SÃO PAULO(uma boa parte) – Meu post de ontem à noite sobre a Indy em São Paulo não foi bem compreendido por muita gente. Não sou contra corrida de nada em São Paulo, nem em lugar algum. Sou pró-corridas, inclusive (e principalmente) as de rua. Adoro eventos assim.
Minhas críticas são à maneira como as coisas aconteceram nesse caso. São Paulo é uma cidade muito complicada. Mexer no trânsito é delicado. Numa metrópole deste tamanho, corrida de rua é maluquice. Dá para fazer? Dá, dá para fazer qualquer coisa. Mas há consequências, e por isso as pessoas precisam pensar bem no que fazem. É preciso planejar com um mínimo de responsabilidade. Ninguém falou em dinheiro até agora, por exemplo. E essa questão é básica: transparência. Quem paga a conta, afinal? O dinheiro da cidade é público. Sei bem quanto deixo de impostos aqui todos os meses. E gostaria que eles fossem usados com mais critério.
A situação é bem diferente da de 1990. O Brasil estava prestes a perder seu GP de F-1, evento mundial que já era realizado aqui desde 1972, importantíssimo para qualquer cidade. A toque de caixa, a prefeita Erundina, com dinheiro da iniciativa privada (foi a Shell que pagou tudo), reformou Interlagos e salvou a corrida. Não saiu um centavo dos cofres públicos. O GP está lá até hoje e traz lucros para a cidade.
A Indy foi perdida pelo Rio há alguns anos, depois da construção de um oval (com dinheiro público) que poderia estar recebendo a prova até hoje. O que me parece é que os detentores dos direitos da Indy para o Brasil, nos últimos meses, criaram um fato — conseguiram incluir o país no calendário — sem ter nada garantido nas mãos. Não havia onde fazer a corrida, mas americano não quer saber dessas coisas. Pagou, levou. Inventaram Ribeirão Preto, Salvador, Rio de novo, e ninguém teve grana para bancar. Aí, se valeram desse fato consumado para forçar uma decisão em ano eleitoral. São Paulo foi presa fácil, aqui tem dinheiro, prefeito e governador vão se candidatar em 2010 ao governo e à presidência. Isso se chama esperteza.
Não tenho nada contra a categoria Indy, fiz várias corridas no Rio e fora do Brasil, foram bárbaras. Eventos de rua acontecem aos montes, nessa e em outras categorias, mas são planejados, estudados, acontecem em cidades que não enfrentam os problemas de trânsito e sociais que São Paulo enfrenta. Para mim, está muito clara a explicação para essa pressa paulista/paulistana: governador e prefeito receberão elogios aos montes da emissora oficial, a Band, nos próximos meses. Os dois, com essa corrida, conseguiram propaganda eleitoral gratuita em nível nacional. Ninguém nesse canal, ou nas emissoras ligadas a ele (o grupo é forte em todo o país, tem rádios, retransmissoras, sites de grande audiência), fará críticas à dupla Kassab-Serra, que vai bancar um evento dela, Band.
Três meses não é tempo suficiente para fazer um evento desse tamanho direito. Ele vai sair, claro, todo mundo vai achar lindo, até eu, é evidente que vou achar o máximo ver carros e pilotos importantes correndo na minha cidade, mas não é esse o jeito correto de fazer as coisas, atropelando regras essenciais de administração de uma cidade do tamanho de São Paulo em nome de um suposto interesse pelo automobilismo. Ele não existe. Peçam para o Kassab dizer o nome de cinco pilotos da Indy, e ele não saberá. É capaz de citar o Emerson. Perguntem quem é o atual campeão, e ele não saberá, também.
Que ninguém venha com esse papo de que São Paulo tem vocação internacional, tem poder econômico etc. Deem uma volta pelo centro da cidade num domingo à tarde(a foto que ilustra este post foi emprestada deste blog do link, de Marcelo Evelin). Ou em qualquer noite, durante a semana. Vejam os moradores de rua largados debaixo do Minhocão, dormindo na merda, os nômades embrulhados em cobertores velhos fumando crack, vagando pelas ruas desertas e imundas, o cenário pós-guerra nuclear, a sujeira, sofás velhos nas calçadas, o cheiro de fezes e urina, a desolação, a falta de esperança e a ausência de preocupação do poder público com o destino dessa gente.
Não sei quanto vai custar essa corrida para a cidade. A Ribeirão, pediram US$ 21 milhões. Imagine-se que São Paulo vá pagar isso, e some-se o custo das obras necessárias. Se tem dinheiro para trazer uma corrida da Band usando a falácia dos “lucros para a cidade e sua imagem internacional”, tem dinheiro para salvar essas vidas, tirá-las das ruas, atacar de frente o problema das drogas.
É o que penso, e quem pensa o contrário que se dane.
