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21/08/2008 - 12:47

DÓI MENOS

PEQUIM (e é do jogo) – Perder lutando machuca menos. Escrevo ainda do Workers Stadium, o pódio sendo montado para a premiação em instantes. Ouro para os EUA, prata para o Brasil e bronze para as loironas e loirinhas alemãs, que ganharam do Japão na preliminar.

Não dá para analisar um jogo de futebol feminino com o mesmo rigor que um de futebol masculino. Como já disse outro dia, é muito mais correria e coração do que qualquer outra coisa. E isso deve ser dito: não vi uma garota, em time algum, fazer corpo-mole. Todas dão a alma pela vitória e isso é legal de ver em qualquer esporte.

As brasileiras não jogaram mal. Perderam alguns gols, criaram chances, esbarraram numa goleira boa, Hope Solo, e deram o azar de levar um gol quando estavam melhor no jogo. A Bárbara, goleira do Brasil, mulata de olhos verdes, me deu a impressão de que escorregou e poderia ter defendido. O campo estava molhado, choveu e parou o dia todo em Pequim.

Mas é justo apontar o dedo e dizer para uma que falhou no gol ou para outra que deveria ter passado quando chutou, ou chutado quando passou?

No futebol feminino, não. As meninas, de todos os países, não só do Brasil, enfrentam dificuldades para viver do esporte, que não arrasta multidões em canto algum.

Foi uma final dramática, repetição da de Atenas, e as americanas levaram de novo. As meninas jogam bola em massa nos EUA, as universidades têm campos e equipes ativas (todas elas, pela lista que recebi aqui, são vinculadas a universidades: Washington, Flórida, Monmouth, Notre Dame, North Carolina, Rutgers, Virgínia, South California, Stanford, Hawaii, Santa Clara, UCLA e Portland), e assim fica mais fácil montar uma seleção.

No Brasil, como se sabe, o futebol feminino vive à míngua, são raros os clubes que investem alguns trocados nas garotas, as universidades não têm nada de esporte (isso é uma coisa que o governo deveria fazer: já que montar uma universidade é a coisa mais fácil do mundo, e todas são fábricas de dinheiro e diplomas, o governo deveria obrigar cada uma a manter um puta departamento esportivo, de alto rendimento, coisa de gente grande; isso mudaria a cara do esporte brasileiro em cinco anos). Os campeonatos, quando existem, não têm público e é assim e pronto. Por isso, algumas vão jogar fora do país.

Elas vão choramingar bastante hoje, reclamar da vida e da falta de apoio, e toda aquela ladainha que seria ouvida também se tivessem vencido (foi assim no Pan). Respeitemos. Mas está ficando um pouco cansativo ouvir esse papo. As pessoas que vivem do futebol feminino no Brasil precisam começar a ter idéias e fazer com que elas funcionem. Senão, vai ser a mesma coisa a cada quatro anos. E o resto do mundo esportivo não se preocupa muito com os problemas dos outros.

Autor: Flavio Gomes - Categoria(s): Pequim 2008 Tags:

134 comentários para “DÓI MENOS”

  1. Cesar Costa disse:

    Concordo com tudo que você escreveu. Só “disconcordo” com o final do texto: “Elas vão choramingar bastante hoje, reclamar da vida e da falta de apoio, e toda aquela ladainha que seria ouvida também se tivessem vencido (foi assim no Pan). Respeitemos. Mas está ficando um pouco cansativo ouvir esse papo. As pessoas que vivem do futebol feminino no Brasil precisam começar a ter idéias e fazer com que elas funcionem. Senão, vai ser a mesma coisa a cada quatro anos. E o resto do mundo esportivo não se preocupa muito com os problemas dos outros”.
    Nem sempre boas idéias funcionam por aqui, porque acabam esbarrando nos dirigentes, como tem acontecido com a Superclassic.
    Outra coisinha: ouvi um papo de que a delegação brasileira de futebol feminino tem mais de 200 pessoas. Procede?

