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18/10/2009 - 16:13

1 CHOPPS, 25 PASTEL

SÃO PAULO (boas mãos) – Uma vez, cobrindo um GP da Espanha, a gente foi jantar num restaurante em Granollers. É uma microcidade-dormitório (OK, nem tão micro assim) do lado de Montmeló, onde fica o circuito de Barcelona. Explicando: o circuito de Barcelona, que a gente chama de Barcelona, fica na cidade de Montmeló, na perifa de Barça, mas a gente diz Barcelona porque é mais bonito. Granollers fica à direita da entrada do autódromo. Montmeló, à esquerda. Mais para a direita a gente chega na França. Mais para a esquerda, em Barcelona. Sacaram?

Bem, saímos tarde da pista e fomos a um restaurante simpático em Granollers, que tinha dois grandes salões e um bom presunto pata-negra. Patanegra? Patannegra?

Não vou lembrar o ano, mas é bem provável que fosse 2001. Sim, 2001. Jenson Button estava na Benetton. Tinha estreado no ano anterior pela Williams, depois de derrotar, numa espécie de vestibular da equipe, o brasileiro Bruno Junqueira, que tinha vencido o campeonato da F-3000.

Button chegou chegando, porque Damon Hill tinha parado no ano anterior e a Inglaterra ficara sem nenhum bonitão para torcer. A Williams era a Williams, ora bolas, equipe de ponta, e lá foi Jenson começar sua vida de famoso. O companheiro dele era o mala sem alça do Ralf Schumacher, e assim ele virou a estrela da companhia.

Marcou uns pontinhos e, ainda muito jovem, 20 anos, foi parar na Benetton no ano seguinte, um time fashion, de vida social agitada, e aí ele pirou. Sabe aquela coisa de carrões, iates e mulheres? Pois é. Carrões, iates e mulheres. E aí chegamos ao restaurante de Granollers.

Numa mesa próxima estava um senhor de enorme nariz e rosto muito vermelho. John Button estava curtindo adoidado aquela vida de pai de piloto de F-1. Dividia os carrões, os iates e as mulhers com o filho, pode-se dizer. Usava camisa rosa e calça branca. Disso eu lembro bem, parecia da velha guarda da Mangueira. E bebia com gosto. E ria com gosto. Como a gente estava bebendo com gosto e rindo com gosto na mesa ao lado, estávamos no mesmo time.

“Buttão” virou figura frequente nos autódromos, sempre esteve ao lado do filho, um bonachão, mas ninguém deu muita bola mais para ele quando Button, o filho, entrou na espiral que leva pilotos para o fundo do poço por falta de resultados, até renascer anos depois na BAR em 2004, para sumir de novo até o começo desta temporada na Brawn.

Jenson sempre teve fama de bom piloto quando as coisas vão bem. Com um carro bom, neutro, sabe como buscar pontos e pódios. Depois da pirada juvenil dos tempos de Benetton, vendeu os carrões, os iates e as mulheres, e se concentrou em tentar ser alguém relevante na pista. Mas estava difícil, na Honda. E, para piorar, o posto de queridinho do Reino Unido foi perdido para Hamilton em 2007, por motivos óbvios. Button estava condenado ao ostracismo, em resumo.

E foi assim, esquecido, que reapareceu em Barcelona poucos dias antes da primeira corrida deste ano, num carro branco com faixas amarelas marca-texto. Era o primeiro teste da Brawn, a sucessora da Honda, que conseguiu se ajeitar para disputar o Mundial aos 44 do segundo tempo. Ninguém apostaria uma libra furada naquela equipe.

Talvez ele tenha ido jantar, naquele dia, no restaurante de Granollers. Com seu pai, John, que talvez estivesse de camisa rosa e calça branca. Talvez tenha dito ao pai que o carro era muito bom e que estava feliz por poder continuar a correr.

Duvido que tenha dito que seria campeão com ele.

Hoje ele se tornou o oitavo inglês a conquistar um título mundial de Fórmula 1. Seu pai apareceu bastante na TV neste ano. É um velhinho simpático e sempre sorridente. Transpira muito, vive com a camisa aberta, é meio desgrenhado, continua bonachão.

