SÃO PAULO (cada uma…) - Blogueiros e blogueiras, não me processem! Quem mandou essa insanidade aqui foi a Jackie Della Barba, ela que se responsabilize! Seguinte… Na Alemanha, resolveram fazer uma exposição de fotos relacionando carros com tamanho dos, digamos, instrumentos de reprodução de seus donos. E os caras saíram tirando fotos peladões ao lado de suas máquinas.
SÃO PAULO(gênio) – O blogueiro Luiz Colmenero tem a mesma mania que eu, de fotografar carros legais nas ruas. Me mandou algumas, entre elas essa aqui. É um Mini Dacon, “que a Smart copiou”, segundo o Luiz — e eu concordo. Mas o máximo é quem está dirigindo… Simplesmente Anísio Campos! Que vem a ser simplesmente o cara que criou o Mini Dacon!
Não sei quando foi tirada a foto, nem o que o Anísio estava fazendo com o carro, que acho que não é dele. O Anísio é desses gênios que circulam por São Paulo como se a cidade fosse o quintal da casa dele. Nunca me esqueço uns dois ou três anos atrás, quando SP ficou sitiada pelos ataques do PCC (cacete, quando foi isso?). Estava eu circulando pela Faria Lima atônito feito um zumbi, as ruas todas vazias, parecia que tinha acabado de acontecer um ataque nuclear, todo mundo com medo de que uma delegacia ou um ônibus explodissem aos seus olhos, e vejo no espelhinho um TL azul se aproximando.
Achei o máximo. Ele parou no farol ao meu lado, eu olho e lá está… Anísio, divertindo-se pra valer com sua nova aquisição. “Olha o que eu comprei, Flavinho!”, ele gritou pela janela, como se me encontrar no trânsito fosse a coisa mais comum do mundo, e sem ter a menor ideia do que estava acontecendo.
Apenas se divertia guiando seu TL pelas ruas desertas.
SÃO PAULO (no money, porém) – Coisa que nunca faço é parar em concessionárias para ver carros novos. Primeiro, porque não tenho grana para comprar. Depois, porque a maioria é muito sem graça. Mas tem uma KIA perto de casa e parei lá ontem, já que estava folgado de horário. Fui ver o tal do Soul. Que é um bom nome para carro, bem melhor do que Picanto, que só fica bem para quem tem uma Chana (falei isso uma vez e um assessor da KIA me ligou chateado; as pessoas se chateiam por pouco).
Legal, o Soul. Uma espécie de “Twingão”, com alguma preocupação de design, algo tão raro hoje em dia. Deu-me a impressão de que é verdade que os carros coreanos são de boa qualidade, melhoraram muito nos últimos anos. A maioria é bem feia, para ser sincero… Tucson, Santa Fé, Souza Cruz (é isso?), Sportage, essas SUVs enormes e desengonçadas são de um mau-gosto atroz.
Mas o Soul é bonitinho, e nem é tão caro, coisa de 60 mil dinheiros. De bom, também, opções de cores que vão além do prata e do preto: tem branco, coisa rara para SP, dois azuis e um vermelho — além dos pretos e pratas e chumbos de sempre. Num mundo automotivo em tons de cinza que a gente vive, é um avanço.
Se eu tivesse o money e vaga na garagem, levava pra casa. Como não tenho nem um, nem outro, ficou na loja.
SÃO PAULO(dirijam) - Desculpem, não anotei o nome de quem mandou, mas não faz mal — o blogueiro se apresenta aqui, nos comentários. Este é um poema visual. Com três ou quatro frases e imagens lindas, Jeremy Clarkson (que apesar de destruir Ladas é meu ídolo na TV, o único, aliás) diz tudo que eu tentei dizer em milhares de palavras aqui, sem conseguir me fazer compreender pela maioria. Lindo de morrer.
SÃO PAULO (cada vez mais…) – Está nos jornais de hoje. Peças publicitárias de produtos ligados à indústria automobilística, a partir de agora, terão de conter textos educativos, como nas propagandas de remédios, bebidas, cigarros. Carro, que era símbolo de liberdade, status, glamour, alegria, está sendo, a cada dia que passa, mais satanizado. É uma arma que mata, polui, congestiona as ruas das cidades. As pessoas gostam cada vez menos deles e os encaram como um mal necessário, apenas.
Os textos em si, esses não me incomodam. Acho até legal que se chame a atenção constantemente para o uso do cinto, a manutenção adequada, o respeito às leis, embora duvide de sua eficiência. Mas não é isso que está em questão. É, sim, essa demonização do transporte individual. Que está ajudando a levar as fábricas à loucura, sem saber o que fazer. Hoje, elas parecem ter vergonha de produzir automóveis. Só se fala em carro ecológico, sustentabilidade, emissão zero, como se fossem os carros os grandes culpados pela merda em que nosso planeta está se transformando.
