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10/05/2009 - 23:30

BARCELONETAS (13)

SÃO PAULO (e fim por hoje) – Rubens, Rubens… A síndrome da justificativa talvez seja o maior mal deste rapaz. OK, perdeu a corrida. OK, é bem provável que se ele fizesse duas paradas em vez de três, como Button, seria o vencedor. Afinal, estava na frente. Com carros iguais, sem ser pressionado, e com estratégias idênticas de paradas, talvez ganhasse, mesmo. Mas pode ser que não, também, porque enquanto estiveram com pesos parecidos, deu para perceber que Button não deixou o companheiro escapar. Poderia dar um pulo do gato, tentar uma ultrapassagem, antecipar um pit stop. Quem sabe?

Por isso, essa atitude “não suspeito de ninguém, mas acho que estão me sacaneando”, que não faz questão nenhuma de esconder depois de cada derrota dita “polêmica” (aquelas que ninguém entende, nem ele, por que aconteceram), acaba fazendo com que, cada vez mais, Barrichello seja visto como um mau perdedor.

Vamos aos fatos.

Rubens largou muito bem e passou Button, e como os dois tinham mais o menos o mesmo peso, o brasileiro não conseguiu abrir muito. Até a parada do inglês, na volta 18, a maior diferença registrada foi de 1s617, na volta 13. Barrichello teria duas voltas a mais para seu pit stop, mas essa vantagem foi anulada com o safety-car, por isso parou na volta seguinte. Não teve tempo de dar uma estilingada. E nem Button forçou nada.

O inglês, nessa altura, segundo seu depoimento, já tinha decidido (ou a equipe o fez) mudar a estratégia inicial de três para duas paradas. Gastou 25s489 em seu pit stop. Barrichello colocou menos gasolina e perdeu 23s332 nos boxes. Na volta 21, de novo na liderança, Rubens tinha 6s152 de vantagem sobre Jenson.

Com o carro mais leve, foi abrindo, o que seria natural. Mas não muito. Na 30ª, a diferença era de 13s594. Parou de novo na 31ª (gastou 23s063 na operação) e voltou 8s434 atrás de Button, na volta 32. O britânico esticou seu segundo “stint” até abrir 12s101 sobre o companheiro na volta 47. Parece-me que começou a ganhar a corrida nas primeiras voltas após seu primeiro pit stop, porque mesmo com o carro mais pesado, manteve um ritmo forte que não permitiu ao parceiro disparar na frente. Parou na 48ª, gastou 25s278 e voltou em segundo, “só” 15s470 atrás de Rubens, que ainda tinha um pit stop a cumprir.

A diferença entre o que Button gastou nos boxes (50s767) e o que Barrichello perdeu nas paradas (1min08s884) foi de 18s117. Era uma vantagem dessa ordem que o brasileiro precisaria ter construído na pista, digamos, entre as voltas 32 e 50, quando esteve mais leve que Button. Difícil, muito difícil. Teria de virar tempos quase 1s por volta mais rápidos que o inglês, o que é complicado mesmo quando se está mais leve, tratando-se de dois carros iguais.

Então, pode-se afirmar sem medo de errar que a estratégia de três paradas, quando comparada com a de duas, não foi a coisa mais inteligente que a Brawn, o engenheiro de Rubens e o próprio piloto escolheram para fazer na vida numa disputa com alguém que resolveu fazer dois pit stops. Daria até para ganhar, mas como disse o próprio brasileiro “eu teria de acelerar muito”. Foi nesse período que, segundo Ross Brawn, ele foi mais lento do que a equipe esperava.

OK, é para ficar puto, uma chance foi desperdiçada, paciência. Mas, antes de ficar puto, é preciso ponderar uma série de coisas. Button, por exemplo… Se tivesse largado bem, será que ficaria só 1s5 à frente de Barrichello até a primeira parada? E se ficasse, será que não discutiria com seu engenheiro a possibilidade de mudar de três para duas paradas? E se mantivesse as três e Rubens mudasse para duas, será que não conseguiria virar rápido o bastante para compensar a parada extra?

