SÃO PAULO(quero correr) – Donington não vai mais sediar o GP da Inglaterra do ano que vem. Os caras fizeram muito barulho, mas não conseguiram grana para reformar o autódromo. No fim das contas, vão recolocar Silverstone no calendário, goste Bernie ou não.
O que é ótimo. No que diz respeito à F-1, Donington já fez sua parte com aquele GP da Europa de 1993. O palco inglês para a categoria é Silverstone, e ponto final.
SÃO PAULO(até que a morte…) – Enquanto Nuzman não ergue seu Centro Olímpico Megaultraplus no terreno de Jacarepaguá, tem gente fazendo o que não deve no que restou do circuito. Recebi de um blogueiro este endereço aqui. É um fórum de um pessoal que gosta de F-1 e que denuncia o mau uso das ruínas cariocas. Parece que por míseros “dez merréis” tem gente colocando seu Gol bolinha ou seu Monza velho no asfalto para um passeio. Só que não tem passeio algum, a turma senta a bota sem o menor preparo e, evidente, sem a menor segurança. Aí acontece o que aconteceu com o tonto aí da foto.
Como Jacarepaguá não tem mais dono, ninguém liga. Mas a Prefeitura do Rio é, sim, responsável por tudo que acontece lá dentro. E as autoridades policiais deveriam fiscalizar esses eventos, assim como a federação local, que ainda deve ter alguma responsabilidade por aquilo que acontece com coisas que andam no autódromo, imagino eu.
É claro que este post vai cair no vazio e ninguém vai fazer picas. Até que um beócio qualquer desses bata com as dez.
BERLIM(so what?) – Estava tomando uma cerveja quando chegou, no fim da tarde aqui, a mensagem no celular: “Fodeu, deu Rio”. Não tive nenhuma emoção especial. Nem para o lado da felicidade patriótica, nem para o da depressão profunda pelo tanto que se vai gastar nos Jogos de 2016, pelas roubalheiras previsíveis, pelos escândalos sem fim.
Digamos apenas o seguinte: se é para ser, que seja. O Brasil entrou no mapa, é uma verdade que o presidente Lula disse hoje na Dinamarca. E os méritos são todos dele, um líder respeitado no mundo todo. Não tenho dúvida de que foi ele quem ganhou a eleição. E bateu gente forte. O carao é o fodão do Bairro Peixoto, gostem ou não seus críticos.
Mas o Pan foi uma esbórnia, e espero que a Olimpíada não seja. Não confio nesses caras do COI e na turma do Ministério do Esporte. Acho que são todos picaretas.
Se, no entanto, os Jogos servirem para zerar o Rio, como aconteceu com Barcelona, ficarei muito feliz. A capital catalã era um lixo antes de 1992. Hoje é um brinco. Souberam fazer as coisas com inteligência, lisura e visão de futuro.
De qualquer forma, vi as fotos do Rio feliz na internet, e o Rio feliz é ainda mais lindo. Sem favelas, com a baía de Guanabara limpa, a Lagoa idem, a violência controlada, é uma cidade imbatível. Que o Rio aproveite a chance única que terá em sua história de se salvar.
Com a confirmação, o autódromo de Jacarepaguá vai para o vinagre, porque vão construir um centro olímpico no local. Não devemos lamentar nada. A pista já foi para o vinagre com o Pan. O que existe lá são ruínas. O Rio nunca mais terá um autódromo. E nem faz sentido o Estado construir um. O automobilismo no Brasil é uma instituição falida, não tem nada que preste. Gastar dinheiro com autódromo para quê?
É preciso reconhecer que Interlagos só existe porque tem a F-1, e o resto não vale muito a pena mencionar. O automobilismo brasileiro não soube aproveitar seus melhores anos para crescer. Agora, que morra. Ou que alguém se mexa para fazer com que renasça. Para isso é preciso dar duro, falar com montadoras, criar categorias, fazer parcerias com universidades. Dá trabalho. E trabalho dá coceira em quem está à frente das corridas no Brasil.
SÃO PAULO(tem volta?) – Notícia enviada pelo Leonardo Engelmann: a SPTuris abriu uma licitação para que sejam feitas obras em Interlagos que transformem o autódromo numa monumental arena para shows, com capacidade para até 300 mil pessoas.
Se não atrapalhar as corridas, razão de existência do autódromo, tudo bem. Se der lucro, melhor ainda. Mas desconfio que acaba de uma vez por todas com qualquer chance de, um dia, o traçado original ser refeito, ou ao menos ter parte dele reaproveitada.
Sejamos honestos, porém. A pista original nunca voltará, mesmo. O que vocês acham?
