SÃO PAULO (pingos nos is) – Hoje passei na Cultura do Conjunto Nacional, um dos lugares mais bacanas de São Paulo, e como sou compulsivo comprei um monte de livros, entre eles o enorme “Ninguém faz sucesso sozinho – bastidores dos anos de ouro da TV Record e da Jovem Pan”, de Antonio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta. Tuta é o dono da Jovem Pan, figura por quem tenho enorme respeito profissional, um dos mais importantes homens de comunicação do Brasil. Como trabalhei oito anos na Pan, ótimos anos, é obra indispensável para mim.
O Everaldo Marques, meu colega de ESPN Brasil (e foi colega também na rádio e no Grande Prêmio, nos primórdios do site), tinha me dito que nós dois merecemos algumas linhas do livro, e fui lá procurar, curioso.
Reproduzo as quatro linhas a que tive direito (não acho que teria de ter mais; foram oito anos, só, numa emissora que tem décadas), apenas para reparar uma coisinha ou outra. Elas fazem parte do capítulo “Muitos times, uma só equipe”, e estão na página 233:
“Flavio Gomes era apresentador da Hora da Verdade e participou das narrações de corridas de Fórmula 1. Mas vivia dizendo que queria mesmo era fazer televisão. Terminou me convencendo. Cedi:
— Vai, Flavio, fazer televisão.
Ele foi. No lugar pus Everaldo Marques, que era plantonista de esporte e gostava de automobilismo.”
Gostaria que tivesse sido assim, juro. Esse tratamento paternal, que o Tuta realmente dispensa a alguns, nunca ocorreu, porém. Eu fui âncora da “Hora da Verdade”, um jornal diário de fim de tarde, de 1996 a 2001. Mas no fim fui sendo afastado, porque falava demais. Falava coisas que a Pan não gosta, como defender o direito de pessoas se manifestarem na avenida Paulista, ou criticar as administrações de prefeitos como Paulo Maluf e Celso Pitta, ou esculhambar com o embargo dos EUA a Cuba, ou me recusar a participar de uma inóspita campanha contra os impostos (que é quase uma campanha pró-sonegação), essas coisas.
Direito da rádio, claro. Colocou, pode tirar. Afinal, eu tinha sido contratado para fazer F-1, o resto era troco. E eu não participava das narrações, assim tão vagamente. Na verdade, eu era repórter e comentarista de F-1, e ajudava a viabilizar comercialmente a cobertura (por cinco anos, a Pan não precisou gastar um centavo com passagens, que eu conseguia graças à minha atividade na mídia impressa, também). Mas isso não importa. O que não entendi foi o papo da TV. Eu nunca disse ao Tuta, nem a ninguém, que “queria mesmo era fazer televisão”. Nunca quis fazer televisão. Sempre fui um cascateiro profissional de rádio e jornal. Nunca falei com o Tuta sobre fazer TV.
“Vai, Flavio, fazer televisão.” Seria legal ouvir isso do Tuta se eu realmente quisesse fazer televisão. Mas fui demitido por outra razão. Me chamaram às vésperas do 11 de setembro para propor uma redução de salário, porque eu estava “ganhando muito só para fazer F-1″. Ainda havia duas corridas programadas para aquele mês, Monza e Indianápolis, e eu disse que não aceitaria ganhar menos, claro, e que ficaria até o fim de setembro e depois iria embora. Fiz as duas provas e me despedi da Pan no GP dos EUA de 2001. De lá, não fui fazer televisão. Fui para a Bandeirantes fazer rádio. TV, só em 2005, na ESPN Brasil.
Talvez o Tuta pensasse isso, mesmo, talvez tenha fantasiado, talvez a memória tenha falhado. Mas também não importa, essas quatro linhas têm pouca relevância no livro e na história da rádio — não tenho a menor pretensão de me considerar um capítulo à parte na trajetória da Pan. Apenas queria dizer que não, não vivia dizendo que queria fazer televisão. Me acho péssimo na televisão.
E boa sorte à Pan. Deixei amigos lá, muitos. E tenho enorme respeito pela emissora.
BERLIM(tirando o atraso) – Vou copiar na cara dura o post do Fábio Seixas, até o título, sobre o programa “Observatório da Imprensa” desta semana, que discute a cobertura do caso Nelsinho-Cingapura pela mídia brasileira.
“Nas bancadas, Alberto Dines, Celso Itiberê, João Carlos Albuquerque e este que vos bloga”, diz o indigitado Seixas. “Participaram ainda Flavio Gomes, Ernesto Rodrigues, Reginaldo Leme, Mair Pena Neto e Lito Cavalcanti.”
Flavio Gomes sou eu. O programa está no VocêTubo em seis partes.
SÃO PAULO(história e histórias) – A dica de hoje não tem preço e veio do meu amigo Rogério Gonçalves, dono de uma editora e de uma galeria de arte em Zagreb. Este blog traz uma lista das capas de revistas mais marcantes de todos os tempos. Todas elas são reproduzidas e acompanhadas de comentários sobre as circunstâncias que envolveram a escolha do tema ou das fotos.
Todas elas são americanas, então a história de serem as mais mais de todos os tempos de todo o universo carrega evidente distorção, mas em geral há algumas que merecem, mesmo, um olhar mais detido. Como a “Time” que elegeu Hitler o “homem do ano” em 1939 (não porque achasse o doido o máximo; é que ia para a capa como o homem do ano aquele que tivesse tido mais influência sobre os destinos do mundo no ano anterior), a “Rolling Stone” que coloquei aí do lado com a última foto de John Lennon vivo, ou a “New Yorker” com a cobertura do 11 de setembro.
SÃO PAULO (e acelerava, como não?) - Walter Cronkite, lendário âncora da CBS que morreu sexta-feira aos 92 anos, tem um passado nas pistas. Quem conta é o Ricardo Divila, através deste link aqui, no “The New York Times”. Era brother da turma da Europa e, nos anos 50, chegou a pensar em ser piloto, em vez de apresentador de TV. Nossas homenagens. Quem acelera forte sempre merece nossas homenagens.
