensão ou de algum grupo de investidores que não zelam por porra nenhuma. E seus atendentes nao são Oopa-Loompas misteriosos, mas mocinhas que perguntam se eu quero nota fiscal paulista.
Disse que não tinha problema, não tem pressa, são fotos de 2007 e 2008, já esperaram tanto, esperam mais sete dias úteis, quando eu levava filmes para revelar era isso que demorava, mais ou menos, até o advento da revelação em 24 horas, que era um estrondo, reduzia nossa ansiedade em seis dias úteis.
Aí fiquei pensando, bela merda a foto digital, leva mais tempo para “revelá-las” hoje na Fotoptica do que há 15 anos, quando eu levava meus filmes na mesma loja. E enquanto pensava nessas coisas sem importância, aproveitei para pedir uns filmes para minha Lomo, mas não tem mais filmes para vender na Fotoptica. É possível que não tenha faz tempo, mas como só soube disso hoje, fiquei sinceramente chocado e perdido, onde compro filmes de máquina fotográfica se não tem na Fotoptica?
Do outro lado da avenida tem uma enorme Fnac cheia de TVs de LCD e computadores, lá deve ter, mas antes de atravessar a avenida fui tomar um café na Starbucks, abriu uma em frente à Fotoptica (e fechou um quiosque da Kopenhagen que tinha 200 anos), era o café mais à mão, e eu queria apenas um café com chantili, mas acho que isso não existe mais hoje, ao menos não na Starbucks, que tem uma fila enorme de gente querendo saber o que é um Mocha, ou um Ice Caramel, ou um Frapuccino Cream e outras coisas com nomes semelhantes, tudo muito confuso, e as meninas do Starbucks também não sabem direito dizer o quê é o quê.
Pedem meu nome para entregar o café, algo que me deixa meio encabulado, não vejo necessidade de ser chamado pelo nome em voz alta no meio de um monte de gente quando meu café fica pronto, tomei rápido e atravessei a avenida para ir à Fnac, onde com alguma cautela perguntei a um vendedor se eles tinham filmes para fotografia de verdade, e para meu espanto eles tinham, sim. E revelam filmes, e em 24 horas, informação que obtive depois de falar com três ou quatro vendedores diferentes. Não tive muitas opções, o único filme à venda era o Kodak Gold de 36 poses e ASA 100. Peguei dois, meio envergonhado, com medo de ser olhado com estranheza pelos outros fregueses da loja, paguei e vim embora.
Devo confessar que me senti meio esquisito, hoje, comprando filmes para minha máquina fotográfica.
SÃO PAULO (sinto frio) – A coluna Warm Up da semana está aqui. Fala sobre as três cartas que Max Mosley escreveu ontem e hoje, uma para Luca di Montezemolo, outra para o Conselho Mundial da FIA, outra para os clubes filiados à entidade.
Um trecho:
“Mosley declara-se vitorioso na contenda que terminou no acordo de quarta-feira. (…) Diz Max que seus dois principais objetivos, a redução dos custos e a entrada de novos times, foram alcançados. E que o anúncio de que não vai concorrer à reeleição para a presidência da FIA, em outubro, era algo que ele já tinha decidido no ano passado. Acontece que a FOTA, através de seus membros, saiu cantando de galo da reunião do Conselho Mundial, alardeando que a saída de Mosley era uma vitória dos times e fazendo chegar à imprensa a informação de que Michel Boeri, presidente do Automóvel Clube de Mônaco e presidente do Senado da FIA, cuidará dos assuntos relativos à F-1 até outubro, quando Max se retirar. Em outras palavras: Mosley deixaria de mandar. (…) Isso fez com que o presidente da FIA subisse nas tamancas.”
SÃO PAULO – Menos de uma semana “twittando”, ainda me adaptando à nova mídia. Mas, mesmo assim, mais de 700 “seguidores”. Se passar de mil até quarta, pensarei em montar uma seita. Para seguir os passos deste que não para de andar, é só clicar aqui.