SÃO PAULO (um dia corro lá) – Valiosa a dica do Francis Henrique, do Poeira na Veia. É um documentário em três partes sobre a história do autódromo de Cascavel, que anda meio esquecido do automobilismo nacional. Há imagens espetaculares dos anos 70, como de uma inacreditável corrida de Kombis. Foi feito pela emissora local da Globo, alguns anos atrás. Vale cada segundo.
SÃO PAULO(intervalo é pra blogar) – Voando, vejam que legal o quadrinho que me mandou o Ricardo Divila, sobre as médias de ultrapassagens nas pistas da F-1 de 1997 a 2008. E aí comentem à vontade, que estou no ar.
SÃO PAULO(até quando?) – O site de “O Globo” tem uma seção em que o leitor é o repórter. Um blogueiro me mandou o link deste texto tão singelo quanto indignado da leitora Fernanda Ribeiro, que foi ver uma prova de motociclismo em Jacarepaguá no fim de semana. E tirou algumas fotos, também. Uma delas é essa que acompanha este post tão singelo quanto indignado.
Como é que um prefeito, um secretário de Esportes, um vereador, um picareta desses qualquer convive com essas coisas e não fica com vergonha de botar a cara na TV? E como é que deita a cabeça no travesseiro e dorme? O mesmo vale para a federação de automobilismo do Rio e para a CBA. Nem o mato os caras cortam. Vão administrar o quê desse jeito?
Bah, não adianta ficar reclamando. É dar murro em ponta de faca.
SÃO PAULO (a conferir) – A boataria rola solta, e a origem da notícia é a imprensa canadense, diretamente interessada no assunto. O GP de Abu Dhabi, marcado para 1º de novembro, prova de encerramento do Mundial, corre risco. Isso porque o projeto faraônico dos árabes está atrasado e, como se sabe, a grana anda curta por todos os lados.
Um eventual cancelamento poderia fazer com que Montreal voltasse ao calendário e o remanejamento de datas faria do GP do Brasil o último do ano. É bom ficar de olhos abertos, porque a coisa anda feia, mesmo, pelos lados do Golfo Pérsico.
SÃO PAULO(puxa…) – Deixo a pergunta aos nossos amigos Chico Rosa e Roberto Seixas, que administram Interlagos com mão de ferro e são, sem sombra de dúvida, os melhores que já passaram pelo autódromo.
Mas recebi estas fotos ontem do Lucca Furquim e fiquei meio preocupado. A da esquerda mostra a montagem do palco que recebeu o Iron Maiden no domingo, para mais de 60 mil pessoas. A da direita mostra como ficou o local depois do show. A grama sumiu.
Como funciona essa história dos shows? Os organizadores limpam tudo e replantam a grama? Vale a pena locar o autódromo para eventos desse tipo?
SÃO PAULO(um elefante nunca esquece) – Lembram das ideias lançadas aqui para uma reforma de Interlagos? Bem, está no ar o site de uma comissão de notáveis, formada por Chiquinho Lameirão, Bob Sharp, Paulo Gomes, Bird Clemente e Ingo Hoffmann, para discutir a revitalização do traçado antigo.
São várias as opções e sugestões. É uma turma de peso. Vamos agregar gente e apoio, que tal? É só entrar aqui.
SÃO PAULO (a conferir) – Deu no “The Guardian”, notícia enviada pelo blogueiro Fernando Amaral. A França pode voltar a receber seu GP em 2011. Um autódromo em Flins Les Mureaux começará a ser construído em breve, a um custo de 112 milhões de euros, para substituir Magny-Cours.
O projeto — ufa! — não é de Hermann Tilke, e sim do arquiteto francês Jean-Michel Wilmotte. A pista terá 4,5 km de extensão e ficará num subúrbio de Paris, a 25 km da capital. A notícia também saiu no Grande Prêmio na semana passada, mas nestes dias meio agitados para o blogueiro aqui, muita coisa passou batida.
A França não pode ficar fora da F-1. Tomara que esse projeto seja bem diferente dos projetos de autódromos brasileiros que aparecem todos os anos e nunca saem do papel.
SÃO PAULO(daqui a pouco falo de Interlagos) – Quase ia passando batido. Nesta semana, o imperador olímpico Carlos Arthur Nuzman fez uma apresentação pública da candidatura do Rio a sede dos Jogos de 2016 e assegurou que o centro de preparação de atletas (não sei bem se o nome oficial será esse) em Jacarepaguá será construído, mesmo se a Olimpíada for para Chicago, Madri ou Tóquio.
No evento foi apresentada esta imagem, que não deixa dúvidas. O autódromo já era. Nuzman quer começar as obras ainda neste ano. Havia um “acordo” entre COB e CBA, assinado pelo rotundo presidente que deixa o cargo em março, de que esse centro de treinamento só sairia se fosse assegurada a construção de um novo autódromo no Rio. O COB cagou para o acordo. E o novo autódromo, claro, não será feito em lugar algum.
