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21/10/2009 - 17:28

A VIDA E A ARTE

folhavacaSÃO PAULO (cadê meu tempo?) - Lia entusiasmado a “Ilustrada” de hoje quando me deparei com a crítica ao lado, anunciando e comentando uma interessante exposição no Centro Universitário Maria Antônia, aqui em SP, acho que onde era a FFLCH, do lado do Mackenzie. Abre amanhã. São quatro artistas: Fábio Miguez, Emmanuel Nassar, Marcia de Moraes e Ana Prata.

O rapaz que escreveu a crítica, Silas Martí, fala sobre os “espaços vazios” retratados nas obras e tudo mais. Eu não entendo de arte, mas claro que achei legal demais a tela “Vaca”, da Ana Prata. Que, juro, não sei se é uma artista brasileira ou angolana, porque procurei mui rapidamente no gúgou e achei só a angolana, e estou muito atrasado hoje e não vou procurar mais nada.

Martí, o crítico, fala muito bem da “Vaca”. “Pelo parabrisa”, escreve, “uma paisagem derrete esbranquiçada no quadro mais forte do conjunto e arremata a ode ao vazio”.

Uau. Mas é só uma vaca dentro de um Lada!

194-cow-in-carEssa foto, na qual Ana Prata se inspirou (juro, também, que não sei se ela contou para alguém que pintou a reprodução de uma foto), todos nós, amantes dos soviéticos, já tínhamos visto em algum lugar.

Nas duas versões, aliás: com a placa original 58 AR 237 (à esquerda), que não sei de onde é mas tem a tarjinha azul de algum país pertencente/pretendente à UE, e com a placa montada GS 10 CW (lá embaixo), que não sei de onde é também. Foi essa última que a artista usou para fazer seu quadro, com a montagem de uma placa de outro país, me parece até austríaca, e das antigas.

Juro, mas juro mesmo, que não estou fazendo nenhuma denúncia ou acusação de plágio da foto. Apenas achei demais o quadro. Gostaria que Ana Prata, que agora é minha artista predileta, melhor que Picasso, Van Gogh ou Hélio Oiticica, pintasse Gerd, ou o Meianov. Juro mesmo.

Agora, o que não aguento mesmo são as análises que os críticos de arte fazem de vez em quando. Me sinto um ignorante completo, um ogro primitivo e insensível. OK que não entendo nada de arte, talvez um pouco de vacas e Ladas, mas não é o máximo este longo texto sobre a “Vaca” no site do Centro Universitário? Olha um trecho:

Como crer que uma vaca derrete até se solidificar no vidro traseiro de um carro que anda em meio à neve? Na tela Vaca, um veículo amarelo segue moroso enquanto a figura da vaca malhada se desmancha, o carro se desfaz e a paisagem ao redor também se desmancha. Tudo vira borrão de tinta: mancha, ferro, pele, vidro, sombra, neve, luz, tinta.

foto_vaca_dentro_do_carroAssina a pérola o crítico Tiago Mesquita. Que, claro, não tem obrigação alguma de conhecer a vaca original, muito menos o Lada idem. Só não vem com esse papo de que o carro se desfaz. Mas, evidentemente, ele conhece arte e enxerga coisas que a besta aqui não vê.

Para mim, continua sendo só uma vaca num Lada, nada de muito excepcional. E o quadro ficou lindo mesmo.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Arte, Ladaland Tags: , ,

61 comentários para “A VIDA E A ARTE”

  1. matisse de almeida disse:

    genial nunca vi nada igual nem no louvre oh que lindos artistas religiosos

  2. Daniel disse:

    Na minha opinião é uma mutação da parlenda clássica:

    “Vaca amarela
    Cagou na tigela
    Quem falar primeiro
    Comeu a bosta dela”

    Sacou?

    Só que quando ela atravessou a janela, que é tipo um portal mágico, o carro tomou sua cor.

