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	<title>Flavio Gomes &#187; Brasil</title>
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		<title>FEIO, TAMBÉM</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 19:31:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavio Gomes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[SÃO PAULO (ninguém salva) &#8211; Bom dia, macacada. Tem dias em que este blog começa a funcionar tarde. Terça-feira é um desses. Paciência. Ainda não entrei na era de blogar por celular, essas coisas. Rua é rua, ficar conectado em todos os lugares e tempos escraviza. Mas vamos em frente.
E com outro exemplo de descaso, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>SÃO PAULO</strong><em> (ninguém salva)</em> &#8211; Bom dia, macacada. Tem dias em que este blog começa a funcionar tarde. Terça-feira é um desses. Paciência. Ainda não entrei na era de blogar por celular, essas coisas. Rua é rua, ficar conectado em todos os lugares e tempos escraviza. Mas vamos em frente.</p>
<p>E com outro exemplo de descaso, como o entorno do porto de Santos. O Hélio Silveira Jr., vemagueiro do pedaço, me mandou algumas fotos de trens largados no tempo em Araraquara. &#8220;Como os aviões da VASP nos aeroportos&#8221;, ele diz. &#8220;A história do nosso transporte está sendo destruída.&#8221;</p>
<p>Concordo 100%. No que diz respeito aos trens, isso é ainda mais visível, porque o Brasil não investe em transporte ferroviário há décadas. O que é uma pena. É o transporte mais pontual, barato e seguro de todos. A explicação é velha: lobbies seculares de petroleiras e montadoras que levaram o país a optar por outro caminho, o dos caminhões. Equivocado, como sempre.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-122927" src="http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/files/2009/11/oiotrem.JPG" alt="oiotrem" width="680" height="452" /></p>
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		<title>FEIO DEMAIS</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 19:38:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavio Gomes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Santos]]></category>
		<category><![CDATA[Scania]]></category>

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		<description><![CDATA[SÃO PAULO (venha, chuva, inunde tudo) &#8211; Domingo saí cedo do Guarujá para levar um casal de primos até o porto de Santos, de onde embarcariam, recém-casados, para um breve cruzeiro pelo litoral do Brasil. Fomos pela balsa, que por alguma razão que nunca irei compreender eu adoro. Adoro colocar um carro numa balsa, atravessar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>SÃO PAULO</strong><em> (venha, chuva, inunde tudo)</em> &#8211; Domingo saí cedo do Guarujá para levar um casal de primos até o porto de Santos, de onde embarcariam, recém-casados, para um breve cruzeiro pelo litoral do Brasil. Fomos pela balsa, que por alguma razão que nunca irei compreender eu adoro. Adoro colocar um carro numa balsa, atravessar de um lado para o outro, comer biscoito de polvilho no carro enquanto a barcaça segue lenta e forte, o motor a diesel incansável, que ao longo dos séculos leva os carros e as pessoas e as bicicletas de um lado para o outro, a balsa que reina naquele pedaço minúsculo de mar, mas ali é só dela, de mais ninguém.</p>
<p>Bem, esqueçam a balsa.</p>
<p>Saímos pela ponta da praia para procurar o cais de embarque de passageiros. Havia anos não passava pelo porto, hoje me disseram que são 8 km de extensão, e fiquei deprimido com aquela área de uma cidade tão bela como Santos. Tudo velho, quebrado, largado, abandonado, detonado, o calçamento, os armazéns, as casas e prédios e bares e puteiros ao longo do cais, e caminhões, barcos, vagões de trem, contêiners, carros, tudo jogado nas ruas, enferrujando, enfeiando, um cenário de pós-guerra, um descaso total com o bem-estar de quem ali vive e trabalha.</p>
<p>Os caminhões abandonados são chocantes, há dezenas de Scanias laranja, toneladas de ferro se decompondo à maresia e ao tempo, não sei como uma cidade tolera algo assim.</p>
<p>O cais de embarque, outro lixo, pior que rodoviária de megalópole do quinto mundo, uma zona, zero de conforto, barulhento, caótico.</p>
<p>Santos podia ser uma das cidades mais lindas do mundo. Dá pena.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-122923" src="http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/files/2009/11/santos-002.jpg" alt="santos 002" width="680" height="510" /></p>
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		<title>20 ANOS ESTA NOITE</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 23:17:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavio Gomes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA["Folha"]]></category>
		<category><![CDATA[1989]]></category>
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		<category><![CDATA[Datafolha]]></category>
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		<description><![CDATA[SÃO PAULO (mudou, sim) &#8211; Foi assim. Todas as folgas cassadas, editorias desfalcadas, quase todo mundo deslocado para a Política. Finalmente chegou o dia 15. Eleição, no Brasil, era sempre em 15 de novembro. Não lembro que dia da semana caiu. É fácil de achar isso no computador. Espera aí.