SÃO PAULO(sem sono) – Curiosas, as coisas. Recebi agora à noite alguns e-mails e notei em comentários abaixo que tem um monte de gente em polvorosa porque “o Galvão anunciou a saída do Nelsinho da Renault”.
Anunciou? O Galvão agora é porta-voz da Renault?
Vamos colocar ordem nos fatos. Primeiro, a saída não foi confirmada. E, se for, tenham certeza de que Galvão e a Globo não anunciaram porra nenhuma.
Galvão e a Globo ignoraram essa informação, a possível saída de Nelsinho, até o fim de semana do GP da Alemanha. E essa informação, a possível saída de Nelsinho, vem sendo repisada por dezenas de veículos de comunicação há meses. Quem acompanha a F-1 pelo Grande Prêmio, meu site, comandado por Victor Martins & seus asseclas, sabia havia bastante tempo que existia uma cláusula de performance no contrato de Piquet-pimpolho, e que ela poderia ser evocada a partir do GP da Alemanha para uma possível dispensa do piloto — o que, é bom dizer mais uma vez, ainda não foi confirmado.
O engraçado disso tudo é essa história de dizer que “Galvão anunciou” e pedir que eu comente.
Pois comento. A notícia não é que o Nelsinho vai sair da Renault. Essa, quando for confirmada, será notícia velha. A notícia, no caso do “anúncio” do Galvão, é: a Globo descobriu agora que Nelsinho pode ser despachado pela Renault. Porque até a moça da Globo dar a informação na transmissão do fim de semana, em nenhum momento — repito, nenhum — a emissora tocou no assunto em seus telejornais ou programas esportivos. Ao contrário. Lembro vagamente de comentários, nas transmissões ao vivo, na linha “andam dizendo que o Nelsinho vai ser mandado embora, notícias que saem em sites por aí, esses sites dizem muita besteira, é tudo especulação” etc.
Na semana passada, quem levantou a bola de novo, na quarta ou quinta-feira, não lembro, foi a “Auto Motor und Sport” alemã. O assunto, pela importância da revista, foi novamente às manchetes dos sites especializados, já que havia a iminência de uma demissão. Eu mesmo comentei algo aqui.
Aí vem a Globo, atrasada, e “anuncia”? E neguinho pede para eu comentar o “anúncio” da Globo?
É o mesmo caso da gravidez da mulher de Felipe Massa. Eu dei a notícia aqui neste blog em minúscula nota, até pela irrelevância do fato — ele só é relevante para o casal e seus familiares, esticar o assunto é cair na tentação de fazer fofoca, querer dar uma de íntimo, na linha de ”Caras”. Algumas semanas depois Galvão abriu uma transmissão de um GP qualquer dizendo: “Agora é oficial: vem aí o Filipinho!”. Lembram? Achei o máximo. Enquanto a notícia estava num blog, ou num site, ou na puta que o pariu, era apenas um boato. Quando Galvão anunciou, passou a ser oficial. E a moça, evidentemente, já estava “oficialmente” grávida quando dei a notícia. Perguntem ao obstetra dela. Desconfio que ela não ficou “oficialmente” grávida apenas quando Galvão Bueno ficou sabendo, ou quando deu a notícia.
Adoro o Galvão. Ao contrário do que muita gente deve imaginar, porque vivo criticando a postura jornalística da Globo, que ele encarna e representa como ninguém, me dou bem com ele, nos abraçamos quando nos encontramos, não há hostilidade alguma entre nós. Somos colegas de profissão, viajamos juntos dezenas de vezes, dividimos mesas em jantares, tomamos grandes porres, ficamos nos mesmos hotéis, boa parte da minha carreira foi cumprida em sua companhia e na de outros grandes amigos em mais de 18 anos de F-1.
Minha cantilena toda sobre esse assunto, portanto, não é pessoal, um ataque ao Galvão, ou a quem quer que seja. É apenas uma constatação de que a Globo continua sendo arrogante e prepotente em seu pseudojornalismo esportivo (custa mencionar as fontes, dizer que a revista X deu a informação antes de todo mundo, ou que o site Y descobriu antes do que todos?), e que infelizmente muita gente que consome informação, inclusive de outros veículos em várias mídias, continua achando que qualquer merda só é oficial quando sai na Globo.
SÃO PAULO(nossa lista é melhor que a deles) – Ontem caí na besteira de comprar uma edição especial da “Bravo!” que trazia uma lista de 100 objetos que entraram para a história do design. Gosto de design e de listas. Mas não gosto da revista. Em todo caso, não tinha nada para ler durante o lanche da tarde e comprei. Queria ver se eu tinha algum daqueles objetos listados.
Tinha. Garrafa de Coca-Cola, um Fusca, um cubo mágico, uma Olivetti Valentine, uma caneta Bic Cristal, um canivete suíço, um ventilador desenhado por Peter Behrens, um Zippo, uma La Pavoni, um vidro de Shoyu (!), um isqueiro Bic, CDs (! de novo) e uma cafeteira Moka Express. Nada mau.
Mas a lista é uma picaretagem total. De 100 objetos escolhidos, nada menos do que 32 são cadeiras/bancos/sofás. Na “carta do editor”, o próprio diz que a lista da revista se baseia (chupa, seria mais honesto) em “levantamentos e rankings anteriores, principalmente os feitos pelos estudiosos britânicos Charlotte J. Fiell e Peter M. Fiell”. E continua: “Mas, como de hábito (…), a ordem final coube à redação de BRAVO! e aos colaboradores convidados”.
Não sei quem são os colaboradores. Mas todos certamente gostam de sentar, tamanha a quantidade de objetos criados para esse fim relacionados entre as coisas mais bem desenhadas de todos os tempos. Carros, há três: Fusca, Ferrari Testarossa e Cadillac Eldorado. Pode ser uma listinha mais besta e sem sal do que essa? Como esquecer o Citroën 2 CV, por exemplo, ou mesmo o DKW? O que um Cadillac Eldorado tem de especial? E uma Testarossa? Blergh. Fora as imagens escolhidas, que prefiro nem comentar.