SÃO PAULO(quem quiser, que fale diferente) – OK, São Paulo pescou a Indy. O Rio só fez oba-oba com seu prefeito almofadinha, comparou o Aterro a Mônaco, mas não cacifou, perdeu.
Faz algumas horas que a informação foi revelada por Victor Martins no Grande Prêmio. A notícia já foi digerida. Todo mundo comemorando, feliz da vida. Oh, que bacana! Será ótimo para a cidade! A economia vai ser movimentada, um press-release da emissora oficial, no caso a Bandeirantes (Band é uma das corruptelas mais infelizes da história) fala em 250 milhões de reais, puro chute, claro, o prefeito diz que a cidade tem vocação para não sei o quê, há um certo clima de regozijo, “ganhamos do Rio”, bobagens assim.
No Twitter, quando alguém diz algo que ficou segurando por um tempo, costuma terminar o post com a tag #prontofalei. É exatamente o que farei agora.
Não dá para fazer corrida de rua em São Paulo. Conheço a cidade. Não tem onde. Não uma prova desse porte. Estamos a menos de quatro meses da data escolhida, 14 de março. A área do Sambódromo, primeira a ser falada, terá um período de uso intenso, no Carnaval. Impossível fazer qualquer obra ali perto dos desfiles. E não consigo imaginar carros de corrida na passarela do samba. O piso não é apropriado.
Montar um circuito no entorno do Anhembi significa fechar vias importantes e muito movimentadas por semanas, porque não é só cercar uma área na sexta, sábado e domingo, para treinos e corrida. Será preciso fechar para asfaltar, redimensionar, fazer zebras, quebrar calçadas, realocar árvores, são obras grandes, demoradas. “Ah, mas em Mônaco fazem”, vai dizer alguém. Mônaco tem 33 mil habitantes e, provavelmente, menos carros rodando do que os que aparecem na foto da Marginal Pinheiros aí em cima. São Paulo tem 18 milhões de almas em sua área metropolitana e mais de 6 milhões de veículos registrados. E nenhum deles vai parar de trabalhar ou deixar de circular para que se faça uma corrida. Em Mônaco, dos 33 mil moradores, uns 30 mil saem da cidade no fim de semana do GP de F-1 e deixam-na para os turistas. Voltam na segunda-feira. É outra realidade
Usar a pista do pequeno aeroporto de Campo de Marte seria a única alternativa para não atrapalhar o trânsito, que a cada dia é pior em SP. Mas tenho lido comentários aqui mesmo no blog, e recebi alguns e-mails com o mesmo teor, sobre a pauleira de Marte, com seus helicópteros e pequenos aviões. Pauleira mesmo. É o quinto maior aeroporto brasileiro em movimento, só perdendo para Congonhas, Cumbica, Galeão e Brasília. São 70 mil pousos e decolagens por ano, a maioria, cerca de 70%, de helicópteros. Qualquer interrupção de atividades causaria um transtorno absurdo para o tráfego aéreo local.
Transtorno que qualquer área da cidade sofrerá se tiver de ser fechada para a montagem de uma pista de corrida. Conheço São Paulo suficientemente bem para afirmar isso sem medo de errar. Quem encara 100, 200 km de lentidão por dia neste inferno que é o trânsito paulistano sabe do que estou falando. Qualquer que seja o local, terá de ser recapeado, por exemplo. São Paulo tem o pior asfalto do mundo, porque as empreiteiras que asfaltam ruas e avenidas fazem merda de propósito, para ter de fazer tudo de novo a cada dois ou três anos, e aí é uma gastança permanente e absurda a cada recapeamento.
Falaram no Ibirapuera. Impossível. Moro lá perto. Esqueçam. E se inventarem de colocar carro de corrida perto do parque, vou eu às ruas para impedir. Nem vem. A USP, outra opção. Não dá. Aquilo é um ambiente universitário. Tem coisa mais importante para se fazer lá do que correr de carros. Desafio qualquer um que more aqui a me indicar um lugar, unzinho só, que possa ser fechado, interditado, por um mês, sem foder a cidade inteira.
Prova de rua, só com muito planejamento. Nas coxas, não dá. A decisão de “comprar” a Indy, pelo que estou sabendo, foi tomada às pressas. Não houve planejamento algum. Ninguém tem a menor ideia de onde fazer. Se tivesse, já teria dito. Está com jeito de “o Rio largou, pega essa merda, vamos faturar em cima e depois a gente vê o que fazer”. A CET foi consultada? Há algum estudo do impacto no trânsito da cidade, que já estará em época de aulas? Alguém que entende de corrida e que sabe quais são as necessidades técnicas de uma prova disputada por carros que chegam a 300 km/h foi consultado?
Picas. Isso vai dar merda.