Eu poderia usar outros exemplos, mas fico num só. Papel. Revistas, jornais, para que servem? Se hoje se lê e vê tudo eletronicamente? Quantas árvores são derrubadas diariamente para que seja produzido papel que vai virar lixo às toneladas? O que faz mais mal ao planeta, um automóvel ou o desmatamento? E a tinta e todos os produtos químicos gastos nas impressões? Poluem pouco?
Essa marginalização do carro está afetando também as corridas, me parece claro. Um blogueiro escreveu, num comentário sobre a saída da BMW, que as competições, hoje, estão se descolando daquilo que se produz na indústria automobilística. Nada do que se aprende nas pistas é passado para as ruas, porque o conceito de automóvel e transporte para o futuro muito próximo nada tem a ver com motor a explosão, performance, velocidade. Os engenheiros agora só se preocupam com carroceria feita com fibra de cenoura, combustível à base de extrato de brócolis, revestimento de bambu, essas coisas.
Compreendo a preocupação com o meio-ambiente. Faz todo sentido, não acho que se tenha de asfaltar a Amazônia. Mas acho que estão cometendo uma injustiça com o pobre do automóvel. E isso explica um pouco o desinteresse crescente por corridas. Tomam-nas como um desperdício sem sentido de combustível, brinquedo de gente endinheirada, alegam que elas não contribuem com nada, poluem, fazem barulho, assustam os passarinhos.
SÃO PAULO(que venha) – Pode ser apenas mais uma da série “só acredito vendo”, porque esse negócio de fazer carro é caro demais, mas está sendo anunciada a volta do Miúra. Sim, ele mesmo, o ícone dos anos 80 que tinha néon e falava. Um carro que tem seguidores, clube e é, hoje, peça de coleção.
SÃO PAULO (Interlagos, sábado!) – A foto foi enviada pelo Ricardo Divila. O carro é um Fiat e o ano, 1904. Agora, por que é rebaixado e tem asa, isso eu não sei…
SÃO PAULO(e até amanhã) – Fecho o dia propondo uma reflexão da blogaiada (nossa, que coisa mais séria!). Ela deve ser feita a partir do artigo abaixo de Michael Moore, aquele cineasta que faz ótimos documentários muito críticos ao “American Way of Life”. Quem mandou foi a Joelma Couto, e o original em inglês pode ser lido aqui.
Depois eu volto para comentar.
*****
ADEUS, GM
Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors. Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado ao fim.
Estou sentado aqui na cidade natal da GM, em Flint, Michigan, rodeado por amigos e familiares ansiosos a respeito do futuro da GM
e da cidade. 40% das casas e estabelecimentos comerciais estão
abandonados por aqui. Imagine o que seria se você vivesse em uma
cidade onde uma a cada duas casas estão vazias. Como você se sentiria?
É com triste ironia que a empresa que inventou a “obsolescência
programada” – a decisão de construir carros que se destroem em poucos
anos, assim o consumidor tem que comprar outro – tenha se tornado ela
mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que o público
queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e seguros. Ah,
e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A GM lutou
aguerridamente contra todas as formas de regulação ambiental e de
segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os “inferiores”
carros japoneses e alemães, carros que poderiam se tornar um padrão
para os compradores de automóveis. A GM ainda lutou contra o trabalho
sindicalizado, demitindo milhares de empregados apenas para “melhorar”
sua produtividade a curto prazo.
No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros recordes,
milhares de postos de trabalho foram movidos para o México e outros
países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de trabalhadores
americanos. A estupidez dessa política foi que, ao eliminar a renda de
tantas famílias americanas, eles eliminaram também uma parte dos
compradores de carros. A História irá registrar esse momento da mesma
maneira que registrou a Linha Maginot francesa, ou o envenenamento do
sistema de abastecimento de água dos antigos romanos, que colocaram
chumbo em seus aquedutos.
Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda
não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do prazer
da vingança contra uma corporação que destruiu a minha cidade natal,
trazendo miséria, desestruturação familiar, debilitação física e
mental, alcoolismo e dependência por drogas para as pessoas que
cresceram junto comigo. Também não sinto prazer sabendo que mais de 21
mil trabalhadores da GM serão informados que eles também perderam o
emprego.
Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de carros!
Eu sei, eu sei – quem no planeta Terra quer ser dono de uma empresa de
carros? Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de impostos
jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a respeito
disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a preciosa
infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e deve ser
prioridade máxima.
Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas
poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de energia
alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos conta que
a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes, trens-bala e
ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa infra-estrutura se
deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial e a mão-de-obra
especializada?