Assim, suspirem por Jacarepaguá enquanto é tempo. E o automobilismo carioca, que já estava agonizando, morrerá de vez.
SÃO PAULO (tomara que saia mesmo) – Vocês sabem que sou muito reticente quando falo aqui sobre projetos de novos autódromos no Brasil. Mas o Francis Henrique, do blog Poeira na Veia e patrocinador ultra-master-plus do Meianov com sua Prospeed, tem boas notícias. Clicando no link de seu blog vocês poderão ver no programa “Velocidade”, da TVBV (retransmissora da Band em Santa Catarina), que as obras em Canelinha estão andando de verdade. A promessa é de que tudo fique pronto para 2010.
SÃO PAULO(melhorem, uai) – Aqui a gente não esconde nada. Semana passada comemoramos a realização das 500 Milhas de Moto em Interlagos pelo secular Centauro. A prova aconteceu no fim de semana e, pelo relato que o Rodrigo Ruiz me mandou ontem (e colocou em seu site), foi um desastre. De organização, segurança, público, tudo.
Aproveitando, vamos dar um puxão de orelhas no pessoal do autódromo. A foto aí do lado foi enviada pelo Leandro Deseró, blogueiro que esteve em Interlagos para ver a corrida. Não sei quem deixou o lixo, nem quem devia retirar. O fato é que estava lá, pelo menos até domingo.
SÃO PAULO (tomara, é tudo que posso dizer de novo) – Notícia pescada pelo Marcelo Borges, blogueiro de Sertãozinho, na edição regional da “Folha de S.Paulo” de Ribeirão Preto. Paulão Gomes, agora diretor da nova gestão da CBA, diz que vai buscar apoios para fazer um autódromo na região. Quem assina a coluna onde saiu a nota é Elaine Silva, minha grande colega dos tempos de Esportes na “Folha”… Saudades dela. Quanto à pista do Paulão, pode-se ter certeza de que ele vai buscar apoio mesmo — é o único cara do ramo nessa diretoria nova da CBA. Se vai encontrar, é outra história. Em todo caso, fiquemos atentos e na torcida.
PELOTAS(sem perguntas) – Desculpem a demora, vim ao Sul resolver algumas pendências pontuais. Vamos tentar colocar o dia em ordem, começando com Interlagos. Vocês já viram que nosso diretor-adjunto para Assuntos Asfálticos, Cúrvicos e Réticos, Comendattore Claudio Ceregatti, foi ao autódromo ontem, conversou com o administrador Roberto Seixas e novas ideias surgiram.
Segue sua sucinta descrição, já na nova ortografia, o que me fez tirar alguns acentos e arrumar uns hifens…
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22h05
Acabo de chegar do Templo, onde estive pela tarde inteira em companhia do Roberto Seixas. O Chico Rosa volta na próxima segunda de férias. Fui ultrabem-atendido, pra variar. Como toda ideia nova, há resistências naturais, que não vêm ao caso agora. Apenas uma visão objetiva e destituída de emoções, como deve ser a todo bom administrador.
Mas andei com meu carro pelo Templo (morram de inveja, meros mortais) como quis e onde quis, com autorização expressa para verificar principalmente a topografia real. Fiquei mais de quatro horas sozinho, circulando em cada ponto, e depois voltei para a sequência da reunião, e passeei com o Seixas depois para mostrar cada ponto.
É bem mais viável do que parece, e já mexi em alguns pontos, visando a melhor relação custo versus benefício. Antecipo alguns deles:
1- A posição do sacarrolha ideal é na placa dos 50 metros, portanto antes da sugestão inicial. A retinha antes do descidão vira uma bela reta pra embalar.
2- O sacarrolha não é subidão, é subidinha. Coisa de 3 ou 4 metros apenas. Ainda assim, ducarayyyy… Quase aquela curva nojenta do Japão.
3- A segunda perna do sacarrolha não acaba em cima do asfalto antigo e original, senão dá de cara com um murão brabo e colunas de sustentação externas e expostas. Solução: o lado externo da segunda perna acaba na tangente interna do atual retão. Dessa forma, o S fica ainda mais “curto e grosso” e sobra uma bela área de escape para os mais afoitos.
4- A partir daí, um novo piso vai apontando exatamente para onde começa a nova Curva do Sol na proposta anterior. Fica dez, é bem plano no local e contempla a segurança.