E mais. Alguém precisa pagar a conta. Não será a Band, não se iludam. Nem a IRL, que não vai de graça a lugar algum. Patrocinadores? Podem pingar algum dinheirinho, mas não bancam um evento desse tamanho. A fatura será apresentada no gabinete do alcaide Kassab. Claro. Ah, mas entra dinheiro na cidade, hotéis, restaurantes, puteiros. OK, com exceção dos puteiros, quase todos fechados pelo mesmo alcaide. Só que não há estudo algum do impacto econômico de uma prova dessas aqui. Tudo que se disser é chute. Qualquer comparação com a F-1 é chute também. Na F-1, sabe-se exatamente quanto custa adequar Interlagos, quantas pessoas cabem no autódromo, quantos turistas vêm para a cidade, a prova tem um histórico de 20 anos desde a volta da categoria à cidade, em 1990.
A Indy é um mistério. Não estava prevista no orçamento do ano que vem. Os vereadores aprovarão uma verba extra? Ninguém tem a mais remota ideia de quanto vai custar essa brincadeira. E aí, como faz?
Para mim, o chato de plantão, tem cara de jogada eleitoreira, sim. Já andaram pipocando especulações de que podem usar parte das novas pistas da Marginal do Tietê perto do Anhembi (passa pouco carro ali; parece até brincadeira), maior obra do governador Serra, ainda não entregue, uma aberração urbanística, mais uma, bem a calhar para mostrar ao país, pela TV, sua capacidade empreendedora. Alguns meses antes de se candidatar oficialmente a presidente. Sei. Nasci ontem.
Como gosto de corridas, espero que os fatos me desmintam. E que seja tudo uma maravilha. Mas desse jeito, às pressas, sorry, periferia. Tenho o direito de achar o que quiser. Por enquanto, estou achando tudo uma baita irresponsabilidade. #prontofalei.
SÃO PAULO(estou de queixo caído) - O incansável Victor Martins acaba de dar a notícia em primeira mão no Grande Prêmio. Esqueçam minhas desconfianças (se bem que…) sobre a realização da Indy no Brasil. A Prefeitura de São Paulo confirmou oficialmente que pegou a corrida para ela. Eu não tenho dúvidas de que o esforço e a velocidade têm a ver com o ano eleitoral. O governador será candidato à presidência e o prefeito, ao governo. Qualquer grande evento funciona muito bem, nessas horas.
Isso à parte, agora é começar a pensar onde fazer essa corrida. Não será em Interlagos. Por contrato, no caso de São Paulo, o circuito só pode fazer a F-1. Ou, melhor dizendo: não pode fazer a Indy. Isso não é regra. Montreal chegou a ter Cart e F-1 no mesmo ano. Mas com Interlagos é assim.
A prova será realizada em circuito de rua. Mas não consigo imaginar uma área da cidade que não seja afetada por um evento desse tamanho. O trânsito aqui é um caos absurdo. Uma prova desse porte vai fechar um bom pedaço de grandes avenidas por alguns bons dias. Fala-se numa área próxima ao Sambódromo, na zona norte. Poderiam fazer no Campo de Marte, até. É um pequeno aeroporto que, fechado por alguns dias, talvez não cause grandes transtornos. Sei lá, Conheço bem a cidade e realmente não vislumbro lugar algum.
As informações de que dispomos dão conta de que a Prefeitura está estudando mais dois locais, além dessa área perto do Sambódromo. Não se falou em custos, ainda. É tudo muito preliminar. A toque de caixa. Vamos ver no que vai dar.
* O título desta nota é exatamente igual à da nota do Blog do Fábio Seixas, publicada antes. Eu e ele precisamos nos reciclar.
SÃO PAULO(virou novelinha) – Informa Victor Martins em seu blog que a prova da Indy que seria no Rio não vai mais ser no Rio. Parece que o prefeito, depois de garantir que sim, agora diz que não e anda fugindo dos promotores. A nota que apareceu e sumiu do site da Indy, lembram?, também desapareceu de vez.
Querem saber? Não vai ter corrida nenhuma no Brasil. Aliás, como eu achava desde o início. Bobo sou eu, e vocês, de acreditar em oba-oba de prefeito e de promotor. E de levar a sério uma emissora de TV como a Band, que também adora uma cascata sem compromisso. Basta lembrar quantas vezes Luciano do Valle já “confirmou” corridas da Indy na praia de Boa Viagem, em Salvador e Vinhedo nos últimos 20 anos — e sempre com a chancela de Willy Não-Sei-Das-Quantas, que tem os direitos comerciais da categoria para o Brasil e, do alto de tanta isenção, se mete a comentar algumas corridas.
Esqueçam. Estamos a menos de quatro meses da data estipulada e não haverá tempo de se fazer nada.
SÃO PAULO(não ofende) – Foi no dia 22 de outubro que, por alguns minutos, a notícia de que o Rio receberia a prova de abertura da Indy no ano que vem vazou meio sem querer. Teoricamente, era texto programado para entrar no ar no dia 31, e acabaram publicando antes. Muita gente viu, claro. Saiu do ar rapidinho. Aí chegou o dia 31. A notícia não voltou à página da categoria. Hoje, no site da Indy, não tem nada. O índice de notícias pula o dia 31 de outubro.