Já que a GM será “reorganizada” pelo governo federal e pela corte de
falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para o bem dos
trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos atrás eu fiz
o filme “Roger & Eu”, onde tentava alertar as pessoas sobre o futuro
da GM. Se as estruturas de poder e os comentaristas políticos tivessem
ouvido, talvez boa parte do que está acontecendo agora pudesse ter
sido evitada. Baseado nesse histórico, solicito que a seguinte ideia
seja considerada:
1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl
Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em guerra
e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de carros em
indústrias de transporte coletivo e veículos que usem energia
alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM interrompeu sua
produção de automóveis e adaptou suas linhas de montagem para
construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta conversão não levou
muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas foram derrotados.
Estamos agora em um tipo diferente de guerra – uma guerra que nós
travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes
corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os
produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje
verdadeiras armas de destruição em massa, responsáveis pelas mudanças
climáticas e pelo derretimento da calota polar.
As coisas que chamamos de “carros” podem ser divertidas de dirigir,
mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe Natureza.
Continuar a construir essas “coisas” irá levar à ruína a nossa espécie
e boa parte do planeta.
A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do
petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo o
petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão “chupando
até o caroço”. E como os madeireiros que ficaram milionários no começo
do século 20, eles não estão nem aí para as futuras gerações.
Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem ser
verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no planeta.
À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado para o
surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um litro de
gasolina.
Agora que o Presidente Obama tem o controle da GM, deve imediatamente
converter suas fábricas para novos e necessários usos.
2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela
continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para
manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a
construir os meios de transporte do século XXI.
3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O
Japão está celebrando o 45o aniversário do seu primeiro trem bala este
ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h. Média de
atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens há quase 5
décadas e nós não temos sequer um! O fato de já existir tecnologia
capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los Angeles em 17 horas de
trem e que esta tecnologia não tenha sido usada é algo criminoso.
Vamos contratar os desempregados para construir linhas de trem por
todo o país. De Chicago até Detroit em menos de 2 horas. De Miami a
Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em 5h30. Isso pode ser
feito agora.
4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves
sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa
esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para
instalar e manter esse sistema funcionando.
5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de
bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus energeticamente
eficientes e limpos.
6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros
híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para que
as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar, então se
ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que os atuais.
Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses (não acredite
em quem lhe disser que a adaptação das fábricas levará alguns anos –
isso não é verdade)
7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços para
moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia
alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares imediatamente.
E temos mão-de-obra capacitada a construí-los.
8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus ou
trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar energia
alternativa.
9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto
em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais pessoas
convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem a usar as
novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de automóveis irão
construir.
Bom, esse é um começo. Mas por favor, não salve a General Motors, já
que uma versão reduzida da companhia não fará nada a não ser construir
mais Chevys ou Cadillacs. Isso não é uma solução de longo prazo.
Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a
desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção. Agora
é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele nos
serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes
drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente – e no de trás também.
Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à corridas de Nascar
ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela primeira vez através
da janela de um carro na Highway 1. E agora isso chegou ao fim. É um
novo dia e um novo século. O Presidente – e os sindicatos dos
trabalhadores da indústria automobilística – devem aproveitar esse
momento para fazer uma bela limonada com este limão amargo e triste.
Ontem, a último sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte
certa naquela noite e viveu por mais 97 anos.
Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as “Flint –
Michigans” deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho que
nós podemos fazer um trabalho melhor.
*****
É difícil não concordar com Moore, que é um sujeito muito eloquente e convincente, embora seja acusado, aqui e ali, de manipular fatos e dados para chegar às conclusões que deseja. Ele não é unanimidade nos EUA e em lugar algum, mas estou entre aqueles que admiram sua tenacidade para mostrar o que acha que está errado e, algumas vezes, apresentar soluções que muitas vezes parecem simplistas e inviáveis sob a luz da racionalidade.
A reflexão que esse texto nos leva a fazer é: qual o futuro desse negócio de que a gente gosta tanto, os carros? Serão eles, mesmo, os grandes vilões da humanidade? Por que, de um dia para o outro, qualquer coisa que tenha rodas e um motor virou um demônio?
Carros sempre foram, desde o início do século passado, quando a Ford os transformou em um produto acessível para qualquer mortal, um símbolo de liberdade e mobilidade. Graças a eles, a raça humana ganhou velocidade para ir de um lugar a outro. Os carros (e seus derivados) encurtaram distâncias, aproximaram pessoas, espalharam o progresso. É impossível imaginar o mundo sem eles.
O tempo foi passando e eles foram deixando de ser apenas um meio de transporte. Ganharam caras e formas, potência e charme. Realizaram sonhos e permitiram às pessoas ver o mundo à sua volta, foram para as telas do cinema, para as páginas dos livros, viraram objetos de culto.
