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Arquivo da Categoria Gira mondo

12/11/2009 - 23:44

O PREÇO DA GUERRA

loanSÃO PAULO (até isso) – Caiu na minha mão sem querer este link, via Twitter, mas me chamou muita a atenção. São cartazes e propagandas de cunho patriótico dos EUA divulgadas durante a Segunda Guerra. No caso das propagandas, talvez publicidade fosse o termo mais correto. Afinal, muita coisa aí saiu em revista e jornal. E pagou-se para isso. A gente está acostumado a ver esses cartazes criados pelos regimes totalitários com exaltações à pátria e ao povo, coisas da URSS e da Alemanha nazista, por exemplo, e o choque é imediato: nos EUA, a guerra, como tudo, era (é) tratada como negócio. “Compre seus bônus de guerra!”, “Invista em nossos soldados!”, “Transforme gordura em pólvora!”, “Os médicos no front fumam Camel!”, gritam os cartazes e as peças publicitárias.

Cada um vê uma guerra como melhor se lhe dá. A mim dá medo. De tudo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: ,
09/11/2009 - 17:06

SEMANA DO MURO (FINAL)

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Para fechar nossa Semana do Muro, uma imagem que para mim diz tudo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: , , ,
08/11/2009 - 18:55

SEMANA DO MURO (7)

O link indicado hoje é para o excepcional trabalho do iG em sua página especial sobre os 20 anos da queda do Muro. Artigos e entrevistas muito bons, infográficos, galerias de fotos, vale muito a pena ler tudo. Para ilustrar, nove fotinhos que tirei em Berlim um mês atrás, sem nenhum valor estético, mas que me dão uma enorme saudade da viagem. Minha “ostalgie” particular. Legendando, pela ordem: 1) o luxo do meu quarto de hotel; 2) o rádio ao lado da cama, companheiro das madrugadas insones; 3) Checkpoint Charlie, antigo posto de fronteira entre as duas Berlins, controlado pelos americanos; 4) a famosa placa: “You are leaving the American sector”; 5) o simpático apresentador da TV alemã-oriental no Museu DDR; 6) uma típica estante de apartamento alemão-oriental, TV, gravador, alguns livros, alguns enfeites; 7) os bonequinhos do semáforo, Ampelmann, símbolos de Berlim; 8) Alexanderplatz e minha cerveja num fim de tarde lindo e solitário; 9) o abandonado aeroporto de Tempelhof, que entre 1948 e 1949 funcionou como linha de abastecimento para Berlim, cercada pelos soviéticos.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: ,
07/11/2009 - 22:13

SEMANA DO MURO (6)

Um ótimo serviço da Deutsche Welle sobre os 20 anos da queda do Muro está neste link aqui, enviado pelo Fernando Pedroso. Tem cronologia, galeria de fotos, entrevistas, animações, quase tudo que é preciso saber sobre o evento mais importante da segunda metade do século passado. A foto é só para ilustrar. Achei bonitinha.

SEMANA6

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: , , ,
07/11/2009 - 00:09

SEMANA DO MURO (5)

SÃO PAULO (vou!) – A Cinemateca, aqui em São Paulo, abriu nesta sexta-feira uma mostra com 18 filmes feitos na Alemanha Oriental. São produções quase desconhecidas no Ocidente, já que sua exibição ficava restrita ao Leste e a eventuais festivais alternativos por aí. As informações e a programação estão aqui. A mostra vai até o dia 22 em SP com vários horários disponíveis para todos os filmes. Depois, segue para Brasília, no CCBB. Tentarei ver todos.

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Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Cinema, Gira mondo Tags: , ,
05/11/2009 - 18:08

LIMAOSINE

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SÃO PAULO (só eu não vi?) – No dia 1º de outubro, a China iniciou as comemorações do 60º aniversário da revolução comunista com um desfile inacreditável em Pequim. Inacreditável mesmo, como mostram as fotos do “The Boston Globe” em sua página de “big pictures”, que por si só é uma atração. Eu acho que não estava no Brasil nesse dia, passou batido. A que ilustra esta despretensiona notinha, inclusive, não é do site. Mas mostra a limousine mao-tse-tunguiana que chamei brilhantemente de “limaosine” (sacaram?) e foi usada pelo presidente Hu Jintao para fazer seu discurso (notem os microfones no teto). Não parece um Trabi de luxo?

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: , ,
05/11/2009 - 16:31

SEMANA DO MURO (4)

SÃO PAULO (é tarde, eu sei) - Seguindo nas nossas breves dicas sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim, vídeo muito legal sobre o guarda de fronteira que abriu o primeiro portão na noite de 9 de novembro de 1989. Um herói anônimo, como diz o colunista do “NYT”. Se ele tivesse mandado abrir fogo contra a multidão em vez de deixar todo mundo passar, talvez tivesse mudado o rumo da História.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags:
04/11/2009 - 16:48

SEMANA DO MURO (3)

Está nevando em Berlim, pelas fotos publicadas aqui. Essa aí embaixo me foi enviada pelo Rogério Gonçalves, que trabalha como escultor na praia de Copacabana.

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Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: ,
03/11/2009 - 18:08

SEMANA DO MURO (2)

Faltam seis dias para o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. Imagino como esteja a cidade por esses dias… Até segunda que vem, vou continuar pingando aqui algumas imagens da cidade que mais adoro no mundo. Umas de época, como a de ontem, outras da minha época, como essa aí embaixo. No local, as autoridades berlinenses construíram uma reprodução do Muro, com um detalhe: agora voltada para o Leste, a face pintada e decorada por artistas e moradores do lado ocidental, que os orientais só puderam ver quando as fronteiras foram abertas, em novembro de 1989.