    No mais, quem não concordar “come a bosta dela”

    Muuuu

    • Echo disse:

      KKKKKKKKKK…
      Falou tudo…
      … e comeu a bosta toda…kkkkk

    • Pedro Giulliano disse:

      aiuhAIUAhiAUHaiuahiuAHAIUHAIUa

      ri alto no meio do expediente!

  3. Paulo Rogério Silveira de Figueiredo disse:

    Olha, até hoje eu era meio desconfiado com você Flávio, porque as vezes escreve coisas que não concordo, mas hoje cara, você me ganhou. Isso ai foi digno dos grandes escritores, ri muito pensando na cara do idiota que fez o comentário sobre a tela plagiada de uma foto de uma vaca dentro de um lada. Teu artigo tá excelente, tu escreve muito. PARABÉNS cara !!! Abraços

    • Paulo Rogério, a cara do idiota está do seu lado. A tela não é um plágio. Desde que o mundo é mundo, fazem pinturas a partir de imagens tiradas de outro lugar. No século XVII, os gravuristas fizeram fama por passar as pinturas para o preto e branco das impressões.
      Estou disposto a defender o meu ponto de vista, mas acho que para isso o senhor precisaria ver a imagem, a pintura e tentar ver a diferença de uma e de outra. Como eu disse para o autor do blogue, quando a imagem se torna tinta, ela se torna menos organizada. Perde a luz da fotografia que torna tudo uniforme e nos faz ver a imagem como um ponto de vista de quem fez o clique.
      A pintura é mais pesada, feita de manchas de tinta que não disfarçam a marca da pincelada e nem a grossura da massa de tinta. Por isso, o aspecto mais superficial da imagem perde lugar para uma relação entre imagens manchadas. Agora, para ver isso, é preciso ser generosos com a pintura e notar que não se trata de um plágio, mas de uma tela que parte de uma imagem fotográfica e tornasse outra coisa.
      Por fim, como o pessoal fica malcriado na internet

  4. Regi Nat Rock disse:

    Vou levar um na próxima Classic procê autografar.
    Depois coloco do lado do poster do #96 que expropriei do R.Ruiz, com o beneplácito do Comendador em priscas eras, só pra ele lembrar que ainda tem gente que se preocupa com ele, apesar de estar em muito boas mãos. É capaz até dê um pó pó pó solidário a este fan/fã/fam ???? sei lá..
    Eco ao coment da Jackie.

  5. Humberto Corradi disse:

    Caraca! Por essas e outra que o Veloz HP faz falta. Vacas num lada não é novidade aqui.

    http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/2007/08/31/ladaland-sexta-18/?allcomments

    Valeu

    • Cristiano Azevedo disse:

      Falando nisso, faz tempo que não pinta um Ladaland por aqui.

    • Breno Peixoto disse:

      Concordo com o sr Corradi, belíssimo texto do Veloz HP.

      Parabéns pelo post, FG. Me diverti muito com ele.

  6. Saul disse:

    É algo hiperbólico. Todos sabemos que das vacas tudo se aproveita, e por isso muitos consideram as vacas uma obra de arte da natureza. Uma boa porcentagem da população mundial considera as vacas como sendo sagradas, inclusive. Portanto, trata-se de uma obra de arte (o quadro) retratando uma obra de arte da natureza (a vaca) dentro de uma obra de arte produzida pelo homem (um Lada).

  7. Kid Cudi disse:

    a foto é ok. engraçadinha.
    a pintura é péssima.

  8. Flavio,

    Já dizem os versos famosos ….

    “uma vaca é uma vaca, uma vaca, uma vaca … ”
    uma vaca de lado num Lada.
    uma vaca enladada
    como sardinha enlatada
    num Lada

  9. Baroni disse:

    Putz! meu filho de 6 anos adorou a vaca no carro.

  10. Cristiano Azevedo disse:

    A arte imita a vida.

