SÃO PAULO(esses franceses) – Negócio é o seguinte: a Renault comprou parte da Avtovaz para agregar valor à sua combalida marca que faz Clios e Logans, e para espionar nossa tecnologia. Agora a Lada está em dificuldades temporárias e os caras não querem ajudar.
É simples. Invade Paris, derruba a torre Eiffel, arrebenta o Arco do Triunfo e acabou.
SÃO PAULO- Todos vocês conhecem Ricardo Divila, claro. Um dos maiores projetistas de carros de corrida do mundo, engenheiro, filósofo, daqueles caras diferentes, um em um milhão. Admirado e respeitado por todo o universo automobilístico internacional, referência, campeoníssimo.
Aí o Divila, que nos últimos anos viveu (e ganhou tudo) no Japão, passa por Okayama para ver uma etapa do WTCC. Foi no comecinho do mês. Munido de sua inseparável camerinha digital, resolveu sacar umas fotos durante um passeio pelos boxes.
Claro que o que lhe chama mais a atenção é o carro mais bonito e bem acabado, um primor de tecnologia, aerodinâmica, potência e charme. Por isso ele me mandou essa foto aí em cima. Não me surpreendo que tenha passado ao largo de carrinhos de outra marca. Gênio é gênio.
SÃO PAULO(paraíso) - Acho até que este vídeo já foi postado aqui séculos atrás, mas como estamos no dia 9 de novembro, 20 anos da queda do Muro, vale, e muito. Corrida na Alemanha Oriental, em Sachsenring, com monopostos (dois tempos, muitos deles) e Ladas, centenas de Meianovs no auge de sua juventude. Ah, um preparadorzinho desses para me dar uma receitinha básica era tudo que eu queria…
Ah, a paixão por um carro… Não importa o tempo. Podem vir chuva, neve, furacão, tufão, tudo que queremos é dar uma voltinha em nosso carro, que todo espevitado nos espera para uma jornada pelo infinito. Tenho certeza que tais pensamentos povoam as mentes dos blogueiros, que saberão escrever lindas linhas para este momento único que mostra a verdadeira paixão homem-automóvel.
SÃO PAULO (quem sabe…) – Não sou exatamente o maior pé-de-valsa da cidade, muito menos o grande baladeiro das noites paulistanas. Mas acho que essa festa, que vai acontecer semana que vem no Clube Berlin, um dos endereços descolados do underground da metrópole, é promissora.
Quem me avisou foi Ricardov Guerrerov, colega laikiano. Diz ele que a Balalaika será uma festa russa “que lança um olhar sobre elementos da cultura russa e dos países do Leste Europeu” como música, cinema, artes e fotografia. Vai ter uma exposição de fotos do metrô de Moscou, que é o mais belo da Via Láctea.
Vamos ao serviço. O Clube Berlin fica na r. Cônego Vicente Miguel Marino, 85, na Barra Funda. O site está aqui. A festa está marcada para o dia 5 de novembro a partir das 21h e a entrada custa 15 mangos. Como tudo que é moderno e antenado, já tem até um blog, que está aqui.
Será que se eu for de Niva me dão um desconto? Será que querem colocar o Meianov na porta? Será que Isinbayeva foi convidada?
SÃO PAULO(cadê meu tempo?) - Lia entusiasmado a “Ilustrada” de hoje quando me deparei com a crítica ao lado, anunciando e comentando uma interessante exposição no Centro Universitário Maria Antônia, aqui em SP, acho que onde era a FFLCH, do lado do Mackenzie. Abre amanhã. São quatro artistas: Fábio Miguez, Emmanuel Nassar, Marcia de Moraes e Ana Prata.
O rapaz que escreveu a crítica, Silas Martí, fala sobre os “espaços vazios” retratados nas obras e tudo mais. Eu não entendo de arte, mas claro que achei legal demais a tela “Vaca”, da Ana Prata. Que, juro, não sei se é uma artista brasileira ou angolana, porque procurei mui rapidamente no gúgou e achei só a angolana, e estou muito atrasado hoje e não vou procurar mais nada.
