SÃO PAULO(só o pó) – Se Kimi Raikkonen fechar mesmo com a Citroën para disputar o Mundial de Rali no ano que vem, como diz o site do WRC, vai ser um movimento tão espetacular de mercado quanto foi a transferência de Mansell para a Indy em 1993. E vai ser mais uma da série “por amor”. Kimi tem lugar onde quiser na F-1. Se ligasse para a McLaren, estaria contratado. Um telefonema para a Mercedes, idem. Mas o barato dele é outro.
No Mundial de Rali, piloto não tem de atender a tantos compromissos com patrocinadores, o ambiente é outro, camarada, divertido, rural, coisa de aventureiro. Os jornalistas são menos chatos, os cenários não se repetem. Não tem frescura, em resumo. A única chatice, do ponto de vista de Kimi, será ter de correr com alguém do lado o tempo todo. Mas se arrumar um navegador “brother”, acho que vai gostar tanto que não volta.
De qualquer forma, o que se sabe por enquanto é que a Red Bull está por trás da história e quer tê-lo na sua equipe no Mundial de F-1 de 2011. Por isso, talvez o amor pelo rali não seja suficiente para impedir um retorno.
SÃO PAULO (mudou, sim) – Foi assim. Todas as folgas cassadas, editorias desfalcadas, quase todo mundo deslocado para a Política. Finalmente chegou o dia 15. Eleição, no Brasil, era sempre em 15 de novembro. Não lembro que dia da semana caiu. É fácil de achar isso no computador. Espera aí.
Caiu numa quarta.
Dia 15. Depois de 29 anos, o Brasil tinha a chance de votar para presidente de novo. Desde 1964, foram 25 anos de ditadura, de generais escrotos, de um país militarizado. E muita gente gostava. Mais ou menos como parte da França sob o nazismo. Tinha gente que gostava e colaborava.
Cinco anos antes, o Brasil foi às ruas para exigir eleições diretas em todos os níveis. Levamos um pau na bunda do Congresso. Não havia internet, nem celulares, em 1984. A votação da emenda Dante de Oliveira, a das Diretas Já, aconteceu com Brasília quase incomunicável. Acompanhei a contagem dos votos por um painel manual na Praça da Sé, tarde da noite. Voltei de metrô, triste pra burro.
Dia 15. No jornal, o instituto de pesquisas próprio era ainda um bebê. Mas ia bem. Acertava quase tudo na mosca. Tanto nos levantamentos de intenção de voto, quanto nos de boca-de-urna. Naqueles tempos, campanha era campanha. A gente não via um carro na rua imune. Ou levava um adesivo do Collor, ou do Lula. Ou do Brizola, ou do Covas. Ou do Maluf, ou do Afif. Eram 23 candidatos. Tinha um chamado Marrozinho. O Enéas concorreu. Até o Silvio Santos. Alugou a legenda de um analfabeto de pai, mãe e parteira, Armando Corrêa, “o candidato dos explorados”. Acabaram anulando a candidatura de Silvio Santos. Santinhos, cartazes, bandeiras, uma sujeira danada. Eu tinha a impressão de que todo mundo se envolvia. Respirava-se política.
Dia 15. O voto era no papel e na caneta, não havia urna eletrônica. Cédulas coloridas, urnas de papelão, juntas de apuração, contagem manual, era um caos. Adorável caos. Escolas mobilizadas para as votações, ginásios e clubes para a apuração, noites em claro, voto por voto, boletins nas rádios, plantões na TV, uma coisa de louco.
Dia 15. Não havia outra manchete possível para o jornal do dia seguinte. Jesus Cristo poderia aparecer na avenida Paulista carregando sua cruz, que não iria roubar espaço no alto da primeira página. Quem iria para o segundo turno?
Collor, um aventureiro produzido pela “Veja” e pela Globo, era o favorito. Jovem, bonitão, raivoso, agressivo, convincente, era o “caçador de Marajás”, a “novidade” do pleito contra políticos experientes e desacreditados, alguns, ou novos e radicais, outros. Collor estava no segundo turno, todas as pesquisas indicavam. Mas quem ia com ele?
As urnas foram fechadas no fim da tarde em todos os fusos brasileiros. Os primeiros resultados da boca-de-urna do Datafolha começavam a chegar. Segredo de Estado. A “Folha” era a única que tinha instituto próprio. Os demais jornais compravam o serviço do Ibope, do Gallup ou do Vox Populi. Emissoras de TV, também. Assim, as previsões dos outros institutos eram mais ou menos públicas. As nossas, não. Segredo de Estado. Ninguém, nenhum jornal, iria arriscar o segundo turno baseado nas pesquisas divulgadas. Lula e Brizola estavam empatados tecnicamente. Era imprudente demais cravar Collor x Lula, ou Collor x Brizola.
