SÃO PAULO(e o que tem de gente!) - Mais uma de Piracicaba, enviada pelos meus amigos vemagueiros. Não sei precisar o ano, e também não sei quem andava com o #15. Mas olha a curva!
SÃO PAULO(pequena maravilha) – Mas que Mercedes, que nada! Alemão bom é esse aí embaixo. O Ricardo Forghieri mandou a foto para lembrar que há 50 anos o gaúcho Karl Iwers inscreveu seu DKW “risadinha” nas Mil Milhas e chegou em quarto lugar. Correu em dupla com o filho Henrique. Meio século, já. Linda, a pintura, com a grade vermelha e o patrocínio da Varig. Carrinho valente é esse.
SÃO PAULO(palmas) – Luiz Pereira Bueno em Interlagos nesta semana? Sim! De Maverick? Sim! Com as cores da Hollywood? Sim! São as adoráveis maluquices de Dú Cardim, Ronaldão et caterva. Mais detalhes aqui.
Recebi um lote interessante de fotos das corridas de rua de Piracicaba dos meus amigos vemagueiros. Aos poucos, vou pingando aqui. É Piracicaba mesmo, não?
SÃO PAULO (na torcida) – Recebo simpático e-mail de Jhonny Bonilla, um dos donos do Velopark, com boas novas. Repasso do jeito que veio, com sotaque gaúcho e tudo, já desejando muita sorte na empreitada e levantando as mãos para os céus para agradecer que o automobilismo brasileiro tem o Sul para não deixar que o esporte a motor morra.
Venho a ti para mostrar uma novidade que talvez tu pudesse comentar no teu blog. Acho que me ajudaria a divulgar o brinquedo, que desde já estás convidado a testar no autódromo novo do Velopark. Estou fabricando o Veloce, um minicarro de corrida sensacional. O Ademar Moro construiu os chassis e meu pai, o Ramon da empresa Maxxum, está construindo as carrocerias. Mas a novidade maior é que teremos esses carrinhos no Velopark para pessoas comuns, simples mortais que adoram correr de kart de locação, para os caras que sonham em sentar em um carro de corrida e nunca tiveram a oportunidade. O carro tem motor Fiat 1.4, amortecedores JRZ de competição, suspensão independente, freio a disco nas quatro rodas, pneus slicks, pesa 450 kg, é uma bala! Preço? Estamos pensando ao redor de R$ 500 a meia hora de treino. Vamos pegar o nosso cadastro do kart de locação, escolher os que andaram mais de 15 vezes conosco, e dar um curso de pilotagem profissional. Depois, a ideia é pegar os que já vão ficando mais espertos para correr na Veloce Cup. Aí o cara vai na federação, faz a carteira, tudo certo, criamos mais pilotos, criamos oportunidades, que tal?
Acho ótimo, como disse no início. E as fotos acima impressionam. Os carros existem, como se percebe. Ao contrário de muitas categorias que foram anunciadas nos últimos anos e nunca saíram do papel.
SÃO PAULO(chove de novo, saco) – Não conhecia essa Fórmula Sul à qual fui apresentado pelo vídeo acima, dica do twitteiro Luciano Monteiro, até rimou. Parece que a turma anda correndo com antigos F-Truck lá embaixo, na fronteira com o Uruguai. E batendo com gosto… Quem souber mais que conte.
SÃO PAULO(e o pó?) – Mais uma do acervo da TV Tupi que está no VocêTubo, numa indicação do Comendador Ceregatti Nuvolari. Quem achou primeiro foi o incansável Paulo Peralta, do “Bandeira Quadriculada”, que conta lá que prova é essa (”Prêmio Governador Lucas Nogueira Garcez” em 13 de maio de 1951, vencido por Chico Landi) e dá mais detalhes. Legal que é possível identificar alguns trechos da pista. Legal, também, ver como era Interlagos há quase meio século, uma área rural, uma Spa tupiniquim.
SÃO PAULO(ensolarada, pelo menos hoje) – Para quem vai ver um monte de carrinhos coloridos e velozes nesta semana, é sempre bom lembrar que Interlagos era assim, nos anos 60. Outros personagens, mas no fundo a mesma coisa: correr.
