GRANDE NOTÍCIA
SÃO PAULO (breaking news) – Estava eu a caminho do Morumbi, onde gravei matéria sobre o Bianco com o grande amigo Guilherme Decanini, quando toca o celular. Ligação de um telefone de Brasília. Era Roberto Nasser (foto), jornalista, advogado, antigomobilista, curador e mantenedor do Museu do Automóvel de Brasília, criador da legislação da placa preta para carros de coleção.
Era ele à frente do resgate dos quatro carros da Ford retirados hoje do museu de Roberto Lee em Caçapava. Quando ligou, estava em São José dos Campos.
A história. Os carros foram cedidos pela Ford em comodato ao museu por 30 anos. Quando Lee morreu, começou uma enorme batalha jurídica pelo acervo por conta de desavenças entre os herdeiros e o museu acabou, teve seu acervo roubado, furtado, dilapidado, destruído. Inclusive os carros que não pertenciam ao acervo, caso dos quatro da Ford. Virou um depósito de sucata. Sucata cara. Tem até um Tucker lá dentro. Um crime.
A briga por esses quatro especificamente, Capeta incluído, se arrastou na Justiça por 12 anos. A Ford queria os carros de volta, claro. Finalmente saiu a decisão favorável à empresa e Nasser foi encarregado pela montadora de resgatar os carros. Eles seguirão para o museu de Brasília, onde serão restaurados. Nasser me contou que não sabe nem se o Capeta tem motor. “Nem abri o capô. Arrombamos a porta, que estava emparedada, e tiramos os carros de lá”, disse.
Estão salvos. “É uma grande vitória e uma satisfação pessoal”, falou o Nasser, especificamente sobre o Capeta, exemplar único de um protótipo da Willys que nunca entrou em produção. Vitória mesmo. Estarão todos em ótimas mãos.
Vou dormir tranquilo e feliz com a notícia.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Museus & coleções Tags: Caçapava, Capeta, Ford, Nasser, Roberto Lee, Willys
Eles tem que voltar e pegar os outros também!
VIVA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
É um começo!!!!!!!!
E olha qe o Nasser era amigo pessoal do Roberto Lee……
É muito importante saber que existem pessoas tão preocupadas com a história do automóvel nacional. Todos que tentamos de certa forma preservar esse tesouro, agradecemos a iniciativa.
tinham que levar todos os carros, só de olhar essas fotos do link, dá uma tristeza profunda:
http://picasaweb.google.com.br/lcorreard/MuseuDoAutomVelDeCaApava2008#
Muito bom saber que vao salvar esses carros.
Fugindo um pouco do tópico, uma pena o Museu de Técnologia da Ulbra aqui no RS estar lacrado. Eu acho um crimo ser feito leilão pois muitos carros acabaram saindo do país.
Desfecho feliz para esta história…
Flavio, satisfaça nossa curiosidade: quais os outros carros resgatados?
RESPOSTA DO FG:
Três Willys, segundo o Jason. O Maverick (o que restou dele) ficou.
Alguém tem que tirar o Tucker de lá, talvez mandá-lo para o museu onde está o motor dele, isso antes que algum colecionador gatuno resolva levá-lo para fora do país.
Minha preocupação agora é se vão ficar escondidos a sete chaves para que o povo os esqueça e vire peças de coleções
particulares. A pouco tempo atrás comentei sobre este carro
com meu filho que não sabia de sua existência, mas graças
à net, consegui mostrá-lo e matar a sua curiosidade.
RESPOSTA DO FG:
O Nasser não esconde nada. Ao contrário, faz questão de mostrar. Não poderia ter destino melhor esse lote que estava em Caçapava. É para comemorar mesmo. Brasília os mostrará para o mundo. O museu do Nasser é aberto, não é uma coleção particular. Ele é o cara.
E o que é mais bacana: o Nasser foi grande amigo do Lee.
Além do Capeta, foram resgatados três veteranos Willys: 1906, 1926 e 1927.
O Maverick (o que sobrou dele) ficou em Caçapava. Desconheço os motivos.
Poxa…………largaram o Maverick de novo……
Sacanagem.
Bom Lugar. E a maior é a foto. Tipo o Nasser simpático, pois na Renault Road Show, o Bob Sharp e Eu saimos correndo. Ele estava bravo com o 96! O Bob olhou para mim e disse: Eu heim!
fg,
agora que a adrenalina baixou, enfoco alguns.
primeiro para agradecer as manifestações de simpatia e apoio. no museu do automóvel em brasília estes automóveis voltarão aos dias de glória. o processo está longe de ser fácil, pois além dos automóveis terem ficados sem manutenção por, pelo menos 34 anos – o lee foi assassinado em 1975 – houve subtração de muitas peças. vi os carros superficialmente, mas faltam farois, lanternas, calotas. no caso do capeta, furtaram as rodas, calotas, volante, bancos. o verbo é furtar porque não houve violencia contra ninguém. foram retiradas.
num resumo. a ford – assim como outras pessoas físicas e jurídicas – cederam carros em comodato ao museu. o contrato condicionava ao seu funcionamento. fechado o museu, algumas pessoas tentaram retomá-los para garantir sua preservação.