Hoje não são vistos como nada disso, são o Mal esculpido em ferro, plástico e borracha, poluem, engarrafam as ruas, matam, furam a camada de ozônio, causam doenças respiratórias, derretem as geleiras, aquecem o planeta. Exagerando, gostar de carros é como fumar, faz de você um pária da sociedade, as fábricas quase se envergonham daquilo que produzem.
Mas e tudo aquilo que eles sempre foram, não vale mais nada? O prazer de pegar uma estrada com os vidros abertos, de rasgar o asfalto, de se sentir livre para ir aonde quiser ouvindo o murmúrio de um motor, o ronronar dos pneus no silêncio da noite, de se sentir parte dele, isso não conta mais?
As pessoas ainda gostam dos seus carros como eu, por exemplo, que nesta semana estou completamente apaixonado pelo jipinho russo que apareceu na minha garagem? Seremos todos uns foras-de-moda, cafonas e antiquados, condenados aos olhares de censura da modernidade?
Sei lá. Gosto dos meus carrinhos. Vou pegar meu jipinho nesta noite fria, ligar o ar quente e dar uma volta pela cidade. E se alguém olhar feio para ele e para mim, vou fingir que não vi.
SÃO PAULO(o seguro paga) - Vejam a notícia enviada pelo Mauro Hamud, de Curitiba. Saiu num site de nome interessante, Press Democrat. Parece que o sinistro ocorreu na Califórnia, não sei em qual cidade, nem em qual condado, me atrapalho com essas coisas da geografia americana. O McLaren 1995 não rodava havia seis meses. O milionário pegou a barata, todo pimpão, e quando estava na conhecidíssima Airport Boulevard, que suponho ser uma avenida que leva ao aeroporto de algum lugar, pegou fogo no motor. Diz a matéria que o carro vale US$ 2 milhões, mas estava segurado em US$ 3 milhões. O cara saiu no lucro, mas derreteu tudo.
SÃO PAULO(colírio) – Grande foto, esta enviada pelo Dario Faria. É um clique numa rua de Munique em 1963. A maior diversão é identificar os carros. Tem uma boa meia-dúzia aí que eu adoraria ter na minha garagem. E outra meia-dúzia que já tenho!
Agora, sem brincadeira, digam: não é o máximo ver uma BMW-Isetta rodando normalmente pelas ruas de uma cidade? E aquela Schnellaster bege?
SÃO PAULO(comece a pensar nisso) – O Beto Trabalglio foi quem mandou a notícia. Diz que uns cabras lá na Amérika chegaram à conclusão de que carros pretos absorvem mais calor e, por isso, fazem as pessoas usarem mais ar-condicionado e, por isso, gasta-se mais combustível e energia e, por isso, emitem mais dióxido de carbono e, por isso, os carros pretos estão condenados à fogueira do inferno para todo o sempre.
Eu só tive um carro preto na vida, um Uno SX 1985. Era bonitão, tinha teto solar e frente com quatro faróis, uma customização de uma revenda qualquer que não me lembro qual era — comprei usado. Depois, nunca mais. Mas não por alguma razão particular, acho até que alguns carros pretos são bonitos.
O problema é que a cor banalizou-se. Antigamente, carro preto tinha algo de especial. A Vemag, por exemplo, fazia apenas um modelo, o Belcar preto com capota branca e interior vermelho. Em pequena escala. Havia um modelo raríssimo, o Luxo, que vinha em preto. A Simca, posso até estar enganado, só fazia o Presidence em preto. A Volkswagen tinha pouca coisa de linha em preto no Brasil (nunca vi Variant, Brasília, TL, Karmann-Ghia ou Kombi pretos).
Os carros tinham cores. De uns anos para cá, a paleta reduziu-se ao prata e preto, e os tons de cinza entre eles. Preto deixou de ser sinônimo de carro luxuoso, requintado, solene. Já falei sobre isso: dá uma espiada na rua e veja se encontra carros verdes, amarelos, azuis, vermelhos. São raros, incomuns.
Bem, eu precisava de uma foto para ilustrar esta nota, escolhi do carro mais requintado que encontrei. Mais detalhes, aqui.
SÃO PAULO(mas já?) - Sim, já. Ross Brawn, mal-agradecido, colocou para vender a Ferrari “Ross Brawn” 575M Maranello que ganhou de Luca di Montezemolo em 2002 como presente de agradecimento pelos títulos mundiais de 2001. Um carro vistoso, prateado com interior bordô. Tem apenas 3.800 milhas rodadas, o que dá mais ou menos 6 mil km.