Caiu numa quarta.
Dia 15. Depois de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft size-full wp-image-122760" src="http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/files/2009/11/B1-06mr.jpg" alt="B1-06mr" width="254" height="400" />SÃO PAULO</strong><em> (mudou, sim)</em> &#8211; Foi assim. Todas as folgas cassadas, editorias desfalcadas, quase todo mundo deslocado para a Política. Finalmente chegou o dia 15. Eleição, no Brasil, era sempre em 15 de novembro. Não lembro que dia da semana caiu. É fácil de achar isso no computador. Espera aí.</p>
<p>Caiu numa quarta.</p>
<p>Dia 15. Depois de 29 anos, o Brasil tinha a chance de votar para presidente de novo. Desde 1964, foram 25 anos de ditadura, de generais escrotos, de um país militarizado. E muita gente gostava. Mais ou menos como parte da França sob o nazismo. Tinha gente que gostava e colaborava.</p>
<p>Cinco anos antes, o Brasil foi às ruas para exigir eleições diretas em todos os níveis. Levamos um pau na bunda do Congresso. Não havia internet, nem celulares, em 1984. A votação da emenda Dante de Oliveira, a das Diretas Já, aconteceu com Brasília quase incomunicável. Acompanhei a contagem dos votos por um painel manual na Praça da Sé, tarde da noite. Voltei de metrô, triste pra burro.</p>
<p>Dia 15. No jornal, o instituto de pesquisas próprio era ainda um bebê. Mas ia bem. Acertava quase tudo na mosca. Tanto nos levantamentos de intenção de voto, quanto nos de boca-de-urna. Naqueles tempos, campanha era campanha. A gente não via um carro na rua imune. Ou levava um adesivo do Collor, ou do Lula. Ou do Brizola, ou do Covas. Ou do Maluf, ou do Afif. Eram 23 candidatos. Tinha um chamado Marrozinho. O Enéas concorreu. Até o Silvio Santos. Alugou a legenda de um analfabeto de pai, mãe e parteira, Armando Corrêa, &#8220;o candidato dos explorados&#8221;. Acabaram anulando a candidatura de Silvio Santos. Santinhos, cartazes, bandeiras, uma sujeira danada. Eu tinha a impressão de que todo mundo se envolvia. Respirava-se política.</p>
<p>Dia 15. O voto era no papel e na caneta, não havia urna eletrônica. Cédulas coloridas, urnas de papelão, juntas de apuração, contagem manual, era um caos. Adorável caos. Escolas mobilizadas para as votações, ginásios e clubes para a apuração, noites em claro, voto por voto, boletins nas rádios, plantões na TV, uma coisa de louco.</p>
<p>Dia 15. Não havia outra manchete possível para o jornal do dia seguinte. Jesus Cristo poderia aparecer na avenida Paulista carregando sua cruz, que não iria roubar espaço no alto da primeira página. Quem iria para o segundo turno?</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-122761" src="http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/files/2009/11/collor.jpg" alt="collor" width="358" height="261" />Collor, um aventureiro produzido pela &#8220;Veja&#8221; e pela Globo, era o favorito. Jovem, bonitão, raivoso, agressivo, convincente, era o &#8220;caçador de Marajás&#8221;, a &#8220;novidade&#8221; do pleito contra políticos experientes e desacreditados, alguns, ou novos e radicais, outros. Collor estava no segundo turno, todas as pesquisas indicavam. Mas quem ia com ele?</p>
<p>As urnas foram fechadas no fim da tarde em todos os fusos brasileiros. Os primeiros resultados da boca-de-urna do Datafolha começavam a chegar. Segredo de Estado. A &#8220;Folha&#8221; era a única que tinha instituto próprio. Os demais jornais compravam o serviço do Ibope, do Gallup ou do Vox Populi. Emissoras de TV, também. Assim, as previsões dos outros institutos eram mais ou menos públicas. As nossas, não. Segredo de Estado. Ninguém, nenhum jornal, iria arriscar o segundo turno baseado nas pesquisas divulgadas. Lula e Brizola estavam empatados tecnicamente. Era imprudente demais cravar Collor x Lula, ou Collor x Brizola.</p>