O horário de fechamento estava chegando. Eu, editor de Esportes, estava deslocado para a Primeira Página, depois de fechar nossas pagininhas desimportantes na hora do almoço. Reunião de fechamento convocada. Os números do Datafolha não poderiam sair daquela redação em hipótese alguma. Não podíamos sequer telefonar para casa. Segredo de Estado.
O Datafolha dava Collor em primeiro, fácil, e Lula em segundo. Mas com Brizola pertíssimo. Não dava nem para falar em margem de erro. Era coisa mínima, zero-ponto-alguma-coisa percentual. Precisava ser macho para bancar uma manchete. Todo mundo ia sair com Collor vai ao segundo turno contra Lula ou Brizola. E a gente?
Tensão do caralho na reunião. O diretor do Datafolha, Antonio Manuel (por onde andará?), hesitava. Afinal, entendia do assunto. Se existe uma margem de erro, é preciso respeitá-la. Ela existe porque estatísticos estudaram aquela merda, sabem que pesquisa é pesquisa. X para mais ou X para menos. Uma ala daquela enorme mesa redonda achava que tínhamos de cravar Lula. Outra, que deveríamos ser prudentes. Eu estava entre os que queriam enfiar o Lula na manchete, e pronto. Afinal, o Datafolha vinha acertando uma em cima da outra. Mas ninguém me perguntou nada, ainda bem.
Saímos da sala sem saber qual decisão seria tomada. O dono do jornal se reuniu mais uma vez com o diretor do Datafolha e o editor de política em outra sala e chegaram à manchete, que eu só veria um minuto antes de mandar o último texto da Primeira para baixo. “Collor e Lula se enfrentam no 2º turno”, acho que foi isso. Machos pra caralho. Se desse Brizola, a gente estava fodido. E quase deu. Collor teve 22.611.011 votos (28,52%), contra 11.622.673 (16,08%) de Lula e 11.168.228 (15,45%) de Brizola. Apertadíssimo. Bancamos. Acertamos. E demorou um pouco para sair o resultado. A agonia foi de alguns dias. A contagem era manual, já disse isso. Levava tempo. Foram 74.280.909 votos que passaram pelos dedos ágeis das juntas de apuração.
A noite do dia 15 de novembro na Redação é minha lembrança mais vívida de 15 de novembro de 1989. O segundo turno, em dezembro, foi mais fácil. Collor levou com 49,94% dos votos, contra 44,23% de Lula. A eleição foi decidida com as baixarias da tropa de choque de Collor, mais a edição maldosa do último debate da TV no “Jornal Nacional”, o pavor da classe média de ter um operário na presidência, o conservadorismo de São Paulo, o Estado, que acabou decidindo o pleito com seus ruralistas, udenistas, arenistas e malufistas.
Foram meses de muita emoção nas ruas, confronto direto entre militantes do PT e o resto (o resto nunca teve militância, na verdade), imprensa conservadora de um lado, jornalistas de esquerda do outro. Um período rico em discussões, reflexões, era o destino da gente que seria decidido ali.
As duas imagens que escolhi para lembrar os 20 anos daquela eleição estão entre as que fazem parte do meu imaginário político. “Sem medo de ser feliz” era um dos slogans do PT, e a foto, rara, de um Lula sorridente foi feita por um amigo, Juan Esteves, baita fotógrafo. A outra, de um Collor descontrolado, querendo enfrentar o povo com seus braços bombados, é clássica, também, mas não lembro quem fez. Se alguém descobrir o crédito, por favor coloque nos comentários.
Eu tinha 25 anos. Não tenho mais. Tenho saudades dos meus 25 anos.
SÃO PAULO (eu não) – Tem, filhote? Santa Fé, Tucson, Prado, Sportage, essas coisas enormes, monstruosas, que os americanos adoram e agora não sabem o que fazer com elas, porque gastam muito, ocupam muito espaço e etc e tal? Pois, no fundo, você tem mesmo é uma Rural. A primeira SUV, mas na verdade só com o U de utilitário, porque esse negócio de Sport Utility não cola, ou é utilitário, ou é esportivo. Ou um, ou outro. Os dois, não dá. Ou carrega cebola, que é útil, ou faz trilha, que é esporte. Mas não conheço ninguém que carrega cebola numa Tucson, muito menos que faz trilha.