  11. Guilherme disse:

    Eu não entendo de Ladas tanto quanto queria, também não entendo de vacas, o que não é um problema, mas eu acredito que essa vaca é só um adesivo no vidro do carro… Uma vez que com uns 400 a 500 kg no banco de trás do carro, ele deveria ter a traseira bem baixinha!!! O que não estraga a poesia da foto, nem do quadro! Apesar de que, eu também não entendo nada de arte! rsrsrsrs…

  12. David J disse:

    huahahuahaha É verdade. Esses entendidos de arte só enrolam. Eu tive uma matéria na faculdade onde tive que analisar uns quadros e fazer críticas. Quando terminei o trabalho vi que tinha escrito coisas idiotas e cheias de frescura que nem esse pessoal. Deletei tudo e escrevi o que realmente pensava. Adivinha quem tirou a nota mais alta da turma? Não, não fui eu… mas entendi onde a palhaçada começa.

    Secretamente, a professora confessou que o meu trabalho foi o mais original, e minha nota só não foi melhor porque não usei os conceitos que ela havia ensinado. Devia tê-los googlado que nem o resto da turma fez.

  13. Paulo Ferreira disse:

    Coitada da vaca

  14. Pedro Giulliano disse:

    fisica quantica FG, fisica quantica!

    existe a probabilidade de, tanto a vaca como o Lada, NAO existirem!

    vaiquecola?!

  15. suricata disse:

    Com certeza é um adesivo, é só reparar no reflexo sobre a tampa do porta-malas … mas é uma ótima piada !

  16. Ana Prata disse:

    Oi Flávio, sou sua pintora favorita, to brincando, mas eu pintei a vaca no lada. Pra falar a verdade não entendo de carros, mas adoro esses carros antigos, as cores e formas deles, acho até que vou pegar umas imagens do seu blog pra pintar. Eu pego imagens de vários lugares e não escondo que é foto não, mas meu negócio é a pintura mesmo. Obrigada por ter gostado da pintura, tem outras com estradas e carros.

    abraço
    Ana
    ps. não sou a angolana, moro em sp mesmo e meu trabalho é mais legal, sinceramente…

    • Flavio Gomes disse:

      Ana, tive tudo o cuidado de não fazer nenhuma “acusação” justamente por não ter informação nenhuma sobre seu trabalho, além do pouco que encontrei na internet. Vou te mandar um e-mail. Beijos.

    • O que importa é que se a imagem fotográfica é diferente do tema que ela parte (o carro que anda pela rua), a pintura sobre a imagem fotográfica é mais diferente ainda. O que quis entender? quais relações a artista constrói a partir dá passagem de uma linguagem a outra. Agora, estou mais interessado na pintura do que no carro.

  17. Oi flávio, obrigado pela leitura e pela apreciação. Bem, o texto fala do modo como a tinta entra na tela. A figura que você falou é desfeita na tinta. Pois lá, o que é fumaça torna-se borrão, o que é figura, pincelada. Não é enrolação meu querido, é paciência, pois o modo de apresentar a imagem e a figura são duas coisas diferentes. Não sei se você teve a oportunidade de visitar a exposição, pois devia. Lá, você verá que as camadas de tinta são mais grossas do que parecem na reprodução no jornal. Vai lá, depois nós nos conversamos.

  18. Por fim, acho que se o senhor Flávio Gomes tivesse lido o texto todo, como li o seu, nenhum equívoco e nem escárnio seriam necessários. Presta atenção, no trecho seguinte ao supracitado. Lá, falo que a artista parte de imagens fotográficas e as transforma em pintura:

    “Quando pinta uma tela, a artista trabalha a partir de procedimentos que mudam pouco. Escolhe uma imagem fotográfica e a transpõe para a estrutura de um quadro. As partes parecem não obedecer à mesma iluminação que na fotografia. A imagem perde duas das características que a unificam: a luz e a verossimilhança. A pintora dá valor diferente a cada figura. Faz isso pela cor, pela pincelada e pela carga de tinta aplicada em cada lugar. De uma ponta a outra do processo, o que era fotografado torna-se algo muito diverso do que aparece nas cores das tintas. Ao passar as imagens de uma técnica para outra, ela não revela a unidade da obra, mas a descaracteriza. “

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