no caso da ford provoquei uma pesquisa e acharam-se num arquivo mortíssimo os contratos de comodato. a ford me pediu para resgatar os carros.
tive alguns encontros com a herdeira lee. moça gentil, sociável, e nos conhecemos de longa data. mas não gosta do assunto museu. assim, delongou e questionou enquanto pode. este desinteresse é que gerou tantos saques cuidadosos.
há dois anos, com a operação resgate montada – cegonha, pneus de reserva, material de socorro, plataforma, e até o og pozolli como co-autor do laudo de recebimento, disse não. e que os entragaria com ordem judicial. não foi preciso. o marcos oliveira, presidente da ford, informado, mandou ligar o trator da multinacional. as advogadas da ford fizeram uma notificação, e seus advogados, de bom senso, aconselharam-na a entrega-los.
foi o que ocorreu. a operação resgate 2, viu o impossível.enchi um fusion zero km, v6, tração das quatro, cheio de rodas, pneus, macacos, compressores, mangueiras, cabos de açao, ganchos, ferramentas, na porta do museu, o bruno poppi, advogado da ford, o luiz antonio lourenço da silva, advogado dos matarazzo.
não houve problemas e nem o fusion colocado na porta para rebocar os outros carros foi utilizado. o vicente gonçalves, safo e pau para toda obra foi comigo – e trabalhou colocando rodas no capeta, tirando cavaletes. o og pozolli, um cavalheiro, foi dar seu importante aval e ter sua dose de emoção vendo o museu que auxiliou montar transformado em úmido, alagada e escura cova.
a herdeira lee agiu com educação de berço. mandou o encarregado derrubar o muro em frente ao portão, providenciou guicho plataforma, entregou os carros sobre a cegonha.
o museu em si merece outras informações posteriores.
e sobre o maverick, cujo depenamento no dezembro passado é que me fez denunciar o ato ao delegado de polícia de caçapava e ao secretário de cultura de sp, ele não pertence ‘a ford, mas ao museu. em 1975 eu pedi pessoalmente ao flávio guimarães, diretor de rp, e ao joseph o´neill, presidente, que em vez de comodato, que o doassem ao museu, o que foi feito.
quase o km, porém depenado totalmente no interior, detalhes, boa parte de suas latas e periféricos do motor, é o retrato do museu de caçapava.
finalmente, um apelo aos apoiadores do antigomobilismo. sabendo de algum dos componentes desaparecidos deste automóvel, sou interessado.
Flavio:
Tenho percebido que os jornalistas, ao referirem-se ao Roberto Lee, informam que ele “…morreu…”. Na verdade foi assassinado e as coisas ficaram por isso mesmo?!
Lamentável.
Rodrigo
Obrigado Nasser, pelos esclarescimentos.
Confio em tua capacidade e amor para trazer de volta esses ícones.
Pena sobre o Maverick, que a partir de hoje, só mesmo em réplica, que o Maverick Clube Do brasil planeja fazer já há algum tempo.
Grande abraço e boa sorte.
Grande notícia! Só não estão em melhores mãos porque não estão comigo! Nosso apoio ao Dr. Roberto e nossa verdadeira torcida para que estejam expostos o mais breve possível, pois que serão restaurados e bem cuidados não tenho dúvidas. Esta excursão de resgate deveria ter sido filmada, até pelo elenco de atores coadjuvantes. Daria uma bela matéria para o Limite. Fica a sujestão, Flavio.
Abraço a todos e parabéns por esta vitória que espero seja apenas a primeira, para resgatar aquelas raridades entregues ao desleixo e à insensibilidade para com veículos e objetos raros e históricos.
Irapuã
Parabéns Dr. Roberto Nasser!Nós aqui de Brasilia teremos o prazer de poder ver com frequencia estes carros.Todos os brasileiro e apaixonados por carros com certeza sabem da sua dedicação na preservação da história destes veículos!
Flávio, valeu por postar esta notícia, os antigomobilistas de plantão agradecem!
Dr. Roberto, boa sorte na restauração destes carros, temos certeza que eles estão em boas mãos!
Novamente, parabéns ao Nasser. Fico feliz em saber que será possível ressucitar – e o termo é esse mesmo – o Capeta e que ele terá o destino que merece em um museu sério. Depois dessa, preciso tomar vergonha na cara e mandar (já faz muito tempo que estou devendo essa) a foto do estado atual do prédio em que ficou a sede provisória da IBAP (aquele endereço que aparece no título de compra da participação no empreendimento) na Zona Norte de SP.
Long live Roberto Nasser!!!!
Nasser é o cara certo para essas missões. Se está com ele, será preservado, e fico feliz.
Parabéns.
Desculpem a pergunta totalmente fora do contexto, mas o Dr. Nasser quer que as pessoas que furtaram as peças destes automóveis entrem em contato com ele para quê mesmo, eu não entendi?
É que não ficou claro o que um distinto “jornalista, advogado, antigomobilista, curador e mantenedor do Museu do Automóvel de Brasília, criador da legislação da placa preta para carros de coleção” pode querer com a escória que alimenta esse mercado paralelo de peças roubadas, digo, furtadas. Ou li errado?
Nikollas Ramos.