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Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: ,
21/10/2009 - 18:12

NEW DOLLAR

SÃO PAULO (relevem) – Correndo o risco de pagar o maior mico da história deste blog, recebi um e-mail de dileto colega dizendo que, em primeira mão, estava me mandando os modelos das novas notas de dólar. Nenhuma informação adicional. Consultei minha consultoria de economia, que consultou outros consultores, e ninguém de nada sabia.

Escolhi a de US$ 100, frente e verso, para ilustrar esta nota fadada à chacota universal. Se alguém souber de alguma coisa, que conte aqui. De qualquer forma, são bonitas. Diferentes, ao menos. Trazem trechos da Constituição Americana, que para os especialistas é uma das mais perfeitas, sensacionais, maravilhosas e simples do mundo.

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Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags:
30/07/2009 - 10:48

ISTO É AMÉRICA

SÃO PAULO (depois não entendem…) – Aqui no Brasil, você compra um carro zero e te dão o IPVA pago, ou o seguro, ou os tapetinhos de carpete, ou a capa do estepe… Mas na Max Motors, na gloriosa América, você leva um fuzil AK-47 na compra de qualquer picape usada! Quem avisa é o blogueiro Marcelo Giacomin, indignado como este que vos bloga.

É inacreditável.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags:
20/07/2009 - 16:22

NA LUA

SÃO PAULO (apressem-se) – Coloquei a dica aqui, repito. Falta pouco mais de uma hora para o pouso na Lua em “real time”. Vejam aqui. A grande aventura do Homem. Eu tinha cinco anos e não lembro de nada. Mas certamente tem gente aqui que lembra de tudo.

Não serviu para muita coisa. A Lua é inóspita e não serve para nada, exceto para deixar as noites mais bonitas. Mas imaginem o que foi fazer isso 40 anos atrás.

Neil Armstrong, o primeiro a pisar no satélite, disse a famosa frase do salto gigantesco da humanidade, etc. Eu prefiro uma outra, que li ontem na “Folha” em material do correspondente Sérgio Dávila. Perguntado, em uma de suas raras entrevistas, o que sentia por ter sido o primeiro a caminhar em solo lunar, Armstrong mandou: “Pilotos não têm um prazer especial em andar. Pilotos gostam de voar”.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: , ,
07/07/2009 - 20:26

GIRA MONDO, GIRA

SÃO PAULO (puxa) - Michael Jackson foi enterrado hoje. Quer dizer, acho que foi. Pelo que pude ver em aparelhos de TV na oficina da LF, na padaria e, depois, na ESPN Brasil, por onde andei nesta terça-feira ensolarada e de trânsito infernal em SP, seu corpo foi colocado num caixão e levado ao ginásio dos Lakers, onde aconteceu um megashow com discursos e números musicais, uma coisa meio mórbida com aquele caixão ali no meio. Depois que acabou, não sei o que aconteceu.

Foi uma versão século XXI das celebrações da morte, que em muitas culturas e religiões é mesmo celebrada, já que muitas culturas e religiões acreditam que o bicho pega, mesmo, quando a gente morre. Eu bem que gostaria de acreditar nisso. Mas não vem ao caso. Foi uma versão, digamos, do ponto de vista estético. Ninguém ali estava celebrando a morte de MJ, e sim a chance de poder participar do show. Por isso todos estavam sorridentes e felizes, apesar de uma lágrima furtiva aqui e ali, porque não pega bem comemorar o tempo todo a sorte de ter conseguido um ingresso, ou o convite para cantar no funeral.

Bem, sem teorias.

Volto a falar de MJ porque enquanto cantavam “We are the World”, fomos para o estúdio eu, João Carlos Albuquerque e Mauro Cezar Pereira gravar o “Limite” de hoje. Equipe técnica a postos, nosso produtor/diretor Renato Senise no “switcher” e manda bala. Programa gravado, fui à maquiagem tirar o pó da cara e uma pequena TV estava sintonizada na MTV. O carinha que apresentava o programa encerrou a transmissão do show fúnebre com esse clipe aí em cima, lembrando que ele foi gravado 35 anos atrás ali do lado (a MTV é nossa vizinha), onde ficavam os estúdios da TV Tupi. Onde nasceu a TV brasileira, em resumo. A ESPN, hoje, ocupa o prédio que era da Tupi, algo que sempre me comoveu.

Fiquei sinceramente espantado com a informação. Sabia que o Jackson 5 tinha estado no Brasil, mas desconhecia essa gravação nos estúdios que a gente ocupa há anos. Estamos falando de 1974, MJ tinha 16 anos, pode ter sido nessa ocasião que ele se apaixonou por um SP2, como diz a lenda, mandando embarcar um para os EUA, o mais belo dos VWs, como afirmou um dia uma revista alemã.

Bem, na minha pequena coleção pessoal de fatos que só dizem respeito a mim mesmo, fiquei feliz em acrescentar o de ter gravado um programa no mesmo estúdio em que esteve MJ no exato dia em que ele foi enterrado.

Foi, digamos, minha pequena participação nesse espetáculo esquisitíssimo que o mundo viu hoje.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: ,
25/06/2009 - 20:31

GIRA MONDO, GIRA

SÃO PAULO - Escrevo antes da confirmação da morte de Michael Jackson, o que diante do espetáculo midiático que se monta passa a ser quase um detalhe. A batalha pela informação, para mim que nunca fui exatamente um fã, é o que mais empolga nessas horas. A morte ao vivo. MJ está morrendo como morreu Senna, com imagens aéreas de helicóptero transmitidas pela CNN.

Qualquer informação, qualquer uma, ganha enorme importância antes de o fato se consumar. Um diz que está em coma. Outro, que a família já está chorando. Outro ainda, que já não respirava quando o resgate chegou. A hora da ligação, as vans das TVs chegando ao hospital da UCLA, a multidão se aglomerando, é dia em LA, há tempo suficiente para mostrar tudo.

