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13/10/2008 - 20:33

GIRA MONDO, GIRA

SÃO PAULO (mundo besta) – Uma semana de manchetes nos jornais e TVs de todo o mundo anunciando o desastre do mercado financeiro, e tudo foi resolvido num único fim de semana. Não tem mais banco pobre. Nem financeira, corretora, seguradora. Quebraram os irmãos Lehman, que nem sei quem são, e por isso o planeta foi ao desespero. O mundo estava prestes a acabar. O dinheiro, a derreter. Empresas perderam bilhões, coitadas. Investidores, que passaram os últimos séculos enchendo o rabo com especulação, às custas da pobreza dos outros, se desesperaram. Coitados. A jogatina do câmbio, das Bolsas, dos fundos, que sempre teve o mesmo ganhador — o rico — e o mesmo perdedor — o pobre —, de repente puniu os milionários, pessoas físicas e jurídicas, nababos de todas as espécies. Coitados. Grandes corporações perderam seu valor de mercado, o que valia mil passou a valer dez, quando na verdade nunca valeram nem mil, nem dez, é tudo uma enorme mentira.

Num fim de semana, os governos abriram seus cofres e salvaram os ricos, os especuladores, os financistas, os bancos, as corretoras, as grandes empresas, os compradores de terras baratas, aqueles que emprestam a juros altíssimos e vendem suas hipotecas a outros agentes financeiros, fazendo dos papéis verdadeiras cartelas de bingo, cagando e andando para a pessoa comum que, por alguma razão, não pôde pagar seu carnê neste mês.

Estão todos salvos, estamos todos salvos, as Bolsas abriram no Oriente em alta, o movimento se repetiu na Europa e na América, aqui em SP o Ibovespa, que nem sei que merda é, bateu, ou passou, nos 10% (só para atualizar, 14,66%). Quando cai 10%, pára tudo, “circuit break”, ou “circuit breaker”, não sei direito como fala isso. Não, perder não pode, precisamos só ganhar, ganhar sempre. Por que não parar o pregão também quando bate nos 10% positivos? Afinal, não há mágica. O volume de dinheiro no mundo, suponho, é sempre o mesmo. E quando alguém ganha 10%, é porque alguém, em geral os pobres-coitados, está perdendo 10%.

Que nada, deixa subir, comemoremos os recordes, os pontos, os índices. Sorrisos em Wall Street, sorrisos nos escritórios espelhados de Frankfurt, tudo voltou ao normal. O dólar já começou a cair, puxa, que novidade. Quanta gente encheu o rabo com a alta do dólar na semana passada? Estava a 1,7 aqui, bateu em 2,5, ou mais do que isso. Caiu mais de 5% hoje, puxa — 7,74%, para ser exato.

Claro, tem gente dando risada dessa crise de araque, desse pavor que tomou conta de todo mundo, das perdas “dos pobres velhinhos que viram suas economias de uma vida inteira escorrendo pelo ralo”. Esses pobres velhinhos não vão recuperar o que perderam, porque os governos não abriram seus cofres para eles, mas sim para os grandes bancos e seus executivos de merda que passaram anos fazendo cagadas e gastando mais do que podiam, usando o dinheiro dos outros para ganhar para eles mesmos, pulhas, selvagens com seus ternos italianos, seus Jaguares, suas villas, suas putas, suas trufas, seus vinhos. Bando de canalhas. Devem estar todos rindo, agora.

Engraçado que se alguém se levantar numa tribuna qualquer e declarar não a hecatombe financeira mundial, mas sim a catástrofe ambiental, dos sistemas de saúde dos países pobres, da educação, da distribuição de renda, da habitação, se alguém se levantar para escancarar a pobreza e as mazelas da África, a tragédia do Iraque, do Afeganistão, da América Latina, dos asiáticos que não são tigres, ninguém vai entrar em pânico, os governos do mundo vão cagar e andar solenemente, não vão tirar um puto do bolso, que se fodam as gentes, que não têm a menor importância diante dos bancos e do mercado.

