FRACASSO TOTAL
SÃO PAULO (não diga…) – Bem, foi um retumbante fiasco a abertura do Paulista de Velocidade na modalidade Antigomobilismo, a ex-Superclassic (qual nome vocês acham melhor?). Um campeonato que terminou a temporada de 2007 com 42 carros no grid e manteve uma média de mais de 30 no ano passado, apesar das primeiras mudanças de regulamento e da ingerência da FASP, que tirou do comando a APTA, nossa associação, começou com minguados 22 pilotos hoje em Interlagos.
Foi uma piada de mau gosto a estreia do novo regulamento, devidamente espinafrado por este que vos fala neste post aqui, alguns dias atrás, e fervorosamente defendido por escrito nos comentários deste outro post pelo piloto Ricardo Malanga. A fama de chato e intransigente ficou comigo.
A zona começou na hora da inscrição. “Qual a sua categoria?”, perguntava a secretária aos pilotos diante do checão de 790 reais, a taxa deste ano. Muitos não sabiam. Eu fui sincero, não sabia mesmo. Queria ver se tinha uma lista para me inscrever na que tivesse menos participantes, já que meu carro se encaixa em várias delas, mas não tinha lista alguma e deixei a cargo da secretária escolher uma.
Quando saiu a folha de tempos da classificação, o Meianov estava enquadrado como D2C2, uma categoria que não existe. Achei sensacional. Um carro-fantasma de uma categoria-fantasma. Entre os 25 inscritos para o treino que definiu o grid, havia carros da PB, PA, D3C, D2C2, D3B, D3, D4B, D4D, D2B, F, D3A e D1.
A classificação começara tensa, com uma forte batida do Ricardo Magnusson no S do Senna. Acabou com o Bianco, mas ele não sofreu nada. Tanto que mandou buscar o Puma em casa e largou com ele, horas depois. A pole foi do Malanga, que apareceu com seu Transformer verde agora decorado com um enorme aerofólio traseiro (na PB, a divisão dele, pode usar asa onde quiser) e fez 1min59s348 na sua melhor volta. As novas regras agora permitem slicks em alguma divisões, acho que a D4 com suas letrinhas, e dois carros usaram tais pneus: o Passat do Rogério Tranjan (melhorou seu tempo em mais de 2s em relação ao que costumava virar com radiais, e adorou) e o JK de Fábio Steimbruch, que vem a ser um dos quatro membros da genial comissão de antigomobilismo da FASP — a que elaborou o genial regulamento de 20 categorias diferentes.
O Meianov andou direitinho, nem muito, nem pouco. Fez 2min19s653 (111,078 km/h), 19º na geral. Para a corrida, pedi apenas para colocarem meu banco bem mais para a frente, porque acho que desde a última prova eu encolhi — ou o Meianov esticou. Demos uma mexida no carburador, também, porque estava havendo um buraco enorme nas retomadas de aceleração. A posição de dirigir melhorou muito. A carburada não adiantou grande coisa, mas tudo bem. Se eu tivesse treinado na sexta, a gente teria tido tempo de arrumar isso, mas não pude, paciência.
No intervalo entre classificação e largada, mandei fazer lá no autódromo mesmo os adesivos da ToGroundControl, o ateliê da Juliana, lembram?, a estilista que desenhou o novo macacão do velho piloto aqui. Depois coloco fotos, ficaram muito bonitos.
No briefing, perguntei timidamente ao Ernesto, diretor de prova, como seria a questão do pódio e dos troféus, já que tínhamos 12 categorias representadas no grid, inclusive uma, a minha, que não existia. Não era de sua alçada, avisou. Steimbruch, o da comissão de antigomobilismo, não soube responder. Não insisti.