<p>O horário de fechamento estava chegando. Eu, editor de Esportes, estava deslocado para a Primeira Página, depois de fechar nossas pagininhas desimportantes na hora do almoço. Reunião de fechamento convocada. Os números do Datafolha não poderiam sair daquela redação em hipótese alguma. Não podíamos sequer telefonar para casa. Segredo de Estado.</p>
<p>O Datafolha dava Collor em primeiro, fácil, e Lula em segundo. Mas com Brizola pertíssimo. Não dava nem para falar em margem de erro. Era coisa mínima, zero-ponto-alguma-coisa percentual. Precisava ser macho para bancar uma manchete. Todo mundo ia sair com Collor vai ao segundo turno contra Lula ou Brizola. E a gente?</p>
<p>Tensão do caralho na reunião. O diretor do Datafolha, Antonio Manuel (por onde andará?), hesitava. Afinal, entendia do assunto. Se existe uma margem de erro, é preciso respeitá-la. Ela existe porque estatísticos estudaram aquela merda, sabem que pesquisa é pesquisa. X para mais ou X para menos. Uma ala daquela enorme mesa redonda achava que tínhamos de cravar Lula. Outra, que deveríamos ser prudentes. Eu estava entre os que queriam enfiar o Lula na manchete, e pronto. Afinal, o Datafolha vinha acertando uma em cima da outra. Mas ninguém me perguntou nada, ainda bem.</p>
<p>Saímos da sala sem saber qual decisão seria tomada. O dono do jornal se reuniu mais uma vez com o diretor do Datafolha e o editor de política em outra sala e chegaram à manchete, que eu só veria um minuto antes de mandar o último texto da Primeira para baixo. &#8220;Collor e Lula se enfrentam no 2º turno&#8221;, acho que foi isso. Machos pra caralho. Se desse Brizola, a gente estava fodido. E quase deu. Collor teve 22.611.011 votos (28,52%), contra 11.622.673 (16,08%) de Lula e 11.168.228 (15,45%) de Brizola. Apertadíssimo. Bancamos. Acertamos. E demorou um pouco para sair o resultado. A agonia foi de alguns dias. A contagem era manual, já disse isso. Levava tempo. Foram 74.280.909 votos que passaram pelos dedos ágeis das juntas de apuração.</p>
<p>A noite do dia 15 de novembro na Redação é minha lembrança mais vívida de 15 de novembro de 1989. O segundo turno, em dezembro, foi mais fácil. Collor levou com 49,94% dos votos, contra 44,23% de Lula. A eleição foi decidida com as baixarias da tropa de choque de Collor, mais a edição maldosa do último debate da TV no &#8220;Jornal Nacional&#8221;, o pavor da classe média de ter um operário na presidência, o conservadorismo de São Paulo, o Estado, que acabou decidindo o pleito com seus ruralistas, udenistas, arenistas e malufistas.</p>
<p>Foram meses de muita emoção nas ruas, confronto direto entre militantes do PT e o resto (o resto nunca teve militância, na verdade), imprensa conservadora de um lado, jornalistas de esquerda do outro. Um período rico em discussões, reflexões, era o destino da gente que seria decidido ali.</p>
<p>As duas imagens que escolhi para lembrar os 20 anos daquela eleição estão entre as que fazem parte do meu imaginário político. &#8220;Sem medo de ser feliz&#8221; era um dos slogans do PT, e a foto, rara, de um Lula sorridente foi feita por um amigo, Juan Esteves, baita fotógrafo. A outra, de um Collor descontrolado, querendo enfrentar o povo com seus braços bombados, é clássica, também, mas não lembro quem fez. Se alguém descobrir o crédito, por favor coloque nos comentários.</p>
<p>Eu tinha 25 anos. Não tenho mais. Tenho saudades dos meus 25 anos.</p>
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		<title>VOCÊ SABIA QUE&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 23:46:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavio Gomes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8230;no Corcovado, antes do Cristo, tinha esse mirante aí? Eu não. Mais fotos de Augusto Malta e de outro Rio estão aqui, na dica do Aliandro Miranda.