E fica a perguntinha: essa corrida sai ou não sai?
SÃO PAULO(voz da experiência) - Bacana demais a entrevista exclusiva do Gil de Ferran a Evelyn Guimarães, do Grande Prêmio. Ele fala sobre os planos de sua equipe de Indy, caso Nelsinho, Brawn e Honda e tudo mais. O Gil é um baita cara. Faz parte da turma do automobilismo que cabe nos dedos das mãos.
SÃO PAULO(boa) – A história é curiosa. Vazou sem querer no site da Indy a confirmação da prova de abertura do campeonato no dia 14 de março no Rio. A notícia deveria ser publicada no dia 31, mas já estava escrita e algum incauto colocou no ar. Nem adianta clicar, que já tiraram. Tony Kanaan, pelo Twitter, foi quem alertou para o que chamou de “novidade boa”.
E é mesmo, quem sou e para achar ruim uma prova de Indy no Brasil? O circuito vai ser montado mesmo no Aterro, e terá 3.700 m. Tirei um “print screen” da notícia que já desapareceu e está aí embaixo.
Claro que é preciso saber quem vai pagar a conta etc e tal. Mas se a F-1 é boa para São Paulo, apesar dos gastos da Prefeitura, a Indy haverá de ser boa também para o Rio. Algumas semanas atrás, duvidei com todas as letras dessa etapa brasileira, achando simplesmente que não haveria dinheiro para tal. Pelo jeito há.
SÃO PAULO(tudo tem seu preço) – Me conta o Ricardo Divila por e-mail que lá nos EUA a família Hulman afastou Tony George do comando do Indianapolis Motor Speedway e que são fortes os rumores de que o autódromo, nas mãos do clã desde 1945, pode ser vendido. E quem estaria a fim de comprar seria a turma que é dona da NASCAR. Valor: US$ 600 milhões.
Indianápolis é um elefante branco. Daquele tamanho, tem três corridas por ano: as 500 Milhas da Indy, uma prova da NASCAR e, agora, a MotoGP (a F-1 se mandou há algum tempo). Nunca entendi como aquele monstrengo se financia com tão pouca atividade.
SÃO PAULO(bela final) – Franchitti, Dixon e Briscoe. Um dos três levanta a taça hoje à noite depois do GP de Homestead da Indy, em Miami. A corrida começa às 18h de Brasília. São dois da Ganassi contra um da Penske, numa das decisões mais apertadas de todos os tempos.
Franchitti fez a pole ontem, o que não quer dizer muito em provas longas de ovais. Você aposta em alguém? O detalhe é que nao há nenhum americano na briga. A disputa ficou restrita a um escocês, um neozelandês e um australiano. Detalhe, mesmo, porque faz tempo que os pilotos da casa deixaram de dominar a Indy (e a falida Cart também).
SÃO PAULO(vale cada velinha) – E não pode passar em branco, de jeito nenhum, o 20º aniversário do título de Emerson Fittipaldi na Indy. Aconteceu em 24 de setembro de 1989 em Nazareth. Ainda bem que existe o Rodrigo Mattar para nos lembrar dessas coisas… Um resumo completo daquela temporada está em seu blog. A ilustração é do Bruno Mantovani.
Emerson foi o primeiro não-americano a ganhar o campeonato que, à época, crescia a olhos vistos. E já tinha 42 anos de idade. Uma proeza. Todos os aplausos do mundo ao Rato. Para muita gente, o maior de todos que já saiu desta terra aqui.
SÃO PAULO (alguém viu?) - Aos poucos, Nelsinho Piquet vai voltando à vida. No Twitter, sua principal ferramenta de comunicação nos últimos meses, voltou a colocar algumas mensagens. Nada muito importante, agradecendo o apoio dos torcedores, uma foto de um capacete novo, essas coisas. Nenhuma palavra sobre Cingapura/2008. E à imprensa alemã, o brasileiro já cogita correr nos EUA por um tempo, para quem sabe voltar à F-1 no futuro.
Nelsinho esteve nos EUA em agosto por alguns dias. Consta que já abriu negociações com algumas equipes. A Andretti-Green poderia ser uma delas. O futuro de Piquet-pimpolho no automobilismo é uma grande interrogação. Como ele será recebido por seus novos (ou velhos) companheiros? Esse fardo o rapaz vai carregar nos ombros pelo resto da vida.
SÃO PAULO (agora, tudo telegráfico) – O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, deu duas “twittadas” nos últimos 30 dias. Uma, vocês lembram, para dizer que a corrida da Indy no Aterro do Flamengo iria “colocar Mônaco no chinelo”. A outra, hoje, informa que os organizadores pedem muito dinheiro e que a coisa ficou difícil.