Não culpo a imprensa, esses grandes acontecimentos (a morte do cara que fez o disco mais vendido de todos os tempos é um grande acontecimento) exigem isso. Todos se atiram na notícia, a cobertura ganha contornos épicos, jornais preparam cadernos especiais, capas de revista são mudadas, imagens de arquivo são recuperadas, nessas horas o jornalismo é um show à parte.

Michael Jackson é um símbolo de uma era maluca. Atravessou os anos 70 como menino-prodígio, um “Mozart do soul”, como disse Ed Motta à GloboNews, explodiu como estrela pop nos 80, começou a definhar nos 90 como personagem emblemático de si mesmo, enriqueceu e quebrou, virou um espectro, vítima da máquina de moer gente em que o mundo se transformou.

Vítima voluntária, alguém poderá dizer, porque há dezenas de exemplos de ídolos pop que sobreviveram ao massacre e estão aí até hoje cantando, tocando, na estrada. Mas ele se transformou num cara esquisito, quis ficar branco, acusam, talvez fosse mesmo doente, nunca se saberá, pois se fechou numa reclusão que a necessidade que as pessoas têm de simplificar as coisas entendeu como mera excentricidade.

Por que esse rapaz virou o que virou é um mistério que perdurará para sempre. Seu último ato foi derrubar o Twitter.

No mesmo dia, morreu de madrugada Farrah Fawcett, outro ícone dos anos 70, produto da TV, a mais linda das Panteras, o sorriso mais cheio de dentes da América, os cabelos mais cacheados, o extrato da beleza.

Doente, esquecida e solitária aos 62 anos.

Será pé de página. O Ratzenberger de Michael Jackson.

Estranho mundo, o nosso.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: ,
23/06/2009 - 19:06

THOSE NICE BRIGHT COLORS

SÃO PAULO (e o mundo vai chegando ao fim) - Li hoje nos jornais de folhas que a Kodak vai parar de fabricar os filmes Kodachrome. A marca é usada desde 1935. O motivo é o mesmo que fez a Kodak fechar, nos últimos meses, várias de suas fábricas de películas pelo mundo: a invasão definitiva das digitais.

Que são ótimas, mas banalizaram o ato de fotografar. Hoje se fotografa qualquer coisa, o tempo todo, para colocar no orkut, no facebook, no msn, no twitter, em todo lugar. E pouca gente vê.

A Kodak explicou que hoje mais de 70% de seu volume de negócios é ligado à tecnologia digital. Os últimos rolos de Kodachrome serão doados a um museu. Um dos problemas para seus usuários é que apenas uma loja no mundo, a Dwayne’s Photo, em Kansas, tem capacidade técnica para revelar devidamente fotos batidas com Kodachrome, processo que exige um produto químico qualquer que já não se encontra mais.

É por isso que estou me inscrevendo na Sociedade Lomográfica Internacional. O equipamento já chegou. Em breve estará nestas páginas digitais. É a resistência analógica, silenciosa, que começa a se espalhar pelo mundo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: , ,
10/06/2009 - 18:23

GIRA MONDO, GIRA

SÃO PAULO (triste fim) – Trabalhei na “Folha de S.Paulo” de 1986 a 1994. Peguei os primeiros anos do “Projeto Folha”, um ambicioso plano de reforma do jornal e do fazer jornalismo, levado a cabo por um então jovem e impetuoso diretor de Redação, Otavio Frias Filho. Nossa turma era muito boa. Matinas Suzuki Jr., Leão Serva, Caio Túlio Costa, Marcelo Beraba, Carlos Eduardo Lins da Silva, Alon Feuerwerker, Mário Vitor Santos, Nilson Camargo, Edgard Alves, esquecerei muitos dos meus vários mestres do ofício, que me perdoem.

Cheguei muito novo, tinha 22 anos, e muito cedo assumi funções de chefia, num período histórico do país em que jornais tinham muita importância, bem mais do que hoje. Deixei amigos, dezenas deles, e se tem uma coisa de que me orgulho na profissão é de ter feito parte desse momento muito especial do jornalismo brasileiro.

Nesses anos todos, desde que saí do velho prédio da Barão de Limeira pela última vez, em maio de 1994, nunca deixei de ler a “Folha”. A relação de um leitor com seu jornal é muito especial, você gosta dele, se irrita às vezes, admira-o, odeia-o. Mas continua lendo. É hábito, o companheiro do café da manhã, o papel que te informa, por mais que a internet avance, sempre tenho a sensação de que jamais deixarei o jornal de lado, não me vejo passando requeijão na bolacha água-e-sal com um laptop na minha frente.

Hoje, porém, quando abri a porta de casa pontualmente às seis e meia da madrugada, tive pela primeira vez vontade de cancelar minha assinatura, mas teria de ser algo menos impessoal do que um telefonema para uma atendente que iria me dizer vamos estar verificando.

Tive vontade de ligar para meus tantos amigos que ainda labutam no palácio das pastilhas e perguntar, puta que pariu, o que vocês estão fazendo com meu jornal?

“Brasil está em recessão” foi a manchete da “Folha” hoje. Quatro palavras, em corpo grande, coisa rara, uma manchete tão curta e definitiva. A impressão que tive, sabendo como se faz um jornal, como se fecha uma Primeira Página, foi de que por muito pouco não colocaram um ponto de exclamação ao fim da sentença, algo que só não foi feito porque as regras do Manual de Redação são claras quanto a títulos, elas não permitem pontuação final, no máximo vírgulas e ponto-e-vírgulas na “Folha”, nem mesmo dois pontos.

Poderiam, também, colocar um “Ufa!” antes de “Brasil está em recessão”, mas o Manual, igualmente, não aceita. Porque a “Folha”, de alguns bons anos para cá, esqueceu todos seus princípios de jornalismo imparcial, apartidário, isento etc. Tudo que eu sempre aprendi ali, naquele prédio, e que serviu de base para minha conduta profissional.