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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8230;no Corcovado, antes do Cristo, tinha esse mirante aí? Eu não. Mais fotos de Augusto Malta e de outro Rio<a href="http://www.almacarioca.com.br/malta.htm" target="_blank"> estão aqui</a>, na dica do Aliandro Miranda.</em></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-122697" src="http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/files/2009/11/foto09.jpg" alt="foto09" width="680" height="497" /></p>
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		<title>A MOÇA, A SAIA, A FACULDADE</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 23:52:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavio Gomes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Uniban]]></category>

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		<description><![CDATA[SÃO PAULO (é o fim) &#8211; Fiz faculdade entre 1982 e 1985. Faculdade de riquinho, FAAP. Não havia sinal de movimento estudantil ali. Na verdade, com o fim da ditadura, a eleição de Tancredo e a perspectiva de diretas em 1989, o movimento estudantil se enfraqueceu e, sendo bem sincero, foi sumindo aos poucos. Minha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>SÃO PAULO</strong> <em>(é o fim)</em> &#8211; Fiz faculdade entre 1982 e 1985. Faculdade de riquinho, FAAP. Não havia sinal de movimento estudantil ali. Na verdade, com o fim da ditadura, a eleição de Tancredo e a perspectiva de diretas em 1989, o movimento estudantil se enfraqueceu e, sendo bem sincero, foi sumindo aos poucos. Minha atividade mais próxima da subversão foi vender sanduíches naturais para arrecadar dinheiro para uma festa das Diretas.</p>
<p>Hoje, as entidades representativas dos estudantes servem para emitir carteirinhas para a turba pagar meia-entrada em shows e no cinema. Sem um inimigo claro, que no caso das gerações imediatamente anteriores à minha era o governo militar, ficamos sem ter do que reclamar. Porque, no fundo, por conta da politização desses movimentos todos, a questão educacional foi colocada de lado por muitos anos, e deixou de ser prioridade.</p>
<p>Já como repórter, cheguei a cobrir algumas confusões na USP na segunda metade dos anos 80. Sem querer simplificar demais, mas recorrendo ao que minha memória me permite lembrar, o tema central era o aumento do preço do bandejão nos refeitórios da universidade. Deu greve e tudo. Muito pouco. Ainda mais porque, como se sabe, boa parte dos que conseguem chegar à USP vêm de escolas particulares, e o preço do bandejão não chegava a afetar seriamente o orçamento de ninguém.</p>
<p>O caso dessa moça de minissaia da Uniban poderia ser um bom motivo para despertar algum tipo de reação na molecada. De repúdio aos que ofenderam a menina, de reflexão sobre os rumos da universidade, de protesto contra sua expulsão, de perplexidade com o recuo da reitoria por razões obviamente mercantis.</p>
<p>Reitoria&#8230; Era palavra respeitada, antigamente. Hoje, os reitores dessas espeluncas mal falam português. A transformação do ambiente universitário em quitandas que vendem diplomas é assustadora. E os estudantes são coniventes. Não exigem ensino de qualidade, compromisso com a educação, porra nenhuma. Querem se formar logo, se possível pagando pouco, e dane-se o mundo.</p>
<p>Fico espantado ao observar como pensa e age essa juventude urbana entre 20 e 25 anos. São fascistóides, hedonistas, individualistas, retardados ao cubo. Basta ver o perfil da menina da <a href="http://www.orkut.com.br/Main#FullProfile?rl=pcb&amp;uid=15724568635266544385" target="_blank">minissaia no Orkut</a>. Uma completa debilóide, mas nada diferente, tenho certeza, de seus colegas de faculdade (vejam as &#8220;comunidades&#8221; às quais ela pertence; coisas como &#8220;Gosto de causar, e daí?&#8221;, &#8220;Sou loira sim, quem me aguenta?&#8221;, &#8220;Para de falar e me beija logo&#8221;, coisas do tipo). O que, evidentemente, não dá a ninguém o direito de fazer o que fizeram com ela. Até porque são todos iguais, idênticos, tontos, despreparados, sem noção.</p>