SUVs são uma invenção dos marqueteiros da indústria automobilística. É difícil definir que tipo de veículo são de verdade. Não são vans, para transporte de muita gente; não são jipes, despojados e lameiros; não são peruas na acepção da palavra. Sei lá o que é uma, ou um, SUV. Mas caíram no gosto dos brasileiros, principalmente porque com os coreanos, dá para pagar o carnê. São veículos grandes, beberrões, desajeitados, custosos para produzir, gastam muito aço e plástico, uma péssima ideia para grandes cidades, não cabem nas vagas dos prédios, mas enfim… Cada um se exibe do jeito que quiser.
A Rural, se você olhar direito, é o que hoje se chama de SUV. Podia ser usada na cidade e no campo. Mas nasceu para ser utilitário, mesmo, sem luxos, com boa capacidade de carga e de gente. É tema da materinha que fiz nesta semana para o “Limite” da ESPN Brasil, e está neste link aqui. Gravei em Guarulhos, na loja do seu Paulo, uma simpatia. A que aparece no programa é vermelha e branca como essa aí da ilustração. Mas é uma Rural da era Ford, quando a Willys já tinha sido vendida. Carro muito bacana.
SÃO PAULO(e o pó?) – Mais uma do acervo da TV Tupi que está no VocêTubo, numa indicação do Comendador Ceregatti Nuvolari. Quem achou primeiro foi o incansável Paulo Peralta, do “Bandeira Quadriculada”, que conta lá que prova é essa (”Prêmio Governador Lucas Nogueira Garcez” em 13 de maio de 1951, vencido por Chico Landi) e dá mais detalhes. Legal que é possível identificar alguns trechos da pista. Legal, também, ver como era Interlagos há quase meio século, uma área rural, uma Spa tupiniquim.
O pessoal da cidade vai matar rapidinho, mas a pergunta é: esse prédio ainda existe? Está preservado? Sabe o que me lembrou, guardadas todas as proporções? Isso aqui: Habitat 67, em Montreal. O ano está difícil de determinar. O Aero Willys ”redondo” é uma pista de que deve ser de 1960 para a frente. Mas tem Rural… Enfim, descubram vocês. Quero saber é do prédio.
SÃO PAULO(tudo acabando) - Excelente o artigo que o Ricardo Divila mandou, do “NY Times”. Está aqui, para quem quiser ler o original em inglês. O autor é Nicolai Ouroussoff. Trata da possível demolição de um dos maiores símbolos do renascimento do Japão, de sua incrível transição de país rural para potência industrial e tecnológica no pós-Guerra: a Nakagin Capsule Tower, em Tóquio.
Acho que todo mundo já ouviu falar desse prédio, formado por 140 blocos de concreto, cápsulas, que representavam o que os japoneses achavam que poderiam ser as moradias do futuro. Ele foi inaugurado em 1972 e é uma criação de Kisho Kurokawa, que morreu há dois anos e foi um dos fundadores de um movimento chamado de “Japanese Metabolism”.
Esses blocos eram fabricados individualmente, com todos os acessórios (um painel com TV, fogão e toca-fitas de rolo de um lado; um banheirinho tipo de avião do outro; uma cama no meio), e “plugado” numa estrutura fixa que continha escadas, elevadores e instalações elétricas e hidráulicas. A Capsule Tower traduzia um mundo em constante mutação, permitindo que mais módulos fossem colocados a qualquer momento, e outros retirados, numa interessante visão futurista das grandes metrópoles.
Dois anos atrás, seus moradores votaram pela demolição do prédio e pela construção de algo mais moderno e espaçoso. Estão atrás de quem financie ambos. É um marco da arquitetura moderna, sem dúvida. Mas ninguém se interessa em restaurá-lo. O autor do artigo conta que está tudo caindo aos pedaços, com infiltrações, vazamentos, mau cheiro, estrutura de concreto comprometida.
SÃO PAULO(sobe até parede) – Semana passada fiz matéria para o “Limite” sobre o Candango, lembram? Pois o vídeo já está no ar aqui, contando a história do jipe mais espetacular do universo. Como estou com problemas técnicos no blog hoje, sem conseguir inserir fotos no nosso banco de dados, esta nota vai “seca”, sem imagem alguma. A não ser que eu… Peraí.
Pronto. Consegui usando um link. Aproveitei e matei a saudade do meu Candango da época em que o comprei. Tinha pneus “Rodorural”, rodas de Belcar e capota preta. Agora ele está mais bonitinho.
SÃO PAULO (não conto) – Essa aqui eu quero ver se vocês acertam… Onde estão o Corcel, a Rural, os Aero-Willys? Ótimo registro de 1969, enviado pelo Braulio Gerhardt. Única dica: essa cidade, há 40 anos, tinha 50 mil habitantes. Hoje, tem 400 mil.