Salvador é o destino, caso essa corrida aconteça mesmo. Tem data, 14 de março. Pista, ainda não. A usada pela Estoque evidentemente não dá. O brinquedinho vai custar caro. Vamos ver quem paga a conta.
SÃO PAULO(outros ares) – Depois de testar pela Toro Rosso, esperar a Honda, sonhar com a Brawn, Takuma Sato desistiu da F-1. O japonês deve disputar a etapa de Homestead por uma equipe da Indy neste ano. A categoria, como se sabe, usa motores Honda — marca que sempre o apoiou na F-1, menos quando a Super Aguri abriu as pernas e fechou as portas.
O risco é estrear de cara num oval. Espero que Taku tenha a chance de treinar antes…
SÃO PAULO (o sol não existe mais, é o que concluo deste inverno) - Ainda não é oficial, mas ao que tudo indica o Rio será mesmo incluído no calendário da Indy no ano que vem. Segundo o prefeito Eduardo Paes, a pista será montada no Aterro do Flamengo. De onde virá o dinheiro, não tenho a menor ideia. Mas é bom que fique claro: ser incluída no calendário não quer dizer que a corrida vai acontecer.
Eu acho legal, claro. Mas também acho um desperdício ver uma prova na rua, com uma autódromo como Jacarepaguá largado, depois de tanta grana investida lá para fazer o oval que recebeu a Indy algumas vezes.
SÃO PAULO (e pelo Twitter?) – Está na edição on-line do “Jornal do Brasil”. Pelo Twitter, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, “anuncia” que a Indy terá uma corrida na cidade no ano que vem, “com vista que fará inveja a Mônaco”.
Vou procurar o Twitter do prefeito. E o pessoal do Grande Prêmio já está apurando a informação. Como o alcaide fala em vista, imagino que será um circuito de rua. Onde poderia ser?
Seja como for, e sem preconceito algum, o Rio é mais charmoso que Ribeirão Preto, outra opção considerada. Apesar de não ter o Pinguim.
ATUALIZANDO…
Encontrei, @eduardopaes_ é o endereço do prefeito no Twitter. Ele diz que será no Aterro. “Com parceiros privados”. OK. Aguardemos pelos privados. Ou privadas.
SÃO PAULO(onde?) – Está no Grande Prêmio. Hélio Castroneves visitou Lula hoje e confirmou que a Indy abre a temporada 2010 no Brasil. Ótima notícia, dependendo de onde for e de quem vai pagar a conta. Já tivemos um lindo oval em Jacarepaguá, mas ele não existe mais. Ribeirão Preto parece estar bem na fita.
Lembro com carinho das coberturas da Indy que fiz no Rio. Tenho até uma foto em algum canto entrevistando o Helinho. Vou procurar.
SÃO PAULO (o cara) – Hoje faz 20 anos que Emerson Fittipaldi venceu pela primeira vez as 500 Milhas de Indianápolis. Lembrar dessas coisas faz um bem danado. Eu tive a sorte de ver a segunda “in loco”, em 1993, cobrindo para a “Folha”. Mas essa aí foi especial.
SÃO PAULO (nasceu de novo) – Só vi, não escutei (pelo jeito, ainda bem; fico imaginando quantas vezes Recife foi confirmada como sede de uma corrida da Indy, quantas vezes Vitinho foi citado, quantas vezes o locutor oficial do canal 13 se esgoelou e disse que tinha certeza de que Helinho e sua família etc…), mas fiquei muito feliz com a vitória de Helio Castro Neves (chega dessa viadagem de Castroneves, pelo menos aqui) em Indianápolis.
É a maior volta por cima de um atleta brasileiro em todos os tempos, algo que talvez só tenha paralelo com o que aconteceu com Maurren Maggi e Ronaldo — uma que ficou suspensa por doping um tempão para virar campeã olímpica, outro que arrebentou o joelho três vezes, saiu catando travecos e se transformou em ídolo do Corinthians.
Helinho, dois meses atrás, tinha como perspectiva de vida passar alguns bons anos na cadeia, tamanhas as dimensões do processo movido contra ele nos EUA. Estava fora da Penske, era dado como futuro presidiário, estava condenado à falência. Mas foi inocentado, correu no mesmo fim de semana, chegou o maio das 500, fez a pole e ganhou a prova.
É um espanto, e é muito bacana ver alguém renascer assim. O que aconteceu hoje em Indianápolis, diante de centenas de milhares de pessoas no autódromo e milhões pela TV, é muito mais significativo do que a vitória de Button em Mônaco, do que qualquer resultado no futebol (exceto a vitória da Lusa ontem), do que qualquer outra coisa que tenha acontecido no esporte mundial neste fim de semana. Primeiro, pela importância que as 500 têm naturalmente. Depois, pela incrível história recente de Helinho.