<p>Aí a Uniban expulsa a menina, dizendo que os alunos que a chamavam de &#8220;puta&#8221; e queriam bater na coitada estavam &#8220;defendendo o ambiente escolar&#8221;. Puta que pariu! Como é que pode? Como podem adultos, &#8220;educadores&#8221;, que teoricamente têm um pouco mais de neurônios em funcionamento, reduzirem a questão a isso? E criticarem a menina porque ela se veste assim ou assado, anda rebolando, &#8220;se insinua&#8221;?</p>
<p>Pior: muitos, mas muitos mesmo, alunos defenderam a expulsão. Acham que a menina é uma vagabunda que provoca os colegas. Bando de animais, intolerantes, sádicos, hostis, agressivos. Eu nunca deixaria um filho meu estudar numa universidade frequentada por esse tipo de gente e dirigida por cretinos do naipe dos que assinaram a expulsão e, depois, revogaram-na sem revelar o motivo — aquele que nunca será admitido, o prejuízo à imagem dessa porcaria de empresa, sim, empresa, e das mais lucrativas, porque chamar um negócio desses de &#8220;universidade&#8221; é desmoralizar a palavra.</p>
<p>O Brasil está fodido com essas gerações que vêm por aí. Um caso desses, que poderia trazer à tona discussões importantes sobre o comportamento dos jovens, suas angústias, seus rumos, resume-se ao tamanho da saia da moça e ao seu comportamento &#8220;inadequado&#8221;, seja lá o que for isso. A educação, neste país, tem sido negligenciada de forma criminosa há décadas. O governo poderia começar a limpar a área por essas fábricas de diploma, que surgem aos montes sem que ninguém se preocupe com o tipo de gente que está à frente delas.</p>
<p>O que se vê hoje, graças a essas faculdades privadas de esquina, sem história e princípios, é uma população cada vez maior de &#8220;nível superior&#8221; sem nível algum. Um desastre completo. Gente que não pensa, não argumenta, não lê, não raciocina coletivamente, se comporta como gado raivoso, passa o dia punhetando no Orkut e no MSN, escreve &#8220;aki&#8221;, &#8220;facu&#8221;, &#8220;xurras&#8221;, &#8220;naum&#8221;, &#8220;huahsuahsua&#8221;, um bando de tontos desperdiçando os melhores anos de suas vida com uma existência vazia, um vácuo intelectual, sob o olhar perplexo de gerações, como a minha, que um dia sonharam em fazer um mundo melhor e, definitivamente, não conseguiram.</p>
<p>Somos todos culpados, no fim. Me incluo.</p>
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		<title>SÓ PODIA</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 16:50:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavio Gomes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ladaland]]></category>
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		<description><![CDATA[
SÃO PAULO (em SP, ninguém para) - Vejam a campanha institucional levada ao ar em Porto Alegre, para que os motoristas aprendam a respeitar as faixas de pedestres. E reparem qual é o primeiro carro que para para o cara atravessar a rua&#8230;
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/yZ4Sn1-oPYk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/yZ4Sn1-oPYk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p><strong>SÃO PAULO</strong> <em>(em SP, ninguém para) </em>- Vejam a campanha institucional levada ao ar em Porto Alegre, para que os motoristas aprendam a respeitar as faixas de pedestres. E reparem qual é o primeiro carro que para para o cara atravessar a rua&#8230;</p>
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		<title>NO COMMENTS</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Aug 2009 23:14:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavio Gomes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[No comments]]></category>
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		<category><![CDATA[Maranhão]]></category>
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Posse de José Sarney no governo do Maranhã em 1966, filmada por Glauber Rocha.