5- A nova Curva do Sol em descida é exatamente como está, mas sem aterro do lago, e sim em cima de pilotis bem profundos, quase uma ponte. Não é uma ponte exatamente pois o lago permanece por baixo e se preenche a área de escape sobre uma laje. Ninguém do Ibama, ou xiitas ecológicos, vai pegar no pé. Fica até uma bela sombra para os peixes (tem peixe lá, sim). Quanto ao lado interno, sem crise: se faz a mesma solução já pronta da atual Descida do Lago. Fácil, fácil. E se folgar, com uma laje formando um porto, literalmente. Gostaram?
6- Aí vem a reta que propus inicialmente, mas mudei de ideia no local. Para fazê-la, existe necessidade de muita movimentação de terreno, pois o desnível é pronunciado e sobe e desce, com longas ondulações. Mas aí brilhou a idéia, e acho que fica duca: refazer a curva da Ferradura!!!
7- Desta forma, a partir do final da nova Curva do Sol exatamente em cima da saída da antiga curva 4, segue-se o traçado original inteirinho. Não se mexe em terraplenagem, recortes de terreno, muros de arrimo e outras coisas. Fica “originalzinho”, não é lindo?
8- Até exatamente a entrada da Ferradura original, a primeira perna à direita, o famoso “esfria-saco”, que ainda está lá sem uso.
9- Bem ali, se faz um espelho da curva da Ferradura original. O mesmo traçado, espelhado. E o melhor: o esfria-saco permanece, mas mergulhando no lugar de decolar! Praticamente não se mexe no terreno, fica sensacional.
10- Dessa forma, a nova Ferradura mergulha numa curva rapidíssima à esquerda, e depois entra no traçado atual, subindo! Pra mim, a emenda saiu melhor do que o soneto, adorei.
Basicamente é isso. E já tenho a missão de montar o plano de negócio completo. Vou precisar da ajuda de arquitetos, engenheiros civis, designers de softwares 3D específicos, o escambau (mas não agora, é cedo). Comprometi-me com o Seixas a entregar um “basicão” que eu mesmo vou produzir para começarmos a conversar. Se passar pelo Chico Rosa, aí a coisa pega. E certamente outros ajustes serão feitos, é um processo longo e tortuoso.
Me aguardem. Tô cheio de tesão, e o nosso amigo Seixas tambem, mas é o gestor: lúcido, sério, focado, objetivo e extremamente profissional. Um poço de gentileza, mas tem uma missão a cumprir, que não é exatamente satisfazer sonhos malucos com dinheiro público.
Ouviu-me surpreendido, autorizou-me, acompanhou-me e nos apoia em princípio e de fato.
Abraços, bando de malucos. Depois mando a conta.
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Isso posto, peço à blogaiada para não me mandar mais sugestões de traçados! Não terei espaço para colocar todos no ar. E, como se vê, nosso diretor-adjunto para Assuntos Láguicos, Traçádicos e Ferradúricos já entrou de sola na bagaça!
SÃO PAULO (se bobear, pega mesmo) – E atenção, senhoras e senhores! Comendattore Claudio Ceregatti acaba de aceitar o cargo de porta-bandeira da campanha “Um novo Interlagos” (inventei o nome agora) e mandou sua sugestão. Seguem suas explicações. Estou gostando da brincadeira…
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Não resisti e acabei produzindo o desenho em anexo.
Não piloto esse tipo de software, então peguei a imagem do Google, copiei na ferramenta “Paint” (bem simplesinha) do Windows e fiz o desenho.
É meu pitaco em cima da idéia original do Ludimar de Menezes, e que já havia descrito no post a seu pedido – a propósito, obrigado por me chamar de “maior especialista no asfalto de Interlagos”. Só esqueceu que dos matos e morros também…
Propositadamente, deixei apenas os traços externos em branco, por cima da foto real. Desta forma, a imagem é autoexplicativa e exprime em escala exata como ficaria a nova Curva do Sol – observe que no final da tarde o ângulo na descida é o mesmo, portanto… Descidão de pé embaixo de cara pro sol da tarde. Não vai prestar…
Fica evidente o espaço reservado para áreas de escape bem amplas, o necessário aterro de parte do lago, o aproveitamento de parte da reta da antiga curva 4 e do retão e outros detalhes.
Adorei a idéia, acho que dá pra fazer e é (relativamente) barato, sim.
Essa variante preserva o traçado atual e torna-se de uso opcional, o que é bem interessante. Até a freada do fim da reta não judiaria do asfalto, pela tomada do novo saca-rolhas ser contrária.
Na seqüência:
1) Curva do Saca-Rolha no final da reta atual: basta comparar com o atual S do Senna na foto. É bem mais curta, uma seqüência de duas curvas fechadas de mesmo raio sem uma retinha no meio, quase como o antigo S do circuito antigo do Rio, um “S esse mesmo”. Porém com uma freada fortíssima na tomada e em subida – uma bela subida, pois a diferença de altura para o retão é bem significativa. É o começo da montanha russa (pra sua alegria) e um novo ponto de ultrapassagem, tão claro como no S do Senna atual.