SALZBURG(sei, sei) – Hoje o pessoal que organiza a quase morta GT3, patrocinada pela cervejaria Itaipava, anunciou a “criação” de uma nova categoria, a GT BR4. Pelo que li no press-release, a apresentação deve ter sido um show de eufemismos. Uso as aspas em “criação” porque ninguém criou nada de novo. Na prática, o que será feito é juntar as Maseratis meio caídas do tal Trofeo Maserati, que existe e é igualmente patrocinado pela Itaipava, com os carros que sobraram da GT3 — o último grid teve oito. Trofeo Maserati + GT3 = GT BR4/GT BR3. Essa é a equação.
É um jeito de fazer os carrões continuarem correndo, em resumo, com mais gente no mesmo grid.
Tomara que dê certo, mas que ninguém se iluda. Vão só enfiar todos os carros no mesmo saco.
Os organizadores prometem, também, uma categoria de superbikes, com motos de 1.000 cc, para correr no mesmo evento dos carros. E as Mil Mlhas no fim do ano. Tudo com patrocínio da Itaipava.
BERLIM(so what?) – Estava tomando uma cerveja quando chegou, no fim da tarde aqui, a mensagem no celular: “Fodeu, deu Rio”. Não tive nenhuma emoção especial. Nem para o lado da felicidade patriótica, nem para o da depressão profunda pelo tanto que se vai gastar nos Jogos de 2016, pelas roubalheiras previsíveis, pelos escândalos sem fim.
Digamos apenas o seguinte: se é para ser, que seja. O Brasil entrou no mapa, é uma verdade que o presidente Lula disse hoje na Dinamarca. E os méritos são todos dele, um líder respeitado no mundo todo. Não tenho dúvida de que foi ele quem ganhou a eleição. E bateu gente forte. O carao é o fodão do Bairro Peixoto, gostem ou não seus críticos.
Mas o Pan foi uma esbórnia, e espero que a Olimpíada não seja. Não confio nesses caras do COI e na turma do Ministério do Esporte. Acho que são todos picaretas.
Se, no entanto, os Jogos servirem para zerar o Rio, como aconteceu com Barcelona, ficarei muito feliz. A capital catalã era um lixo antes de 1992. Hoje é um brinco. Souberam fazer as coisas com inteligência, lisura e visão de futuro.
De qualquer forma, vi as fotos do Rio feliz na internet, e o Rio feliz é ainda mais lindo. Sem favelas, com a baía de Guanabara limpa, a Lagoa idem, a violência controlada, é uma cidade imbatível. Que o Rio aproveite a chance única que terá em sua história de se salvar.
Com a confirmação, o autódromo de Jacarepaguá vai para o vinagre, porque vão construir um centro olímpico no local. Não devemos lamentar nada. A pista já foi para o vinagre com o Pan. O que existe lá são ruínas. O Rio nunca mais terá um autódromo. E nem faz sentido o Estado construir um. O automobilismo no Brasil é uma instituição falida, não tem nada que preste. Gastar dinheiro com autódromo para quê?
É preciso reconhecer que Interlagos só existe porque tem a F-1, e o resto não vale muito a pena mencionar. O automobilismo brasileiro não soube aproveitar seus melhores anos para crescer. Agora, que morra. Ou que alguém se mexa para fazer com que renasça. Para isso é preciso dar duro, falar com montadoras, criar categorias, fazer parcerias com universidades. Dá trabalho. E trabalho dá coceira em quem está à frente das corridas no Brasil.
SÃO PAULO (alguém precisa se mexer) – Alguns anos atrás, o empresário e piloto Antonio Hermann comprou os direitos de uso da marca “Mil Milhas Brasileiras” e passou a fazer a corrida que, até então, era do Centauro Motor Clube. Aí, não sei quem do Centauro contestou a aquisição do título, abriu-se um processo, Hermann foi obrigado a chamar a corrida de “Mil Milhas Brasil”, tentou internacionalizar a prova, gastou dinheiro, trouxe a Le Mans Series (sensacional, diga-se), depois voltou a se concentrar em protótipos nacionais e supercarros importados, e no fim das contas nada deu certo.
Seja por falta de interesse do público, de pilotos, equipes, ninguém mais deu bola para as Mil Milhas, e Hermann não vai fazê-la neste ano, como revela o sempre competente Américo Teixeira Jr. em seu blog.