Continuo mui positivamente impressionado com o Nelsinho Piquet no Twitter. Conta coisas bacanas dos bastidores, como o churrasco que seu pai fez em Silverstone, tira fotos do desfile dos pilotos e coloca imediatamente no ar, conversa com os fãs…
Nisso, acho que já disse, Nelsinho vai muito bem. É moderno, sem dúvida. Tony Kanaan também tem usado bastante a ferramenta. Esse negócio é meio febril.
SÃO PAULO (na falta de outra coisa…) – E a corrida de Silverstone foi tão sem graça, que nem Gola Profonda telefonou neste fim de semana. Talvez apareça, sei lá. Algumas coisinhas que notei nestes três dias que merecem registro, só para não dizerem que não vi nada…
- The Stig apareceu nos boxes da Brawn. E tinha BrawnGP escrito no capacete. O personagem misterioso do “Top Gear” da BBC seria um dos pilotos do time para o ano que vem? De qualquer forma, pelo menos alguém, hoje, sabe sua identidade: o funcionário da FIA que emitiu sua credencial. Ou será que a BBC mandou o formulário preenchendo “The Stig” no campo do nome?
- Max Mosley apareceu em várias imagens desde sexta, e hoje mais de perto na entrevista que deu a Mariana Becker, da Globo. Rapaz, como está envelhecido e abatido, nosso Max Chicotinho… E que ninguém imagine que isso se deve à crise entre a FIA e a FOTA. Max perdeu um filho recentemente por overdose. Isso é que é duro. Perto da morte de um filho, uma crise idiota com gente idiota é algo que não tem a menor importância.
- Alonso deu de presente um capacete a Nelsinho ontem. Li no twitter de Piquet-pimpolho, que tem sido uma ótima fonte para quem gosta de acompanhar mais de perto o dia-a-dia de um piloto. Nelsinho, aliás, atualiza seu twitter com assiduidade espantosa. Hoje colocou até fotos do desfile dos pilotos! É um garoto em dia com as tecnologias disponíveis e com todos os brinquedinhos eletrônicos à disposição.
- Notaram o capacete de Button? “Push the Button”, estava escrito, sobre uma cruz vermelha. Trocadilho britânico que não é exatamente de morrer de rir. E pelo que ele fez em Silverstone, alguém esqueceu de apertar o botão. Jenson experimentou seu primeiro fim de semana ruim na temporada. Já nem lembrava como era isso.
SÃO PAULO(nunca cumpro) – Eu tinha jurado que não iria mais falar nesse assunto antes de uma solução final, mas é impossível. Afinal, é o assunto do ano na F-1, apesar da grande, enorme novidade de ver uma equipe estreante arrasando a concorrência.
Fato é que os ânimos se acirraram mais uma vez. Mosley descascou as equipes hoje e, ontem, emitiu outro comunicado descascando a associação das montadoras europeias — que declararam apoio aos times mantidos por fábricas.
O raciocínio do presidente da FIA é, como sempre, cristalino. Não entende como as fábricas, atoladas em dívidas e falindo uma por dia, podem ser contra o teto orçamentário na F-1, esse sorvedouro de receita que, diante de acionistas, não faz o menor sentido. Na sua opinião, a FIA está é fazendo um favor às fábricas ao limitar os gastos em corridas. Dá para lhe tirar a razão?
No que diz respeito às equipes, diz que está agindo no sentido de dar liberdade técnica aos engenheiros, estimulando a criatividade e o desenvolvimento em bases mais racionais, dando oportunidade aos mais inventivos de se sobreporem àqueles que trabalham com orçamentos ilimitados. Acrescenta que, até agora, a única medida real para cortar custos na F-1 foi o congelamento dos motores, o que não é o bastante. E que não dá para congelar o resto dos carros, sob o risco de agir contra os princípios da F-1. Dá para lhe tirar a razão?
Para Max, o que está acontecendo de verdade é um embate pelo poder, com as equipes querendo assumir a categoria comercialmente e também fazer suas regras. Novamente, não é possível tirar sua razão.