2) Retinha do final do retão antigo: descida bem pronunciada, em cima do traçado e relevo originais. Os carros ganhariam bastante velocidade, pois o comprimento dessa nova retinha é quase a metade da reta atual.
3) Nova Curva do Sol: pra mim, um sonho de consumo. Curva de altíssima velocidade antecedida pela reta que ajuda a embalar, de raio constante e em descida. Como o início da curva é no retão original (bem mais alto do que a antiga reta oposta) e seu final é na saída da finada curva 4 (ponto mais baixo do circuito), sua descida seria ainda mais pronunciada que na curva do mergulho, verdadeira pirambeira. E com uma enorme área de escape em todo o seu contorno.
4) Nova reta oposta: diferente da proposta esboçada pelo Ludimar, optei por não fazer mais uma curva travada e sim uma reta, e com o mesmo comprimento da atual reta de Interlagos. O ponto de encontro que proponho é esse aí mesmo, no meio da retinha que antecede a subida do Laranjinha. Para complicar ainda mais a vida da pilotaiada, para a interseção ser exatamente onde começa a subida e também pela área de escape, que seria a ampliação do corte do barranco atual, seguindo o contorno interno da antiga curva do laranja. É praticamente um novo muro do Berger.
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É isso aí. As coisas tomam forma rápido, neste blog… Seixas e Chico Rosa, preparem-se! A blogaiada vai encher o saco de vocês!
SÃO PAULO(por que não?) – Foi meio despretensioso o post com a sugestão do Ludimar para uma mudança em Interlagos. Algo simples, barato, que não inviabilize o traçado atual e crie um alternativo, maior, talvez mais interessante — provavelmente, porque o que temos hoje é limitado.
Despretensioso porque foi postado em janeiro, no meio das férias de quase todo mundo, ninguém dando muita bola para nada (exceto os palmeirenses na internet, que trucidaram este blog no Best Blogs Brazil, provando que sua torcida é muito maior que a… do Nacional da Lapa!), mas…
Mas de repente o post suscitou muitos comentários, muitos mesmo, e várias sugestões interessantes. Esse aí da foto é do blogueiro Rodrigo Moraes, baseado no comentário do Comendador Claudio Ceregatti.
Sendo assim, este blog elege a partir de já o próprio, o Comendador-em-chefe Claudio Ceregatti, como porta-bandeira oficial de uma campanha para melhorar e ampliar o circuito de Interlagos. Que tal? O cara conhece cada palmo daquele chão, e é chegado no Roberto Seixas e no Chico Rosa, os dois administradores do autódromo. Ambos são muito competentes e abertos a ideias e sugestões. Cerega é inteligente e conhece corridas e pistas. É engenheiro e sabe do que fala. Não entende nada de Lada, mas ninguém é perfeito. Que tal irmos na contramão da crise e tentarmos algo?
Mandei as sugestões que recebi, com desenhos e gráficos, para os e-mails que tenho do Comendador, mas todos voltaram. Assim, sr. Ceregatti, Vossa Senhoria está convocada a colocar aqui seu endereço para que os blogueiros possam lhe enviar as sugestões diretamente. Junte tudo, estude as propostas, faça um relatório, leve a Interlagos e mantenha-nos informados.
Ah, a eleição de porta-bandeira da reforma é irrevogável. Pode arregaçar as mangas.
NATAL(tem pista aqui?) – O Ludimar de Menezes, de Brasília, me mandou esse desenho aí do lado. Uma ideia, mais uma, para melhorar Interlagos. Como veio na mensagem apenas a imagem, sem nenhum comentário, não sei se é de autoria do blogueiro, ou não. Mas gostei. E muito. Parece um pouco com o projeto inicial criado pelo Chico Rosa para a mudança do traçado, em 1989. Ele queria continuar usando o Retão, faria uma chicane antes da Curva 3, porque ali não tem espaço para área de escape, e o traçado seguiria até um pouco antes da antiga Ferradura, para emendar no atual Laranjinha com uma variante à esquerda.
O desenho enviado por Ludimar me parece interessantíssimo porque aumenta a extensão da pista, hoje pequena demais para a F-1, com suas voltas em menos de 1min10s, e não inviabiliza o traçado atual. A obra, para dizer a verdade, é muito simples. Cria sete novas curvas, sendo uma delas de alta, a “Nova 4″, e algumas boas freadas propícias a ultrapassagens.
Sem brincadeira nenhuma, acho que os atuais administradores do autódromo, Chico Rosa e Roberto Seixas, poderiam estudar essa possibilidade com carinho. Agora, dois pedidos: ao Ludimar, que esclareça aqui se foi ele o autor da ideia, porque é muito boa, mesmo, e seja lá quem for o criador merece crédito; e ao Comendador Ceregatti, nosso maior especialista no asfalto de Interlagos, que diga o que achou.