Era a corrida mais importante do Brasil. Ou, ao menos, foi durante os anos 60 e parte dos 70. Hoje, não é mais nada. Como o automobilismo brasileiro em geral, diga-se. Um nada.
SÃO PAULO(com dor no coração) - O que você está vendo abaixo representa 12,5% do grid da etapa carioca da GT3, que acontece em rodada dupla hoje e amanhã em Jacarepaguá. Sobraram oito carros na categoria dos superesportivos que começou tão auspiciosa e, hoje, virou nada.
SÃO PAULO(coragem) – Está no Bandeira Quadriculada, do Paulo Peralta, um pequeno vídeo sobre a segunda corrida disputada no Brasil, em 19 de setembro de 1909 em São Gonçalo (RJ). As imagens são muito legais e fazem parte de um material bruto que tem oito minutos de duração, mas ainda não veio à tona.
SÃO PAULO (furioso) – O Fúria FNM de Jayme Silva, pois não? Mais uma foto (enorme!) do meu saco de maldades, o lote que acabei comprando de um blogueiro, originais dos anos 60 e 70. Ainda tem muito mais. Acho que vou montar uma exposição…
SÃO PAULO (vou agendar) – Via Américo Teixeira, a inacreditável coleção de carros de corrida (e de passeio, também) que o amigo e piloto da Classic Cup Antonio Zuffo mantém no Guarujá. As fotos são da Silvia Linhares, do RetrovisorOnLine. Zuffo tem uma preferência pelos Stock antigos e formulinhas. Um acervo fenomenal e histórico, que ao lado do de Paulo Trevisan, em Passo Fundo, garante a sobrevivência de parte muito importante da história do automobilismo brasileiro. Não sei se a coleção é aberta ao público, porém. Vou apurar.
Enviada pelo Alfredo Gehre, que pretende colocar algumas no seu campeonato. O ano: 1968, parece, mas não tenho certeza. Devia ser bem engraçado ver essas coisinhas na pista, não? Tem até uma sem capota! E juro que não sei que autódromo é esse. Tem cara de Interlagos, mas em qual trecho?
SÃO PAULO(os números…) – Acho que na Alfa está o Piero Gancia. No #96, certamente Norman Casari. E no outro Malzoni, o #17, não sei. Mas a coincidência é que eu usei no meu DKW de corrida os números 17 e 96… Dois juntos na mesma foto é o máximo!
Quando foi essa corrida? É Interlagos, claro. O resto, vamos ver quem descobre.
Ah, essa é mais uma do lote de fotos originais incríveis que chegou em casa.
SÃO PAULO (que funcione) – Hoje de manhã Felipe Massa apresentou, na condição de “padrinho”, as duas categorias novas que a Fiat coloca nas pistas brasileiras no ano que vem. “Padrinho” foi o termo escolhido para definir o papel de Felipe nessa história, que tem como promotores Carlinhos Romagnolli (o cara que faz o Desafio das Estrelas de kart em Florianópolis), Titônio (pai) e Dudu Massa (irmão).
A bagaça vai se chamar Racing Festival e terá uma série de monopostos, a Fórmula Future Fiat, e outra com carros de Turismo, a Trofeo Linea. Começa em abril e serão 12 etapas divididas em seis rodadas duplas, sem calendário definido, ainda. O evento ainda promete uma categoria de motos, com a 600 Super Sport. Não se falou nada sobre a marca das motos. Como acontecia na F-Renault, os Giaffone serão responsáveis pela parte técnica da F-Fiat.
É muito importante a participação de Felipe, seja como for — padrinho, investidor, consultor, conselheiro. Ele é o maior nome do automobilismo brasileiro, e suas ótimas relações com a TV Globo vão dar um gás nesse negócio. Isso é saber usar o poder para o bem. Não basta correr. Tem de participar.
O Brasil está sem categoria de base entre o kart e a F-3 desde que a Renault encerrou seu campeonato aqui, no final de 2006. A CBA nunca fez nada para reverter a situação e, felizmente, a Fiat resolveu colocar seu nome de volta no asfalto. Como Massa está na Ferrari, deu liga. Sua presença é fundamental para que a coisa funcione.