Afinal, dinheiro é gente, gente não. Essa é a lição dessa crise de uma semana, dessa farsa globalizada e cínica: estamos todos fodidos nas mãos do mercado.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Gira mondo Tags:

217 comentários para “GIRA MONDO, GIRA”

  1. YPVS disse:

    Prezado Jonas, sua visão é deprimente, infantil e tenta colocar todos num mesmo balaio. por favor, meu caro, vc não conhece todõs, então por favor para com isso. Dar dez reais a um cara que faz malabares não é a solução. Eu faço bem diferente. Duas vezes por semana dou aulas particulares de física a alunos com dificuldade do ensino médio e participo ativamente dos encontros de segurança no meu bairro. Eu faço e não estou esperando minha vez de enfiar a mão numa bufunfa como vc sugeriu. Há 2 anos fiz uma opção e saí do meu trabalho por não concordar com os princípios lá reinantes. Isso me causou uma perda financeira imensa, da qual não me arrependo nem por um minuto! Durmo tranquilo e hj trabalho com aquilo que acredito.
    Então, pelo amor de Deus, sem essa visão de que somos todos fdps pq gostamos de um esporte caro e que ninguem presta.
    Vai devagar. Isso, na minha visão, nada mais é do que a desculpa mais simplista, egoísta e por que não idiota para legitimar uma ação ilícita. Por isso sim estamos na merda! E não porque assistimos F1.
    Vá com calma. E qdo tiver a oportunidade de enfiar a mão na bufunfa tão esperada aproveite-a mto bem. Quem sabe indo assistir a um GP de Monaco ao vivo ao lado do Galvão Bueno…
    Boa noite e boa sorte.

  2. Luis Filipe disse:

    assino embaixo ! parabéns Flávio …

  3. MSM disse:

    Em todos os jornais, nós so´vemos e ouvimos falar nessa “quebradeira”. Esse monte de gente endinheirada, que vive nos seus luxos exagerados perdendo dinheiro dos seus investimentos. Tadinhos, estou com tanta pena, que não deixo de ler ou ver qualquer informação sobre essa penúria.
    O dólar cai, o dólar sobe, as Bolsas perdem dinheiro, as Bolsas ganham dinheiro, e no fim os governos estão aí para ajudar os executivos e a as corjas que os acompanham, tanto aqui como lá, os presidentes adotam a salvação monetária para esses tubarões. Enquanto isso, a população que precisa de ajuda de todos os tipos, ficam largadas a algum tipo de sorte. Quantos milhares de africanos precisam de um apoio internacional e não há nenhum tipo de ajuda?
    Sinceramente, quero mais é que esses endinheirados se quebrem todos com essa especulação financeira.

  4. Filipe Araújo disse:

    Flavio,

    Anuncio no #69 sim! É retorno garantido. Mais exposição do que Ferraris e McLarens!
    Aliás, vou abrir uma empresa só para poder anunciar. Qual o valor da cota? Aceita cheque pré?

    Grande abraço

  5. Rodrigo disse:

    Po, gostei do texto, uma opiniao bacana.

    Mas o que nao da pra aguentar sao esses puxa-saco do Gomes. Querer elogiar o texto, eh uma coisa. Agora colocar 200 comments babando o ovo do cara eh demais.
    O blog serve para que o autor, no caso o Gomes, aborde um assunto, e o pessoal comentem e discutam. Nao so fica babando no ovo dele.
    Talvez esse povo espere um email de resposta do Gomes com um “ei, gostei de voce, quer um emprego?”
    Ta loco!

    *Desculpe a falta de acentos, problema da maquina.

  6. Carlos Zarattini disse:

    para Guilherme Correa…

    Nao, nao sou eu. Moro ha muitos anos fora do Brasil, nunca participei de nenhuma reuniao do PT, nao me meto com politica.

    Interessante a discussao que o excelente texto do Flavio provocou.

    Enquanto o ser humano nao conseguir mudar um pouco a mentalidade, o modo de enxergar as coisas, infelizmente continuaremos a viver em um mundo muito injusto. O sistema de mercado non qual vivemos tem como resultado inevitável o acumulo de riquezas por parte de uma parte da populaçao, enquanto o resto fica sempre mais pobre. Mesmo quando se fala de investimentos na economia real, voces acham que quem investe 1 euro tem como objetivo: a) gerar empregos e ajudar a sociedade; ou b) ganhar 2 euros? O que dizer entao desse mundinho do mercado financeiro, de gente que tem como objetivo ganhar dinheiro sem prouzir absolutamente nada de concreto, de útil para o resto do mundo?

    O probleme é que se uma pessoa pode ter uma vida digna ganhando 10, mas tem a possibilidade de ganhar 100, nao tem a menor importancia se, potencialmente, outras 9 pessoas estao na miseria.

    Tenho consciencia do grau de idealismo das minhas afirmaçoes.

    Nao, nao sou comunista.

    Resolvi sair do Brasil porque nao queria mais participar de uma sociedade onde o desequilibrio social é extremo. Pagar impostos no Brasil é pior do que pagar impostos na Europa. Pelo menos aqui a gente consegue ver e usufruir do serviço publico, na forma de hospitais, estradas, transporte, etc. Nao vou dizer que no primeiro mundo nao existem problemas, mas temos que admitir que a Europa está também mais proxima das soluçoes, se comparada com a America.