Só não entendi bem o texto do anúncio, que me foi enviado pelo Helvio Bertolucci. Ross ganhou o carro zero, claro. Não faria sentido a Ferrari dar a ele um seminovo da frota da diretoria. Depois, diz que teve outro dono. Será que o velho Brawn nem esquentou o banco e vendeu na surdina anos atrás?
Bem, para todos os efeitos, e para esta nota fazer algum sentido, vamos fazer de conta que ele está vendendo o carro para fazer caixa para a equipe. Ou, então, porque não quer mais saber de Ferrari alguma em sua vida, depois que os vermelhos resolveram protestar contra seu difusor tão bonitinho.
Não sei o preço. De qualquer forma não me interessei, porque o volante fica do lado direito e eu não gosto de trocar estação de rádio com a mão esquerda. Acho que vou ver uma Belina, em vez desse Fiat metido a besta.
SÃO PAULO(quanto tempo, já…) – Hoje foi um dia bem especial. Há 25 anos, fiquei impressionadíssimo pela primeira vez com um carro, quando fui ao Salão do Automóvel. Estamos falando de 1984. Para se ter uma ideia de como o mundo mudou nesse quarto de século, o Muro de Berlim ainda estava de pé, o Brasil era governado por um cavalariço militar e a Xuxa era gostosa.
O carro em questão era um superesportivo nacional, num tempo em que eram proibidas as importações por aqui. Seu nome, Hofstetter. Estilo inconfundível, design inspirado em alguns dos grandes italianos dos anos 70, motorzão, acabamento impecável, portas asas-de-gaivota. Um assombro. O painel, revestido de camurça, me deixou doido. Os bancos de couro, os ângulos da carroceria, as rodas exclusivas, o cinzeiro que quando aberto acionava um exaustor, tudo aquilo parecia um sonho, por ter sido fabricado no Brasil.
O Hofstetter foi a grande atração daquele Salão. Tinha fila para ver o carro, ninguém acreditava que aquela supermáquina capaz de passar dos 200 km/h em breve estaria nas ruas. No fim das contas, como tanta coisa no Brasil, não vingou comercialmente. Foram muitas as razões. Crises econômicas e cambiais, abertura das importações, preço alto, tudo contribuiu.
Foram fabricadas apenas 18 unidades entre 1986 e 1991 (a história do carro você encontra aqui, no BestCars). Hoje me vi frente a frente com três delas, ao fazer uma matéria para o “Limite”, da ESPN Brasil (vai ao ar na semana que vem).
Elas pertencem a ninguém menos que Mário Hofstetter, o criador do carro, que ainda tem o protótipo feito em 1974 (o vermelho), quando ele tinha 16 anos, o número 2 (do lado dele, exatamente o que vi no Anhembi há 25 anos) e o número 17 (o da foto lá no alto).
Foi esse, o #17, que dirigi para a gente fazer algumas imagens. É um carro excepcional, o fora-de-série mais espetacular já fabricado no Brasil, com todo respeito aos demais — e foram muitos. Quando sentei naquele banco baixinho, com aquele painelzão digital na minha cara, 300 hp turbinados nas costas (o motor é central), aquele vidro enorme quase na horizontal à frente, a porta abrindo e fechando ao toque de um botão…
Ah, rapaz, lembrei de 25 anos atrás, dos meus vinte anos de boy, that’s over, baby, mas sempre tem um jeito de voltar no tempo, e se meu jeito é guiando um carro que um dia me fez sonhar, que seja.
SÃO PAULO(igualzinho) – Não fica devendo nada ao nosso Corcel de Serra dos Aimorés, esse Mercedes revestido de ouro branco clicado num emirado qualquer desses. Não deve ter sido abandonado no aeroporto, ainda… Quem mandou a foto foi o blogueiro Paulo Cesar Borin.
SÃO PAULO(futuro primeiro-ministro, talvez) – Vejam que barato a historinha enviada pelo Roberto Busato Filho, que vem a ser filho do Roberto Busato.
Em Budapeste, o embaixador britânico na Hungria, sir Steven Fisher, abriu mão do carrão oficial preto sabe-se lá de qual marca, para circular de… Trabant! É o único Trabi com placas azuis diplomáticas do mundo, até onde se sabe.
Pela foto, nota-se que é um dos últimos, já com motor quatro tempos do VW Polo. Mas tudo bem. O importante, diz o diplomata, é que “as pessoas sorriem” quando o veem na rua. O chato é que a polícia húngara (que conheço bem…) o para a toda hora, para checar se as placas azuis são mesmo verdadeiras.
Aqui tem mais fotos do carrinho do embaixador. Virei seu fã depois de ler a entrevista.
SÃO PAULO(com louvor) – As vastas legiões de seguidores da gloriosa indústria soviética ganharam uma nova guerreira, a blogueira Raíza Campregher. Que já estreia aqui em alto estilo, denunciando a ridícula revista “Mundo Estranho”, da Editora Abril (não diga…).