Os exemplos são muitos, tantos que enumerá-los ficaria cansativo. A manchete de hoje é de um ridículo atroz, fala em “regra de identificação mais universalmente adotada” para concluir que o país entrou em recessão, “com dois trimestres consecutivos de queda do Produto Interno Bruto”.

Lá no meio do texto é que aparece a verdadeira notícia: ”Vistos mais de perto, os números mostram que a recessão, na sua definição mais vulgar, não chegou para todos, nem sequer para a maioria. Basta dizer que o setor de serviços, em que estão 60% do PIB, não caiu por dois trimestres consecutivos: teve expansão de 0,8% no primeiro trimestre, após a queda de 0,4% no final de 2008. Nesse grupo estão atividades do cotidiano que vão desde a escola dos filhos até os aluguéis, da oferta de saúde ao seguro do carro. É um setor que só costuma ver retrações quando há disparada do desemprego ou queda forte dos salários, até agora inexistentes. Pelo contrário: a massa salarial -que leva em conta o volume de emprego e os rendimentos- do primeiro trimestre ainda foi 5,2% maior que a de um ano antes. E o consumo das famílias, depois de encolher 1,8% na derrocada geral do final de 2008, subiu 0,7% na comparação com o trimestre anterior.”

Ou seja, a economia brasileira vai bem, resistiu à maior crise mundial desde 1929, a recessão da manchete é apenas uma ilação que se baseia numa “regra de identificação mais universalmente adotada”, embora ninguém saiba direito onde está escrita essa regra. A recessão da manchete é, na verdade, uma comemoração do jornal.

No começo deste mês, um texto assinado por Fernando Barros e Silva, editor de Brasil, que vem a ser filho daquele diretor do São Paulo Futebol Clube, atacou o governo federal por “pulverizar” a publicidade oficial comprando “mídia de segundo e terceiro escalões”, como se as verbas públicas devessem ser aplicadas exclusivamente na mídia de “primeiro escalão”, à qual a “Folha” deve achar que pertence. Uma das coisas mais ridículas que li na vida, não consigo entender como alguém é capaz de escrever tamanha sandice e ainda assinar o nome, e que mereceu uma ótima análise do jornalista Rodrigo Vianna, da TV Record, em seu blog (vale a pena a leitura, está aqui). Antes, poucas semanas atrás, houve o episódio do editorial chamando o regime militar brasileiro de “ditabranda”. Há algum tempo, também, o jornal abre espaço para um certo Luiz Felipe Pondé, articulista que destila suas idiotices semanalmente, acho, na contracapa da “Ilustrada”, que já teve Paulo Francis e Carlos Heitor Cony. Um reaça primário, filhotinho da TFP, uma coisa horrorosa.

São sinais que já deveriam ter-me feito cancelar a assinatura, mas como é o “meu” jornal, dei-lhe o befefício da dúvida, essas coisas devem estar passando sem ser lidas por alguém com o mínimo de discernimento, às vezes acontece. Mas não, não é isso que está acontecendo. A “Folha” se transformou num palanque medíocre, está rasgando sua história, acabando com sua credibilidade, jogando no lixo seu maior patrimônio.

E enquanto anuncia alegremente que o Brasil está em recessão em sua edição de hoje, fecha os olhos para as implicações políticas da greve na USP, isentando-se de apontar responsáveis e de criticar o governo estadual e sua polícia que joga bombas e baixa o cacete em estudantes, professores e funcionários como se fazia nos tempos do coronel Erasmo Dias, que lascou o sarrafo na comunidade acadêmica na reunião da SBPC na PUC em 1977, porque o governador é seu candidato à sucessão, sucessão que vem sendo tratada com inacreditável sutileza paquidérmica ao decretar, dia sim, dia não, que o terceiro mandato está descartado, que ninguém quer, que é um absurdo, que isso, que aquilo.

Dá pena ver o que fizeram da minha “Folha”. Mesmo assim, não vou estar cancelando minha assinatura. As alternativas para meu café da manhã não são grande coisa, infelizmente.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags:
09/06/2009 - 18:01

CUBA

SÃO PAULO (sem preconceitos) – Recebi isto da blogueira Joelma Couto. Gostaria que vocês vissem, também. São só 11 minutinhos. Não consegui incorporar o vídeo em tamanho grande, graças às minhas conhecidas deficiências técnicas. Então, a visualização é bem melhor clicando diretamente aqui.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: ,
04/06/2009 - 02:53

GIRA MONDO, GIRA

SÃO PAULO (gira e muda) – Ontem foi um dia histórico, com a revogação da suspensão de Cuba pela OEA, a Organização dos Estados Americanos. Não que a medida tenha algum efeito prático imediato. Não se sabe sequer se Cuba quer voltar a fazer parte da OEA. Mas do ponto de vista político, é um avanço que a América Latina não via desde a queda dos regimes militares do Chile e do Paraguai.