SÃO PAULO(mundo chato, sô) - Vocês se lembram, certamente, do blog do irmão do Décio. Tem esse nome mesmo, “irmão do Décio”. O Décio é um sujeito pacato, modesto colecionador de carros antigos do interior de SP. Digo “modesto” porque ele não tem 200 carros, dez Bugattis e 50 Ferraris. Gosta dos nacionais, tem um monte de DKWs e Lambrettas, é modesto como sou eu e os malucos que juntam carros que a maioria nem sabe que ainda existem. A coleção é demais, na verdade…
Pois o Du Oliveira, irmao do Décio, é designer, adora carros, e passa o tempo livre, quando encontra, fazendo ”releituras” de modelos do passado. Faz trabalhos ótimos, sem nenhum interesse comercial, apenas exercitando sua criatividade e imaginação. De seu computador saíram “releituras” (estou usando entre aspas porque ele não está “relendo” nada, apenas criando; é que “releitura” está na moda) de carros como a Rural, o Fissore, o Opala, o Corcel, essas coisinhas miúdas que falam muito ao coração de quem os teve ou desejou um dia.
Algumas dessas “releituras” são de carros da Volkswagen. Gol, SP2, Brasília, Zé do Caixão, Karmann-Ghia… Trabalhos lindos. E como têm enorme qualidade, caíram na rede. As pessoas leem blogs, compartilham imagens, se divertem na internet, as coisas se espalham. Aqui mesmo o blog do irmão do Décio foi várias vezes citado, celebrando algumas dessas “releituras” que ficaram espetaculares, como essa do Gurgel X-12 que ilustra este post, e que escolhi a esmo.
E não é que nesta semana o irmão do Décio recebeu uma notificação judicial de um exército de advogados da VW, acusando-o de uso indevido da imagem? E solicitando a retirada do ar de todos os desenhos que fez de modelos antigos da marca?
Por que é que a VW e seus advogados não se preocupam com coisa mais séria? Por exemplo, as reclamações de seus consumidores que aparecem às dezenas na seções de cartas dos jornais e revistas especializados em automóveis? Não têm mais nada de importante a fazer?
Sempre que acontecem essas coisas, perco um pouco do respeito que tenho pela história de algumas montadoras. A VW me é caríssima, tenho uma porção de carros da marca, adoro Fusca, Kombi, Gol, Variant, Passat, Karmann-Ghia, tenho tudo isso na garagem, são pecinhas queridas do meu amontoado de velharias. Diante de uma atitude arbitrária e truculenta dessas, tenho a impressão de que esses caras não têm a menor ideia do que representam aquele V e aquele W dentro de um círculo, sua história, sua ligação com as pessoas comuns.
Zero para a Volkswagen e seus advogados. Ridículos. Devem ganhar salários altíssimos para ficar perdendo tempo com coisas inofensivas como os desenhos do irmão do Décio. Eu mandaria todos embora. Seus rendimentos devem ser suficientes para preservar os empregos de centenas de operários, que valem muito mais do que esses engravatados de merda.
SÃO PAULO (para relaxar) – Vejam quantos carrinhos lindos! Rural, Fusca, DKW, Gordini, Jeep Willys, Simca… A Jacqueline Della Barba foi quem mandou (e nos deve o crédito, que logo ela colocará nos comentários). Onde é, não sei. Parece que tem uma pirâmide asteca no fundo!
SÃO PAULO(não aprendem) – Há algumas semanas, quando começou a colocar no ar as chamadas das transmissões da F-1 em sua programação, a emissora oficial conclamava, na voz daquele cara que faz todas as locuções do canal há séculos (esse cara não morre nunca?): “Vem aí o Mundial de F-1! Vamos torcer por Felipe Massa! Dia tal, tal hora, aqui na Globo” etc.
Sexta de manhã, enquanto assistia ao “Globo Rural” para saber do preço da arroba do boi e das cigarrinhas que infestam as plantações de soja (é meu programa obrigatório na pequena TV da cozinha enquanto o mais velho toma seu café, agora que estuda de manhã, cedo pacas), apareceu outra chamada, na mesma voz do cara que faz todas as locuções (e que não morre nunca): “Vem aí o Mundial de F-1! Vamos torcer por Felipe Massa, Rubens Barrichello e Nelsinho Piquet! Dia tal, tal hora, aqui na Globo” etc de novo. Como se vê, acrescentaram Barrichello e Piquet-pimpolho às nossas opções de torcida.