Eu não conhecia o pasquim, mas ao entrar em seu site para ver do que se tratava, encontrei, numa matéria sobre masturbação na Pré-história, a valiosíssima e profunda informação de que há uma estátua em Malta que “retrata um homem sentado descabelando o palhaço em 5000 a.C.”. Será que alguém acha isso realmente engraçado? Para qual público mesmo fala a “Mundo Estranho”?
Bem, a capa da edição deste mês versa sobre o que os brilhantes redatores consideram “as piores coisas do mundo”. O terceiro item, me conta a Raíza, trata do “carro mais tosco”. E, junto a uma foto do inesquecível Trabant, vem o texto que os estranhos do mundo certamente acharam o máximo:
“Para quem não se lembra, a Alemanha Oriental era a metade comunista da Alemanha que foi um país independente até 1989. Um dos ícones da indústria da Alemanha Oriental era o Trabant Sputnik, um carro que parecia mais uma carroça para os padrões ocidentais. Por causa da falta de aço nos países comunistas, o carro era fabricado com duroplast, uma resina feita de polpa de madeira, lã de ovelha e seiva de plantas! Seria, então, um belo carango ecológico? Que nada, apesar das matérias-primas naturais, as carcaças eram muito poluentes, pois não podiam ser recicladas. O motor, com só dois cilindros, também era um fiasco e produzia uma fumaça tóxica irrespirável. Felizmente, a fábrica fechou em 1991.”
Trabant Sputnik? De onde será que tiraram isso? Da Wikipedia? (Alguma dúvida? Olha aqui o que diz a mãe dos burros da internet: “The name Trabant means ‘fellow traveler’ (Satellite) in Latin; the name was inspired by Soviet Sputnik. The cars are often referred to as the Trabbi or Trabi, pronounced with a short a.” Aliás, se a foto da revista for a mesma que coloquei aí do lado, tiraram igualmente da Wikipedia. Haja preguiça.)
Ora, Trabi é Trabi. Qualquer um que conheça minimamente automóveis deveria saber disso. Sputnik é a puta que o pariu! E como é que chamam um Trabant de carroça? Porque não é de lata? O Duroplast foi uma grande criação da indústria alemã oriental, resistente, barato, fácil de fabricar e à prova de ferrugem. E me digam, estranhíssimos do mundo, qual carcaça de carro ocidental é reciclada? Vira tudo ferro-velho do mesmo jeito, não sejam ridículos.
O motor, por sua vez, não era fiasco algum, ao contrário. Eficientíssimo, dois tempos, refrigerado a ar. Uma obra-prima da engenharia, durava décadas. Vivia-se num mundo de verdade, lembrem-se disso, sem fartura, com dificuldades, sem essa orgia financeira que inundou o planeta de corollas e tucsons.
E esse “felizmente” na última frase é de causar estupor. Felizmente? Fecharam a Sachsenring e quantos operários perderam seus empregos? Quantas famílias foram afetadas? Como assim, “felizmente”? Cretinos…
Olha, depois de ler essas sandices, só posso concluir que o que produz “fumaça tóxica irrespirável” é burrice. Deve ser duro respirar na redação dessa revista. Que poderia se incluir na lista que propõe em sua capa.
SÃO PAULO(motorização?) – De imediato, quando o blogueiro Zé Maria mandou as fotos, achei que eram do pátio da Mercedes em Juiz de Fora. Uma reestilização do Classe A, por que não? Mas é uma criação do Antonio dos Carros, de Natal (como eu não vi isso?), que faz modelos muito interessantes para vender cachorro-quente. Notem: carroceria de alumínio (como o A2 da Audi), monovolume (uma minivan, como a Meriva, ou o Picasso), grande área envidraçada, rodas de aro 17… E pelas fotos do interior eu vi que não tem pedal de embreagem, também.
Antonio dos Carros não foi encontrado para dar uma entrevista, porque, ao que parece, encontra-se na Inglaterra. Foi chamado por Ross Brawn.
SÃO PAULO (legal demais) – Nos comentários do post abaixo sobre Dubai, o Marcos Rozen faz o “merchan” de seu blog sobre “carros órfãos”, mas temo que nem todo mundo vai ver. E a página vale a pena, por isso virou a dica de hoje.
São fotos de veículos abandonados por todo o Brasil, divididas em três categorias: no mato, na rua e no estacionamento. A navegação é meio demorada se você entrar na home para ver foto por foto, mas se for direto aqui, nos arquivos, dá para ver as imagens em miniaturas, mês a mês, e fica mais fácil achar o que interessa.