O placar desse confronto, aqui neste blog, já variou muito e teve algumas viradas. Uma hora Max ganhava de 1 x 0, depois os times viraram para 10 x 1, depois viu-se que na verdade os 10 não eram 10, mas 8, e Mosley tinha 15 na manga. A Ferrari continua entrincheirada de um lado e os que continuam com ela não parecem ter grande convicção. No outro lado da trincheira, Max acena com gastos mais baixos, uma F-1 mais “democrática”, mocinhas de cinta-liga e chicotinhos para todos.
Eu diria que, neste momento, as ideias de Mosley são mais sedutoras que o pezinho de Montezemolo batendo no chão sem parar, que a pança de Briatore chacoalhando ao som gutural de suas fanfarronices, que o bigodinho sem graça de Theissen e que a insignificância do que pensa a Toyota.
SÃO PAULO(o avião) – Bela história manda o blogueiro Marcelo Ribeiro, contada neste vídeo do site da RBS. Em 1957, o comandante Heraldo Knipling pousou um Super Constellation da Varig no meio do mar depois de pane em três dos quatro motores da aeronave. Que tinha 11 tripulantes a bordo, porque os passageiros foram deixados em Santo Domingo depois da pane no primeiro motor. O avião estava sendo levado para os EUA para consertar esse primeiro motor quebrado quando teve problemas nos outros três.
Knipling conta na matéria como pousou e como foi feito o resgate dos sobreviventes (apenas um comissário desapareceu). O Constellation é o avião predileto deste blogueiro, embora eu nunca tenha voado em um. A coisa mais linda que já riscou os ares em todos os tempos.
SÃO PAULO(a China não viu) – 4 de junho de 1989. Depois de semanas de protestos contra o governo, jovens estudantes chineses foram massacrados na Praça da Paz Celestial pelo Exército do Povo. Ninguém sabe exatamente quantas pessoas morreram. O governo divulgou um número, 241. Há estimativas que falam em mais de duas mil mortes, outras em até sete mil. Na manhã seguinte, a imagem do rapaz que detém uma coluna de tanques armado apenas com sua voz, seus gestos e seu olhar roda o mundo e se transforma no símbolo de uma revolução que só não foi derrotada por aquela coluna de tanques. No resto, perdeu em tudo, em questão de minutos. Não houve diálogo. De nenhum dos lados, nem do governo linha-dura, nem das lideranças estudantis radicais dispostas a morrer ali mesmo, na praça. Chinês não gosta muito de conversar, muito menos de ceder. Todos os países do mundo condenaram a China pelo massacre de Tiananmen. Menos de 20 anos depois, estavam todos eles no Ninho do Pássaro batendo palmas para a mesma China — agora mais rica, parceira comercial essencial para o resto do planeta.
O rapaz que deteve os tanques nunca foi identificado. Hoje, farei um brinde a ele e a todos os chineses com quem troquei sorrisos no mês que passei em Pequim no ano passado. Muitos deles não sabem direito o que aconteceu na praça há 20 anos. Não os culpo.
SÃO PAULO(não tem comparação) – O que é melhor? Ficar em casa sentado no sofá vendo procissão de carrinho de F-1 na TV, de pijama e cara de sono, ou dar um pulinho em Interlagos, num sabadão de sol (ou de chuva, o que não seria de todo mau…), com entrada “de grátis”, lugar para estacionar o carro, chance de visitar os boxes, ficar perto dos carros, conversar com os pilotos e encontrar a blogaiada?
Além do mais, não tem F-1 nesta semana. Então vamos lá, reforçando o convite…
Sábado tem Campeonato Paulista, com etapa da Classic Cup. Meianov & Amigos recebem, esse é o nome do programão. Nossa classificação começa às 8h40 e a corrida, às 12h45.
Quem nunca foi deve seguir o roteiro do Ceregatti colocado em post abaixo, mas se alguém não viu, eu mesmo resumo. Entrada pelo portão 7, e é permitida sem problemas porque, como alerta o comendador, Interlagos é um equipamento público. Pode ser visitado por qualquer um a qualquer hora, quando o autódromo não está sob “custódia” de ninguém (em casos de eventos fechados e com cobrança de ingresso, como a F-1, a Stock, a Truck etc). Um parque municipal, em outras palavras.