Para anular a nulidade dessa lista, e me convencer a não devolver a revista e pedir meus R$ 14,95 de volta, vamos fazer uma lista aqui. Só de carros, e só pensando no design. Mandem aí uma listinha, digamos, dos cinco carros de melhor design de todos os tempos. Depois a gente faz um levantamento para escolher os cinco mais votados, que tal?
SÃO PAULO(apurem!) – A blogaiada na Inglaterra vai ter de dar uma força. Por enquanto, esse vídeo é tudo que consegui. The Stig é o Schumacher? Ou tem alguma pegadinha aí? Estou na TV, entro no ar daqui a pouco, o jeito é recorrer ao nosso pessoal no Reino Unido. Para quem não sabe, The Stig é o personagem misterioso do melhor programa de carros e automobilismo da TV mundial, o “Top Gear”, apesar de eles destruírem uns Ladas de vez em quando. A nova temporada do programa está começando agora.
SÃO PAULO(sempre há o que fazer) - Muito bacana esta nova seção do site da revista “Brasileiros”, para a qual rabisquei umas linhas 15 anos atrás (e foram publicadas na edição deste mês, sobre a morte de Senna). Chama-se “Digitais”. Simples e bem executada. São depoimentos gravados (podcasts, para quem gosta) de gente comum que tem profissões diferentes. Uma sanfoneira, um especialista em brinquedos, uma “dona” de banheiro público… Essa gente é entrevistada por Helena Wolfenson, coisa rápida, de dois ou três minutos, e o áudio é ilustrado com fotos excepcionais, em preto e branco, de Luiza Sigulem.
Bárbaro. Como já disse, essa turma sabe fazer jornalismo.
SÃO PAULO(impresso, enfim) – O texto é conhecido da maioria dos blogueiros deste pedaço, mas não custa avisar. A revista “Brasileiros”, que considero a melhor do país, publicou em sua edição deste mês o que escrevi poucos meses depois da morte de Senna, 15 anos atrás.
A matéria tem seis páginas e também está no site da revista. O link é da foto que eles usaram no índice de colaboradores, essa aí do lado. O link para a matéria propriamente dita precisa procurar na página… Mas comprem a revista, ora bolas!
Falando sério, fiquei muito honrado por ter sido convidado para escrever para a “Brasileiros”. É a grande revista de reportagens que temos, aquela que mais se aproxima da velha “Realidade”, que deveria ser estudada em todas as faculdades de jornalismo do Brasil, porque era a melhor de todas naqueles tempos em que se fazia jornalismo de verdade por aqui.
São textos longos, profundos, de enorme qualidade, um verdadeiro jornalismo-literário saído da pena de colaboradores de primeiríssima linha. Fico até meio envergonhado de ser colocado ao lado de gente como Ricardo Kotscho, Luiz Chagas, Caco Galhardo e tantos outros. A capa da edição deste mês, por exemplo, tem ninguém menos que Lygia Fagundes Telles entrevistada por Alex Solnik e fotografada pelo grande Cristiano Mascaro, com quem trabalhei entre 1984 e 1986 na SBPC, um gênio das lentes, talvez a figura mais doce e gentil que conheci na vida.
Não é revista para ler em meia hora, e sim para degustar por um mês inteiro, até chegar a próxima. Experimentem, os que não conhecem. Para ver que há muito mais nas bancas do que as porcarias que costumamos encontrar jogadas em consultórios de médicos e dentistas.
SÃO PAULO(não é à toa…) – Agradeço a todos os blogueiros que me mandaram, hoje, o recorte anexo. Trata-se de um texto publicado na “Gazeta Mercantil” de hoje sob o título impreciso e mentiroso “Rússia dá bilhões de dólares para a produção do ultrapassado Lada”. A “GM” é um jornal que já teve uma certa importância. Mas nos últimos anos passou por péssimas administrações, demitiu gente, enfrentou greves, não pagou salários. Hoje, nem sei direito quem é o dono. A outrora relevante “GM” não tem mais o menor peso. Ninguém lê. O “Valor” ocupou seu lugar como único jornal de economia importante do país.
A explicação para a decadência sans elegance são textos como essa porcaria aí do lado. Como é difícil de ler, reproduzo alguns trechinhos. Originalmente foi publicado no “The New York Times”, que deve ter um correspondente picareta em Moscou, de onde manda uma matéria por semana e passa o resto dos dias enchendo a cara de vodca e comendo as putas russas.
Nesta semana, resolveu falar sobre a indústria automotiva da antiga URSS, que estaria recebendo “bilhões” do governo russo. A tradução da “GM” é tão ridícula que já erra no crédito, o nome da cidade de onde supostamente o picareta mandou seu texto: “Tolyatti”. Claro que para leitores analfabetos americanos Togliatti, o nome correto da cidade, seria algo quase ilegível e certamente impronunciável. Pena que não tenho o nome do autor da matéria. Se tivesse, mandaria um e-mail para ele dizendo que “Tolyatti é seu cu”.
Aí ele começa a vomitar suas bobagens. “A fábrica aqui vem repetindo a mesma versão do Lada, o típico retangular do ex-Bloco Oriental, por quatro décadas.” Ah, é? O 2107, modelo ao qual a besta deve se referir, é apenas um dos carros fabricados pela Autovaz. Ainda tem toda a linha Kalina, Samara, Priora, a plataforma do 110, o Chevrolet Niva, o 4×4… Mas o cretino só viu o 2107 — que lá no fim do texto ele chama de “Klassika”, e gostaria muito de saber de onde tirou esse nome; o 2107 é chamado de “Classic”, e o animal acha engraçadinho escrever qualquer palavra supostamente em russo com K, algo simpático aqui no blog, por exemplo, mas patético num jornal como o “NYT”.
Aí vem um parágrafo que começa assim: “Conhecida como Avtovaz…”. Conhecida como? Primeiro, na transliteração, é Autovaz com U, não com V. Depois, a fábrica não é “conhecida como”. Ela se chama Autovaz. Seria o mesmo que escrever “conhecida como Ford, a fábrica de Detroit” etc. Para piorar, logo depois tem um ridículo parêntese “pronuncia-se aft-OV-az”, e o energúmeno que fez a tradução para a “Gazeta” manteve a importantíssima explicação. “Aft”? Puta que o pariu.