Eu, por exemplo, selecionei esse Maveco no Rio Pequeno, em SP (e na garagem lá atrás tem umas coisas interessantes, também…). Blogueiros de todo o país podem colaborar. É um belo trabalho de arqueologia veicular!
SÃO PAULO (baita coincidência) – Bem no dia em que o DS é eleito o carro mais bonito do mundo, sai a notícia (enviada pelo Fabrício Passos) de que a Citroën vai lançar uma linha nova usando a mesma sigla. O conceito será apresentado no Salão de Genebra. Não tem nada a ver com o DS original. Mas é bonitinho.
SÃO PAULO(faça a sua) - Foi o Rodriugo Bautista quem mandou este link. Vinte designers da indústria automobilística elegeram os dez carros mais belos de todos os tempos. E foi uma enorme surpresa. Não deu Laika, nem Belcar. Ganhou o superclássico Citroën DS. E quer saber? Bela escolha. É um carro de personalidade única, lindo de todos os ângulos, cheio de detalhes, uma feliz criação da marca francesa que nunca vai sair de moda.
E o Bautista propõe à blogaiada: façam também suas listas, dos dez mais lindos de todos os tempos. Depois a gente faz isso aqui só com brasileiros, ok?
O quê? Minha lista? Lá vai, sem repetir fabricantes (o que, infelizmente, elimina Niva, Candango, Vemaguet, 1000 SP, Twingo, o próprio DS e alguns outros): 1) DKW sedan (Belcar e suas variáveis); 2) Lada Station Wagon; 3) Karmann-Ghia; 4) Citroën 2CV; 5) Trabant; 6) Barkas; 7) Wartburg 353; 8 ) Renault 4; 9) Corcel GT; 10) Fiat 147 Racing.
SÃO PAULO(paga pela internet?) – Está circulando na rede este boleto de IPVA de uma Mercedes-Benz SLR McLaren. O valor: mais de 67 paus! Não tenho como averiguar a autenticidade da papeleta. Mas a pergunta é: alguém sabia que tem um carro desses no Brasil?
SÃO PAULO(está com pressa, doutor?) – Claro que é uma brincadeira da AMG, mas ficou simpática. Afinal, pintaram no bege clássico dos táxis das grandes cidades alemãs e meteram o luminoso na capota. Mas não dispensaram os capacetes… A foto foi enviada pelo Rodolfo Vieira Filho.
Falando nisso, no Brasil não há um padrão estabelecido de cores para táxis. Elas variam de cidade para cidade. São brancos em São Paulo, amarelos no Rio, laranja em Porto Alegre… Qual você acha mais legal? Eu, por exemplo, acho os brancos muito sem sal. Gosto de carro branco como carro de rua, não de serviço.
Dê seu palpite e aproveite para dizer qual o táxi mais espetacular que você já pegou.
GUARUJÁ (quem não sabe, copia) – Lembram, anos atrás, daquele site que mostrei aqui de ums japoneses que transformam seus pães-de-forma em, hum, réplicas de Kombi? Pois o Alexandre Pavarotti achou uma empresa, de novo lá do outro lado do mundo, que faz do Suzuki Lapin uma, hum, réplica do Renault 4…
Bem, vale a homenagem. E até que ficou bonitinho. Será que pagam royalties, ou fica por isso mesmo?
SÃO PAULO(gostei) – Flagrado pelo Fabio Poppi em testes na praia das Astúrias, no Guarujá. Parece que é o modelo 2011 do carro, o mais vendido pela marca.
PORTO ALEGRE(Walt está em segurança) - Mais uma do irmão do Décio, vemagueiro top deste Brasil. O irmão do Décio rabisca umas releituras de carros marcantes e mantém um blog muito legal no ar, que se chama, apropriadamente, Irmão do Décio (nunca vou entender esse nome!). Ele fez um estudo do que poderiam ser, hoje, o Belcar e a Vemaguet. O resultado está aí embaixo. Se você entrar na página do irmão do Décio, verá que o irmão do Décio fez também releituras do Fissore (esse ficou demais), da Brasília (saiu até em revista), do Karmann-Ghia e outros.
O irmão do Décio é bom pacas. Melhor que o Décio!
Agora diga… Já imaginou uma Vemaguet dessas hoje? Que coisa mais linda? Fica convocado o irmão do Décio a nos mostrar o que imaginou para a traseira de ambos.
NATAL(por que não?) – Eu já tinha visto isso antes, algum blogueiro me mandou um link gringo, mas acabei perdendo. Bom, pelo jeito a moda pegou por aqui. Se chama “Rat Rod” e consiste em… envelhecer um carro até ele ficar horroroso de podre! Mas com charme. Porque a maioria faz isso em Fuscas ou Kombis, chramosos de nascença.