A F-Fiat, segundo Titônio, vai custar para um piloto algo em torno de 250 mil a 300 mil reais por ano, o que dá uma média de 25 mil reais por corrida, considerando 12 provas. Não é nenhum absurdo. Os carros foram importados da França e os motores serão 1.6 de 150 hp feitos pela FPT, a fábrica que a Fiat comprou no Paraná que fazia os motores dos novos Mini. Pneus Pirelli. A organização cuida da preparação, logística, infraestrutra etc. Serão 20 carros no grid.
No Trofeo Linea, que usará os sedãs que a Fiat colocou no mercado no ano passado, os motores serão 1.4 turbo. O custo estimado é de 160 mil reais por carro, e serão formadas 11 equipes de dois pilotos cada, grid previsto de 22 carros.
Sobre TV, fala-se em transmissões pela Sportv e por internet. Na Globo aberta, acho que não. Mas pode ser que a coisa pegue, e aí o futuro à Fiat pertence — se pagar, emplaca um horário no “Esporte Espetacular”, claro.
Portanto, dia para comemorar. O automobilismo brasileiro, mortinho da silva, ganha uma injeção de ânimo.
Sobre F-1, Massa não falou uma palavra sequer. Nesta semana, ele tem agendadas pela Ferrari entrevistas exclusivas a jornalistas italianos de mídia impressa e TV.
SÃO PAULO(acelerava muito) - Por fim, por hoje, claro, a retaguarda do Alpine da Willys. As lanterninhas francesas não enganam. Esse veio da Europa para o time oficial.
SÃO PAULO(dia atrapalhado) – Meninos e meninas, sorry pela inconstância deste blog hoje. Muita coisa inadiável para resolver. Mas vamos colocando tudo em dia aos poucos. Lembram do lote de fotos que arrematei semana retrasada, meu novo saco de maldades? Pois vou retirar três fotos a esmo dele hoje.
A primeira que saiu foi essa aqui. Um Porsche 908 x um Zé do Caixão?
Sim, isso acontecia no Brasil. Ano, local e pilotos eu deixo para vocês.
SÃO PAULO (mais uma) - A F-3 Sul-americana está em crise, e corre o risco de entrar em colapso. Algumas indicações estão aqui, no blog de Victor Martins. Não me surpreende. É cara, são poucos os pilotos e as equipes, a divulgação é igualmente custosa, os dirigentes nacionais nada fazem para ajudar a viabilizá-la.
Conheço bem o Dilson Motta, amigo meu que trabalhava no marketing do Banco Real e, há alguns anos, alçou voo-solo em promoções e eventos, muitos deles ligados ao automobilismo. É um cara honestíssimo, competente e bem-intencionado. Ele assumiu essa bucha há uns dois anos. Lembro que me telefonou, eu estava na TV, para contar que tinha pego a F-3, me perguntando o que eu achava.
Eu disse. Mas acrescentei que apesar do que achava, torcia muito para dar certo. Continuo torcendo, mas sem grandes expectativas. Acho que a F-3 está como o Fluminense do Dilson: condenada.
SÃO PAULO (demais) – Gravamos hoje a materinha para o “Limite” da semana que vem. É sobre o Renault R8 Gordini que pertence ao amigo Alfonso Abrami, colecionador, piloto e profundo conhecedor de automobilismo. O que é mais legal, além de ser um carro único no Brasil: ele pertenceu à equipe oficial da Willys e, depois, foi comprado por Marivaldo Fernandes, que correu com ele até 1967, estima-se.
Marivaldo estava no avião que caiu e matou também José Carlos Pace, em 1977. Eram muito amigos. O carro foi resgatado pelo Abrami há uns dez anos e passou por restauração bem criteriosa. Voltou ao motor de 1.100 cc de 90 hp, um espanto, com dois Solex 40, câmbio de 4 marchas e freios a disco só na frente. No fim de sua vida nas pistas, ele já tinha motor de 1.300 cc, 5 marchas e disco nas quatro, como os últimos R8 fabricados na França.
Esse carro foi importado pela Willys em meados dos anos 60 — ele é 1965. Foram duas unidades que vieram para corrida. Só essa sobreviveu, pelo que se sabe. Luiz Pereira Bueno, Carol Figueiredo, Chiquinho Lameirão e Bird Clemente estão entre os que o pilotaram antes de Marivaldo.