E eu me pergunto: será que eu posso torcer para outro? Sei lá, para o Vettel, ou para o Nakajima? Tem de ser para o Massa, o Barrichello e o Piquet? Os três juntos? Se eu não torcer para nenhum dos três, posso assistir à corrida pela TV? Ou só estão autorizados a acompanhá-las aqueles que torcerem para o Massa, para o Barrichello e para o Piquet? Será que é a isso que se resume um Mundial de F-1? A torcer para o Massa, o Barrichello e o Piquet? Não tem mais nada legal nas corridas? Carros novos, pistas bacanas, surpresas vindouras (adoro “vindouras”), disputas emocionantes?
Por que a Globo, apesar de tão competente em tanta coisa, é tão babaca em outras?
SÃO PAULO (gosto da picape, também) – Clicada agora pela manhã, em uso profissional, mas absolutamente íntegra. O único problema dessa Rural (na verdade, do dono dela) é o filme escuro nos vidros, algo que considero ridículo em qualquer automóvel.
Falando em Rural, o irmão do Décio reestilizou a primeira SUV brasileira e o site da revista “AutoEsporte” fez uma matéria interessante. Está aqui.
SÃO PAULO(igualzinho) – Não fica devendo nada ao nosso Corcel de Serra dos Aimorés, esse Mercedes revestido de ouro branco clicado num emirado qualquer desses. Não deve ter sido abandonado no aeroporto, ainda… Quem mandou a foto foi o blogueiro Paulo Cesar Borin.
SÃO PAULO (como definir?) – Talvez a trapizonga aí do lado devesse ser incluída apenas na nossa sessão “Esquisitices”, mas como é um legítimo representante da criatividade da indústria automobilística brasileira sediada no Vale do Jequitinhonha, façamos uma variante da nossa conhecida “Legião urbana”.
É um Corcel, sem dúvida. Ao que parece, pertence ao dono do agitado Xik’s Bar, point da cidade mineira de Serra dos Aimorés, que fica a 25 km de Nanuque, quase na divisa com a Bahia.
Quem mandou foi o Paulo Renato Arantes, que recebeu de outro amigo que passava pela cidade e parou para fazer as fotos. O dono do carro, todo orgulhoso, disse que tem até TV. E tem mesmo!
GIRDERS LINE (é o canal) – Não sei se é verdade, pegadinha, cascata, photoshop, mas reproduzo porque percebo que as tais de SUVs estão dominando vários mercados, e em alguns casos salvando montadoras dizem que a Porsche deu o salto que deu por causa da Cayenne.
Quem mandou foi o blogueiro Marcelo Rossi. Que não é padre. Diz que a Ferrari tem esse projeto aí embaixo, a F151. Para entrar de cabeça na onda dessas trapizongas, cuja origem está na Rural Willys. Motor V8 ou V12. Prazo para colocar o bicho na rua: 2010.
SÃO PAULO (tudo de novo?) – Uma reviravolta nas primeiras horas da manhã levou à cadeia o líder de direita montado a cavalo que, durante a madrugada, derrubara o líder de esquerda que teve os pneus esvaziados.
O PVW do B e o PDKW, graças às milícias montadas no primeiro subsolo enquanto os golpistas comemoravam sua vitória, convocaram de imediato uma nova eleição apenas com candidatos da coligação. Os dois adversários assumiram o compromisso de respeitar o resultado do pleito “porque o povo é soberano”, como disse o jipe nascido na capital, mas criado no interior.
Tal veículo rural é o único remanescente da primeira eleição. O PVW do B escolheu como candidato único um cosmopolita descendente de alemães de Wolfsburg, já que os demais renunciaram sob a promessa de ganhar alguns ministérios.
De acordo com a legislação eleitoral agora em vigor, somos obrigados a publicar os perfis de ambos, como nos chegaram às mãos.
O CANDIDATO – Fabricado em São Bernardo do Campo em 1974. Descendente direto
de dinastia nobre de Wolfsburg. Fala alemão e português com sotaque. Motor
1.5 HD aspirado. Rodas de Variant II com sobrearo. Toca-fitas TKR cara-preta. Vidros
verdes com adesivo da Porsche na lateral. Câmbio doido. Engata primeira, entra
a ré. 24 mil km rodados. Volante de TS de três raios. Carrega um boneco do
Topo Gigio pendurado no painel. Bancos de plástico originais. Pára-brisa com
degradê. Não usa afogador. De tão perfeitinho, dá até raiva. Se diz “de centro”.