Entrando pelo portão 7, o dileto blogueiro passa com seu automóvel sob a pista e segue em frente, em direção ao estacionamento da antiga Curva do Sol. Os seguranças informam o caminho, é fácil. Uma vez parado ali, naquele sítio histórico, o acesso ao paddock se dá pelas escadas metálicas de cor azul. Elas desembocam atrás dos boxes. No topo das escadas, qualquer uma, o caminho mais fácil para entrar nos boxes é seguir à direita pela pequena faixa de asfalto até a entrada, que fica à esquerda, logo depois que se passa pelos fundos da lanchonete.
O box da LF, nossa equipe, deve ser o 21. Mas pode ser o 20 ou o 22, também. É fácil de encontrar. Qualquer dúvida, procurem pela cabeleira mais branca do paddock. É nosso guia oficial, o Ceregatti, que tem a chave do autódromo. Ele explica tudo e mostra tudo.
Entre a classificação e a corrida, na frente dos nossos boxes, três pilotos da LF vão fazer uma sessão de autógrafos chiquérrima, com distribuição gratuita de “classic-cards” de seus carros. Serão o Marcelo Giordano, do Fiat 147 amarelo, o Rogério Tranjan, do Passat “Trovão Azul” e este que vos fala. Giordano mandou fazer umas camisetas, e eu também. Vamos vender aos nossos fãs. Será que temos fãs? Bem, no meu caso, são 40 camisetas de vários tamanhos e cores, com a estampa aí do lado e o número pequenininho nas costas, criada pelo blogueiro Jonathan Fontoura, de Ijuí (RS). A cada corrida, vou tentar fazer uma estampa diferente para quem quiser guardar uma lembrança do Meianov.
Quem já foi a uma de nossas corridas sempre volta. É muito bacana e divertido. Amanhã farei dois treinos, um de manhã e outro na hora do almoço. A entrada também é livre. Como sugeriu nosso comendador, um bonezinho, roupas confortáveis e até protetor solar são recomendáveis. O “point” da blogaiada é a lanchonete, onde as maiores mentiras sobre corridas são contadas ininterruptamente.
SÃO PAULO(vai sumir, com certeza) – Gola Profonda não telefonou hoje. Mandou um e-mail com uma foto. Demorou para dar sinal de vida porque parece que saiu do treino e foi até Saint-Tropez com alguns amigos. Giuseppe Varagrande, seu grande colega na equipe, é que foi dirigindo a van. Escreveu de uma lan-house à beira-mar. “Ninguém sabe o que está acontecendo. Kimi estava possesso quando chegou aos boxes. Perguntava do Buemi e do Bourdais. Dizia que não admitia ficar tão longe deles. Que a equipe vai acabar. Que o melhor é mesmo deixar a F-1. Que é a favor do teto. Que é a favor dos dois regulamentos. Que não quer mais correr. Que a vida perdeu a graça. Que gostaria que a lancha do Luca afundasse. Que vai jogar o carro dentro da igrejinha na primeira curva para ser enterrado junto com a santa. Ele estava meio alterado. Pediu para usar o bico furado do carro do Felipe. Não se conforma com a posição de largada. Depois que começou a encher a cara, eu saí. O-d-e-i-o homem bêbado.
“Aquele meu amigo da Inglaterra, Ronaldo Denysson, estava de folga aqui perto, mandou um torpedo e fomos encontrá-lo, eu, Giuseppe e um outro amigo alemão, um bem loiro e forte, Sprache Lange, que trabalha na BMW. No estacionamento onde a gente foi pegar a van, aquele que fica debaixo do morro de pedra, Lan (eu chamo ele assim) me mostrou o carro que o Kubica, aquele feioso, vai usar amanhã. Pediu para eu não contar a ninguém, mas pra você eu conto tudo, né?”