SÃO PAULO(ótimas mãos) – Saiu na coluna da Mônica Bergamo de hoje na “Folha”, em notinha com o título “Dinheiro rápido”: “O autódromo de Interlagos teve lucro de R$ 334 mil. É a primeira vez que a pista encerra o ano no azul”.
Lembrem-se que o autódromo é de 1940.
A explicação? Roberto Seixas, Chico Rosa & cia., que administram o complexo há alguns anos. E, para os padrões brasileiros, é preciso dizer que está tudo um brinco (notei que os banheiros dos boxes estão meio baleados e sujos, no último fim de semana de corrida).
Portanto, nada de ficar repisando aquela história de privatizar Interlagos. Equipamento público, quando administrado com competência e honestidade, dá até lucro. E nem precisava, porque não é feito para isso.
SÃO PAULO(ah, a CBA…) – A gente aqui levantando as mãos para os céus porque ainda existe Interlagos, enquanto o resto dos autódromos brasileiros cai aos pedaços, com raríssimas exceções, e nossos vizinhos argentinos fazendo a festa. Não podia passar batida a inauguração do espetacular circuito de Potrero de los Funes, em San Luis, com uma prova da TC 2000 (essa aí do vídeo com “carros de verdade”, como diz o blogueiro Alexandre Bisolotti). No último fim de semana, correu por lá a FIA GT. Só isso. E a gente aqui, com nossas tristes Mil Milhas.
Vejam na foto, que coisa mais linda de cenário e pista. E a Argentina mal saiu de uma de suas piores crises financeiras, vive em crise política, seu PIB não chega ao pé do do Brasil, eles não têm metade das fábricas de carros que temos instaladas aqui… A diferença é que devem ter uma confederação de automobilismo de verdade, que se preocupa em fomentar o esporte. Por aqui, nas últimas semanas, estão discutindo quem vai substituir o rotundo presidente atual. E deve ser seu vice, que não gosta mais dele.
SÃO PAULO (todo ano) – O aprendiz de feiticeiro Rodrigo Ribeiro, da “Car and Driver” mandou o link e as informações. São fotos das obras em Interlagos, tiradas no dia 4 deste mês. Já deve estar tudo diferente, mais adiantado. O autódromo foi fechado em agosto e, segundo RR, estão: 1) substituindo as telhas dos boxes por lajes pré-moldadas; 2) construindo um novo centro médico; 3) instalando dois platôs na área de estacionamento que fica na entrada da área de paddock; 4) fazendo mais um módulo de arquibancadas fixas; e 5) reformando a área de escape na curva 3.
Nosso bom amigo Roberto Seixas, da SPTuris, que costuma frequentar esta página que vos fala, deve aparecer qualquer hora dessas para dar mais detalhes à blogaiada.
De uma coisa não se pode acusar a atual gestão do autódromo: não investir no patrimônio. Eles investem, e muito, nas melhorias de um equipamento esportivo antigo, que tem quase 70 anos, e que é dificílimo de administrar. Para quem corre, não dá para reclamar.
SÃO PAULO(novidade…) - Lembram a área em Taubaté cedida à CBA em 2004 (não tenho certeza do ano, mas acho que foi isso mesmo) para a construção de um autódromo? Que seria o primeiro, hum, “dirigido” pela entidade? Alardeado e incensado como uma das, hum, “realizações” da confederação?
Pois um blogueiro de Taubaté (não dou o nome porque não sei se ele quer se identificar) acaba de me avisar que o terreno será destinado a empresas que desejem investir na região. Porque a CBA, claro, não colocou nem um tijolo lá. Sabe como é, autódromo, coisa mais antiga, certamente há outras, hum, “prioridades”…
Bem, para ser honesto, nesse projeto de autódromo nem a Velhinha de Taubaté acreditava.
SÃO PAULO(não diga…) – A CBA, que anos atrás bateu o pezinho garantindo que Jacarepaguá não seria mutilada para o Pan, e jurou que, se fosse, um novo autódromo seria construído, assinou um acordo com o COB, a Prefeitura do Rio e o Ministério do Esporte que enterra de vez o histórico autódromo.
O caso é o seguinte, para resumir (detalhes, no Grande Prêmio e na “Folha de S.Paulo” de hoje, que levantou a bola): se o Rio for escolhido sede dos Jogos Olímpicos de 2016, as partes envolvidas juram que vão dar de presente à CBA um autódromo novinho em Deodoro. Hahaha. Se o Rio perder, que a CBA fique com as ruínas enxertadas de piscinas e ginásios e se dê por satisfeita. É o que vai acontecer, claro.