O CANDIDATO – Fabricado no bairro do Ipiranga em 1961. Criado em Bauru, onde
trabalhou como fiscal de linhas de transmissão. Perseguido político, foi
encontrado na Estrada do M’Boi Mirim em más condições de saúde. Recuperado,
retomou as atividades políticas junto a trabalhadores rurais. Fez plástica na
capota e nos bancos. Ganhou pneus militares. Freia quando quer. Até o mês
passado, engatava as marchas que queria, também. Nunca foi dado a receber ordens.
Contra o desperdício, tem apenas uma lanterna traseira. Exagera no óleo dois
tempos, o que lhe valeu a fama, que nega, de beberrão. Não gosta de rótulos
e se define como “líder popular”. Mas é conhecido como “terror das SUVs”.
SÃO PAULO (a original) – Em tempos de febre por SUVs, seja lá o que for isso (como algo pode ser utilitário e esportivo?), fiquemos com a primeira de todas, a gloriosa Rural Willys. E, como se vê no anúncio enviado pelo José Luiz, da Guanabara, as mulheres adoravam!
SÃO PAULO (geração saúde) – Recebo e-mail de famoso blogueiro, indignado com a indiscrição cometida por sua noiva ontem, ao revelar sua mais nova aquisição.
Como não sou de alimentar brigas de casal, repasso para que tudo seja esclarecido.
Kamarada Gomes, bom dia. Muito me surpreendeu ontem a fotografia publicada de meu novo carro. Gostaria de esclarecer que o automóvel decorado com motivos zebrísticos destina-se a eventos especiais promovidos pelo Greenpeace, do qual faço parte aqui no Azerbaidjão, onde vivemos agora. Como V.Sa. sabe, nos mudamos daquele condomínio burguês em Osasco atrás do verdadeiro sentido da vida no Leste, e estamos muito felizes. Minha empresa parou de plantar alumínio e agora nos dedicamos à lavoura de laranjas verdes, que vão revolucionar a indústria dos sucos naturais em todo o planeta. O veículo que estou usando para trabalhar não é, claro, aquele zebrado, mas sim este mais adequado ao transporte do fruto, ou dos frutos, de nosso trabalho no campo. Aproveito para convidar os blogueiros para visitar nossa propriedade rural perto de Baku, às margens do Mar Cáspio, cujas águas cristalinas usamos para irrigar nossas terras. Obrigado por esclarecer os fatos, atenciosamente,
Leandrov Alfonsov
Creio que esta mensagem encerra o assunto e não nos metamos mais nas brigas do casal.
SÃO PAULO (nem tudo é tão rápido) – Compreendo vossa angústia. Afinal, foram quatro dias sem Ladaland, talvez o maior período de ladstinência a que já fomos submetidos.
É que andaram acontecendo algumas coisas estranhas com nossos correspondentes sovietes, especialmente nosso mais assíduo colaborador, Velov Agapov.
Felizmente ontem chegou uma carta registrada postada em Praga, com boas notícias para todos. Segue o relato.
Kamarada, demorei a me comunicar porque na semana passada, em breve visita a Budapeste, encontrei em Peste um velho amigo brasileiro que por lá estava a observar novos talentos da pilotagem húngara e a levantar informações para a possível construção de uma fábrica de moedas de alumínio no país. Muito atarefado, nosso amigo encontrou um tempinho para assistir a mais uma das provas do Mundial de Rali Húngaro. Fiz até uma foto, ele aparece de boné azul onde está escrito “My Lada uses only Canadian Aluminium in his Vital Parts” espero que dê para ler, apesar da distância. Fiquei muito contente com o encontro e viajamos alguns dias pelo “countryside” magiar, como ele gosta de chamar nossa aprazível e florida zona rural, bebemos muitas garrafas de Unicum e por isso o pequeno lapso de material para nossa kampanha mundial. Receba nossos votos de apreço. Ah, o colega volta semana que vem, depois de completar um contêiner com Samaras que andou comprando por aqui. Ele é incorrigível.
Aguardemos os Samaras. Pela foto, confesso que não identifiquei ninguém muito conhecido. Se vocês souberem quem é, por favor registrem aqui.
SÃO PAULO (como sempre…) – Alguma dúvida sobre de onde veio a inspiração ianque para criar a Rural Willys? O Mário Estivador revela a UAZ 469, produto da gloriosa indústria soviética, que veio muito antes!
SÃO PAULO (esse Brasil…) – Bem, todos aqui já são íntimos dos Jericos de Alto Paraíso (RO), das provas no Jericódromo e do incrível sucesso dessa modalidade de, digamos, automobilismo rural.
E hoje o blogueiro Ricky Balboa Locatelli avisa que em Santa Catarina, na cidade de Iomerê, também ter jerico acelerando.