Algumas semanas atrás, Barack Obama começou a levantar as estúpidas restrições que o governo americano faz à ilha desde a Revolução, em 1959, sob o argumento de que o país não pode compactuar com uma ditadura que tomou propriedades de seus cidadãos etc e tal. O novo presidente deveria ir um pouco além e, de uma vez por todas, dar um basta a todos os embargos que governos anteriores impuseram ao país. Com um discurso simples e direto (não cobrarei royalties, se for usado): “Senhoras e senhores, a partir de hoje os EUA levantam todos os embargos econômicos e políticos impostos a Cuba nos últimos 50 anos. A justificativa de que não podemos apoiar uma ditadura não corresponde à realidade. Porque nesses mesmos 50 anos apoiamos várias, de acordo com nossos interesses econômicos. Continuamos apoiando, aliás. Está aí a Arábia Saudita que não nos deixa mentir. Portanto, está mais do que na hora de nós, americanos, compreendermos que o que entendemos como regime político ideal, a democracia, e como regime econômico mais apropriado, o capitalismo, não são necessariamente as escolhas de outras nações e de outros povos. Todos eles têm autonomia e suas escolhas devem ser respeitadas. Questões ideológicas e econômicas não devem se sobrepor a questões humanitárias. Se achamos que o povo cubano sofre porque não vota, tem de ir à escola de gravatinha e anda de Lada, que direito temos nós de aumentar ainda mais seu sofrimento? Somos todos irmãos, vivemos no mesmo planeta, estamos na mesma barca furada e igualmente fodidos. Vamos deixar de viadagem e suspender todos os embargos a Cuba. Quero encontrar Fidel, puxar a barba dele e tomar um mojito na Bodeguita del Medio na mesa do Hemingway. E revoguem-se as disposições em contrário. E que nenhum congressista venha me encher o saco, porque temos mais o que fazer do que nos preocupar em proibir a importação de charutos”;

Seria demais, se Obamão mandasse uma dessas. E acho que não está longe.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: , , ,
14/04/2009 - 14:33

GIRA MONDO, GIRA

SÃO PAULO (nunca é demais) - Vários blogueiros estão me mandando e-mails sentindo a falta da seção “Gira mondo, gira”, com pitacos diversos sobre tudo. Eu também estou. Na verdade, não tenho tido muita vontade de escrever sobre algumas coisas. É fase, passa. E acontece tanta coisa, não? Ontem, mesmo, quando ouvi a notícia de que Barack Obama começou a relaxar a cafajestada histórica que os EUA fazem com Cuba, pensei em escrever. Mas depois vi que é pouco, muito pouco: o fim da restrição de envio de grana, a permissão para algumas empresas americanas atuarem na ilha, liberar os cubano-americanos para viajarem a Cuba.

(Uai, cadê o direito sagrado de ir e vir? Quer dizer que os EUA, como Cuba, também proíbem seus cidadãos de saírem do país se o destino não for aprovado pelo crivo ianque? Ora, ora… Aliás, uma vez, chegando aos EUA para cobrir uma corrida em Indianápolis, a besta da imigração viu meu visto para o Líbano e perguntou o que eu fui fazer no Líbano. Eu disse que não era informação do interesse dele, nem do seu governo. Até onde eu sei, não tenho de comunicar a governo nenhum o que faço ou deixo de fazer quando viajo. Ele ficou meio irritado e insistiu na pergunta. Tive vontade de dizer que fui comer um beirute, mas para evitar mais problemas disse apenas um “well, I was there to see the place”, e como ele não tinha mais nenhum argumento para me encher o saco, carimbou o passaporte e pronto. Ainda bem que meu visto venceu.)

Obama tem se mostrado um cara tolerante e aberto ao diálogo. Mas poderia ser mais radical. Em vez de dar migalhas a Cuba, deveria acabar, pura e simplesmente, com o embargo ao país. Sem fazer exigências. Os EUA não têm o direito de exigir nada de ninguém. Se exigem eleições em Cuba, por que não fazem o mesmo em relação à Arábia Saudita? Ou à China? Porque são uns bundões.

Bem, ando sem paciência para falar demais sobre algumas coisas. Então, o “Gira mondo” segue em silêncio. Mas não custa lembrar o comercial da Pirelli (que já apareceu aqui várias vezes) que deu o nome a essas notinhas despretensiosas. Vira e mexe alguém me manda. É o anúncio de TV usando a F-1 mais legal que já vi. Quem mandou hoje foi o Eric Pirelllic.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: , , , , ,
28/02/2009 - 19:34

YOUTUBE DÁ CANA. NA INGLATERRA

SÃO PAULO (aqui não) – Vejam que interessante esta reportagem do TimesOnLine enviada pelo Pablo Vargas. O bobão fez um monte de palhaçadas com sua moto em estradas inglesas e colocou as imagens, gravadas por um amigo, no YouTube. Alguém viu e avisou a polícia, que foi atrás do cabra. Achou, claro. Resultado: 12 semanas de cadeia e dois anos sem dirigir na região de Oxford para Sendor Ferenci, 28 anos.

O juiz, que condenou o cara baseado no vídeo, o chamou de “lunático” e “irresponsável”. Igualzinho aqui. No dia 12 de fevereiro mandei um e-mail para o comando da Polícia Rodoviária Estadual denunciando as barbaridades de um sujeito com um Porsche e mais dois motoqueiros na Anhanguera, e até agora tudo que aconteceu foi nada.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Brasil, Gira mondo Tags: , ,
18/02/2009 - 16:45

GIRA MONDO, GIRA

SÃO PAULO (pelo jeito, acabou a festa) – Deu no “The New York Times”, e a íntegra está aqui. Foi o Paulo Trevisan quem encontrou a notícia, preocupante para aqueles que acham que Dubai é o “ultimate paradise” da Terra.

Parece que a coisa está feia por lá. Algo que não me surpreende, porque Dubai não passa de um mundo de fantasia que, uma hora, iria mesmo explodir — ou implodir, como parece o caso.

É como as pirâmides de dinheiro de antigamente, lembram?, hoje muito populares também na internet, embora eu ache que ninguém mais acredite nesse negócio. Na verdade, o sistema financeiro mundial é uma enorme pirâmide, está aí a crise que não me deixa mentir. Uma farsa que mais dia, menos dia iria deixar milhões de pessoas de calças arriadas.