Continuando… “Conhecida como Avtovaz, é uma das fábricas automotivas menos eficientes de todo o mundo — cada operário produz, em média, oito carros por ano, em comparação com os 36 por ano na linha de montagem da General Motors em Bowling Green, Ky., por exemplo”. Porra, o cara tem a manha de usar a GM como parâmetro! A GM! Essa lata de lixo quebrada que está sangrando os cofres americanos e não tem para onde ir! Tenha santa paciência… E o que é “Bowling Green, Ky.”? KY, para mim, é aquele gel. Como pode um jornal brasileiro publicar uma tradução nesses termos?
E continua, a anta… “Mesmo assim o governo está concedendo à Avtovaz (aqui entra o parêntese sobre a pronúncia) bilhões de dólares em ajuda sem pedir nada em troca.” Beleza de apuração. Quantos bilhões, ó psicopata das letras? Dois? Cinco? Noventa? Nem uma palavra sobre a quantia. Escreve bilhões que impressiona. Ninguém vai perguntar quanto, mesmo. “Nada de demitir o principal executivo. Nada de negociar os contratos dos trabalhadores” e etc. Cartilha que está sendo executada à perfeição na economia dos EUA, não é mesmo? Opa…
Tem mais: “(…) A ajuda (…), ao estilo russo, pretende mais garantir a tranquilidade nas ruas do que reestruturar um negócio, para tristeza de alguns críticos que acham que um arrocho seria melhor.” Quer dizer que a tranquilidade de 120 mil operários é menos importante que um arrocho? E quem são esses críticos? Ele cita um obscuro ex-primeiro-ministro também com a grafia errada. Ora, ora. Preciso descobrir o nome do autor dessa matéria. Um imbecil, como diz nosso Mestre Joca, analfabeto de pai, mãe e parteira. Mandaria mais um e-mail bem educado. Arrocho de cu é rola, toupeira.
A Autovaz, aparentemente, foi ouvida, embora não apareça o nome de ninguém, apenas uma declaração apócrifa: “A Avtovaz não demitiu ninguém e não pretende fazê-lo.” É o que presta no texto. Grandes empresas não têm de sair demitindo ao primeiro sinal de crise. Se a Lada não está demitindo, palmas para ela.
E que essa besta de correspondente deixe a Rússia, pegue um avião e vá a Detroit. Verá que a antiga capital mundial do automóvel é, hoje, uma cidade-fantasma, com milhares de pessoas sem emprego, pedindo esmolas nas ruas, perdendo horas na fila da sopa gratuita, por conta da ineficácia da indústria americana.
Mas se resolver ficar em Moscou, que fique. Tomara que seja atropelado por um Niva. Quanto à “Gazeta”, que procure redatores melhores.
SÃO PAULO (começou) – Ontem de tarde passei um e-mail para a turma do Grande Prêmio para que todos ficassem bem atentos ao noticiário internacional de hoje. Não que fosse esperada nenhuma bomba. Mas é que a imprensa inglesa adora um 1º de abril. E sai espalhando as coisas mais estapafúrdias do mundo, inclusive através de suas agências mais sérias e respeitáveis, como a Reuters.
Hoje começou cedo. O site “F1 Live”. reproduzido ao lado, acaba de transferir Hamilton para a Brawn GP… O texto é engraçado e, sem muitos escrúpulos, traz até declarações atribuídas ao piloto, a Ron Dennis, Norbert Haug e Jenson Button.
Foi só a primeira. Vamos ver o que mais pinta de cascata nas próximas horas. Ninguém dá muita bola na Inglaterra para os eventuais prejuízos que certas matérias podem causar. Faz parte da tradição.
Falando em 1º de abril, o caso mais famoso na imprensa brasileira é o do “Boimate”. Em 1983, partiu da Inglaterra a notícia de que cientistas da Universidade de Hamburgo tinham cruzado um boi com um tomate. O resultado seria um fruto com 40% mais de proteína, algo assim. O texto era bem gozado e cheio de pistas, como o nome de um dos cientistas, de sobrenome McDonalds…
A “Veja” publicou a história. Coitado do redator. O título da matéria: “Fruto da carne”. Lá pelas tantas, a reportagem dizia que a experiência faria com que no futuro as pessoas poderiam colher no pé um bife com gosto de molho de tomate. E a “Veja” não estava brincando, não. Tinha até infográfico explicando como foi feito o cruzamento do boi com o tomate. Se você buscar na edição de 27 de abril de 1983, que está disponível na internet, verá o texto na íntegra. Aliás, grande trabalho, esse de digitalizar todas as edições da revista e colocá-las no ar. A “Veja” é uma bomba inominável há uns dez anos, pelo menos. O pior exemplo de jornalismo que o Brasil já teve, com seus preconceitos, textos supostamente engraçadinhos e juízos de valor até no índice. Um lixo, em resumo. Mas já teve seus bons momentos. E essas edições antigas são ótimas principalmente para ver publicidade de época. Um barato.
SÃO PAULO(linda, também) – Justiça seja feita, a revista do Porsche Club do Brasil, editada pelo Luiz Alberto Pandini, também adotou há algum tempo o conceito “menos é mais” em suas capas. E o mais legal é que todas as revistas podem ser baixadas em PDF, desde o número 1. É só clicar aqui. De grátis, como se diz. Vejam uma das capas minimalistas que ele me enviou. Mais legal até que a da revista inglesa…
SÃO PAULO(simplicidade é tudo) – Foi o Paulo Sousa, meu companheiro de LF, aquele que come o pão que o diabo amassou quando encontra o Meianov pela frente, quem notou. A “911 & Porsche World”, revista inglesa dedicada aos derivados do Fusca, mudou radicalmente o conceito de suas capas, do ano passado para este. Pode parecer assunto sem importância, mas eu curto muito esse negócio de artes gráficas, e essa revista é um bom exemplo do que pode ser uma tendência daqui para a frente: valorizar a imagem e dar um pé no excesso de texto onde ele não é necessário.