Com algumas diferenças: os jericos catarinenses são gericos, com G, e as provas são de arrancada. Detalhes neste site, com muitas fotos.
Quando coloquei algo aqui sobre os jericos, alguém comentou que eles nasceram, mesmo, no Sul do Brasil, sendo levados para Rondônia pelos gaúchos, catarinenses e paranaenses que emigraram nos anos 70 e 80 para o Norte. É isso aí.
SÃO PAULO (meio atrapalhado, hoje) – Essa daqui é obra do Marcos Parrudo, outro blogueiro de peso. São duas Rurais (odeio esses plurais de nomes de carros!) usadas pela RFFSA. Mas, como se vê, não foram feitas no tapa, não. Elas têm projetinho e tudo. E, bravamente, resistem ao tempo e ao homem.
SÃO PAULO (que há de perdurar) – Nada a ver com nada, mas domingo, antes da Stock, assistia eu à inefável TV Globo à espera da corrida, enquanto passava alguns brigadeiros no chocolate granulado, quando surgiu na tela a vinheta da atração que estava por vir, um negócio qualquer com motocicletas, sob a rubrica dos “Jogos Mundiais de Verão”.
Dei-me conta, então, de que os Jogos Mundiais de Verão aparecem quase todo domingo na TV Globo, e eles contemplam modalidades tão distintas quanto peteca, natação em mar aberto, maratonas, meia-maratonas, cross-country, paraquedismo, bambolê, frescobol, futebol de areia (desculpem, beach soccer), triatlo rural, vôlei de praia, esquibunda, surfe na pororoca, corrida de bicicleta, skate em rampas e pula-corda.
Procurei, e não encontrei, a FIJOMUVE, que deveria ser a sigla da Federação Internacional dos Jogos Mundiais de Verão, para descobrir se me encaixo em algum desses esportes que devem ter enorme importância, afinal fazem parte de Jogos Mundiais. Gostaria de ser campeão mundial de alguma coisa, algum esporte há de haver.
Ao constatar que Jogos Mundiais de Verão não existem, são apenas uma picaretagem que a emissora inventou (e faz tempo) para vender seus pacotes publicitários, pergunto-me:
- Como é que um anunciante acredita numa coisa dessas?
- As agências não têm vergonha de vender isso aos seus clientes?
- Os clientes não percebem no que estão se metendo, ou, se percebem, não têm noção de que esporte não é isso?
- A Globo não faria melhor cobrindo eventos esportivos de verdade em vez de promover baboseiras e inventar que elas fazem parte dos Jogos Mundiais de Verão, que não existem?
- Os Jogos Mundiais de Verão têm competições no mundo inteiro? Alguém sabe de alguma etapa do Mundial de Bambolê na Lituânia, ou em Palm Beach?
- Onde encontro o calendário dos Jogos Mundiais de Verão? Quem está em primeiro? Onde está o quadro de medalhas? Quero ganhar uma medalha!
- Será que a Superclassic, quando corrermos no verão, pode fazer parte?
Adoro dar porrada na Globo. Ainda bem que ninguém lá (nem meus amigos) me lê.
SÃO PAULO (e foi comprar um Fusca…) – Continuem mandando suas fotos antigas de carros, fotos de família, aquelas do álbum empoeirado, para flaviog@warmup.com.br.
A de hoje é do amigo e irmão camarada Luiz Alberto Pandini, casado com a Alessandra Alves, que sonha com uma Rural Willys.
Fala, Flavio. Gostei da tua brincadeira… Segue minha humilde contribuição: uma foto do Opala Especial (a versão mais simples), quatro cilindros, modelo 1974. Meu pai comprou-o zero km e ficou com ele até 1978. Ao volante, brincando de dirigir, encontra-se este que escreve, aos oito anos de idade. A foto foi tirada em outubro de 1976 no sítio de um parente nosso em Tapiraí, no interior de São Paulo.
Esse carro tinha um opcional: bancos dianteiros individuais e câmbio de quatro marchas no assoalho (o “normal” era banco inteiriço e alavanca na coluna de direção). Os “Opalamaníacos” vão reparar que as lanternas dianteiras têm lente laranja, um acessório da época. Meu pai trocou-as porque uma das originais quebrou em uma batidinha em manobra de estacionamento. Outro acessório desse carro, mas que não dá para ver na foto, era a antena. Na época, algumas pessoas trocavam a antena tradicional por uma bem alta, vendida em várias cores, cuja ponta superior ficava presa em um gancho na traseira do automóvel. Com isso, a antena formava um arco colorido na lateral do carro… A do Opala do meu pai era azul, para combinar com o carro.