SÃO PAULO(sumiu, uai!) – Nosso blogueiro mais famoso, Nick B., desapareceu sem deixar vestígios. Lamento pelos machões, mas não vejo outra maneira de atraí-lo de volta a esta casa. Neste link, matéria do Grande Prêmio que mostra Jenson Button peladão num iate em Mônaco!
Se depois dessa ele não aparecer, é porque: 1) arrumou um bonitão e foi morar na Grécia; 2) teve uma recaída e voltou para o outro lado; 3) morreu.
SÃO PAULO(que zona) – Está lá no artigo 6.1 do regulamento de 2010 publicado pela FIA em seu site quarta-feira: o campeão mundial será o piloto que somar mais pontos. Mas na segunda-feira o regulamento publicado era aquele que mostrava que a ideia de Max Mosley e Bernie Ecclestone, de dar o título a quem conquistasse mais vitórias, entraria em vigor no ano que vem. Mas mudaram de novo.
Como para mim vale o que está escrito, então apaga tudo. Fica como está. Esses caras da FIA estão completamente lesados.
SÃO PAULO(passando a limpo) – Lendo muitos dos comentários da blogaiada nas notas abaixo, sobre o GP do Bahrein, noto que muitos têm uma preguiça danada de se informar antes de perguntar, ou dar palpite. Então, vamos esclarecer algumas dessas muitas perguntas recorrentes:
1) O patrocínio da Brawn GP que lembra de longe o logotipo da Globo não é da Globo. É da Virgin Galactic, a empresa de Richard Branson que vai levar Barrichello para o espaço.
2) Ninguém sacaneou Barrichello na segunda parada. “Nós decidimos fazer três pit stops e antecipamos a segunda parada pois eu estava preso atrás de Lewis Hamilton”, disse o brasileiro brawniano. Ele reclamou, sim, que perdeu muito tempo atrás de Nelsinho.
3) Alguém falou sobre a calota no carro de Button e a não-calota no carro de Rubens, nas rodas traseiras. Juro que não me detive nas imagens, e nem pretendo rever a corrida só por isso. Se alguém quiser procurar, conte aqui o que encontrou. Agora… Alguém realmente acredita que calota/não-calota é indicador de que já estão sacaneando o pobre Barrichello? E eu sempre pergunto aos defensores da tese de que prejudicam Barrichello (pena que eu não tinha o blog na época da Ferrari, bateria recordes e mais recordes de audiência): por qual motivo alguém contrataria um piloto apenas para sacaneá-lo?
4) Não, Richard Wright não ressuscitou. Não, não era baterista, era tecladista. Sim, Nick Mason é que era baterista do Pink Floyd, e sim, era ele que estava no Bahrein. Aliás, Mason sempre adorou carros e é um dos únicos que a Audi permite que dirija, em eventos especiais, os Auto Union da década de 30. Ou seja, ele gosta de DKW.
SÃO PAULO(feia, a coisa) – O comunicado de imprensa da Ferrari de hoje começa assim: “‘Abruzzo nel cuore’. Esta mensagem de solidariedade para o povo da região atingida pelo terremoto…” etc. São 11 linhas de introdução, seis delas dedicadas ao adesivo colocado nos carros de Massa e Raikkonen. Depois, Domenicali diz que a equipe vai ter de fazer “algumas corridas na defensiva”. E fala também que sem o KERS o carro perdeu performance e não teve nenhum ganho em equilíbrio”.
Felipe abre sua declaração oficial dizendo que o time enfrenta uma “situação técnica difícil”, mas que nada disso tem importância diante do sofrimento das vítimas do terremoto. Depois fala as mesmas coisas do carro.
Conheço bem a Ferrari. Tática diversionista. Os caras se preocupam, claro, com as vítimas dos terremotos, mas se tivessem feito 1-2 nos treinos, os textos seriam bem diferentes. Estariam dando uma banana para as causas humanitárias.
Mesmo assim, não dá para esconder algumas coisas. Massa fala que a “luta pelo título está cada vez mais comprometida”. Está jogando a toalha antes da terceira corrida.