Martí, o crítico, fala muito bem da “Vaca”. “Pelo parabrisa”, escreve, “uma paisagem derrete esbranquiçada no quadro mais forte do conjunto e arremata a ode ao vazio”.
Uau. Mas é só uma vaca dentro de um Lada!
Essa foto, na qual Ana Prata se inspirou (juro, também, que não sei se ela contou para alguém que pintou a reprodução de uma foto), todos nós, amantes dos soviéticos, já tínhamos visto em algum lugar.
Nas duas versões, aliás: com a placa original 58 AR 237 (à esquerda), que não sei de onde é mas tem a tarjinha azul de algum país pertencente/pretendente à UE, e com a placa montada GS 10 CW (lá embaixo), que não sei de onde é também. Foi essa última que a artista usou para fazer seu quadro, com a montagem de uma placa de outro país, me parece até austríaca, e das antigas.
Juro, mas juro mesmo, que não estou fazendo nenhuma denúncia ou acusação de plágio da foto. Apenas achei demais o quadro. Gostaria que Ana Prata, que agora é minha artista predileta, melhor que Picasso, Van Gogh ou Hélio Oiticica, pintasse Gerd, ou o Meianov. Juro mesmo.
Agora, o que não aguento mesmo são as análises que os críticos de arte fazem de vez em quando. Me sinto um ignorante completo, um ogro primitivo e insensível. OK que não entendo nada de arte, talvez um pouco de vacas e Ladas, mas não é o máximo este longo texto sobre a “Vaca” no site do Centro Universitário? Olha um trecho:
Como crer que uma vaca derrete até se solidificar no vidro traseiro de um carro que anda em meio à neve? Na tela Vaca, um veículo amarelo segue moroso enquanto a figura da vaca malhada se desmancha, o carro se desfaz e a paisagem ao redor também se desmancha. Tudo vira borrão de tinta: mancha, ferro, pele, vidro, sombra, neve, luz, tinta.
Assina a pérola o crítico Tiago Mesquita. Que, claro, não tem obrigação alguma de conhecer a vaca original, muito menos o Lada idem. Só não vem com esse papo de que o carro se desfaz. Mas, evidentemente, ele conhece arte e enxerga coisas que a besta aqui não vê.
Para mim, continua sendo só uma vaca num Lada, nada de muito excepcional. E o quadro ficou lindo mesmo.
Existiria cenário mais lindo no mundo? Num primeiro momento, achei que era Budapeste. Mas não tenho certeza. Ultimamente, tenho poucas certezas. Os blogueiros vão saber onde é e, melhor ainda, farão legendas inspiradoras.
Normalmente, quem bate atrás paga. Mas, neste caso, levar a batida foi uma honra, e os protagonistas do leve incidente estão combinando uma boa dose de rum para de noite. Quem mandou a foto, esperando lindas legendas da blogaiada, foi Claudio Peschke. E cá entre nós… Esse azul é demais.
O poder público trabalhando em conjunto. Problema mecânico na viatura policial? O caminhão do serviço de obras se encarrega de levá-lo à manutenção. Por isso as coisas funcionam no Leste. Tenho certeza que a blogaiada entende assim.
SÃO PAULO(igualzinho) - Uma das minhas maiores descobertas foram as fitas em VHS da TV Lada, o programa institucional da marca que era apresentado pelo João Carlos Albuquerque. O Allan Amaral colocou alguns trechos no VocêTubo. Essas fitas pertencem até hoje ao João, da Bomer, ex-revenda Lada de São Bernardo do Campo. O vídeo acima traz alguns comerciais ladísticos.
Jovens alegres, felizes, confraternizando. E certamente batendo alguma espécie de recorde, que não dá para bater em qualquer carro. Uma legendinha pra cima, é o que os blogueiros certamente bolarão para o instantâneo ao lado.