Bem, no que diz respeito a carros, que é nosso tema preferencial, a crise em Dubai pode ser traduzida em reportados três mil carros abandonados no aeroporto do emirado, todos muito luxuosos e caros, largados por pretensos novos-ricos que não conseguiram pagar suas prestações e fugiram do país porque lá, segundo consta, calote dá cadeia.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: ,
16/02/2009 - 18:49

GIRA MONDO, GIRA

SÃO PAULO (mundo doido) - Quase todos os países que boiam sobre o petróleo são riquíssimos. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, o Bahrein, são todas nações prósperas, exageradas, cintilantes. O Ocidente admira Abu Dhabi e Dubai, baba por seus prédios espelhados, suas ilhas artificiais, campos de golfe, autódromos, estádios, verdadeiros oásis construídos no deserto graças à fartura do ouro negro (bonito, isso).

São países comandados há séculos por dinastias de xeques simpáticos à política externa norte-americana, e ninguém se importa que por aquelas bandas o poder seja exercido indefinidamente por famílias que estão cagando para as camadas mais pobres de suas populações, gente que brinca com a economia mundial, que financia guerras, que se aproveita da miséria alheia. Não fazem eleições, desprezam a democracia, mas rezam pela cartilha do capitalismo, compram Mercedes e Ferraris, banham suas torneiras de ouro, então são aceitos de bom grado, porque são chiquérrimos.

Aí Hugo Chávez convoca a população da Venezuela para saber se ela apoia a possibilidade de reeleições seguidas, ganha o plebiscito, e a mídia ocidental se ergue em seus tamancos contra o índio que pretende se eternizar no poder, torce o nariz, acha sua farda verde-oliva um horror.

Em Dubai, ficar no poder por séculos pode. Na Venezuela, não.

Sou contra as pretensões chavistas de continuísmo, acho que a alternância do poder é algo sadio quando acontece sob regras claras e democráticas, mas não moro na Venezuela, não voto lá, e o mínimo que qualquer cidadão de qualquer país tem obrigação é de respeitar a vontade popular de uma nação soberana.

Depois, a realidade da Venezuela precisa ser entendida não sob a ideia que os EUA têm de democracia, mas procurando compreender um pouco sua história muito particular. É um país que poderia ser tão esfuziante quanto qualquer emirado árabe cheio de Lamborghinis nas ruas, com a vantagem de ter um clima mais civilizado e belezas naturais incomparáveis. Só que é pobre de dar dó, porque suas elites tomaram o poder e suas riquezas de assalto por décadas, delas desfrutaram à vontade, até passarem o bastão, pelo voto popular, a um cara que não se importa com elas, porque tem coisa mais séria com que se preocupar.

Não entendo a grita contra Chávez, que encontra eco na mídia neoliberal do Brasil, que por sua vez influencia barbaramente a classe média que se informa exclusivamente por ela — é, estou falando da “Veja”, de Boris Casoy, de José Nêumane Pinto, do “Estadão”, da direita enrustida que também não engole Lula e seus incríveis índices de aprovação.

A esses, sugiro a leitura deste artigo de Emir Sader, mesmo sabendo que poucos lerão (a indicação é do Luiz Alberto Pandini). Chávez é o legítimo presidente eleito da Venezuela, e tem o direito de consultar a população de seu país quantas vezes quiser sobre o tipo de nação que ela quer para o futuro.

Se os resultados não combinam com o que o “Estadão” e a “Veja” pensam, paciência. Assim é a democracia, não?

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: ,
04/02/2009 - 18:40

GIRA MONDO, GIRA

SÃO PAULO (lá e cá) – Ouvi no rádio hoje que a IBM vai fornecer ao governo dos EUA um supercomputador capaz de realizar um quatrilhão de operações por segundo. Nossa pobre espécie está mudando até o tempo. Não há um quatrilhão de coisas para se fazer em um segundo. O mundo não precisa que se faça um quatrilhão de coisas em um segundo. Em um segundo, deve-se fazer aquilo que dá para fazer em um segundo. Como trocar um olhar, dar um selinho, apagar a luz, girar a chave, chamar o elevador. Para quê criar uma máquina que faz um quatrilhão de coisas por segundo? Quantas coisas fará ela em um dia inteiro? Quantas operações você fez em sua vida inteira? Menos de um quatrilhão. Nem sei quanto é um quatrilhão. Mas o supercomputador fará um quatrilhão de coisas em um segundo. Sinto-me um inútil a cada segundo que passa, incapaz que sou de realizar um quatrilhão de coisas.

Adiante. A última pesquisa CNT/Sensus aponta que Lula bateu um recorde de aprovação, 84% do país acha que ele é um bom presidente e 72,5% das pessoas acham bom o seu governo. É bom quando uma nação confia em seu mandatário. Isso está acontecendo com nossos vizinhos do norte, também. Barack Obama baixou os salários dos executivos das empresas que foram salvas por seu plano de emergência. Eles não vão poder ganhar mais de 500 mil dólares por ano. Porra, ganhavam mais do que isso?

Mas não deixa de ser curioso. As empresas do país mais capitalista do mundo tiveram de pedir ao maldito Estado para salvar sua pele, o Estado que só atrapalha e atravanca o progresso. Fizeram merda em cima de merda em nome do mercado, e seus bonitões de gravata terão os salários estipulados pelo Estado.

Os EUA são o país mais comunista do mundo hoje, isso sim.

Ouvi no rádio também que os consórcios, no Brasil, vão vender serviços, também. Não só carros e imóveis, mas cirurgias plásticas, tratamentos dentários e viagens ao exterior, por exemplo. É realmente um país estranho o nosso. Vou entrar num consórcio para fazer óculos novos, agora que estou usando óculos para ler. Alguém aí se junta a mim num grupo?

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: , ,
03/02/2009 - 12:56

GIRA MONDO, GIRA

SÃO PAULO – Morreu sexta-feira o desenhista industrial Hans Beck, aos 79 anos. Ele foi o criador dos bonequinhos Playmobil, há mais de 30 anos alegrando a criançada do planeta inteiro. E adultos, também.