SÃO PAULO(igualzinho) – Não fica devendo nada ao nosso Corcel de Serra dos Aimorés, esse Mercedes revestido de ouro branco clicado num emirado qualquer desses. Não deve ter sido abandonado no aeroporto, ainda… Quem mandou a foto foi o blogueiro Paulo Cesar Borin.
SÃO PAULO(antes tarde) – Com algum atraso, palmas para o Reginaldo Leme, também colunista do Grande Prêmio, que levou o prêmio de melhor comentarista de TV do ano pela ACEESP, Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo. Eu não ganhei nada! Mas a ESPN Brasil levou um monte de troféus, o que me enche de orgulho — afinal, somos um time…
Legal, no caso do Reginaldo, que ele é o único premiado sem ligação nenhuma com futebol. E, neste ano, a votação foi popular. Muito bacana mesmo.
SÃO PAULO(estou atrasado) – Vamos tentar colocar a casa em ordem por aqui, porque acabei de chegar de Interlagos. Hoje foram divulgadas as medidas para cortar os custos da F-1. O “pacotão de dezembro”, em linhas gerais, acaba com os testes (e com os pilotos de testes, por supuesto), define que os motores terão de durar três finais de semana de GP e terão seu regime de giros limitado a 18 mil rpm (era de 19 mil) e restringe o uso de túneis de vento (algo que consome milhões, pelo custo/hora). A FIA e a FOTA esperam que os orçamentos das equipes sejam reduzidos em até 30% com tais medidas.
Sistema de pontuação e formato do treino que define o grid poderão mudar, em função dos resultados de uma pesquisa que a FIA deve colocar em seu site. A idéia das medalhas não está descartada.
Para 2010, definidos o fim do reabastecimento e das mantas térmicas para aquecer pneus. Essas são medidas mais voltadas para as corridas do que para a redução de gastos. Motores-padrão também vão existir, provavelmente feitos pela Cosworth, para que os times independentes possam comprá-los a preços módicos. Mas quem quiser continuar fazendo o seu, continua. Falam também em diminuir o tamanho das corridas, que hoje têm 305 km, em média, de percurso.
Também em linhas gerais, acho que tudo é bem pertinente, até o fim dos testes, embora seja meio esquisito um esporte em que o atleta não pode treinar. Mas no caso da F-1 se justifica. Uma coisa é você treinar o dia inteiro numa pista de atletismo. O custo é o das sapatilhas, que vão gastar e esgarçar. Colocar esses carros para andar o dia todo, porém, custa uma bala. Azar dos pilotos de testes. O resto, motores, rpm e túneis de vento, não afetará em nada o público. Esperemos pelos pontos e pelos treinos de classificação.
O que há de positivo nisso tudo é que houve consenso entre FIA e equipes, nenhum racha político e a evidente preocupação de todos em conter a gastança desenfreada.
SÃO PAULO(é bom ter saudade) - Acho que estou em dívida com a Jackie Della Barba, que é, de longe, a maior fã do #96. Essa homenagem aí do lado ela fez no dia da despedida do carrinho das pistas, 19 de julho, e eu não tinha visto, ainda. Caí sem querer na página, e confesso, chorão que sou, que fiquei meio marejado.
Jackie é mulher do Edimar Della Barba, o melhor preparador de motores a ar do planeta, um multicampeão que, na Superclassic, faturou um monte de corridas e títulos. Sem falar dos Speed 1.600, onde é até covardia disputar com seus carros. Gozado é que eu e ele vivemos às turras no início de nossas aventuras com carros antigos em Interlagos, por conta de regulamentos e outros detalhes, quebrando o pau, mesmo. Mas o Della Barba é um doce de pessoa, e um dia me ligou, depois de uma das minhas inúmeras quebras, para dizer que o #96 não podia parar de correr e que queria me ajudar no que eu precisasse.
“Mas por quê?”, perguntei, incrédulo. “Esse carro só quebra, só anda atrás e me dá dor de cabeça e despesa, não vou conseguir fazer andar mais do que anda nunca” e etc, e ele me interrompeu para dizer que, apesar de nossas brigas homéricas, tinha de me ajudar porque a maior fã do meu carro era a mulher dele, e se não ajudasse, era divórcio na certa!