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<p><em>Posse de José Sarney no governo do Maranhã em 1966, filmada por Glauber Rocha.</em></p>
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		<title>NO CARRO PODE?</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Aug 2009 23:01:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavio Gomes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[antifumo]]></category>

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		<description><![CDATA[SÃO PAULO (ridículo) &#8211; O Estado de São Paulo deixou de fumar ontem, na cabeça do governador que quer ser presidente. Uma lei fascista, autoritária e sem pé nem cabeça estabeleceu que não se pode fumar em lugar algum que tenha uma parede ou algo sobre a cabeça. Isso inclui todos os bares, restaurantes e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>SÃO PAULO</strong> <em>(ridículo)</em> &#8211; O Estado de São Paulo deixou de fumar ontem, na cabeça do governador que quer ser presidente. Uma lei fascista, autoritária e sem pé nem cabeça estabeleceu que não se pode fumar em lugar algum que tenha uma parede ou algo sobre a cabeça. Isso inclui todos os bares, restaurantes e casas noturnas, que vinham funcionando perfeitamente bem com suas áreas de fumantes e não-fumantes.</p>
<p>A lei é desnecessária em todos os sentidos. Primeiro, porque existe lei federal sobre o assunto. O estardalhaço feito pelo governador, com amplo apoio da mídia que não tem mais o que dizer, não passa de demagogia barata. Depois, porque em locais de trabalho, comércio e estudo, fechados, ninguém mais fuma, mesmo — sem que uma lei precise ser editada, por puro bom-senso.</p>
<p>A questão toda se resume à liberdade das pessoas. Se o cigarro é droga legal, vetar seu consumo de maneira arbitrária não passa disso: arbitrariedade. Proibir as pessoas de fumarem num botequim é fácil. Queria ver o governador proibir a venda de cigarros. Jamais. É algo que gera caminhões de impostos. Governo algum abre mão disso.</p>
<p><a href="http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/files/2009/08/nascar_1967.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-120966" src="http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/files/2009/08/nascar_1967.jpg" alt="" width="500" height="339" /></a>Seria muito mais honesto da parte de nosso governador que quer ser presidente e que vai usar sua cruzada antifumo na campanha eleitoral taxar absurdamente o cigarro e aumentar seu preço, por exemplo. Aí sim o consumo em geral cairia, e muito — isso, sim, seria tratar a questão como de saúde pública, e não apenas como pirotecnia eleitoreira. E permitir que bares, restaurantes e casas noturnas decidissem como lidar com a questão. Por que não facultar aos proprietários a categoria em que suas casas vão se inserir? Se o sujeito acha que deve, que faça de seu bar um espaço não-fumante. Vai quem não fuma. O outro, se preferir, que estabeleça que sua casa tem área para fumantes e não-fumantes. Outro, ainda, pode liberar geral. E que se deixe ao consumidor a escolha de onde ir.</p>
<p>Mas não, o governador que quer ser presidente dá uma canetada e, de um dia para o outro, muda os hábitos da cidade. Enquanto isso, lá no Centro, na Cracolândia, crianças, adolescentes e adultos continuam se acabando na pedra. Isso não se resolve na canetada. Demanda esforço, trabalho, atenção.</p>