  7. Harry disse:

    É isso aí!
    Parabens!

  8. Jonas disse:

    YPVS!

    Que bom que vc faz parte da exceção que de alguma forma faz a sua parte independente de qualquer outra coisa. Ainda mais pela sua grande atitude de abrir mão de um emprego arcando com uma perde financeira imensa… No mundo de hoje, não está tão fácil assim abrir mão de dinheiro, ainda mais quando se tem toda uma família para sustentar.

    Dar dez reais pro cara do malabares. ou pra criança que vende bala no farol não é a solução a longo prazo, mas no curto, aqueles dez reais mata a fome que é de hoje, seus alunos de fisíca (educação é a grande solução a longo prazo), aprendem muito mais com a barriga cheia. Dar estudo sem merenda é complicado, tapa o sol com a peneira.

    Não disse que estamos na merda pq assistimos F1, que quem assiste F1 não presta, vejo que apesar de dar aulas de fisíca, interpretar texto não é o seu forte.

    Se vc ler um pouquinho de história, verá que a evolução da humanidade é toda voltada para o acumulo de riqueza e trocas de mercadorias, o dinheiro só entrou como mediador dessas trocas, para tornar a coisa um pouco mais justa e fácil.

    Coloquei todo mundo num mesmo balaio, pq não conheço ninguém aqui pessoalmente, não tenho como falar individualmente de cada um, fiz um comentário voltado para a grande quantidade de opiniões que li aqui no blog, isso se chama amostragem, estatística.. Se vc não se encaixou no que eu escrevi, ok, bom pra vc, bom para o bairro onde mora, e para as crianças para as quais vc dá aula. Está fazendo do pedacinho à sua volta, um pedacinho um pouco melhor.

    Não estou esperando pra colocar a mão na “bufunfa”, nem disse que ninguém aqui está. Claro que se eu tiver a oportunidade de ganhar dinheiro para assistir uma corrida em Monaco, ou melhor, pode ser em Interlagos mesmo, iria com o maior prazer do mundo, sendo um dinheiro honesto, resultado da minha competência, sorte, força de vontade, não pisando na cabeça de ninguém, não vejo problema nenhum!

    FG, esse post rendeu heim..
    Abraçooooo!

  9. TonyCanada disse:

    Para aqueles pseudo-economistas (tem hifen?), defensores tao arduos do mercado: deem uma olhada nas colunas do Paul Krugman e do Thomas Friedman no New York Times (www.nytimes.com) e depois venham dizer que a opiniao do Flavio Gomes nao tem valor porque nao tem diploma em economia. O que o Gomes disse e’ exatamente o que os colunistas do NY Times estao dizendo ha’ anos.

  10. TonyCanada disse:

    Estou sem tempo para traduzir, mas imagino que os “economistas” que estao crucificando o Gomes podem ler este trecho da coluna do Thomas Friedman no NY Times de hoje:

    Charles Mackay wrote a classic history of financial crises called “Extraordinary Popular Delusions and the Madness of Crowds,” first published in London in 1841. “Money … has often been a cause of the delusion of multitudes. Sober nations have all at once become desperate gamblers, and risked almost their existence upon the turn of a piece of paper. To trace the history of the most prominent of these delusions is the object of the present pages. Men, it has been well said, think in herds; it will be seen that they go mad in herds, while they only recover their senses slowly, and one by one.”

    And so it must be with us. We need to get back to collaborating the old-fashioned way. That is, people making decisions based on business judgment, experience, prudence, clarity of communications and thinking about how — not just how much.

  11. alexandre barbosa disse:

    Caro,FG!

    Faço minhas críticas quando tenho que fazer mas…
    esse teu texto tá irado cara!!!

    mas aquele escort pace car,lembra?????
    vou mandar para o “LATA VELHA”(desculpe as maiúsculas,tá?).

    vou hoje para”lagoinha” comprá-lo sinto MUITO!!!!!

    Parabéns a todos pelo o exercício da DEMOCRACIA!!

    Abraço á todos!

    Alexandre.

  12. Guilherme Corrêa disse:

    Prezado Carlos,

    Seu homonimo levou uma “mesada” sim. Foi na cabeça. No bolso não posso dizer. Ele era secretário dos transportes em São Paulo.
    Desculpe a confussão. Como o nome é muito parecido fiz apenas uma pergunta.

    Parabéns pela sua história de vida

    abç

    Guilherme Corrêa

  13. Agnaldo Brazão. disse:

    P.Q.P

    Vc se supera À cada frase Flávio.