Jackie é outra flor de pessoa, pegou o Trevisan pelo pescoço no lançamento do livro do Bird Clemente para saber em detalhes onde e como ficaria o #96 em seu museu, e só descansou quando soube que o carro já tinha chegado e estava bem.
Um beijo e obrigado, mocinha, com algum atraso. Quanto a você, Della Barba, nem preciso dizer o quanto o admiro e respeito. Entre tapas e beijos, é um dos bons amigos que fiz nessa deliciosa maluquice de correr de carros antigos, e no fim isso é tudo que importa nesta vida: fazer amigos.
SÃO PAULO(vai ser no pelinho) – No Q2, a surpresa foi a degola de Robert Kubica, 13º. Com ele foram tomar banho mais cedo Piquet-pimpolho (perdeu a vaga para Bourdais no apagar das luzes), Webber, Coulthard, que fez a última classificação de sua vida, e Barrichello — idem, provavelmente. Ao final da sessão, Rubens foi à mureta acenar para a torcida.
Lá na frente, a briga foi por milésimos. Kovalainen registrou a melhor volta do fim de semana, 1min11s768. Vettel, que é fera, ficou em segundo com 1min11s845. Hamilton terminou em terceiro com 1min11s856. E Massa foi o quarto com 1min11s875. Fecharam os dez primeiros, pela ordem: Glock, Raikkonen (sonolento), Heidfeld, Bourdais, Alonso (esperava mais) e Trulli.
Não tenho ainda o placar das classificações fechado, claro, mas um dado já é definitivo: Alonso largou à frente de Nelsinho em todas as corridas da temporada. Uma lavada rara de 18 a 0.
Faz sol, 22 graus, 40 no asfalto. Palpite? Vamos lá, no chute: Hamilton, Kovalainen, Massa, Vettel, Alonso, Raikkonen, Trulli, Heidfeld, Glock e Bourdais. A McLaren, se for esperta, solta seus dois pilotos bem leves para tentar uma primeira fila e, assim, fugir de possíveis confusões na largada.
SÃO PAULO (upgrade?) – Está praticamente certo o acordo entre a Mercedes e a Force India, para que a ex-Jordan, Midland e Spyker passe a usar os motores alemães no ano que vem. A Toro Rosso fica com a Ferrari. A Red Bull, com a Renault. A Williams, com a Toyota. Das montadoras presentes na F-1, só BMW e Honda não fornecem a ninguém.
A parceria com a Force India significará, também, um certo envolvimento técnico com a McLaren. O que significa que se tem uma equipe candidatíssima a ser a pior de todas no ano que vem, essa é a Honda.
SÃO PAULO(disso eu gosto) – Olhem só que legal o presente que o Robertus Octavius ganhou de um amigo: um adesivo da equipe Motoradio! Uau. Outro dia fui ver se a Motoradio ainda existe. Não existe mais, ao menos com esse nome. Mas tem outra fábrica de rádios, a Motobras, que parece ser sua sucessora. Ainda faz algumas coisas para carros, e modelinhos portáteis e de mesa bem bacanas.
Adoro rádios. Dia desses comprei um Motoradio GT zerinho, na caixa. Agora preciso comprar um carro para colocar nele.
SÃO PAULO(e uns quitutes) – E a Toro Rosso cravou os dois no Q3, com Bourdais tendo cometido a façanha de fazer o melhor tempo de todos no Q1. Equipe interessante, essa. Mas que pode deixar de sê-lo em 2009. Já se fala que a Red Bull vai tomar os motores Ferrari de volta, despachando os Renault. E à Toro restariam, possivelmente, os Honda. Para abrigar Takuma Sato e alguns punhados de milhões de dólares de reforço no orçamento.
PEQUIM(promessa é dívida) – Phelps, Bolt e, agora, Elena Isinbaeva. São meus três ídolos olímpicos em 2008. E decidi publicar uma pequena galeria de fotos de um dos três. Escrevi seus nomes em pedacinhos de papel, coloquei-os dentro de um boné, puxei um e… deu Elena Isinbaeva, putz.