Acho que todo mundo brincou de Playmobil um dia, não? Eu confesso que não brinquei tanto assim, já tinha dez anos quando eles foram lançados, e gostava, mesmo, era de bonequinhos medievais de armadura e lança. Achava os Playmobil um tanto quanto infantis, com aquele sorriso eterno no rosto mesmo quando os fazia despencarem em seus carrinhos pelos abismos imaginários de minha vida em tenebrosos acidentes. Eles caíam lá embaixo e continuavam sorrindo. Achava aquilo tudo muito esquisito.

Hoje, tudo que quero ver é o sorriso eterno de um bonequinho, que seja.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags:
22/01/2009 - 01:12

GIRA MONDO, GIRA

SÃO PAULO (e daí?) – Isso deve ter algum significado histórico. Pela primeira vez em 77 anos a General Motors não foi a montadora que mais vendeu veículos no mundo. Divulgados os números de 2008, foram 8,35 milhões de trapizongas metálicas despejadas no mercado, contra 8,97 milhões de tranqueiras vendidas pela Toyota. Ambas apresentaram queda em relação a 2007, mas desde 1931, se minha calculadora estiver funcionando bem, que a GM não fechava um ano atrás de alguém (é óbvio que nos áureos tempos a Lada ocultava seus números para não deixar ninguém deprimido, então não conta).

A Toyota, dia desses anunciou que pela primeira vez em 15 séculos teve prejuízo — ou queda nos lucros, algo assim. A GM, no fim do ano, foi pedir arrego ao governo americano, porque estava para quebrar. Recebeu uma ajudinha de 13 bilhões de dólares. Das três grandes montadoras americanas, a única que ainda parece ter alguma saúde financeira é a Ford. A Chrysler, que parece bolinha de pingue-pongue, jogada de um lado para o outro, acaba de fazer uma parceria com a Fiat, depois de ter sido devolvida à sua origem ianque pela Mercedes — que sabe-se lá por quê, alguns anos atrás, resolveu se fundir com a fabricante de Dodge Dart.

Quem já foi para os EUA e quem assiste TV sabe que por aquelas bandas toda a produção dos últimos anos foi voltada para monstrengos enormes que consomem muito, têm lata de sobra e pneus gigantescos. Andam para lá e para cá em largas estradas e avenidas gastando muito mais do que deveriam, levando o motorista e vento na cabine, algo que qualquer romiseta faria do mesmo jeito. Um desperdício de combustível, espaço, borracha, tudo. É a obsessão americana por ultras e megas, tudo grande, monumental, exagerado.

O resultado dessa visão de mundo pouco razoável é a quebradeira geral de empresas que só sabem fazer porcarias sobre rodas. Será que ninguém nunca notou que concentrar marketing e produção em caminhões urbanos é uma burrice? Que andar sozinho numa pick up de dimensões continentais, que não cabe em lugar algum, torra gasolina que nem água, tem o triplo do tamanho que precisaria ter e é um estorvo até para ser destruída, representa uma agressão ao ambiente e ao bom-senso?

Eu só não digo bem-feito, porque grandes empresas, quando quebram, arrastam junto seus funcionários e geram desemprego e aflições. Não sei o que será da GM, da Chrysler, das outras. Mas me parece claro que essas bestas que dirigem tais companhias terão de mudar seus rumos e suas cabeças de melão. Baixar a bolinha, rever conceitos, fazer o que o presidente Barack Obama disse em seu discurso de posse: antes de pensar em mudar o mundo, mudar sua própria mentalidade.

Aliás, foi ótimo o discurso de Obama. É um cara bacana, decente, que vai fechar essa excrescência que é Guantánamo e devolver o Iraque aos iraquianos. Não fez um discurso belicista (OK, teve um “vamos derrotá-los” para o terrorismo internacional, mas foi meio retórico, apenas), injetou otimismo nas pessoas, deu uma esculachada básica nos gananciosos que transformaram a economia mundial em pó de merda, mostrou aos americanos, com delicadeza (e por isso pode ser que a maioria não tenha compreendido), que se existe um culpado pela situação em que o mundo está, este culpado é a América, como eles gostam de se chamar. Em inglês bem claro, ele poderia dizer apenas “fizemos um monte de cagadas e fodemos todo mundo, agora vamos tentar consertar”. Seria a mesma coisa, mas alguns não gostariam de ouvir.

Obama é um sujeito que vai entrar para a história e pela porta da frente, se for fiel ao que diz, e não pelos fundos como o idiota do Bush e sua secretária de Estado que tem a cara de Chuck, o boneco assassino. Vai ser interessante viver neste planeta nos próximos anos, para acompanhar de perto a trajetória dos EUA sob o governo de alguém que enxerga o mundo além do McDonald’s.

Talvez eu até renove meu visto.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo, Indústria automobilística Tags: , ,
20/01/2009 - 13:20

PILOTO-PRESIDENTE

SÃO PAULO (não sou candidato) – Informa a blogueira Camila Souza que Carlos Reutemann pode ser candidato à presidência da Argentina em 2011. Creio que, se isso acontecer, será a primeira vez que um ex-piloto de F-1 se lança a tal cargo.

Façamos um exercício: se você tivesse de escolher um piloto, ou ex, de qualquer categoria, para ser presidente do Brasil, quem seria? Só não vale Ayrton Senna, que já morreu. Vote e justifique!

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: ,
16/01/2009 - 13:04

GIRA MONDO, GIRA

GUARUJÁ – As dimensões das tragédias… Ontem, um Airbus cai no rio Hudson ao decolar de La Guardia, depois de se chocar com pássaros. O piloto, um herói, consegue pousar na água. O socorro é rápido. Todos se salvam. Alívio sem tamanho. A foto dos passageiros sobre a asa, os barcos de resgate chegando… É a imagem mais reconfortante do ano.