    Bravo, bravíssimo.

  14. CorredorX disse:

    Aqui se faz presente a corte dos notáveis. Às vezes a corte até aplaude e com louvores! Mas outra vezes não tem jeito e os notáveis mostram o seu lado inquisidor. Degolam, enforcam, furam olhos, quebram pernas e até queimam na fogueira, se for considerado necessário para fazer sua opinião valer.

  15. Waldir Santana disse:

    Parabéns, Flávio.
    Seu maior mérito é não entender de “economês”, porque, a tirar por exemplo algumas pérolas aqui postadas, só entende quem não conhece.
    Me impressionou a explicação do Roberto, salvo engano, a partir da alegoria do Bar do Zé.
    Depois de tanto ler tudo o que até agora foi exposto, cheguei a algumas conclusões:
    1. Devo me envergonhar e me considerar “comunista”, por me preocupar com âmbito humano da referida crise;
    2. Os pinguços, involuntariamente, deflagaram o processo de criação de um negócio muito lucrativo;
    3. Úma vez descoberta sua inadimplência, o negócio todo ruiu, apesar de tantos “iniciados” envolvidos com o negócio;
    4. Fodam-se os motivos pelos quais são pinguços;
    5. Os pinguços continuam a ser úteis, não mais como consumidores do Bar do Falido Zé, mas, agora, na condição de “pacientes” de uma clínica muito bem planejada pelos mesmos “iniciados”, afinal, só eles sabem de tudo;
    6. Numa sociedade tão perfeita, quanto menos ingerência do Estado, tanto melhor. Entretanto, alguém tem que indenizar os investidores prejudicados pela falência do Bar do Zé – olhas os pinguços de volta;
    7. O Estado financia a clínica; sujeitos muito bem “treinados” convencem os mesmos (pinguços) que seus problemas serão resolvidos, e troca-se os ternos pelos jalecos;
    8. Os treinados se transformam em cães-de-guarda da empreitada sanitarista, seus contratantes mal sabem em que estão aplicadas suas fortunas (que já trouxeram no bolso, ao nascerem, ou, talvez, ganharam por serem inteligentes);
    9. A mesma turma da Clínica resolve reabrir o Bar do Zé, sob nova direção, forma nova clientela, troca cachaça por caracu, com a vatagem adicional de o consumidor, eventualmente, adquiiro status de sócio do negócio – sociedade caracu…
    10. No final das contas, ninguém sabe porque as pessoas beberam, pouco importa se são mesmo doentes, difunde-se a idéia de que o mundo não vive sem cachaça e, por conseguinte, sem clínicas especiallizadas;
    11. Qualquer oposição ao instituido é desqualificada, porque a cachaça é o combustível do homem, e a sociedade caracu, posto que, todos temos cara, e, principalmente seu complemento.

  16. CorredorX disse:

    Fiquei curioso em saber o nome que deram pra pesquisa que certamente deve ter sido utilizada como base na conclusão 11, pra fundamentar as bases da sociedade caracu.

  17. Rick disse:

    Recebí um e-mail e achei muito bom , gostaria de compartilhar com vocês .

    Para reflexão….

    Toda crise tem sete fases.

    Fase 1. Não há problema na economia, diz a autoridade econômica, é tudo boato.

    Fase 2. Sim, temos um problema, mas tudo está sob controle.

    Fase 3. O problema é grave, mas medidas corretivas já foram tomadas.

    Fase 4. O problema é muito grave, mas as medidas emergenciais surtirão efeito.

    Fase 5. Pânico geral e salve-se quem puder.

    Fase 6. Comissões de inquérito e caça aos culpados.

    Fase 7. Identificação e prisão dos inocentes.

    Os Estados Unidos e a Europa estão na fase 5. Brasil, China e Índia estão na Fase 3. Precisamos nos proteger contra a possibilidade de chegarmos na Fase 5, quando basta um entrevistado na televisão afirmar ‘que esta crise é igual ou pior que a de 1929′, como vários já falaram, ou escrever no jornal ‘as conseqüências da crise chegaram definitivamente no Brasil’, como já foi publicado, e gerar pânico por aqui.

    Não, a crise ainda não chegou ao Brasil, ainda estamos na Fase 3 e mesmo se crescermos 0% este ano, o que ninguém prevê, toda empresa irá vender a mesma coisa no ano que vem. Sua promoção pode estar em risco, mas não o seu emprego.