A pista atual, quem segue o automobilismo sabe, não é bem uma pista. É um lixo que deveria envergonhar a CBA e o presidente da federação do Rio de Janeiro. Me espanta que ainda tem categoria que se dispõe a correr naquilo.
O que não me espanta é constatar que tudo aquilo que se previa quando falaram pela primeira vez em usar o autódromo para o Pan (que os chiliques jurídicos da CBA eram apenas fumacinha, que iriam destruir tudo de qualquer forma, e que as “otoridades” automobilísticas iriam engolir caladinhas) se confirmou. O autódromo foi pro beleléu. E quem viu corrida de verdade lá que procure matar as saudades no YouTube. Eu vi. E muitas. Sorte minha.
SÃO PAULO(que dureza…) – Vocês devem ter lido o texto do Ingo nos “Diários de Despedida” no Grande Prêmio e sua opinião a respeito da pista de Campo Grande, que é nova e já está detonada, ao menos no asfalto. O Brasil é um país de autódromos decrépitos, como se sabe, e todos os últimos projetos foram abortados. Desde que este blog entrou no ar, em dezembro de 2005, já apresentei aqui os projetos de Belo Horizonte, Cabreúva, Taubaté e Canelinha. O de BH dançou semanas depois que chegou às minhas mãos, porque o governo do Estado, creio, resolveu fazer outra coisa no terreno. O de Cabreúva já foi para o espaço, apesar de toda publicidade do lançamento na época. Taubaté é obra da CBA, o que só me faz dar risada. E aquele de Canelinha, em Santa Catarina, não sei o que deu — se alguém souber, que conte.
Nestes quase três anos de blog, de concreto, apareceu apenas o Velopark, no Sul, que por enquanto tem apenas uma pista de arrancada e uma de kart. E acompanhamos angustiados a morte de Jacarepaguá, além da agonia das pistas de Brasília e Goiânia.
O Humberto Corradi mandou a foto deste novo complexo que já está pronto na Suécia, Gotland Ring, em operação com um circuito de pouco mais de 3 km e com planos de, até 2012, inaugurar o maior traçado permanente do mundo, com 28 km de extensão. Uma nova Nürburgring, com conceitos de construção e manutenção ecologicamente corretos, num país pequeno, menor que o Estado de Minas Gerais, de 10 milhões de habitantes.
SÃO PAULO(oh, no!) – E não é que acertei? Escrevi (já não sei onde, acho que no meu bloguezinho no site da Bridgestone) que depois da visita de Hermann Tilke a Donington Park, Silverstone já poderia ir contando seus dias. E hoje a FIA confirmou que o GP da Inglaterra, a partir de 2010, será realizado na pista que, para os brasileiros, é muito lembrada pelo GP da Europa de 1993, aquela primeira volta espetacular de Senna e sua vitória na chuva.
É incrível, porque Silverstone, em que pese a idade, se modernizou muito nos últimos anos, reformou tudo, até uma autoestrada (tem hífen?) novinha foi construída para melhorar o trânsito. Sempre atendendo, com muito sacrifício e dificuldades, às exigências de Bernie Ecclestone, que todo ano ameaçava limar a pista da história.
Mas a birra de Bernie com o BRDC (British Racing Drivers Clube), que administra o autódromo e promove a corrida, é daquelas sem fim, e ele não quis nem saber. Vai tirar a prova de lá e pronto. O que é também um crime, porque em Silverstone, todos sabem, foi onde tudo começou, palco da primeira corrida da história da F-1, em 1950.
E um crime também porque nunca mais vou ver Samantha.
SÃO PAULO(acreditando, sempre) – Bem, o nosso “Cabreuvaring” foi lançado oficialmente hoje em SP, e espero do fundo do coração que saia do papel, e que o Ibama não implique com nenhuma ararinha azul para embargar o projeto. Detalhes estão no Grande Prêmio. É um investimento alto de gente que tem grana. E nosso brother Edgard Mello Filho está engajado no projeto, o que só lhe confere credibilidade.
A idéia é que seja um complexo automobilístico que se sustente independentemente de grandes eventos, a partir de receitas geradas pelas montadoras e indústrias de autopeças, que não dispõem no Brasil de uma pista de testes.
E, claro, que tenha muita competição em seus oito traçados possíveis, ou 15, se a área for dividida para uso simultâneo. Idéias boas, factíveis, com gente séria por trás. O Brasil não tem um autódromo sequer de alto nível, e esse pode ser o primeiro. A localização é privilegiada, o conceito de multiuso é muito apropriado, e espero que dê certo.