  2. Betaum disse:

    E o Pelé em ??? Maior pé frio , onde vai zica tudo…

  3. JAPA disse:

    Não vejo esta derrota como vexame.
    Se a seleção masculina tivesse metade da vontade dessas garotas trariamos o ouro facil, não q elas não tenham capacidade, pelo menos perderam para as campeãs olimpicas e lutaram muito, coisa q faltou na seleção masculina, q qnd viram q não tinha mais jeito resolveram bater nos hermanos ao inves de tentar jogar futebol.

  4. Guilherme disse:

    Só sei que esses mulheres tem algo que na seleção do dunga/teixeira não tem, que é ter RAÇA, ORGULHO DE VESTIR A AMARELINHA, elas tem mais raça que muito time do campeonato brasileiro mas muito mais, é isso que conta no futebol, ou melhor deveria contar pq isso só acontece com as mulheres, os homens só querem saber $$$$$$$$.

  5. Carmem disse:

    De 16 anos pra cá, é muito fácil dizer que ama o voleibol brasileiro. Acompanho o volei há quase 30 anos. Sou do tempo em que a seleção feminina era freguesa do Peru.
    A evolução do volei é o que de melhor aconteceu em nosso esporte olímpico nos últimos tempos, mas isso custou caro, muito caro. Os dois ouros na quadra só escapam por muito, muito azar, mandinga adversária, ou algo sobrenatural, e nisso incluo a famosa “amarelada” na final.
    Voltando ao assunto do comentário, sem querer repetir o já repetido, sem utilizar jargões ou frases feitas, parabenizo a seleção feminina de futebol. Não sou muito fã do futebol feminino, mas hoje eu fui tomada pela emoção. Mas, os EUA foram eficazes.
    Abraços!!!!

  6. Edmilson Fidelis disse:

    Parabéns pela prata. É um troféu e tanto.

    Depois que um idiota falou que o segundo lugar é o primeiro perdedor a frase virou mantra de outros milhões de idiotas que a repetem sem saber o significado do que estão falando.

    Gostaria de saber se tais idiotas conseguem ser o número um em tudo que fazem.

    Dizer que atletas brasileiros amarelam é outro mantra repetido por outros milhões de idiotas.

    Dignos representantes desta corrente de pensamento são aqueles que se escondem em torcidas organizadas e jogam bambas em campos de treinamento. Agridem atletas e se agridem mutuamente.

    Garanto que a maioria destes sequer conseguiu passar em último lugar num vestibular qualquer e vem arrotar que o importante é ser o primeiro.

    Em que vocês são os primeiros?

    São os primeiros a cobrar dos outros aquilo que nunca farão.

  7. Rodrigo Moraes disse:

    Pra quem diz aí em cima que ninguém deveria gastar dinheiro com esporte, porque o esporte só beneficia o atleta em si, eu digo que o esporte é uma das melhores ferramentas pra inclusão social dessa molecada que fica na rua sem fazer nada. Essa molecada não precisa ganhar medalha nenhuma. É só aprender disciplina, treinar, ficar sem beber, sem fumar, sem usar drogas, sem roubar, que já está bom demais. Isso não é um investimento inteligente? Acorda, pessoa!, digo eu…

  8. Abreu disse:

    Como diria um amigo meu: Um time, para ser campeão, tem de saber ” arrematar ” um campeonato. A seleção americana soube arrematar hoje. O Brasil, pela terceira vez, não arrematou. Outros que não souberam arrematar: Bangu em 1985, Portuguesa em 1996, meu querido Vasco em 2000 ( mundial do Rio ) e , mais recentemente, o Fluminense na Libertadores. Arrematar é preciso. E arrematar rima com ” não amarelar “.Tem algum psicólogo por aí?

  9. pilha disse:

    Não culpando os atletas, mas nas olímpiadas, quando têm um Brasileiro competindo, é duro demais assistir.