    Ademais esta crise nada tem a ver, nem terá, com a severidade da crise de 1929, quando 25% dos trabalhadores perderam seus empregos e que durou até 1940 com 14%. Na pior das hipóteses, o desemprego nos Estados Unidos aumentará 3%, mesmo assim só por 24 meses.

    Se tivessem líderes administrativos socialmente responsáveis, eles já teriam ido a público garantir que manteriam o nível de emprego de suas empresas nos próximos 12 meses. Hoje custa mais para se treinar um novo funcionário do que para mantê-lo fazendo algo por 12 meses.

    Depois que Alan Greenspan e Nouriel Roubini saíram dizendo que a crise era igual à de 1929, todos os americanos pararam de gastar, aumentando sua poupança e prevendo o pior. Ninguém sabe quem serão os 25% de desempregados. Quando 100% dos consumidores param de gastar por um único mês, cria-se uma espiral recessiva imprevisível. Outra alternativa seria alertar os 3% que talvez sejam demitidos para economizar, para que os 97% possam manter normalmente suas compras evitando a espiral recessiva.

    Na crise de 1929, 4.000 bancos quebraram, e a mera referência a 1929 como fizeram Greenspan e Roubini, leva pessoas leigas a correr para os bancos, o que aconteceu agora na Europa.

    A imprensa perdeu a capacidade de filtrar e processar informação premida pelo tempo exíguo para colocar tudo na internet. Publicam o que vier, especialmente se for notícia ruim.

    Nenhum banco comercial irá quebrar, nenhum ainda quebrou nos EEUU, e mesmo se forem um ou dois, nada se compara com 4.000. Bancos sempre quebram mas ninguém percebe. Mesmo se quebrarem, o seu dinheiro, ao contrário de 1929, está no fundo DI e não no Banco. O Fundo DI está no SEU NOME e dos demais cotistas, e se um banco brasileiro quebrar, o que não vai acontecer, seu dinheiro está salvo. No máximo você terá de esperar uma semana para a troca de administrador do seu fundo. O dinheiro está aplicado em títulos do tesouro em SEU NOME, não do Banco.

    Deixar o dinheiro onde está é o mais seguro. Se você resgatar o seu fundo DI, o dinheiro cai na sua conta, e se o banco quebrar justo neste dia, você vira um credor do banco. Nossos bancos estão recebendo depósitos dos apavorados estrangeiros. Muita gente em pânico está saldando suas cotas em fundos de ações e o seu gestor é OBRIGADO a vender uma ação mesmo com ela caindo 20% no dia, algo que você jamais faria.

    Acionistas majoritários não estão em pânico, nem podem nem querem vender suas ações. Só os minoritários se sentem uns idiotas porque não venderam na ‘alta’.

    Não temos bancos de investimento no Brasil. De fato, Roberto Campos implantou neste país este mesmo modelo americano que está ruindo, mas felizmente foi uma lei que ‘não pegou’. Problema a menos.

    Só temos bancos comerciais, e estes são muito bem controlados pelo Banco Central. Além do mais, nossos bancos têm dono, e por isto estão pouco alavancados, 4 a 5 vezes, contra 20 a 25 vezes dos bancos de investimentos americanos.

    O Brasil não está alavancado. Nossos créditos diretos ao consumidor não passam de 36% do PIB, e devem crescer para 40% no ano que vem. Os Estados Unidos estão alavancados em 160% do PIB e é esta desalavancagem súbita que está causando problemas.

    Nosso Banco Central adotou o que venho alertando há anos a países e famílias – a política de ter reservas para os dias de crise e hoje temos US$ 200 bilhões. Pela primeira vez o Brasil tem reservas para sustentar uma crise duradoura, sem ter que se endividar para cobrir furos de caixa.

    Temos um sistema financeiro dos mais modernos e rápidos do mundo implantado devido à inflação galopante dos anos 90. Nos Estados Unidos demora-se duas semanas para se descontar um cheque entre bancos, por isto o sistema travou. Nenhum banco confia em outro banco numa crise destas.

    Esta é a hora para disseminar a nossa força, as nossas reservas, a competência de Henrique Meirelles, primeiro administrador financeiro (Coppead) a comandar o nosso Banco Central, e já se nota a diferença. Está na hora de mostrarmos ao mundo que como a China e Índia, nós vamos crescer via mercado interno, com produtos populares, tese que há anos venho defendendo.

    Esta é a hora de mostrar o que DÁ CERTO no Brasil em vez de conseguir fama no rádio e na televisão mostrando o que poderia dar errado.

    Lembre-se que os verdadeiros culpados já estão se movimentando para culpar os inocentes, e assim saírem incólumes e mais poderosos.

    Stephen Kanitz

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