A capa da esquerda é da edição de agosto de 2008. OK, os carros são legais, as fotos não são boas, nem ruins, mas a revista se parece com qualquer outra revista de automóveis, cheia de chamadas e assuntos diversos. Banal. Eu não pararia na banca para folhear, só por causa dessa capa.
A da direita é da edição de abril deste ano. Além do título da revista, não há uma palavra sequer.
SÃO PAULO(no pasarán!) - Fui alertado pelo Rodrigo “Alma Imunda” Borges, do Estado de Circo e quase fundador do Grande Prêmio, para mais uma calúnia abominável dirigida à gloriosa indústria soviética.
A revista “Época Negócios”, que a partir de hoje passa a fazer parte do meu índex particular, entrevistou supostos 20 líderes empresariais brasileiros para falar da crise (oh, que novidade!). Um deles é o tal de Márcio Utsch, presidente da Alpargatas. Um vendedor de chinelos, nada além disso.
Pinçaram uma frase do indigitado e colocaram na capa. À guisa de comentário engraçadinho sobre produtos que considera falsificações de seus chinelos ridículos, o sujeito mandou esta: “Não se falsifica um Lada”. A capa está aqui, para quem quiser ver em tamanho maior.
Como é que pode? Qual é? Vai encarar? Pega eu!
Proponho uma manifestação de blogueiros na avenida Paulista. Todos tragam suas Havaianas para que façamos uma enorme fogueira em desagravo a mais esta ofensa gratuita! Vamos marcar uma data e chamar a imprensa.
É incrível como tem gente que gosta de aparecer em cima da Autovaz.
SÃO PAULO(à caça!) – Puxa, quantos comentários no post abaixo que menciona o piti de Barrichello contra a imprensa em seu site oficial, num dia em que ele poderia gastar suas energias comemorando a permanência na F-1… Notei que muitos blogueiros, a maioria, acha que vesti a carapuça, que tenho algo contra Rubens, que me desentendi com ele no passado, que o desrespeito e humilho nos meus textos e falas. Por isso, acham os mesmos blogueiros, o piloto tem mais é que descascar a imprensa tupiniquim.
Todos os que acham isso falam genericamente que “a imprensa tupiniquim ridiculariza Barrichello”, coitado.
Legal. Pois lanço um desafio a todos vocês: que mostrem, aqui, a imprensa brasileira ridicularizando Rubens. Mas vejam bem: ridicularizando, e não criticando. Criticar não é ridicularizar. E procurem na imprensa dita séria. Não valem, por exemplo, as colunas do José Simão — que ridiculariza todo mundo, inclusive ele mesmo. Também não vale mencionar o “Pânico na TV!”, nem o “Casseta & Planeta”, porque são programas humorísticos, e não jornalísticos.
E peço especial atenção aos meus textos. Procurem todos, um por um, no blog (o sistema de busca é ótimo) ou em minhas centenas de colunas no Grande Prêmio. Se alguém achar qualquer escrito meu desrespeitando Rubens, ou ridicularizando-o, aceitarei numa boa as críticas. Alguém haverá de lembrar o post sobre o Dia Internacional da Tartaruga, 23 de maio, que coincidentemente é o aniversário de Barrichello. Mas isso, me desculpem, eu não poderia jamais deixar de publicar. Não tem nada de ofensivo a ninguém. É apenas uma descoberta que considero espetacular, como aconteceu com Tiago Monteiro, lembram?, que tem Vagaroso no nome.
Então, mãos à obra. Como dizia o Ratinho, vamos ver quem tem mais garrafa vazia pra vender. Porque também vou querer ver se alguém vai achar os textos em que elogio o veterano brasileiro e ter a coragem de reconhecer que o pobre escriba aqui pode ser tudo, menos sacana.
SÃO PAULO(com louvor) – As vastas legiões de seguidores da gloriosa indústria soviética ganharam uma nova guerreira, a blogueira Raíza Campregher. Que já estreia aqui em alto estilo, denunciando a ridícula revista “Mundo Estranho”, da Editora Abril (não diga…).
Eu não conhecia o pasquim, mas ao entrar em seu site para ver do que se tratava, encontrei, numa matéria sobre masturbação na Pré-história, a valiosíssima e profunda informação de que há uma estátua em Malta que “retrata um homem sentado descabelando o palhaço em 5000 a.C.”. Será que alguém acha isso realmente engraçado? Para qual público mesmo fala a “Mundo Estranho”?
Bem, a capa da edição deste mês versa sobre o que os brilhantes redatores consideram “as piores coisas do mundo”. O terceiro item, me conta a Raíza, trata do “carro mais tosco”. E, junto a uma foto do inesquecível Trabant, vem o texto que os estranhos do mundo certamente acharam o máximo:
“Para quem não se lembra, a Alemanha Oriental era a metade comunista da Alemanha que foi um país independente até 1989. Um dos ícones da indústria da Alemanha Oriental era o Trabant Sputnik, um carro que parecia mais uma carroça para os padrões ocidentais. Por causa da falta de aço nos países comunistas, o carro era fabricado com duroplast, uma resina feita de polpa de madeira, lã de ovelha e seiva de plantas! Seria, então, um belo carango ecológico? Que nada, apesar das matérias-primas naturais, as carcaças eram muito poluentes, pois não podiam ser recicladas. O motor, com só dois cilindros, também era um fiasco e produzia uma fumaça tóxica irrespirável. Felizmente, a fábrica fechou em 1991.”
Trabant Sputnik? De onde será que tiraram isso? Da Wikipedia? (Alguma dúvida? Olha aqui o que diz a mãe dos burros da internet: “The name Trabant means ‘fellow traveler’ (Satellite) in Latin; the name was inspired by Soviet Sputnik. The cars are often referred to as the Trabbi or Trabi, pronounced with a short a.” Aliás, se a foto da revista for a mesma que coloquei aí do lado, tiraram igualmente da Wikipedia. Haja preguiça.)