Abaixo, uma imagem da pista. Coisa para uns dois anos. Quem sabe um dia meu #96 não corra lá…
SÃO PAULO(eu ia lá de noite para ver as obras) – Vivi mui intensamente as discussões sobre as reformas de Interlagos, levadas a cabo em 1989. Era editor de Esportes da “Folha” e o assunto era prioridade da gente, porque dizia respeito ao retorno da F-1 a SP.
O vídeo postado ontem com a volta de Emerson na pista velha tem gerado muitas perguntas do pessoal mais novo. Parece haver um senso comum: o traçado foi assassinado, estuprado desnecessariamente.
De fato, havia propostas melhores para a reforma, e a melhor delas é essa abaixo, de autoria de Chico Rosa, à época (e hoje de novo) administrador do autódromo. Foi na gestão Erundina que Interlagos foi estuprado, mas não se deve atribuir à prefeita nenhuma culpa. Seu papel foi salvar a F-1 no Brasil, e isso a Princesa fez direitinho.
O projeto abaixo foi o primeiro a ser apresentado a Bernie Ecclestone, e é bem interessante. Primeiro, e principalmente, porque preservava o traçado original. Depois, eliminava os dois pontos críticos de uma reforma: área de escape na 3 (criava-se uma chicane) e no Sol (a curva saía do circuito).
Chico bolou uma ligação entre a retinha que levava à Ferradura e a então Subida do Lago, trecho que seria feito ao contrário para se juntar ao antigo Laranja, com aproveitamento integral do miolo (S, Pinheirinho e Bico de Pato).
Era, certamente, uma proposta bem melhor do que a finalmente adotada. Segundo o Chico, com quem conversei longamente ano passado numa viagem entre Silverstone e Londres, com o Fábio Seixas junto, quem resolveu mudar tudo foi Ayrton Senna (o Chico não o perdoa por isso). Foi ele quem inventou o S que leva seu nome, e que vem a ser o ponto exato de destruição do velho traçado. Isso porque aquela curva inviabiliza uma saída de box na 1, como era antes.
A partir do desenho de Senna, a pista encurtou demais e trechos antigos foram sendo dizimados. Dá pra refazer? Claro, hoje dá para fazer qualquer coisa. Basta vontade e dinheiro. A maior parte da pista velha está lá: 1, 2, Retão, 3, 4, Ferradura. O problema é do Sol até o Laranja. A curva do Sargento foi ocupada por uma quadra de esportes. Mas é simples: destrua-se a quadra e refaça-se a curva.
Dificuldade seria mesmo a saída de box, porque uma nova inviabilizaria o traçado atual. Há relevo ali, e só passando por cima do S do Senna para retornar ao leito da pista antiga.
Agora, se alguém quiser, faz.
A propósito, o estupro de Interlagos, na opinião mais do que sensata de Chiquinho Lameirão, tem a ver com a escassez de talentos brasileiros nos últimos anos. Entrevistei-o um tempo atrás e, resumidamente, ele disse:
“Antigamente os pilotos se formavam em Interlagos, uma pista que tinha todo tipo de curva. Aí o cara ia para a Inglaterra, entrava num circuito diferente, mas começava a identificar: êpa, essa curva aqui é igual ao Laranja; essa é como a Ferradura; essa aqui parece o Bico de Pato… E o sujeito se adaptava rápido a qualquer pista, porque Interlagos tinha um pouco de todas. Ou todas tinham um pouco de Interlagos. Hoje este traçado não ensina nada. Não tem uma curva de alta, é uma pista fácil e nada técnica.”
SÃO PAULO(andei uma hora e meia e não travou nada) – Marcelo Migueis me manda um vídeo bem legal, que será de grande valia para os mais jovens que não têm idéia do que era o circuito antigo de Interlagos.
É de 70-e-fumaça, uma volta de Maverick pelos quase 8 km do traçado original. Dura quase cinco minutos. Além da beleza da pista, a beleza da pilotagem do Rato merece a visita.
Um pouco da história de Interlagos você pode ver aqui, também. Abaixo, uma singela ilustração do tipo “eu era assim, fiquei assim”.
SÃO PAULO(terra da garoa é assim) – Eu começo, vocês terminam a história. O “lead” foi enviado pelo Bob Nogueira, blogueiro de primeira hora. Ele anda pesquisando sobre autódromos na África e encontrou essas duas fotos da pista de Luanda, em Angola.
O projetista é o mesmo de Jacarepaguá, “seu” Lolo (entrevistei-o ano passado, está em Curitiba, mas esqueci o nome inteiro). Há enormes semelhanças. Ele fez Estoril, também.
Bob diz que ficou apaixonado pelo traçado, e não é para menos. Mas consta que o circuito está abandonado, teve pouquíssimas corridas. A outra foto mostra o Emerson “vistoriando as obras”, como se dizia na época.
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.