SÃO PAULO(imperdível é isso) – Victor Martins se mandou para Indianápolis para cobrir as 500 Milhas para o Grande Prêmio. A cobertura será impecável, como sempre. Mas ninguém pode deixar de ler seu blog nestes dias de América.
Os textos são de uma qualidade que já não se encontra no jornalismo brasileiro. Aliás, se tem uma coisa que merece ser lida neste fim de semana é o blog dele. Podem deixar o meu às moscas, que não perderão nada.
Victor é um cara muito observador, ácido, sarcástico, e escreve pacas. Muito bem mesmo. Me orgulho bastante de ter pinçado esse rapaz ainda na faculdade — e já se vão seis anos, por suas contas. Me mandou um e-mail, um texto muito bom, nem me lembro direito sobre o quê, guardei, precisei um dia, chamei e é isso. Assim começam as histórias.
Sei bem o que é fazer uma “500″. Quando estive na minha primeira, em 1992, passei exatamente pelo que o Victor está passando agora, arrebatado pela grandiosidade de tudo, pela ingenuidade meio boba dos americanos, pelo jeito adoravelmente cafona do meio-oeste. Então, aproveita, Martins! Solta o verbo, e leva junto a blogaiada!
E não deixe, de jeito nenhum, de comer no White Castle, o hambúrger mais trash e gostoso do mundo. Em porções.
SÃO PAULO(se é assim…) – Minha primeira reação hoje ao ver que a Conquest tirou Bruno Junqueira das 500 Milhas para dar o carro que o mineiro classificou a Alex Tagliani foi dizer: pusta sacanagem. Em Indy, para quem não sabe, é o carro que se classifica, não o piloto — Helinho fez a pole, mas se a Penske quiser colocar o Jô Soares no seu carro, pode.
SÃO PAULO(querer é poder) – Tenho recebido alguns e-mails do Ricardo Divila que, se não me equivoco, chegou sexta-feira a Indianápolis e está fazendo um, digamos, “frila” na Conquest de Alex Tagliani e Bruno Junqueira neste fim de semana.
É isso, guru?
Que bárbaro. Alguns meses atrás, Ricardo deixou a Nissan depois de séculos trabalhando (e ganhando) no Japão. Disse que um de seus sonhos para o futuro próximo seria participar de uma edição, ao menos, das 500 Milhas. Está lá.
SÃO PAULO(o forno é ótimo) – Eu não poderia ir dormir sem, antes, tirar o chapéu e bater palmas para Helio Castroneves (prefiro Castro Neves, mas já me acostumei com essa fusão sobrenominal). Três semanas depois de se livrar da cadeia, de um futuro que parecia sombrio e deprimente, o rapaz vai a Indianápolis e faz a pole para as 500 pela terceira vez.
Muito bom vê-lo sorrindo de novo. Helinho é um bom cara, e está dando uma das maiores voltas por cima que o esporte já viu. Pilotar, pilotar e pilotar. É tudo que tem a fazer. E que ganhe em Indy de novo. E, pelamordedeus, que pague os DARFs dos prêmios!
SÃO PAULO (e segue a vida) – Helio Castroneves, sua irmã Katiucia e seu advogado foram inocentados de seis dos sete crimes de sonegação de impostos e evasão de divisias de que eram acusados nos EUA. A decisão acaba de sair em Miami. Faltam detalhes, mas parece que uma acusação permanece, a de conspiração fraudulenta, para a qual ainda não há veredito. De qualquer modo, escutando agora a rádio da Indy no site oficial da categoria, os narradores diziam que ele poderia até aparecer em Long Beach para correr neste fim de semana. Outro, logo depois, falou que ele não irá, mas que aguarda uma posição oficial da Penske.
É uma boa notícia, claro, para Helinho, seus amigos, familiares. Um alívio do tamanho do mundo. E uma surpresa, sombrios que eram os prognósticos. Como fiz desde o começo, recuso-me a julgá-lo. A Justiça americana fez isso. E se disse que é inocente, é inocente. Que toque sua vida, agora, tomando todos os cuidados do mundo. Não com o Fisco, com a lei, com a Justiça. Mas com os rumos que quer dar a ela, com as pessoas que o cercam e, sobretudo, que repense a importância que o dinheiro tem na existência de cada um.
ATUALIZAÇÃO
Helio foi inocentado de todos os crimes, a sétima acusação foi cancelada. Victor Martins informa que ele vai correr em Long Beach com um terceiro carro que a Penske está preparando. Uma nova vida começa para o rapaz. Que faça bom uso dela. Nem todo mundo tem a sorte de nascer duas vezes.