<p>Eu acho simplesmente o fim do mundo político qualquer se preocupar com o cigarro num bar enquanto tem gente morrendo na droga como se fossem moscas. É demagogia pura, para aparecer na &#8220;Veja&#8221; e no &#8220;Fantástico&#8221;, com o discurso de sempre que &#8220;o Estado gasta não sei quanto com doenças pulmonares&#8221; e que &#8220;é assim no Primeiro Mundo&#8221; e que &#8220;ninguém é obrigado a respirar a fumaça dos outros&#8221;.</p>
<p>Claro que não é. É só procurar lugares exclusivamente para não-fumantes. Que jamais irão existir. Só mesmo se a lei obrigar.</p>
<p>Eu, se tivesse um bar, estaria bem zangado com o governador que quer ser presidente. Porque além de tudo, a lei daqui prevê que se alguém fumar no bar, cometendo o &#8220;crime&#8221;, o multado será&#8230; o dono do bar! Dá para acreditar nisso?</p>
<p>São Paulo é uma coisa, mesmo&#8230;</p>
<p>Ah, a foto é de um piloto da Nascar em 1967. Juro que não sei quem é. Mas, pela lei, ele não pode ser multado. Respondendo à pergunta do título, no carro pode.</p>
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		<title>NAFTALINA</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Jul 2009 01:32:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavio Gomes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 70]]></category>
		<category><![CDATA[anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Xereta]]></category>

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		<description><![CDATA[SÃO PAULO (tudo num só) &#8211; Sabe aqueles e-mails que a gente recebe todos os dias com o título &#8220;túnel do tempo&#8221; ou &#8220;saudade não tem idade&#8221;? Pois podem parar de me repassar! O blogueiro Squa encontrou todas essas fotos num mesmo site, este aqui. São ícones dos anos 70 e 80, coisas do nosso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/files/2009/07/xereta.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-120875" src="http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/files/2009/07/xereta-300x263.jpg" alt="" width="300" height="263" /></a>SÃO PAULO</strong><em> (tudo num só)</em> &#8211; Sabe aqueles e-mails que a gente recebe todos os dias com o título &#8220;túnel do tempo&#8221; ou &#8220;saudade não tem idade&#8221;? Pois podem parar de me repassar! O blogueiro Squa encontrou todas essas fotos num mesmo site, <a href="http://www.botojanews.com:80/2009/07/de-volta-aos-anos-80.html" target="_blank">este aqui</a>. São ícones dos anos 70 e 80, coisas do nosso cotidiano, como a camerinha Xereta da Kodak.</p>
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		<title>ONE QUESTION</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 00:06:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavio Gomes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[One question]]></category>
		<category><![CDATA[metrô]]></category>

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		<description><![CDATA[SÃO PAULO (tudo muito estranho) &#8211; Tinha um cara cantando em voz alta no metrô agora há pouco, enquanto eu esperava o trem na estação. Alguma coisa gospel, não sei. Por que a gente acha esquisito um cara cantando no metrô e não acha esquisito um garotinho de cinco anos vendendo bala no cruzamento de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>SÃO PAULO</strong> <em>(tudo muito estranho)</em> &#8211; Tinha um cara cantando em voz alta no metrô agora há pouco, enquanto eu esperava o trem na estação. Alguma coisa gospel, não sei. Por que a gente acha esquisito um cara cantando no metrô e não acha esquisito um garotinho de cinco anos vendendo bala no cruzamento de madrugada, ou alguém revirando a lata de lixo em frente do McDonald&#8217;s?</p>
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