Largamos com o tempo muito nublado, sem grandes sustos, e nas primeiras seis ou sete voltas tive uma briguinha bem divertida com meu amigo José Zuffo, maluco por DKW, mas que voltou a correr depois de muito tempo com um simpaticíssimo Fiat 147 — o único carro inscrito na D1. Ele me passou na largada, eu o passei no S do Senna, depois ele me passou no Sol, quando a minha quarta marcha não entrou, e eu o passei de novo no S antigo. Aí comecei a abrir um pouquinho, ele quebrou e corri sozinho até o fim.
Não foi uma prova das mais emocionantes. Fiz minha melhor volta na sexta passagem, 2min18s635, e da metade para o final, sem ninguém para brigar e com uma leve garoinha em Interlagos, os tempos subiram para a casa dos 2min20s. Tudo funcionou direitinho no carro e foi bacana ver a blogaiada torcendo a cada passagem pelo S do Senna ou pelo Laranjinha, com a turma acenando lá do heliporto.
O Malanga, que liderava na geral com o Transformer alado, quebrou na última volta. A vitória acabou ficando com o João Caldeira, de réplica de Porsche, carro preparado pelo Della Barba. Sebastião Gulla (Puma AP da LF, minha equipe) ficou em segundo na geral e o “restauranteur” Edson Furrier (Puma a ar, da Della Barba) foi o terceiro.
Não houve pódio. Porque ninguém da FASP, nem de sua genial comissão de antigomobilismo (de seus quatro membros, dois não apareceram em Interlagos, um estava correndo e outro preparando o carro do filho), sabia como fazer a classificação final. O caladinho Meianov, coitado, começou o sábado como D2C2 e terminou como D2C. Eram 12 as categorias na definição do grid, tornaram-se dez ao final da corrida. A comissão de antigomobilismo desapareceu. O vice-presidente da FASP bradava que aquilo estava uma bagunça e convocava os pilotos à federação terça-feira, para reclamar a volta do regulamento de 2006/2007 (feito pela nossa proscrita associação, a APTA). Malanga, que defendeu aqui com devoção quase religiosa as novas regras, também sumiu. Se tivesse ficado até mais tarde, levaria o troféu de quarto colocado na categoria PB, seja lá o que for isso.
Muitos pilotos reclamaram troféus de vitoriosos em suas categorias, mesmo que elas tivessem apenas um carro. Falaram em fazer cinco pódios, usando a classificação de cada divisão, independentemente da subcategoria. Eu, por exemplo, terminei na gloriosa segunda posição na D2C, que tinha dois carros (o primeiro foi o TL do Michael Preffer). Num pódio com todos os D2 e suas letrinhas, ficaria em quarto. Mas não houve cerimônia de pódio, porque depois de muita discussão e desesperança, vários pilotos simplesmente foram embora. Catei um troféu de quarto lugar na D2 e me mandei, também. Outros pilotos fizeram o mesmo. Sobraram troféus, acredito.
É o resultado dessa comissão desastrosa, que estragou nosso campeonato com uma arrogância ímpar, fazendo um regulamento ininteligível sem consultar ninguém, sem ouvir os pilotos que há seis anos correm na Superclassic e que sempre trabalharam por uma certa estabilidade da categoria, que forçou a barra para colocar pneus slick onde nunca houve (o carro de Steimbruch usa slicks, reforço) achando que velhos amigos voltariam a correr (não voltaram), que embromou o pobre do Professor Carpinelli com a história de que era preciso chamar mais carros originais (a D1, os ditos originais, tinha um carro), resultado da ação dessa comissão cujos membros mal sabem escrever (basta tentar ler o regulamento para comprovar), desses caras que fogem na hora da crise, e que vão enterrar uma categoria que já foi tão bela, pacífica e divertida. Quem esteve hoje em Interlagos viu no que deu a combinação da omissão da FASP com a genialidade da comissão e sua defesa cega puxada pelos ”legalistas” como Malanga.
E, depois, o chato sou eu.
Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): #69, Automobilismo brasileiro, Corridas de clássicos Tags: FASP, Interlagos, Meianov
Dú, o regulamento foi escrito pelo Steve Wonder com assessoria da CBF. só pode ser….
Mas foi muito bom encontrar a turma.
Tudo Bem Flavio?
Acho que temos de forçar os caras da federação a voltar com o regulamento sempre praticado pela superclassic, ou seja, D1, D2 e D3 e forçarmos esses cabeças de bagre a baixarem o valor da inscrição. Assim vamos ter alegria em voltar a correr.
abraço
João Teixeira Junior
Superclassic
Fusca 6
Vitão, acha mesmo que o Steve Wonder ia perder tempo assim?
Ele é cego mas não burro.
Teclaria no piano: D1,D2 e D3.
A sinfonia iria ser maravilhosa!
Rever a turma? Dizem que uma boa pedida é comer pizza e tomar cerveja numa padóca na Rua Luis Góis nesta terça.
Apesar pelo que ouvi, um dos que elaboraram o regulamento vazou, foi para a Índia, acredite se quiser hahahaha.
FG, sério agora, nunca dei pitaco, mas dando já.
Como exemplo o Brasileiro de Motocross.
Média de 300 inscritos por etapa, categorias de 50 Two Stroke infantil, até 450. MX1. MX2 e assim vai.
Tudo bonitinho, cada categoria tem seu number plate com cores padrão, para exemplo se correm duas juntas, o Público sabe quem está disputando com quem.
Lógico que para montar uma etapa de Motocross, não é preciso alugar um autódromo, existem motódromos permanentes no Brasil, padrão FIM.
Como havia em Interlagos, com etapas do Latino Americano.
Lógico que as dimensões de Interlagos para uma prova de Automobilismo, divergem muito em área, mas o quesito segurança deixa a desejar.
Por mais boa vontade de bandeirinhas, exemplo de sábado, não existe um reflexo coordenado na sinalização, cada um faz a sua maneira, e quando faz.
Nada contra os seguranças de boxes e pista, mas não são instruídos para coordenarem pontos estratégicos, possuem boa vontade, são capazes, mas falta BRIEFING, falta motivação.
A motivação de o cara querer ser bandeirinha para estar perto de máquinas, dos organizadores vide Élcio e Companhia, cederem e verem que o tempo passou.
A Federação Paulista e a CBA, colocarem uma planilha de custo da etapa, um balancete no Excel…….., e mostrarem que o custo de locação da área pública é de R$ 22 mil, que gastaram tanto com cronometragem, que “tantos” pilotos pagaram X para correr, que o pernoite das Equipes nos boxes custa Y.
Muitos do que aqui postam, falando em se criar Liga, fazer a prova sem depender da Federação, não sabem que tudo é determinado pela FIA, e que para se realizar uma prova no Autódromo de Interlagos, é preciso ser um Clube Filiado a Fasp, e que para se formar é fácil, mas entrar no MERCADO é que são elas, pois quem manda no Automobilismo Paulista, há décadas, não é o Carpinelli, mas sim os Clubes, que simplesmente são interligados entre si, uma teia de aranha.
O Público? Espantei-me no sábado com as arquibancadas. Umas Famílias curtindo, sem lanche, sanitários, informação do que estava rolando na pista, e não de locução, um panfleto como era distribuído antigamente.
Mas daí, questionados, os organizadores falam que “eles sabem fazer a coisa acontecer”, pois é preciso Cronometragem, Segurança, Bandeirinhas, Médicos, Veículos de Socorro e a lista aumenta.
Na draga que fazem anos o Automobilismo se arrasta em São Paulo, a coisa pode acabar logo.
E a conta é mais simples de que se imagina.
Afora a moçada da Regularidade e o Track Day.
Ao menos, 89 Pilotos Filiados, pagaram inscrição neste fim de semana.