Ora, Trabi é Trabi. Qualquer um que conheça minimamente automóveis deveria saber disso. Sputnik é a puta que o pariu! E como é que chamam um Trabant de carroça? Porque não é de lata? O Duroplast foi uma grande criação da indústria alemã oriental, resistente, barato, fácil de fabricar e à prova de ferrugem. E me digam, estranhíssimos do mundo, qual carcaça de carro ocidental é reciclada? Vira tudo ferro-velho do mesmo jeito, não sejam ridículos.
O motor, por sua vez, não era fiasco algum, ao contrário. Eficientíssimo, dois tempos, refrigerado a ar. Uma obra-prima da engenharia, durava décadas. Vivia-se num mundo de verdade, lembrem-se disso, sem fartura, com dificuldades, sem essa orgia financeira que inundou o planeta de corollas e tucsons.
E esse “felizmente” na última frase é de causar estupor. Felizmente? Fecharam a Sachsenring e quantos operários perderam seus empregos? Quantas famílias foram afetadas? Como assim, “felizmente”? Cretinos…
Olha, depois de ler essas sandices, só posso concluir que o que produz “fumaça tóxica irrespirável” é burrice. Deve ser duro respirar na redação dessa revista. Que poderia se incluir na lista que propõe em sua capa.
SÃO PAULO(coisa feia) – Em 22 de novembro do ano passado, Fabrício Samahá, editor do excelente BestCars, escreveu um editorial comentando a defasagem tecnológica dos carros da GM no Brasil. O texto, ótimo como sempre, está aqui.
Fabrício, a quem não conheço pessoalmente (trocamos alguns e-mails anos atrás porque alguns carros meus apareceram no seu site, e foi só), mantém o BestCars no ar há mais de dez anos e sua página é uma referência em automóveis. Os textos são precisos e preciosos, repletos de informação sem embromação, com preocupação técnica e histórica. A área que mais acesso, “Carros do Passado”, é pródiga em relatos muito bem escritos e aprofundados na medida certa para quem quer conhecer um pouco da trajetória de modelos nacionais e estrangeiros.
Bem, eu dizia que ele escreveu um editorial descendo a ripa na GM, com classe e argumentação, e talvez por conta dele o BestCars não foi chamado para o último lançamento da Captiva (estou procurando a nota em que é dada essa informação, mas não encontro — se alguém achar, mande o link).
Os convites das montadoras a órgãos de imprensa para lançamentos e testes de carros são comuns no mundo inteiro. É prática que não me agrada muito, mas já faz parte das verbas de marketing das empresas e da rotina das publicações. Nunca participei de nenhum, mas já fiz viagens semelhantes para eventos esportivos, o que dá na mesma. Claro que ao convidar um jornalista para assistir ao lançamento de um carro, sei lá, em Atenas, pagando tudo do bom e do melhor, a montadora acredita que contará com a simpatia do escriba na avaliação de seus produtos. Nem sempre isso acontece, porém. Depende, sempre, da idoneidade e do sentido ético de cada um.
A fábrica tem de entender isso. Deixar de chamar determinado veículo de mídia por pura retaliação mostra que o tal sentido ético e a idoneidade têm de ser exercidos nas duas mãos. Caso contrário, seria mais honesto, ao emitir o convite, explicitar que críticas ao carro/evento não serão permitidas — o que é ridículo.
Bem, foi o que a GM fez com o BestCars, aparentemente. A resposta dada pela montadora (que sempre chamou o site para seus eventos, até o tal editorial) foi algo na linha “a gente convida quem quer, seguindo critérios próprios”. OK, tem todo o direito. Mas não é uma boa explicação. Muito menos quando dada poucas semanas depois de um artigo crítico à empresa.
Quanto aos convites, bem faz a “Quatro Rodas” que, até onde eu sei, não os aceita mais. É uma forma bem clara de manter a independência editorial. Mas não sejamos ingênuos. Pouquíssimas revistas, jornais, programas de TV e sites têm verba suficiente para enviar seus jornalistas à Europa, África, EUA, Ásia ou resorts de luxo brasileiros para acompanhar lançamentos de carros. Se a prática dos convites é um fato, é preciso que se diga que ela nasceu das montadoras, não dos jornalistas. Se a GM apresentasse seus carros em São Caetano do Sul, não precisaria pagar nada para jornalista algum. Era só comunicar o dia e a hora, que todos iriam. O táxi ficaria por conta de quem fosse.
SÃO PAULO(bem-vindo!) – Américo Teixeira Jr., assessor de imprensa da CBA que, entre outras qualidades, é torcedor da Portuguesa, acaba de cair na rede. Está no ar seu site Diário Motorsport, um filhote da revista da CBA que ele implantou e dirigiu nos últimos anos (e espero que continue). Américo vai tratar especialmente do automobilismo brasileiro, do qual é profundo conhecedor.
Merece a visita da blogaiada e as boas-vindas, afinal sempre é bom ter mais uma fonte confiável de informação nesta vasta maluquice que é a internet.
SÃO PAULO (estraga prazeres) – O “Daily Telegraph”, já há alguns dias, vem prometendo revelar quem é, afinal, The Stig, o misterioso piloto de macacão e capacete brancos que há anos é a grande atração (e o grande mistério) do “Top Gear” — o programa de carros da BBC que não tem concorrência no mundo, de bom que é.
Parece que agora o mistério acabou, informa o blogueiro Paulo Monteiro. Ele seria Ben Collins, 33 anos, um piloto de Bristol, Inglaterra, que passou por várias categorias de monopostos, protótipos e turismo (flertou até com a Nascar), possui experiência com as câmeras (participou de vários episódios do “Top Gear” e guiou o Aston Martin de James Bond num dos últimos 007) e já teve até coluna em jornal.
Todos, por enquanto, negam. A imprensa britânica diz que a identidade de Stig é conhecida da maioria dos jornalistas da área, mas que há um acordo tácito para que ela nunca seja revelada, acordo que o “Telegraph” teria quebrado. Outros garantem que não há apenas um Stig, mas vários. O primeiro de todos, é bom lembrar, se vestia de preto e um dia revelaram que era Perry McCarthy — que entre outras coisas foi companheiro de Roberto Moreno na Andrea Moda e era um cara gozadíssimo.