SÃO PAULO(em SP, ninguém para) - Vejam a campanha institucional levada ao ar em Porto Alegre, para que os motoristas aprendam a respeitar as faixas de pedestres. E reparem qual é o primeiro carro que para para o cara atravessar a rua…
É chocante, eu sei. Mas o mundo não é cor-de-rosa. É preciso encarar a realidade de frente, às vezes. O grupo foi todo preso, denunciado pelos ativistas dos direitos ladianos. Felizmente, o carro se recuperou. Sejam solidários em suas legendas.
De novo, a prosperidade chegando… A família melhora a vida, o ordenado aumenta, que tal uma casinha nova? E lá vão os alegres proletários para a residência maior, mais espaço, mais alegria, mais tudo. Acho difícil imaginar outra coisa, olhando essa foto. Os blogueiros também hão de pensar o mesmo.
Na velha e boa União Soviética, o uso de acessórios modernos em carros populares era muito disseminado. Tenho certeza que os blogueiros enxergarão a beleza do improviso e do bom-humor na decoração do automóvel em cenário invernal e inesquecível.
SÃO PAULO(segura nóis) – Informa o solerte Vitor Matsubara no site da “Quatro Rodas” que está em estudo a criação, na Rússia, de uma joint-venture entre Avtovaz (Lada), Kamaz e Avtodizel para unir forças e arrebentar a boca do balão. Vai dar pena, mesmo, da concorrência.
A Avtovaz faz os melhores carros do mundo, a Kamaz faz os melhores caminhões do universo e a Avtodizel eu não sei o que faz. O nome da nova empresa seria Rosavto, um nome lindo. As marcas, claro, continuariam existindo de forma independente.
Uma casinha de madeira, provavelmente num balneário no Adriático. Estacionada ao flanco, a peruinha que levou a feliz família para as férias de veraneio depois de um ano de muita labuta e dedicação. Tenho certeza que é isso que passa pela cabeça da blogaiada ao se deparar com imagem tão bucólica e doce.
Um carro não é só um carro. Ele leva, traz, e ainda ajuda no orçamento familiar, anunciando os produtos do clã como metalluznu, pienemsana, metals, skards e até cuguns, claro — quem nunca foi louco por cuguns? A inserção do automóvel na economia popular será o tema das legendas da blogaiada, com certeza.
O frio, o abandono, a solidão. As lágrimas que metaforicamente escorrem da triste lanterna se transformam em neve, que um dia derreterá, e nada mais sobrará, senão lembranças… Não vale copiar e colar.
Os blogueiros do campo reviverão doces memórias ao se depararem com a foto, que mostra o lavrador escoando sua produção para a cidade grande, alimentando gentes e almas. Caprichem.
O abandono, a solidão, a nostalgia dos dias gloriosos… Numa noite fria e cinza como hoje, esta imagem vai trazer à tona os melhores sentimentos da blogaiada, tenho certeza.
Ah, os festejos de Momo, a gloriosa Mangueira… Tenho certeza que, ao ver esta foto, a blogaiada vai lembrar de muitos carnavais. E as legendas serão alegres e festivas.
Inverno que não acaba, este… Em São Paulo, em julho, choveu neste ano quatro vezes mais do que a média histórica dos últimos 500 anos. Tenho certeza que o frio, que sempre pede calor nos corações, inspirará nossos blogueiros ao se depararem com esta imagem tão triste e melancólica.
O exemplo vai inspirar os blogueiros. Afinal, este homem, quase com certeza, está ajudando alguém dentro do carro momentos após um tremor de terra de grau 12 na escala Togliatti. Amparando a alma devastada pelo acidente cataclísmico, ele mostra que nas grandes tragédias a solidariedade é tudo.
O homem e o controle da natureza, o domínio sobre os elementos. A imagem lembra a exploração dos campos de petróleo, a busca pelas fontes inesgotáveis de energia. Certo estou de que a blogaiada terá belas coisas a dizer da foto.
SÃO PAULO(caprichem) – Como é que ficaria o Meianov com uma pintura inspirada no Priora do WTCC? Sugestões ilustradas podem ser enviadas para flaviog@warmup.com.br. Chance de premiozinho se eu gostar de alguma…
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.