SÃO PAULO (sei, sei) – Foi o blogueiro Thiago Sabino, que mora em Ribeirão Preto, quem passou o serviço. Ele viu na TV local que o Carlo Gancia (filho de Piero Gancia, há anos radicado nos EUA, ligado à IRL) esteve na cidade em visita a autoridades. Como os carros da indy estão usando álcool que é fornecido pelas usinas da região (a confirmar, não sei nada disso), teria sido assinado um “protocolo de intenções” entre a prefeitura e a IRL, via Gancia, para a realização de uma corrida em Ribeirão em 2010.
Parece que, no entanto, é preciso arrumar US$ 20 milhões para fazer um (adivinhem) circuito de rua.
Faz tempo que não vou a Ribeirão e não tenho a menor ideia se há algum local apropriado. De qualquer forma, se houver, espero que façam uma curva passando pelo Pinguim.
SÃO PAULO(sem sotaque) – Eu não falo muito de automobilismo norte-americano, embora acompanhe tudo de perto, porque haja saco de vocês para ficar lendo tudo que eu acho sobre qualquer coisa…
Mas a Bridgestone está com um belo site de esporte-motor no ar, o B1, e nele há um blog coletivo cujo conteúdo está sendo coordenado pela minha agência, a Warm Up. Quem toca os trabalhos junto aos nossos colaboradores é a carioca Luana Marino, jovem talento do jornalismo, que também dá seus pitacos sobre automobilismo, com enorme competência, na seção “MUlher ao Volante”.
No blog, temos colunistas especiais para as categorias onde a Bridgestone tem participação forte: F-1, Truck, MotoGP e Indy. Sobre a Indy, quem fala é o amigão Márcio Valente, radicado nos EUA há anos, que acompanha de perto quase todas as etapas e trabalha com o Tony Kanaan.
O link acima cai exatamente na página “Made in USA”, com as notas do Márcio. Vale a pena acompanhar o ano inteiro. São textos que você só vai encontrar no B1. Divirtam-se e deixem seus comentários por lá, também!
SÃO PAULO(sábado sem corrida é duro…) – Polêmica! Onde foi parar a tatuagem de Danica Patrick? Quem levantou a bola foi o fofoqueiro Ricardo Divila, em e-mail enviado a este escriba. “OK, OK, não se fala em outra coisa! Nas fotos que Danica tirou para a edição dos biquínis da ‘Sports Illustrated’ no ano passado, há uma tatuagem ali onde ficaria a parte traseira da carenagem”, escreveu o engenheiro. “O fato é que na edição deste ano, não sei se por conta dos resultados do túnel de vento, ou por força da proibição dos apêndices aerodinâmicos, a tatuagem sumiu!”
Sei lá o que aconteceu. Só sei que meteram (ops) o fotoxópi na moça. E ela, garantem seus assessores, sabia da supressão e aprovou as fotos. A tatuagem, suponho, ainda está lá na Danica não fotoxopada. Só que desconheço o que foi que ela mandou tatuar na “parte traseira da carenagem”.
Falando nisso, outro dia vi um cara com o símbolo da Harley Davidson tatuado no braço. Ficou bem legal. Você tatuaria uma marca ou desenho de carro ou moto em seu belo corpo de hécules ou de bailarina soviética? Se sim, qual seria?
SÃO PAULO(alea jacta est) – Começou hoje na Flórida o julgamento de Hélio Castroneves, acusado nos EUA de sonegação, fraude, evasão de divisas etc. Como se sabe, sua situação não é nada boa e ele pode acabar na cadeia, assim como sua irmã e seu advogado. Victor Martins, no Grande Prêmio, conta tim-tim por tim-tim (”tintim por tintim”? “tintimportintim”?) tudo que aconteceu com o piloto que acabou levando ao processo movido pelas autoridades americanas.
Crieo que já disse antes que não me sinto preparado para julgar quase ninguém por nada, e num caso desses, menos ainda — envolve dinheiro, contas no exterior, offshore (que para mim é lancha de corrida), coisas sobre as quais nada sei e nada quero saber. Genericamente, acho apenas que as pessoas devem pagar pelo que fazem. E, disso tenho certeza, a ganância é um dos grandes males da humanidade.
Helinho, como se vê na foto, chegou sorridente ao tribunal. Por conhecê-lo pessoalmente e dele gostar, e sem entrar no mérito da questão, como se diz, gostaria de acreditar que os sorrisos são sinceros.
SÃO PAULO (quem diria…) – Equipe tradicionalíssima, que já teve Andretti-pai e Andretti-filho, Mansell, Da Matta, Bourdais e tantos outros, a Newman-Haas (agora tem Lanigan no nome, também, mas não me acostumo) abriu as pernas. Pela primeira vez, deverá ter um piloto pagante. Na verdade, uma piloto.
É a crise. Só isso explica dar um cockpit a Milka Duno, a turbinada venezuelana que há dois anos largou os protótipos para correr na IRL, mas é mais vistosa do que veloz. Só que ela tem o patrocínio da Citgo, a petroleira estatal de seu país que usa essa marca nos postos de gasolina que tem nos EUA. Chega com US$ 5 milhões no bolso dos jeans desbotados e descolados. Não é pouco. Com essa grana, correria na Toro Rosso.