Nunca se saberá. Numa equipe de F-1, cada piloto tem seu próprio time e deve ser responsável por suas decisões. Não serve a Rubens, um piloto tão experiente, a posição de mero seguidor do que lhe dizem pelo rádio ou do que decidem por ele. Muito menos numa pista tão conhecida quanto Barcelona.

Pela manjadíssima cabeça de Ross Brawn, que prevê uma disputa ferrenha com a Red Bull pelo título, é melhor Button ganhar e ampliar um pouco a vantagem sobre Vettel do que ver Barrichello roubar pontos importantes do inglês. Ninguém mais deveria se espantar com isso. E não dá para dizer que sacrificou seu time e seu piloto — afinal fez uma dobradinha, não há resultado melhor numa corrida, do ponto de vista da equipe, foi um domingo perfeito. Isso não é bem uma sacanagem. Sacanagem foi o que ele fez na Áustria em 2002, num campeonato ganho por antecipação e num fim de semana amplamente dominado por Rubens.

O que aconteceu em Barcelona foi bem diferente. Na disputa interna da Brawn, cada lado trabalhou do jeito que achou melhor. Button se saiu bem porque cumpriu o que dele se exigiu, ser rápido mesmo com o carro pesado. Rubens não o fez, ou ao menos não como deveria, para ganhar do companheiro. Ele mesmo relatou que seu carro estava estranho depois da segunda parada, sugeriu até que algo poderia ter se quebrado. E tudo deveria terminar aí, um festejando, o outro lamentando, e vamos para a próxima.

Mas…

Mas Barrichello faz caras e bocas. Expressa descontentamento e cria um clima. Claro, ninguém é obrigado a sorrir quando perde. Mas ninguém é obrigado a fazer tipo para as câmeras. Se desconfia que o time lhe sacaneou, a primeira coisa a fazer é falar com o time. E não com a imprensa. Suas primeiras declarações, em entrevista coletiva, foram dadas em tom acusatório. “Estou tentando entender o que aconteceu…”, “…preciso contar com apoio…”, “…fizeram uma aposta em Jenson e acabou funcionando…”, “…vou para a reunião ver o que eles têm a dizer…”.

O repórter Felipe Motta, da rádio Jovem Pan, ouviu Barrichello bem tarde, no autódromo, e colheu novas pérolas para seu já vasto rosário de declarações desastradas. A entrevista foi feita depois de ele ouvir o que “eles tinham a dizer”.

Transcrevo alguns trechos:

“Não foi legal. O Jenson copiou o set-up, eu larguei melhor, eu fiz o negócio ir, e no fim não tive os pontos que gostaria que tivesse. E vai montando aquela pressãozinha de um brasileiro que quer mostrar bem para o Brasil.”

“Meu engenheiro só foi comunicado depois. Acho que essa semana vai rolar um monte de polêmica sobre isso. Na F-1, você não pode esperar favor. Não vou para a próxima corrida esperando isso. Quero que o Brasil entenda a situação, mais do que qualquer outro piloto, eu sou brasileiro. Eu preciso de torcida. Só vou conseguir esse campeonato na raça.”

“Eu posso dizer que eu não tenho idéia do porquê que o Rubinho é polemizado no Brasil, mas eu saí do carro ciente de que aquilo era polêmica e tentei manter a calma perante todos os problemas. Cheguei aqui no box e falei para o Ross Brawn exatamente o que eu queria falar, que era se ele fez alguma coisa para que o Jenson vencesse a corrida, eu pendurava minhas chuteiras e ia para casa. ‘Não preciso disso, sou melhor que isso’, foi o que eu falei para ele. E a resposta dele foi bem clara: hoje ele ganhou por coincidência. A gente achou que você conseguiria estar na frente do Rosberg no primeiro pit-stop, e conseguiu, e ele não conseguiria. Então eles mudaram a estratégia dele por causa disso. A partir daí, se encaixa ou não, sou um piloto da equipe. Eu agradeço o momento de estar guiando um carro competitivo, acho que a corrida era minha, não foi. O time acha que foi pura coincidência, e é dessa maneira que saio daqui com a cabeça erguida.”