Abrami melhorou algumas coisas, como as suspensões e o sistema de refrigeração, colocando radiador na frente. A primeira pintura era a da Willys, amarela com faixa verde. Marivaldo, que sempre usou o número 45, pintou de azul escuro, depois. Quando foi encontrado, estava pintado de chumbo. Abrami decidiu voltar à cor original dos R8 de corrida na França, o azul claro que era a marca dos carros do país em competições.
Funciona lindamente, ronca que é uma beleza e, o que é melhor: preserva em suas entranhas as histórias desses pilotos fabulosos que com ele correram pelo Brasil afora.
SÃO PAULO(não vai acabar nunca) – Seguinte, macacada. Falei ontem (ou anteontem?) do lote de fotos que acabou parando em casa, depois de árdua negociação com um blogueiro. Como são todas ótimas, joguei tudo num saco e, sempre que me lembrar, vou catar uma a esmo (de verdade), digitalizar e colocar aqui.
Aos poucos, alguns capítulos da história do automobilismo brasileiro serão contadas pelas imagens e, claro, por vocês.
A primeira é desse HEVE incrível, que tem faróis parecidos com os do Fúria. Diz o verso da foto que o motor é Ford 1.400 cc e que o clique foi tirado “na Guanabara”.
SÃO PAULO (aí está) – Recebo e-mail como sempre muito cortês do Rodolpho Siqueira, dos poucos assessores de imprensa da área automobilística em quem se pode confiar. É sobre o post de sábado a respeito da GT3, publicado sob o título “Acabou”. Nele, falo sobre a morte lenta e gradativa da categoria, que nasceu como alternativa à Stock dois anos atrás trazendo supercarros ao Brasil, mas que não emplacou e hoje vive a realidade de um grid magérrimo, 13 carros em Interlagos.
Nada a reparar no que escrevi sobre as corridas. Aliás, o Rodolpho não me escreveu para contestar nada. Apenas mandou algumas fotos que contrariam outra coisa que escrevi, que as arquibancadas estavam vazias e as provas aconteceram para ninguém ver.
Acima, três dessas fotos, que mostram muita gente, sim, na visitação aos boxes e a antiga tribuna coberta na reta com bastante público, no domingo. É, sem dúvida, muito mais gente do que temos, por exemplo, no Campeonato Paulista, cujas etapas são quase secretas.
Sem entrar nos números, que não os tenho, admito que minhas considerações na linha “não tinha ninguém vendo” foram equivocadas. Tinha, sim, e as fotos comprovam isso.
Sobre a morte lenta e gradativa da GT3, sigo com a opinião de que a categoria, como campeonato competitivo, disputado, povoado de carros, acabou.
SÃO PAULO(torço, e muito) – Lembram no ano passado, quando a gente deu no Grande Prêmio a notícia de que o Felipe Massa estava por trás da criação de duas categorias nacionais com a Fiat? Uma de monopostos, a outra usando o sedã Linea. Foi o Bruno Vicária, hoje no site Tazio, quem levantou a história.
Pois vai sair mesmo, como relata Rodrigo Mattar em seu blog hoje. O Linea até já está sendo testado.
Por enquanto, até onde se sabe, não tem CBA no meio. Uma hora entra, claro. Mas o que quero dizer é que as categorias nascerão apesar da CBA, não por causa dela, se é que me entendem.
Com a Fiat e Massa por trás, é algo, como se diz hoje em dia, auspicioso. E palmas para Felipe, que está mostrando que não basta ser piloto, tem de participar.
Ah, a foto foi devidamente “emprestada” do blog do Mattar.
SÃO PAULO(vai levar tempo…) – Ontem à noite recebi em casa um lote de fotos originais, todas em preto & branco, de corridas e carros dos anos 60 e 70 correndo pelo Brasil. Lote adquirido depois de longa negociação com um blogueiro/ouvinte/leitor, mas valeu a pena. Tem coisas como essa aí, da oficina de Camillo Christófaro no Canindé. Aos poucos, vou digitalizando as melhores e pingando aqui. Vocês vão gostar.
SÃO PAULO (sem luz no fim do túnel) - Recebo com certa melancolia os releases do pessoal que faz assessoria de imprensa para pilotos e equipes da GT3 brasileira. Vocês se lembram que no ano passado (ou teria sido no retrasado?) saudamos aqui com alegria a criação do campeonato, a presença do Emerson, a possibilidade de Piquet correr, os carrões como Ferrari, Ford GT, Porsche, Lamborghini, Viper…
Pois hoje, em Interlagos, aconteceu a nona etapa do campeonato. Havia 13 carros no grid. Sete chegaram ao final. Não tinha ninguém vendo a corrida nas arquibancadas, como de costume.