Às fotos, então, já avisando que numa delas o primeiro carro que aparece no canto direito da imagem era do pai da Elena. Foi tirada em Volgograd, sua cidade natal.
PEQUIM(pode enxugar) - Acabou hoje cedo aqui do lado, no Cubo, a maratona aquática de Michael Phelps em Pequim. Ele participou de oito provas, ganhou todas. Assim, derrubou a marca de Mark Spitz, sete ouros em Munique/1972.
A escalada dourada de Phelps foi tão impressionante, e desprovida de sustos, que a oitava medalha, hoje, pareceu mera formalidade. Veio no revezamento 4 x 100 m medley, com novo recorde mundial — o sétimo nos Jogos. A equipe americana era franca favorita e não houve surpresas.
O recorde de Spitz levou 36 anos para cair. Talvez sejam necessárias mais três décadas para acontecer algo semelhante, porque só a natação permite que um atleta ganhe tantas medalhas numa só edição de Olimpíada — mesmo assim, não o faz sozinho, por conta do revezamento. Imaginar que um novo Phelps vá surgir tão rapidamente é difícil.
Hoje, cabe a expressão “fez história” para as proezas desse americano compridão que tem a cara do Tevez. Como coube ontem para Usain Bolt no atletismo. A História é assim mesmo, ela vai sendo escrita dia a dia, como bem notou Confúcio ao encontrar seu fiel discípulo Gah-Fang-Yotung nuns amassos com uma linda chinesinha ao lado de uma macieira sagrada: “Que história é essa?”, e botou os dois pra correr.
PEQUIM(city-tour) – Hoje cedo meu companheiro de quarto Mendel Bydlowski, reporterzaço da ESPN Brasil, foi escalado para pegar a Fabiana Murer e seu técnico, Élson, na Vila Olímpica e levar os dois para a Praça da Paz Celestial e para a Cidade Proibida, fazer um tour, dar uma olhada na cidade. Fui junto para segurar a câmera, ajudar na produção, essas coisas.
Uma simpatia, a Fabiana. E muito boa atleta. Foi medalha de ouro no Pan no salto com vara, uma grande surpresa, diga-se. O Brasil não tem grande tradição no salto com vara. A gente foi conversando bastante no caminho. Ela falou sobre o material de que é feita a vara (no caso dela, fibra de vidro; as primeiras eram de bambu), que trouxe dez para Pequim, que cada uma custa 500 dólares, que na Vila todo mundo come no McDonald’s, que o apartamento é muito legal e arrumadinho, e quando passamos pelo Ninho e pelo Cubo, que ela não tinha visto ainda, achou o máximo. E são mesmo o máximo, essas arenas.
Aí chegamos a Tian’anmei e demos uma volta. Entramos por um parque que dá acesso à Cidade Proibida e paramos para tomar um café. Eu e o Élson, claro. Atleta não toma muito café. Mas era uma casa de chá, dentro do parque. Perguntei se a Fabiana queria um chá. Nem pensar. Atleta tem de tomar cuidado. Vai saber o que tem nesses chás?
Tomamos um café, eu e o Élson. Mendel e Fabiana ficaram na água mineral. O açúcar veio em pedras de cristal. Café tomado e conta paga, entramos na Cidade Proibida. Na praça que fica diante dos portões, na verdade. Tem um videozinho aqui. Tiramos fotos e compramos umas besteiras. Eu comprei, os outros são sensatos, só deram risada. Sou meio consumista, essas barraquinhas de besteiras me pegam de jeito. Comprei dois relógios, um amuleto e uma bolsa de lona com uma estrela vermelha e algo escrito embaixo que não tenho idéia do que seja. “Tonto”, pode ser. “Como é que você foi comprar esta merda?”, também pode ser.
Comprei também um amuleto e dei para a Fabiana, que muito simpática pendurou na sua credencial e abriu um sorriso lindo — moça sorridente está aí. É para dar sorte. Todo amuleto é para dar sorte, suponho. Tomara que esse dê sorte a ela.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.