O barato é deixar o carro no tempo, enferrujando, detonando, sujando. Mas manter a parte mecânica em dia e colocar alguns penduricalhos como rodas bonitas ou interior caprichado. Tem um ótimo texto no site da revista “AutoEsporte”, de autoria do repórter Ricardo Tadeu, que também tem este ótimo blog.
E aí, o que vocês acharam? Eu confesso que meu lado negro da força curtiu…
NATAL(putz) – Aluguei um carro. Raríssimas vezes aluguei carros no Brasil, mas por estas bandas um veículo é bastante útil. Fui buscá-lo alegremente agora à noite na locadora, uma dessas grandes, e achei bem caro. Nem seguro tem. Os caras usam uma tal de “taxa de proteção”. Aconteça o que acontecer com o indigitado, pago dois paus. Melhor do que pagar o carro todo. Paguei a taxa.
A reserva era para a categoria C, que vem a ser “econômico com ar-condicionado”. OK. A moça, muito simpática, Karla com K, me mostrou o que havia no pátio para escolher. Nada muito animador: um Gol, um Palio e um Corsa sedã. Todos 1.0. Optei pelo menos rodado. Karla com K me entregou a chave do Fiat.
Entrei no veículo. Ainda com cheiro de novo. Afinal, tinha apenas 7.137 km rodados. É bem pouco. Acabou de sair da loja. Na lateral está escrito “Celebration”. Atrás, “Fire”. Não sei que modelo é. “Fire Celebration”? Ou “Celebration Fire”? Nos primeiros 500 metros, tudo que consegui dizer a mim mesmo foi: como é que alguém compra uma porcaria dessas?
O automóvel, com o ar ligado, arfa para passar dos 60 km/h. A relação de marchas é lamentável. A direção já está desalinhada. O tampão de plástico do porta-malas range irritantemente. Os instrumentos são de uma pobreza franciscana. Os materiais de acabamento me dão uma saudade imensa de Elena, que perto dessa coisa parece o palácio de Buckingham, luxuosa e espaçosa que é. O vidro do pára-brisa distorce a visão nos cantos interiores. E o ruído que os pneus transferem do asfalto para o interior do carro é insuportável.
Nunca tinha guiado um Palio antes. É a maior bomba que já dirigi na vida. E olha que já guiei coisa ruim por esse mundão afora…
Devo ter rodado uns 15 km hoje. E ao estacionar o dito cujo no hotel, me veio à mente uma única questão: como é que vocês têm coragem de falar mal de Lada?
SÃO PAULO(feia, a coisa) – Até os milionários andam contando os tostões. O blogueiro Rodrigo Júnior, que já estava preparando a grana, desistiu de arrematar essa Ferrari 250 GT, 1958, que estava sendo leiloada na Suíça e não encontrou comprador. Outros carros foram vendidos por valores abaixo da avaliação. Tem até uma moto Ferrari, que eu nunca tinha visto na vida.
SÃO PAULO (desovando tudo!) – Está no site da AutoEsporte, na dica do blogueiro Marcos Abreu Ferreira. O último SLR que faz uma homenagem a Stirling Moss. Putz, o carro não tem vidro. E o vento na cara, como fica?
SÃO PAULO(algum sobrevivente?) – Ontem eu estava no centro da cidade salvando a vida do meu lépi-tópi quando passou pela rua um jipe esquisito, que não estava registrado no meu HD interno. Saí correndo atrás dele, e foi ótimo que o trânsito estava parado, porque o alcancei rápido.
Era um Cross Lander prateado. Me senti meio ridículo ao perguntar ao cara que estava dirigindo que cazzo era aquilo, e mais ridículo ainda quando ele disse que era um jipe romeno — e eu, ignorante, não sabia de sua existência. Aí fiquei ainda mais pasmo quando o rapaz me contou que era montado no Brasil, e meu HD processou a informação e me lembrei dessa história, que estava esquecida em algum canto da memória.
O Cross Lander foi montado aqui, parece, entre 2002 e 2006. Existe ainda um site da empresa, o que é meio tétrico, porque a gente entra na página e parece que está tudo funcionando, que os carros estão à venda, que as concessionárias estão a pleno vapor. Mas morreu tudo, pelo que entendi, dois anos atrás.
Não tenho idéia de quantos foram montados no Brasil. O rapaz estava vendendo o dele por 35 mil. Achei o dito cujo no Mercado Livre, deve ser o mesmo que vi na rua. Parece que nos EUA também andaram fabricando alguns sob licença da montadora romena que, pelo jeito, foi para o vinagre. Ótima história para a blogaiada ligada nas coisas 4×4 e off-road em geral levantar e contar aqui.
Fiquei encantado com o jipe. Faria um lindo par com um Niva. Mas ainda estou atrás do meu Niva.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.