Viu o filho ser campeão. Não há mais carrões, iates ou mulheres. Mas há um filho campeão.

Deve ser legal ser pai de um campeão. Por isso, fui lá embaixo agora há pouco falar parabéns para ele. E pedi para tirar uma foto. Minha?, ele perguntou. Claro, uai. Estava com a mesma roupa daquela noite no restaurante de Granollers. E o mesmo sorriso no rosto. Um bom cara, esse John. E lembra meu avô.

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Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , ,

241 comentários para “1 CHOPPS, 25 PASTEL”

  1. Fellip Del Bosco disse:

    Prezado Flávio Gomes,

    Boa Tarde

    É com grande tristeza que venho me expressar nesse espaço. Lembro-me muito bem que em uma certa terça-feira dessas a mais ou menos uns 2 ou 3 anos atrás, quando o senhor apresentava ao lado do PÉSSIMO João Carlos Assunção e do EXCELENTE Mauro Cesar Pereira o programa LIMITE, no canal de TV a cabo ESPN BRASIL. Na oportunidade o senhor criticou duramente garotos de 10, 11 anos que corriam de moto, na oportunidade enviei um e-mail, criticando a sua atitude, que até a presente data não foi respondido. Mas enfim, isso são águas passadas.

    Ontem, acompanhando o programa Pânico na TV, na REDETV, observei que os personagens Alfinete, Sabrina e Zinha, foram entregar uma camisa ao Rubens Barrichello e o senhor se ACHANDO, veja bem, se ACHANDO o assessor de imprensa do piloto brasileiro, quis cercear o direito de trabalho dos colegas da emissora. Hora prezado Flávio Gomes, com todo respeito, quem é você? É de fato assessor de imprensa do Rubinho, ou só está afim de sair do anonimato e buscar um emprego melhor? Lembro-me também que no ano passado, se passou por assessor do Felipe Massa, em um evento de um dos patrocinadores do piloto brasileiro, sentado ao lado dele, se achando o melhor jornalista do planeta, titulo, que com todo respeito ainda está longe de ser conquistado pelo senhor.

    Então aqui vai uma sugestão de um cara que é amante da velocidade. BAIXE SUA BOLA, SE DIMINUA A SUA INSIGNIFICANCIA E CONTINUA APRESENTANDO O PÉSSIMO, HORRIVEL E TENEBROSO LIMITE.

    Abraços

  2. Fabio Farias disse:

    Por acaso ontem zapeando, peguei exatamente o ponto da entrevista do Barrichello durante o programa pânico. Vi o momento da sua tentativa de intervenção, pena que não teve exito….Por acaso continuei vendo a matéria e os integrantes do tal programa se puseram à frente de um hotel, no qual diziam que o Button esta hospedado e soltaram rojões no meio da noite “para acordá-lo e assim cansado, ficaria melhor para Rubens”.
    Muito interessante, bela atitude de um programa de TV da pior espécie, bossal, que incentiva o mau gosto de todas as maneiras e ajuda a imbecilizar mais ainda um povo que vive tão perto da ignorância.
    A melhor maneira de responder aos idiotas que apoiam esta merda é não dar audiência ao canal que apresenta, que aliás é de propriedade de gente de gosto, cultura e atitudes muito duvidosas, pra pegar leve.
    LIXO.

  3. Pedro Paiva disse:

    Eu assisti o GP de Mônaco de 2007 ao lado de um grupo de ingleses. Quando o Button passava a pé nos boxes, eles gritavam: “Go away! You’re not good enough!”. Perguntei o porquê, uma vez que sempre achei o Button um dos caras mais rápidos e eles disseram que a onda agora era torcer pro Hamilton porque ele era isso e era aquilo. Gostaria de ver a cara desses torcedores ingleses em dois momentos: ainda em 2007 quando o Hamilton fez lambança na China e entregou o campeonato e ontem, quando Button foi finalmente campeão do mundo.

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