Quando descobriram que era ele, o “Top Gear” o “matou” num episódio.
Bem, se o Stig branco morrer também, saberemos que o “Telegraph” deu o nome verdadeiro. Aí, talvez apareça um novo Stig de outra cor. Ou, então, o “Top Gear” nega até o fim, mantendo a chama do mistério.
PORTO ALEGRE(Walt vai aparecer logo) – Eu já tinha recomendado a página de fotos do “The Boston Globe” um dia desses, que deve ser o que de melhor existe na internet em termos de imagens jornalísticas. Quem ainda não conhece deve visitar.
Uma boa oportunidade para isso é dar uma olhada da retrospectiva de 2008, que está em três partes: aqui, aqui e aqui. Todas, sem exceção, são espetaculares: algumas, muito chocantes; outras, plasticamente exuberantes; outras tantas, como essa que escolhi, absolutamente oportunas e históricas (tentem adivinhar o que é…).
Detalhe não muito relevante: vi apenas uma tirada no Brasil e, de esportes motorizados, uma da MotoGP.
SÃO PAULO(ano que vem estamos lá!) – Foi no sábado, estou atrasado, mas meus colegas jornalistas que montaram uma equipe para correr as 500 Milhas de Kart na Granja merecem todas as homenagens… Abaixo, reproduzo release do bravo time, escrito a várias mãos e coordenado pelo impagável Rodrigo França, que esteve fora de combate mas, como eu, volta em 2009!
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Falar que é animal correr as 500 Milhas da Granja Viana todos já sabem. Estar na pista ao lado de Rubens Barrichello, Tony Kanaan, Felipe Massa, Nelsinho Piquet, Felipe Giaffone, entre tantas outras feras, é indescritível! Obviamente é impossível acompanhar o ritmo desses caras, mas, por alguns instantes, você se sente um piloto, como eles.
“Para mim, o que fica dessa segunda participação nas 500 foi o ritmo constante que consegui andar enquanto estive na pista. Mesmo com um motor sem ser dos melhores – que num traçado como esse das 500 Milhas é importantíssimo -, consegui virar entre 59s7 e 1min00s4, enquanto o kart do Rubinho e Tony, que liderou a corrida toda, mantinha um ritmo em torno de 59s0”, afirmou Leonardo Murgel, que aparece na foto ao lado, de Bruno Terena. “Também fiquei espantado positivamente com o fato de ter conseguido me manter no kart por 1h40. Tudo bem que ao entregar o posto para o próximo mal conseguia me manter em pé. Meu corpo inteiro formigava, mas a sensação de ter feito um trecho de corrida longo e, acima de tudo, mantendo o ritmo, é muito boa!”, concluiu o jornalista-piloto.
O fotógrafo Bruno Terena também ficou satisfeito com o resultado final da prova. “Eu, particularmente, consegui evoluir bastante em relação à última 500 Milhas. Acho que foram uns 0s7 do ano passado pra esse”, analisou.
É uma corrida longa – mais de dez horas, mas quando acaba a sensação que dá é “já acabou?”. Fica aquele gosto de quero mais, como com tudo que é bom. Terminamos em 44º, 88 voltas atrás do kart vencedor e à frente de equipes de caras como Christian Fittipaldi, Thiago Camilo e o já citado Felipe Giaffone. “Foi um resultado histórico para a gente!”, comemorou Cássio Cortes. “Não fizemos feio”, orgulhou-se Terena.
Segundo Rodrigo França, que infelizmente não pôde correr devido a um acidente automobilístico quando estava a trabalho na F-Truck e assumiu o cargo de chefe de equipe, os planos para a próxima edição das 500 Milhas já estão traçados. “A primeira meta para 2009 é arrumar um patrocínio com antecedência para fazer tudo com mais calma e estrutura. Até porque o Mingo – nosso Stefano Domenicali – já não agüenta mais um bando de jornalistas sem grana, torrando a paciência e arrumando tudo aos 48 do segundo tempo”, disse França.
O jornalista, no entanto, fez questão de agradecer ao apoio fundamental do Dolly Guaraná, da Alpine Star, da Allure Hair e dos pilotos “de verdade” Fernando Ribeiro e Luigi Nese. Além destas marcas, o kart expôs como patrocinador principal a campanha “Adotar é Tudo de Bom”, promovida pela Pedigree e que é ligada à associação “Piloto Amigo dos Animais”, coordenada pelo também jornalista Marcio Fonseca.
O próximo objetivo da equipe dos Jornalistas de Kart? “Com essa ‘estruturação’ da equipe, quem sabe um top 30, já que esse ano conseguimos o que pretendíamos: o top 50”, finalizou Murgel.
SÃO PAULO (quero só ver) – Seguinte, macacada. A ACEESP, Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, vai eleger até o dia 24 de novembro os melhores do jornalismo esportivo paulista. O Troféu ACEESP é o prêmio mais importante da área no Estado e terá uma novidade neste ano. Até hoje, os candidatos recebiam votos apenas dos sócios. Agora, qualquer pessoa vai poder escolher seus preferidos nas diversas categorias.
A votação vai ser feita pela internet. É só entrar no site da ACEESP e votar. Pô, tô a fim de ganhar esse negócio! O único Troféu ACEESP que ganhei foi em 2002, como “repórter de rádio revelação”. Cacilda, revelação aos 38 anos!
Bom, tem várias categorias, eu posso concorrer como apresentador de rádio, comentarista de TV, repórter de jornal, colunista melhor site (o Grande Prêmio, não o blog), um monte de coisas, já que faço muitas.
Vamos ver se vocês se mexem e garantem minha eleição, porque o jantar de fim de ano é bem legal, e quando se ganha o troféu tem até discurso para um monte de gente, e, se eu ganhar, prometo agradecer a blogaiada no discurso.
SÃO PAULO(de volta) – Quando vi a capa da indigitada no sábado, no aeroporto de Porto Alegre, não sabia se ria ou invadia a livraria para empastelar tudo. Não fiz nem uma coisa, nem outra. E ainda bem que tem gente como o Luiz Carlos Azenha que escreve sobre o tema (dica do Pandini) com propriedade e bom-senso.