  10. antonio disse:

    Concordo com tudo q disse….mas, não alivia minha decepção e ver uma Bandeira que tanta desgraça e sofrimento dá ao mundo, ser levanta mais alta que a nossa, no esporte que é a nossa paixão!!!!!!
    forte abraço

  11. JEPeres disse:

    FG, nenhuma novidade, ha hora decisiva jogaram muito mal, campo pesado e corriam mais que a bola e deu no que deu. Mas valeu pelo brio demonstrado. Já está na hora de parar com êsse ufanismo tôsco, essa falácia de que somos os melhores do mundo, campeões antecipados, etc…. os amebas estão aí provando isso e há anos. A propósito existem no Brasil aos milhares, as “ditas universidades” montadas num único prédio, sem um único laboratório, e os caras tem a cara de pau de chamar aquilo de “campus”. Os professores fingem que ensinam, os alunos fingem que aprendem, os pais dos alunos pagam uma nota preta, o governo finge que está tudo bem..Pesquisa aplicada nem pensar….O negócio é o LUCRO FACIL. Quanto às Federais, estão há 20 anos relegadas ao segundo plano, porém, juntamente com a Petrobrás, são o celeiro de toda pesquisa nacional. FG levantou uma verdade, o modêlo americano, investe em universidades e centros de tecnologia, e estão no tôpo de quase todas atividades do conhecimento humano e o retôrno está aí , sendo o financeiro uma consequência. Êsse modêlo tem que ser aproveitado aqui nas nossas universidades públicas. Enquanto isso emprêsas tupiniquins que se orgulham dos seus lucros exorbitantes, como é o caso da Vale (ex CVRD) que tão logo deixou de ser estatal, uma das primeiras decisões extinguiu um time de futebol tradicional em Itabira/MG. E os ex-bancos estaduais que patrocinavam muito, ex Banespa, etc. etc. Afinal, pelo andar das coisas, ou continuaremos realimentar nosso complexo de vira-latas, ou adotamos um padrão de primeiro mundo. Nem Confúcio tem palavras.

  12. Paulo disse:

    O que acontece é que o Brasil não gosta de esportes pois não o praticamos. A única coisa que ouço é que vamos buscar medalhas, medalhas e medalhas. Se esquecem, TODOS, que o importante é competir, como já disse Confúncio, é claro, muitos séculos atrás. O espírito esportivo é uma coisa que passa longe de nossos formadores de opiniões, porque, efetivamente não sabem absolutamente o que significa.
    Abraços e parabéns pelo blog e para todos os comentaristas do mesmo.
    Paulo – Floripa/SC

  13. André Luiz disse:

    Ah e parabéns Flávio pelo profissionalismo, ao lado do Edu na Espn continuaram a matéria mesmo com todas as luzes do Workers Stadium sendo apagadas rsrs , outros jornalistas teriam interrompido tudo logo na hora , mas tu ainda concluiu mesmo assim .

  14. J. N. Dias disse:

    Se me permire um comentário sobre as meninas do futebol, que lutaram, persistiram, “Nadaram, nadaram e morreram” com a Prata no pescoço. Viu só como estavam as jogadoras dos EUA? Inteirinhas, parecia que tinham jogado só meio tempo, e não dois! Enquanto isso as brasileiras estavam jogadas no gramado, recebendo massagem pra aliviar a dor e evitar câibras.
    Meu, pareciam HOMENS!
    Sei não, acho que elas andaram tomando da receita do Ben Johnson… Ou são travestis! >XD
    O Brasil não pode enfrentar os EUA e a Alemanha, pois se ganha de uma, perde da outra. No Mundial de 2007, deu chocolate nas americanas e levou fumo das alemãs. Na olimpíada, chocolate nas alemãs e fumo das americanas na prorrogação!
    Mas o técnico errou, também. Evitou fazer as duas outras substituições e só as fez depois de levar o gol fatal.
    E as outras jogadoras, só queriam saber de dar bicões pra frente, no melhor estilo “Deixa que a Marta resolve”! Foi um vacilo feio, esse.
    E a grama encharcada também não ajudou. Conclusão: Não era pra ser dessa vez. Quem sabe, em Londres?

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