Sinceramente, precisa tanto? “Mais brasileiro que qualquer outro”, “só ganho na raça”, “preciso de torcida”, “paro se souber que estão favorecendo o Jenson”… Caramba, perdeu uma corrida, nada mais, não é nenhuma tragédia! Não precisa se justificar para o Brasil inteiro, ninguém está preocupado com isso, ninguém está pedindo explicações! E como é que vai descobrir se estão favorecendo o Jenson? Alguém vai contar para ele? O Gola Profonda?

Se Rubens realmente se acha prejudicado, se tem certeza que alguém premeditou a vitória do outro, que pare de fazer rodeios, diga logo e pegue o boné, ou se cale para sempre. Porque esse tom choroso não ajuda em nada dentro do time, ninguém gosta de ser acusado de sacana, o bom ambiente vai-se deteriorando, não é uma boa hora para apontar o dedo para ninguém numa equipe que vive um conto de fadas com quatro vitórias em cinco corridas em seu ano de estreia.

E para o torcedor médio do Brasil, que se habituou aos seis anos de queixumes na Ferrari, tal comportamento só reforça a tese de que Barrichello não sabe perder, é um eterno segundão, não tem estrela (ou tem, segundo a Hortência) etc. E uma imagem tão desgastada, que dava pinta de melhorar quando começou a temporada, uma ressureição improvável e até festejada, começa a se deteriorar de novo.

Por conta das caras. E da boca que fala demais.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): F-1 Tags: , , , ,

452 comentários para “BARCELONETAS (13)”

  1. Alan Jones disse:

    Rubens é um bom piloto. Só que nunca soube disso. Sua habilidade em dirigir um F1, é apagada quando tudo depende de outros…ou dele próprio. Sabe pilotar, mas não sabe pensar. Só sabe chorar. E de choro, ninguém aguenta mais.

  2. Sylvio Monteiro disse:

    Barrichello amenaza con retirarse si detecta favores de Brawn a Button
    Deu no jornal
    http://www.marca.com/

    Rubinho ameaça abandonar a F1 se descobrir favorecimento da
    Brawn ao Button

    Ele esta fazendo dôce.

  3. Como diria romário ´Peixe morre é pela BOCA.´ A F1 não é tênis e o BARRICHELO já devia saber disso. Queria ver a cara dos mecânicos e engenheiros que trabalham para o carro dele na hora que ele falou de sacanagem.
    Ora cara palida, daqui a pouco esta equipe tecnica terá sua motivação atingida, e aí pode reclamar, chorar (alias o nome dele deveria ser CHORACHELLO, porque sem ninguém pergunta nada ela já se encontra ao prantos) pular, o clima você ajuda a construir.
    E esse papinho de brasileirinho sacaneadinho, o pessoal da GLOBO utiliza pra tentar manter o IBOPE das transmissões, mas quem gosta mesmo de F1 sabe que chorar só faz o fabricante de lenços ficar mais rico, mais nada.

  4. Wagner Valente disse:

    Acabo de receber, por e-mail, um furo de reportagem.
    Acho que esse nem o FG têm.

    - Rubinho já está desobedecendo as ordens da equipe, a última “desobedecida” (??!!) foi quando o mandaram vencer a prova.

  5. Guiherme disse:

    Bom, se no lugar do Button o companheiro de equipe fosse o Sutil, ou o Buemi, ou até mesmo o braço ruim do Bourdais, ou até mesmo o Steve Wonder, o Rubinho sempre ficaria em segundo plano. Quando a Stewart ganhou o primeiro GP com o Herbert, quando tinha meia dúzia de carros na pista, poderia ter sido o Rubinho, quando a Brawn ganhou seu primeiro GP, poderia ter sido o Rubinho, mas não foi, porque seu papel é ser sempre o segundo. Não adianta ir contra a natureza. Não que ele seja mau piloto, pelo contrário. Mas falta o algo a mais para seu um campeão.

  6. Thor disse:

    Acho que a única chance do Barrichello ser campeão é se as outras equipes melhorarem. Se ele conseguir superar o Button e colocar mais carros entre eles certamente não vai ter ordem de equipe. Eu ainda boto fé no Rubinho e tenho esperança que ele vai ser o campeão. Tem que fazer o que o Piquet fez na Williams, esconde o acerto do carro para o Button. Rubinho não é piquet, mas button não é mansell.