Porque na minha tosquice, ou tosqueira, sei lá como se fala isso, sou incapaz de tanta gentileza no trato de tamanha estupidez jornalística. Quer dizer que o governo dos EUA, ao estatizar sua economia mais do que qualquer nação estatizante do mundo nos últimos dois mil anos, me salvou?
Me salvou do quê, exatamente? Não tenho hipotecas nos EUA, nem ações na Bolsa, nem apólices de seguro da AIG, nem porra nenhuma. Não tenho nada a ver com isso. Quero que os americanos se afoguem em seus carnês e em sua sanha consumista, caguei e andei para seus cartões de crédito. Os caras que criaram isso, eles que se virem.
Aí vem essa revista chinfrim para dizer que fui salvo por essa imagem patética apontando o dedo para mim? Eu sugeriria que eles enfiassem o dedo num lugar bem específico, mas prefiro ficar quieto.
SÃO PAULO(claro que vou) – No próximo dia 17 de julho, o iG promove o primeiro debate entre os candidatos e candidatas à Prefeitura de São Paulo. Será num formato inédito, aberto a todos os sites e portais do país, com a participação direta dos internautas.
Ontem a Mariana Castro, gerente de Jornalismo do iG, telefonou para me convidar para ser o mediador da contenda. Eu achei que era engano e quase desliguei na cara dela. Mas depois, pensando bem, gostei muito da idéia e me senti honrado com a escolha. Os candidatos, provavelmente, vão estranhar, porque suponho que a maioria deles, tirando a Soninha, nunca me viu mais gordo.
E por que eu?, devem estar se perguntando os atônitos internautas. Deve ser por causa do meu jeitinho…
SÃO PAULO (uau) – Victor Martins acaba de me informar que ontem o Grande Prêmio bateu seu recorde de audiência, com a visita de nada menos do que 134.963 pessoas ao site para ler o noticiário do GP da Inglaterra e a repercussão da vitória de Hamilton, do terceiro lugar de Barrichello e da má corrida de Felipe Massa. O recorde anterior era de 134.314 visitantes únicos, no dia 19 de outubro de 2006, uma quinta-feira, véspera da abertura dos treinos para o GP do Brasil, a última corrida da carreira de Michael Schumacher. Foi o dia em que o alemão ganhou da turma do “Pânico na TV” uma tartaruginha de plástico batizada de “Barrichello”. Eu estava apresentando aquela entrevista coletiva, promovida pela Shell.
Tivemos, ontem, 345.137 “pageviews” e o site gerou 2.056.182 “impressões”, que são outros parâmetros importantes de audiência na internet. Mas esses números foram maiores em 13 de setembro do ano passado, quando a McLaren foi julgada pelo caso de espionagem: 421.405 “pageviews” e 2.518.438 “impressões”.
Muito legal, o recorde de ontem. Prova, mais uma vez, que é na internet que os fãs de F-1 têm buscado se informar. E que o Grande Prêmio é uma referência no assunto.
SÃO PAULO(de novo?) – Depois de a “Playboy” publicar uma foto de Ferrari dizendo que era Porsche, agora é a “VIP” que apresenta aos seus nobres leitores a mais nova versão da Ferrari F430. Muito interessante, mas meio esquisita. Digamos que um pouco diferente das versões, hum…, de fábrica. Sei lá, parece um Fusca.
Tudo bem, erros acontecem. Mas eu adoro quando eles acontecem nessas revistas metidas a besta da Abril. “VIP” é da cepa de “Veja”, com suas gracinhas que não têm a menor graça. Se acham chiques. Se fossem chiques, saberiam distinguir um Porsche de uma Ferrari. No fundo, são duas revistas cafonas de dar dó.
SÃO PAULO (ridículo) – Raramente falo de futebol aqui, porque minha condição de torcedor da Portuguesa representa uma covardia diante dos pobres torcedores de outros clubes. Mas tem dia que é preciso. Hoje o Fluminense começa a decidir a Libertadores contra a LDU. E vocês, que não são de São Paulo, sabem qual jogo a gloriosa emissora oficial vai transmitir para cá? Corinthians x Bragantino. Corinthians x Bragantino! Pela oitava rodada da Série B! E esse jogo estava marcado para sábado. Anteciparam, para poder passar na TV.
Meus coleguinhas da Globo que me desculpem, mas a emissora oficial deixou de fazer jornalismo esportivo faz tempo. Não que seja uma novidade. Só que, desta vez, abusaram.
SÃO PAULO(mas é provável) – Recebi, e vendo o peixe como comprei, porque há anos cancelei minha assinatura de “Playboy”. Consta que foi publicada uma reportagem sobre os 60 anos da Porsche. E a foto que ilustra a abertura da matéria é de uma… Ferrari!
Será possível que ninguém na revista percebeu? Será possível que nenhum estagiário é capaz de de diferenciar um Porsche de uma Ferrari? Será que é todo mundo cego, ninguém viu o cavalinho rampante na lateral? Será que só porque está escrito “Porsche” na placa dos boxes o cara que publicou a foto não teve a menor dúvida? Será que nem o vermelho do carrão levou alguém a desconfiar de que alguma cagada estava prestes a acontecer? Será que ninguém pensou em, pelo menos, consultar alguém na “4 Rodas”?
E será que saiu assim mesmo na revista? Como disse, estou vendendo o peixe do jeitinho mesmo que comprei. Se alguém aí tem a “Playboy”, comprada “por causa daquela entrevista”, por favor confira.
Porque nós, colecionadores de VWs, estamos irritadíssimos com esse terrível equívoco. Detestamos ter nossos carros confundidos com essas variações de Fiat 147.
No mês que vem, vamos ver se a revista assume o erro. Porque essa foi demais.
SÃO PAULO(But nobody ever hears him/Or the sound he appears to make/And he never seems to notice/But the fool on the hill) – Rodrigo Borges, o Alma Clara, pede que eu leia breve texto em seu blog, “A lembrança que ficou”, leio, e eu não saberia dizer a mesma coisa nem com um milhão de palavras.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.