Sem meias-palavras, a categoria acabou.
No fim das contas, revelou-se apenas mais um brinquedinho particular de milionários, recém-adotada por uma marca de cerveja (Itaipava) cujos donos parecem gostar de corridas e não se importam em torrar dinheiro num negócio que não existe, lavando, digamos assim, a égua de alguns pilotos.
O automobilismo brasileiro “oficial” vive seu período mais pobre em todos os tempos. Resta vida inteligente na terra, no Sul, e em algumas iniciativas nos ralis — isso em termos de participação e vigor local, não necessariamente em competição, desenvolvimento, tecnologia, formação de pilotos.
SÃO PAULO(começando o dia) – Engraçado, esse negócio de blog e Twitter. A gente fica algumas horas fora do ar, na “vida real”, e se sente na obrigação de dar explicações… Estamos todos ficando loucos, isso sim. Bom, hoje foi dia de gravar matéria para o “Limite” da semana que vem. Foi uma matéria meio caseira, porque gravamos na LF, a oficina da minha equipe na Classic Cup. É que na semana passada caiu no colo do Luis “Nenê” Finotti um Escort que correu na antiga Copa Shell de Marcas & Pilotos.
A foto ao lado foi devidamente “emprestada” do ótimo Blog do Sanco. É muito parecido com o carro que vamos mostrar na TV. São raras as referências na net a esses campeonatos. Pesquisas devem ser feitas em revistas de época ou na memória de quem corria.
Esse carro estava parado havia dez anos numa garagem. Tem uma etiqueta no santantônio mostrando que sua provável última corrida no Brasileiro foi disputada em Goiânia em 1993. Depois ele passou por algumas modificações e chegou a correr na Força Livre em SP, até ser aposentado de vez.
A Copa Shell, nome que o Brasileiro de Marcas ganhou a partir de 1987, chegou a ter 50 carros no grid no auge, em 1984, única temporada em que as quatro grandes montadoras instaladas aqui participaram oficialmente. Corriam Uno, Escort, Gol, Passat, Voyage, Apollo, Chevette, Oggi, muitos com apoio de fábrica. Os pilotos? Vamos lá, sem forçar muito: Ingo, Paulo Gomes, Mattheis, Serra, Giudice, Travaglini, Toninho da Matta, fora a numerosíssima turma do Sul — deixo para os blogueiros a tarefa de lembrar mais e mais nomes.
Os últimos anos da categoria, começo da década de 90, foram fracos, com cada vez menos gente no grid, apesar da frequente participação de pilotos locais quando as provas saíam do eixo Rio-SP. Foram momentos de glória em Tarumã, Guaporé, Goiânia, Cascavel, Curitiba, Brasília, Interlagos, Jacarepaguá…
O problema é que como sempre acontece no automobilismo brasileiro havia muitos interesses em jogo, os regulamentos viviam mudando, tinha muita roubalheira e reclamação, e aos poucos as montadoras foram perdendo o interesse por um campeonato que a CBA nunca conseguiu organizar direito, porque sempre foi ocupada por gente mal-preparada e pouco chegada na lisura.
Uma pena. O Brasil tem hoje, instaladas aqui, GM, Ford, Fiat, VW, Peugeot-Citroën, Renault, Toyota, Honda, e é incapaz de realizar um campeonato multimarca. Ficam as lembranças dos anos 80/90 e a memória silenciosa gravada no Escortinho que o Nenê encontrou.
SÃO PAULO(ases) – Do alto desta foto, o automobilismo brasileiro vos contempla. A turma dos anos 50/60/70 se reuniu mais uma vez, no fim de semana passado, no MG Club, aqui em São Paulo. O Bird Clemente autografou seu livro e recebeu os amigos. No texto do Bob Sharp, aqui, um pequeno relato do encontro. E é ótimo saber que reuniões como essa, graças aos clubes, ao Fukuda, à Mahle, à FEI, ao Ronaldão, ao Dú Cardim e a tantos outros, têm sido frequentes nos últimos tempos.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.