  7. CorredorX disse:

    Impressionante como tomam as dores e as vitórias dos outros para si. Àqueles que acham que Rubinho, agora o “um brasileiro que quer mostrar bem para o Brasil” (melhorou… antes era “só um brasileirinho”) merecia ter vencido respondam apenas isso:
    - se o brasileirinho escolhe a estratégia que ganha o Button tem que escolher a estratégia que perde?
    - se o Button estiver na estratégia que perde ele é obrigado a perder?

    Talvez o brasileirinho esteja certo mesmo, porque de perder ele entende.

    Já sei!! Na próxima corrida, o brasileirinho escolhe a estratégia do Button (mesmo assim o Button vence).

  8. Marcos Renato disse:

    Gosto muito do Pé de Chinelo, o único problema é que para ganhar um campeonato o cara tem que ser muito bom, e o Rubinho com toda sua experiência nunca foi muito bom e sim um bom piloto, o problema é que ele não reconhece isso e o que é pior, tenta passar a imagem para todos que é muito bom, quando na realidade não o é, criam-se expectativas e quando os resultados não aparecem por sacanagens ou não ficamos decepcionados. Ele nunca irá ganhar um campeonato mais algumas provas acredito que possa ganhar, e deixo uma pergunta para voceis, depois de toda a história do Pé de Chinelo na F1 se voceis tivessem que apostar todo o seu dinheiro apostariam nele?Mas respondam sem bairrismos ou coisa parecida, respondam com o conhecimento que tem, analisando não a pessoa dele mas o piloto que ele é?
    Eu sinceramente apesar de gostar dele, não apostaria

  9. Mauro Andres disse:

    O Rubens realmente tem que aprender a ficar quieto.

    O grande mal que aconteceu na carreira dele foi a morte do Senna, pois todo país jogou nele uma responsabilidade que não merecia e ele, erroneamente, aceitou. Agora veste um papel de vítima que não lhe cabe. Alguém já viu o Rubinho ser derrotado e não se justificar de alguma forma? Somente na Austrália quando o mundo inteiro viu ele batendo e que o segundo lugar estava de bom tamanho (caiu no colo dele).

    Eu adoro o Rubens, de verdade, mas ele deveria se calar e usar o tempo que ele despende para reclamar em entender e tratar de melhorar.

    No fundo acho que ele pensou que sem Schumacher a vida seria mole, mole, mole e esqueceu que o inglês tem sede de vitória.

    ACORDA RUBENS!!!!

  10. M Rodrigs disse:

    Eu só gostaria de saber de onde veio essa teoria de que 2 carros iguais, com quantidades de combustível diferentes, depois de dar algumas voltas lentas, no mesmo ritmo, consomem de forma tão diversa que “anulam” a diferença inicial.
    Alguém tem a resposta? Ou isso é mais uma do GB que nego tá comprando como verdade?

  11. CARONA disse:

    AH!!

    LARGA DO PÉ DO CARA, ELE LRGOU MAIS PESADO E FEZ 3 PARADAS ENQUANTO O COMPANHEIRO LARGOU LEVE E FEZ 2 PARADAS QUER MELHORES JUSTIFICATIVAS??

    OLHA SÓ O PIQUET QUE VIVIA METENDO O MALHO NO BARRICA TÁ QUIETIM QUIETIM!!!

    PIMENTA NA @#$% DOS OUTROS É REFRESCO!!!!

  12. rezende disse:

    O Jenson ganhou a corrida pra equipe Brawn , e o Rubinho o ajudou sendo o mais experiente nos acertos da corrida.
    Assim então jogou esmolas como pérolas na caneca do vencedor da corrida , e nós Brasileiros é que ficamos frustrados com a situação.
    A equipe tem dois pilotos , só um pode ter o título mundial , seria melhor que fosse um só piloto por equipe , pois esse negócio de um ajudar o outro é pra torcedor se confundir .Nesse caso o cara só acerta o carro e ainda sai prejudicado ?
    Sei lá colocaram veneno na agua da seleção Brasileira certa vez com os argentinos , eu como Brasileiro não acho isso legal pro esporte , mas ainda temos o Pelé e o Senna …inté

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