À noite, numa escura estrada gaúcha, o ônibus do Brasil de Pelotas despenca numa ribanceira. O time, pequeno e bravo esquadrão dos pampas, o glorioso Xavante, perde seu maior ídolo, o uruguaio Claudio Milar, 34 anos, 208 jogos com a camisa rubronegra; o zagueiro Régis; e o preparador de goleiros Giovani Guimarães. Milar será enterrado hoje no Chuy, onde nasceu. Lá, no fim (ou seria começo?) do Brasil.

Estive por lá no fim de semana. Chuy, Chuí e Pelotas. Quando vi a notícia hoje cedo, não entendi direito. Como, naquelas estradas retilíneas, cercadas de planícies por todos os lados, gado e arroz? Onde, uma ribanceira?

Pois havia, em outra estrada, chegando a Pelotas.

Eu comprei duas camisetas do Brasil de Pelotas para os meninos, domingo. Comprei camisetas do ABC em Natal, também. Sempre que a gente compra camisetas desses times menos famosos, se torna um pouquinho torcedor deles. Futebol é assim, a gente sempre reserva um pedacinho do coração a um time ou outro quando vibra com uma vitória contra um grandão, ou admira um jogador que gostaria de ver jogando no seu.

Sentimentos juvenis à parte, o que aconteceu com o Brasil é uma tristeza sem tamanho. O clube cogita até não jogar o Gauchão. Deve jogar, sim. A história do Xavante é linda e seguirá sendo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags:
10/01/2009 - 19:24

DEUS NÃO EXISTE

PELOTAS (free speech) – É o que dizem anúncios colocados em cerca de 600 ônibus na Inglaterra, Escócia e País de Gales neste comecinho de ano. E, também, no metrô de Londres. E em telões espalhados pela cidade. A campanha surgiu num pub, conta o blogueiro Kleber Caixa Postale. Uns caras discutiam a existência ou não de Deus e resolveram arrecadar uma grana para enfrentar a propaganda religiosa tradicional, que promete o inferno para quem não acredita em nada. Outros caras famosos aderiram e, em poucas semanas, o dinheiro já era suficiente para que fosse lançada a campanha “There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life”. Numa tradução literal, “Provavelmente Deus não existe. Agora pare de se preocupar e aproveite sua vida”.

Os “ônibus ateus”, como estão sendo chamados, já despertam a ira dos mais conservadores. Eles entraram com vários protestos junto ao órgão inglês que regulamenta a publicidade. Os religiosos acham que a campanha é ofensiva àqueles que seguem credos monoteístas.

Eu não acho. Se alguém pode propagandear que Deus existe e afirmar que se você não acreditar nele, ou não pingar o dízimo, vai direto para as trevas sem escalas, não vejo mal algum em alguém dizer que não existe, e que a vida deve ser aproveitada na buena, sem ressentimentos. Nenhum ateu se sente ofendido pela propaganda religiosa, ou na presença de quem acredita em Deus, ou deuses, ou discos-voadores.

Eu, por exemplo, acredito em discos-voadores, mas nunca vi nenhum.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: ,
01/01/2009 - 15:24

GIRA MONDO, GIRA

SÃO PAULO (hasta) – Não é todo dia que um país, um povo, pode se dar ao luxo de comemorar 50 anos de uma revolução para decidir seu destino. Cuba merece hoje os aplausos do mundo inteiro, por ter chegado a 2009 como dona de seu nariz, apesar do odioso embargo americano e das sabotagens da turma de Miami que se acha cubana — e deseja, no fundo, apenas que a ilha volte a ser o puteiro que era antes de Fidel.

Podem me poupar do discurso neoliberal mais uma vez. Não me falem da miséria, da ausência de celulares e TVs de LCD, dos carros velhos, das geladeiras antigas, do casario sem tintas luminosas, das dificuldades que os cubanos têm para sair de seu país, da suposta falta de liberdade e de outras bobagens que as pessoas leem na imprensa ocidental. Poupem-me, igualmente, do nada criativo “já que gosta, por que não vai pra lá?” — primeiro, porque vou, sim; depois, porque é papo antigo, se não tem nada melhor a dizer, não diga nada.

Cuba é um exemplo para o planeta, com seus defeitos e qualidades. É um país onde todos comem, estudam, têm médicos e trabalham. Um país bombardeado diariamente pela propaganda americana (que o novo presidente acabe de vez com essa babaquice), que há cinco décadas sofre duríssimos golpes econômicos e que se viu sem chão quando a URSS acabou, e nem por isso desapareceu, como previa tanta gente.

Cuba merece, no mínimo, o respeito daqueles que defendem a autonomia dos povos. É um país simples e honesto. Digno e orgulhoso.

Hoje, líderes de todas as nações deveriam congratular o povo cubano por aquilo que ele fez. Escolheu um caminho. Que não é o do hedonismo, do consumismo, do belicismo, de outros “ismos” que consomem o ser humano como uma folha de jornal sendo queimada.

Cuba é o que restou de autêntico no mundo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags:
24/12/2008 - 15:21

GIRA MONDO, GIRA

SÃO PAULO (olhem com outros olhos) – Não sei se teve destaque na grande imprensa, provavelmente não, porque a grande imprensa ou acha essas coisas bregas, ou demagógicas. Nem uma coisa, nem outra.

A visita do presidente Lula ontem ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, para uma festa de Natal com catadores de sucata e moradores de rua, está lindamente relatada no blog do Ricardo Kotscho. Merece a leitura.

Lula foi considerado pela revista americana “Newsweek” a 18ª pessoa mais influente do mundo. No Brasil, sua popularidade nunca foi tão alta. Mas eu ainda escuto, aqui e ali, bobagens monumentais sobre ele. Os argumentos, porém, são cada vez mais escassos. Na maioria das vezes, um “não gosto dele e pronto”.

Bem, pelo menos é uma justificativa honesta. Idiota, mas honesta.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags: ,
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