Uma grana considerável, que sai do bolso de 90% dos Pilotos, que se houvesse UM representante isento em cada categoria, com um planejamento de marketing, pois o que não falta no Automobilismo são idéias, duvido que não teria uma ou mais Unidades de Resgate Médico de empresas privadas, UTI móvel mesmo, que qualquer provinha de Motocross tem, Releasing para Imprensa, Uma Montadora que via Concessionário colocasse a disposição veículos para atendimento e transporte, uma ação conjunta com a Spturismo.
Dezenas de ganchos, simples de se fazer, e fáceis de se realizar.
Hoje ao telefone com o Luizinho, ele ficou bravo comigo quando perguntei e dei pitacos da prova deste sábado.
Tomar dura de Luiz Pereira Bueno não é fácil. É engolir seco e pedir desculpas.
Assim como o Luiz, é Bird, Lameirão, a turma da SuperClassic, a moçada da Stock Paulista, até o Pai que levou o Filho que havia acabado de correr no Kartódromo e foi de macacão aos boxes ver “os carros de corrida”, que ele sonha andar um dia.
Poderia perfeitamente lhe enviar um e-mail Flavio, e trocarmos uma idéia, mas tenho a certeza que Centenas de Blogs e Sites que cultuam o Automobilismo Nacional, e Paulistano, querem novidades, querem seu nicho, divergem de opiniões, copiam notícias, possuem criatividade e é isso que alavanca um Esporte.
Comecei este comentário, brincando com o Vitão, e acabo falando que eu de Vcs. nesta terça, se forem recebidos, das duas uma.
Ou entra nos eixos o Automobilismo Paulista, ou montem um site, e coloquem seus carros à venda para o Mundo….
Ver o que acontece no País que criou Campeões, que teve sua Bandeira Hasteada e o Hino tocado, em “TODAS” categorias de esporte a motor, e que hoje está cada vez menos representado lá fora.
E ninguém me torre o saco, falando que antigamente era mais fácil colocar 50 mil pagantes em Interlagos, isso em 1.970, pois havia mais transporte, sair da 9 de julho ou de Santana se demorava 4 horas para chegar na arquibancada, que uma Equipe Brasileira foi correr no Mundial de Kart, que o Projeto de Marketing da Equipe Z do Anisio e Luizinho não deu retorno, que a Equipe Fittipaldi foi um fiasco.
Isso pois corríamos as bancas comprar 4 Rodas e Auto Esporte.
Vitão, se tivéssemos um Ricardo Teixeira na CBA……….
O FG enrosca toda hora com Estoque ou Stock, pois então sua categoria deveria se chamar SuperClássicos, não Classic.
Parabéns, vocês deveriam estar no pugilismo, nem a baixaria do “Pânico na TV” estaria a altura de 50% dos participantes desta categoria.
Automobilismo tem seus problemas, categorias, federações,…,quem ganha é tachado de “bandido”, quem perde é chorão…
Lamentável o nível do Sr. Spagnolo, só vejo como inveja, ,calúnia, difamação…
E, um blog também deveria ter seus limites.
Esta categoria hoje, só perde em divisões para a velha Le Mans, e o pior, o carro campeão já estava na velha Classic, com a Super Classic adotou pneus de rua, freios nacionais, motor AP, enfim, se adequou ao primeiro regulamento.
Quem tem cabeça e um pouco de dinheiro para investir, sabe extrair o regulamento.
Conheço bem o Malanga, sua esposa, seu carro para neste caso defende-lo.
Mario, na boa!
Blog não tem limites, tem moderador, no caso o DONO.
“Quem tem cabeça e um pouco de dinheiro para investir, sabe extrair o regulamento”
Perfeito. Então vou pedir para o Nélson dar a receita de uns amigos dele, e montar um boxer com 280 CV.
Ou então, sai BEM mais barato, e não gasto nada, falar para o Paulo colocar o Porschinho dele na pista de novo……..
Lógico que, extraindo o regulamento…………..