A notícia está aqui, e foi enviada pelo Ricardo Divila — que está de olho em tudo que acontece na terra do Obama. Ah, o outro piloto do time será Robert Doornbos, “o que faz algum sentido”, na opinião do site do Speed Channel.
SÃO PAULO(que dureza…) – O Fábio Seixas me alertou ontem para a nota do blog de seu (nosso, trabalhamos juntos) colega Frederico Vasconcelos, experiente jornalista de economia da “Folha de S.Paulo”. Uma fonte lhe contou que um acordo pode ser feito entre Helio Castroneves e a Justiça americana no processo que o acusa de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Helinho pagaria US$ 7,5 milhões de multa, teria bens confiscados e cumpriria cinco anos de prisão. Para quem poderia pegar mais de 30, haverá quem ache que pode sair no lucro. Seja como for, é uma perspectiva tenebrosa de futuro.
Não julgarei. Primeiro, porque o julgamento ainda não aconteceu. Depois, porque cada um sabe o que faz, e que assuma as consequências — não preciso eu ficar apontando o dedo para ninguém. Apenas digo, genérica e universalmente, que a ganância é o grande mal da humanidade desde que a primeira moeda foi cunhada.
GUARUJÁ(mormaço queima? ) – No ar a segunda parte da Grande Entrevista com o grande Roberto Moreno, no trabalho do Victor Martins. Senti falta de um pouco mais sobre Andrea Moda e Forti Corse, suas últimas passagens pela F-1. Será que sobrou material? Perguntarei a Martins. Mas o resto está sensacional, especialmente suas últimas aventuras nos EUA.
Sobre esse período derradeiro na F-1, conto eu algumas historinhas.
A Andrea Moda era um mistério. A estreia seria em Interlagos e Moreno deu uma coletiva na quinta-feira, creio. Eu perguntei se ele não tinha medo de sentar num carro que nunca tinha andado, e que estava sendo montado ali embaixo, nas garagens do autódromo.
Roberto ficou puto. Ele ficava puto com frequência com esses questionamentos, porque no fundo eles vinham sempre cheios de maldade. Me lembro que não perguntei apenas se ele tinha medo de andar com aquela carroça. Perguntei: “Para um cara que até outro dia estava na Benetton subindo ao pódio, não dá medo de pegar isso aí etc”. É maldade pura, ele tinha motivos para ficar puto. Jornalista é muito chato e maldoso.
Mas enfim… Veio o primeiro treino, bem cedinho, e fui acompanhá-lo no box da Andrea Moda. Se bobear, era o 21, que a gente usa na Superclassic. Lá no fundão, com certeza. Roberto sai dos boxes e volta logo depois. Estaciona com a alavanca do câmbio na mão. Escapou. O carro era uma temeridade. Os mecas da Andrea entravam e saíam do autódromo numa Kombi, atrás de oficinas que pudessem tornear uma peça, ou que dispusessem de um cabo, uma válvula, uma mola.
Depois, em Mônaco, teve aquela classificação heróica para o grid. Uma façanha, quase como ganhar uma corrida. Em Montreal, pouco depois, cheguei na quarta ou quinta-feira e a Andrea não tinha motor, estava sem grana, não tinha pago o que devia à Judd. Pegou emprestado um da Osella, ou da Fondmetal, sei lá. Na regata dos mecânicos na raia olímpica — era uma tradição daquela corrida, as embarcações feitas com sucata dos times —, o barquinho da Andrea Moda afundou quando se encaminhava para o “grid”. Era um barato, aquela equipe.
Na Forti Corse, lembro da apresentação da equipe e, depois, de um evento da Credicard, num restaurante do Itaim-Bibi. Os patrocinadores eram todos clientes do Pão de Açúcar. Na verdade, o time foi montado para o Pedro Paulo Diniz correr. Todo mundo que anunciava no carro tinha um esquema qualquer com os supermercados do pai. Era uma operação comercial para viabilizar o nascimento da equipe, que vinha da F-3000. Moreno foi claramente contratado como professor de Pedro Paulo.
Um dos anunciantes, como disse, era a Credicard. Que também patrocinava um garotinho de dez anos que estava fazendo sucesso no kart, Augusto Jr. Houve uma coletiva, que achei meio ridícula: um cara da Credicard, o Moreno com quase 40 anos e huma história no automobilismo e um garotinho de dez, mal saído das fraldas. O constrangimento do Moreno era evidente. Ao menos achei que estava constrangido, talvez tenha sido só impressão.
Mas o menino não era nenhum manco, ao contrário. Virou Augusto Farfus, e hoje tem carreira muito sólida na Europa.
Em resumo, é tudo demais, o Moreno e a entrevista. E essas histórias.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.