SÃO PAULO (e puxa o quê?) – São Paulo, a locomotiva do país, que carrega o Brasil nas costas, elegeu ontem: Paulo Maluf, Frank Aguiar, Enéas, Celso Russomano e Clodovil. Que tem, como primeira preocupação, saber como são os móveis de sua sala em Brasília.
Um pulinho nos EUA. “Um homem entrou armado numa escola rural da comunidade amish na Pensilvânia, matou três e feriu sete outras antes de cometer suicídio. É o terceiro incidente deste tipo nos Estados Unidos em menos de uma semana.” Está no UOL, quem quiser saber dos detalhes, clique aqui.
Um pulinho na Inglaterra: “Uma pessoa armada com uma faca foi presa nesta segunda-feira após escalar um muro e entrar em uma área reservada da residência oficial do premiê britânico Tony Blair. O homem foi detido nos fundos da propriedade da rua Downing, número 10.” Está no G1. Mais detalhes, clique aqui.
Estou a fim de comprar um canário que cante bastante. Alguém conhece uma boa loja de passarinhos?
SÃO PAULO(e destrói tudo, não só as belas) – Não pude acompanhar direito ontem os últimos lances da briga Alcaide do Rio & seus Panamericanos X Pilotos Inconformados & Defensores de Jacarepaguá, participação especial da CBA. Ao que parece, mandaram parar a balbúrdia no autódromo, mas o estrago já é grande, enorme e monstruoso. Duvido, mas duvido mesmo, que haja alguma corrida neste ano no Rio. Acabou. Mesmo se as maluquices do alcaide não forem construídas, será preciso reparar os danos já feitos.
Bela merda, fizeram lá. Nas fotos do Grande Prêmio já para ver o tamanho do estrago.
Hoje recebo mais uma má notícia, que reproduzo na íntegra, enviada por um blogueiro. Ele na verdade me mandou ontem, e portanto o prazo final é hoje:
Flavio, não sei se você está a par do assunto, mas amanhã (16) vence o prazo para que o Automóvel Clube de Cascavel dê a resposta se pretende comprar o terreno do autódromo.
Consta que os proprietários da pista (parece que é a Sociedade Rural da cidade, mas não tenho certeza) a colocaram à venda.
Detalhe, não existe qualquer exigência no sentido de se preservar o uso do terreno, ou seja, quem comprar pode, por exemplo, loteá-lo.
Bem, parece que não é só no RJ que as pistas correm perigo não é?
Abraço,
Dennis Aluizio Zafaneli Molina
Cascavel, em que pese a falta de segurança, tinha a única verdadeira curva parabólica do Brasil, pista para macho. Quem tiver mais notícias, mande.
SÃO PAULO(daqui a pouco tem mais) – A brincadeira das fotos antigas de circuitos brasileiros está rendendo… O Paulo Guedes, veterano de autódromos, começou a desenterrar coisas valiosas de seu baú. Começo com estas duas fotos de GPs do Brasil de F-1. A primeira é a melhor foto que já vi, a que melhor mostra como era assistir a uma prova dessas em Interlagos.
O ano: 1974. Passando pela curva 2, a Ferrari de Lauda. Mas detenham-se nos detalhes… O andaime de madeira montado na carroceria da pick up Rural. A poltrona que os caras trouxeram de casa. O sofá para a família! Mas o máximo dos máximos é a piscininha infantil, com a churrasqueira no canto direito e o vira-lata esperando uma carninha… Demais, um negócio inimaginável nos dias de hoje.
A outra, de 1976, mostra as barracas ao longo do Retão, uma característica marcante dos primeiros GPs em Interlagos. O pessoal acampava uma semana, curtia a corrida de cabo a rabo, gente se conhecia, amizades nasceram ali, quem sabe paixões…
Esse GP de 76, salvo engano (e pelo outdoor da GM fazendo propaganda do Chevette), foi aquele em que todos os pilotos ganharam da Chevrolet um Chevette GP para ficar durante a semana em SP. Diz a lenda que um deles não foi devolvido. O piloto teria detonado a caranga num poste.
Sei lá se é verdade. Nem tudo é verdade.
* Por erro meu, as fotos originais publicadas junto a este post desapareceram (eu devo ter gravado outras fotos com o mesmo nome de arquivo). Se o Paulo Guedes achar este post perdido no passado, por favor envie as imagens de novo!
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Atua em jornais, revistas, rádio, TV e internet. “Um multimídia de araque”, diz ele. No Twitter, @flaviogomes69.